«Alguém tem de se manter calmo neste manicómio» G. K. Chesterton

Sábado, Janeiro 31, 2009

Uns mais iguais do que os outros, mas iguais III: poderes ocultos

A estratégia e a linguagem («campanha negra» ou «poderes ocultos») de José Sócrates não é nova. Na Madeira, a diabolização dos adversários por via das alegadas campanhas ocultas, seja pela maçonaria, pelo lobby gay, pelos comunistas ou outras forças maléficas, é uma constante.

«Do século XV ao fim da II Guerra Mundial, ela [tal linguagem referida na legenda da imagem] esteve sempre associada ao fanatismo, ao terror e ao arbítrio», começa por explanar Vasco Pulido Valente, que escreve hoje no Público a propósito da comunicação ao país do primeiro-ministro, decorrente do caso Freeport.

Tudo e todos aqueles ("diabos") que se colocam no caminho de quem manda, nomeadamente para prejudicar Madeira e os madeirenses... (quantas vezes se ouve isto?) ou criar sombra ao líder, são para abater, «numa espécie de duelo entre o Bem e o Mal», entre o poder vigente (benévolo) e os "poderes ocultos" (malévolos).

A intimidação surge nessa escolha entre o Bem (eu) e o Mal (os outros). Colocada a questão deste modo autoritário o mesmo é dizer que só há um caminho. Quem quer seguir a via do Diabo? Quem quer ser acusado de ser um instrumento desses alegados poderes maléficos?

«Não se diaboliza o adversário (e um dos nomes do Diabo era o Oculto) por acaso ou por lapso. O exercício pressupõe uma profunda convicção da virtude própria e da maldade alheia; e um ódio ao "Inimigo" (outro nome do Diabo) sem regras, sem limites.»

«Quem são ou o que são os "poderes ocultos"? São tudo e não são nada, é toda a gente e não é ninguém. Qualquer instituição, qualquer pessoa, qualquer categoria de pessoas fica forçosamente sob suspeita

«Devemos nós condenar a imprensa e a televisão? O capitalismo? O PSD? O PCP? A extrema-esquerda? Ou a polícia, a Procuradoria e a Inglaterra? Ou simplesmente devemos condenar (e perseguir?) quem prejudica ou ensombra o nosso chefe?»

«Sócrates prefere o melodrama e a intimidação: quem daqui em diante duvidar dele é um instrumento, "negro" e miserável, dos "poderes ocultos"

Entre nós, em pleno século XXI, o comunismo ainda é usado como o papão para intimidar e diabolizar as vozes independentes e/ou dissonantes. Porque a mentalidade madeirense não se transformou. O discurso adapta-se ao interlocutores-eleitores.

Recorde-se:
"Red-baiting" (EUA década de 50 - Madeira últimos 30 anos)
Uns mais iguais do que os outros, mas iguais II
Uns mais iguais do que os outros, mas iguais I: domínio absoluto
Uns mais iguais do que os outros, mas iguais

Simplesmente vermelho 3


Tsunami Moover T10

Recorde-se:
Simplesmente vermelho 2
Simplesmente vermelho 1

Madeira no seu melhor

Ao contrário do que acontece entre amigos, em política os negócios não ficam à parte.

«Uma das empresas portuguesas de referência na área de consultoria e desenvolvimento de tecnologias de informação ligada ao turismo foi obrigada a inscrever-se na Agência Regional de Promoção do Algarve - ainda que a sua sede seja na Madeira - pois a Associação de Promoção da Madeira não aceitou a sua inscrição», conta hoje o Diário.

Essa empresa, a Segthor, tem o "senão" de pertencer a alguém da oposição, o socialista Carlos Pereira.

Os argumentos invocados pela Associação de Promoção da Madeira para a recusa não impediram que a empresa obtesse a «inscrição na Agência de Promoção do Algarve, pedido prontamente aceite.»

«A circunstância de a empresa de Carlos Pereira ter como sócio o Turismo de Portugal, bem como a sua inscrição por outra associação levantou a suspeita de que a recusa por parte da direcção da AP-Madeira estaria sustentada noutras razões, que não as estatutárias.»

Daí a direcção da AP-Madeira ter decidido reapreciar o pedido de adesão, que irá ser votado em Março. Todavia, a «entrada da empresa de Carlos Pereira na AP-Madeira depende do voto favorável do Governo Regional e da ACIF».

Aditamento:
«A máxima há muito estipulada na Região: "para os amigos tudo, para os inimigos nada e para os outros cumpra-se a lei".»

Cerca de 100 mil contos para ornamentação de Natal na Calheta

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Segundo o Diário de hoje, enquanto os municípios da Ponta do Sol e da Ribeira Brava adjudicaram o serviço de iluminação de Natal por 80 mil e 56 mil euros, respectivamente, a autarquia calhetense fê-lo a rondar a quantia de «meio milhão de euros, o que dá cerca de 100 mil contos na moeda antiga.»

«É mais um indício de que a crise de facto ainda não chegou à Calheta», refere o matutino citado. "Não sei se é caro ou se é barato", afirmou o presidente da edilidade quando «confrontado com os números do custo total das ornamentações de Natal», recusando fazer comparações com os outros concelhos.

«"Só tenho que me justificar perante a Assembleia Municipal"», alegou o autarca. Todavia, os munícipes e contribuintes merecem e têm direito a esclarecimentos porque está em causa dinheiro público.

Recorde-se que a inauguração do presépio concelhio junto ao Jardim do “forno da cal”, na Vila da Calheta, em cinco de Dezembro, mereceu ainda «fogo de artifício e a actuação de vários grupos das diversas freguesias do Concelho, em que os cânticos tradicionais da época marcaram a noite de convívio e confraternização.» Veja as imagens.

Sexta-feira, Janeiro 30, 2009

Madeira em 1931 (reprise)

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A propósito do vídeo e o texto Madeira em 1931, uma amiga ponderada e realista, conhecedora da nossa realidade, disse-me o seguinte:

«Se não tivessem sido os ingleses a trazer a civilização a esta ilha, ainda andávamos em cima das árvores, a saltar de galho em galho

Simplesmente vermelho 2 (SLB I)

Yes, we can.

Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

Simplesmente vermelho 1



A pedido de várias famílias, o olho de fogo regressa ao banner clássico.

Simples, artesanal, mas bem vermelho, retinto como o próprio fogo.

Tenha ou não o olho de fogo uma mão numa lata de tinta vermelha, pelo menos o banner apanhou um banho dessa cor quente, impressiva, de sangue, de vida.

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Terça-feira, Janeiro 27, 2009

YES WE CAN, um hino à Esperança e ao Inconformismo


Versão não legendada.


Versão legendada em português.

Domingo, Janeiro 25, 2009

Professores de luto e em luta 167: seguir a opção dos Açores

O governo socialista da República bem poderia seguir o exemplo do governo socialista regional dos Açores.
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Mário Nogueira, secretário geral da FENPROF, recomenda a adopção transitória preconizada pelos Açores como solução, para o presente ano lectivo, no que concerne à avaliação do desempenho dos docentes, a fim de a tranquilidade chegar às escolas:

«Não querendo o Governo aceitar a solução proposta pela Plataforma Sindical dos Professores, nem as que os partidos políticos propuseram e a maioria absoluta rejeitou... por outro lado, não aceitando os professores a solução que o Governo lhes impôs, só vejo uma possibilidade: ser adoptada, para este ano, no continente, a solução transitória que o Governo Regional dos Açores, também ele do PS, adoptou para a Região. Parece-me que seria uma saída coerente, acertada e responsável, tendo em conta a situação de grande conflitualidade que está instalada nas escolas. E não acredito que, para o PS, o que é bom para os Açores, seja mau para o resto do país...» (www.fenprof.pt)

Recorde-se que os Açores, com governo socialista, como escrevemos neste blogue na altura, suspenderam o actual modelo de avaliação, no dia 17 de Janeiro, que fortaleceu a greve nacional do dia 19 e a luta pela suspensão da avaliação ao nível nacional.

«Donde?», por José Saramago

«Donde saiu este homem?»

«Não peço que me digam onde nasceu, quem foram os seus pais, que estudos fez, que projecto de vida desenhou para si e para a sua família. Tudo isso mais ou menos o sabemos, tenho aí a sua autobiografia, livro sério e sincero, além de inteligentemente escrito.

Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida.

Estes conceitos que alguma vez foram o cimento da melhor convivência humana sofreram por muito tempo o desprezo dos poderosos, esses mesmos que, a partir de hoje (tenham-no por certo), vão vestir à pressa o novo figurino e clamar em todos os tons: “Eu também, eu também.”

Barack Obama, no seu discurso, deu-nos razões (as razões) para que não nos deixemos enganar. O mundo pode ser melhor do que isto a que parecemos ter sido condenados.

No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vinhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar.»

José Saramago

Professores de luto e em luta 166: CORAGEM da madeirense Júlia Caré

É sob fogo que as pessoas demonstram a sua coragem e os seus princípios.
Fotografia: Tiago Petinga, Lusa

A deputada madeirense eleita pelo PS, Júlia Caré, como aqui já tivemos a oportunidade de salientar, nas anteriores votações da suspensão da avaliação na AR, tem sido um dos rostos dessa coragem.

Júlia Caré acredita que é preciso encontrar um «modelo de avaliação consensual» em alternativa ao actual modelo de avaliação do desempenho docente. Como disse ainda ao Diário há uns dias, «não se pode ignorar as manifestações e as contestações, é preciso ouvir os professores.»

Não é fácil ser dissidente na bancada parlamentar, com maioria absoluta, do partido socialista. Demonstra o apego a valores mais altos do que o passageiro apego ao lugar de deputado. Não há preço para a independência a a liberdade. Sem um centro de valores, sem uma antropologia, sem uma constituição pessoal, o ser humano verga consoante a direcção do vento.

A deputada madeirense recebeu por cá muitas críticas, desde o início do mandato, por não fazer isto e não fazer aquilo. Como se a solução fosse demitir-se ou ir para a comunicação social bater no governo. Internamente, no momento e locais certos, tomou posição. Assim a sua acção tem peso e repercução.

Atente-se à reacção do primeiro-ministro (“não gostou” de ver deputados do PS a votar ao lado da Oposição) após a votação favorável do grupo dos cinco - Manuel Alegre, Teresa Portugal, Júlia Caré, Eugénia Alho, Matilde Sousa Franco -, deputados socialistas à proposta do CDS-PP para suspensão da avaliação: «113 deputados, do PSD, CDS-PP, PCP, Bloco de Esquerda, Partido Ecologista, Luísa Mesquita (antiga deputada do PCP) e José Paulo Carvalho (antigo parlamentar do CDS-PP) e os cinco socialistas votaram a favor do diploma.» A afronta à disciplina parlamentar tem custos.

«A Alegre ninguém lhe toca, o mesmo é dizer, faça o que fizer, nem tentam que mude de ideias. Já as outras quatro deputadas têm sentido o peso da maioria. Muitas vezes (aconteceu no código laboral e na avaliação dos professores) chamadas pela direcção a reflectirem sobre as consequências. Não cedem mas sofrem!» (DN Lisboa 24.1.2009)

Muitas pessoas que têm criticado Júlia Caré na Madeira não teriam a coragem de mostrar tal desapego ao lugar («o debate disciplina/liberdade de voto segue, suspeita-se na próxima legislatura. E o grupo dos cinco ainda lá estará?», diz o artigo citado) e enfrentar o partido, «invocando consciência, coerência e respeito por quem os elegeu». Onde estão essas pessoas agora a enaltecer a sua determinação?

Veja os vídeos.

Leia este texto.

Sábado, Janeiro 24, 2009

Madeira em 1931



«Pratically all of Madeira's important industries have been introduced or supported by British imagination and interprise. Even the famous Madeira Wine owes its perfection to an English man».

Então, o que fizemos nós, «native people», em termos de empreendedorismo? Introduzimos o cultivo da cana-de-açucar (note-se que foi o "cubano" infante D. Henrique que resolveu mandar plantar na ilha da Madeira a cana-de-açúcar), que marcou a primeira fase de prosperidade económica da Madeira, nos séculos XV e XVI. Fizemos as levadas no século XIX.

Depois, como não havia cultura para tanto, fomos a força de trabalho para as ideias, a massa crítica, iniciativas (e lucro) dos outros. Conhecemos então a partir do século XVII outro período de crescimento económico, graças ao vinho.

As indústrias do bordado Madeira, do vime e Turismo, além do Madeira Wine, têm a marca da iniciativa inglesa:

O bordado Madeira, diz o filme, não é uma «native industry». Terá sido introduzida, em 1850, por uma «interprising English woman» que fundou uma escola e lá ensinou o que aprendera noutras paragens.

A indústria do vime, «wickery industry» ou «wicker work», deve-se também a uma «English woman», que trouxe uma cadeira de Inglaterra. Em vez dos «natives» andarem desocupados, poderia ser-lhes ensinado algo de útil.

O Turismo, a principal indústria da Madeira ainda hoje, não foi uma iniciativa nossa: «A indústria do Turismo também cresceu bastante, inicialmente através do Turismo Terapêutico. De facto, a partir de meados do século XIX, uma série de médicos ingleses e alemães, recomendaram a amenidade do clima madeirense, como um possível remédio para as doenças pulmonares e muitas pessoas procuravam o Arquipélago da Madeira» (História da Madeira - Uma visão actual).

Estou a lembrar-me que o fogo-de-artifício do fim-do-ano, o pincipal cartaz turístico da Região, foi também introduzido pelo Hotel Reid's: «em 1922, o Reid's Hotel decidiu lançar fogo de artifício às zero horas do primeiro dia do ano.»

Segundo o pequeno documentário, até o antigo carro de bois, que ainda cheguei a ver no Funchal em tenra idade, junto ao Palácio de São Lourenço, na Avenida do Mar empedrada, foi introduzido por um oficial inglês.

Por isso, mesmo apontando alguma exploração da força de trabalho, a Madeira muito deve aos ingleses e às suas famílias, que agora a malta da Madeira Nova desdenha. Ao menos dinamizaram a economia sem dinheiro da União Europeia.

Até o movimento insurrecional contra a Ditadura Militar, formado pelas Revoltas de 1931, curiosamente a data atribuída ao documentário postado aqui, tiveram como mentores (cabecilhas), nos papeís principais, malta fora da Madeira. Os madeirenses foram sobretudo protagonistas como «força de trabalho» (e «carne para canhão»).

Não é por acaso que a Revolta da Madeira é definida como sublevação militar e não como sublevação popular, apesar da população ter tido a coragem e o mérito de viabilizar a revolta indo para as ruas em seu apoio - pelo menos até à chegada do potente contingente militar de Lisboa...

A alegada falta de medo, o espírito crítico e revolucionário de luta pela liberdade e pela democracia dos madeirenses, a ser efectivo, deveria ter gerado mais episódios de revolta na Madeira, durante a Ditadura - nos longos 43 anos até que chegasse o 25 de Abril de 1974 -, desde que os chefes revoltosos de 1931 (entre eles "cubanos" deportados para a ilha) foram desterrados para Cabo Verde. Nem digo acções espectaculares e grandiosas, mas uma resistência mais activa e incómoda para o regime de Salazar. Algo que se visse. Como me lembrava alguém, a FLAMA só aparece após o 25 de Abril para conter uma deriva comunista.

Não havia cultura e massa crítica na altura e a mentalidade não mudou. De que somos agora capazes sem dinheiro da UE? Soubemos "desenvolver" a indústria da construção nas últimas décadas. Bastou contratar empresas.

A cultura e a mentalidade de fundo mantém-se, coisa menos coisa, como na data do documentário. E somos desenvolvidos?

Se pensarmos que em termos escolares os resultados não são razão de orgulho... Pior do que isso, assistimos a uma crescente atitude negativa perante o trabalho, o conhecimento (saber não é poder por aqui) e a disciplina pessoal e cidadã.

Significa apenas que nem tão cedo recuperaremos do nosso atraso secular. Massa crítica e empreendedorismo é uma miragem. O meio não estimula. O ambiente na Região é pouco competitivo, as oportunidades são escassas, os estímulos são limitados, o espaço para as pessoas crescerem e progredirem é reduzido.

Recorde-se:
A lição de Monteiro Diniz

"Back to 1979", o filme do desemprego na Madeira

«[O] ano 2009 não deixa muito boas perspectivas de melhoria e pode tornar-se o 'ano horribilis', em termos laborais e sociais, da 'era' Jardim», diz hoje o Diário.
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«Desemprego com o nível mais alto da 'era' Jardim», é o título do artigo, com «9.302 desempregados em Dezembro é a taxa mais alta desde há 30 anos. E 2008 confirma-a.»

Por outro lado, é preciso não esquever que há desempregados que não dão conta da sua situação à entidade que gere a oferta e a procura de emprego na Região. É preciso não esquecer ainda a emigração sazonal, nomeadamente para o Reino Unido.

Trinta anos de tanto fazer e tanto dinheiro, numa das regiões mais desenvolvidas de Portugal, a julgar pelo PIB, embora empolado, é trágico voltarmos tão rapidamente a 1979 em termos de desemprego.

Sindicalismo e partidos

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Uma notícia no SOL dá conta daquilo que toda a gente sabe, isto é, da influência dos partidos políticos sobre os sindicatos, sejam de direita ou de esquerda: «Quatro dirigentes de sindicato da Fenprof (SPN) demitem-se do PCP acusando o partido de se imiscuir na vida interna da estrutura sindical, disse à Lusa uma das demissionárias». Percebe-se que é resultado de guerras intestinas.

Sabemos que os sindicatos da CGTP-Inter Sindical estão conotados com o PCP e os sindicatos da UGT estão conotados com o PS e o PSD.

A interferência dos partidos nos sindicatos acaba por descredibilizar a acção sindical, porque surge a suspeita de que as lutas dos trabalhadores poderão não ser lutas honestas e independentes do ponto de vista da sua real motivação.

Contudo, não me venham com a história de que 140.000 professores estão instrumentalizados pelo PCP na sua actual luta. Sabe-se que da esquerda à direita, excepto o PS, votaram e defendem a suspensão do actual modelo de avaliação do desempenho.

Esquece-se que foram os professores, nas escolas, que exigiram aos seus representantes sindicais uma luta «aguerrida» contra o actual modelo de avaliação. O memorando de entendimento como o ME foi assinado no final do ano lectivo passado pela plataforma sindical, mas a onda de constestação docente obrigou a rever a estratégia.

Recorde-se que o secretário geral da UGT, João Proença, é daqueles que são vistos na primeira fila na sala do PS, no Largo do Rato, em momentos importantes, como na vitória nas últimas eleições legislativas. A UGT nasceu porque «os sindicalistas ligados aos partidos Socialista e Social-Democrático (conservador) decidiram constituir uma nova central sindical», como se pode ler na página oficial. Por isso, as leis que governos socialistas e social-democratas ponham cá fora são para aprovar... Por isso, muitas vezes não aderem às greves ou ficam calados...

Entre as conotações de uma e outra central sindical, deve-se reconhecer uma diferença: o partido comunista não é, nem foi e muito dificilmente será governo em Portugal. A CGTP-IN não negoceia leis com o PCP como o actual governo PS "negoceia" com a UGT.

Por fim, sabemos do desejo expresso de «quebrar a espinha» aos sindicatos. Por isso, fica também a suspeita que determinadas notícias inserem-se numa campanha contra os sindicatos cujas lutas incomodam o governo, como a actual luta dos professores. Não é por acaso que a notícia de hoje do SOL se refira, precisamente, a sindicalistas-professores.

Os sindicatos podem ter muitos defeitos, mas também têm uma função importante a desempenhar. Segundo a cartilha neoliberal têm de ser esmagados e quebrada a espinha. Vão-se lixar. Prefiro, apesar de tudo, sindicatos imperfeitos do que oferecer um caminho desregulado para a tirania laboral reinar, sem contraponto, sobre a força do trabalho, a parte mais frágil.

A quem interessa sindicatos fracos, inexistentes ou amordaçados? Interessa a senhores da mesma laia daqueles senhores gananciosos dos bancos, que mergulharam o mundo numa grave crise financeira, económica e social.

A propósito:
Olha que novidade

Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

Surf e Bodyboard com Produtos Turísticos da RAM 2

O presidente da maior potência mundial, Barack Obama, surfa (imagem captada no Hawai). Quando acordarão as entidades regionais para o potencial turístico-económico e de marketing do turismo ecológico e de aventura?

«O principal objectivo deste estudo [tese de João Lopes] é analisar as estratégias de promoção regional das modalidades Surf e Bodyboard enquanto produtos turísticos da Região Autónoma da Madeira, contribuindo assim para o aperfeiçoamento das estratégias de planeamento e promoção do marketing turístico a nível regional.

O Turismo de Surf/Bodyboard constitui uma nova oportunidade de negócio a nível mundial, fazendo parte da indústria multimilionária de turismo de aventura.

Tendo em conta que o sector turístico representa cerca de vinte a quarenta por cento do Produto Interno Bruto da Madeira e é actualmente responsável, directa ou indirectamente, por quinze por cento dos postos de trabalho na Região.

A Ilha da Madeira possui locais de boa qualidade ao longo da sua orla costeira para a prática desportiva destas modalidades, tendo como principais atributos as condições climáticas, quer atmosféricas (temperatura do ar e da água), quer oceanográficas (orla costeira extensa e ondulações frequentes), permitindo a prática desportiva durante todos os meses do ano, e em zonas costeiras de baixa densidade populacional, contribuindo desta forma para a diminuição do fenómeno da sazonalidade, bem como descentralização da oferta turística da Região.

A orla costeira madeirense permite a prática destas modalidades a todos os praticantes, independentemente do seu nível de performance desportiva, isto deve-se ao facto de existirem alguns locais com níveis de dificuldade mais baixo, permitindo um fácil acesso aos praticantes iniciados, para além do facto de existirem duas escolas de surf/bodyboard na Região. De uma forma geral, todos os locais de prática desportiva encontram-se situados próximos de localidades e providos de bons acessos e infra-estruturas de apoio, porém a construção de algumas estruturas na zona costeira prejudicaram alguns locais, contribuindo para o aumento do perigo nos mesmos.

No que diz respeito às entidades responsáveis pela promoção turística, existe alguma preocupação a nível privado, mas a nível público/local ainda existe pouca promoção por parte de algumas autarquias onde se encontram localizados alguns locais de prática. Desta forma, sugere-se a elaboração de uma estratégia de marketing por parte dos responsáveis pela formulação das políticas de turismo que inclua abordagens específicas para este segmento turístico.

Em relação ao alojamento típico deste segmento turístico, existe um número reduzido e pouco disperso ao longo da zona costeira, podendo constituir uma oportunidade de negócio nalguns locais mais isolados, contribuindo para o desenvolvimento socio-economicos destas localidades.

Diante deste panorama, as entidades responsáveis pela execução de estratégias para o desenvolvimento turístico da Madeira, necessitam de tomar decisões baseadas em metas eficientemente definidas, que procurem estabelecer os limites de crescimento desejáveis e que, simultaneamente, possam proporcionar o desenvolvimento sustentável local.»

João Lopes
Síntese da Tese apresentada hoje de manhã na Univerdidade da Madeira.

Recorde-se:
Surf e Bodyboard como Produtos Turísticos da RAM 1

Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

Relatividade das más condições de mar

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«O comandante naval [Coelho Cândido] aconselha os surfistas a analisarem bem as situações, não recomendando este tipo de desporto com más condições do mar.» (Jornal da Madeira 22.1.2009)

O surf faz-se, precisamente, quando há forte ondulação, isto é, com más condições de mar para os comuns mortais. Sabemos que o comandante se refere às más condições excepcionais de ontem, em que foram resgatados três surfistas em dificuldade na Ponta Pequena, e não às más condições normais, digamos assim.

Santo Naviera Armas

A Naviera Armas recolhe simpatia e os madeirenses estão com o armador espanhol porque toca no bolso. E o governo regional não vai atrever-se a fechar esta porta de saída da ilha e o acesso a produtos mais baratos no supermercado.
origem da imagem

Se o armador Luís Miguel de Sousa, na RTP Madeira, afirmou estar contente com o ferry da Naviera Armas, se reconhece ser uma operação complicada, se não arriscou tal operação sem apoios comunitários e/ou do Estado português e da Região, não se percebe tanto incómodo e a pressão para impedir que o barco espanhol descarregue carga no porto do Funchal.

Não se quer o mercado a funcionar? É do estilo não se faz nem se deixa os outros fazer?

A Associação de Armadores da Marinha de Comércio invoca questões de princípio para impedir que o Naviera Armas descarregue mercadoria no porto do Funchal, por alegada concorrência desleal, já que não é onerada pelo frete de transporte terrestre do porto do Caniçal à capital madeirense.

Por questões de princípio, a operação do Naviera Armas equipara-se à do Lobo Marinho. Ambos carregam e descarregam passageiros e carga na Pontinha. Se é bom para um, também é para outro.

Faria sentido os passageiros sair no Funchal e a carga sair no Caniçal? Uma parte da carga (dos passageiros) do Armas ficava no Funchal e o resto iria para o Caniçal?

Não se pode prejudicar do interesse de uma população por causa de um conjunto de armadores. Luís Miguel de Sousa disse não saber se as laranjas 50 cêntimos mais baratas era bom ou mau, mas se as laranjas e outros produtos estão a metade do preço, para o consumidor madeirense, o resto é acessório.

Perante a polémica, o armador espanhol responde com o anúncio de um novo barco para a linha, com mais camarotes, e a possibilidade de fazer duas viagens semanais. Será que vai ser acusado de estratégia de mercado desleal?

Além de favorecer o bolso dos madeirenses e contribuir para a continuidade territorial, o navio da Naviera Armas tem a aura de romantismo associada aos navios de passageiros. Permite fazer uma pequena viagem de cruzeiro...

Surf e Bodyboard como Produtos Turísticos da RAM

Sexta-feira (23/1), na Rua do Castanheiro - Universidade da Madeira -, pelas 09h30, João Lopes apresenta a tese intitulada "Surf e Bodyboard como Produtos Turísticos da RAM".

Estou muito curioso sobre as conclusões deste trabalho científico, num momento em que o destino Madeira não pode dar-se ao luxo de recusar o nicho de turismo ecológico/aventura e de turismo desportivo, em harmonia com a natureza, que não colidem com o turismo tradicional e de qualidade identificados com o cliente de hotel de cinco estrelas (qualidade pode assumir vários valores: o estímulo à protecção ambiental e à sustentabilidade do nosso turismo e economia é um valor cada vez mais importante).

Como Barack Obama surfa, pode ser que sirva de farol para os governantes madeirenses.

Fotografia: "Paul do Mar" por William Henry

Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

Fotografias do resgate de três surfistas

Botes ao mar.
Regresso com os surfistas sãos e salvos.
A Ponta Pequena não estava hoje para grandes aventuras...

Em exclusivo, apresentamos as imagens do resgate dos três surfistas que surfavam hoje de manhã, na Ponta Pequena, como já demos conta há algumas horas atrás. Desde o lançamento dos botes à água até à chegada dos náufragos. Clicar nas fotografias para melhor dimensão.

Face à forte ondulação e corrente, dois surfistas acabaram por perder as pranchas e ficaram a flutuar na prancha do terceiro. O alarme foi dado por um surfista experiente a partir do Jardim do Mar, que observou os acontecimentos e calculou que correriam algum risco mais sério.

Entretanto, surgiu o navio patrulha da Marinha, como documentámos com imagens, mas por mero acaso. Em missão de rotina na zona, uma comunicação chegou ao navio e, já em frente ao Paul do Mar, deu meia volta e foi resgatar os três surfistas, como se pode ver nas fotografias.

Parece que a situação não era de desespero, já que os surfistas pretendiam remar na prancha disponível até ao cais do Paul do Mar. Contudo, com as fortes correntes, poderiam surgir dificuldades. Assim, a Marinha resolveu o assunto prontamente.

Jackpot pelas canas dentro 3

Ainda não foi desta que o Jackpot passou, para os partidos na Madeira. Canas com ele.
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«'Sorte grande' dos partidos chumbada pelo TC» intitula hoje o Diário a notícia sobre o chumbo do diploma que alterava os limites do financiamento público dos partidos políticos, uma competência dos órgãos de soberania. O Tribunal Constitucional, por unanimidade, declarou ser "manifestamente inconstitucional".

Sublinhe-se o que já aqui se disse: O mesmo parlamento regional que chumba benefícios e aspirações dos madeirenses (complemento à pensão dos idosos, subsídio de insularidade, complemento para o ordenado mínimo, contagem do tempo congelado aos funcionários públicos, entre outros) é lesta a legislar para dar mais dinheiro aos partidos políticos.

Não se percebe por que razão, numa terra tão pequena, os deputados ou partidos na Região tenham de gastar, em proporção, mais dinheiro do que no resto do país...

O dinheiro dos contribuintes é demasiado importante para andar a ser esbanjado em campanhas com características de circo - ainda por cima circo pimba que apela aos instintos mais básicos das pessoas, em vez de as fazer pensar, reflectir e decidir racionalmente.

A propósito:
Jackpot pelas canas dentro
Jackpot pelas canas dentro 2

Ainda propósito:
Ler o comentário mas, sobretudo, ver a fotografia no Madeira4ever

Salvamento de surfistas náufragos




Pelas 13h30 o navio patrulha da Marinha portuguesa, como pode ver na sequência das imagens, dirigiu-se de Este para Oeste, em direcção à Ponta Pequena, zona entre o Jardim do Mar e o Paul do Mar, a fim de efectuar uma operação de salvamento de três surfistas.

As fotografias - clicar sobre elas para ampliar - documentam ainda a grande ondulação na Ponta Jardim no dia de hoje. Os surfistas mais experimentados não se atreveram a fazer-se ao mar, mas três resolveram arriscar.

Mais imagens e pormenores assim que for possível. São 15h15.

taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa 2008

Maximum black 3

Mar revolto na Ponta Jardim, Jardim do Mar, 19.1.2009.

taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa 2009

Libertem os prisioneiros (consumidores madeirenses)

A concorrência por via do frete marítimo efectuado pela Naviera Armas veio abalar aquilo que vários quadrantes apelidam de monopólio ou cartel.
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Os obstáculos surgiram, a polémica instalou-se mas há coisas que se tem de aceitar num mercado livre, pelo menos livre na teoria...

O que é o essencial? Não é o interesse dos consumidores madeirenses, que têm direito a preços mais baixos?

Se o frete for mais barato os produtos no mercado regional serão menos onerosos, a começar pelos bens de sobrevivência como os alimentares.

Os governos são eleitos para defender o interesse público.

Recorde-se:
Prisioneiros (explorados) dos Elementos
Deixem os madeirenses comer mais barato
Onde moram os colonialistas?
Preços Naviera Armas VS Porto Santo Line

Terça-feira, Janeiro 20, 2009

«The world has changed, and we must change with it»

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«Our economy is badly weakened, a consequence of greed and irresponsibility on the part of some, but also our collective failure to make hard choices and prepare the nation for a new age.»

«Less measurable [than the indicators of crisis] but no less profound is a sapping of confidence across our land - a nagging fear that America's decline is inevitable, and that the next generation must lower its sights.»

«[A]ll are equal, all are free, and all deserve a chance to pursue their full measure of happiness.»

«[T]he world has changed, and we must change with it.»

«[This] moment [...] will define a generation

«Nor is the question before us whether the market is a force for good or ill. Its power to generate wealth and expand freedom is unmatched, but this crisis has reminded us that without a watchful eye, the market can spin out of control - and that a nation cannot prosper long when it favours only the prosperous

«As for our common defence, we reject as false the choice between our safety and our ideals. Our Founding Fathers, faced with perils we can scarcely imagine, drafted a charter to assure the rule of law and the rights of man, a charter expanded by the blood of generations. Those ideals still light the world, and we will not give them up for expedience's sake.»

«Our challenges may be new. The instruments with which we meet them may be new. But those values upon which our success depends - hard work and honesty, courage and fair play, tolerance and curiosity, loyalty and patriotism - these things are old. These things are true. They have been the quiet force of progress throughout our history. What is demanded then is a return to these truths. What is required of us now is a new era of responsibility - a recognition, on the part of every American, that we have duties to ourselves, our nation, and the world [...].»

[Destaques pessoais do discurso de Barack Obama. O texto em Português]

A crise financeira de 2008 e a eleição de Barack Obama marcam o início de uma nova era e de um novo paradigma. Desconhecemos ainda os seus contornos, incerteza incómoda, mas temos de estar preparados para mudar. A felicidade humana não depende do consumismo, do mercado selvagem, da destruição do planeta, do individualismo ou da acumulação ridícula de riqueza por uns poucos. Redescobriremos velhos valores e equilíbrios.

Reacções:
O discurso
O discurso 2

Elementos sobre o estado da Escola Pública 21: intervir contra a indisciplina III




Se não houvesse as razões óbvias para a mobilização dos professores para a greve de ontem, Medina Carreira deixa mais algumas.

Além da parte da entrevista, acima replicada, em que Medina Carreira fala sobre a Educação, transcrevemos ainda estes excertos da entrevista de Gomes Ferreira, do programa Negócios da Semana da SIC, ao mesmo protagonista, no dia 3 de Julho de 2008, segundo o qual a indisciplina é um problema estrutural, mas ignorado:

«[A] Ministra [da Educação] não percebeu nada do que estava a fazer, porque ela quis pôr os professores na ordem, mantendo os alunos indisciplinados. Meu amigo: todos nós fomos estudantes. Imagina que, com gente indisciplinada, pode (até) levar para lá um professor catedrático. O professor catedrático não ensina nada porque eles não deixam ensinar. Portanto, a primeira coisa a fazer era pôr ordem nas aulas...»

«Olhe! Se os pais tivessem a noção do mal que estão a fazer aos filhos; e se os filhos tivessem a noção da hipoteca que os políticos estão a lançar sobre eles - no futuro vão ficar uns ignorantes, na maior parte dos casos - eles já tinham vindo para a rua protestar. Não eram os sindicatos! Eram os meninos.»

«Sabe, meu caro Gomes Ferreira, o problema é este: é que aqueles que precisavam de ser objecto de exigência e da aprendizagem, que são aqueles das classes mais baixas, eles vão ficar tão preparados que serão de classes mais baixas amanhã. Os seus filhos vão ser de uma classe média, como a minha filha é. É que nós estamos a manter esta estratificação, exactamente não ensinando àqueles aos quais precisaríamos de exigir... Porque aqueles que estão em baixo é que precisam ser trazidos para cima. Não é dizer: Coitadinhos, não aprendam nada, vocês não têm culpa de nada, são uns desgraçadinhos, agora continuem... Não, não! Esses é que têm que ser puxados, não são as suas filhas ou a minha.»

Recorde-se:
Intervir contra a indisciplina II

Extra:
Playlist das intervenções demolidoras de Medina Carreira

Segunda-feira, Janeiro 19, 2009

Professores de luto e em luta 165: unidade


A greve nacional de professores de hoje é para contestar o modelo de avaliação e o Estatuto da Carreira Docente nacionais. Certo?

Mais não fosse, o Governo Regional da Madeira tem feito copy and paste da legislação do actual Ministério da Educação (Governo da República). O Estatuto da Carreira Docente Regional e os princípios da avaliação do desempenho são decalcados do nacional. Certo?

A maioria parlamentar na Assembleia Legislativa da Madeira chumbou a contagem do tempo de serviço congelado aos professores. Certo?

Os Açores, com governo socialista, acabaram de suspender o actual modelo de avaliação, no dia 17 de Janeiro, que fortalece a greve nacional de hoje. Certo?

Embora o Sindicato dos Professores da Madeira ter alertado, em comunicado, para que o «esforço de acção e de luta a pedir aos docentes em exercício na RAM deve ficar reservado para momentos que se venham a verificar oportunos e fundamentais para a conquista efectiva de um modelo regional de avaliação de docentes» eu estou em greve, pelas razões acima expostas, bem como ainda numa manifestação activa do meu «total apoio e solidariedade com a luta dos colegas do Continente» e num contributo para a unidade docente.

Como apela o cartaz da greve reproduzido: desmobilizar, nunca.

Aditamento:
Professores: dia de greve nacional

Sábado, Janeiro 17, 2009

Quem (se) governa? 5: exposto esquema da Reserva Federal americana

Este é um aditamento ao texto Guia para entender raíz da crise financeira mundial.
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Para compreender como a América do Norte, e também a Europa, estão a tomar a via da destruição da moeda: http://www.gata.org/node/7095. Todo o sistema é fraudulento. Vamos manter a mentira (aparências: fiat money - dinheiro de papel não baseado ou suportado por ouro, isto é, riqueza real), fugindo em frente, ou enfrentar a realidade?

Deixamos aqui a conclusão do artigo de James Turk, autor do livro "The collapse of dollar"( http://www.dollarcollapse.com/):

«The approaches discussed above to foreign exchange dealings are suggested possibilities. Whatever the technique used, the United States will run some risk of changes in currency values. To have effective protection of the dollar, such risks -- minimized by careful management -- would seem a relatively small price to pay. Once a basic choice is made as between operations for the account of the Federal Reserve Banks and operations by the Reserve Bank for the Treasury as fiscal agent, detailed investigation of coordinating techniques and the requirements of secrecy can be made. It may be that fiscal agency operations offer some advantages in the way of speed and simplicity. However, there are distinct benefits to be gained from Federal Reserve operations for its own account. Foreign exchange operations by central banks are considered a normal part of their activities, and there is much to be said for utilizing resources that are not directly limited by a required cash position. April 5, 1961.

This Federal Reserve memo discovered in William McChesney Martin's papers is another important piece of evidence that monetary policy in the United States has run amok. It is one of the formative documents that have put U.S. monetary policy in general and dollar policy in particular on the wrong path. It clearly describes the intent of the Federal Reserve to pursue a dollar policy that was not only hidden from public view but also contrary to the law at the time, which defined the dollar as a weight of gold and required the maintenance of this standard of value. It was also contrary to the international obligations of the United States under the Bretton Woods Agreement that required the dollar'’s link to gold.

Rather than acknowledging that the dollar by 1961 had become debased, which would lead to a tightening of monetary conditions by raising interest rates (the traditional central bank response to maintain the gold standard) or a devaluation of the dollar to reflect its debased state (the approach taken by Franklin Roosevelt), the aim in 1961 was to pursue a different path. I purposely don't say it was a "new" path, because it wasn't. It had been tried before countless times by many governments and their central banks, and it has never worked. It is a path to the fiat currency graveyard, and the dollar was put on it by bureaucrats in the Federal Reserve serving their masters, the banks.

Today's problems with the dollar and countless insolvent banks thus began decades ago. Bankers got what they wanted, a license for the unbridled extension of credit. As a result, we see clearly today what they have wrought. They have nearly collapsed their banks and the dollar as a consequence. So the emergence of this "Confidential" memo from the Federal Reserve is timely, and hopefully today's policy makers can learn from it.»

Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

Monge metaleiro



Uma reportagem da BBC, diz o seguinte: «A Capuchin monk, Brother Cesare Bonizzi, is the lead singer in a heavy metal band which has just released its second album. The 62-year-old monk's love affair with heavy metal began when he attended a Metallica concert some 15 years ago



Brother Metal rules!



As bandas de metal na Madeira não terão pensado no Clero como um viveiro de potencial recrutamento para o headbanging...

Recorde-se:
Oldest rocker in town
Heavy Metal in Baghdad



Imagens da Holanda, na semana passada, pelo amigo Jo Pötgens.

Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

«Banhadas de Ronaldo e Jardim. E do cão»

Antes ou depois de ler o artigo de Ribeiro Cardoso, cruze com o texto Entrevista de Mário Crespo a Alberto João Jardim.
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«Há noites em que um homem não pode estar em casa – pelo menos com a televisão ligada. Hoje, 2ª feira, foi uma dessas noites. Comecei por levar uma banhada de Cristiano Ronaldo que durou horas. [...]

Pior ainda: a José Rodrigues dos Santos, o apresentador de serviço, não chegou ter vestido a camisola do nacionalismo bacoco de termos o melhor jogador de futebol do mundo. Não. Também nos lembrou, orgulhoso, que “A Casa Branca pode vir a ter sangue lusitano – Obama anda a escolher um cão de água português para oferecer aos filhos…”. [...]

Mas ontem, definitivamente, não era noite para ver televisão. O mais antigo pivô e jornalista da Europa – como pudeste dizer isso ao Correio da Manhã, Mário? - levou uma banhada de Alberto João Jardim maior do que a que eu levei de Cristiano Ronaldo.

O homem da Madeira não deixou falar o jornalista “mais antigo da Europa”. Estava, literalmente, em casa - e teve direito a 30 minutos de tempo de antena. Até parecia uma entrevista na RTP Madeira, feita por um dos mais novos jornalistas locais: Jardim a falar para o povo português, obviamente com cubanos e colonialista incluídos. Sem ser incomodado. Dizendo todos os disparates que já trazia na manga, quase como se estivesse sozinho em estúdio.

Manifestando o seu acrisolado amor a Portugal e aos portugueses – sem que ninguém lhe lembrasse os tempos da Flama, as bombas a rebentarem, as perseguições a militantes de esquerda, as ameaças a jornalistas na Madeira, os escândalos na Assembleia Legislativa, os negócios para os amigos, os empregos para os correligionários, a divida pública, o desemprego, o abandono escolar, os dinheiros loucos gastos com o futebol e com o jornal da Igreja pago pelo Estado, as gerações futuras endividadas até ao osso.

E Crespo a assistir, tentando aqui e ali, timidamente, interromper o caudal de frases que Jardim trazia de casa para dizer … aos cubanos.
Obviamente, nada estava combinado – mas o caudilho da Madeira não podia ter sonhado melhor entrevistador….

[...] É que isso era mesmo o que mais gostaria de ver: Alberto João Jardim candidato a primeiro-ministro de Portugal, em campanha não na Calheta, mas no meio dos cubanos e dos colonialistas. Com os bastardos, para não dizer filhos da puta, dos jornalistas – lembras-te, Mário? - a acompanhá-lo.»

Ribeiro Cardoso
12 de Janeiro de 2009
(Texto completo em Clube dos Jornalistas)

Oldest rocker in town



Owen Brown não é um fã de Heavy Metal qualquer: «an 82-year-old heavy metal fan from Weobley in Herefordshire has spoken about his longstanding love affair with rock music», revela uma reportagem da BBC.

Até a página oficial dos Megadeth, uma banda lendária de Metal ouvida por Owen Brown, replicou a notícia da BBC:

«BBC NEWS has posted the following report and video at its website news.bbc.co.uk: Oldest Rocker In Town. Watch as 82-year-old Owen Brown puts his Megadeth "So Far, So Good... So What?" album on the turntable to listen to his favorite type of music. View the video HERE

Primeiro, prova que ouvir música Rock não se resume a uma fase da idade rebelde adolescente. Alguns de nós, inconformistas, quanto mais velhos são mais razões encontram para rebelar-se.

Em segundo lugar, faz-me sentir uma espécie de nostalgia invertida. Explico-me melhor: em vez de sentir saudades de um tempo ou de vivências passadas, antecipo saudades de um tempo ou de vivências futuras. Perspectivar a possibilidade de ter 80 anos e ainda abanar o capacete...

Obrigado Owen Brown pela inspiração.

Quem (se) governa? 4: guia para entender, realmente, a raíz da actual crise financeira mundial

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Many have had a hard time understanding why this financial (and now economic) crisis is upon us. Oftentimes when we seek answers to one question, we find that the answer links to another question, which links to another question, etc. This is the case in our current financial/economic crisis. Why are some people concerned we are heading into the Second Depression (even worse than the 1930s)?

Why are governments giving billions of dollars to banks and insurance companies to keep them from bankruptcy? Why has the crisis spread from the financial sector to the greater economy (banks to the auto industry)? Why did the central bankers (from early 2007 to early 2008) tell us that the problem was contained to just the sub-prime industry within the financial sector?

If you really want to understand this crisis, you first need to ask yourself... am I willing to follow through to the root causes of this crisis? I say this because the mass media will give you pieces of the puzzle, but the real truth of the crisis is so layered with different inter-connected elements, all of which are just the tip of the iceberg. Some will create caricatures of politicians (as if they were anything more than puppets), and say these politicians are the root cause of it all.

So since I believe video presentation is better than a mass of unedited dribble (my own writing), I will share with you a few categories of research necessary for you to get a grasp of what we are dealing with. And I say this with the encouragement to consider that it is quite possible if not likely that we are heading into the worst economic times since the 1930s.

We should start with some good quotes from Thomas Jefferson who foresaw the dangers we now face in our day.
http://www.youtube.com/watch?v=eysaTbkwXa4

1. MONETARY SYSTEM
http://www.youtube.com/watch?v=QlIhhYGujoQ

This is a 3 1/2 hour documentary with 22 parts that explains the monetary system (the Federal Reserve system) that has been established in America, Europe and now the whole world.

http://www.youtube.com/watch?v=z13TzFBtsWw
http://www.youtube.com/watch?v=Ob9Vr5BHHtg&feature=related

The first is a presentation on the infamous book, "The Creature from Jekyll Island". This explains the creation of the Federal Reserve in 1913. The second link is the same author in a three part series (more personable).

This kind of monetary system is at the root of it all - fractional reserve banking leading to fiat currency (paper money not backed by gold). There is an out of print book called "The Truth in Money" that also explains this monetary system. This is the main root problem.

2. THE CURRENT FINANCIAL CRISIS GOES BACK TO CLINTON ERA LEGISLATION
http://www.gather.com/viewArticle.jsp?articleId=281474977450714

Here is a good snipet from the article that sums it up... "Yes, the market was fueled by greed and overleveraging in the secondary market for subprimes, vis-a-vis mortgaged-backed securities traded on Wall Street. But the seed was planted in the '90s by Clinton and his social engineers."

Now the greed and overleveraging was not limited to the secondary market for subprime mortgages... but this is a good start, so that you understand where things started...

3. MORE CLUES:
http://www.youtube.com/watch?v=JFBRQatmp0o (Crisis explainer)

http://www.youtube.com/watch?v=qxYi2W9vEfw&feature=PlayList&p=4A712F2859EB9B7F&index=0&playnext=1 (People & Power - Savers vs Speculators)

4. FEDERAL RESERVE SCAM EXPOSED:

To understand why America, and Europe too, are taking the path of fiat currency destruction and death:
http://www.gata.org/node/7095

[Texto: KH]

Recorde-se:
Quem (se) governa? 3
Quem (se) governa? 2

Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

Waltz with Bashir



Um história que ajudará a entender melhor o conflito do Médio Oriente do que a maioria das notícias mainstream, como na presente ofensiva israelita sobre a Faixa de Gaza, que contabilizam e actualizam dia-a-dia o número de mortos e feridos, numa rotina banalizadora dos dramas humanos que por lá se vivem.

Os acontecimentos bélicos do presente naquela zona do mundo conferem uma particular pertinência a Waltz with Bashir.

O argumento é de Ari Folman, o realizador do filme, e resume-se assim:

«Uma noite num bar, um velho amigo de Ari Folman fala-lhe de um pesadelo recorrente no qual é perseguido por 26 cães enraivecidos. Todas as noites a mesma quantidade de monstros.

Os dois homens chegam à conclusão que há uma ligação com o exército israelita, durante a sua primeira missão na primeira guerra do Líbano no início dos anos 80.

Ari fica surpreendido pelo facto de já não se lembrar de nada desse período da sua vida.

Intrigado pelo enigma, decide entrevistar velhos amigos e camaradas por todo o mundo. Ele precisa de descobrir a verdade sobre essa altura e sobre ele próprio. Enquanto Ari se envolve cada vez mais no mistério, a sua memória começa lentamente a despertar imagens surreais…»

Segunda-feira, Janeiro 12, 2009

Entrevista de Mário Crespo a Alberto João Jardim

O presidente do Governo Regional costuma dizer que os independentes têm uma mão numa lata de tinta vermelha. Em contrapartida também há quem tente despejar tinta laranja sobre os independentes*.

Mário Crespo resolveu estrear um programa de entrevista com Alberto João Jardim, na Madeira.

Será que não haveria maior pertinência jornalística ter entrevistado o presidente da RAA, Carlos César, sobre o polémico Estatuto, que gerou um clima de guerrilha? Ou Filipe Menezes do PSD? Ou o candidato do PSD para Lisboa?

Os títulos da imprensa, nomeadamente do Público, provam que não houve novidade nenhuma:
«O presidente do Governo Regional da Madeira escusou-se hoje a esclarecer se tenciona candidar-se à liderança do PSD mas aproveitou a entrevista que deu à SIC, hoje à noite, para criticar "grupos internos" do partido por terem impedido, no passado, a sua candidatura.»

* Recorde-se citações oficiais a propósito da tentativa de despejar tinta laranja:

«Em suma, o Dr. Mário [acrescente-se Crespo, que participou numa iniciativa da JSD Madeira, a Universidade Jota, em Maio último] transmitiu-nos uma noção bem precisa de como um autarca deve agir e como deve ser o seu relacionamento com a Comunicação Social, para que se transmita sempre de uma forma clara e objectiva as ideias, alcançado o sucesso no processo comunicativo.» (Jovens Autarcas Social-Democratas 2.5.2008)

«Contamos com oradores que valorizam esta nossa iniciativa de formação política, como seja, o Dr. Fernando Seara, Dr. Mário Crespo, Mestre Sofia Galvão, Dr. Paulo Teixeira, Dr. Alberto João Jardim, bem como, autarcas regionais e deputados na Assembleia da República.» (Juventude Social Democrata)

CR, o génio

Na Antena 1, que auscultou várias pessoas sobre Cristiano Ronaldo, ouviu-se dizer que o rapaz gostava do Benfica, apesar de ter ido parar ao Sporting. Eu sabia que CR era um homem às direitas.

Além disso, não gostei de ouvir relatado que o pai dizia que o menino da bola era o seu «morguinho» (morganho). O amigo do pai entrevistado nem deixou espaço para mal entendidos ao dizer que na Madeira significa «rato pequeno». Toda a gente deve ter orgulho nas suas origens, mas tratar um filho, mesmo que afectiva e afectuosamente, por «morganho» não cai bem.

É um orgulho para qualquer madeirense e português ver CR ser entitulado o Melhor Jogador em 2008. Os melhores sucessos para o futuro.

Tem apenas uma mancha no seu currículo: apoiar candidatos partidários em actos eleitorais.

Aditamento 22h00:
Estrelato e sorte em ter saído da Madeira

Domingo, Janeiro 11, 2009

Heavy Metal in Baghdad

«I would rather play drums as fast as I can than killing someone», diz o baterista da banda Acrassicauda (palavra do Latim que significa "escorpião negro"), a única banda de Heavy Metal do Iraque. «A sua história revela a esperança não expressa de uma geração inteira de jovens iraquianos», diz a sinopse do filme.

Fica o trailer do filme-documentário:

Crónica: Quinta da Piedade

Na passada sexta-feira, dia nove, a família Vasconcelos, dona da Quinta da Piedade, retirou o recheio da casa senhorial.

Há muito que o governo planeava dar outra função ao edifício secular. Parece que ali vai nascer um Centro Comunitário, mesmo que uma estrutura destas não seja algo fundamental na freguesia mais pequena da Madeira, em que as pessoas vivem muito próximo umas das outras e têm pontos de encontro naturais.

Como os centros comunitários são um fato de tamanho único para servir a todas as localidades da Madeira, lá o Jardim do Mar tem que ter o seu. O que é preciso é mostrar obra. Ao menos que se crie uma sala ampla, sem descaracterizar o edifício classificado, é claro, onde possam ter lugar actividades culturais ou actividade física para os seniores.

Tem a vantagem simbólica de devolver à população um espaço donde outrora emanavam as duras directrizes senhoriais próprias do tempo da colonia. O último Morgado do Jardim do Mar terá sido Luís de Vasconcellos do Couto Cardoso Beliago Esmeraldo Bettencourt e Silva, que faleceu no Funchal em 1892.

Acontece que a actual Casa de Chá, no edifício da igreja, que funciona como ponto de encontro e convívio comunitário, nem é muito frequentada.

Mais do que as paredes, é preciso haver recursos humanos capazes de dinamizar este tipo de espaços. Construir paredes é o mais fácil: basta haver dinheiro - se não houver pede-se à banca - e uma construtora.

Professores de luto e em luta 164: venha a demissão

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Os 130 presidentes de Conselho Executivo (PCE) de escolas do Norte e Centro do país decidiram «reforçar a posição do Conselho de Escolas, pedindo a suspensão do modelo de avaliação».

Numa reunião em que chegou a ser «ponderada» a demissão em bloco de todos os PCE presentes, estes acabaram por decidir deixar essa discussão «para outra altura», nomeadamente para o caso de a resposta ao seu manifesto [por parte do Ministério da Educação] não os deixar «mais tranquilos».

Será que o apego ao "tacho" ou a ideia de voltar a ensinar nas salas de aula deixará espaço para essa decisão, com coluna vertebral, da demissão em bloco? Naaahhh.

Diz O cantinho da Educação: «Ficámos [...] a saber que a preocupação fundamental destes 139 PCE, não é tanto o modelo em si, mas o trabalho acrescido que este Simplex 2 lhes acarreta, contrariamente ao que sucedia com o modelo original que fazia recair a maioria dos procedimentos da avaliação sobre os ombros dos coordenadores de departamento. Não fora isso e depreende-se que o Simplex 2 não ofereceria reparos de maior.

Ingénuos daqueles que ainda acreditam na solidariedade dos seus PCE. A maioria deles representa-se a si próprio e vive apenas preocupado em manter o lugar que ocupa. Não dão aulas há largos anos e no que depender deles nunca mais voltarão a leccionar. Entregarmos a nossa luta nas mãos desta gente seria o nosso suicídio. Dependemos de nós e cabe-nos a nós continuar a lutar. Antes sós do que mal acompanhados.»

Muito a propósito:
Suplemento for the boys

Sábado, Janeiro 10, 2009

Professores de luto e em luta 163: Suplemento for the boys

Enquanto os docentes levam um corte no salário e na carreira, os directores e subdirectores passam a ganhar mais: suplemento é pagamento para seguir o dictato.

O Ministério da Educação e o Governo da República já perceberam que precisam de um prologamento da sua mão pesada nas escolas. Pensam que o sucesso escolar vai cair do céu com uma mão dura em cada escola ou agrupamento de escolas, a garantir a disciplina (aos professores, não aos estudantes, está claro) de cima para baixo e à força.

Para os comissários estarem motivados, não há como garantir um suplemento remuneratório entre 310 e 400 euros para subdirectores/adjuntos e entre 600-750 para os directores: Decreto Regulamentar n.º 1-B/2009 (Diário da República n.º 2, Suplemento, Série I, de 5 de Janeiro de 2009). Este diploma prevê ainda a atribuição de um prémio de desempenho.

Isto segue aquela lógica vigente em Portugal de pagar principescamente a gestores e directores (quanto a tais salários já ninguém pergunta se têm em referência o PIB nacional...), com uma série de mordomias associadas, ao contrário do que acontece com os trabalhadores em geral, que o nosso país continua a pagar mal.

Não estou a querer dizer que os professores, em particular, ganham mal. Apenas salientar a contradição: enquanto os docentes levam um corte no salário e na carreira, os directores e subdirectores passam a ganhar mais. Aqui o Governo da República não se importa em abrir os cordões à bolsa...

Por mim, poderiam pagar ainda mais aos directores das escolas, desde que não o retirassem a quem está a ensinar nas salas de aulas.

E não me venham com essa lenga lenga salazarista de que «se soubesse quanto custa mandar, obedeceria toda a minha vida»...

Quinta-feira, Janeiro 08, 2009

Professores de luto e em luta 162: Governo orgulhosamente só na sua teimosia absoluta [actualizado 10.1.2009]

origem da imagem

Os projectos de lei do BE e do PEV, que visavam suspender a avaliação dos professores, foram rejeitados hoje por apenas um voto: 114 deputados votaram contra, 113 a favor e um absteve-se. Manuel Alegre, Teresa Portugal (prof), Júlia Caré (prof) e Eugénia Alho votaram a favor. Matilde Sousa Franco absteve-se.

O projecto do PSD teve igual sorte: 114 votos contra e 109 a favor. A bancada do PS contou com a abstenção de cinco deputados socialistas: Manuel Alegre, Júlia Caré, Teresa Portugal, Eugénia Alho e da independente socialista Matilde Sousa Franco.

(Note-se que, na RTP1, só passados 40 minutos a notícia apareceu no telejornal das 20:00)

Os seis deputados do PS que votaram ao lado da oposição no debate do início de Dezembro, o que teria possibilitado a aprovação de um projecto de resolução do CDS-PP que recomendava ao Governo a suspensão da avaliação dos professores, alteraram o sentido de voto quanto ao projecto do PSD.

Pior é o caso de dois deputados professores do PS, João Bernardo e Odete João, que agora votaram contra os projectos, depois de terem, respectivamente, votado a favor e abstido em relação ao projecto do CDS-PP.

Quanto aos projectos do BE e do PEV, porque as contas estavam feitas, em política não há coincidências, votaram a favor quatro deputados socialistas, com a abstenção de Matilde Sousa Franco a assegurar o 114 contra e 113 a favor. Assim o PS teve o que queria e quatro dos deputados tiveram "liberdade" para votar: os votos favoráveis não alteraram o chumbo.

Apesar do chumbo, através de um apertado 114-113, a bancada socialista e o Governo da República foram confrontados e expostos mais uma vez. O PS está orgulhosamente só na sua teimosia absoluta. A votação na AR é mais um factor de motivação para a luta dos professores.

Deputados socialistas professores que votaram contra a suspensão do actual modelo de avaliação (falta confirmar apenas os que estavam presentes na votação de hoje):

[Actualizado:]

Deputados PS professores ou ex-professores contra suspensão deste modelo de avaliação do desempenho


Agostinho Gonçalves, Alberto Arons de Carvalho, Alcídia Lopes, Aldemira Pinho, Bravo Nico (prof universitário), Maria Celeste Correia, Fernanda Asseiceira, Fernando Cabral, Horácio Antunes, Isabel Coutinho, Isabel Pires de Lima (prof universitária), Jacinto Serrão (círculo da MADEIRA), João Bernardo, Jorge Fão, José Augusto de Carvalho, José Junqueiro (prof universitário), Jovita Ladeira, Luiz Fagundes Duarte (prof universitário), Maria Jesuína Carrilho (prof universitária), Maria do Rosário Carneiro (prof universitária), Maria Helena Rodrigues, Maria Manuel Oliveira, Miguel Ginestal, Miranda Calha, Odete João (mas não mencionou a profissão principal na declaração de interesses da AR), Paula Barros, Paula Nobre de Deus (prof universitária), Paulo Barradas, Paulo Pedroso (prof universitário), Pedro Farmhouse, Renato Leal, Ricardo Gonçalves, Rosa Maria Albernaz e Rosalina Martins. Refira-se ainda que Manuel José Rodrigues é inspector da Educação e Cláudia Couto Vieira já foi docente.

Aditamento 9.1.2009:
«No PS, que tem uma maioria absoluta de 121 deputados, faltava o deputado Victor Baptista e o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, optou por não exercer o seu direito de voto», lê-se hoje no Diário, a confirmar a presença de todos os deputados professores, acima referidos, que votaram ontem contra a suspensão do actual modelo de avaliação do desempenho docente.

Ao menos a professora madeirense e deputada socialista, Júlia Caré, no momento certo, tem votado ao lado dos professores. E sabemos que a pressão é muita no sentido da disciplina de voto. "Não se pode ignorar as manifestações e as contestações, é preciso ouvir os professores", disse a deputada insular.