«Alguém tem de se manter calmo neste manicómio» G. K. Chesterton

Sábado, Fevereiro 28, 2009

Simplesmente vermelho 17


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Recorde-se:
Simplesmente vermelho 1

Desnudar alguns absurdos





Perante o agudizar de determinados problemas no ensino, é preciso cruzar leituras, sem cegueiras ou complexos ideológicos, com abertura e sentido crítico. Reflectir sem constrangimentos ideológicos e participar no debate. Esse debate deve ter por referência a realidade, que nos permita encontrar as melhores respostas a cada momento e contexto, e não deve continuar a ser inquinado pela ideologia.


Deixamos aqui uma trilogia, que tem a sua pertinência, quer se goste quer não, embora a razão não esteja apenas de um só lado. O importante é o referido debate, o agitar das águas e perceber como podemos melhorar os resultados escolares e preparar os portugueses para a vida activa, incluindo o exercício (consciente) da cidadania.

Os Filhos de Rousseau (Relógio d’Água, 1997) > Maria Filomena Mónica
Eduquês em Discurso Directo (2006) > Nuno Crato
A Lógica dos Burros (Publicações Europa-América, 2007) > Gabriel Mithá Ribeiro

Estes livros têm em comum serem acérrimos críticos da chamada pedagogia romântica (utópica, idealista, desligada da realidade e do contexto da sua época) e do lóbi das ciências da educação & associados. Maria Filomena Mónica, por exemplo, referiu que tinha por objectivo «contrariar as veleidades totalitárias dos pedagogos», «por pensar [ela] que aprender exige esforço».

Uma coisa é certa: se não forem moderados e cruzados com a realidade, determinados ideais utópicos, que pululam a educação portuguesa, condicionados à partida pela ideologia, podem conduzir ao desastre. É preciso denunciar problemas como a indisciplina endémica nas salas de aula, sem medo de ser-se acusado de reaccionário, autoritário ou outra coisa qualquer.

Faz-me impressão essa ideia (pouco humilde e irrealista) de que o professor empunhando orgulhosamente a pedagogia poderia mudar o mundo a partir da sala de aula e dispensar o esforço e o trabalho do estudante. Mentira. Por vezes, acontecem milagres, mas é a excepção e não a regra, quando um conjunto de circunstâncias se conjugam para além do docente.

Nunca devemos desistir de fazer melhor e ter algumas utopias como farol para a nossa caminhada mas, entretanto, temos de viver o dia-a-dia nas circunstâncias deste mundo. É com elas que temos de lidar.

A escola pública ao permitir (pactuar, tolerar, ignorar) a falta de condições de trabalho para alunos e docentes está a conduzir aqueles para o insucesso escolar (e até abandono) e estes para a permamente insatisfação profissional. Essa é a maior e mais grave discriminação e selectividade social que a escola pública faz. Ao não dar aos alunos as ferramentas para a vida. Cria inadaptados. Cria analfabetos funcionais. Gera marginalização social.

A Esquerda gosta de justificar o insucesso e abandono escolar apenas a montante: nas causas socio-económicas e culturais. As crianças e jovens não têm responsabilidade no seu insucesso escolar e a justificação está no contexto, é-lhes exterior. Detém-se no factor social e identifica-o como a causa dos resultados escolares e educativos. O papel do indivíduo, a sua vontade pessoal, é menosprezada.

A Direita detém-se mais nos factores da disciplina e do trabalho. Na acção do próprio indivíduo. Nos factores intrínsecos ao indivíduo. Relativiza os factores externos, como o contexto socio-cultural, no sucesso escolar e educativo da pessoa.

A verdade está sempre algures no meio...

A disciplina e o trabalho individuais são dois factores nucleares para o sucesso escolar. São as condições base do trabalho numa escola, seja do aluno, seja dos professores. Seja escola pública ou privada. O contexto socio-cultural do indivíduo não deve ser usado como álibi para relativizar esses factores. A criança resiste à disciplina e ao trabalho. Porque custa. Mas, os adultos, têm de fazer o seu papel e preparar as crianças para a realidade da vida (educar a vontade).

O caminho do facilitismo não é opção porque o mundo não é assim. Quem chega em desvantagem à escola deve usufruir de apoios (sociais e pedagógicos) para amortecer os condicionamentos socioculturais de origem e ter incentivos para aprender e evoluir, mas nunca serem brindados com pseudo-inclusões ou com facilitismos (para pobre pouco lhe basta) como a ideia de que se aprende sem trabalho.

Como escreveu António Nóvoa, «o pior que podemos fazer às crianças, sobretudo às crianças dos meios mais pobres, é deixá-las sem uma verdadeira aprendizagem

Desidério Murcho diz que o «filho de um professor universitário ou de um médico tenha uma educação miserável na escola é muito pouco importante porque a tem em casa; mas para o filho do pedreiro, é muito grave: se não a tem na escola, não a tem em lado nenhum

Medina Carreira faz o mesmo alerta: «o problema é este: aqueles que precisavam de ser objecto de exigência e da aprendizagem, que são aqueles das classes mais baixas, eles vão ficar tão preparados que serão de classes mais baixas amanhã. Os seus filhos vão ser de uma classe média, como a minha filha é. É que nós estamos a manter esta estratificação, exactamente não ensinando àqueles aos quais precisaríamos de exigir... Porque aqueles que estão em baixo é que precisam ser trazidos para cima. Não é dizer: Coitadinhos, não aprendam nada, vocês não têm culpa de nada, são uns desgraçadinhos, agora continuem... Não, não! Esses é que têm que ser puxados, não são as suas filhas ou a minha.»

Maria Filomena Mónica, catedrática que criticou severamente o ensino do Estado Novo e sempre se assumiu como esquerdista (liberal), diz bem que, «sob a capa da retórica igualitarista, aniquilam a única oportunidade que os filhos dos pobres têm de sair do buraco onde nasceram

O professor orienta, apoia, cria as condições e oportunidades para que o processo de aprendizagem seja o melhor possível, mas não é o professor que tem de trabalhar em vez de quem aprende.

Todavia, hoje, é como se o aluno estivesse dispensado do trabalho, esforço, predisposição para a aprendizagem e disciplina pessoal.

A escola, a pedagogia e o docente nunca substituirão a necessidade de disciplina por parte de quem aprende, para que possa aprender mais e melhor. O trabalho intelectual exige rigor e disciplina.

Recorde-se:
Alunos do Leste europeu arrasam postura desculpabilizante
Laxismo e facilitismo estudantil significam exclusão social

Complexos de esquerda = facilitismo
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação
Escola ideal é diferente da escola real

Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009

Três décadas de Nick Cave

«He’s emerged from the darkened depths of a gothic punk nightmare to cement himself as one of the most significant songwriters of his generation encountering hard drugs and raging inner demons along the way. In a MOJO world exclusive, Nick Cave looks back over the turmoil and joy of the last thirty years. Step forward a true rock ‘n’ roll great.»
Mojo (March 2009)

Simplesmente vermelho 16

Slayer.
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Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

Sócrates mantém princípio da eleição democrática nas escolas e limita mandatos [actualizado 17h]

A governação madeirense é de direita quanto às opções na gestão das escolas, mas de esquerda quanto ao laxismo e facilitismo estudantil reinante, mais conhecido como bandalheira.
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Ao contrário das tentativas da Madeira em fazer passar um modelo de gestão das escolas que eliminava a eleição democrática das direcções, em favor de uma nomeação por concurso que o Tribunal Constitucional veio a chumbar, o Governo da República opta por manter o princípio da eleição democrática.

Ainda segundo a notícia do Público (23.2.2009), o director da escola será escolhido pelo Conselho Geral, órgão máximo do estabelecimento de ensino, onde têm assento representantes do pessoal docente e não docente, dos alunos, dos pais e encarregados de educação, do município e da comunidade local.

Outra novidade tem a ver com o facto de os directores só poderem estar à frente das escolas durente dois mandatos seguidos de quatro anos. Muito apropriado, diga-se. A limitação de mandatos é um bom princípio tal como a eleição democrática.

Contudo, veremos se a Madeira, tão lesta a plasmar a legislação nacional do sector da Educação do governo de Sócrates, basta recordar o que se passou com o Estatuto da Carreira Docente, se esquece desse princípio de limitar os mandatos dos directores... Se vai dar hipóteses aos aspirantes a Hugo Chávez, a Alberto João Jardim ou a Diamantino Alturas.

Recorde-se que, ao contrário do que acontece ao nível nacional, as direcções das escolas da Madeira não são avaliadas. Por serem cargos de confiança política, justificou-se na altura. É um mau presságio do que vai acontecer no que toca aos mandatos dos directores, para além de ser um mau princípio não se ser avaliado (prestação de contas).

Ainda:
Dada razão a Monteiro Diniz pelo TC e pelo pesidente do Governo Regional

Terça-feira, Fevereiro 24, 2009

Libertem os prisioneiros (consumidores madeirenses) 2

Quando se deixará cadeias como o MiniPreço ou o Lidl entrar na Madeira? Dava jeito aos madeirenses comer mais barato... Não nos compliquem a vida, antes minimizem os preços no supermercado.

Recorde-se:
Prisioneiros (explorados) dos Elementos
Deixem os madeirenses comer mais barato
Onde moram os colonialistas?
Libertem os prisioneiros (consumidores madeirenses) 1

Simplesmente vermelho 15

Bass amp.
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Recorde-se:
Simplesmente vermelho 14 : rocker
Simplesmente vermelho 13 : Loeb
Simplesmente vermelho 12 : C4 Ninco slot car
Simplesmente vermelho 11 : V for Vendetta
Simplesmente vermelho 10 : 300
Simplesmente vermelho 9 : Sin City (film)
Simplesmente vermelho 8 : Sin City (novel)
Simplesmente vermelho 7 : stereo
Simplesmente vermelho 6 : phone
Simplesmente vermelho 5 : race track
Simplesmente vermelho 4 : rally team
Simplesmente vermelho 3 : computer
Simplesmente vermelho 2 (SLB II) : Mantorras
Simplesmente vermelho 2 (SLB I) : football team
Simplesmente vermelho 1 : classic banner

Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009

Inebriamento floral

«Aqui na Madeira são as flores, as festas, o vinho, a alegria e, portanto, tudo isso comporta depois [algumas] emanações que ultrapassam os limites minimamente razoáveis

Funchal, entre a 31 de Janeiro e a 5 de Outubro, 20 de Fevereiro 2009.
Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa 2009

Domingo, Fevereiro 22, 2009

Elementos sobre o estado da Escola Pública 25: enfrentar a realidade antes que ela nos engula

Quando é que os professores deixarão de ser como os peixes, que nunca vêem a água?... Dar-se conta da água é chocante e provoca-nos, mas é preciso ter uma posição crítica sobre o aquário em que vivemos, disse certa vez Sérgio Niza.

João Filipe Pestana, nas 'duas linhas' [Diário 20.2.2009], pinta o retrato da realidade melhor do que a maioria dos agentes de ensino, que vivem diariamente dentro das escolas. Peixes no aquário... que não dão conta da água em que vivem.

«A taxa oficial de analfabetismo na Madeira era, em 1981, de 26,6%, em 1991, de 15,3% e, em 2001, de 12,7%.

Se a dois anos dos próximos censos há uma tendência decrescente do analfabetismo, por outro lado é cada vez mais difícil ignorar a galopante iliteracia que até se estende à Universidade, conforme noticia hoje o Diário.

Mas numa terra de um 'povo superior', há quem não se aperceba desta situação ou dela não queira ter consciência. Não é o caso dos professores com quem me cruzei, nem acredito que seja um problema dos que actualmente ensinam e que tentam incentivar e despertar os alunos para a Leitura, para a Cultura, enfim, para tudo o que contribua para o seu engrandecimento.

Só que quando os alunos não têm nenhuma vontade de aprender, quando levam de casa e da rua para a escola um jargão rasteiro, quando desestabilizam as aulas não porque são hiperactivos mas porque são delinquentes e estão claramente no lugar errado, quando a sociedade civil e o mercado de trabalho lhes passam a ideia que as competências e os conhecimentos académicos pouco ou nada servem na hora de encontrar emprego e que basta ter 'padrinho' ou ser do partido, então não há nenhum método de ensino que sobreviva.

Já dizia Pitágoras, eduquem a Criança e não será necessário castigar o Homem.»

Recorde-se:
24: laxismo e facilitismo estudantil significa exclusão social

Sábado, Fevereiro 21, 2009

Elementos sobre o estado da Escola Pública 24: laxismo e facilitismo estudantil significa exclusão social

Parafraseando Maria Filomena Mónica, sob a capa de um falso igualitarismo e inclusão balofa, «aniquilam a única oportunidade que os filhos dos pobres têm de sair do buraco onde nasceram.»
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Quando anda toda a gente com o discurso politicamente correcto da escola inclusiva, poucos são os que se apercebem da contradição com a realidade.

A NOSSA ESCOLA portuguesa (e madeirense) do nivelamento por baixo, do laxismo e facilitismo estudantis, do discurso do coitadinho e da "sociedade/civilização fonte de todos os males", da indisciplina e ausência de trabalho generalizados nas salas de aula, entre outros factores, é TUDO MENOS INCLUSIVA. Aliás, exclui duplamente os estudantes e ainda descredibiliza a escola pública.

E porquê? Porque quem precisa mais da educação, quem parte em desvantagem, que são as classes menos letradas, cultural e socialmente menos favorecidas, não encontram na escola o nível de exigência e de ensino que lhes permitiria aceder à mobilidade e ascensão social. Porque não conseguem afirmar-se pela inteligência e pelo conhecimento. Acabam muitos na escolaridade mínima, no abandono e no insucesso escolares, isto é, na exclusão pura e dura.

Há românticos (ou antes malabaristas) que conseguem ver nisto inclusão... e, pasme-se, justiça social... Ó povo enganado...

Desidério Murcho refere ser «evidente que quem tem a ganhar com um mau ensino generalizado, em que todos os estudantes passam [passar sem saber devido ao nivelamento por baixo], é quem tem privilégios», as elites.

O mesmo professor afirma que o «filho de um professor universitário ou de um médico tenha uma educação miserável na escola é muito pouco importante porque a tem em casa; mas para o filho do pedreiro, é muito grave: se não a tem na escola, não a tem em lado nenhum

O resultado é este: «os filhos dos que não pertencem às elites, mesmo que sejam mais inteligentes do que os outros, vão ficar sempre para trás.» E um «sistema em que apenas as elites têm acesso à educação é um sistema pior porque nesse sistema pessoas muito mais inteligentes do que os que pertencem às elites não podem desenvolver todo o seu potencial, porque são à partida excluídos.» (LER MAIS)

Ensino mais pobre é igual a dupla exclusão (não se dão ferramentas para as pessoas governarem a sua vida no futuro). E não me venham com as cantigas desculpabilizantes (do facilistismo por parte de quem aprende) do costume.

Medina Carreira, que foi ministro das finanças do I Governo Constitucional (1976-1978), liderado pelo Partido Socialista, corrobora: «o problema é este: aqueles que precisavam de ser objecto de exigência e da aprendizagem, que são aqueles das classes mais baixas, eles vão ficar tão preparados que serão de classes mais baixas amanhã. Os seus filhos vão ser de uma classe média, como a minha filha é. É que nós estamos a manter esta estratificação, exactamente não ensinando àqueles aos quais precisaríamos de exigir... Porque aqueles que estão em baixo é que precisam ser trazidos para cima. Não é dizer: Coitadinhos, não aprendam nada, vocês não têm culpa de nada, são uns desgraçadinhos, agora continuem... Não, não! Esses é que têm que ser puxados, não são as suas filhas ou a minha.»

E vai mais longe: «Se os pais tivessem a noção do mal que estão a fazer aos filhos; e se os filhos tivessem a noção da hipoteca que os políticos estão a lançar sobre eles - no futuro vão ficar uns ignorantes, na maior parte dos casos - eles já tinham vindo para a rua protestar. Não eram os sindicatos! Eram os meninos.»

Maria Filomena Mónica, catedrática que criticou severamente o ensino do Estado Novo e sempre se assumiu como esquerdista (liberal), diz bem que, «sob a capa da retórica igualitarista, aniquilam a única oportunidade que os filhos dos pobres têm de sair do buraco onde nasceram.» E conlcui: «se a correlação entre educação e crescimento económico é falsa, a existente entre classe social e êxito escolar é uma realidade.»

Numa livraria perto de si:
Os Filhos de Rousseau (Relógio d’Água, 1997) > Maria Filomena Mónica
Eduquês em Discurso Directo (2006) > Nuno Crato
A Lógica dos Burros (Publicações Europa-América, 2007) > Gabriel Mithá Ribeiro

Recorde-se outros textos da série:
23: Leste arrasa postura desculpabilizante
22: valores do Trabalho e da Responsabilidade moribundos na escola
1: condições de trabalho
10: educação infantil em Portugal (Eduardo Lourenço)
7: violência camuflada I
9: nem ditadura por disciplina nem a ditadura da indisciplina
12: violência camuflada II
13: violência camuflada III
15: Violência (des)camuflada IV
19: Intervir contra a indisciplina I
20: Intervir contra a indisciplina II
21: Intervir contra a indisciplina III

Outros:
Complexos de esquerda = facilistismo
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação
Escola ideal é diferente da escola real

Brincamos mesmo
País de brincalhões

Fomentos da indisciplina [quando o exemplo nem vem de cima]

[O assunto não fica por aqui. A luta pela racionalidade continua em próximos textos, neste blogue]

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

Simplesmente vermelho 14

Max Cavalera.

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

Madeira endémica é um saco de gatos 2: Sad but True

Jason Newsted, o baixista de Metallica aquando do concerto de Junho de 1993, em Lisboa. "Sad but true" foi um dos temas entoados.
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Sad but True, do Black Album dos Metallica, foi dos que gostei mais de ouvir ao vivo, no primeiro e memorável concerto em Portugal. Muito groove e intensidade.

Lembrei-se deste facto não só por andar a ouvir o triplo CD ao vivo que integra a caixa Live Shit Binge & Purge, de 1993, mas também pelo texto Madeira endémica é um saco de gatos, cujas reacções que até agora suscitou, seja pela classificação atribuída no post ou pelos textos deixados nos comentários, confirmam a sua pertinência.

E estão aí acontecimentos no seio do Partido Socialista da Madeira, mais uma vez, a provar as teses aqui do rapaz. Uma boa amostra do que são males endémicos a funcionar na plenitude e o que é um saco de gatos. E no Partido Social Democrata da Madeira não se arranham uns aos outros, pelo menos à luz do dia, porque há uma liderança carismática, forte e unificadora.

Lembro outro texto, Leis da natureza humana, em que se deu conta que, a «propósito da Associação de Promoção da Madeira (AP-Madeira), Alberto João Jardim demonstrou mais uma vez ter um sentido de realismo e pragmatismo na condução de certos assuntos, que se adapta e responde ao contexto socio-cultural e à mentalidade madeirenses».

E citamos as palavras do presidente do GR: «Nunca acreditei naquilo [AP-Madeira], porque já sabia que à boa maneira madeirense ia dar nisto [ausência de financiamento privado, entre outros bloqueios], porque já sei que quando há interesses madeirenses diferentes, todos metidos no mesmo saco, sei que isto acaba tudo à bulha e em asneira

E quando andamos à bulha fazemo-lo com uma virulência e uma contundência ao ponto de espumarmos pela boca e cuspirmos veneno. Acaba tudo em urdiduras conflituosas e em ataque pessoal, sem tréguas.

Também será «fruto de uma certa caracterização comportamental» insular madeirense, como disse Monteiro Diniz, muito perspicaz e atento à nossa realidade social e cultural. «Aqui na Madeira são as flores, as festas, o vinho, a alegria e, portanto, tudo isso comporta depois estas emanações que ultrapassam os limites minimamente razoáveis

Como ainda referiu o Representante da República, «é uma cultura cívica. O problema é de civismo, de cidadania, de cultura».

E como canta James Hetfield, «you know it's sad but true».

Refundiando o baú

Os temas dos primeiros álbuns de Metallica - Kill 'Em All, Ride the Lightning, Master of Puppets e ...And Justice for All, todos dos anos 80 - têm melhor som nas gravações ao vivo da década de noventa, nomeadamente ao nível dos graves (bateria e baixo), do que os originais de estúdio.
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Há anos que não ouvia o triplo CD ao vivo que integra a caixa Live Shit Binge & Purge, de 1993, época saudosa em que a paixão pela música da banda atingiu o pico de intensidade após o Black Album e o primeiro concerto em Portugal.

Bob Rock produziu os discos de Metallica com melhor qualidade sonora: Black Album, Load, Reload e St. Anger. O primeiro e este estão entre os que mais gosto da banda. O som fininho dos discos da década de oitenta não me predispõe e não dá gozo ouvir.

O mais recente então nem se fala, completamente lixado pela maneira como foi gravado devido à loudness war (compressão do som). Nem o comprei. O baixo e a bateria estão em segundo plano em favor da vocalização e das guitarradas: Death Magnetic, onde moram os graves?

Já não tinha presente que este triplo CD ao vivo, gravado no México em 1993, tinha tão bom som, com os graves bem presentes e robustos. Ainda bem que fui refundiar ao baú.

Vou sugerir à banda que toque e grave ao vivo os quatro primeiros álbuns... Já agora com o Bob Rock a supervisionar o projecto, apesar de não surgir nos créditos do referido triplo ao vivo.

Terça-feira, Fevereiro 17, 2009

Madeira endémica é um saco de gatos

Na Madeira, Manuel Machado já percebeu que o mérito dos outros não é elemento que nos motive para suplantar e sermos melhores, mas sim para tentar aniquilar o mérito alheio.
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Manuel Machado, treinador do Nacional, referiu no dia 13.2.2009 que aquele clube de futebol «é uma colectividade de média-pequena dimensão. É periférica. Mesmo na Região, de alguma forma, torna-se mais pequena fruto de alguns factores que estou cansado de enumerar.»

E depois aborda um deles: «Há um livro chamado Tratado Sobre a Inveja, que eu aconselho que muita gente aqui na Região o possa ler. O mérito dos outros deve ser elemento que nos leve de alguma maneira a tentar suplantar e não a tentar desfazer esse mérito [alheio] através de factores e procedimentos menos correctos.» (FONTE: telejornal RTP-M, por volta dos 9 minutos).

Ora, isto não é novidade mas reforça algumas teses deste blogue. A Madeira é um saco de gatos e por isso se compreende um poder governativo de mão dura para se poder controlar esta gente que sente desgosto pelo mérito e conquistas dos outros, geradora de conflitos estéreis e do bota-abaixo leviano.

Compreende-se que, face a esta mentalidade da sociedade madeirense, foi preciso Alberto João Jardim, enquanto líder da governação, encaixar-se nela e exercer um certo nível de controlo para tornar a Madeira governável (com estabilidade política e social), mas, passados quase 30 anos, deveriam já ter sido estimuladas (concedido espaço) determinadas mudanças (revoluções) culturais e cívicas que conduzissem a uma maturação e arejamento democráticos (desbloqueios).

Até por razões de desempenho económico, já que a qualificação, nível de conhecimento, competências e capacidade de iniciativa dos recursos humanos são aspectos decisivos, para quem não quer viver só do Turismo ou do investimento público.

Num mundo moderno, concorrencial e competitivo, de busca do melhor, da qualidade e da excelência, as ideias e projectos devem prevalecer pela sua pertinência intrínseca e não por outros factores secundários (amizade, ideologia, cor política, origem socio-familiar, tráfico de influências, entre outros). É preciso não ter medo das ideias novas e da inovação, nem as esmagar.

Disse Manoel de Oliveira (Visão, 14.11.2002), sobre os portugueses: «Eles não querem ser melhores do que tu, o que não querem é que tu sejas melhor do que eles». Nesta Região tal atitude é levada ao extremo.

O espírito livre que teime em participar, em ter ideias melhores, em apontar caminhos alternativos mete-se em sarilhos sérios. É encarado como ameaça e inclusive quem manda faz tudo para isolar, anular ou descartar.

Somos uma sociedade que padece de males endémicos como a «inveja», o «gosto pelo maldizer», «a «não distinção entre qualidade e mediocridade, entre o principal e acessório», como disse o presidente do Governo Regional numa tomada de posse.

Mas sem esquecer a pouca tolerância face a ideias diferentes e à discordância; o desprezo e hostilização das minorias; a rudimentar convivência democrática; o acanhamento cidadão (resignação, cautela, silêncio, comodismo, submissão, medo); o estar a bem com deus e com o diabo; o individualismo oportunista e a pouca solidariedade, cujos sintomas são o domínio do interesse pessoal e do lema "barriguinha cheia coração contente".

Precisamos de abertura, emancipação e autonomia. A última coisa de que precisa são de estímulos (comer só do que gosta) para ficar na mesma.

Tal cultura a que alude Manuel Machado ou Manoel de Oliveira não conduz ao progresso. Serve para manter o atraso, serve para garantir que os melhores, a cada momento, não liderem. Serve para impedir a renovação e os melhores projectos. É um colete de forças. Sofremos com a cultura do bloqueio e do pequeno interesse pessoal, que conduzem ao nivelamento por baixo.

Aqui se abre uma caixa de pandora e mostram-se os elementos mais rasteiros da natureza humana de que fala Manuel Machado: a intriga, a inveja, os jogos de cintura, o calculismo, as jogatanas, as manobras de bastidores, a maldicência, a coacção moral, a valorização do comezinho e do acessório, o culto da aparência. É um estado primário de existência.

Por alguma razão se detesta, na Madeira, quem tem sucesso, em especial os madeirenses que têm sucesso no exterior, são mal amados quando acontece regressarem à sua terra de origem.

Como madeirense este estado de coisas não me alegra, mas não consigo escamotear a realidade de como somos. Sorry fellow Madeirans.

Recorde-se:
Comentários anónimos e ofensivos na blogosfera madeirense
Kuribôta
Males endémicos
Ainda os males endémicos
Tristes a olhar para o chão
Estrelato e sorte em ter saído da Madeira
Maledicência, o voodooo madeirense
A lição de Monteiro Diniz
Episódio Cristiano Ronaldo
Lição de Monteiro Diniz (intro)
Lição de Monteiro Diniz (parte 1)
Lição de Monteiro Diniz (parte 2)
Lição de Monteiro Diniz (parte 3)

E ainda:
Quadros para governar a Madeira
Menor qualidade e fraca atitude dos estudantes madeirenses

Com o coração na boca



O aeroporto da Madeira é, segundo a agência noticiosa Reuters, a nona pista mais assustadora do mundo.

«9. Madeira Airport, Funchal, Madeira: Wedged in by mountains and the Atlantic, Madeira Airport requires a clockwise approach for which pilots are specially trained. Despite a unique elevated extension that was completed back in 2000 and now expands the runway length to what should be a comfortable 9,000 feet, the approach to Runway 05 remains hair-raising. Pilots must first point their aircraft at the mountains and, at the last minute, bank right to the runway.»

Mais vídeos:
Landing at Madeira airport from cockpit A320
Difficult landing at Madeira
2 go-arounds of a Boeing B757-200

Pena que este vídeo já tenha sido retirado...

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

Empobrecimento dos professores

Muitos professores estão entre os novos portugueses sobreendividados, diz a DECO.
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Segundo a Visão (12.2.2009), a responsável pelo Gabinete de Apoio ao Sobreendividado da DECO «ficou surpreendida com a nova classe de pessoas que estão a cair nesta situação [de sobreendividamento]. "Temos muitos professores, sem que saibamos a razão disso".»

A este dado junta-se outro, numa outra notícia da mesma edição da Visão. «Pelas contas do Sindicato dos Professores do Norte, agora, dois em cada três professores do Continente irão aposentar-se com uma pensão equivalente a pouco mais do valor que recebiam a meio da anterior carreira.»

Mas há mais. Segundo um estudo do mesmo sindicato, um «docente que atingir os 40 anos de carreira sem passar a titular [à volta de dois terços dos docentes] acumulará um prejuízo de 174.284 euros e 82 cêntimos (tendo em conta a tabela salarial de 2009), relativamente à carreira anterior.»

E depois pensa-se que isto não tem impacto no desempenho docente, nomeadamente na disponibilidade mental do profissional, como se não fosse humano.

Há uma série de tarefas no dia-a-dia das quais se o professor não se liberta, é tempo e esforço que não reverterá para o trabalho pedagógico.

Isto sem falar no facto de que muitos professores procurarão compensar as perdas salariais com um segundo emprego, nem que seja plantar umas batatas ou umas alfaces quando chega a casa, para quem tiver uma horta. Será que a escola lucrará com isso?

Domingo, Fevereiro 15, 2009

Joe Veselko fala sobre o surf na Madeira (Jardim do Mar) 1



Joe surfando, no Jardim do Mar (fotografias do surf por Andrea Higdon).

«Joe Veselko, 37 anos, californiano, casado com a surfista [portuguesa] Filipa Leandro, é um dos melhores surfistas, da geração mais velha, que temos em Portugal», começa assim a entrevista da Surf Total sobre a surftrip que Joe fez ao Jardim do Mar, na semana passada. Transcrevemos algumas partes:

«A ilha tem uma enorme variedade e tem realmente ondas excelentes mesmo quando não está grande, nem perigoso. Eu acho que muitas pessoas pensam que a Madeira só tem ondas grandes. Já surfei algumas sessões com 1 ou 2 metros. Surfei uma manhã com o meu amigo Kristjan, no Jardin quando estava mais pequeno do que 1 metro. Parece que não dá para surfares até chegares ao pico. Surfamos sozinhos e apanhamos ondas que tinham uma certa força e nas quais podiamos fazer umas boas manobras. Sim, ficam mais perto das rochas, o que faz que tenhas de ser um pouco mais selectivo, nas ondas que escolhes.»

«A primeira vez que fui à Madeira realmente pensei que foi uma das melhores surftrips que alguma vez fiz. Estava impressionado com a beleza e a organização da ilha e também o quão próximo estava do continente.»

«Obviamente, ao lado das paisagens incríveis tens picos de surf maravilhosos. A água também é muito confortável. Eu recomendaria a qualquer surfista do mundo a experimentar a Madeira, pelo menos uma vez na vida. É uma pequena versão do Havai sem o cenário humano que o Havai tem! (quem já foi ao Havai sabe do que estou a falar)!»

«[P]otencialmente algumas das melhores ondas do mundo ‘quando está a bombar’.»

Desta vez, «passei quatro dias na Madeira. Fiquei em casa do meu amigo Kristjan Higdon, no Jardim do Mar. Ele tem uma casa mesmo ao lado da igreja no centro da vila. É um americano que vive lá há 3 anos com a mulher e três filhos. É um excelente surfista do norte da Califórnia e tem imensa experiência em ondas grandes a surfar em Mavericks e na área que envolve Half Moon Bay.»

«O surf variou entre 1 a 3 metros. [A]panhei três dias sólidos, com condições perfeitas.» «Surfei com o Orlando e o Adriano enquanto estava lá».

«Só surfei Jardim do Mar e Ponta Pequena. O meu melhor momento foi provavelmente na Ponta Pequena numa tarde em que surfei um swell novo com apenas mais um surfista alemão. Apanhámos ondas perfeitas de 1,5 a 2 metros sem ninguém por perto. A cor da água estava incrivelmente azul esverdeada e podias ver o fundo enquanto entubavas no inside. Havia paredes compridas e lindas onde realmente podias mesmo desenhar linhas e rasgadas e ocasionalmente encaixar lá dentro. Eu acho que não pode ficar muito melhor que isso.»

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Simplesmente vermelho 13


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Sebastien Loeb continua imparável ao volante do seu Citroen vermelho. Venceu a segunda prova do campeonato, na Noruega.

Simplesmente vermelho 12

Citroen C4 - Sebastien Loeb - Ninco 2008

Sábado, Fevereiro 14, 2009

Elementos sobre o Estado da Escola Pública 23: Leste europeu arrasa postura desculpabilizante

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Deixemo-nos de brincadeiras e aprendamos alguma coisa com as lições que vêm do Leste europeu, em termos educativos, enquanto é tempo. Políticos, decisores, professores, pais e estudantes. A ver se a bandalheira termina.

Ciclicamente, umas nações crescem e evoluem e outras entram em decadência. Hoje assistimos ao enfraquecimento do Ocidente. Aconteceu com grandes civilizações e com poderosos impérios. Pena não conseguirmos actuar em tempo útil sobre os factores que conduzem ao declínio das nações, nomeadamente a nossa nação portuguesa, que já foi império...

PARTE 1: TESE

«1. A teoria eduquesa do coitadinho é o húmus de onde brota toda a irresponsabilidade. Baseia-se na seguinte ideia: privatização dos benefícios e socialização dos prejuízos. O Estatuto do Aluno é um exemplo da monstruosidade da teoria do coitadinho. A culpa é sempre da sociedade.

2. A vinda de alunos do Leste para Portugal desmentiu a teoria do coitadinho. Regra geral, os alunos do Leste são mais pobres do que os portugueses pobres e - milagre! - são melhores alunos do que os portugueses melhores.

3. A que se deve um tal "milagre"? Trabalho, respeito e responsabilidade. Exactamente o que falta aos pais de muitos alunos portugueses, ricos, remediados e pobres. Andam com o rei na barriga e perderam o respeito aos professores. Alguém lhes disse, erradamente, que o triunfo era possível sem esforço e sem trabalho árduo.

4. O ME foi criando normativos e dando orientações que agravaram a percepção errada de muitos pais portugueses sobre o direito ao sucesso. Essas orientações e práticas levaram muitos pais portugueses a concluir, erradamente, que é possível aprender sem esforço e respeito pelos professores.

5. Os alunos do Leste não serão mais inteligentes do que os portugueses. São apenas mais respeitadores e trabalhadores. E os pais são mais responsáveis.» [LER NA ORIGEM]

PARTE 2: REPORTAGEM CONFIRMA TESE
Recordo a conclusão de uma notícia da Grande Reportagem (01.01.2005) sobre os bons resultados dos alunos de países do Leste europeu, nas escolas portuguesas, que dá conta de alguns aspectos entre os tais múltiplos factores em jogo:

«Afinal, não há nenhum problema com o tão vilipendiado sistema de ensino em Portugal, já que é possívelBold obter níveis de aproveitamento escolar bastante exigentes; problema sim parece existir com os jovens portugueses, que em média apresentam nas mesmas disciplinas resultados muito abaixo dos seus colegas do lado de lá da Europa, apesar de todos os problemas de ambientação, de instabilidade, de precariedade económica e de níveis de bem-estar que este últimos e as suas famílias, naturalmente, atravessam.

Concluímos assim que a grande deficiência da educação em Portugal não se situa afinal ao nível dos padrões e dos métodos de ensino, mas é sim de natureza social. Por alguma razão que falta descortinar, os jovens portugueses [e pior ainda os jovens madeirenses] não encontram no seu ambiente natural (familiar, social, etc.) nem os mecanismos de treino e amadurecimento do raciocínio nem os estímulos que os levem a aplicar-se disciplinadamente nos estudos, ao contrário do que acontece com os alunos originários do Leste.»

É preciso virem jovens do Leste europeu para se valorizar os nossos professores... e dizer que, afinal, os métodos de ensino podem ter a ver menos do que se pensa com o insucesso escolar.

E deixo outra nota: por que razão os estudantes da Madeira têm menor qualidade (piores resultados académicos e menor desenvolvimento social/de cidadania) do que os alunos ao nível do país, como traduzem os resultados? Tanto investimento e nada? Será apenas por causa dos professores, certamente... que não sabem ou se esquecem do que têm a fazer...

PARTE 3: MAIS TESTEMUNHOS NA PRIMEIRA PESSOA

«Fui, esta tarde, à reprografia da escola e encontrei uma funcionária nova. Perguntei: "É brasileira?" Ela respondeu: "sou moldava". "E onde é que aprendeu a falar tão bem o português?" Ela: "Eu? Sozinha!" "Tem filhos?" "Dois. Estão na escola". "Gosta da escola portuguesa?", perguntei. "Muito diferente da Moldávia. Em Portugal não há respeito pelos professores e a escola ensina pouco. Nada exigente", respondeu. "Por que razão os alunos do Leste têm tão bons resultados?", perguntei. "Muito trabalho em casa. Duas horas por dia de estudo. É pena aqui os professores não passarem trabalhos para casa. Alunos portugueses não respeitam os professores. Os nossos respeitam. Damos valor à escola", acrescentou.»

«Há uns dias falei com um jovem que veio da Moldávia há 4 meses. Aprendeu a falar português, quase correctamente, sozinho. Disse-me que os professores em Portugal são muito melhores - um professor na Moldávia dá as suas aulas e não explica se um aluno tiver dúvidas. A colega que estava perto de si, tb moldava, confirmou-me tudo.»

«Todos os alunos e pais de Leste dizem o mesmo: somos professores dedicados, atenciosos, mas os alunos e pais portugueses não nos valorizam nem respeitam. E ainda não tive aluno do Leste que não fosse dos melhores, em todos os aspectos: em termos académicos, no trato, em termos de valores humanos

(MAIS AQUI)


PARTE 4: RECUSAR A POSTURA DESCULPABILIZANTE (POLITICAMENTE CORRECTA E GENERALIZADA), SEM MEDO

Os obstáculos de partida não podem ser usados como álibi para a ausência de esforço ou empenho dos jovens no trabalho escolar de aprendizagem. Bem pelo contrário - paninhos quentes e o atirar das culpas todas à sociedade (sempre injusta...) não resolvem nada - a escola deve reforçar esse empenho por parte do estudante ao mesmo tempo que proporciona condições e oportunidades para vencer as lacunas com origem no seu meio socio-cultura. Aos que chegam à escola em desvantagem precisam de mais trabalho do que os outros, para poderem evoluir e não acabarem no abandono e exclusão.

Onde fica o espaço da acção e auto-determinação dos indivíduos? Do seu papel na condução do seu próprio destino?

Não se desresponsabilize o indivíduo, que não é um mero joguete do destino e do contexto socio-cultural, sem acção ou vontade próprias. Para citar José Augusto Fernandes, brilhante educador que já esteve na minha escola duas vezes, nós somos 100% o nosso património genético, 100% a educação que tivemos, mas somos, sobretudo, o que fazemos com essas duas componentes.

Recuso justificar a inacção e a irresponsabilidade individuais, transferindo as culpas apenas ou basicamente para a esfera social. Estou ciente do peso das circunstâncias, mas estou cansado da cantiga do costume de culpar a sociedade por tudo o que de mal acontece aos indivíduos. O facto de ter tido em casa um pai alcoólico, com todos os problemas que daí brotam, nunca foi álibi para não trabalhar na escola e ou gerar indisciplina para obstaculizar o bom decorrer das aulas, a aprendizagem dos meus colegas ou andar a infernizar a vida dos professores.

O indivíduo tem uma palavra a dizer e um papel a desempenhar no superar desses obsctáculos. Com a ajuda que existir à sua volta, seja na escola ou fora dela.

A escola pública tem de dizer basta e recusar ser votada ao babysitting e ao entretenimento, à indisciplina e ao pouco trabalho, alienada da realidade, que satisfaz cidadãos irresponsáveis, sem consciência do peso do conhecimento e da consequente impreparação do país para os desafios da economia global, quer se goste ou não do rumo dessa economia.

Como me disse ontem o meu amigo Kris, professor americano na Madeira, «these people will be run over by a train of reality». Não diria melhor. Venha a injecção de realidade quanto antes, que está mais perto do que longe decorrente da actual grave crise financeira, económica e, a breve trecho, social.

Recorde-se, a propósito:
Complexos de esquerda = facilistismo
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação

Elementos sobre o estado da Escola Pública 22: valores do Trabalho e da Responsabilidade moribundos na escola
Elementos sobre o estado da Escola Pública 1: condições de trabalho
Elementos sobre o estado da Escola Pública 10: educação infantil em Portugal (Eduardo Lourenço)

Ou ainda:
Insucesso escolar vem de longe 3
Insucesso escolar vem de longe 2
Insucesso escolar vem de longe 1
Menor qualidade e fraca atitude dos estudantes madeirenses (não são só os filhos de emigrantes portugueses noutros países...)

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Esta ilha é para velhos

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«The older you get, the less you give a fuck

MC Dalek
(Rock-A-Rolla #18)

Uma vantagem do envelhecer é, precisamente, termos cada vez menos a perder e, na mesma medida, acresce a liberdade para dizer aquilo que pensamos, realmente, doa a quem doer. Lembro-me, por exemplo, de Vasco Pulido Valente ou de Medina Carreira..., que temos citado por aqui.

Mas, Rubem Alves, coloca a questão de uma forma mais detalhada, no seu livro As Cores do Crepúsculo - A estética do envelhecer (ASA, 2004, p78):

«A velhice tem muitas coisas boas. Nela eu conheci a liberdade como nunca havia experimentado. O que é a liberdade? Liberdade é coragem de ser o que somos. É preciso coragem para ser o que se é.

Nietzche notou que "mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece". Sabemos, mas não temos coragem para assumir...

Albert Camus, ledor de Nietzche, percebeu que a velhice é o momento quando se ganha a coragem necessária: "Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos". Talvez porque, na velhice, pela proximidade da morte, não se tenha mais nada a perder.

Quem tem o que perder é cuidadoso. Sabe que há muitos olhos à espreita. Os olhos que nos observam amedrontam-nos. Convidam-nos à prudência. Escondemo-nos. Usamos máscaras. Sabemos que a sociedade é cruel. Ela castiga aqueles que são diferentes [e aqueles que ousam desnudar e desnudar-se, acrescentamos nós].

Dizia Álvaro de Campos: "Somos o intervalo entre o nosso desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de nós". Intervalo? Mas intervalo é um espaço vazio! Somos um espaço vazio? Um não-ser? Somos feitos pelos desejos dos outros? E assim não temos coragem de ser o que somos?

Mas na velhice não temos mais nada a perder. Tornamo-nos discípulos do "anjo instrutor". Que anjo é esse? Acho que é a morte, grande mestra da sabedoria. Diante da morte - a perda definitiva -, que outro medo poderemos ter? Não há nada que se compare ao seu toque.

Não tendo nada a perder, experimentamos a euforia da liberdade. Recebemos uma graça que pertence aos deuses: tornamo-nos invulneráveis. Podemos ser o que somos, sem medo. Já nem vemos os olhares dos outros...»

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

«Jardim do Mar projecta surf para o exterior»

Ponta Jardim surf break. In spite of the European Hawai's wave unique conditions have been harmed, by the monstruous seawall and concrete blocks, it is still a beautiful break (January 27, 2009).

Num artigo assinado por Artur de Freitas Sousa, a plataforma dnoticias.pt aborda o surf e o Jardim do Mar:

«O Jardim do Mar é um local conhecido dos amantes do surf pela qualidade das suas 'ondas grandes'. Ao longo do ano, desportistas de todo o mundo viajam até à pequena localidade com o propósito de 'surfar' na pequena localidade do concelho da Calheta.

Ben e três companheiros, todos ingleses, fugiram do rigoroso Inverno das ilhas britânicas. No Jardim do Mar encontram água quente e boas ondas.

“Se falamos de ondas grandes então algumas das melhores são encontradas aqui”, refere o surfista e fotógrafo inglês.

A par do Porto da Cruz e da Fajã da Areia, em São Vicente, o Jardim do Mar é berço da modalidade na Madeira. Nestes locais formaram-se os primeiros surfistas madeirenses mas nenhum conseguiu projectar a imagem de qualidade para o exterior como o fez o Jardim do Mar.»

Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa 2009

Entenderão a linguagem da paz? (1)

«Não contem comigo para gritar, não preciso de gritar para me fazer entender. Não contem comigo para estilos de arrogância, porque não preciso de intimidar para dizer o que é preciso fazer».

Carlos Queiroz
Seleccionador Nacional de Futebol
10.02.2009


É pena que quem não actua com agressividade, com gritos, com marcação homem a homem, entre outras formas de intimidação, seja encarado, na nossa cultura, como sinal de fraqueza e de falta de pulso ou determinação. Não é levado a sério. Como se ainda estivessemos num estádio anterior da civilização.

O que não diria Gandhi, esse expoente da estratégia da não-violência, que um dia afirmou que "não existe um caminho para paz! A paz é o caminho!"

Por mais que CarlosQueiroz tenha razão, a sua postura elevada e de não-violência terá mais frutos numa cultura como a inglesa, onde trabalhou muito tempo no Manchester, do que numa cultura latina como a portuguesa, em que as pessoas não se fazem ouvir pela força da razão do argumento mas pelo volume do berro, em que as pessoas não sabem mover-se em espaços de liberdade e responsabilidade, são incapazes de comportamento auto-determinado e precisam de um ditador a controlar e a dar ordens.

Há quem não leve a sério quem não age como um sargento, com dureza e hostilidade.

Quem sabe se não foi essa postura que garantiu o sucesso de Scolari na nossa Selecção e o seu insucesso no Chelsea.

Penso que Carlos Queiroz quer marcar um diferença relativamente a Scolari.

Simplesmente vermelho 11

V for Vendetta, the film.
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Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

«Jardim de mar e medo»

«Pode-se falar abertamente de quase tudo na pequena e bonita freguesia do Jardim do Mar, menos de política.» (Diário 9.2.2009 num artigo intitulado «Jardim de mar e medo»)

Pôr-se à parte da política ou pôr a política de parte significa que a política toma conta dessas pessoas. Fica-lhes apenas a ilusão de que se não for mencionado o nome do Diabo, ele não aparece.

Não é só no Jardim do Mar. É uma mentalidade, um estado de alma e uma cultura que dominam a Madeira toda. Mais por ausência de massa crítica e inércia cívica do que propriamente pelas nuvens cinzentas do medo.

O poder que governa a Madeira, há décadas, como outros antes, soube engajar-se, com mérito, nessa condição endémica madeirense, de infinita submissão. Este povo coloca o lombo a jeito para tudo.

O mesmo madeirense, que é capaz de matar por causa da água de rega ou por um metro de terra, mantém-se cego, surdo e mudo perante decisões políticas que têm efeitos sociais negativos e elevados custos na vida do dia-a-dia.

Não falam de política, mas a política toma conta delas...

Recorde-se:
Espirrar é um acto político na Madeira
Tristes a olhar para o chão
"Red-baiting" (EUA década de 50 - Madeira últimos 30 anos)
«Claustrofobia democrática» 1
Claustrofobia democrática 2
Liberdade de expressão, o tanas
Revoltas de 1931
Raízes do medo: contexto socio-mental e medo de ideias diferentes
Madeira endémica espezinha tolerância e respeito
Did it need to be so high?
Submissos não são inocentes
Leis da natureza humana
Nunca tantos se venderam por tão pouco
Anestesia geral

Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa 2009

Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

Irmandade do fogo

Gosto do título deste álbum de Janita Salomé...


Estrela Cadente - Janita Salomé - OLHO DE FOGO (1987)

Para quem quiser fazer o download de todo este álbum disponível apenas em vinil, faça favor de vir por aqui. É uma cortesia do Discos com Sono, que presta um serviço inestimável. Sabe bem ouvir os ficheiros mp3 com o "ruído" do vinil.

E não esquecer ler o texto sobre este Olho de Fogo, que é «um dos discos em que Janita melhor explora o cruzamento entre a música alentejana e a do Norte de África».

Surfers at the gates of dawn

Jardim do Mar, ao raiar do dia (08h00 de hoje). Dois surfistas - no enfiamento da onda que está a quebrar: clicar sobre a imagem - vão a caminho do famoso surf spot da Ponta Jardim, cujas condições excepcionais (Hawai europeu) foram comprometidas pela grosseira promenade-estrada/barreira de antifers mar dentro.

taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa 2009

Simplesmente vermelho 10

300, the film.

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

Bandidos de sucesso [successful bandits]

«Antigamente, as crises criavam oportunidades e sobretudo gangsters. Hoje, os bandidos de sucesso e os golpes de génio financeiro provocam, eles, as crises

«In the old days, crises created opportunities and above all gangsters. Nowadays, the successful bandits and the genius financial moves start themselves the crises.»

António Barreto
Público 8.2.2009

Recorde-se:
Quem se governa? 5: exposto esquema da Reserva Federal americana
Quem se governa? 4: guia para entender, realmente, a raíz da actual crise financeira mundial
Quem (se) governa? 3
Quem (se) governa? 2
Joe Berardo salvo da miséria

Simplesmente vermelho 9

Sin City, the film.

Recorde-se:
Simplesmente vermelho 3
Simplesmente vermelho 2
Simplesmente vermelho 1

Domingo, Fevereiro 08, 2009

Joe Berardo salvo da miséria

Cerca de 600 milhões de vários bancos salvam o especulador madeirense, outrora todo-poderoso, da penúria e de ser crucificado pelo mercado.
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Há quem diga que Joe Berardo está tecnicamente falido mas o protagonista relativiza ao afirmar que «ter dívida não significa que esteja falido», disse numa entrevista ao Público (23.1.2009). «Se estivesse não me renovavam os créditos. Estou com menos valor do que tinha? Claro que estou a perder dinheiro.»

Ao ponto de ter suspendido a «entrada do meu processo contra os administradores [do BCP] e que deveria ter avançado no final do ano»: «o meu advogado diz que os custos vão ser para os outros. Mas seja o dinheiro meu ou dos outros, e se eu posso poupar dinheiro, então vou analisar o que fazer.»

O mesmo jornal de 27.1.2009 refere que acervo de obras de arte de Berardo estava em Dezembro de 2006 avaliado, pela leiloeira Christie's, em 316 milhões de euros, segundo a wikipedia, mas deve cerca de 600 milhões de euros a alguns dos bancos credores como a CGD, BES, BCP ou o Santander Totta. As dívidas estão sustentadas, entre outras coisas, em «acções cotadas» e em «cerca de 75 por cento da Colecção Berardo.»

O que vemos é bancos e especuladores serem salvos, quando os simples cidadãos e as famílias andam à rasca, com os spreads dos empréstimos a aumentar e coisas mais, ainda por cima com o Estado a injectar dinheiro no sistema, e quem deveria ser vítima da especulação e das contingências do mercado, que estiveram na origem de toda esta crise, não cai na míséria.

Estes senhores que defendiam como solução para tudo máximas do estilo «mais Mercado, menos Estado» afirmam que «agora é o Governo que vai emprestar dinheiro às empresas... Isto nunca me passou pela cabeça.» Pois não, pensavam que a falsa riqueza em que vivia o Ocidente, por via da especulação, iria durar sempre.

Depois de ganharem muito dinheiro, dizem que o mercado de capitais não vai melhorar e que é altura do capitalismo dar lugar a uma «nova ordem mundial». Deve ser uma nova ordem que lhes volte a encher os bolsos sem criar riqueza real ou empregos, que o Estado tem depois de segurar em momentos de crise. Berardo diz mesmo que os governantes terão de regressar às nacionalizações para salvar empregos.

Lux Interior on his way, «on a journey outta this world...»

«Lux Interior, the singer and founding member of pyschobilly rock band The Cramps, has died from a heart condition at the age of 60, his spokesman said Thursday quoted by the Los Angeles Times.» (LER MAIS)

Enquanto apreciador tardio, possuo apenas o álbum Fiends of Dope Island, o último da banda, datado de 2003, em vinil vermelho.

alguns sons

Big drop

Por alturas do incidente envolvendo três surfistas, que viriam a ser recolhidos pelo navio Patrulha da Marinha portuguesa, outros surfaram as ondas enormes na mesma Ponta Pequena.

Recorde-se:
Relatividade das más condições do mar
3 Big Wave Riders notícia de abertura no jornal da RTP Madeira

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

Simplesmente vermelho 8

Sin City, Frank Miller's graphic novel.

Recorde-se:
Simplesmente vermelho 7 : stereo
Simplesmente vermelho 6 : phone
Simplesmente vermelho 5 : race track
Simplesmente vermelho 4 : rally team
Simplesmente vermelho 3 : computer
Simplesmente vermelho 2 (SLB II) : Mantorras
Simplesmente vermelho 2 (SLB I) : football team
Simplesmente vermelho 1 : classic banner

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

Monteiro Diniz alvo de hostilidade perversa

O Representante da República foi alvo de mais um ataque extremado. Cavaco Silva continuará a assobiar para o lado?
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A FAMA (Fórum Autonomia da Madeira), organização que integra, sobretudo, militantes social-democratas, inflamou-se nesta semana chuvosa e fria, para pedir ao Presidente da República «a rápida substituição do seu representante» na Região, como deu conta ontem o Diário, por, supostamente, Monteiro Diniz, ter agido contra os interesses da Madeira.

Em causa está, como contextualiza o jornal, o «envio ao Tribunal Constitucional, de diversos diplomas, entre eles, o do 'jackpot'», apelidado pela FAMA como «intrincada obstaculização».

A presença do Juíz Conselheiro na Região, segundo a mesma organização, saldou-se «ocupação principesca de um Palácio e pela complacência face ao incumprimento reiterado e provocatório da lei».

Como se não bastasse de hostilização e desconsideração, a FAMA pede a a Cavaco Silva a demissão do Representante da República.

Como bem disse Monteiro Diniz, «há um conjunto de circunstâncias sociológicas, que se projectaram ao longo dos tempos e que determinaram uma mundividência, uma certa forma de actuar e de se comportar na sociedade madeirense.» «São as flores, as festas, o vinho, a alegria e, portanto, tudo isso comporta depois estas emanações que ultrapassam os limites minimamente razoáveis

E disse mais: «O que há são determinados comportamentos que não são democráticos, existem em toda a parte, aqui porventura com mais frequência». «É uma cultura cívica. O problema é de civismo, de cidadania, de cultura, de qualidade da cidadania

Agora, há maneira de dar volta a este estado de coisas e imprimir alguma mudança? «Isto é pedir, porventura, algo de utópico. Estamos no reino da Utopia de Thomas More. E com isto termino.»

Recorde-se:
Lição de Monteiro Diniz (intro)
Lição de Monteiro Diniz (parte 1)
Lição de Monteiro Diniz (parte 2)
Lição de Monteiro Diniz (parte 3)

Anormalidade comportamental continua(rá) 2
Anormalidade comportamental e democrática continua(rá) 1
Monteiro Diniz descrente na melhoria dos deputados ou na mudança da Madeira

A lição de Monteiro Diniz

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

Dada razão a sua "santidade"

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A Naviera Armas «poderá trazer a carga como melhor entender - desde que rodada - sempre que não a deixe em cima do cais ou provoque constrangimentos no trânsito e acesso à Pontinha», disse o Diário hoje.

«Para o Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, a operação de descarga/carga no porto do Funchal do navio-ferry da Naviera Armas está a cumprir os termos em que foi licenciada, não podendo os armadores portugueses alegar qualquer irregularidade.»

Recorde-se:
Libertem os prisioneiros (consumidores madeirenses)
Santo Naviera Armas

«I screwed up»

«I screwed up», disse Barack Obama, uma humildade que só o dignifica, ao reconhecer o erro do recrutamento de Tom Daschle, para a sua equipa, por não ter pago os impostos devidos. Há que moralizar e fazer a diferença.

A política precisa de uma nova ética, em que as regras não sejam umas para os poderosos e outras para o público em geral.

Hope you can do it Mr. Obama.

A espalhar Napalm desde 1987

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Napalm Death são uma banda inglesa lendária de grindcore. A propósito do novo álbum, Time Waits For No Slave, que acabam de editar via Century Media, a mesma editora dos nossos Moonspell, fui à prateleira do death metal reviver sons do passado.

Primeiro consumi o Harmony Corruption de 1990. Depois saltei para o mais recente que tenho da banda, The Code is Red... Long Live the Code, de há quatro anos, sem tocar no volume.

The Code is Red irrompe com uma pujança e uma intensidade que me surpreendem. A energia incandescente brota das colunas em golfadas abundantes como a lava do Mauna Loa, no Hawai, o maior vulcão do mundo. E com personalidades como Jello Biafra a ajudar a festa.

A julgar pelas críticas, o novo álbum promete ser um dos melhores de uma banda com 22 anos de actividade, se a contabilidade se fizer apenas a partir da edição do inaugural e lendário Scum, em 1987.

Tive o prazer de os ver ao vivo, em concerto, na década de 90, no pavilhão do Belenenses, em Lisboa. Simplesmente memorável. Prometo ir ao arquivo recuperar algumas memórias.

Simplesmente vermelho 7


Rega.

Simplesmente vermelho 6 : phone
Simplesmente vermelho 5 : race track
Simplesmente vermelho 4 : rally team
Simplesmente vermelho 3 : computer
Simplesmente vermelho 2 (SLB II) : Mantorras
Simplesmente vermelho 2 (SLB I) : football team
Simplesmente vermelho 1 : classic banner