«Alguém tem de se manter calmo neste manicómio» G. K. Chesterton

Terça-feira, Março 31, 2009

The Spirit


Depois de Sin City, 300 e Watchmen, este muito recentemente, fui ver The Spirit (uma adaptação de um comic book americano, escrito e realizado por Frank Miller). E gostei.

Metáfora 2

Num texto recente, Metáfora, demos conta de um caso idêntico, de construções recentes a precisar de obras.

Desta vez, com pena minha, porque gosto muito do espaço, é o Centro de Artes da Calheta a meter água. Decorrem há algum tempo as obras de reparação no topo do edifício.

Pena também que as obras novas durem menos do que as antigas. A pressa com que o Centro de Artes foi edificado, em vésperas de eleições, não deve ter sido um contributo para a durabilidade da construção...

Não deixa, no entanto, de ser um dos melhores investimentos do Governo Regional, na área da cultura, mesmo que seja de difícil rentabilidade em termos financeiros. Contudo, a importância de certas coisas não se mede ou traduz em dinheiro.

Segunda-feira, Março 30, 2009

Jardim do Mar primaveril

___
Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa March 30, 2009

Estudo de impacte ambiental reprova resort Quinta do Lorde

Clicar na imagem para ampliar. Público.

Berardo vítima dos executivos bancários e operadores do mercado de derivados

photo origin

«Joe Berardo culpa os executivos bancários e os operadores do mercado de derivados pela actual crise financeira dizendo que eles deveriam estar todos presos», lemos no Jornal de Negócios.

“Eles deveriam estar todos presos. Levaram o mundo à bancarrota”, disse o empresário madeirense citado pela revista Valor .

No entanto, foram os financeiros que deitaram a mão, recentemente, para salvar Joe Berardo da miséria.

Uma pergunta se impõe: e quem prende os especuladores financeiros?

Recorde-se:
Joe Berardo salvo da miséria
É preciso ter lata
Bandidos de sucesso

Sexta-feira, Março 27, 2009

Elementos sobre o Estado da Escola Pública 27: responsabilização

Está na hora de os professores, que não são semi-deuses, recusar que lhes continuem a pôr o mundo às costas.
photo copyright

A balda e a desresponsabilização fez o seu caminho, perante a complacência de muitos, até ao ponto de surgirem acções como esta que o Público deu ontem conta: «Petição responsabiliza pais por insucesso dos filhos». Está desde segunda-feira na Internet: «Responsabilização».

O objectivo é incitar a Assembleia da República a legislar no sentido de se "criar mecanismos administrativos e judiciais, desburocratizados, efectivos e atempados, de responsabilização dos pais e encarregados de educação em casos de indisciplina escolar, absentismo e abandono", diz Luís Braga, autor da petição.

Até nos soa estranho ouvir falar em responsabilização dos pais e/ou dos estudantes pelo absentismo, abandono e insucesso escolares, quando o status quo (do laxismo) encontra apenas e geralmente um culpado: o professor. Esse semi-deus a quem tudo se exige e para tudo tem de ter uma solução na manga.

"É um daqueles casos em que o philosophare vem do vivere", diz Luís Braga, professor de História, com pós-graduação em Administração Pública e Administração Escolar, presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Darque, freguesia- problema de Viana do Castelo, vogal da direcção nacional da Amnistia Internacional.

Chegados ao ponto em que o rigor, a disciplina, o trabalho e a responsabilidade (simultaneidade de direitos e deveres) se perderam como valores basilares - conotados com ditadura devido aos complexos ideológicos do pós 25 de Abril de 1974 -, surgem estas iniciativas que não são novas.

Outros países democráticos estão a tomar medidas de responsabilização de estudantes e pais perante a "ditadura" da irresponsabilidade. A mão dura não pode ser apenas para os docentes, como tem feito o actual governo da República, que acentuou a desvalorização e desautorização dos professores.

«A indisciplina [na escola] tornou-se a nota dominante. Hoje, quem carece de estímulo à auto-estima, não são os meninos, mas os adultos», escreveu Maria Filomena Mónica, no Público de 13.6.2006. «Não vejo uma solução fácil para o problema. A esquerda continua a defender que as crianças são como as flores; a direita que tudo se resolve com um par de bofetadas».

Que estratégias seguir sem cair na complacência, na desculpabilização, no status quo, na normalização do anormal, no fatalismo da inevitabilidade que nada muda?

É preciso cuidado para não cairmos em radicalismos, mas o pior e o mais radical, neste momento, é não fazer nada perante a irresponsabilidade, o laxismo, o facilitismo, enfim, a bandalheira no ensino.

O autor da petição inspirou-se na sua "experiência e consciência prática". Já C R Rogers disse que «nem a Bíblia, nem os profetas - nem Freud, nem a investigação - nem as relações de Deus ou dos Homens - podem ganhar precedência relativamente à minha própria experiência directa

"É capaz de ser duro de mais, mas a verdade é que não cuidar de enviar um filho à escola é roubar-lhe o futuro", comenta Luís Braga.

Recorde-se:
- Cultura de laxismo e irresponsabilidade estudantis
- Mais uma docente agredida, ministra continua calada
- Elementos sobre o estado da Escola Pública 22: valores do Trabalho e da Responsabilidade moribundos na escola
- Alunos do Leste europeu arrasam postura desculpabilizante
- Laxismo e facilitismo estudantil significam exclusão social
- "A senhora come conhecimento para o jantar?"

Ou ainda:
Complexos de esquerda = facilitismo
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação
Escola ideal é diferente da escola real
Desnudar alguns absurdos
Enfrentar a realidade antes que ela nos engula
Três séries de inconformismos

Quinta-feira, Março 26, 2009

Elementos sobre o Estado da Escola Pública 26: inconformismos

Três rajadas de inconformismo.
origem da imagem

Na tomada de posse, no dia 20 de Janeiro, de Francisco Queirós
como director da Escola Secundária de Paredes (texto completo aqui):


«A verdade é que este não é um tempo para faltas, omissões ou cobardias. Basta os que – porque estão doentes ou porque estão velhos– já solicitaram a sua resignação, aliás, justa e merecida.

Por mim, não me conformo com a falta de autonomia da escola pública e com esta tradição secular de obediência submissa que faz vergar os joelhos e perder altura; Não me conformo com os discursos macios que querem encher a escola de objectividade, de mensurabilidade e de constrangimento; Não me conformo com os programas disciplinares malfeitos e com as disciplinas que são só áreas curriculares e não têm programas; Não me conformo com a concorrência desleal dos cursos por equivalências ou por competências, que se concluem num par de semanas;

Não me conformo com o número esmagador de 17 disciplinas dos alunos do ensino básico; Não me conformo com uma escola de falsas ilusões que não promove a cultura, nem o método, nem o rigor, nem a exigência, nem a disciplina, nem o trabalho; Não me conformo com as actividades de recreio que infantilizam os alunos, confundem os pais e diminuem os professores, e são desonestamente conhecidas como aulas de substituição; Não me conformo com a lei do subsídio que distingue os alunos à porta da cantina pela cor do bilhete que exibem; Não me conformo com o estatuto do aluno nem com direitos associativos e reivindicativos de crianças com 10 anos de idade;

Não me conformo coma maré viva de dinheiro arrastado pelo ensino profissional a troco de aprendizes incompetentes e de estatísticas balofas; Não me conformo com um sistema competitivo perverso de acesso ao ensino superior que distribui de forma igual a angústia pelos filhos e pelos pais; Não me conformo com a avaliação do desempenho dos professores porque abjuro a avaliação do desempenho dos pais; Não me conformo com o estatuto da carreira docente que separa, divide e afronta os professores; Não me conformo com os pais que não reconhecem o trabalho supletivo excepcional da maioria dos directores de turma;

Não me conformo com o vencimento ofensivo que o Estado paga aos funcionários administrativos e aos auxiliares educativos; Não me conformo com a quota de 5% de excelentes na avaliação anual dos funcionários nem com os efeitos práticos dessa avaliação – um aumento líquido de 17 euros para 3 anos consecutivos de classificação excelente; Não me conformo com um sindicato manso que não reage à despromoção do vínculo laboral dos funcionários públicos que perderam no dia 1 de Janeiro de 2009 a nomeação definitiva que os ligava ao Estado;

Não me conformo com a falta de qualidade dos transportes escolares; Não me conformo com o frio regelado das nossas salas de aulas; Não me conformo com uma escola sem balneários individuais que protejam a intimidade dos alunos; Não me conformo com uma escola sem posto médico e com quartos-de-banho medievais; Não me conformo com a falta de condições de trabalho dos professores; Mas também não me conformo com a requalificação escolar, se o preço a pagar for o do ajuste directo até 1 milhão de contos;

Não me conformo com a escola a tempo inteiro – espécie de entidade adoptante afectiva que absorve o tempo e o direito dos pais a estarem com os filhos; Não me conformo com o fim da gestão democrática das escolas e deixo aqui o compromisso público de renunciar ao lugar de director da escola se a maioria dos professores reclamar um exercício incompetente.

Não me conformo com o dia do prémio do diploma porque a escola não presta tributo ao dinheiro mas aos anjos da catedral de Chartres; Finalmente, não me conformo com a avaliação dos professores porque depende de um "perfil ideal de aluno"e eu acredito que a liberdade tem asas de oiro.»

José Matias Alves acrescentou outros inconformismos, outras posturas do não me conformo, que não podem ser esquecidas:

«Não me conformo com a incompetência profissional de alguns docentes que são o desprestígio de toda uma classe; não me conformo com a falta de ética profissional e com o descompromisso em relação aos alunos mais necessitados da acção docente; não me conformo com algumas aberracções pedagógicas que comprometem irremediavelmente as aprendizagens dos alunos; não me conformo com as atitudes caninas de um número indeterminado de professores; não me conformo com a impunidade de muitas práticas parentais de abandono; não me conformo com a não assumpção plena dos espaços de liberdade que existem em alguns domínios organizacionais e pedagógicas; não me conformo com a escola pouco pública (que promove a indústria das explicações, com a exclusão dos alunos, com a rejeição dos saberes necessários à vida; não me conformo com as posturas do rebanho que são o contrário da solidariedade activa e da entreajuda profissional; não me conformo com a confusão conceptual e o apelo da demagogia...»

Também tenho os meus inconformismos... que acrescento aos de cima:

Não me conformo ainda com quem invoca os casos de mau profissionalismo de «alguns docentes», no sistema, para justificar os males do ensino e justificar uma postura desculpabilizante (complacente) face às responsabilidades de outros actores no processo de ensino-aprendizagem.

Não me conformo com a ideia de que esses alguns casos de incompetência de «alguns docentes» sejam usados para justificar a generalização da indisciplina, da atitude negativa dos estudantes perante o trabalho intelectual (escolar) e o abandono do rigor e do esforço nas escolas.

Não me conformo como a tentativa de justificar, com o caso de «alguns docentes», os maus resultados escolares de toda uma Região ou país, que colocam Portugal entre os piores da Europa. Esses «alguns docentes» teriam de ter um poder enorme para condicionar todo um sistema de ensino, toda uma sociedade... Contudo, esses alguns incompetentes não justificam tantos maus resultados. Tanta indisciplina estudantil. Tanta ausência de rigor e trabalho estudantil nas escolas. Há outros actores responsáveis.

Não me conformo com a tentativa de atribuir à acção pedagógica e à liderança das turmas por parte do professor as responsabilidades mais importantes para explicar a indisciplina e a atitude negativa (desvalorização) generalizadas dos alunos perante as tarefas escolares. É o mito de que a disciplina na escola e na sala de aula está apenas (ou sobretudo ou em boa parte) dependente do professor, inclusive quando é deixado sozinho - sem autoridade, sem base para a acção disciplinar, num ambiente de impunidade, em que são os alunos que mandam. «Os professores são deixados sozinhos e sem meios sobre a indisciplina crescente» diz Daniel Sampaio (revista Pública 4.1.2009).

Não me conformo com a ideia cómoda, mas igualmente utópica, de que a pedagogia e o professor podem, por milagre, fazer aprender quem não trabalha, não estuda, não valoriza o saber. Como se a motivação fosse sempre exterior ao aluno. Como se o professor fosse um semi-deus e pudesse mudar o mundo a partir da sala de aula e criar, por milagre, um aluno (homem) novo ou ideal.

Não me conformo com o facto de se achar normal que o aluno de classe média / média alta / alta trabalhe e seja disciplinado nas escolas privadas e que, ao aluno das classes baixas, não seja exigido trabalho, rigor e disciplina nas escolas públicas. Como se a escola pública tivesse de ter pior qualidade, como se bastasse assim para os pobres (os feios, porcos e maus, no dizer de Sérgio Niza). Para o filho do médico, é preciso exigência. Para o filho do operário, basta carinho, reforço positivo, compreensão, complacência e desculpabilização, quando não lhe apetece estudar ou comportar-se, porque tem problemas culpa da sociedade e não tem motivação.

Não me conformo que não se perceba que o laxismo e facilitismo na escola pública significa exclusão social e nunca inclusão, por não preparar bem quem mais precisa de saber e de adquirir competências. Com o discurso do coitadinho e com paninhos quentes rouba-se a esses alunos de classes desfavorecidas a única hipótese de ascenderem socialmente, isto é, de saírem do buraco onde nasceram.

Não me conformo que haja quem leia (abusivamente) nestas denúncias e inconformismos a desresponsabilização dos professores ou a defesa da incompetência, falta de ética, descompromisso profissional ou atitudes caninas de «alguns docentes».

Por fim, não me conformo com a ditadura de determinado status quo ou pensamento politicamente correcto (assentes numa determinada lógica de natureza ideológica), que sustenta a permissividade, o laxismo e o facilitismo, encarados, por vezes, como algo natural como o ar que respiramos. Que vê na disciplina uma ditadura, mas que fecha os olhos para a ditadura da indisciplina, da falta de trabalho e do descompromisso estudantil face à aprendizagem e ao saber. Como se isso não determinasse mais os resultados escolares, para além da tal incompetência de «alguns docentes».

Segunda-feira, Março 23, 2009

Eleições SPM 2009 II: contradições

Se João Sousa assumiu que convinha aos professores as promessas, orientações e/ou programa do PSD para a Educação, nas eleições de 2007, como pode reunir as melhores condições para negociar e reivindicar com esse mesmo governo matérias de teor educativo?
photo copyright

O colega professor André Escórcio, por quem tenho muita consideração pessoal e profissional, bem como pelos elementos da candidatura que integra, declarou hoje o seu apoio público a uma das já declaradas (não oficializadas) listas à liderança do Sindicato dos Professores da Madeira. Aquela que é encabeçada por João Sousa.

No entanto, não referiu que faz parte dessa mesma candidatura. Integrar uma candidatura é apoiá-la. Não se precisa de o declarar. Tal como eu não preciso de declarar apoio à candidatura liderada por Marília Azevedo, CADA VEZ MAIS PERTO, que integro.

Afirma, no mesmo texto, que «hoje exige-se um Sindicato pró-activo, atento e que pelas suas iniciativas seja ouvido e respeitado pelo poder.» Isto vai, totalmente, ao encontro da filosofia da recandidatura de Marília Azevedo, actual coordenadora do SPM, e contrasta com a orientação mais radicalizada da candidatura de João Sousa - alega postura branda da actual direcção, de que faz ainda parte -, para a luta dos professores e para a relação com esse poder.

No entanto, André Escórcio não refere que a «equipa liderada por João Sousa», actual vice-coordenador do SPM, note-se, talvez não reuna as melhores condições para fazer com que o sindicato seja «respeitado pelo poder», por posturas assumidas no passado recente:

«Há outros sinais inquietantes. Um deles não é seguramente o de se saber quem será o vencedor das eleições antecipadas, até porque as sondagens efectuadas apontam para um claro e inequívoco vencedor [o PPD/PSD] . Valha-nos isso! É menos uma inquietação.» (Revista Prof 74 p21, logo antes das Eleições Legislativas Regionais antecipadas de Maio de 2007)

João Sousa assumiu, nesta declaração e postura, pouco tempo antes das eleições regionais de 2007, que não acreditava na capacidade do partido socialista madeirense (e de outros partidos além PSD), para resolver certas questões da Educação, como o Estatuto da Carreira Docente da RAM, que então estavam sobre a mesa.

Ou seja, para resolver as questões da Educação, o partido socialista não servia e até se deram graças antecipadas pela então vitória certa do PSD. Agora, o deputado socialista André Escórcio, elemento da candidatura, já convém às lutas sindicais que se irão travar, precisamente, com a governação PSD como interlocutora. Para bater uns, para governar outros.

Se João Sousa assumiu que convinha aos professores as promessas, orientações e/ou programa do PSD para a Educação, como pode reunir as melhores condições para negociar e reivindicar (ainda por cima com mão dura) com esse mesmo governo matérias de teor educativo?

Nota:
É claro que os membros das duas candidaturas à liderança do SPM, anunciadas até ao momento se estimam e pretendem esgrimir, politicamente, divergências e argumentos, com a elementar elevação, sem pessoalizar as questões. É redundante estar sempre a declará-lo. O importante é continuar a praticá-lo.

A propósito:
Clareza e transparência
Eleições ao SPM I: candidatura "alternativa" divulgada

Cada vez mais perto
Órgão de informação da candidatura de Marília Azevedo

Sábado, Março 21, 2009

Professores de luto e em luta 168: evitar os danos da avaliação sem a recusar

«Na impossibilidade humana de "gerir" milhares de escolas e centenas de milhares de professores, os esclarecidos especialistas construíram uma teoria "científica" e um método "objectivo" com a finalidade de medir desempenhos e apurar a qualidade dos profissionais.

Daí os patéticos esquemas, gráficos e grelhas com os quais se pretende humilhar, controlar, medir, poupar recursos, ocupar os professores e tornar a vida de toda a gente num inferno.

O que na verdade se passa é que este sistema implica a abdicação de princípios fundamentais, como sejam os da autoridade da direcção, a responsabilidade do director e dos dirigentes e a autonomia da escola.

O sistema de avaliação é a dissolução da autoridade e da hierarquia, assim como um obstáculo ao trabalho em equipa e ao diálogo entre profissionais. É um programa de desumanização da escola e da profissão docente. Este sistema burocrático é incapaz de avaliar a qualidade das pessoas e de perceber o que os professores realmente fazem.

É uma cortina de fumo atrás da qual se escondem burocratas e covardes, incapazes de criticar e elogiar cara a cara um profissional. Este sistema, copiado de outros países e recriado nas alfurjas do ministério, é mais um sinal de crise da educação

António Barreto (PÚBLICO, 9 de Março de 2008)

Concordo com a generalidade dos argumentos de António Barreto, mas temos de ser realistas. A avaliação, na lógica irrefutável e dominante na actualidade, tem de acontecer. Interessa então minimizar os riscos e danos, que o sociólogo bem identifica. Porque modelos de avaliação perfeitos não existem. A solução não é a recusa da avaliação, mas sim o seu aperfeiçoamento e adequação à natureza da profissão docente e da instituição escola.

Latitude africana

O nosso sangue africano pode ajudar a explicar muita coisa.
photo copyright

Talvez a latitude africana da Madeira ajude a compreender a «impunidade» que se vive por cá em termos de atentados ambientais, que «pode resvalar para situações daquelas que ontem o DIÁRIO [18.3.2009] relatou referentes ao apedrejamento de uma viatura da equipa de reportagem.»

"Estamos a falar de uma certa cumplicidade por não actuação", disse ao Diário Helder Spínola, presidente da associação ambientalista Quercus.

O presidente do Governo Regional ridiculariza notícias do saque ambiental na Ribeira do Faial e, sobre as agressões (apedrejamento de jornalistas), apoia-as com a conhecida máxima: "Deus não castiga com pau nem com pedra." Além disso afirmou que esse tipo de questões não "interessam para nada", e que o que o é noticiado é "caca" (Diário 19.03.2009).

Recorde-se:
Não é preciso ir ao Iraque

Despedimento de Rui Marote 2

O despedimento de Rui Marote foi uma insensatez. O Diário foi buscar lã e saiu tosquiado.
photo: Tribuna da Madeira #491

O assunto fora aqui abordado no texto Despedimento de Rui Marote, em Dezembro de 2007. Entretanto, vieram a confirmar-se os meus receios. Toda a gente ficou a perder. Sobretudo o Diário, que contabiliza mais prejuízo. Na imagem e nos gastos com processos judiciais e indemnizações.

Pelos vistos, a decisão de despedimento de Rui Marote não tinha sustentatação legal, vindo o jornal a perder a causa. Por sua vez, teve como consequência uma pesada indemnização, que atingiu os cofres do Diário. Foi buscar lã e saiu tosquiado...

O Tribuna da Madeira #491 trouxe uma entrevista em que Rui Marote abre o livro e chama de «garotada» àqueles que decidiram o seu despedimento.

Se é verdade que se tratou de uma vingança por motivos políticos... se foi praticamente «escorraçado» da empresa, com cinco minutos para abandonar as instalações... se o endereço electrónico foi violado... se há direitos de autor que não são respeitados... se há vencimentos a receber e são chutados para o valor da indemnização... cheira-me a uns certos problemas endémicos da sociedade madeirense.

É pena.

A propósito:
Caso Rui Marote e Ricardo Vieira

Sexta-feira, Março 20, 2009

Parábola do Professor

Um texto que circula, com passagens da autoria de José Matias Alves.
photo origin

Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os dizendo:

Em verdade vos digo, bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serãosaciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...

Pedro interrompeu: Temos que aprender isso de cor?
André disse: Temos que copiá-lo para o caderno?
Tiago perguntou: Vamos ter teste sobre isso?
Filipe lamentou-se: Não trouxe o papiro-diário.
Bartolomeu quis saber: Temos de tirar apontamentos?
João levantou a mão: - Posso ir à casa de banho?
Judas exclamou: Para que é que serve isto tudo?
Tomé inquietou-se: Há fórmulas, vamos resolver problemas?
Tadeu reclamou: Mas porque é que não nos dás a sebenta e pronto!?
Mateus queixou-se: eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!

Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:

Onde está a tua planificação?

Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada?
E a avaliação diagnóstica? E a avaliação prognóstica? E a avaliação diferencial? E a avaliação sumativa?

E a avaliação institucional?

Quais são as tuas expectativas de sucesso? Quais as mais valias desta aula? Qual a previsão das aprendizagens de cada aluno?

Tendes para a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão?

Quais são as tuas estratégias conducentes à articulação e recuperação dos conhecimentos prévios?

Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?

Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo?

E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?

Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes?

Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleosgenerativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?

E quais os conteúdos declarativos que sustentam toda a progressão vertical? E a articulação com o projecto curricular de turma, projecto curricular de ano, projecto curricular de escola, projecto educativo de escola e agrupamento?

Caifás, o pior de todos, disse a Jesus:

Quero ver os resultados finais de cada aluno do ano passado. Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva.

... E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos...

Quinta-feira, Março 19, 2009

Feliz dia do pai

Quer se reconheça (ou goste), quer não, Alberto João Jardim tem sido um Pai para os madeirenses. E mais não digo.
photo copyright

Quarta-feira, Março 18, 2009

And the winner is...

Panzer III versus Monitor Audio Silver RS6. Two fighting machines, but it's obvious which one is the most powerful.

Panzer III versus Monitor Audio Silver RS6. Duas máquinas de combate, mas é óbvio qual delas tem mais poder de fogo.
Panzer photo copyright

Recorde-se:
Espelho meu, haverá colunas mais rock do que eu?

Natureza humana 2

picture copyright

«No matter how well you dress it up, Man's savage nature will one day cause the world to end.» (The Comedian, no filme Watchmen)

A realidade da natureza humana contraria aquela ideia (mito) do Bom Selvagem de Rousseau, que na Educação ainda é muito seguido como verdade: «O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe.»

Que ilusão fantástica... Rousseau não sabia, ou não encaixava na arquitectura da sua teoria, a realidade da natureza selvagem do Homem, que só a civilização atenua, absorve e amortece (conforma, pronto).

Quão fácil é deitar as culpas na sociedade, fonte de todos os males, desresponsabilizando-se o indivíduo na condução do seu destino e fazendo crer que a civilização não tem mais aspectos positivos do que negativos.

Aquela ideia utópica que o ser humano não tem de ser civilizado e fiscalizado já provou que não funciona. Tem de haver um equilíbrio entre a liberdade/espontaneidade individual e a integração social/civilizacional. Essa dialéctica ajuda a formar o Homem. Ajuda a formar tanto o submisso, como ajuda a formar o rebelde.

Por alguma razão Rousseau é considerado um precursor do romantismo. Pode ser tudo muito bonito e utópico mas, entretanto, temos viver na realidade...

Recorde-se:
Natureza humana

Não é preciso ir ao Iraque

photo copyright

«Jornalistas do Diário foram atacados quando confirmavam a continuidade da extracção
ilegal de inertes na ribeira do Faial», lê-se hoje na primeira página do Diário.

«A ilegalidade, a segunda na mesma zona a ser denunciada em pouco mais de uma semana, estava mais uma vez a decorrer em horário tardio, para escapar à fiscalização ambiental.»

Os jornalistas a trabalhar na Madeira não precisam de ir ao Iraque dos actos terroristas para arriscar a vida. Basta uma temporada na Madeira pré-eleitoral.

O acto de agressão, certamente perpetrado por um qualquer cão de guarda (dos interesses) apenas confirma a pertinência das denúncias sobre os crimes ambientais que o Diário tem vindo, com coragem e sentido de dever público, a denunciar desde há alguns meses.

Escrevemos aqui há algum tempo que o «Diário tem denunciado uma série de atentados ambientais na ilha, mas é tudo como se nada fosse. Ninguém está preocupado com isso. Cai tudo em saco roto. Qualquer justificação esfarrapada faz encolher os ombros e deixar passar a "linda brincadeira".» Porque a anestesia é geral, hetero e auto-inflingida.

Manifesto a minha solidariedade aos senhores jornalistas. E da próxima vez, requisitar segurança para o trabalho de reportagem... ou um tanquezinho blindado... Espero que os bullies sejam identificados e punidos.

Entretanto, aguardo com interesse as reacções (e não reacções - há silêncios que falam alto) dos responsáveis desta terra.

Recorde-se:
Dia sem Diário é dia sem "oposição" 1
Dia sem Diário é dia sem "oposição" 2

Anestesia geral
A realidade e não mais do que a realidade
Tentação de controlar a informação
«Estado de direito posto em causa» na Madeira
A propósito de Abril, o estado de coisas na Madeira e o papel da comunicação social independente...
... resta combater

Terça-feira, Março 17, 2009

WIRE #302 | Sunn 0))) | April 2009

Black monk time. You bet.

«I'm always joking that I'm the caveman and Steve's the art fag, then we meet in the middle and it's Sunn O)))» (Greg Anderson)

Stephen O'Malley & Greg Anderson's drone project opens Heavy Metal to the realms of cosmic jazz, experimental rock and spectral music in their seventh album Monoliths & Dimensions.

Nota:
Sunn O))) é uma banda dos EUA, reconhecida como maior expoente do género conhecido como “Drone/Doom”. “Drone” é uma palavra em inglês usada para designar riffs de guitarra com um único acorde exaustivamente repetido e longo. (www.lastfm.combr.)

Cultura de laxismo e irresponsabilidade estudantil

«Os crescentes casos de indisciplina escolar um pouco por todo o país e também aqui na Região - não estamos num cantinho do céu, infelizmente - não podem nem devem ser ignorados», escreve hoje no Diário Marília Azevedo, presidente do Sindicato dos Professores da Madeira.
photo copyright

«A indisciplina que ocorre no meio escolar pode desaguar em violência se não for atalhada a tempo. (...) Os factores potenciadores destes comportamentos desviantes que se reflectem diariamente nas escolas, dentro e fora das salas de aula, têm vindo a aumentar. A expressão e características desses actos são cada vez mais complexos e atípicos, o que os torna mais difíceis de equacionar e resolver.»

«A indisciplina e a violência não podem nunca ser encaradas como comportamentos 'normais' atribuídos à adolescência e à rebeldia que lhe é inerente. Têm a obrigação de ser tratados como casos de excepção e, por isso mesmo, exigem um esforço de todos para que possam ser colmatados.»

«Os responsáveis políticos nas hierarquias do sistema educativo, pelas sucessivas mudanças, atabalhoadas, que vão promovendo uma cultura de irresponsabilidade e de laxismo, são igualmente responsáveis. O discurso que aponta para desresponsabilização destes dirige-se, de forma insidiosa, para a escola e, mais concretamente, para os professores procurando, assim, desviar as atenções da aprovação e implementação de medidas legislativas que, em lugar de permitir a celeridade na resolução e prevenção da indisciplina, acentuam a morosidade dos processos que aprecia.»

Recorde-se:
- Mais uma docente agredida, ministra continua calada
- Elementos sobre o estado da Escola Pública 22: valores do Trabalho e da Responsabilidade moribundos na escola
- Alunos do Leste europeu arrasam postura desculpabilizante
- Laxismo e facilitismo estudantil significam exclusão social
- "A senhora come conhecimento para o jantar?"

Ou ainda:
Complexos de esquerda = facilitismo
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação
Escola ideal é diferente da escola real
Desnudar alguns absurdos
Enfrentar a realidade antes que ela nos engula

Campeão Alcino Camacho regressa às vitórias

«Decorreu neste fim-de-semana a 2ª prova PcClinic do Campeonato Regional de Rally Slot – 2009, garantido a Alcino Camacho o 1º triunfo da época após se consagrar campeão de 2008.» (José Almeida, imagem ASM)

Segunda-feira, Março 16, 2009

Mais uma professora agredida, Ministra sempre calada

A indisciplina, a violência, o laxismo estudantil, entre outros factores, que colocaram a profissão docente nas ruas da amargura, deveriam mobilizar mais os professores do que o modelo da avaliação, que politicamente interessa mais a certos sectores cavalgar...
photo copyright

Uma aluna de 13 anos agrediu a professora a socos e pontapés, durante a aula, na EB 2/3 Aires Barbosa de Esgueira, em Aveiro. A professora teve de ser assistida no Hospital de Aveiro, onde foi tratada a diversos hematomas.

Todavia, para a Ministra da Educação, que só sabe ter mão dura sobre os professores (e uma postura desculpabilizante e laxista para com os outros actores educativos), estas coisas não existem nas escolas portuguesas.

A indisciplina, a violência e a má atitude estudantil perante o trabalho escolar generalizam-se de forma alarmante e não há ninguém que tome medidas que não se limitem aos paninhos quentes do costume, para deixar tudo exactamente na mesma. Mas, para desautorizarem e desvalorizarem os professores, estão sempre prontos.

Portugal: maior corte médio de pensões de reforma da UE

É por isso que sou daqueles que defende que os actuais reformados deveriam ganhar um pouco menos, em solidariedade com as gerações futuras, que descontam muito hoje e terão pouco no futuro. O esforço deveria ser repartido entre gerações, solidariamente. Infelizmente, os actuais reformados não estão muito interessados nessa solidariedade e "que se lixe quem vem atrás".
picture copyright

«Portugal apresentará, em 2046, o maior corte médio de pensões de reforma da União Europeia, calcula a Comissão Europeia num relatório sobre a inclusão social», noticia hoje o Público.

«Segundo as contas de Bruxelas, para quem tenha recebido um salário médio e descontado durante 40 anos, a pensão antes de impostos a receber em 2046 descerá de 70 para 50 por cento do último salário bruto.»

«A estimativa do Governo é diferente mas aponta para que a pensão média em 2050 baixe dos actuais 71 por cento do salário para 55 por cento. Estimar a quebra das pensões é difícil: para cada trabalhador, depende do ano em que se reformar, da sua carreira de descontos sociais e do nível salarial ao longo da carreira.»

Private Flamenco dancer

photo copyright
photo by neliodesousa 2009

Domingo, Março 15, 2009

Gosto pelo trabalho?

A cultura de trabalho dos madeirenses não foi transposta para as escolas, onde hoje domina o laxismo estudantil perante o trabalho escolar, em maior ou menor grau, consoante o nível de ensino.
Origem da imagem

«Aquilo que define este povo é o seu gosto pelo trabalho» (Alberto João Jardim, Diário 15.3.2009)

Talvez fosse boa ideia cuidar do «gosto pelo trabalho» desde a idade escolar, mas o que se vê não é isso. O laxismo e facilitismo estudantis instalados, vulgo bandalheira, rima com tudo menos com «trabalho».

Por que será que a Madeira continua a ser a Região do país com piores resultados escolares? Sem trabalho e disciplina por parte de quem aprende não há trabalho pedagógico (docente) que substitua essa falta de trabalho e opere milagres...

Talvez quando se valorizar a escola e o conhecimento para vencer na vida... como fazem os imigrantes vindos do Leste Europeu.

Recorde-se, a propósito:
- Menor qualidade e fraca atitude perante o trabalho intelectual dos estudantes madeirenses
- Elementos sobre o estado da Escola Pública 22: valores do Trabalho e da Responsabilidade moribundos na escola
- Alunos do Leste europeu arrasam postura desculpabilizante
- Laxismo e facilitismo estudantil significam exclusão social
- "A senhora come conhecimento para o jantar?"

- Insucesso escolar vem de longe 3
- Insucesso escolar vem de longe 2
- Insucesso escolar vem de longe 1

Ou ainda:
Complexos de esquerda = facilistismo
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação

No comments

Sábado, Março 14, 2009

Jóias de Nastja Madder na Galeria do Alto

Nastja Madder tem exposta uma colecção de jóias manufacturadas e únicas, no Jardim do Mar, na Galeria do Alto, a galeria de Tony Kitchell. Objectos de arte belos, que pode ver, experimentar e/ou adquirir.

Serviço público

Os autores do blogue Cinema Madeira prestam um serviço público-informativo, sobretudo na falta desse mesmo serviço nos órgãos de informação, nas suas edições ou plataformas online.

Quando tentava saber, online, quais os filmes em exibição na Madeira, não o conseguia. Nem o Diário, nem o Jornal da Madeira (que pago com os meus impostos - por alguma razão os madeirenses pagam mais 30% de IRS do que os açoreanos), nem a RTP Madeira, nem o Tribuna da Madeira... apenas o gratuito Diário Cidade.

Autonomia selectiva

Clicar sobre a imagem para poder encontrar a Madeira (Autonomia) entre as nuvens (contradições).
photo copyright

A julgar pela atitude de remeter para a Assembleia da República (AR) as iniciativas legislativas que têm implicações financeiras, passa-se a ideia de que a competência legislativa da Autonomia da Madeira só interessa quando não custa dinheiro, isto é, quando não implica assumir responsabilidades financeiras.

Quando se trata de responder a aspirações dos madeirenses parece que a Assembleia Legislativa da Madeira (ALM) deixa de ter competências... é atingida por uma amnésia pouco autonómica. Toca então a passar a bola para a AR...

(O socialista Maximiano Martins refere hoje, em artigo de opinião no Diário, que a Autonomia fez-se «para que um governo próprio possa fazer as opções mais próximas dos interesses dos madeirenses.»)

Quando é para a politiquice, nomeadamente para arranhar a legislação nacional, como na recente teimosia acessória à volta da questão da Lei do Tabaco, aí interessa, de repente, reivindicar e fazer uso das competências legislativas autonómicas, avançando-se mesmo contra a opinião geral dos madeirenses.

Se custa dinheiro, então toca a remeter para aprovação na AR, isto é, para as medidas serem custeadas pelo Orçamento de Estado e não pelo Orçamento da RAM...

Se é preciso uma política de solidariedade social aos pensionistas com menores recursos, em vez de custearmos esse suplemento à pensão dos idosos, como fazem os Açores, remetemos o ónus político e financeiro para a AR.

Se é defendido o aumento do subsídio de insularidade («uma proposta que o PSD-M apresenta sempre que o PS é governo na República… mas não quando são governo em Lisboa, que o PSD-M propõe para os serviços dependentes da República mas não para os da Administração Regional que tutela», como argumenta o citado socialista) ou a recuperação do tempo de serviço congelado aos professores e funcionários públicos tudo é novamente remetido para a AR. Se não se faz é porque os cubanos não querem...

Não se esqueça que os madeirenses pagam mais 30% de IRS do que os açoreanos... Uma parte desses 30% não poderiam custear políticas de solidariedade social?

Se calhar ainda para a AR uma proposta, aprovada na ALM, para que o Estado subsidie a diminuição da taxa de IRS na Madeira... em 30%.

Depois admiram-se de a opinião pública nacional dizer que os «quadros dirigentes insulares [são] sempre ameaçadores e [estão] sempre sedentos de autonomia, desde que seja evidentemente sem as correlativas responsabilidades, designadamente financeiras» (José Miguel Júdice, Público 8.8.2008).

Recorde-se:
Imagem das autonomias insulares 1
Imagem das autonomias insulares 2
Uns mais iguais do que os outros, mas iguais II

Sexta-feira, Março 13, 2009

Natureza humana

«I can change almost anything, but I cannot change human nature
(Doctor Manhattan/Jon Osterman, no filme Watchmen)

Recorde-se:
Monty Python, sonda da natureza humana 1
Leis da natureza humana

Eleições SPM 2009: candidatura "alternativa" divulgada

A reunião de delegados sindicais de hoje foi palco de lançamento da candidatura alternativa (mas também de continuidade, passe-se a contradição dos termos) às eleições de Maio do maior sindicato de professores da Madeira.

A direcção do Sindicato dos Professores da Madeira (SPM) votou e deliberou, por maioria qualificada, a apresentação de uma lista de continuidade para executar os projectos que estão pendentes, informou Marília Azevedo, líder da actual direcção e da primeira lista candidata ao próximo acto eleitoral do sindicato.

Na reunião de hoje de manhã dos delegados sindicais do SPM, que terminou pelas 12h:10, João Sousa assumiu e oficializou uma outra candidatura e justificou: «precisamos de agitar as águas e apurar as melhores soluções para não cair no marasmo das organizações.»

O projecto alternativo foi «apresentado à saída nas suas linhas essenciais», na forma de um panfleto, com o objectivo de «proporcionar uma reflexão sobre o que deve ser o futuro desta organização», disse o cabeça da lista dita alternativa.

Foi referido que o acto eleitoral com mais de uma lista era um «requisito importante da democracia» e que «não é nenhum drama», como vários dos presentes subscreveram. Apelou-se ao debate interno com «elevação». Porque não é a primeira vez que isto acontece, cá ou na Fenprof.

João Sousa lançou um dos argumentos na defesa da sua candidatura: a «lista alternativa parte também de dentro da actual direcção do sindicato» e «não há perigo» de não haver continuidade dos projectos em curso ou pendentes, como a nova sede, o ECD regional e outras lutas como a contagem do tempo de serviço docente na RAM.

Ora, aqui está logo uma contradição. Se as duas listas saem da mesma direcção são duas listas de continuidade, por maior que seja o esforço para diferenciar no pormenor. A génese é a mesma.

Quem faz parte da actual direcção não se pode pôr de fora, isto é, demarcar-se e dizer que nada teve a ver com as decisões e posições tomadas pelo sindicato nos últimos três anos. Que não tem responsabilidades pelos méritos ou «fragilidades» do sindicato.

Por outro lado, percebe-se que a lista alternativa aposta numa radicalização da luta dos professores, com um discurso mais veemente e duro (de ruptura) face ao poder político madeirense. Embora surja, de novo, em contradição com posições assumidas no passado, nomeadamente pelo cabeça da lista "alternativa", João Sousa:

«Há outros sinais inquietantes. Um deles não é seguramente o de se saber quem será o vencedor das eleições antecipadas, até porque as sondagens efectuadas apontam para um claro e inequívoco vencedor [o PPD/PSD] . Valha-nos isso! É menos uma inquietação.» (Revista Prof 74 p21, logo antes das Eleições Legislativas Regionais antecipadas de Maio de 2007)

Metáfora

«Apesar de ser uma infra-estrutura de construção recente (2004) [a Escola Básica da Fajã da Ovelha] há muito que regista graves problemas com a sua fossa céptica, que não consegue comportar os detritos ali produzidos, lançando-os com frequência para a via pública.»

Eis uma metáfora da Madeira Nova, com muitas obras feitas à pressa e sem qualidade, que dão problemas passado algum tempo, cujas reparações oneram depois o erário público (por alguma razão pagamos mais 30% de IRS do que os Açores...). O que andou a fazer a fiscalização?

Não são poucos os edifícios antigos da Madeira Velha que batem em saúde e longevidade as construções da Madeira Nova.

O «cheiro nauseabundo na zona onde se verifica o derrame dos dejectos e afins» não se faz sentir apenas nas imediações do estabelecimento de ensino referido. Contudo, os madeirenses nem dão pela qualidade do ar que respiram todos os dias. São como o peixe no aquário, que não dá pela água. A anestesia geral é uma realidade.

E não se pense que a próxima geração alterará este estado de coisas: Nem na China ditatorial a juventude é tão (auto)conformada como a madeirense.

Quinta-feira, Março 12, 2009

Simplesmente vermelho 22

Heart On, o novo disco dos roqueiros Eagles of Death Metal, a derramar energia cá por casa.
picture copyright

Acesso fácil a armas gera mais um massacre numa escola

Há quem ache piada a isto. Não se admirem quando acontecer o próximo massacre numa escola.
photo origin

Agora, a triste realidade dos massacres em recintos escolares não se restringe aos Estados Unidos da América. O norte civilizado e rico da Europa é de novo palco de tiroteio assassino, que confirma as teses do cineasta Michael Moore quanto à facilidade de posse de armas.

Há sempre um dado comum nestas situações. O acesso a armas, sobretudo automáticas, que permitem disparar em rajada e acentuar a mortandade.

Quando é que se irá pôr um travão ao lobby da indústria das armas e restringir, efectivamente, o acesso do comum cidadão a estes intrumentos de morte?

Hoje, a Finlândia, que conheceu uma tragédia semelhante recentemente, aprovou leis mais restritivas para o posse de armas. É o caminho a seguir.

Os cidadãos que praticam tiro por razões desportivas, como o pai deste bandalho de nacionalidade alemã (nem pronuncio o nome), deveriam ser obrigados a manter as armas em cofres ou depósitos nesses locais de tiro e nunca as ter em casa ou na sua posse fora dessas zonas deportivas, como um outro objecto qualquer.

Não, não enveredo pela fácil postura desculpabilizante tipo "coitado do menino traumatizado pela sociedade culpada de todos os males individuais" a que muitos não resistem, por razões ideológicas. Por respeito às vítimas, não o faço.

Neste caso alemão, mais um gajo descrito como tímido, reservado e deprimido resolve descarregar os seus problemas em terceiros.

Se as pessoas fizessem disto regra, ou justificação, matariamo-nos uns aos outros, porque toda a gente tem problemas que poderiam justificar actos tresloucados e selvagens, em palco escolar, que correm o risco de se tornarem mais frequentes se não se trava o acesso às armas.

Quarta-feira, Março 11, 2009

É um luxo ser madeirense...

Dados interessantes para os madeirenses deixarem de pensar que vivem num "cantinho do céu". Ilhas afortunadas são de facto os Açores, que pagam menos 30% de IRS, enquanto nós por cá ajudamo-nos à canga como noutros tempos da Madeira Velha. Esta Madeira Nova está a ter um envelhecimento precoce.

Recorde-se:
Açores 3º mundo?
Mudam-se os tempos, mudam-se as cangas
PIB rico, famílias pobres
Ai o nosso dinheirinho
Toma lá que és madeirense
PIB mais rico, mas TRABALHADORES mais pobres
Patamar superior de desenvolvimento justifica custo de vida mais caro
Prisioneiros (explorados) dos elementos

Terça-feira, Março 10, 2009

Brendan Kelly no Jardim do Mar

Brendan Kelly participa na big band Bellowhead (ouvir aqui): misturam folk, rock, ska, jazz, soul e influências da world music com laivos de Music Hall inglês e cabaret. Os 11 músicos tocam mais de 20 instrumentos e seis elementos cantam.

O amigo Kelly está de novo no Jardim do Mar, motivado pela comemoração dos 50 anos do Tony, festa na qual actuou com o seu saxofone, no bar Portinho, como documentam as duas imagens que se seguem.

High end? Só o musical.

Ironia do destino: na recensão de ontem, sobre as Monitor Audio Silver RS6, expressei que o aconselhamento audiófilo da Viasónica, na escolha de colunas e amplificador, há dez anos, partiu de premissas erradas.

Hoje recebi este convite da referida loja, para um fim-de-semana audiófilo. Com umas Monitor Audio (e muito Rock para ouvir), a audiofilia e o high end dispensa-se, obrigado. Acredito no high end musical, não audiófilo.

Primeiro dia de Primavera

Simplesmente vermelho 21

Olho de Fogo.
picture copyright

Isto não é publicidade

Ainda no rescaldo da festa de aniversário do Tony, a pintura de Anne Howard sobre prancha de surf partida, com o aniversariante surfando as ondas do mar e da Coral.

___
Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : with flash : © neliodesousa March 7, 2009

Segunda-feira, Março 09, 2009

Espelho meu, haverá colunas mais Rock do que eu?

Monitor Audio Silver RS6 (black): they look rock and they DO rock. Uma coluna robusta e de combate, uma força da natureza.

No final de uma outra recensão crítica, sobre uma experiência com colunas de som, disse-se que, face ao pântano de subjectividade inerente ao mundo do audio, tudo estaria nas mãos de Deus...

Para parafrasear o famoso fado da Amália, diria agora que «foi Deus» que me colocou as Monitor Audio no destino... Mas, não vou descartar responsabilidades colocando a questão no plano divino. Tive alguma coisa a ver com o assunto.

O meu percurso no audio, para servir a minha paixão pela música, encetou-se nos anos 80. Antes disso não havia dinheiro e não havia cultura "audiófila" no meio a que pertencia.

Depois do primeiro walkman (que enorme salto na fruição de música) graças aos primeiros salários (já nem me lembro da marca... seria Aiwa?), veio o primeiro stereo (rádio e leitor de k7s) da Panasonic. Depois disso veio um giradiscos da Marantz, caro na altura e sem nada de especial, que ligava ao Panasonic. Só depois veio o meu primeiro amplificador Marantz (35W por canal) e umas colunas monitoras Jamo. Passado algum tempo dei outro salto com umas colunas Mission, também monitoras.

Depois disso, a audiofilia. Desgraçadamente, percebo eu dez anos depois, fui parar à Viasónica, em Lisboa (na Madeira não havia lojas da especialidade como há hoje a Magnólia ou a MusiRitual), que me "convenceu" a optar por umas colunas monitoras, Sonus Faber Concerto, tendo em conta o espaço que ocupariam, e um amplificador a válvulas, o Audio Note Oto. Antes disso passara pela Transom e ouvira umas colunas de chão B&W, penso que ligadas a um Rotel, que até me tinham agradado. Mas os conhecimentos não eram os de hoje e depositei demasiado na cultura audiófila da Viasónica.

Atenção que o conjunto Audio Note e Sonus Faber fizeram-me apreciar géneros que até então nunca tinha valorizado como o Flamenco, Jazz, Fado e outra World Music. Contudo, eu dissera aos gajos da Viasónica que ouvia Rock. E experimentei rock, mas o discernimento pessoal e as opções que me foram dadas, em termos de equipamento, não foram as mais indicadas. Porque se partira da premissa que as monitoras e a audiofilia seria indicado para o rock.

Assim, fui atirado para a audiofilia quando, afinal, não precisava dela. Nessa época pensava que, neste campo, mais era melhor. Acabei por despachar o Audio Note e optar pelo power da Myryad e o pré da Rega, escolhas bem acertadas. Já sabia bem ao que ia. Ou ao que não ia.

Contudo, mantive-me fiel às Sonus Faber, por causa do tamanho da sala e por, supostamente, mexer menos com a acústica do espaço. Também pelo som espectacular das monitoras, pela suavidade e até pela sua estética. Proporcionaram-me muitos bons momentos, não vamos deitar fora o bébé com a água do banho...

Mas viria a revelar-se um erro. Ao optar por monitoras em vez de colunas de chão parti de uma premissa errada. As colunas de chão dão graves mais encorpados e fundos e, como agora pude constatar, mexem menos com a minha sala em termos de ressonâncias. As Monitor Audio são um elemento menos perturbador em termos acústicos. Não há room boom. O grave não enrola. Nada. Afinal, tenho um bom espaço acústico.

As Sonus Faber deveriam ter sido o primeiro componente a ser mudado. O Audio Note poderia ter casado melhor com as Monitor Audio. Não foi e fez com que o caminho fosse mais tortuoso e dispendioso. Acabei por optar por um subwoofer REL, para compensar a menor capacidade de graves das monitoras, e mudar cabos. Até chegar às Monitor Audio. Um percurso que teve os seus desafios e aprendizagns, apesar de alguns desalentos.

As Monitor Audio, as Silver RS6, em preto, representam o meu céu, não propriamente audiófilo, mas melómano. Ainda por cima, custaram, em 2009, metade das Sonus Faber Concerto, em 1998.

A comparação entre ambas é inevitável. As referidas monitoras podem ser mais audiófilas, superiores em termos técnicos, mas as colunas de chão da Monitor Audio são mais musicais, mais pujantes, mais dinâmicas, menos agressivas/transparentes/abertas na gama média alta, enfim, é tudo o que um amante de rock pode querer.

Mais importante do que isso, as Silver RS6 debitam uns graves encorpados (parecemos visualizar as cordas da viola-baixo a vibrar), além de mais profundos. Ao ponto de quase dispensar o subwoofer, que mantenho nestes primeiros momentos, por dar mais um aconchego abaixo dos 30/20 Hz. E sou capaz de manter porque, sonicamente, gosto de descer ao calor do fundo dos infernos...

Mas, as vantagens, a meio preço, não se ficam por aqui. Esteticamente, as Monitor Audio em causa têm um look muito rock, de combate, de força, de robustez. A cor preta, com os altifalantes brancos e o respectivo contorno em metal cinza baço, confere à coluna um aspecto distinto e, diria, irresistível.

Apesar de ter tido contacto visual com a coluna na Net, ao retirá-la da caixa fui agradavelmente surpreendido pelo seu impacto visual.

Há uma relação custo-qualidade que diria imbatível. Uma coluna obrigatória a experimentar quando pensar em comprar uma coluna para apreciar música. Se for para ouvir rock, enfim, não conheço melhor opção depois de ouvir tanta coisa nestes últimos dez anos.

One Day As A Lion, o novo projecto do vocalista de Rage Against the Machine, foi a primeira coisa a ser triturada pelas RS6. E ao primeiro tema percebi que tinha encontrado o meu Santo Graal. Depois dei-lhe o difícil Animositisomina de Ministry e não soou nada agressivo em termos de gama média alta, para além da agressividade própria da música. Sempre tudo musical e confortável. Nada de audiofilia aguda. E os graves!... O baixo não pára de ronronar.

Estou a ouvir a minha música de novo, sem exageros. E apetece ainda comprar mais música. A aparelhagem está a cumprir o seu papel e não interfere com o melómano: fá-lo gostar mais da música e essa música de que gosta emociona-o mais. Ponto final. O resto são tretas.

Menos pode significar mais em audio. Repensei o caminho e dei um passo atrás em termos audiófilos e de custos. Em nome da MÚSICA, o essencial, que nunca pode ser remetida a um mero instrumento para ouvir a aparelhagem.

Assim, desfiz-me do único componente da aparelhagem que não era inglês, sem contar com cabos ou alimentação. E será por acaso? Há uma cultura musical no Reino Unido que tem reflexo na indústria audio. A Monitor Audio, a Rega ou a Myryad sabem como se deve ouvir música do ponto de vista do melómano. Sabem bem para quem estão a produzir equipamentos.

É claro que as Monitor Audio Silver RS6 estão bem alimentadas pelos mais de cem watts do enérgico Myryad, assistido pelo pré da Rega. As fontes são também Rega, que tornam o som bastante musical. Na génese da Rega e da Myryad estão músicos. E isso diz muita coisa. They simply cut the crap and go to the point.

Poderei estar a precipitar-me, mas se calhar já posso dizer Monitor Audio forever. Como diz o slogan da marca, as close as it gets. Nem mais.

___
Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa March 2009

Domingo, Março 08, 2009

Tony's anniversary party

Kelly (saxophone), Tony (guitarra), Ralph (baixo) e Terry (bateria), uma parte da banda em acção.

Os 50 anos do Tony foram bem comemorados. Cerca de noventa pessoas, de cá e do estrangeiro, tornaram a entrada no meio século mais suave, no passado sábado-domingo, deste surfista e artista (pintor e músico).

Uma festa animada como o caraças. Depois do jantar, uma banda formada por ilustres amigos, novamente de cá e de lá, com o Tony ora na guitarra, ora no saxophone, atacou em força no bar Portinho, desde as 22h30 até de madrugada. Jazz, Blues, Improvisação, um pouco de tudo, sem pimbalhadas.

Os planos são de comemorar 0 centésimo aniversário novamente no Jardim do Mar.
___
Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa March 7&8, 2009