«Alguém tem de se manter calmo neste manicómio» G. K. Chesterton

Quinta-feira, Abril 30, 2009

Elementos sobre o Estado da Escola Pública 30: onde falhamos nós, no público

Continuamos iludidos ao pensarmos que a permissividade e o laxismo incluem. Pelo contrário, excluem porque não prepara as pessoas para a vida. Sobretudo quem depende da escola pública para a sua formação.
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Numa notícia intitulada «Ensino privado convida alunos a sair», no Público de 29.03.2009, lemos o seguinte: «É no sistema de ensino privado que o domínio das atitudes e dos valores pode prejudicar os alunos, sobretudo quando se portam mal, dizem os especialistas contactados pelo PÚBLICO.»

Sem defender soluções radicais (permissividade ou autoritarismo), a realidade é que as escolas privadas resolvem os problemas de indisciplina. A disciplina e o empenho são pré-requisitos.

Na escola pública, em nome da inclusão, reina a permissividade (a boa atitude perante o trabalho escolar e o bom comportamento não são pré-requisitos: tem de ser o professor a inventá-los... e se não os "conquista" é incompetente...) e não há consequências relevantes para o estudante indisciplinado, que continua a prejudicar a sua aprendizagem (a cultivar a sua auto-exclusão) e as aprendizagens dos restantes alunos da turma (privá-los do direito à boa aprendizagem: mais exclusão).

Continua a notícia referida: «"Nos colégios, muitas vezes, os comportamentos quando são negativos têm um reflexo maior na classificação. Nas escolas públicas, como os problemas do comportamento se associam a outros, a escola tenta não penalizar os alunos, porque eles já estão em risco", explica Isabel do Vale, psicóloga na básica 2/3 Patrício Prazeres, em Lisboa.»

«É a "cultura da escola", aponta o professor universitário José Morgado. "O pai, quando opta pelo privado, não está disposto a pagar pelo insucesso e o colégio não está disponível para resolver problemas de comportamento. Nas públicas, não podemos falhar, porque a maioria dos pais não pode ir comprar qualidade de ensino [às privadas]", justifica.»

O Público da data mencionada dizia ainda: «O director da Escola Técnica e Liceal Salesiana de Santo António, no Estoril, padre Joaquim Teixeira da Fonseca, confirma que, se um aluno "está a prejudicar e não está a aproveitar, é avisado, é convidado a trabalhar e, quando não quer, é convidado a sair".»

«As consequências do mau comportamento devem ser imediatas e não reflectirem-se na nota, defende João Lopes, da Universidade do Minho. Castigar através das notas "é muito primário" e não traz benefícios ao aluno, que pode desmotivar-se e ter insucesso, aponta a psicóloga clínica Maria João Santos, do Espaço para a Saúde da Criança e do Adolescente, em Lisboa.»

Para concluir, eu não compreendo como se pode ter uma escola privada para preparar bem as pessoas, do ponto de vista das atitudes, valores e do trabalho, e insistimos num modelo de escola pública que, em nome de uma pseudo inclusão, neglegencia tais aspectos.

Se pensarmos bem, o ensino público deveria ser mais exigente do que o privado, porque a maior parte dos estudantes que frequentam a escola pública dependem dela (da formação que proporciona ou deveria proporcionar) para serem alguém na vida, para acederem à mobilidade social.

Quem frequenta o ensino privado tem outras alternativas, para além do contexto familiar e social favorável, que torna estes estudantes menos dependentes da escola para vencer na vida. Na escola pública, os estudantes em geral dependem mais dela para evoluírem. E sem disciplina e trabalho por parte do estudante, dificilmente a escola pública ganhará credibilidade e cumprirá o seu papel.

«Nas públicas, não podemos falhar, porque a maioria dos pais não pode ir comprar qualidade de ensino [às privadas]"», como se diz muito bem na notícia, mas a verdade é que a escola pública do laxismo e da permissividade crescentes está a falhar. Para meu desapontamento. Está tudo montado de cima a baixo para não haver disciplina e uma boa atitude perante o trabalho escolar por parte de quem aprende. Para não haver condições de ensino-aprendizagem.

Recorde-se outros textos da série:
29: Regras e responsabilização das crianças
28: Inflacção de notas
27: Responsabilização
26: Inconformismos
25: Enfrentar a realidade antes que ela nos engula
24: Laxismo e facilitismo significam exclusão social
23: Leste arrasa postura desculpabilizante
22: valores do Trabalho e da Responsabilidade moribundos na escola
21: Intervir contra a indisciplina III
20: Intervir contra a indisciplina II
19: Intervir contra a indisciplina I
15: Violência (des)camuflada IV
13: violência camuflada III
12: violência camuflada II
10: educação infantil em Portugal (Eduardo Lourenço)
9: nem ditadura por disciplina nem a ditadura da indisciplina
7: violência camuflada I
1: condições de trabalho

Outros:
Complexos de esquerda = facilistismo
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação
Escola ideal é diferente da escola real
Brincamos mesmo
País de brincalhões
Fomentos da indisciplina [quando o exemplo nem vem de cima]

[O assunto não fica por aqui. A luta pela racionalidade continua em próximos textos, neste blogue]

Domingo, Abril 26, 2009

Eleições SPM 2009 IX: estranho balanço

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A Lista B fez hoje um «balanço de campanha» na sua página, mas limita-se a fazer umas alusões sobre «estética», ainda por cima negativas, em vez de dar conta das escolas e sócios contactados. E sem ilustrar as supostas visitas às escolas e contactos com os sócios.

Será este o conceito de «estético»?

A Lista A, pelo contrário, tem feito um diário de campanha, provando por onde tem contactado com os docentes e divulgado o seu projecto sindical. E foi apenas a primeira semana de campanha...

E que tal um balanço dos gastos da campanha?

Eleições SPM 2009 VIII: na falta de outros, vão-se repetindo os mesmos

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No dia 17 de Abril, a Lista B na sua página electrónica, publicou um depoimento «por que me candidato». Passados alguns dias, no dia 26 de Abril, repete-se a mesma pessoa com outro «por que me candidato».

Sinais de esgotamento «estético»? Esperemos que não, porque queremos que o debate democrático se estenda até ao dia 15 de Maio, dia das eleições para os corpos gerentes do SPM. Nós temos feito e continuaremos a fazer tudo para enriquecer esse debate.

Sábado, Abril 25, 2009

Experiência audiófila

Leitor da Mark Levinson, CD Transport nr 31.5.

Gosto da robustez metálica, da cor preta e das letras/números em cor vermelha no mostrador, em tamanho que permite ver a grande distância, do carregamento dos discos pelo topo (como o meu Rega), mas tem demasiados botões.

Tive ocasião de ouvir hoje música a brotar de um equipamento audio da Mark Levinson ligado a umas colunas gigantes Genesis, quatro torres com cerca de dois metros de altura, cada uma.

Apesar de ser um topo audiófilo, o equipamento soa suave e musical, embora ainda não tenha os cabos de coluna à altura a ligar o pré-amplificador aos dois enormes amplificadores mono, que alimentam as duas torres de médios/agudos da Genesis. Desconfio que uns cabos melhores podem tornar o som menos musical e mais analítico, detalhado, mais informativo, mais cansativo.

Não ouvimos apenas álbum I'm Your Man de Leonard Cohen. Tocou também a 9ª Sinfonia de Beethoven, de início ao fim e, espante-se, soou sempre confortável e empolgante. Como a música clássica tem, geralmente, esse problema da falta de graves, pedi ao meu anfitrião para dar mais grave ao amplificador Genesis de mil e quinhentos watts, que alimentam as respectivas torres de graves (quatro woofers para a frente e quatro para trás, em cada uma das torres).

Como sou um basshead, gosto dos meus graves. Sempre controlados, definidos e recortados. Nada de graves exagerados ou balofos. O grave tem de ter consistente e profundo.

Ruby Princess no Funchal

Ruby Princess a entrar no Porto do Funchal, cerca das 12h30 de hoje.
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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa April 25, 2009

Simplesmente vermelho 25

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Recorde-se:
Simplesmente vermelho 24 : still reigning
Simplesmente vermelho 23 : reigning
Simplesmente vermelho 22 : heart on
Simplesmente vermelho 21 : olho de fogo
Simplesmente vermelho 20 : Eduardo
Simplesmente vermelho 19 : King
Simplesmente vermelho 18 : Bob
Simplesmente vermelho 17 : Renault
Simplesmente vermelho 16 : seasons
Simplesmente vermelho 15 : bass amp
Simplesmente vermelho 14 : rocker
Simplesmente vermelho 13 : Loeb
Simplesmente vermelho 12 : C4 Ninco slot car
Simplesmente vermelho 11 : V for Vendetta
Simplesmente vermelho 10 : 300
Simplesmente vermelho 9 : Sin City (film)
Simplesmente vermelho 8 : Sin City (novel)
Simplesmente vermelho 7 : stereo
Simplesmente vermelho 6 : phone
Simplesmente vermelho 5 : race track
Simplesmente vermelho 4 : rally team
Simplesmente vermelho 3 : computer
Simplesmente vermelho 2 (SLB II) : Mantorras
Simplesmente vermelho 2 (SLB I) : football team
Simplesmente vermelho 1 : classic banner

Sexta-feira, Abril 24, 2009

Simplesmente vermelho 24

Still Reigning after all these years.

Simplesmente vermelho 23

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Quarta-feira, Abril 22, 2009

Fascismos?

Uma pessoa que passe a usar farda, num serviço de atendimento ao público, não significa que se torne submissa e acéfala ou uma vítima (de fascismo).
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Hoje na Assembleia da República, no debate quinzenal, a deputada Heloísa Apolónia, dos Verdes, inicia a sua intervenção com uma pergunta à margem dirigida a José Sócrates sobre o código de vestuário da loja do cidadão de Faro. Uma história de fardas.

A deputada, vendo que Sócrates menospreza a pergunta, acusando-a de ver fascismos no código de vestuário, afirmou que o primeiro-ministro «já está habituado a que o associem ao fascismo».

Escusado. Mostra a forma de actuação de uma certa esquerda laxista e permissiva, avessa a regras e a limites, que vê fascismos na disciplina e no rigor.

É por essa e por outras que este país não progrediu como deveria ter progredido. Pensou-se que a liberdade e a democracia não exigiam, na medida correspondente, responsabilidade, rigor, disciplina e trabalho empenhado e produtivo. A realidade está à vista de todos.

Com intervenções como esta de Heloísa Apolónia, José Sócrates ganha votos. Muitas vezes tenho criticado a política do Governo nacional, nomeadamente na Educação, mas condeno posturas radicais e delirantes que vêem fascismos ao virar da esquina.

Domingo, Abril 19, 2009

Demasiadas pessoas importantes

Portrait of a Gentleman (Atmo Royce: oil on linen, 36"x30").

Alberto João Jardim declarou: «única pessoa importante neste partido sou eu...» (Jornal da Madeira: 18.4.2009). Tal levantou um coro de críticas: Fórmula anti-saco de gatos.

Como no PS Madeira não se reconhece que o presidente do partido é a única pessoa importante, sucedem-se os episódios de guerrilha e instabilidade.

Hoje ficámos a saber que o líder parlamentar do PS Madeira (e mandatário da Lista B na corrida à liderança do Sindicato dos Professores da Madeira) demitiu-se dessa função. Um partido que junta demasiadas pessoas importantes e demasiados interesses não coincidentes só pode acabar, à boa maneira madeirense, à bulha.

Afirma o Diário: «tudo indica que para as motivações de [André] Escórcio concorrem divergências evidentes com a direcção de João Carlos Gouveia»; «Escórcio estava ainda há bem poucos dias na presidência do grupo e já se notava que defendia um caminho diferente do que foi seguido pelo líder do partido ao aceitar ir sozinho falar com o presidente da Assembleia da República. Outras divergências não assumidas publicamente ditaram a demissão ontem formalizada.»

Fórmula anti-saco de gatos

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«Já esta resolvida essa questão. O candidato ao Parlamento Europeu no mesmo oitavo lugar é o senhor Dr. Nuno Teixeira. Um não quer ir, vai outro. A única pessoa importante neste partido sou eu...» (Jornal da Madeira: 18.4.2009).

Falou o Presidente da Comissão Política Regional do PSD Madeira, depois da tomada de posição de Sérgio Marques sobre o 8º lugar que lhe era destinado para as eleições europeias, na lista do PSD nacional.

Dá-me vontade de rir certas críticas a esta postura do líder do PSD Madeira, conotando-a com autoritarismo e ditadura, quando há malta por aí nos partidos bem mais autoritária e ditatorial do que Alberto João Jardim.

Além disso, quer se goste quer não, esta é a fórmula de Alberto João Jardim para evitar que o seu partido, como outros, caia naquelas guerras intestinas muito endemicamente madeirenses, o tal saco de gatos, que entretém a malta na vertigem dos ataques pessoais (o acessório), mas que arrasa as instituições e o seu trabalho (o essencial).

A liderança carismática, forte e unificadora no Partido Social Democrata da Madeira impede que se descambe para o saco de gatos.

Recordo o texto Leis da natureza humana, em que se deu conta que, a «propósito da Associação de Promoção da Madeira (AP-Madeira), Alberto João Jardim demonstrou mais uma vez ter um sentido de realismo e pragmatismo na condução de certos assuntos, que se adapta e responde ao contexto socio-cultural e à mentalidade madeirenses».

E citamos as palavras do presidente do GR: «Nunca acreditei naquilo [AP-Madeira], porque já sabia que à boa maneira madeirense ia dar nisto [ausência de financiamento privado, entre outros bloqueios], porque já sei que quando há interesses madeirenses diferentes, todos metidos no mesmo saco, sei que isto acaba tudo à bulha e em asneira

E quando andamos à bulha fazemo-lo com uma grande virulência e contundência. Acaba tudo em urdiduras conflituosas e em ataque pessoal, sem tréguas.

Também será «fruto de uma certa caracterização comportamental» insular madeirense, como disse Monteiro Diniz, muito perspicaz e atento à nossa realidade social e cultural. «Aqui na Madeira são as flores, as festas, o vinho, a alegria e, portanto, tudo isso comporta depois estas emanações que ultrapassam os limites minimamente razoáveis.» Como ainda referiu o Representante da República, «é uma cultura cívica. O problema é de civismo, de cidadania, de cultura».

A Madeira, num sentido geral, é um saco de gatos e, por isso, se compreende um poder governativo de mão dura para se poder controlar esta gente que sente desgosto pelo mérito e conquistas dos outros, geradora de conflitos estéreis e do bota-abaixo leviano.

Compreende-se que, face a esta mentalidade da sociedade madeirense, foi preciso Alberto João Jardim, enquanto líder da governação, encaixar-se nela e exercer um certo nível de controlo para tornar a Madeira governável (com estabilidade política e social).

Contudo, passados quase 30 anos, deveriam já ter sido estimuladas (concedido espaço) determinadas mudanças (revoluções) culturais e cívicas que conduzissem a uma maturação e arejamento democráticos (desbloqueios). Se calhar estou a ser romântico ou utópico... crente no Pai Natal...

Recorde-se:
Madeira endémica é um saco de gatos

Sexta-feira, Abril 17, 2009

«Optámos por engenheiro por causa do actual primeiro-ministro»

É mais fácil atingir quem está mais à mão e lidera os assuntos públicos do que revoltar-se contra as instituições financeiras e especuladores financeiros na origem da actual crise mundial... O perigo não está no Primeiro Ministro português, por mais que discorde de algumas das suas políticas.
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Quando no refrão do tema Sem Eira nem Beira se afirma «Senhor engenheiro / Dê-me um pouco de atenção / Há dez anos que estou preso / Há trinta que sou ladrão / Não tenho eira nem beira / Mas ainda consigo ver / Quem anda na roubalheira / E quem me anda a comer» não há volta a dar.

Então os Xutos e Pontapés não sabem da realidade política e que o Primeiro Ministro é engenheiro? Poderiam ter escolhido uma outra profissão («Senhor banqueiro» ou «Senhor especulador da Bolsa») ou algo mais neutro («Senhor Doutor» ou «Senhor político»).

Depois de escrever estas linhas, encontrei a confissão no Público (14.04.2009): «Zé Pedro, que, diz, até "simpatiza" com o primeiro-ministro José Sócrates, aponta ainda que quando Tim, o vocalista, escreveu o texto para a música de Kalu, tiveram de optar entre "senhor engenheiro" e "senhor doutor": "Optámos por engenheiro por causa do actual primeiro-ministro, mas nunca quisemos fazer um ataque político directo."»

A seta está apontada a quem dirige a Res Publica: os políticos. E entre os políticos estão à cabeça José Sócrates e Cavaco Silva. E apenas um deles é engenheiro.

Não acho mal a crítica, bem pelo contrário, mas não me digam que não foi intencional. Sobretudo uma banda rock, com um passado punk, em que a consciência social é apurada. Outra coisa é não ficar bem assumir a intencionalidade... até para não arriscar processos por difamação...

«Quem conhecer a discografia dos Xutos & Pontapés sabe que o cariz de intervenção e alerta social marcaram sempre presença nas letras das músicas. Mas os membros desta banda nunca quiseram vestir a roupagem de “líderes de uma revolução política”, nem apoiam, enquanto colectivo, qualquer partido político, assegura Zé Pedro, guitarrista dos Xutos. Por isso, é com alguma surpresa que o grupo assiste à euforia em torno da canção “Sem eira nem beira”, que integra o novíssimo álbum Xutos & Pontapés, disco de originais que foi lançado na passada semana.» (Público 14.04.2009)

Podem dizer que "não há aqui alvos a abater", que "não queremos fazer um ataque político a ninguém", que a "letra exprime mais um grito de revolta" ou ainda que é um "alerta para o estado da Justiça e para uma classe política em geral que, volta e meia, toma atitudes que deixam os cidadãos desamparados", que ninguém acredita.

E toda a publicidade gerada pela polémica serve muito bem à difusão comercial do novo álbum. Por acaso? Por favor...

Todavia, é mais fácil atingir quem está mais à mão e lidera os assuntos públicos do que revoltar-se contra as instituições financeiras e especuladores financeiros na origem da actual crise mundial... O perigo não está no Primeiro Ministro português, por mais que discorde de algumas das suas políticas.

Mas, o Zé Pedro até disse que "simpatiza" com o primeiro-ministro José Sócrates. Imaginemos se não simpatizasse...

Eu estive no primeiro concerto dos Xutos e Pontapés, no Funchal, nos idos anos 80. E curti muito. É quase fatal que acabe comprando o disco.

A letra do tema Sem Eira nem Beira:

Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou-bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
o povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão

Elementos sobre o Estado da Escola Pública 29: regras e responsabilização das crianças

«Faltam regras na educação das crianças», diz o psicólogo espanhol Guillermo Ballenato. ««[P]enso que agora se peca pela permissividade. Os filhos estão a reclamar autoridade, precisam de ser postos no seu lugar.» Para este profissional um dos maiores erros dos pais é «serem demasiado permissivos e brandos, não lhes impondo limites nem regras.»
photo copyright: Jorge Simão/Expresso


No Expresso (10.4.2009) o autor de Educar sem Gritar, um best seller em Espanha, acabou de ser lançado em Portugal pela A Oficina dos Livros, refere, em síntese:

«Há um provérbio que diz: "Se educas o teu cavalo aos gritos, não esperes que te obedeça quando simplesmente lhe falas." Só te obedecerá quando lhe gritares. Não se trata só da forma, mas também do conteúdo. Um trato negativo, humilhante, desvalorizante faz perder a auto-estima dos filhos e a autoridade dos pais, porque se perde o respeito. Os filhos devem ver nos pais um modelo de conduta, de respeito e de comunicação, e tenderão a imitar o que vêem em nós. Não podemos dizer aos berros a um filho "Já te disse que não grites!", porque com a nossa conduta estamos a dizer que os gritos são legítimos.»

«[P]enso que agora se peca pela permissividade. Os filhos estão a reclamar autoridade, precisam de ser postos no seu lugar. Se tudo lhes é permitido, se nada lhes custa a conquistar, estamos a criar crianças inadaptadas. As crianças têm que ter regras, percebê-las e cumpri-las. Há vários estilos educativos, e acredito que nem o autoritário nem o permissivo ou liberal, nem tão pouco o paternalista ou sobreprotector, funcionam. Penso que o estilo democrático e dialogante é o que resulta melhor. Note-se que não existe uma relação de igualdade, os filhos não estão ao nível dos pais, mas há uma comunicação fluida entre as duas partes


«A autoridade que reivindico é moral, fruto da competência, coerência e do sentido de justiça. Um pai injusto ou incoerente é um pai que perdeu a autoridade. A autoridade não vem por se castigar mais.»

«Um pai que tem competência para educar, que é autoconfiante, que é um pai feliz, um exemplo e modelo de carisma que apeteça seguir, conquista uma autoridade moral enorme. Nos primeiros anos de vida, as crianças devem ter normas muito claras e fixas. [...] Quem permite excepções uma, duas, três vezes, perde a mão e vive numa discussão constante. A arbitrariedade é o pior inimigo da educação.»

NOTA: não é fácil determinar onde começa a «excepção» e onde termina a«flexibilidade»...

«É evidente que não há máquinas perfeitas de educar, mas modelos e regras a seguir.»

A «escola de pais - nos centros, nas escolas - devia ser obrigatória. Temos de ter formação para guiar um carro, porque não devemos ter também para educar e formar outro ser? Devíamos ter um diploma para educar, e não o temos. Estas técnicas podem ser ensinadas e há fórmulas e alternativas para resolver alguns dos problemas com que os pais mais se debatem. Só com boas intenções não se pode educar.»

«A verdadeira chave está em ser suficientemente firme e claro nas regras, ponderando-as, e suficientemente flexível quando um momento o exigir.»

«Os pais devem relaxar e dar espaço aos filhos para aprenderem sozinhos - na escola, com os colegas e professores -, dando-lhes essa responsabilidade. Esse é o seu trabalho. Adoro a frase "Se queres ver uma criança com os pés na terra, coloca-lhe sobre os ombros uma responsabilidade". E não se devem julgar os filhos pelos seus resultados escolares, mas sim pelo seu esforço. Jamais olhei para a agenda das minhas filhas para ver que deveres têm para o dia seguinte. Nem nunca o farei. Elas sabem que estudar é o seu trabalho, que isso é a sua vida, e que têm essa responsabilidade. Explico-lhes como fazer, dou-lhes métodos e incentivo, mas não me substituo a elas na assunção de responsabilidade.

«O melhor prémio é o reconhecimento e o elogio. Mas a recompensa não deve ser excessiva. Por exemplo, eu jamais dei um presente às minhas filhas pelos seus êxitos na escola, isso é o seu trabalho e o seu dever. O contrário descamba facilmente numa situação em que as crianças dizem: "Se não há prémio, não o faço."

NOTA: o reconhecimento e o elogio nem custam dinheiro...

«Há duas ideias-chave na educação. Uma é a atenção - esta é a grande maravilha à disposição de todos os pais, é fácil e grátis. É o maior prémio, e o pior castigo é a retirada de atenção. A outra é convicção. A sua expectativa e crença nos filhos origina uma realidade. Se um pai diz a um filho "sei que o vais fazer bem", as hipóteses de isso acontecer são maiores do que se disser "não sei se consegues". Estimular a autoconfiança nas crianças é uma ferramenta poderosíssima. É quase como uma profecia autocumprida.»

«[S]e tivesse de apontar um número, diria que 80% vem da educação e 20% da genética.»

NOTA: aqui cito o amigo, psicólogo e pedagogo José Augusto Fernandes, que diz o seguinte: «nós somos 100% o nosso património genético, 100% a educação que tivemos, mas somos, sobretudo, o que fazemos com essas duas componentes.» E aqui concordo com José Augusto Fernandes, em que valoriza a capacidade de comando e determinação do indivíduo (a sua vontade e capacidade de decisão e de mudança) no que toca à condução da sua vida, em detrimento do determinismo genético e educacional, que é desculpabilizante e desresponsabilizante do indivíduo. Recuso justificar a inacção e a irresponsabilidade individuais, transferindo as culpas apenas ou basicamente para a esfera social, genética ou educacional. Estou ciente do peso das circunstâncias, mas estou cansado da cantiga do costume de culpar a sociedade, a genética e a educação por tudo o que de mal acontece aos indivíduos.

Quinta-feira, Abril 16, 2009

Rabaçal em risco XXX (Rabaçal at risk in Madeira Island): Acção Popular

Objectivo: declaração de nulidade ou anulação da decisão do Governo Regional da Madeira favorável ao projecto de execução do teleférico do Rabaçal.
© madeira tourism

«Duas organizações não governamentais de ambiente requereram ao Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal a declaração de nulidade ou anulação da decisão do Governo Regional da Madeira favorável ao projecto de execução do teleférico do Rabaçal.

Com esta acção popular, a Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza e a Associação Amigos do Parque Ecológico do Funchal pretendem "evitar danos irreversíveis para o ambiente e correspondente qualidade de vida que seriam causados pela instalação e funcionamento" do teleférico em local integrado em área do Parque Natural da Madeira.

O projecto desenvolve-se dentro dos limites do sítio de interesse comunitário da rede Natura 2000 - Laurissilva da Madeira -, integrado em área classificada como "reserva biológica" do Conselho da Europa e como património natural mundial da UNESCO. De acordo com o Plano de Ordenamento do Território da Região Autónoma da Madeira, o local onde a Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste, de capitais exclusivamente públicos regionais, pretende desenvolver o projecto do teleférico encontra-se classificado como "espaço natural e de protecção ambiental" e, dentro desse capítulo, como "zona natural de uso interdito".

Na acção administrativa especial, de que a Secretaria Regional dos Recursos Naturais foi notificada a 26 de Março, para contestar num prazo de 30 dias, as duas organizações ambientalistas recordam que o Parque Natural da Madeira e a Direcção Regional das Florestas emitiram pareceres negativos ao projecto.

E, a propósito, imputam à Secretaria Regional do Equipamento Social "uma incongruência grave" no teor do seu parecer, em que declara que os serviços do parque natural "não emitiram qualquer parecer, pelo que (...) se depreende não terem objecções à sua autorização". Este erro, frisam, "inquina também o próprio acto administrativo aqui impugnado".

Nos termos do Decreto Legislativo Regional n.º 11/85/M, os ambientalistas recordam que carece de autorização prévia do parque natural a realização de quaisquer obras de edificação a efectuar na área deste". Acresce que, ainda de acordo com o diploma, "a autorização não será concedida sempre que as obras a realizar possam causar alteração no meio físico e ambiente".

Como salientam as duas organizações - representadas por Hélder Spínola (Quercus) e Raimundo Quintal (Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal) - a maior agregação de visitantes, a construção das três estações do teleférico, das torres e do parque de estacionamento, não só provocarão "um aumento enorme de ruído" durante a construção, na classificada "zona de repouso e silêncio do Rabaçal", como causarão a destruição dos habitats e espécies de flora existentes entre as levadas do Risco e das Vinte e Cinco Fontes.

Por fim, ainda segundo o diploma regional, a autorização do parque natural "constitui documento necessário ao processo para obtenção de outros condicionamentos ou licenças exigidas por lei", o que leva os promotores da acção popular a concluírem que, por não deter a necessária autorização prévia da área protegida madeirense, o acto administrativo que viabiliza o projecto do teleférico do Rabaçal deve ser declarado "nulo, ou pelo menos anulável, por vício de violação da lei".»

Público 15.04.2009

Quarta-feira, Abril 15, 2009

JM cedido a privados para contornar lei do pluralismo dos media

Segundo o Público de hoje, o «Governo Regional da Madeira tenciona ceder a empresários a sua participação maioritária no Jornal da Madeira (JM), se entrar em vigor a lei que proíbe o Estado, as regiões autónomas e as autarquias de deter publicações. Alberto João Jardim terá convidado concessionários de serviços públicos ou adjudicatários de obras públicas (Farinha & Agrela, Sousas e Carlos Pereira, entre outros) a tomarem a posição (99 por cento) do governo no capital social da empresa JM, depois de terem fracassado as negociações com a Empresa Diário de Notícias (EDN) funchalense com vista à constituição de uma SGPS que deteria os dois mais antigos jornais da região.»

«Face ao veto presidencial da lei do pluralismo e por estar convicto de que o PS deixaria cair o diploma, o chefe do executivo madeirense rompeu o acordo com o DN que implicava a distribuição da publicidade governamental pelos dois títulos. Desfeita a parceria, que não tinha o apoio da Diocese do Funchal, fundadora do JM e agora relegada a uma insignificante participação (1 por cento) por não acompanhar os sucessivos aumentos de capital, a EDN avançou na semana passada com uma queixa à Autoridade da Concorrência contra o JM».

Recorde-se:
Jornal da Madeira na corda bamba
Sr. Silva salva Jornal da Madeira

Eleições SPM 2009 VII: contador de visitas self-service

O nova página da Lista B às eleições do Sindicato dos Professores da Madeira arrancou hoje de tarde, mas o seu contador na barra lateral contabiliza já cerca de 3.700 visitas.

Pensava que estes contadores de visitas começavam sempre do zero e que seriam invioláveis (ou dificilmente violáveis) como, por exemplo, os modernos contadores do consumo de energia eléctrica...

O blogue CADA VEZ MAIS PERTO da Lista A conta com cerca de 5.300. Arrancou a zeros em 22 de Março de 2009.

Sábado, Abril 11, 2009

Eleições SPM 2009 VI: apoiantes em causa própria

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A lista B concorrente às eleições de 15 de Maio do Sindicato dos Professores da Madeira tem vindo a publicar no seu blogue alguns apoios. Entre esses apoiantes estão elementos que fazem parte da própria causa, isto é, da própria candidatura. Ou então até têm relações de parentesco com elementos da lista.

É uma opção, mas será redundante, porque já sabemos que os elementos da lista apoiam, natural e solidariamente, a própria lista. Outra coisa não se esperaria. Não se espera independência ou distanciamento face às causas em que nós ou os nossos familiares participam.

The bright and the dark sides of the moon

Imagem da lua captada com uma câmara de telemóvel através do telescópio. É bem visível o lado claro e também o lado escuro da lua.

No Ano Internacional da Astronomia, o Núcleo de Observação Astronómica da Universidade da Madeira e o Núcleo Amador de Astronomia da Escola Básica e Secundária da Calheta realizaram, no passado dia 3 de Abril, no Jardim do Mar, no Portinho, uma sessão de observação astronómica, algo que é sempre fascinante.

Fascinante porque somos colocados perante a imensidão do Universo. Um processo de relativização de muita arrelia quotidiana.

Recorde-se que o cientista italiano Galileu Galilei foi o primeiro a realizar uma observação astronómica utilizando um telescópio, em 1609. O primeiro astro observado foi a Lua. Galileu percebeu que a superfície da Lua é irregular.
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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa April 3, 2009

Melhor aluna de Portugal é russa

«Em 2008 obteve a melhor nota do país no 12.º ano: 19,7 valores. Mas, sendo a melhor aluna de Portugal, não é portuguesa – nasceu na Rússia. Com todos os cursos à disposição, escolheu Bioquímica. A sua grande paixão é, contudo, o piano, onde soma prémios internacionais. Chama-se Alena e tem 18 anos.» (Sol, 10.04.2009)

Sexta-feira, Abril 10, 2009

Queixa do DN Madeira à Autoridade da Concorrência

Será a legislação do Governo da República que vai acabar com a distorção da concorrência do mercado da comunicação social escrita na Região Autónoma da Madeira. Através do JM, o Governo Regional parece tentar acabar com o DN, ou provocar-lhe os maiores danos possíveis, antes que chegue essa legislação...

Resumo da queixa apresentada pela Empresa Diário de Notícias da Madeira, Lda ao Conselho da Autoridade da Concorrência, recebida por esta anteontem, 08 de Abril de 2009, no «sentido de ser reposta, com a urgência que o caso requer, a legalidade no sector da comunicação social escrita na RAM»:

«Apesar de todas [as] distorções sistemáticas da concorrência [Jornal da Madeira financiado por dinheiros públicos, publicidade intitucional canalizada para si, entre outros factos], o JM continuava a acumular [...] prejuízos [...] e nada indicia que os mesmos não se venham a agravar com as mais recentes medidas.»

«Face a esta situação e seguramente com o intuito de inviabilizar o DN, um órgão de informação independente, o Governo da RAM decidiu que o JM, detido em 99,97% do seu capital pela RAM, passaria a ser distribuído gratuitamente, mantendo as mesmas características de jornal de informação geral de 48 páginas, com publicação ao sábado (com revista) e domingo e reafirmando no essencial aquilo que o seu Director escreveu: "que seria um jornal gratuito mas diferente de todos os gratuitos", por certo, segundo julga a denunciante [Empresa Diário de Notícias da Madeira, Lda], por ter de ser sustentado "ad infinitum" pelo erário público» (ver Doc. 5).

«Simultaneamente, a tiragem do JM, que era de cerca de 5000 exemplares diários, passou a ser de 15000 exemplares, colocados à disposição dos seus eventuais leitores em numerosos locais».

«É por demais evidente que as medidas tomadas e mantidas pelo Governo da RAM claramente afectam o livre funcionamento do mercado, falseando a concorrência, distorcendo as relações entre a empresa pública que edita o JM e a empresa privada ora denunciante e agravando o montante dos auxílios do Estado (no caso, a RAM) à EJM [Empresa Jornal da Madeira], Lda.»

Tudo aponta para a «inviabilização económica do DN a médio prazo».

O JM é «uma tribuna do Presidente do Governo da RAM, do próprio Governo e de destacadas figuras do partido político (PSD-M) que o apoia, revelando uma total ausência de independência do poder político, antes lhe estando directa e visivelmente subordinado, sendo uma pura falácia pretender justificar a manutenção do JM, nos termos em que, por vezes, é feita, isto é, em nome de um putativo pluralismo informativo».

Acresce que, «desde há quatro anos que o Governo da RAM acabou com todas as assinaturas que tinha do DN, num total de cerca de 400 anuais»; o «Presidente do Governo da RAM, em cerimónias de inaugurações oficiais, bem como na qualidade de Presidente do PSD-M, em comícios políticos, tem apelado veementemente aos anunciantes e empresários para não fazerem publicidade no DN» e o «Presidente do Governo da RAM tem sistematicamente denegrido em público os accionistas, director, jornalistas e colaboradores do DN, chegando ao ponto de ameaçar com a expropriação deste jornal em virtude da sua linha editorial de independência isenção e abertura a todas as correntes de opinião».

«Se não forem tomadas as medidas adequadas e com a urgência necessária para pôr fim à descrita e intolerável situação por violação dos normativos [legais], estarão em causa a liberdade de expressão, o pluralismo informativo e a concorrência no sector da comunicação social escrita na RAM.»

Nota: resumo do Diário (10.04.2009) sobre o assunto: «contra distorção do mercado».

Recorde-se:
Jornal da Madeira na corda bamba
Quanto custa o «putativo pluralismo informativo» do Jornal da Madeira

Ainda:
Dia sem Diário é dia sem "oposição" 1
Dia sem Diário é dia sem "oposição" 2
A realidade e não mais do que a realidade
Tentação de controlar a informação
«Estado de direito posto em causa» na Madeira
A propósito de Abril, o estado de coisas na Madeira e o papel da comunicação social independente...
... resta combater

Ou ainda:
Não é preciso ir ao Iraque
Latitude africana

Por fim:
Anestesia geral

Quanto custa o «putativo pluralismo informativo» chamado Jornal da Madeira

Origem da imagem

Jornal da Madeira na corda bamba

O decreto da Assembleia da República referente ao pluralismo e à não concentração dos meios de comunicação social, que a maioria PS aprovou sozinha em votação final global, é reapreciado na próxima quarta-feira.
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Após o «Sr. Silva» ter salvo o Jornal da Madeira, eis que este jornal, propriedade do Governo Regional da Madeira, volta à corda bamba, porque o PS insiste na lei que impede o Governo, governos regionais ou autarquias de serem proprietários de órgãos de comunicação social.

Segundo o Público (09.04.2009), os «socialistas insistem em proibir Estado de deter media», significando que PS «em pouco ou nada cedeu às preocupações do Presidente da República, Cavaco Silva, no veto à lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social. O Estado e as regiões autónomas vão continuar sem poder ter órgãos de informação, segundo a proposta socialista entregue ontem.»

«Embora com uma reformulação do texto do artigo em causa, a proposta de alteração do PS mantém a proibição de o Estado, regiões autónomas, autarquias locais, entidades públicas e empresas municipais de serem proprietários de órgãos de comunicação social, com excepção do serviço público de rádio e televisão. Uma proibição para a qual o chefe de Estado disse não ver a razão.»

Quarta-feira, Abril 08, 2009

Nick Cave e o Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford





Cena do filme em que participa Nick Cave, cantor num saloon, que entoa uma canção que narra a desgraça do covarde Robert Ford (à direita, junto ao balcão, de costas para Nick Cave).

Nick Cave participou como no filme The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford como actor (cantor de saloon) e como criador da banda sonora, juntamente com Warren Ellis. Este último participa no projecto Grinderman formado por Nick Cave.

Não vi o filme em 2007, no cinema, como gosto e prefiro fazer. Viu-o ontem em DVD.

Nick Cave, quando não está ocupado com os Bad Seeds ou Grinderman, dedica-se à escrita de livros (And the Ass Saw the Angel; The Death of Bunny Monro), aos guiões para filmes (The Proposition) e às bandas sonoras (Ghosts ...of the Civil Dead; To Have and to Hold; The Proposition; The Assassination of Jesse James by Coward Robert Ford; The Road).
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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa April 8, 2009

Slumdog millionaire

A Índia é a outra protagonista do filme. Um país em crescimento acelerado, uma potência mundial.

E lá fui ver o filme Slumdog Millionaire, realizado por Danny Boyle, conhecido pela realização de Trainspotting.

E gostei, não tanto pelo enredo, mas pela forma que está contada a narrativa, com a Índia em pano de fundo, desde as situações de probreza extrema até ao crescimento económico avassalador nos tempos mais recentes.

E transmite uma mensagem de esperança: a persistência, a cultura e a disciplina são fundamentais para que os mais pobres possam sair do buraco onde nasceram e consigam realizar algumas das suas aspirações ou sonhos.

Um filme de baixo orçamento que consegue afirmar-se como grande sucesso comercial. Prova que a capacidade de criar é um dos elementos distintivos do ser humano. É isso que faz a diferença. Ser repetidor ou mero executor é fácil.

Daí que se deveria valorizar mais o trabalho intelectual, de criação e inovação. Para o trabalho manual, para repetir, para concretizar ideias há a maioria das pessoas.

Leitura com a qual concordo:

«Many people have compared this film to City of God because the film are actually similar in many ways. Yet City of God has something Slumdog Millionaire does not have which is depth and character motivations. These things are vital to these kind of movies being successful. City of God seemed to have a more plausible story because the story was more linear. Events took place as a result of other events. This did not happen in Slumdog Millionaire, the story was more chopped up and too many of the events just seemed to pop up out of no where. Slumdog Millionaire did take a very ambitious approach in the way it was made which is commendable. Is this a 1st rate movie though? The answer to that is no.»

Eleições SPM 2009 V: ainda a partidarização

Não acredito em fantasmas, mas que os há...
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O assunto da partidarização, e muito bem, é uma preocupação abordada no programa da candidatura "Alternativa SPM": «Impedir a infiltração, manipulação ou apropriação do sindicato por partidos políticos ou por qualquer das formas de poder estabelecido, nacional ou regional.» (3 de Abril de 2009)

A mesma candidatura escreveu ainda: «O pior que pode acontecer num Sindicato que queira assumir-se como defensor de uma classe inteira e não apenas dos seus associados, é a instituição ficar refém das manobras aprendidas nos corredores da política partidária.» (7 de Abril de 2009)

Em contradição com tudo isto, depois de colocar a referida questão da partidarização do sindicato, a mesma candidatura escreveu mais recentemente: «é de mau gosto, despropositado e sobretudo muito feio para uma candidatura de educadores colocar a questão da partidarização.» (7 de Abril de 2009)

Por isso, é contraditório falar em «levantar “fantasmas” e fazer insinuações de perigos de partidarização da nossa organização de classe» (3 de Abril de 2009).

Além disso, a candidatura CADA VEZ MAIS PERTO não precisa de fazer insinuações nem levantar "fantasmas". Os factos actuais falam por si.

Não há nada de mal nisso, cada qual toma as suas opções. É apenas uma forma diferente de encarar o sindicalismo por parte das duas listas concorrentes às eleições de 15 de Maio, no Sindicato dos Professores da Madeira. Os docentes votantes farão as suas opções também. Em liberdade e em consciência.

NOTAS:

(1) Toda a gente sabe a diferença entre «político» e «partidário».

(2) «Insinuações» e/ou «manobras aprendidas nos corredores da política partidária» (frase esta ilustrativa de como funcionam os partidos) serão outra coisa: «SERVIR O SINDICATO E NÃO DELE SERVIR-SE»; «Rever o Regulamento Interno do Centro de Formação do SPM, a fim de tornar a sua gestão transparente e democrática»; «ninguém se servirá da instituição para atingir qualquer objectivo pessoal ou partidário».

Recorde-se:
Eleições SPM IV: uma pergunta simples
Eleições SPM III: partidarização
Eleições SPM 2009 II: contradições
Eleições SPM 2009 I: candidatura "alternativa" divulgada

Segunda-feira, Abril 06, 2009

Interesse público, a quanto obrigas

«Alberto João Jardim reduz drasticamente prazos para dificultar acções populares», podemos ler no Público (06.04.2009).

«Tribunais da Madeira receberam 70 acções populares em 5 anos. O Governo Regional da Madeira vai encurtar de 10 para apenas três anos o prazo para requerer ao Ministério Público, através de acções populares, a nulidade de licenciamentos de construções ou loteamentos que colidam com o interesse público.»

«Jardim justifica a redução drástica dos prazos com a necessidade de evitar "o prolongamento no tempo de prerrogativas que, a pretexto da prossecução do interesse público, consolidam situações de incerteza mais gravosas e prejudiciais do que aquelas que se pretendiam evitar".»

«Cerca de 60 por cento dos processos julgados confirmam a existência de ilegalidades urbanísticas que, nalguns casos, têm sido ultrapassados com a suspensão parcial dos PDM ou com planos de pormenor aprovados a posteriori pelas autarquias, normalmente logo depois de eleições. Mas, apesar do mediatismo de alguns processos - Funchal Centrum, moradias VIP, Funchal Design Hotel, Falésia Porto Novo e prédio Minas Gerais - nenhum piso a mais foi demolido, como ocorreu com o Edifício Coelho, junto à Sé Catedral, em 1972, quando entrou em vigor o plano director municipal.»

Sexta-feira, Abril 03, 2009

Eleições SPM 2009 IV: uma pergunta simples

O que diria a candidatura de João Sousa, que tem como mandatário o líder parlamentar do PS, se a candidatura de Marília Azevedo tivesse como mandatário o líder parlamentar do PSD?

«Impedir a infiltração, manipulação ou apropriação do sindicato por partidos políticos.» (Capítulo intitulado Compromissos e novas responsabilidades.)

A candidatura que o escreveu tem como mandatário o deputado e actual líder parlamentar do Partido Socialista, um cargo de máxima confiança política da direcção do partido.

O que diria a candidatura de João Sousa se a candidatura de Marília Azevedo tivesse como mandatário o deputado e líder parlamentar do PSD?

Note-se que o PS e o PSD são os dois maiores partidos, ambos com "vocação" de poder, digamos assim.

Quarta-feira, Abril 01, 2009

Elementos sobre o Estado da Escola Pública 28: inflacção de notas

A escola pública está transformada, em geral, num limbo de ilusões e num local de exclusão devido ao laxismo e facilitismo generalizados, que são justificados por posturas de desculpabilização e complacência falsamente inclusivas.
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«Atitudes e comportamento dos alunos podem determinar subida de notas», leu-se no Público
de 29.03.2009, notícia assinada por Bárbara Wong.

«O saber pode não ser tudo» porque um «aluno assíduo, pontual, que coopera e se porta bem pode ver uma nota negativa passar a positiva».

É o que se passa na escola pública a ajuda a descredibilizá-la. Pressionados para mostrar melhores resultados, às vezes, «os professores abusam deste parâmetro da avaliação e os resultados nas pautas são melhores do que o expectável, denunciam alguns especialistas.»

Devido à indisciplina e à má atitude perante o trabalho intelectual generalizadas, em vez de haver medidas para as resolver, procura-se actuar indirectamente premiando ou penalizando as notas pelo comportamento e atitude perante o trabalho escolar. Naturalmente, contribui para falsear os reais conhecimentos e competências dos alunos. Quantos níveis três (menos), no 2º e 3º Ciclos, não são realmente níveis dois?

É um contributo para o estado de laxismo e facilitismo instalado, já que não se exige dos alunos, como premissa para o seu sucesso, disciplina e esforço na escola. É isto que é normal. Mas, há quem o justifique alegando que «só assim se podem manter na escola alunos que estão em risco de abandono ou de insucesso escolar.»

Uma falsa inclusão, porque podem estar na escola, mas pouco aprendem. Tanto ao nível dos conhecimentos e competências, como ao nível da disciplina e das atitudes pessoais (civismo). Na vida real a falta de saberes e o pouco empenho excluem, não incluem. Cria um ensino de duas velocidades: uns adquirem realmente competências e conhecimentos; os outros não ou nem tanto, apesar de terem notas positivas.

Viver uma ilusão na escola pode ser confortável para os menos disciplinados e trabalhadores mas não os dota de ferramentas para a vida. Além de que o facto de ser-se complacente com esses comportamentos e atitudes prejudica-se também o direito à educação de qualidade dos restantes alunos das turmas, cujas aprendizagens são prejudicadas pela indisciplina e atitude negativa relativamente ao trabalho intelectual de alguns alunos.

«O factor das atitudes e do comportamento "ganhou um peso desmesurado que leva a que os alunos tenham uma visão irrealista das suas competências", alerta João Lopes, professor do Departamento de Psicologia da Universidade do Minho, que defende que os docentes "têm a noção que, se avaliassem só os conhecimentos académicos, haveria uma hecatombe", pois as notas seriam piores», continua o referido artigo. «"Como não há balizas concretas, esse parâmetro serve de almofada para proteger as fragilidades dos alunos", acusa Pedro Rosário, professor da Universidade do Minho.»

Há quem defenda que incluir as atitudes dos alunos na nota académica é «"desejável, porque o bem-estar do aluno está para além do rendimento escolar e do realizar os trabalhos de casa"», porque este reside também na participação nas aulas, motivação e empenho. Ora aí está um problema derivado de um equívoco: decide-se premiar aquilo que é normal a que um aluno corresponda, no que toca à disciplina, «participação nas aulas, motivação e empenho.» É um equívoco que a «"avaliação deva ser usada para motivar"», na esmagadora maioria dos casos.

Dar à nota escolar uma «natureza pedagógica», «para manter na escola aqueles que estão em risco de abandono ou insucesso» não é o melhor caminho para resolver o insucesso e abandono escolares. Se o quisermos resolver de facto. Isso é falsear a realidade e excluir essas crianças e jovens do conhecimento. E com isso exclui-los da ascensão e mobilidade social.

Por que não, por exemplo, apoiar e responsabilizar os que menos se empenham e auto-disciplinam em vez da postura de desculpabilização, de complacência e dos paninhos quentes?

Por que razão os alunos com níveis negativos, como acontece em outros países, não são obrigados, por exemplo, a trabalhar nas férias do Verão, na escola, para recuperar dos conhecimentos não adquiridos, seja devido a dificuldades de aprendizagem, seja devido à indisciplina e ao pouco empenho? Para que ninguém ou quase ninguém ficasse retido no mesmo ano escolar? Não seria esta, não ficar retido, uma grande motivação real para esses alunos?

E está-se a esquecer os alunos cuja nota ainda baixa mais devido à falta de empenho e ao comportamento indisciplinado... Que respostas existem para esses?

E termina assim o artigo do Público:

«Para esses casos [aumento da nota por bom comportamento e empenho], "devia encontrar-se um eufemismo: nota por motivos emocionais", sugere Pedro Rosário, lembrando que os estudantes que trabalham podem não compreender essa atribuição de notas.»

«"Fazemos pesar demasiado as atitudes nas notas e isso é um erro, porque não contribui para a melhoria dos comportamentos, nem dos resultados. É ilusório", opina João Lopes.»

Eleições SPM 2009 III: partidarização

O blogue Com que então...!, de um deputado e líder parlamentar do Partido Socialista na Assembleia Legislativa da Madeira, tem como lema inscrito: REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA: TUDO TEM O SEU TEMPO. ESTE GOVERNO JÁ TEVE O SEU.

O seu autor, também enquanto mandatário da lista candidata à liderança do Sindicato dos Professores da Madeira, escreve: JOÃO SOUSA A MELHOR OPÇÃO PARA LIDERAR OS PROFESSORES.

Da parte da candidatura liderada por Marília Azevedo, já foi deixado claro que as causas da Educação valem e vencem por si mesmas: «Quando as causas educativas são confundidas e misturadas com objectivos político-partidários de ataque aos governos é um tiro no pé, que leva anos a recuperar dos prejuízos.» E conclui-se: «A independência destas causas e movimentos é vital para um sindicalismo moderno e auto-determinado

Adília Andrade, histórica dirigente sindical, confirma: «o crescimento e a força do SPM» deve-se, entre outros factores, a um logo à cabeça: a «sua independência face a partidos políticos (gloriosa utopia?)».

No texto de apoio a João Sousa, o deputado e líder parlamentar do Partido Socialista madeirense conclui: «a classe terá de decidir. Espero que decidam por quem será capaz de operacionalizar uma rotura com os procedimentos do passado

Essa ruptura com a «independência» do sindicato «face a partidos políticos» não interessará muito à classe docente. Porque os docentes na Madeira e Porto Santo não gostam que se confunda combate político-partidário com as causas da Educação. Porque sabem que eles e a Educação ficam a perder.

Recorde-se que, Marília Azevedo, cabeça de lista da candidatura CADA VEZ MAIS PERTO, criticou qualquer «partidarização» das eleições para o sindicato e sublinhou a «independência» da sua candidatura.

«Sem politização partidária das questões educativas, queremos resolver e solucionar muitos dos problemas com que se depara o sistema educativo regional», assegurou também Paulo Cafôfo, candidato a vice-coordenador do SPM na lista de Marília Azevedo, na apresentação da candidatura em 26 de Março.

Os partidos políticos são importantes e positivos. Mas, o seu papel não é interferir no sindicalismo. Há zonas de contacto, mas cada macaco no seu galho.

Recorde-se:
Eleições SPM 2009 I: candidatura "alternativa" divulgada
Eleições SPM 2009 II: contradições