«Alguém tem de se manter calmo neste manicómio» G. K. Chesterton

Domingo, Maio 31, 2009

Discos de Miles Davis sugeridos por Sunn O)))

Stephen O'Malley: "Anything 69-74 [of Miles Davis] you can't go wrong. Congrats on discovering the best music of the 20th century!"
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Greg Anderson dos drone doom metallers Sunn O))), na entrevista (e tema de capa) da ROCK-A-ROLLA #20, fala da força inspiradora que é o jazz:

«Aside from the arranged scores, Greg [Anderson] was recently very vocal about jazz, especially in relation to his project Ascend, and it's tempting to say there are free jazz elements on Monoliths [& Dimensions, Sunn O)))'s new album], given the presence of Julian Priester and Stuart Dempster, both of whom are renowed jazz players. But as with anything to do with Sunn O))) this is somewhat misleading, and Greg agrees.

"I don't feel comfortbale saying that Sunn O))) is a jazz band, it even seems weird to say Sunn O))) is influenced by jazz. People think you're trying to play jazz - we would never claim to be able to do that. Instead of influence, I would like to say inspiration.

I'm a huge fan of jazz, as is Stephen [O'Malley, the other member of Sunn O)))], and that's one of the things we definitely bond on, but I'm not that kind of player. I find inspiration in the freeness of jazz and the tones that Miles Davis produced, especially in the late 60s early 70s - the darkness of that music.

Really dark music in general we're attracted to. It's absolutely unbelievable that we're able to work with some people on this record. like Julian Priester, who played with John Coltrane, Sun Ra and Herbie Hancock, some of my favourite jazz musicians. His contribution was so unique and beautiful."»

Como tenho apenas um disco de Miles Davis, Kind Of Blue (1959), fiquei curioso e contactei Sunn O))) para fazerem o favor de especificarem os discos dos late 60s e early 70s a que se referiam. Num ápice Greg Anderson respondeu ao email, que aqui partilho com os melómanos, desejando também happy discoveries (enquanto escrevo já estou a ouvir online In A Silent Way - e a gostar - através da radio3net):

-E.S.P (1965)
-Miles Smiles (1966)
-Sorcerer (1967)
-Nefertiti (1967)
-Miles in the Sky (1968)
-Water Babies (previously unissued recordings from 1967 & 1968)
-Filles de Kilimanjaro (1968)
-In a Silent Way (1969)
-Bitches Brew (1970) (RIAA: Platinum)
-Jack Johnson (1970)
-Live-Evil (1970)
-On the Corner (1972)
-Big Fun (1974)
-Get Up with It (1974)

Also any live recordings from 69-74 are worth getting:

-Live at the Fillmore East, March 7, 1970: It's About That Time (1970)
-Black Beauty: Live at the Fillmore West (1970)
-Miles Davis at Fillmore: Live at the Fillmore East (1970)
-Message to Love: The Isle of Wight Festival 1970 (1970)
-The Cellar Door Sessions (1970)
-In Concert: Live at Philharmonic Hall (1972)
-Dark Magus (1974)
-Agharta (1975)
-Pangaea (1975)

Stephen O'Malley, o outro elemento de Sunn O))), acrescentou (ainda sobre a discografia de Miles Davis), também via email: "anything 69-74 you can't go wrong. Congrats on discovering the best music of the 20th century!"

Nota biográfica:
Greg Anderson e Stephen O'Malley fundaram a editora independente/underground Southern Lord Records, em Abril de 1998, com sede em Los Angeles, California. A editora é especializada em doom, sludge, drone, experimental metal, e, mais recentemente, black metal.

A propósito:
Liturgia Sunn O)))
Sunn O))) capa da ROCK-A-ROLLA
Sunn O))) capa da WIRE

Professores de luto e em luta 170: há mais do que aproveitamentos políticos

Público 31.05.2009 (scan Via Promova - clicar na imagem para a leitura).

Cabo do Mundo 3

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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa May 24, 2009

Liturgia Sunn O)))

Os drone doom metallers Sunn O))), recentemente capa de duas importantes revistas inglesas, WIRE e ROCK-A-ROLLA.

Algumas citações dessas entrevistas:

"For musicians and listeners alike who wish to see their own restless curiosity reflected and satisfied, yet who find edification in the ritualistic aspect of performance, Sunn O))) are irresistible".
[WIRE #302]

"Ultimately everyone on the new record came into the album based on the music... and the idea of music."
[Stephen O'Malley in WIRE #302]

"The music we produce, it's not coming from somebody who has restrictions on their musical tastes and only likes a certain kind of music."
[Greg Anderson said in Rock-A-Rolla #20]

"I'm a huge fan of jazz, as is Stephen, and that's one of the things we definitely bond on, but I'm not that kind of player. I find inspiration in the freeness of jazz and the tones that Miles Davis produced, especially in the late 60s early 70s - the darkness of that music".
[Greg Anderson said in Rock-A-Rolla #20]

"Our music is broad enough that it's attracting different people who are open minded."
[Greg Anderson said in Rock-A-Rolla #20]

Sábado, Maio 30, 2009

Legalidade ou precariedade, eis a questão

«Esta é a bandalheira total do sistema», afirmou Edgar Silva (PCP), sobre o diploma de recrutamento de professores que voltou a ser aprovado pela maioria PSD, MPT, CDS-PP e BE, na Assembleia Legislativa da Madeira, após devolução pelo Representante da República [ver nota final].

O PCP e o PS têm a sua razão ao votarem contra o diploma face às questões de legalidade que se colocam (consonância com as leis nacionais - Decreto Lei 20/2006 - e o Estatuto Político-Administrativo da RAM - Artigo 79º). Por outro lado, os vínculos em prática na RAM são mais favoráveis aos professores madeirenses. Segundo consta, a mesma matéria nos Açores (apesar do Artigo 92º do seu Estatuto Político-Administrativo) não terá merecido os mesmos reparos legais por parte do respectivo Representante da República, mas isso é algo que nos ultrapassa. O alvo dos dos professores ou dos sindicatos não são os representantes da República ou o seu trabalho formal e jurídico na análise das leis.

Pelo princípio da legalidade teria votado contra a reaprovação do diploma ao lado de PCP e PS, mas pelo princípio de opção pelas condições mais favoráveis para os trabalhadores em questão (professores) teria votado a favor do diploma ao lado de PSD, MPT, CDS-PP e BE. Procurando minimizar depois as consequências que advenham de uma possível (provável) decisão desfavorável do Tribunal Constitucional.

Como não se pode votar, simultaneamente, contra e a favor, teria escolhido, enquanto professor e sindicalista, a defesa das condições mais favoráveis para os docentes: manutenção na Legislação Regional dos regimes jurídicos de nomeação definitiva (quadro de escola e quadro de zona pedagógica) e contrato administrativo de provimento.

Votar contra, embora em respeito pelo elevado princípio da legalidade, significaria um voto a favor da instabilidade laboral: os docentes em lugar de quadro de nomeação definitiva passariam a contrato por tempo indeterminado.

No caso dos docentes contratados, «vítimas já de vínculo precário», como lembrou o Sindicato dos Professores da Madeira, o «fim do contrato administrativo de provimento e a sua conversão em contrato a termo resolutivo, certo ou incerto aumentará a precariedade laboral.»

Note-se que os actuais vínculos contratuais da função publica estão já previstos no Decreto Legislativo Regional nº 6 /2008/M, de 25 de Fevereiro que publicou o ECD/RAM.

Nota:
O PCP, que recentemente apresentou proposta no sentido da permissividade e do laxismo em espaço escolar (precarização da autoridade dos docentes), poderia ser mais contido em alegar «bandalheira total» quando estão em causa a degradação de vínculos laborais, sobretudo dos docentes contratados, com vínculo já de si precário.

Aberta a época balnear

Abri hoje a minha época balnear. Apesar de rodeado de antifers (cubos de betão espalhados pela costa) o paraíso ainda existe. A imagem mostra o sol a chegar ao Jardim do Mar.

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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa Maio, 2009

Professores de luto e em luta 169: mais uma grande manif

Retirar maior absoluta ao PS e acusações de instrumentalização partidária dos sindicatos marcou o dia.
fotografia Mário Cruz

Apesar do final de ano lectivo e do desgaste das muitas lutas, acima de 50 mil docentes estiveram hoje na quarta grande manifestação, em Lisboa, na actual legislatura. Contra a degradação da carreira e a hostilização de que têm sido alvos por parte do governo.

O filósofo e professor José Gil afirma, em entrevista ao PÚBLICO, que o «ministério da Educação "virou todos contra todos". E diz que a relação afectiva entre professor e aluno foi substituída pelo desprezo deste para com o primeiro.» Por outras palavras, a desvalorização social do docente faz com que o aluno desvalorize as propostas de aprendizagem, nas salas de aulas.

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, apelou aos professores para «não permitir um quadro de maioria absoluta numa próxima legislatura.» Este apelo tem vindo a gerar polémica nós últimos tempos, já que tem sido lido como partidarização da luta dos professores.

Ontem, no Funchal, Mário Nogueira, na tomada de posse dos novos corpos gerentes do Sindicato dos Professores da Madeira, referiu que a «maioria absoluta não é ilegítima», mas que é mau quando caminha no sentido da «arrogância» e do «autoritarismo».

"O que não é legítimo é que as lutas sindicais sejam instrumentalizadas em favor dos interesses partidários. Quando alguns sindicalistas mostram maior interesse pelos resultados das eleições do que pelos interesses dos seus associados, eu quero dizer que isto não prestigia o sindicalismo português", acusou Sócrates ao comentar as imagens da manifestação dos professores que se realizou esta tarde em Lisboa. Para o líder socialista, "os sindicatos não devem ser correias de transmissão de nenhum partido político".

Por outro lado, perante a presença de alguns dirigentes partidários na manifestação, o primeiro-ministro afirmou que, no Partido Socialista, «não instrumentalizamos lutas sindicais».

Francisco Louçã, um dos líderes partidários na manif, referiu que este governo não pode «ser convencido» e, por isso, tem de «ser vencido».

Outras saídas à rua:
8.Novembro.2008
8.Março.2008
5.Outubro.2006

Juventude sónica revisitada

Na última semana, numa revisitação cronológica à discografia de Sonic Youth em minha posse até ao momento, em função de estarmos nas vésperas de mais um disco de originais, The Eternal, arranquei com Daydream Nation (88). Há quem o considere a obra maior.

Seguiram-se Goo (90), Dirty (92), NYC Ghosts & Flowers (2000), Murray Street (2002) e Sonic Nurse (2004). São 16 os discos de originais da banda mas conto com 6, que acredito estarem entre os melhores...

Foi Dirty que me encaixou melhor na tola nesta revisitação. Ouviu-o mesmo duas vezes, uma logo a seguir à outra. NYC Ghosts & Flowers, que é mais noise e experimental, também mora entre os meus preferidos (note-se que o português Rafael Toral participa numa das faixas). Os álbuns seguintes são mais song oriented.

Para essa raça em extinção que são os melómanos compradores de discos, vinil ou CD, aqui fica proposta de aquisição de The Eternal: CD a 7.98 libras (feito o câmbio e pago o transporte ficará a menos de 10 euros) e vinil duplo a 14.98 libras. Existem as Deluxe Editions que são mais caras: andam a ser pré-vendidas por aí a 30 e 40 euros, respectivamente.

Sexta-feira, Maio 29, 2009

Elementos sobre o Estado da escola Pública 36: demasiado tempo (não rentabilizado) na escola

A demasiada dispersão e o demasiado tempo passado na escola pelas crianças é um problema real. Maior problema do que esse é o tempo na escola não ser rentabilizado devido à atitude negativa dos estudantes perante o trabalho escolar, à má atitude cívica (indisciplina e violência) e ao pouco rigor no sistema (permissividade).
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«Excesso de trabalhos de casa prejudica a aquisição de conhecimento» e «crianças trabalham mais do que os adultos», lia-se no Correio da Manhã de 19.5.2009.

«Uma criança pequena em idade escolar trabalha, em média, nove horas por dia, o "exacto equivalente ao trabalho profissional de vida de um adulto", o que representa malefícios físicos, psicológicos e morais. A conclusão é da investigadora Maria José Araújo, do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da Universidade do Porto. Para a especialista, os trabalhos de casa (TPC) "são inúteis no sentido de que só fazem apelo à memória e não ao conhecimento". Como tal, depois de trabalharem as cinco horas obrigatórias na escola, as crianças deveriam apenas brincar, que "é para elas também uma forma de adquirirem conhecimento".»

O Correio da Manhã ouviu ainda Albino Almeida, da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), que «defende que os TPC "exigem que os pais dêem aulas em casa, mas os professores não podem esquecer que há um conjunto de pais que têm muito baixas qualificações escolares e, portanto, não têm competência para ajudar".»

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Cabo do Mundo 2

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Quarta-feira, Maio 27, 2009

Estranha sobrevivência da cassete audio

Se o disco de vinil apresenta algumas vantagens relativamente ao CD em termos sonoros, que justifica o aumento de vendas na actualidade, o mesmo não se pode alegar face à cassete audio, em que a tecnologia digital apresenta vantagens substantivas a vários níveis.

O Público de 19.05.2009 deu conta que as velhas cassetes audio , «ícone dos 80’s», que se pensavam extintas ou à beira disso, afinal sobrevivem.

A «TDK, líder de mercado no sector, avança com notícias surpreendentes: não só a empresa vendeu um milhão de cassetes virgens nos primeiros quatro meses do ano como tem havido um aumento na procura nos últimos 12 meses.»

«Em 2007, a venda de cassetes tinha descido de 50 milhões por ano para apenas 5 milhões. Naturalmente, toda a gente pensou que o formato estava a dar o suspiro final e que as fábricas estariam todas fechadas num prazo muito curto.»

Não parece que o facto de muitas pessoas ainda terem aparelhos de leitura de cassetes, em casa e no carro, existir qualquer saudosismo relativamente aos anos 80 ou ainda serem usadas em muitos sistemas judiciais do mundo, não explica o aumento de vendas deste formato. Há qualquer coisa que está a falhar nestes dados. O anunciado aumento de vendas dever ser algo pontual.

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Cabo do Mundo 1

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Domingo, Maio 24, 2009

O mundo de Les Claypool

Uma colagem de Rich Schmitt que sumariza e representa todos os temas de Les Claypool além PRIMUS, o seu projecto colectivo.

Sábado, Maio 23, 2009

ROCK-A-ROLLA #20 | Sunn 0))) | May-June 2009

SUNN O))) capa da ROCK-A-ROLLA depois da terem sido capa da WIRE, a propósito do sétimo álbum Monoliths & Dimensions.

«A pool of artists from worlds as diverse as avant-rock, experimental music, classical and jazz came together, resulting in their most wide-reaching and densely-packed album to date.»

Esta passagem da entrevista faz salivar um melómano. Pretendo deitar mãos a este disco de SUNN O))), mas quere-o caçar na edição em vinil.

Este número #20 da ROCK-A-ROLLA traz ainda uma série de artigos de interesse envolvendo MIKE PATTON e a sua Ipecac (passaram-se 10 anos de actividade... como o tempo foge...), SONIC YOUTH ou LES CLAYPOOL.

Alunos acusam Governo de fascismo

«Com um Governo fascista não se pode ser artista» era o mote dos alunos, ontem, sexta-feira, na escola António Arroio, em Lisboa, quando da visita de José Sócrates.

Mais uma vez, chamam-se de «fascistas» os governantes, numa clara estratégia de desgastar a imagem do actual Governo. Estas manifestações podem até ser espontâneas, mas ninguém acredita.

Uma coisa é considerar um governo autoritário e coisas que tal, mas um governo democrático chamado de fascista? E o que chamariam então aos fascistas?

Recorde-se:
Fascismos?

Sexta-feira, Maio 22, 2009

Auditorium ambience

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Há muito que não ouvia os excêntricos PRIMUS. Uma falta para um basshead como eu, já que o rock vanguardista daquela banda americana está centrado no baixo de Les Claypool. Hoje, para uns momentos bem passados, peguei no Tales From the Punchbowl (1995).

Gosto e valorizo mais, agora, o som de PRIMUS, quando na década de noventa andava mais focalizado no «vil Metal», como me disse recentemente alguém. E para um disco com catorze anos, o som é cheio e pujante. Vivi hoje, enquanto melómano, o Céu na Terra.

Não percebo como não tenho ainda todos os discos dos PRIMUS. Não editam há dez anos, mas ultimamente têm tocado ao vivo e coloca-se a hipótese de mais discos de originais. Venham eles.

Caso Magalhães 19: não se entre na demagogia

Temos estado atentos aos percalços do Magalhães, mas não vamos cair na demagogia. Governo desmente, prontamente, notícia do semanário SOL.
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«A Comissão Europeia (CE) considera que Portugal infringiu as leis comunitárias da concorrência ao adjudicar por ajuste directo, e não por concurso público, todos os programas governamentais ligados ao Plano Tecnológico da Educação», noticiou hoje o SOL.

O Governo português reagiu de imediato, afirmando ser «"absolutamente falso" que a União Europeia tenha condenado Portugal com base em acusações de ajuste directo para aquisição de computadores Magalhães.»

O Diário de Notícias refere ainda: "O Estado não celebrou qualquer contrato [de aquisição de computadores] seja por ajuste directo, seja por qualquer outro procedimento", assegurou Paulo Campos, secretário de Estado adjunto das Obras Públicas, Transportes e Comunicações. "O Estado limitou-se a definir as características técnicas requeridas para os aparelhos e quem estabelece os contratos são os operadores de telecomunicações associados ao projecto", explicou.

Segundo o SOL, estaria em causa a «distribuição gratuita ou a preços reduzidos de mais de um milhão de computadores a alunos e professores – incluindo os 500 mil ‘Magalhães’ que o Executivo de José Sócrates prometeu distribuir pelos alunos do 1.º Ciclo».

Confirmou-se que a questão decoore de um "pedido de esclarecimentos no âmbito de uma queixa de um fornecedor de computadores [Acer]", mas daí falar em falar em falta de transparência e tratamento desigual das empresas vai muita distância.

Recorde-se:
Caso Magalhães 18: Governo "desviou" 36,5 milhões
Caso Magalhães 17: não pára de surpreender.
Caso Magalhães 16: chegada à Madeira
Caso Magalhães 15: Medina Carreira arrasa
Caso Magalhães 14: ainda as literacias
Caso Magalhães 13: literacias
Caso Magalhães 12 : crianças desprotegidas
Caso Magalhães 11 : ainda mais humor
Caso Magalhães 10 : sonho Orwelliano
Caso Magalhães 9 : estéticas
Caso Magalhães 8 : Microsoft
Caso Magalhães 7 : mais humor
Caso Magalhães 6 : humor
Caso Magalhães 5 : louvores à força
Caso Magalhães 4 : JP Sá Couto e fuga ao fisco
Caso Magalhães 3 : quadratura do círculo
Caso Magalhães 2 : mails
Caso Magalhães 1 : Abrupto
Programa e-escola, o outro lado
Programa e-escola, que proveitos?
Ilusão de Sócrates

11.844 desempregados

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«RECORDE COM 22 ANOS IGUALADO», lê-se hoje no Diário de Notícias. «DESDE 1986/87 QUE NÃO ACONTECIA. São 11.844 SEM TRABALHO.»

«A crise está a bater fundo na estrutura económica e social madeirense e porto-santense. Há oito meses consecutivos que o número de trabalhadores inscritos no Instituto do Emprego da Madeira não pára de aumentar, atingindo no final do mês de Abril um total oficial de 11.844 pessoas.»

Façamos votos para que a curva crescente destes números do desemprego comece a inverter-se (ao menos estancar) nos próximos meses.

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Elementos sobre o estado da escola pública 35: de utopia em utopia até ao laxismo total III

"Para o PCP, o indivíduo não é responsável pelos seus actos, é sempre culpa da sociedade", disse Jorge Moreira (PSD) quando o PCP Madeira defendia que a suspensão de estudantes indisciplinados fosse banida.

O Diário (20.5.2009) dá conta de duas passagens das intervenções no parlamento a propósito da proposta do PCP Madeira, na ALM, para acabar-se com a possibilidade de suspender alunos nas escolas:

"É necessário contrariar a velha escola repressiva e que promove a exclusão social" - Edgar Silva (PCP).

"Para o PCP, o indivíduo não é responsável pelos seus actos, é sempre culpa da sociedade" - Jorge Moreira (PSD).

E ainda se diz que as ideologias não têm razão de ser... que acabaram... Aqui fica patente diferenças fundamentais.

Exclusão são os estudantes saírem da escola sem conhecimentos, sem estarem preparados para a vida devido a comportamentos indisciplinados e a uma atitude negativa perante o trabalho escolar.

As escolas privadas incluem mais, no sentido em que obrigam a trabalhar e a ter regras de civismo como condições base para acontecer a aprendizagem. Na escola pública está tudo montado de cima a baixo para não se exigir trabalho nem disciplina dos estudantes.

Nesse sentido, a escola pública, com o laxismo vigente, exclui estudantes da formação e de uma efectiva preparação para a vida e ao acesso à mobilidade social. Prioriza-se o marcar presença na escola. A fazer o quê não é o mais importante... Disso não fala uma certa esquerda.

Inclusão "faz de conta", daquela que se preocupa apenas em ter as crianças e jovens na escola, não importa como e em que condições, não prepara pessoas para a vida. Prepara pessoas para a ilusão, para a reprodução social e para a marginalidade.

A falta de trabalho e a ausência de disciplina por parte dos estudantes são os maiores factores de exclusão na escola. É mais fácil transferir responsabilidades pessoais para entidades exteriores.

Defendo e luto para que os estudantes tenham as melhores condições e oportunidades de aprendizagem na escola; defendo e luto para que tenham apoios (educativos, sociais e outros), mas nada de iludir as suas responsabilidades individuais no seu percurso escolar. Ter problemas não dá o direito de impedir que outros aprendam nem justifica a preguiça escolar.

Aqui cito o amigo, psicólogo e pedagogo José Augusto Fernandes (Projecto S.O.F.I.A), que diz o seguinte: «nós somos 100% o nosso património genético, 100% a educação que tivemos, mas somos, sobretudo, o que fazemos com essas duas componentes.»

Concordo que se valorize a capacidade de comando e determinação do indivíduo (a sua vontade e capacidade de decisão e de mudança) no que toca à condução da sua vida, em detrimento do determinismo genético e educacional, que é desculpabilizante e desresponsabilizante do indivíduo.

Recuso justificar a inacção e a irresponsabilidade individuais, transferindo as culpas apenas ou basicamente para a esfera social, genética ou educacional.

Estou ciente do peso das circunstâncias, mas estou cansado da cantiga do costume de culpar a sociedade, a genética e a educação por tudo o que de mal acontece aos indivíduos. Como faz uma certa esquerda, mas também uma certa direita. Aqui estou de acordo com a intervenção do deputado Jorge Moreira, acima citado.

Desta série:
De utopia em utopia até ao laxismo total I
De utopia em utopia até ao laxismo total II

Quarta-feira, Maio 20, 2009

«Sr. Silva» salva mais uma vez Jornal da Madeira

O «Sr. Silva» salva Jornal da Madeira de novo porque «vetou, pela segunda vez, a Lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social, reiterando as reservas que tinha levantando quando devolveu, pela primeira vez, o diploma à Assembleia da República», podemos ler no Público online.

«Enquanto dirigente do PS, Augusto Santos Silva anunciou que os princípios da lei vetada pelo Presidente da República constarão do programa eleitoral. “O PS não se conforma com a opacidade da transparência do financiamento alguns meios de comunicação social”, justificou.»

Para já, e talvez por muito tempo (tudo depende do resultado eleitoral das próximas legislativas), deixa de colocar-se urgência à cedência do JM a privados. Enquanto o pau vai e vem, folgam as costas.

Elementos sobre o estado da escola pública 34: de utopia em utopia até ao laxismo total II

A permissividade de uma certa esquerda e de uma certa direita apenas aprofundam o problema de falta de autoridade (indisciplina, violência e ausência de trabalho) nas escolas.
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«Rejeitada alteração ao Estatuto do Aluno», noticia hoje o Jornal da Madeira. «O PCP queria que fosse alterado o Estatuto do Aluno dos ensinos Básico e Secundário, considerando uma «orientação punitiva» que prevê a expulsão como sendo algo da «velha escola autoritarista», mas o PSD rejeitou.»

E muito bem. É preciso que alguém não se deixe levar pela ilusão do facilitismo, do laxismo e da irresponsabilidade individual nas escolas, uma permissividade bem ao gosto de uma certa esquerda e de uma certa direita. Porque bandalheira já existe em demasia (De utopia em utopia até ao laxismo total 1).

O que temos não é ideal? Pois não, mas isso não significa criar vazios de autoridade, cair na complacência e cruzar os braços. Enquanto a utopia não se concretiza, temos de viver cá na terra e resolver os problemas.

O Jornal da Madeira continua a sua reportagem: «A corroborar o PCP esteve o socialista André Escórcio que disse que a expulsão «não é a melhor medida» pois, referiu, «suspende-se hoje e o visado poderá voltar a cometer os mesmos erros noutra escola».

Por fim, o jornal rerere o desfecho: «Contra os argumentos da oposição, Jorge Moreira, do PSD, disse que a iniciativa do PCP «insere-se numa estratégia camuflada para abalar os alicerces das instituições e minar a autoridade». «O Governo República tem estatuto semelhante ao nosso», apontou. Com o mesmo pensamento, esteve José Manuel Rodrigues, do CDS/PP.»

Recorde-se outros textos da série:
32: de utopia em utopia até ao laxismo total
31: responsabilizar os estudantes pelo seu desempenho
30: Onde falhamos nós no público
29: Regras e responsabilização das crianças
28: Inflacção de notas
27: Responsabilização
26: Inconformismos
25: Enfrentar a realidade antes que ela nos engula
24: Laxismo e facilitismo significam exclusão social
23: Leste arrasa postura desculpabilizante
22: valores do Trabalho e da Responsabilidade moribundos na escola
21: Intervir contra a indisciplina III
20: Intervir contra a indisciplina II
19: Intervir contra a indisciplina I
15: Violência (des)camuflada IV
13: violência camuflada III
12: violência camuflada II
11: Racionalidade e realismo precisam-se
10: educação infantil em Portugal (Eduardo Lourenço)
9: nem ditadura por disciplina nem a ditadura da indisciplina
7: violência camuflada I
1: condições de trabalho

Outros:
Complexos de esquerda = facilistismo
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação
Escola ideal é diferente da escola real
Brincamos mesmo
País de brincalhões
Fomentos da indisciplina [quando o exemplo nem vem de cima]

[O assunto não fica por aqui. A luta pela racionalidade continua em próximos textos, neste blogue]

Elementos sobre o estado da escola pública 33: mais uma novela

A abordagem sensacionalista do Correio da Manhã não surpreende, mas é impressionante o destaque que foi dado ao assunto da professora de Espinho, com reportagens exaustivas, nos noticiários da supostamente sóbria RTP2 e da SIC Notícias.

Num momento em que tantos problemas económicos e sociais arrasam a vida de milhares de pessoas, os incidentes verbais entre uma docente e uns alunos salta para as primeiras páginas dos jornais e surgem destacados nos noticiários.

Sensacionalismo que deixa os verdadeiros problemas da educação e do ensino por abordar. Ficamos pela espuma e pelo acessório.

Este sensacionalismo mediático, pela generalização que induz, é mais uma machadada na autoridade e imagem social dos professores, uma das causas da bandalheira que se vive nas escolas, com os resultados que se conhece.

O professor é o bode expiatório que a sociedade portuguesa escolheu para sublimar as suas insuficiências e irresponsabilidades, não se percebendo os danos que inflige à educação das crianças e jovens.

Não se entende que professores sem autoridade, descredebilizados socialmente, desvalorizados na carreira e desqualificados profissionalmente não conseguem fazer valer as suas propostas pedagógicas junto dos alunos, nas salas de aula. Começa por aí. Porque sabemos que são os alunos que mandam nas salas de aula. Trabalham quando entendem e têm a conduta que apetece.

Vamos pagar isto caro.

Terça-feira, Maio 19, 2009

Elementos sobre o estado da escola pública 32: de utopia em utopia até ao laxismo total

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O PCP Madeira pretende que a punição de suspensão da frequência da escola seja susbtituída por outras medidas inclusivas. Apresentou uma proposta na Assembleia Legislativa da Madeira. Sem a conhecer em detalhe, o que é público permite tirar já algumas ilações.

O que se pretende é que, a qualquer custo, não importa como e em que condições, os estudantes indisciplinados e violentos estejam dentro da sala de aula e dentro da escola. É este o conceito de escola inclusiva de uma certa esquerda e de uma certa direita. Longe da vista, significa que está tudo bem. Os outros estudantes e os docentes que sofram (absorvam) as consequências.

Não importa como lá estão. Não importa que excluam os outros alunos da aprendizagem. Não importa que se auto-excluam da aprendizagem. Não importa que obstaculizem o processo de ensino-aprendizagem. Estou cansado dessa postura desculpabilizante ou complacente, "politicamente correcta", que não responsabiliza e não encara com realismo a natureza do comportamento humano.

Numa altura em que a falta de autoridade dos professores e das escolas colocam graves problemas na acção educativa, pretende-se ainda limitar mais essa autoridade, como se tudo se resolvesse com "paninhos quentes". Não vivemos num mundo ideal de exercícios teóricos ou de utopias.

O que tem feito essa certa esquerda e essa certa direita para que existam condições de aprendizagem nas escolas e nas salas de aula, para que exista VERDADEIRA INCLUSÃO? A inclusão que permita os alunos aprenderem. A inclusão que exija e decorra de uma atitude positiva perante o trabalho e a disciplina escolares por parte dos estudantes. A inclusão que se baseie e decorra do rigor e da qualidade, que preparem os jovens para a vida e não para a ilusão do facilitismo, do laxismo e da irresponsabilidade individual.

Os problemas sociais e emocionais dos estudantes devem ser tidos em conta nos processos disciplinares e alvo de actuação profissional. Disso não tenho dúvidas. É preciso actuar também nas causas e não apenas tratar sintomas. Contudo, não significa que os problemas de cada um sirvam de justificação ou desculpabilização da indisciplina e violência escolares. Não significa que os sintomas agudos tenham de ser debelados.

Não é preciso nem enveredar pela permissividade nem pela tirania do antigamente na educação das crianças e jovens. Mas, a autoridade, quer dos pais quer dos professores, tem de se fazer sentir para maior responsabilização dos jovens.

Quando uma escola opta pela suspensão de um estudante, fá-lo em última instância, depois de aplicadas outras medidas disciplinares. Um aluno não pode pôr em causa, sistematicamente, o direito constitucional à aprendizagem dos restantes alunos.

A propósito:
Onde falhamos nós no público

Enrocamentos "metem água" 2

Reconhecendo que o enrocamento degradou as condições de veraneio da praia da Ponta do Sol, o presidente da Câmara «reclama por isso, alterações que permitam repor a qualidade outrora reconhecida neste espaço balnear.» O pior é que nada garante que o problema seja resolvido. Como diz o fado, «Ó tempo, volta para trás»...

Significa que se gastaram 3,2 milhões de euros para piorar as condições que a praia natural e original oferecia de borla...

Em Agosto último, o enrocamento da praia da Vila da Ponta do Sol fora já notícia e aqui demos eco: Enrocamentos "metem água".

Hoje o Diário voltou ao tema, numa notícia intitulada «GR vai desmontar obra de 3,2 milhões», referindo-se ao enrocamento da Ponta do Sol:

«Desconhece-se para já quando arrancam os trabalhos e quanto vai custar a correcção do enrocamento de protecção, mas tendo em conta que o 'paredão' actual foi orçado em mais de 3,2 milhões de euros e sabendo-se que o novo modelo preconizado é (muito) mais extenso que o actual, é possível que esta rectificação seja ainda mais onerosa do que o valor pelo qual a obra foi adjudicada em 2003

A ideia de alterar e prolongar o enrocamento é resultado de um estudo técnico abalizado ou resume-se a um palpite? Garante que a mudança seja para melhor ou arriscamo-nos a atirar mais dinheiro para o mar?

Recorde-se:
Enrocamentos "metem água" 1
Enrocamentos pela ilha
Artificializar até a Madeira ser o que não é
Natureza não é só serra e laurissilva
Em carne viva
Recifes artificiais e protecção da costa
Cascais cria recife artificial para surf e protecção da costa
Recife artificial para surf e protecção da costa em São Pedro do Estoril.
Recifes artificiais e Marina do Lugar de Baixo
Recife artificial é solução para a Marina do Lugar de Baixo, com várias vantagens (por Pedro Bicudo)
Kerry Black, perito em questões costeiras, esteve na Madeira
Vontade política e costa madeirense
Save the Waves toca em ferida já aberta: a política do betão

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Elementos sobre o estado da escola pública 31: responsabilizar os estudantes pelo seu (de)sempenho

O conhecimento tem de ser valorizado e a escola tem de ser encarada como algo sério, que implica trabalho, esforço e disciplina.
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«Testes responsabilizam as crianças», refere uma notícia da Lusa no dia em que os estudantes do 4º e 6º anos fazem provas de aferição.

Embora os testes não meçam todas as competências, «tanto especialistas de educação como pais defendem as provas de aferição como meio de preparar os estudantes para desafios mais rigorosos», na medida em que «contribuem para incutir nas crianças o sentido de responsabilidade, prepará-las para desafios futuros e melhorar o ensino

Depois do 25 de Abril de 1974 passou-se a ideia que tudo era fácil e que a escola era mais um local de entretenimento. É com bons olhos que assistimos a uma nova onda de pensamento em que a responsabilidade do sucesso esccolar não cabe apenas aos professores ou aos políticos, mas também às crianças e encarregados de educação.

«Para as crianças é bom habituarem-se a estes testes, numa perspectiva de auto-responsabilização, porque se passarem muitos anos sem serem submetidas ao rigor poderão não interiorizar essa responsabilidade», defendeu o vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, António Amaral.

O sucesso de uma pessoa, incluindo a actividade enquanto estudante, depende sobretudo de si próprio. É preciso contrariar a ideia dominante que o sucesso escolar dos estudantes depende sobretudo do docente ou dos pais, desvalorizando-se a importância decisiva da atitude dos formandos perante o trabalho escolar e das suas atitudes pessoais e valores, na escola e salas de aula.

Até certa altura pensou-se que, para o estudante ter sucesso, não precisava de empenhar-se, realizar esforço ou autodisciplinar-se. Bastaria ter um bom professor, empunhando a pedagogia certa, para cada um dos seus alunos, cativando milagrosamente para a aprendizagem quem não quer aprender e liderando de forma a resolver a indisciplina generalizada com "panhinhos quentes", como se a sala de aula fosse um laboratório (espaço utópico) à parte da realidade social e cultural.

O trabalho do docente enquanto orientador, facilitador e gestor de condições de aprendizagem, nunca pode susbtituir o trabalho e a atitude de cada estudante no processo de aprendizagem.

Enquanto a pressão e a responsabilidade do sucesso escolar de quem aprende estiver, sobretudo ou quase em exclusivo, sobre o professor, os resultados escolares não melhoram. A função do professor não é trabalhar em vez do formando.

Recorde-se outros textos da série:
30: Onde falhamos nós no público
29: Regras e responsabilização das crianças
28: Inflacção de notas
27: Responsabilização
26: Inconformismos
25: Enfrentar a realidade antes que ela nos engula
24: Laxismo e facilitismo significam exclusão social
23: Leste arrasa postura desculpabilizante
22: valores do Trabalho e da Responsabilidade moribundos na escola
21: Intervir contra a indisciplina III
20: Intervir contra a indisciplina II
19: Intervir contra a indisciplina I
15: Violência (des)camuflada IV
13: violência camuflada III
12: violência camuflada II
11: Racionalidade e realismo precisam-se
10: educação infantil em Portugal (Eduardo Lourenço)
9: nem ditadura por disciplina nem a ditadura da indisciplina
7: violência camuflada I
1: condições de trabalho

Outros:
Complexos de esquerda = facilistismo
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação
Escola ideal é diferente da escola real
Brincamos mesmo
País de brincalhões
Fomentos da indisciplina [quando o exemplo nem vem de cima]

[O assunto não fica por aqui. A luta pela racionalidade continua em próximos textos, neste blogue]

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Caso Magalhães 18: governo "desviou" 36,5 milhões

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Segundo a Visão (14 de Maio), o «Governo "desviou" 36,5 milhões de euros para o Magalhães», a forma de pagar o pequeno computador.

«Por portaria, destinou grande parte dos lucros de 2007 e 2008 da Anacom à Fundação para as Comunicações Móveis criada pelo Ministério das Obras Públicas para gerir os programas e-escolinha (Magalhães), e-escola, e-professor e e-oportunidades.»

«A "contribuição" da Anacom ascende a 36,5 milhões de euros». A Visão recorda que, «desde 2004 que o Governo tira 85% dos lucros anuais da entidade reguladora das comunicações para os «cofres do Tesouro», considerando-os como «receita geral do Estado». Mas, nos dois últimos anos, afectou essa receita a beneficiários específicos.»

Recorde-se:
Caso Magalhães 17: não pára de surpreender.
Caso Magalhães 16: chegada à Madeira
Caso Magalhães 15: Medina Carreira arrasa
Caso Magalhães 14: ainda as literacias
Caso Magalhães 13: literacias
Caso Magalhães 12 : crianças desprotegidas
Caso Magalhães 11 : ainda mais humor
Caso Magalhães 10 : sonho Orwelliano
Caso Magalhães 9 : estéticas
Caso Magalhães 8 : Microsoft
Caso Magalhães 7 : mais humor
Caso Magalhães 6 : humor
Caso Magalhães 5 : louvores à força
Caso Magalhães 4 : JP Sá Couto e fuga ao fisco
Caso Magalhães 3 : quadratura do círculo
Caso Magalhães 2 : mails
Caso Magalhães 1 : Abrupto
Programa e-escola, o outro lado
Programa e-escola, que proveitos?
Ilusão de Sócrates

Quinta-feira, Maio 14, 2009

O jogo da vida é bem mais duro

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Falei sobre o Slumdog Millionaire quando o fui ver há uns tempos.

Estava longe de imaginar que a realidade fosse tão tramada para Azharuddin Ismail, o menino que tinha um dos principais papéis no filme mais visto do mundo nos últimos tempos, está a viver na rua.

«As autoridades de Mumbai demoliram a barraca onde morava Azharuddin Ismail e a família, agredindo o menino que fazia de Salim Malik no filme vencedor dos Óscares da Academia», noticiou o SOL. «A criança dorme agora debaixo de um toldo de plástico.»

Como o pormenor de Quem Quer Ser Bilionário ter arrecadado mais de 200 milhões de euros até ao momento.

Segundo o SOL, as «crianças indianas que participaram no filme de Danny Boyle não viram até ao momento um único cêntimo pelo seu trabalho, alegam as suas famílias. A produtora da película, no entanto, diz ter aberto uma conta para cada um dos meninos, disponível quando estes completarem 18 anos, e o realizador escocês Danny Boyle nega ter explorado as crianças.»

Mais no Semanário SOL

Caso Magalhães 17: não pára de surpreender

Lindos meninos, mas daqui a uns tempos muitos podem estar míopes devido ao uso do Magalhães, alerta a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia.

A utilização do computador Magalhães pode fazer disparar os casos de miopia entre as crianças devido ao tamanho do portátil e às letras muito pequenas, que obrigam a uma leitura muito próxima, alertou anteontem a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia: «Casos de miopia podem disparar devido ao uso do Magalhães».

Ler mais no Semanário SOL

Recorde-se:
Caso Magalhães 16: chegada à Madeira
Caso Magalhães 15: Medina Carreira arrasa
Caso Magalhães 14: ainda as literacias
Caso Magalhães 13: literacias
Caso Magalhães 12 : crianças desprotegidas
Caso Magalhães 11 : ainda mais humor
Caso Magalhães 10 : sonho Orwelliano
Caso Magalhães 9 : estéticas
Caso Magalhães 8 : Microsoft
Caso Magalhães 7 : mais humor
Caso Magalhães 6 : humor
Caso Magalhães 5 : louvores à força
Caso Magalhães 4 : JP Sá Couto e fuga ao fisco
Caso Magalhães 3 : quadratura do círculo
Caso Magalhães 2 : mails
Caso Magalhães 1 : Abrupto
Programa e-escola, o outro lado
Programa e-escola, que proveitos?
Ilusão de Sócrates

Segunda-feira, Maio 11, 2009

Empresarialismo de sucesso: «hotel emblemático de Joe Berardo encerra no Funchal»

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«A Siet Savoy anunciou hoje o encerramento da mais emblemática unidade hoteleira do grupo liderado por Joe Berardo, o quase centenário Savoy Classic do Funchal, tendo como consequência o despedimento colectivo dos trabalhadores.»

Mais aqui, no SOL

Recorde-se:
Joe Berardo vítima
Joe Berardo salvo da miséria

Caso Magalhães 16: Sócrates vem trazê-los à Madeira

Espero que o Governo Regional já tenha providenciado 20 ou 25 tomadas em cada sala de aulas do 1º Ciclo. Porque este pormenor tem condicionado a utilização dos computadores Magalhães em muitas escolas... Há uma ou duas extensões, na melhor das hipóteses.
photo copyright: Maurício Lima/AFP

O Público dá conta hoje que José Sócrates vai «visitar a Madeira na próxima sexta-feira. Da agenda consta a entrega de computadores Magalhães a alunos de uma escola e um encontro com empresários locais. Esta é a primeira vez que o primeiro-ministro se desloca ao arquipélago governado por Alberto João Jardim.»

É a primeira vez que José Sócrates vem à Madeira na qualidade de primeiro-ministro.

«Depois dos Açores, a Madeira é também agora contemplada com a próxima distribuição dos computadores Magalhães, disponibilizados através do Programa E-Escolinha e dirigidos a todos os alunos do primeiro ciclo, matriculados no ensino público ou privado.»

Recorde-se:
Caso Magalhães 15: Medina Carreira arrasa
Caso Magalhães 14: ainda as literacias
Caso Magalhães 13: literacias
Caso Magalhães 12 : crianças desprotegidas
Caso Magalhães 11 : ainda mais humor
Caso Magalhães 10 : sonho Orwelliano
Caso Magalhães 9 : estéticas
Caso Magalhães 8 : Microsoft
Caso Magalhães 7 : mais humor
Caso Magalhães 6 : humor
Caso Magalhães 5 : louvores à força
Caso Magalhães 4 : JP Sá Couto e fuga ao fisco
Caso Magalhães 3 : quadratura do círculo
Caso Magalhães 2 : mails
Caso Magalhães 1 : Abrupto
Programa e-escola, o outro lado
Programa e-escola, que proveitos?
Ilusão de Sócrates

Não justificar a violência com a exclusão

photo copyright: Carlos Lopes (arquivo)

O bairro da Bela Vista é das zonas mais pobres de Setúbal, onde grande parte da população jovem está desempregada.

Esta realidade de exclusão social não pode ser escamoteada, mas também não se pode cair no discurso do "coitadinho" e justificar a violência devido às dificuldades sociais.

Domingo, Maio 10, 2009

Eleições SPM 2009 XI: Lista B foge do debate da RDP Madeira

Na véspera da emissão do debate entre os cabeças-de-lista Marília Azevedo e João Sousa, na RDP Madeira (Antena 1), a Lista B continua, repetidamente, a repetir o link para o debate na TSF Madeira, como nós também temos feito, mas sem aludir ao facto que, no dia seguinte, hoje, dia 10, é emitido o primeiro debate realizado, na RDP Madeira, pelos líderes das duas equipas na corrida à liderança do Sindicato dos Professores da Madeira.

Mais conclusivo não pode ser.

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Eleições SPM 2009 X: lista B invoca em vão o incidente com Vital Moreira

Desde quando é missão do sindicalismo combater ou agredir fazedores de opinião? É para isso que «necessitamos de um sindicato forte?»
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A Lista B, no seu blogue, num texto de 3 de Maio, optou por confundir a campanha eleitoral para a liderança do Sindicato dos Professores da Madeira com o incidente com Vital Moreira, no dia 1º de Maio, numa manifestação da CGTP.

Será que se está a desculpabilizar as agressões físicas e verbais a Vital Moreira nessa manifestação?

Será que se quer dizer que, por ter escrito umas opiniões desfavoráveis aos professores no que toca à luta com o Ministério da Educação, Vital Moreira teve o que mereceu?

Desde quando é missão do sindicalismo combater ou agredir fazedores de opinião? O alvo do sindicalismo não é a má política laboral?

Desde quando é missão do sindicalismo fazer política partidária?

Salvaguardadas as devidas distâncias, qual é a diferença entre as agressões a Vital Moreira, em Lisboa, e as agressões e a intolerância que, por exemplo, aconteceu numa sessão de esclarecimento, em 9 de Novembro de 2002, sobre a futura e polémica construção da muralha e estrada na costa do Jardim do Mar, cá na Madeira?

Desde quando a discordância e a opinião diferente justificam a violência e a intolerância? O que tem isso a ver com democracia?

Recorde-se:
Vital Moreira agredido em manif da CGTP
Diário de candidatura (25)
Opinião de José Saramago

Domingo, Maio 03, 2009

Músico rock cansa-se tanto quanto um pedreiro

Famosa imagem da capa de London Calling dos Clash.

Segundo notícia no Diário Digital o «dia-a-dia de um músico de rock pode ser tão extenuante quanto o de um pedreiro ou lenhador, revela um estudo de investigadores finlandeses, que testou um dos grupos mais famosos na Finlândia.»

Refere-se ainda que o «estudo, que visou avaliar o impacto do «stress» no corpo, foi realizado pelo Instituto finlandês de Medicina do Trabalho.»

Sábado, Maio 02, 2009

Vital Moreira e Alberto João Jardim em destaque

Quando deveria ser as manifestações do 1º de Maio a dominar a primeira página, é Vital Moreira que surge em destaque devido às agressões de que foi alvo na manifestação da CGTP (ver post anterior).

Além deste assunto, o presidente do Governo Regional surge em destaque devido àquela questão das viagens publicada pelo Diário de Notícias da Madeira anteontem.

Vital Moreira agredido na manif da CGTP domina notícias

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«Vital Moreira agredido na manif da CGTP» foi o assunto que dominou o dia noticioso de hoje, quando deveria ter sido a manifestação (ou manifestações) do 1º de Maio e respectivas palavras de ordem.

Como escreve o Público, as «palavras de ordem cederam lugar aos protestos contra a “intolerância”, o “sectarismo” ou a “instigação do ódio”.»

O facto do cabeça de lista do PS às europeias ter sido alvo da fúria de vários populares, prejudicou a CGTP (e o PCP) e beneficiou Vital Moreira. As pessoas tendem a simpatizar com a vítima. Toda a gente sabe as consequências eleitorais da famosa agressão a Mário Soares na Marinha Grande.

É claro que a presença de Vital Moreira - ele caminhava no sentido contrário ao da manifestação do Primeiro de Maio -, pode ter sido encarada como uma provocação, mas não justifica os actos de agressão.

Nota (2.05.2009): afinal a presença da delegação do PS na manifestação da CGTP aconteceu em resultado de um convite da federação sindical, o que acentua a gravidade dos incidentes. Hoje a RTPN confirma que Vital Moreira foi agredido (e não apenas insultado): foi cuspido, foi alvo de garrafas de água e de bandeiras.

Sexta-feira, Maio 01, 2009

Escapadinhas para fintar os males endémicos

Noticiou o Diário que o presidente do Governo Regional da Madeira, «desde o início do ano, já esteve cerca de 30 dias fora da Madeira. A manter-se a média, até ao fim do ano, serão três meses fora... mais as férias.» A manter-se a média, significaria «um terço do ano a viajar ou em férias.»

Ora eu acho muito bem. Para manter a sanidade e fintar os males endémicos madeirenses é preciso arejar de vez em quando. É preciso sair da ilha. Daí a importância de haver formas de fuga económicas, seja por mar ou ar.

O presidente do Governo Regional afirmou, ao que parece em 2008: «estou farto da mediocridade madeirense. Não estou para aturar isto.» Um homem não é de ferro. Quem pode dar umas «escapadinhas» deve fazê-lo. Para não mirrar nem andar curvado a olhar para o chão.

Hoje em dia, as comunicações, graças à Internet, ajudaram muito a quebrar o isolamento do viver na Madeira. Contudo, as mentalidades teimam em não se transformarem. A vida quotidiana continua a ser muito limitada: demasiado tempo de capacete.

Conta ainda o Diário que as «ausências de Jardim tornaram-se mais frequentes nos dois últimos anos, desde as eleições regionais antecipadas de 6 de Maio de 2007 e já suscitaram diversas críticas da oposição. Para alguns partidos, o Presidente do Governo está "em trânsito" pela Região, entre duas viagens.» Será mais inveja, esse mal endémico supremo, do que outra coisa...

Como bem compreendo o presidente do Governo Regional. Por isso, não posso atirar nenhuma pedra, apesar de ser possível limitar certas despesas nessas deslocações. Só tenho pena as viagens não serem ainda mais baratas para os residentes.