«Alguém tem de se manter calmo neste manicómio» G. K. Chesterton

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Elementos sobre o Estado da Escola Pública 44: a roda já está inventada

Apliquem-se modelos de diferenciação pedagógica, prestem-se apoios, valorize-se a singularidade, mas NUNCA se dispense o trabalho, a disciplina e a responsabilidade do estudante no seu próprio percurso escolar, porque esses valores são os alicerces do seu progresso e sucesso. Ignorar isto é render-se ao facilitismo, à ilusão e à exclusão.
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João Formosinho deu uma entrevista ao Jornal da Madeira (29.6.2009) e levanta algumas questões importantes.

Destacamos esta frase, pela sua centralidade: «Não podemos viver [na escola] num oásis à parte em que todos nós somos iguais e carinhosos uns com uns outros porque sabemos que a sociedade [isto é, a realidade] não é assim».

Saudamos este pragmatismo deste professor catedrático do Departamento de Ciências da Educação da Criança do Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho. Apesar de a escola pública ter de atender e dar resposta aos vários públicos estudantis, com diferentes pontos de partida, culturas, interesses, objectivos e ritmos de aprendizagem (em que o professor tem tanto de avaliar o progresso dos estudantes como seleccionar os melhores), uma coisa é certa:

NÃO pode haver qualquer cedência no que toca à atitude dos estudantes perante o trabalho escolar, à exigência de empenho e disciplina para que se criem condições básicas para o bom decorrer do processo de ensino-aprendizagem.

Ser um estudante desfavorecido social e culturalmente ou ter problemas emocionais deve dar direito aos apoios possíveis, na escola e fora dela, para que se minimizem as inadaptações desses estudantes à cultura escolar e se compense o facto de partirem mais tarde ou mais detrás do que outros estudantes, nomeadamente aqueles oriundos das classes médias e médias-altas.

Ser um estudante desfavorecido social e culturalmente ou ter problemas emocionais NÃO deve nem pode dar direito à atitude negativa perante o trabalho escolar, à indisciplina, à irresponsabilidade, ao laxismo e ao facilitismo.

Bem pelo contrário, a complacência e a não exigência de esforço, trabalho, responsabilidade e disciplina nunca fará evoluir o estudante desmotivado, com menor cultura/apetência para o estudo, e nunca será sinónimo de escola inclusiva. Ter os alunos dentro dos muros da escola não significa, necessariamente, inclusão, se estiverem excluídos da aprendizagem, do saber, das competências que precisam para a vida e que a sociedade actual exige. Se estiverem excluídos dos valores da disciplina, do rigor, do trabalho e da responsabilidade estarão excluídos da vida real.

A escola de massas e para todos não tem de significar a decadência da qualidade da escola, o que seria uma contradição com aquilo que o tempo actual exige. Há um conhecimento geral e básico que todos devem ter, ponto final. Ser pobre não é impedimento para a criança e jovem ser disciplinado, responsável e empenhado (trabalhador) na escola.

O resultado é que, desde às classes sociais mais desfavorecidas às mais altas, embora por razões diferentes, estão todos descontentes com a escola pública. O laxismo e o facilitismo falsamente inclusivo e integrador não serve a ninguém.

Os modelos de organização, de avaliação, de ensino, os currículos, entre outros aspectos, podem ser alterados, mas nada disso assegura que quem não queira aprender, seja indisciplinado e tenha uma má atitude perante o trabalho escolar aprenda algo de válido.

Em vez de se tentar reinventar a roda, aquilo que é óbvio e já existe, coloquemos as pessoas a trabalhar nas escolas para aprenderem mais e melhor. Além disso, claro, apliquem-se modelos de diferenciação pedagógica, prestem-se apoios, valorize-se a singularidade, mas NUNCA se dispense o trabalho, a disciplina e a responsabilidade do estudante no seu próprio percurso escolar, porque esses valores são os alicerces do seu progresso e sucesso. Não há modelo de organização pedagógica que dispense essas pressimas/valores no estudante.

Os três motivadores que existem é o interesse (amor), esperança e medo. Quando o estudante não gosta da disciplina, não tem esperança ou perspectiva que isso lhe traga algo de bom no futuro, resta o medo. Daí que transformem os professores em polícias (medo) na sala de aula. Entretanto, aprende-se pouco e mal. É o deixa andar até à implosão.

Elementos sobre o Estado da Escola Pública 43: menos estatística, mais exigência

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«Outro dos campos de reforma profunda deverá ser na educação. O PSD votou no Parlamento, com o resto da oposição, pela suspensão do novo regime de avaliação dos professores. E também, por várias vezes, acusou o Governo de Sócrates de estar obcecado com as estatísticas do insucesso e do abandono escolar, desguarnecendo a exigência sobre os alunos. Um programa do PSD deverá incluir uma reforma curricular profunda de forma a inverter as prioridades.» (Diário de Notícias)

Recorde-se que o outro partido de direita, o CDS-PP, defende que se deve «restaurar a autoridade dos professores» nas escolas, cada vez mais dominadas pela indisciplina e a atitude negativa perante o trabalho escolar.

Na moção de censura, o partido de Paulo Portas referia ser «irresponsável o ataque generalizado à função do professor e uma política educativa exclusivamente interessada em estatísticas virtuais, sacrificando o mérito, o rigor e a excelência a critérios de laxismo, facilitismo e mediocridade».

O actual Governo da República fez um erro grave ao ter desresponsabilizado o aluno do seu papel no processo de ensino-aprendizagem e ter insistido no laxismo e no facilistismo. Ainda por cima dourando as estatísticas e baixando o nível de exigência dos exames, na vontade política de mostrar os resultados que não existem e que não correspondem à realidade.

Uma certa esquerda tem esta tendência para o laxismo e facilitismo. Também uma certa direita, mas veremos o que fará em 2009 a direita portuguesa (continental). Não é que eu coloque muita esperança, porque o essencial das políticas manter-se-á, sobretudo no que toca à carreira e modelo de avaliação dos professores. Toda a gente se lembra da polémica passagem de Manuela Ferreira Leite pelo sector da Educação...

Se houver mais responsabilização de estudantes, encarregados de educação e escolas já não será mau, mas face à chamada maioria sociológica de esquerda do nosso País, os partidos de direita serão sempre comedidos na disciplina e na exigência de trabalho nas escolas. Há uma cultura vasta e politicamente correcta favorável à bandalheira que é difícil contrariar sem perder peso eleitoral.

Domingo, Junho 28, 2009

Assalto em pleno green do Campo de Golfe

Assalto em pleno campo de golfe é um belo cartão de visita, tal como os assaltos a turistas nas Levadas.
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Duas cidadãs estrangeiras foram assaltadas em pleno Campo de Golf do Santo da Serra, na passada sexta-feira, quando os seus pertences (carteiras e respectivo conteúdo) desapareceram do transporte (buggy) em que se faziam deslocar pelo campo. Bastou uma breve distracção a tirar umas fotografias.

Evitar financiamentos e dívidas

Não endividar-se é o mais seguro e sensato, segundo Nassim Nicholas Taleb, um dos poucos que previram a actual crise financeira. Voltamos a velhos valores da nossa cultura mediterrânica em que comprar sem ter o dinheiro efectivo para o pagar era visto como algo negativo.
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Nassim Nicholas Taleb aconselha as pessoas a diminuir as suas dívidas e a recusar financiamento, tal como acontecia com os povos mediterrânicos, em que o endevidamento era encarado como algo negativo. No seu entender, gera um crescimento menos rápido, mas mais seguro e robusto. É regressar a esses valores que o autor defende. A melhor forma de lidar com a imprevisibilidade.

«Let's go back to roots. Let's do real things. Let's have more transparency, fewer complicated products we don't understand. Let's generate economic growth by old traditional ways, let's favor technology companies, let's not favor all this financial bulls. Because it was a Ponzi scheme [na origem da actual crise financeira, económica e social], I don't know any other way to call it.» (Time, 24.10.2008)

Isto significa contrariar as práticas mais recentes ligadas a enormes dívidas, financiamento e riqueza especulativa, e apostar mais na poupança ou investir em produtos financeiros de pouco ou nenhum risco.

Parece dar mais razão a figuras como Manuela Ferreira Leite, que defende e prioriza a diminuição da dívida do país e do ritmo do investimento público, do que àqueles que defendem o investimento público em grande escala para diminuir o desemprego a breve trecho, com o consequente aumento da dívida externa de Portugal.

«Individuals [e os Estados, diríamos também] should think about the worst-case scenarios and plan for them. The world will be crazier than you think it will be. Put money away, and then you can live with much more freedom.» (Newsweek, 24.11.2008)

Acabou de ser lançado no nosso país o livro O Cisne Negro da autoria de Nassim Nicholas Taleb.

Sábado, Junho 27, 2009

Morte salva Michael Jackson do regresso (destruição da lenda)

É recorrente esta ideia de que boa música existia apenas antigamente e que no presente há um deserto criativo. É uma ideia destrutiva do consumo de nova música e faz com que a indústria aposte em sacar o dinheiro dos melómanos de meia-idade com os regressos (numa manifesta falta de gosto) dos grandes do passado.
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«Infelizmente, as coisas boas da música estão a desaparecer», disse ao Diário Marino de Freitas, músico e compositor madeirense, a ropósito da morte de Michael Jackson.

É recorrente esta ideia de que boa música existia apenas antigamente e que agora, no tempo presente, há um deserto criativo. É uma ideia destrutiva do consumo de nova música.

Isto mais não é do que as pessoas a serem ultrapassadas pelo tempo e a ficarem presas, saudosística e nostalgicamente, à música que ouviram na juventude, fechando-se à música nova que sai todos os dias. A idade tende a tornar as pessoas conservadoras.

Eu gosto, ouço e redescubro grandes artistas do passado, mas não passo a maior parte do tempo a ouvi-los. Não devemos cegar para o presente e futuro, cheios de possibilidades e talentos.

Aliás, as editoras estão a ler bem a nostalgia de uma determinada geração e a apostar no regresso de grandes bandas do passado, para sacar o dinheiro a esses fãs de meia-idade com poder de compra. O que é legítimo, ainda por cima se as duas partes ficam felizes.

Tais regressos, na moda, não fazem sentido ainda pela destruição de mitos ou lendas que provocam e, na maioria dos casos, fazem figuras tristes de si próprios, numa prova de enorme falta de gosto, não conseguindo igualar as performances e a criatividade do passado. Tudo tem o seu tempo.

A destruição da lenda chamada Michael Jackson foi evitada com a sua morte. O seu desparecimento precoce impossibilita o regresso, para o qual são pressionados muitos artistas, que já deveriam estar na reforma ou a dedicar-se a outro tipo de projectos.

No caso do autor de Thriller, parece que a pressão do regresso terá contribuído para a sua morte. A sua saúde precária sofreu a derradeira pressão. Os lutadores têm de ter uma mente sã e um corpo são. Sem saúde e robustez (mental, física, emocional) é difícil sobreviver à enorme exigência da celebridade que conhecem os grandes artistas.

Randy Phillips, chefe executivo da promotora AEG Live, disse "I would trade my body for his tomorrow. He's in fantastic shape", quando desmentia, em Maio útlimo, os rumores sobre a fragilidade da saúde de Michael Jackson.

Os saudosistas e nostálgicos, que compraram os bilhetes para os 50 concertos, contribuíram para o aumento da pressão sobre a lenda da Pop. Espero que tenham a decência de não chorar o dinheiro do bilhete... 800 mil foram vendidos em cinco horas.

Cavaco Silva faz a vontade à maioria dos partidos em prejuízo do interesse nacional e dos cidadãos

Os interesses eleitorais dos partidos políticos não são sempre coincidentes com o interesse nacional e dos cidadãos. O Presidente da República deveria ter optado por defender o interesse destes e não o cálculo puramente partidário, mesmo que depois se sujeitasse a críticas dos senhores dos partidos. A posição da maioria dos partidos não é o critério mais importante.
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Dois pesos e duas medidas. O Presidente da República, que esteve muito bem em contrariar a vontade ou interesses partidários ao vetar, em 9 de Junho último, a nova lei do financiamento dos partidos (apontando “várias objecções de fundo” ao diploma, como o “aumento substancial do financiamento pecuniário não titulado” ou a possibilidade dos partidos obterem lucros nas campanhas) esteve mal em fazer agora a vontade à maioria dos actores partidários, no que toca à marcação da data das eleições legislativas.

Desconfiamos que essa nem seria o desejo de Cavaco Silva, mas deve ter ponderado mais a sua salvaguarda política, para não ser conotado com a posição do PSD, o único partido a defender legislativas e autárquicas em simultâneo, e evitar comprar guerras com as restantes forças partidárias.

Recorde-se que a lei do financiamento dos partidos, aprovada por todos os partidos - aqui se vê como olham o interesse nacional e a opinião dos eleitores - subia em mais de um milhão de euros de 22.500 para 1.257.660 euros o limite das entradas em dinheiro vivo nos partidos, bem como previa um aumento de mais de 55 vezes em relação ao tecto actual (aplica-se às quotas e contribuições dos militantes e ao produto das actividades de angariação de fundos).

Este abuso na utilização de dinheiros públicos foi muito bem vetado por Cavaco Silva (recorde-se também que na Madeira houve o famoso Jackpot...). No entanto, se tivesse optado por legislativas e autárquicas na mesma data, além de minimizar a abstenção, teria poupado esses mesmos dinheiros públicos. O Estado gastaria menos, mas também os partidos e os órgãos de comunicação social. Mas, os partidos estão mais interessados em gastar... sempre em nome da democracia, está claro...

E não me venham os partidos com a treta de que a democracia tem um preço. Achei piada o economista Francisco Louçã do BE, que se diz tão preocupado com os desempregados e os pobres, que tenha ridicularizado a poupança que se faria com a simultaneidade dos actos eleitorais. Disse, demagogicamente, que equivaleria aos gastos da iluminação de Natal na Avenida da Liberdade (Lisboa). Deveria antes ter proposto a poupança, em favor de quem mais precisa em tempo de crise, não aprovando a tal lei de financiamento dos partidos nem dois actos eleitorais separados, apesar de tão próximos.

Achei também piada ao CDS-PP, que aprova mais despesa com a defesa dos dois actos eleitorais em datas diferentes, mas que declara, na reacção à decisão de hoje de Cavaco Silva, que espera que os partidos façam campanhas contidas em termos de aplicação de recursos... Será para descargo da consciência?

Falsos moralismos e demagogia. Os senhores dos partidos ainda não perceberam que assim descredibilizam a Democracia. O perigo para a democracia não vem da simultaneidade de legislativas e autárquicas.

O Presidente da República deveria ter dado primazia à poupança de recursos em tempo de tão profunda crise e à minimização da abstenção, e não optando pelo mais cómodo ou politicamente correcto: a salvaguarda da sua posição política fazendo a vontade aos interesses partidários.

É claro que o PSD também defendia o seu interesse (também aprovou a tal lei escandalosa do financiamento dos partidos) ao defender a simultaneidade dos dois actos eleitorais, mas essa posição defendia ou coincidia melhor com o interesse nacional.

Duas eleições tão próximas vão-se misturar na mesma. O debate vai confundir-se na mesma. A qualidade da democracia depende mais da postura dos partidos do que mais dinheiro e espaço para a campanha.

Os senhores dos partidos acabam por nos dizer que os sacrifícios são sempre para os cidadãos, enquanto os partidos gastam à grande e à francesa. Invocam a defesa da qualidade da democracia para justificar o esbanjamento em campanhas eleitorais quando as famílias portuguesas passam por dificuldades. Depois dizem não compreender porquê a abstenção ou os votos em branco aumentam.

Governo sabia do negócio entre PT e Media Capital

É pouco credível que o Governo da República, com uma Golden Share na Portugal Telecom, não conhecesse o negócio em preparação entre a PT e a Media Capital. O semanário Expresso adianta hoje mais dados sobre o assunto. Com tiros destes nos pés, José Sócrates permite que o PSD se aproxime em termos eleitorais.

Sexta-feira, Junho 26, 2009

Governo socialista esteve bem em clarificar


Embora não sendo verosímil, se o Governo não conhecia, como reclamou ontem, o potencial negócio entre a PT e a Media Capital, acabou por ficar refém das circunstâncias (críticas recentes face a algum jornalismo da TVI) e ser compelido a travar a operação empresarial da PT.

José Sócrates veio anunciar, e muito bem em prol da transparência (criticámos a eventualidade de se querer calar a TVI), a oposição (veto?) do Governo à compra de parte da Media Capital por parte da PT, embora a razão invocada não tenha sido o interesse nacional ou empresarial, como frisou com oportunidade a presidente do PSD, mas sim a salvaguarda da posição ou imagem do próprio Governo: não se pensar ou não haver suspeição que queria interferir ou influenciar a linha editorial da TVI.

Embora não sendo verosímil, se o Governo não conhecia, como reclamou ontem, o potencial negócio entre a PT e a Media Capital, acabou por ficar refém das circunstâncias (críticas recentes face a algum jornalismo da TVI adverso ao Executivo) e ser compelido a travar a operação empresarial da PT.

Se conhecia o negócio, procurou dissimular o seu comportamento face ao negócio, o que é bem mais grave.

Em 2004, José Sócrates defendeu que o Estado não deveria ter directa ou indirectamente participação na comunicação social, para maior transparência, compreendendo-se, à luz desta postura, a lei para os media, que impediria, por exemplo, que o Jornal da Madeira continuasse a ser detido pelo Governo Regional da Madeira (mais detalhes nos links abaixo).

A lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social – aprovada em Janeiro de 2009 apenas com os votos do PS –, depois vetado por Cavaco Silva por considerar não haver urgência em legislar sobre esta matéria, impediria o Governo, governos regionais ou autarquias de serem proprietários de órgãos de comunicação social, excepção feita ao serviço público de rádio e televisão. Achamos que bem.

Recorde-se:
Quanto custa o «putativo pluralismo informativo» do Jornal da Madeira
JM cedido a privados para contornar lei do pluralismo dos media
Jornal da Madeira na corda bamba
«Sr. Silva» salva mais uma vez o Jornal da Madeira
«Sr. Silva» salva Jornal da Madeira
A realidade e não mais do que a realidade
Tentação de controlar a informação

Atitude mental e instinto primordial

"This is it. The final curtain call."
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"These will be my final show performances in London" anunciou a estrela Pop em Março último, quando a primeira das 50 datas teria lugar já no próximo dia 13 de Julho. "This is it. When I say this is it, this is it."

A pressão e o elevado consumo de medicação terão precipitado o fim precoce do ícone da Pop Michael Jackson.

A forma como as pessoas encaram as dificuldades da vida é o que marca a diferença entre os que vencem (com bem-estar pessoal) e quem é afectado ou derrotado pelas contigências. Tal como as plantas, há pessoas que se agarram e se alimentam do mínimo de húmus que encontram, nas circunstâncias mais agrestes, para se manterem vivos (e em paz consigo próprios). Outros baixam os braços, fecham-se, desistem. Além da atitude mental, poderá ter a ver com o instinto primordial de cada ser humano.

Nos meus dias de teenager, sem orientação musical própria ainda, cheguei a ter uma cópia em K7 do álbum Thriller. Cedo percebi que não era a minha cena, apesar de bem feito (gostava de "Billie Jean"), e a fita acabou por rodar muito pouco.

Recorde-se:
«Com um prognóstico invariavelmente fatal»

Robert Trujillo, a killer bass player






In the Guitar Hero III videogame soundtrack (Death Magnetic) we can finally hear Robert Trujillo's bass, something you can't do on the standard CD or vinil release.
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Recorde-se:
Compressão de som trama Metallica (Metallica victims of loudness) III

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Cabo do Mundo 7

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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa
May 24, 2009

Governo socialista quer calar TVI

O mesmo governo que tem tentado "fazer a folha" ao Jornal da Madeira, anda a tentar comprar parte da TVI por via da PT, a que pode não ser alheio o facto de aquela estação lhe ser incómoda, ao ponto de, eventualmente, afastar o director José Eduardo Moniz.

Como dá conta o Público, Manuela Ferreira Leite, líder do PSD, afirmou ontem na entrevista à SIC que seria “verdadeiramente escandaloso” e uma “interferência num órgão de comunicação social” se a PT comprasse parte da Média Capital, do grupo espanhol Prisa, e José Eduardo Moniz deixasse o cargo de director-geral da TVI.

Sobre uma eventual saída de José Eduardo Moniz do cargo de director-geral da TVI, facto que tem sido falado com alguma insistência, a líder do PSD afirmou: "Se neste processo for substituído o director-geral é gato escondido com corpo todo de fora e trata-se simplesmente de uma intervenção do Governo num órgão de comunicação social que, como ele [José Sócrates] disse várias vezes, lhe era incómodo. Eu acho isto gravíssimo para a democracia e para a comunicação social. Seria verdadeiramente escandaloso."

Curiosamente, quando ontem no parlamento nacional Diogo Feio, do CDS-PP, durante o debate quinzenal, José Sócrates foi questionado sobre a TVI e a PT, o primeiro-ministro ironizou dizendo que o CDS-PP queria que a linha editorial da TVI se mantivesse.

É claro que lhe fugiu a boca para a verdade. Sabemos o incómodo que a TVI tem causado ao governo, independentemente de se concordar ou discordar com a forma de fazer algum jornalismo na TVI. Por isso, José Sócrates confessa que não quer a manutenção dessa linha editorial e que pensa que os partidos da oposição querem que essa linha se mantenha.

Quem tanto brada contra a propriedade e controlo exercido pelo governo regional no Jornal da Madeira, quem fala em «opacidade da transparência», comete os mesmos pecados. O poder absoluto corrompe absolutamente. Ninguém é imune ao inebriamento do poder. O poder anseia naturalmente por mais poder.

Recorde-se:
Quanto custa o «putativo pluralismo informativo» do Jornal da Madeira
JM cedido a privados para contornar lei do pluralismo dos media
Jornal da Madeira na corda bamba
«Sr. Silva» salva mais uma vez o Jornal da Madeira
«Sr. Silva» salva Jornal da Madeira

A realidade e não mais do que a realidade
Tentação de controlar a informação

Quarta-feira, Junho 24, 2009

Compressão do som trama Metallica (Metallica victims of loudness) III

Uma imagem pode valer mil palavras, mas pude também confirmar através das próprias ondas sonoras: Death Magnetic na versão do jogo de vídeo Guitar Hero III é bem melhor do que o som da edição discográfica do álbum, seja em CD ou vinil.
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A problemática foi já abordada noutros posts (recorde tudo a partir de Compressão do som trama Metallica), mas hoje estou em condições de retirar as conclusões definitivas.

A banda parece não se ter preocupado com os fãs que, perante o som comprimido de Death Magnetic, solicitavam a re-mistura («re-mixed» em oposição a «remixed) e/ou remasterização do álbum.

Daí a difusão na internet do álbum na versão que vem no Guitar Hero III, que não deve estar a agradar nada à banda ou à editora. «Audiophiles would be better off recording the songs from the video game than buying the album because the Guitar Hero version has far more dynamic range than the hyper-compressed CD version

Com os temas da edição standard (mp3) e as faixas do Guitar Hero, pude comparar, juntamente com outras pessoas, as duas versões e perceber a enorme diferença de qualidade, dinâmica e musicalidade. Agora posso apreciar o álbum. Logo que me apercebi do problema, nas vésperas do lançamento em 2008, cancelei logo a compra do disco em vinil ou em CD. Caso contrário, ainda hoje choraria o dinheiro.

Posso confirmar o que foi veículado na WIRED: «the CD is boosted as much as compressively possible, making it 10 decibels louder than the Guitar Hero version while completely bleaching out the dynamic range.» Depois de verificar a diferença de volume, tinha de ajustá-lo quando mudava de versão durante a comparação musical.

A faixa número 9, o instrumental "Suicide & Redemption", foi uma das utilizadas para o "estudo" comparativo. São estas as conclusões:

A parede de som da versão standard empurra as guitarras (e a vocalização) para a frente, tornando-as mais presentes, proeminentes e dominantes que tudo o resto. Torna o som menos musical, mais duro e induz cansaço precoce no ouvinte, também pelo maior volume e distorção.

O som comprimido dá menos espaço aos instrumentos, que surgem como que compactados e encavalitados uns nos outros (daí também a expressão «brick wall»), retirando espaço sobretudo ao baixo e à bateria, que perdem impacto e ataque. Esta soa mais seca e com menor profundidade. O baixo ouve-se menos, como que espalmado, e fica relegado para segundo plano. Soa tudo pouco natural sem a devida dinâmica de frequência.

O baixo e a bateria (baixas frequências) são abafados em favor da vocalização e da guitarra (médias-altas frequências). Até os pratos da bateria soam mais presentes e agressivos (mais em cima das médias-altas frequências) na versão standard. Na versão do Guitar Hero os pratos soam mais no extremo das frequências (agudos), mais suaves e naturais.

Na versão Guitar Hero o baixo e a bateria têm maior amplitude, são mais expansivos, redondos, mais profundos, mais naturais. Os instrumentos surgem todos nos sítios certos, bem separados uns dos outros e cada qual com imenso espaço à sua volta.

Em síntese, a gravação do jogo de vídeo sublinha as nuances, os contrastes, as transições, a diferença entre a sombra e a luz, entre os sons mais altos e os mais baixos. Mais natural. Mais musical.

Para um basshead como eu, era de facto uma tristeza não ouvir como deve ser a bateria de Lars Ulrich e o baixo de Robert Trujillo. Não percebo como a banda pode aceitar uma brincadeira destas, que interfere e condiciona a audição da música. Para impressionar mais na rádio, nos iPods ou nas jukeboxes?

Felizmente, a versão Guitar Hero circula na Internet e salvou a malta.

A propósito:
Death Magnetic, onde moram os graves?
Compressão do som trama Metallica (Metallica victims of loudness)
Compressão do som trama Metallica (Metallica victims of loudness)II
Because bass matters

O que outros disseram:

Death Magnetic sounds better in Guitar Hero

Para quem quer a dinâmica de volta aos discos:
Turn Me Up
Justice For Audio

Elementos sobre o estado da Escola Pública 42: vida fácil na escola e regras de vida para estudantes

Apesar dos alertas racionais e realistas, na forma da mais simples evidência, o FAZ DE CONTA no sistema de ensino continua na maior das descontracções... Olha-se para o lado para não termos a maçada de tomar as medidas (impopulares...) necessárias e limitamo-nos a criar ilusões.
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No livro Dumbing Down our Kids da autoria de Charles Sykes, editado nos anos 90, surge uma lista de regras que os estudantes não aprendem nas escolas. (Estas regras são muitas vezes, erradamente, atribuídas a Bill Gates.)

O mesmo autor tem outro livro em que expande essas regras que a escola do "tá-se bem" e do irrealismo deixou de ensinar aos estudantes: 50 Rules Kids Won't Learn In Schooltaking on the education system's "modern bubble-wrap mentality" of "no losing, no disappointments, no harsh reality checks," Sykes takes a hard-line but humorous approach to instilling the discipline, morals and good sense that keep kids from becoming "sulky, self-centered, spoiled brats."»)

O ensino facilitista e politicamente correcto, orientado mais para a auto-estima do estudante (amor próprio: nem estamos a falar de auto-confiança; a auto-estima é baseada em nada, não tem sustentação, enquanto a auto-confiança é baseada nalguma coisa) do que para a aprendizagem efectiva, criou uma geração de estudantes sem noção da realidade, fazendo com que falhem na vida posterior à escola.

Os jovens são vistos como sendo tão frágeis que precisam estar isolados da realidade, dos problemas, dos desafios, dos desapontamentos, das suas frustrações, das suas limitações e insuficiências. Daí que o que importa é o estudante ter um ego insuflado, esteja centrado em si próprio e se ame a si mesmo acima de tudo.

Curioso que toda a gente reconhece razão ao autor, mas não se consegue transpor tal clarividência para o concreto. As escolas estão transformadas em locais de faz de conta, de laxismo, de facilitismo, uma espécie de limbo separado da realidade, em que os jovens não assumem as suas responsabilidades enquanto estudantes nem reagem às dificuldades. Parece que o Ocidente enveredou, de uma forma geral, por educar as novas gerações nesta alienação da realidade e insuflá-los de "auto-estima" Em Portugal, o faz de conta e o laxismo atinge valores alarmantes.

Antes da recente crise dos mercados financeiros toda a gente fazia de conta que estava tudo bem e que o falso bem-estar económico e social, fruto da especulação, iria durar para sempre. Os que vaticinavam a crise foram alvo de chacota e ridicularizados. A escola no Ocidente também desvia o olhar para não ver a realidade, mas mais tarde ou mais cedo vamos ser confrontados com essa mesma realidade.

Há hoje uma cultura geral sobre a educação tão impregnada nas sociedades ocidentais (sobretudo nos professores, depois das lavagens ideológicas que sofreram na formação inicial ...) que quem diz que o rei vai nu é logo visto como louco. Há mesmo cidadãos política e ideologicamente bem de direita que defendem, na educação, as maiores balelas esquerdistas que dão corpo a muito do laxismo/facilitismo actual nas escolas públicas.

Transcrevemos então 11 dessas regras de Charles Sykes (pode ouvir entrevista ao autor), traduzidas em português:

1
A vida não é fácil, acostuma-te a isso.

2
O mundo não está preocupado com a tua auto-estima. O mundo espera que tu faças alguma coisa útil por ele ANTES de te sentires bem contigo mesmo.

3
Não ganharás 40 mil euros por ano assim que saíres da escola. Não serás vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição antes que tenhas conseguido comprar o teu próprio carro e telefone.

4
Se achas o teu professor rude, espera até teres um Chefe. Ele não terá pena de ti.

5
Fritar hamburgers num restaurante não está abaixo da tua posição social. Os teus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam-lhe oportunidade.

6
Se fracassares, não é culpa dos teus pais. Então não lamentes os teus erros, aprende com eles.

7
Antes de nasceres, os teus pais não eram tão críticos ou chatos como agora. Eles só ficaram assim por pagar as tuas contas, lavar as tuas roupas e ouvir-te dizer quanto és porreiro. Então antes de salvares o planeta para a próxima geração, querendo consertar os erros da geração dos teus pais, tenta limpar o teu próprio quarto.

8
A tua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas já não repetes o ano e tens quantas hipóteses precisares até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA com a vida real.

9
A vida não é dividida em semestres. Não terás sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados te ajudem a cumprir as tuas tarefas no fim de cada período.

10
A televisão NÃO é a vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o bar ou a discoteca para ir trabalhar.

11
Sê simpático com aqueles estudantes que os demais julgam que são uns marrões. Existe uma grande probabilidade de vires a trabalhar PARA um deles.

A propósito:
41: «Zona de esforço não negociável»
40: Responsabilizar outros actores e não só os docentes
39: Professor bode expiatório
38: Bandalheira instalada na pública favorece a privada
37: Défice de atenção e insucesso escolar
36: Demasiado tempo (não rentabilizado) na escola
35: De utopia em utopia até ao laxismo total III
31: Responsabilizar os estudantes pelo seu desempenho
30: Onde falhamos nós no público
29: Regras e responsabilização das crianças
28: Inflacção de notas
27: Responsabilização
26: Inconformismos
25: Enfrentar a realidade antes que ela nos engula
24: Laxismo e facilitismo significam exclusão social
23: Leste arrasa postura desculpabilizante
22: valores do Trabalho e da Responsabilidade moribundos na escola
21: Intervir contra a indisciplina III
20: Intervir contra a indisciplina II
19: Intervir contra a indisciplina I
15: Violência (des)camuflada IV
13: violência camuflada III
12: violência camuflada II
11: Racionalidade e realismo precisam-se
10: educação infantil em Portugal (Eduardo Lourenço)
9: nem ditadura por disciplina nem a ditadura da indisciplina
7: violência camuflada I
1: condições de trabalho

Outros:
Complexos de esquerda = facilistismo
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação
Escola ideal é diferente da escola real
Brincamos mesmo
País de brincalhões
Fomentos da indisciplina [quando o exemplo nem vem de cima]

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Cabo do Mundo 6

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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa
May 24, 2009

Eleições nos sindicatos de professores

Sob o título «PCP perde sindicatos», o SOL deste último fim-de-semana (19.06.2009) noticia o seguinte: «As eleições no sindicato dos professores da Grande Lisboa e da Madeira saldaram-se por derrotas das listas afectas ao PCP, o mesmo acontecendo na aviação civil. A estratégia de Jerónimo de Sousa de apear as direcções dos sindicatos que não seguissem a "linha dura" sofre assim importantes reveses.»

No interior do jornal, lê-se ainda que, «nos professores, as eleições na Grande Lisboa e da Madeira saldaram-se por derrotas das listas afectas à direcção do PCP, que se propunham afastar nas urnas as direcções formadas por militantes comunistas moderados e sindicalistas de outras tendências.»

Terça-feira, Junho 16, 2009

Rock > êxtase > experiência espiritual

Dan Graham: "I always thought - particulary because I was listening to hardcore - that rock 'n' roll comes out of using noise and the destructiveness of noise and sound, making it into something ecstatic. Where you can get in touch with God." (WIRE #304 June 2009)
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Cabo do Mundo 5

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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa
May 24, 2009

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Elementos sobre o estado da Escola Pública 41: «zona de esforço não negociável»

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«Há uma fase inicial de preparação, que tem a ver com disciplina, com esforço, valores que se confundiram. Durante décadas a escola foi sendo esvaziada da disciplina e do método. Os meninos têm que estar muito contentes na escola, têm que estar sempre divertidos. Isto é um erro, não estou a fazer a apologia da reguada, mas estou a dizer que há aqui uma zona de esforço que não é negociável. As pessoas têm que desenvolver recursos internos, construir o seu património. Quem tem esse património interpreta a realidade de outra forma, defende-se melhor, antecipa melhor as situações, consegue imaginar melhor, arranja mais depressa solução para situações de impasse, arranja maneira de sair. A utilidade, a aplicação prática - que é uma obsessão contemporânea - é incomensurável.»
[Paula Moura Pinheiro (Câmara Clara - RTP2): Revista Diário (14.06.2009)]

Será que é assim tão difícil perceber coisas tão simples? No sistema educativo parece que as verdades simples e evidentes se tornaram indecifráveis. O facilitismo e o laxismo são lei, são uma mentalidade que tudo domina e impõe.

E saem alunos da escola pública, que se diz inclusiva (basicamente no sentido que mantém os alunos dentro das paredes da escola, todos «divertidos», mesmo que aprendam pouco ou nada enquanto lá estão, não importa: assegura-se acesso mas não o conhecimento e o sucesso), sem o «património» de que fala Paula Moura Pinheiro, que não é mais do que competências e ferramentas (estas, sim, inclusivas) para a vida.

A escola que não lhes dá esse património, mesmo que os alunos sejam diplomados, está a criar exclusão, isto é, a fazer com que esses estudantes/cidadãos abracem a exclusão pela vida fora.

A maioria dos estudantes tem na escola pública a única hipótese de mobilidade social (de ser alguém na vida e sair do buraco onde nasceram). Se é tudo feito a brincar, com a indisciplina e a ausência de esforço generalizados, estamos a criar exclusão e a cercear futuros na escola.

Na escola, actualmente, não só a tal «zona de esforço» é negociável, como está tudo montado de cima a baixo para não haver esforço. Nem esforço, nem disciplina, nem muita outra coisa. Está-se a criar exclusão intelectual (do saber), mesmo que mantenha os estudantes na escola (inclusão física).

Oh que raio. Ninguém vê o evidente? Ninguém quer ver o evidente? Os partidos políticos que andam a propor medidas para aprofundar o laxismo e o facilitismo (exclusão social) na escola pública não poderiam fazer o favor de falar verdade?

A propósito:
40: Responsabilizar outros actores e não só os docentes
39: Professor bode expiatório
38: Bandalheira instalada na pública favorece a privada
37: Défice de atenção e insucesso escolar
36: Demasiado tempo (não rentabilizado) na escola
35: De utopia em utopia até ao laxismo total III
31: Responsabilizar os estudantes pelo seu desempenho
30: Onde falhamos nós no público
29: Regras e responsabilização das crianças
28: Inflacção de notas
27: Responsabilização
26: Inconformismos
25: Enfrentar a realidade antes que ela nos engula
24: Laxismo e facilitismo significam exclusão social
23: Leste arrasa postura desculpabilizante
22: valores do Trabalho e da Responsabilidade moribundos na escola
21: Intervir contra a indisciplina III
20: Intervir contra a indisciplina II
19: Intervir contra a indisciplina I
15: Violência (des)camuflada IV
13: violência camuflada III
12: violência camuflada II
11: Racionalidade e realismo precisam-se
10: educação infantil em Portugal (Eduardo Lourenço)
9: nem ditadura por disciplina nem a ditadura da indisciplina
7: violência camuflada I
1: condições de trabalho

Outros:
Complexos de esquerda = facilistismo
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação
Escola ideal é diferente da escola real
Brincamos mesmo
País de brincalhões
Fomentos da indisciplina [quando o exemplo nem vem de cima]

Domingo, Junho 14, 2009

Saber desvalorizado em Portugal

Paula Moura Pinheiro, ao Diário, refere que é «lamentável que o saber não seja mais valorizado.» É o que se sente nas escolas. Nem valorização do saber, nem valorização de valores como o esforço ou a disciplina.

«Há uns anos entrevistei uma dupla de tradutores de russo que contaram que, nos últimos anos da União Soviética, subornavam-se polícias com livros», o que seria impensável no nosso país, em que seria encarado como algo ofensivo.

«Sabemos que em Cuba não há sabonete, mas o nível de literacia e número de escritores cubanos interessantes são incríveis», afirma a apresentadora do Câmara Clara. Isto é, Cuba vive sob uma ditadura de esquerda, mas o conhecimento é valorizado. Um exemplo, no que toca à atitude perante o saber, para uma certa esquerda e uma certa direita.

Paula Moura Pinheiro pinta o quadro em que nos movemos em Portugal:

«Temos uma longa história de iliteracia que nos distingue pela negativa dos restantes países europeus.

Há 40 anos ler era entendido pela maioria das pessoas como algo ocioso e inútil. Há imensas passagens na literatura portuguesa, no século XIX, em que se fazem piadas sobre isso. O Eça, o Camilo brincaram com essa desconfiança estrutural que este povo muito iletrado tem com tudo o que seja actividade intelectual, cujo resultado prático não se vê imediatamente. Este foi o sentimento dominante durante décadas.

As novas investigações em neurologia deixam claro que o cérebro de um leitor é diferente de um cérebro de um não leitor. Tem mais ligações nervosas, está desenvolvido de outra maneira. Portanto, quando falo de leitura é porque tem um impacto maior do que as pessoas imaginam. O efeito que isto tem nas pessoas é muito mais fundo. Se me pergunta se as pessoas aceitam que é importante saber pensar? Claro que não. Por isso é que nós tentamos tornar atraente algo a que as pessoas resistem.»

Sábado, Junho 13, 2009

Because bass matters II

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«Como diria um excelente professor meu, Aquilino Silva, o baixo é o pilar de qualquer sustentação harmónica e essencial para a compreensão da linha melódica que por si só não é nada.» (Scherzan)

A propósito:
Because bass matters
Death Magnetic, onde moram os graves?
Compressão do som trama Metallica (Metallica victims of loudness)
Compressão do som trama Metallica (Metallica victims of loudness)II

Compressão do som trama Metallica (Metallica victims of loudness) II

Se és contra a compressão do som podes, por exemplo, assinar esta petição online, uma forma de dar a conhecer aos músicos e à respectiva indústria que a má qualidade de som não é a melhor forma de servir a música.

Já abordámos o problema da compressão do som em Compressão do som (loudness war) trama Metallica ou Death Magnetic, onde moram os graves?

Na crítica ao álbum na Rolling Stone, em que se dizia que «Death Magnetic manages to sound huge, polished and tough» ou que «The musicianship feels thrillingly live throughout, and nimble new bassist Robert Trujillo helps», também se dizia isto: «even though he [Robert Trujillo, the bass player] is mostly heard as a distant, ominous rumble. (Has there ever been a more bass-averse band in rock?)»

Esta crónica aversão da banda ao baixo aliada ao efeito da compressão do som, que afecta Death Magnetic, torna tudo pior. O baixo e a bateria (baixas frequências) são abafados em favor da vocalização e da guitarra (altas e médias frequências). Perdem-se as nuances, os contrastes, a diferença entre sombra e luz, entre os sons mais altos e o mais baixos. É uma parede compacta de som.

Na mesma edição em que Metallica eram capa da citada Rolling Stone, vinha o artigo Fans Complain After “Death Magnetic” Sounds Better On “Guitar Hero” Than CD . O jogo de vídeo Guitar Hero acabou de ser lançado.

Podemos ler toda a explicação técnica, acompanhada de gráficos ilutrativos, na WIRED: Metallica’s Death Magnetic Sounds Better in Guitar Hero, que justifica a reacção dos fãs que criticaram o som do álbum.

«Audiophiles would be better off recording the songs from the video game than buying the album because the Guitar Hero version has far more dynamic range than the hyper-compressed CD version.»

Até agora uma petição online conta com 20.530 assinaturas de fãs pedindo que o álbum seja «re-mixed (as opposed to remixed) and/or remastered.» Assinar a petição é uma forma de dar a conhecer à banda e à indústria que esta má qualidade de som não é a melhor forma de servir a música.

Se este objectivo falhar, podemo-nos socorrer do jogo de vídeo: «someone will eventually record themselves playing the song perfectly within the [Guitar Hero] game and distribute it via bit torrent, and then Metallica’s label will have another thing to get upset about.»

No linkado artigo da WIRED podemos ainda ler: "There’s no analysis needed, you can hear it plain as day" (Ian Shepherd, a mastering engineer at SRT). A Rolling Stone refere que «Shepherd discovered that the CD is boosted as much as compressively possible, making it 10 decibels louder than the Guitar Hero version while completely bleaching out the dynamic range

No caso de Death Magnetic, o problema parece ter origem no produtor Rick Rubin, segundo o Guardian: «Apparently, the blame for this lies with Rick Rubin, the album's producer. He's long been singled out as a repeat offender. His work on Red Hot Chili Peppers' buffed-up Californication has been deemed unlistenable by plenty of commentators.»

A Rolling Stone dedicou um artigo à morte da alta-fidelidade, que vale a pena ler. Bob Dylan é citado: «Last year, Bob Dylan told Rolling Stone that modern albums "have sound all over them. There's no definition of nothing, no vocal, no nothing, just like — static."»

Passado quase um ano, não comprei o Death Magnetic de Metallica. Não tenho vontade de comprar um disco cujo som está comprimido e não tem os graves que seria natural um disco de rock ter.

Quem se interessar por este assunto da compressão do som, pode ler mais em Justice For Audio. Nomeadamente, BBB 4 Radio report on Death Magnetic & sound issues.

Sexta-feira, Junho 12, 2009

Dia de Led Zepellin, Pink Floyd e A Perfect Circle

Led Zeppelin.
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Hoje o dia foi dedicado a discos com mais de 30 anos de idade. Led Zeppelin (1969), Led Zeppelin II (1969), Led Zeppelin III (1970), Led Zeppelin IV (1971), Physical Graffiti (1975) e Animals (1977) dos Pink Floyd.

Para destoar, acabei o dia com o Thirteenth Step (2003) de A Perfect Circle, com um som fantástico aliado à boa música. Com graves profundos, como neste álbum, o subwoofer a funcionar a partir dos 20Hz (para baixo) adiciona um calor que não consigo dispensar.

Reprise: BE recusa («jamais») coligação com o PS

Será que os portugueses vão votar em massa em partidos que rejeitam participar na governação, mesmo que tenham votos para tal? Afinal, a maioria absoluta ainda poderá estar ao alcance do PS.

No post anterior, dissertámos sobre a posição do BE, conforme entrevista de hoje no jornal I. Mas, podemos ainda retirar outras ilações:

Se, ao contrário da direita (PSD e CDS-PP), a esquerda à esquerda do PS não tem vocação de governação, podemos ter a certeza de que muitos portugueses que não votaram PS nas Eleições Europeias vão votar PS nas próximas legislativas.

O BE anda muito confiante com os resultados nas europeias, mas ao colocar-se fora de uma hipotética solução de co-governação para o país, confina-se a uma função de oposição contestatária e destrutiva (em fazer parte do problema e não da solução...). O papel de oposição é bem mais fácil do que encontrar respostas que funcionem na prática e dêm resposta ao problemas reais do país e dos portugueses.

Os portugueses que se preocupam que o seu voto tenha um valor construtivo, em termos de estabilidade e governabilidade do país, vai votar em quem rejeita participar na governação mesmo que tenha votos para tal? É esse o respeito pela vontade democraticamente expressa pelos portugueses?

A direita, pelo contrário, com outra natureza ideológica, não deixa de assumir as suas responsabilidades se os resultados eleitorais assim o ditarem. Se o voto dos eleitores assim o determinarem.

Quem vota útil, os moderados, vai pensar duas vezes antes de votar num partido que se coloca fora da governação, mergulhando o país na instabilidade se necessário, devido aos seus dogmas ideológicos e estratégias políticas.

Por estas e por outras, quem pensa que o PS e José Sócrates estão já derrotados, no que toca às próximas legislativas, desengane-se. Podem ter uma grande surpresa. E não sei se a maioria absoluta está assim tão posta de parte como se vaticina.

Por estas e por outras, também se fomenta a irresponsabilidade nos cidadãos, que muitas vezes preferem refugiar-se na constestação pura, reclamar direitos, mas esquecendo os deveres e as responsabilidades individuais na condução das suas vidas, e ficar à espera que o Estado tudo resolva e providencie.

BE recusa («jamais») coligação com PS

Se Francisco Louça acredita que «estamos perante uma situação de perda da maioria absoluta» por parte do Partido Socialista e se o Bloco de Esquerda tem programa para governar, não se percebe que, na mesma entrevista ao I, o líder bloquista afirme «Jamais faremos coligações com o PS».

Sonha, por acaso, em ganhar as eleições legislativas? «O que mudou nestes anos foi a possibilidade de com o Bloco de Esquerda, muita gente do PS e com muitos independentes começar a haver uma nova esquerda que surge para poder liderar esse processo e essa alternativa.»

Por outro lado, se não sonha em ganhar as eleições com maioria (muito menos absoluta), por que razão o BE insiste em pôr de parte qualquer coligação com o PS, confinando-se ao bota-abaixo contestatário? «Não iremos [para o governo] com nenhum partido e nenhuma política aos quais nos opomos», esclarece Francisco Louçã, numa clara opção pela oposição às políticas dos outros e não pela tentativa de concretização de algumas políticas próprias.

E porquê? Porque coligar-se implicaria, natural e democraticamente, cedências... «A lógica de coligação é uma lógica de destruição da política, da falsificação das opiniões, de fazer um arranjo de governo.» Trabalho de equipa não é com o Bloco. Será mais adepto das maiorias absolutas do que o próprio José Sócrates. Será mais adepto de uma maioria totalitária?

É, pois, mais fácil contestar (com um punhado de utopias debaixo do braço) do que governar perante as possibilidades oferecidas pelo mundo real. O BE está preso no seu próprio radicalismo, nos seus dogmas.

Pretende o BE um governo minoritário para contestar e causar erosão no parlamento, sem negociar, sem se comprometer minimamente com a governação. Instabilidade e ingovernabilidade para o BE reinar...

Por acaso o BE já sondou o eleitorado de esquerda a ver se este aprovaria ou não um governo de coligação PS-BE?

Qual é o modelo de sociedade que defende o BE? É preciso dizê-lo com clareza aos portugueses. O que faria, por exemplo, com a economia de mercado? Não basta um discurso moderno e radical para governar. Talvez a resposta a estas perguntas seja o que verdadeiramente impossibilita qualquer hipótese de coligação com um partido da área da governação, seja o PS ou outro.

Money talks II



«Vinte mil dólares de champanhe. A noite de Los Angeles juntou Cristiano Ronaldo e Paris Hilton», lê-se no I.

Contradições:
Cristiano Ronaldo recusa apelar ao voto nas eleições europeias
Esbanjador é cara da campanha de poupança do BES

Ainda:
Money talks I

Led Zeppelin rule

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O meu amigo Thomas emprestou-me o filme-documentário The Song Remains The Same de Led Zeppelin, preenchido com material dos três concertos de 1973, em Madison Square Garden, Nova Iorque. O filme viria a estrear em 1976, depois de muitas peripécias para o concluir. Chegou ao VHS em 1990.

As sequências fantasiosas (e pretensiosoas) do filme com os membros da banda são supérfluas. Os solos intermináveis de guitarra ou bateria acabam também por cansar, mas na época era apreciado este tipo de exercício masturbatório. O resto é óptimo. As prestações vocais e guitarrísticas de Robert Plant e Jimmy Page, respectivamente, são notáveis.

Quando o primeiro realizador, Joe Massot, foi afastado do projecto - a banda não estava plenamente satisfeita com as filmagens ao vivo - fez o (famoso) comentário: "They even thought it's my fault that Robert Plant has a huge cock." O "caso" poderia ter sido contornado com outros ângulos de filmagem ou então com uma indumentária menos indiscreta por parte de Robert Plant...

«Acabar com ele de uma vez e sem rodeios»

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Continuam os episódios de guerrilha interna até à implosão do PS Madeira, o (ainda) maior partido da oposição.

A liderança de João Carlos Gouveia foi, na altura, definida de transição, mas não terá ficado estipulado um limite temporal. No partido, toda a gente contaria que a lebre depressa se cansaria...

Hoje, no Diário, alguém diz que é «preciso acabar com ele de uma vez e sem rodeios». Refere-se ao momento presente do PS Madeira, que inclui, obviamente, o actual líder.

Quando os critérios de sucesso estão orientados para o ego e para os protagonismos, é o colectivo que fica a perder. «Menos umbigo e mais Partido Socialista», receitou, em Abril último, Bernardo Trindade.

Alberto João Jardim pode ser considerado o «campeão do umbigo», mas ao menos não deixa que os umbigos («pessoas importantes») destruam o PSD Madeira. Ele bem sabe qual é a mentalidade endémica madeirense...

Quinta-feira, Junho 11, 2009

Money talks

O que lhe pode dar mais o Real Madrid relativamente ao Manchester United? Dinheiro?
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Eu concordo, basicamente, com a perspectiva de Funes, El Memorioso sobre a transferência de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid.

A estabilidade e a glória (importalidade) que o Manchester United assegurara (e asseguraria) ao jogador português (da Madeira), muito acarinhado naquele grande clube mundial, que o viu/fez crescer como jogador de topo, valeria mais do que qualquer fortuna. Nesta fase da carreira, o dinheiro não deveria ser o primeiro valor ou desafio para Cristiano Ronaldo.

O jogador deve contar com os dois proveitos: o enaixe financeiro desta transferência e muita glória futura em campo. Oxalá não se desiluda.

Omar Rodriguez Lopez

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«[Omar Rodriguez] Lopez is the new Hendrix - he is also the new Santana and Gilmour, all rolled into one petite, agile and unbelievably energetic force of modern rock.»
ROCK-A-ROLLA #20 (MAY/JUNE 2009)

Já roda cá por casa o Cryptomnesia de EL GRUPO NUEVO DE OMAR RODIGUEZ LOPEZ. Keep rocking.

Elementos sobre o estado da Escola Pública 40: nova presidente do CNE responsabiliza outros actores e não só os docentes

Ana Maria Bettentourt defende tolerância zero para a indisciplina nas escolas e mais trabalho e reponsabilidade por parte do estudante.
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Na tomada de posse, em 20 de Maio último, a nova presidente do Conselho Nacional de Educação, Ana Maria Bettencourt, disse algumas coisas importantes no seu discurso de tomada de posse, que vão no sentido de não responsabilizar apenas ou sobretudo os professores pelos resultados do sistema de ensino:

«É necessário que haja uma melhoria visível das aprendizagens e dos resultados escolares. Isto pressupõe uma responsabilidade social alargada, que inclui, designadamente, professores, escolas, famílias, autarquias, associações locais. Encontrar vias para a mobilização de todos, em torno dos desafios educativos é uma questão decisiva.

«Para que as crianças e os jovens aprendam mais, objectivo que todos defendemos, é importante que durante o seu dia na escola trabalhem mais e assumam responsavelmente o seu ofício de alunos

Este discurso de responsabilização dos vários actores sociais, entre eles as famílias e, especialmente, os estudantes, é um discurso anti-laxismo e anti-facilitismo.

Ana Maria Bettencourt, em entrevista ao Público, quando a jornalista refere «Mas os alunos não têm só problemas de aquisição de conhecimentos, mas de comportamento...», é categórica: «Aí deve haver tolerância zero.»

«O que proponho não é facilitismo, mas mais trabalho para os professores e para os alunos.» E referiu a propósito: «Um dos aspectos que me impressionou na escola finlandesa foi os alunos trabalharem imenso

Todavia, a protagonista escorrega quando diz que, «hoje em dia, temos mais capacidade para resolver problemas, mas para isso, os professores têm que trabalhar mais. Não podem ser só as famílias, embora estas sejam importantes; é a escola que tem que ter muito mais responsabilidade.»

Como se as famílias portuguesas, no geral, assumissem grandes responsabilidades pela atitude perante o trabalho escolar e o comportamento na sala de aula dos seus educandos...

Perante a realidade evidente, deveria antes dizer «não podem ser só os professores» a assumir as responsabilidades, que é o que se passa na actualidade de forma escandalosa, em que se coloca ainda sobre os docentes toda ou quase toda responsabilidade do sucesso escolar do aluno, mesmo que este não trabalhe ou não seja disciplinado na sala de aula. E sem conceder ao professor autoridade (este governo deu cabo dela) para educar a vontade da criança ou jovem no sentido do trabalho e da disciplina na sala de aula, para não comprometer ou sabotar o processo de ensino-aprendizagem, com prejuízo de todos os estudantes.

O blogue Profavaliação leu o discurso de Ana Maria Bettentourt de outra forma: Aqui. Embora a nova presidente do CNE utilize demasiado e sobretudo a palavra «mais» para os professores (ainda por cima quando lhes damos menos condições de trabalho, carreira e salário) há ideias que fazem todo o sentido.

Desde que as ideias sejam correctas e de bom senso, não me importa que o protagonista seja socialista, social-democrata, comunista, bloquista ou popular. O segredo é não estar capturado pela ideologia partidária e antes responder aos problemas e à realidade de forma eficaz e adequada.

Recorde-se:
Professor bode expiatório

«Votozinhos»



Os «votozinhos», como disse a ministra da Educação na Assembleia da República, finalmente começaram a chegar...

E sabemos como os «votozinhos» a deixaram irritada e hostil, no noite das eleições europeias...

É a democracia...

Nota: a deputada Ana Drago também revela um feitiozinho... ao dar tantas palmadas na mesa... já que não podia fazê-lo na ministra...

Quarta-feira, Junho 10, 2009

Elementos sobre o estado da Escola Pública 39: professor bode expiatório

Os professores estão a funcionar como os bodes expiatórios que assumem ou carregam todas as falhas sociais. O estudante é deixado à mercê do laxismo e não assume a responsabilidade no seu percurso e sucesso.

O actual governo de José Sócrates, com a campanha de afrontamento e desvalorização pública que fez desta classe profissional, contribuiu muito para acentuar esse estatuto de bodes expiatórios, que assumem a responsabilidades e insuficiências de terceiros, incluindo a responsabilidade das políticas educativas feitas pelos governos. O ataque empreendido aos professores é um mau serviço à sociedade e vamos levar anos a recuperar.

Pensa-se também que basta a pedagogia para o estudante ter sucesso. Não basta. O estudante tem peso e tem responsabilidade no seu percurso. É isso que deixou de acontecer, como ilustra o cartoon acima reproduzido.

Passou-se de um extremo para o outro. Em 2009, mesmo que o estudante seja indisciplinado, não tenha motivação intrínseca e tenha uma atitude negativa perante o trabalho escolar/intelectual, a culpa é sempre do professor, esse semi-deus que pode fazer um estudante ter sucesso escolar com as posturas atrás descritas.

Como se aprender fosse possível sem disciplina pessoal, sem concentração, sem empenho. Enquanto assim acontecer, o professor assumir as responsabilidades dos outros actores envolvidos no processo de ensino-aprendizagem e na educação, não vamos a sítio nenhum.

A pressão tem de voltar a estar também em cima dos alunos e das famílias. O laxismo e o facilistismo em que caiu a sociedade portuguesa afastam-na da tão desejada produtividade, que nos faça sair da cauda da Europa, onde desgraçadamente teimamos em permanecer. Sem rigor, sem trabalho, sem disciplina e sem as consequentes qualificações e competências nunca mais saíremos do pelotão dos últimos.

O sucesso de uma pessoa, incluindo a actividade enquanto estudante, depende sobretudo de si próprio. É uma verdade básica e simples, mas que se esquece. Pelo contrário, a ideia dominante que o sucesso escolar dos estudantes depende sobretudo do docente é um lirismo, uma utopia, desvalorizando-se a importância decisiva da atitude dos formandos perante o trabalho escolar e das suas atitudes pessoais e valores, na escola e salas de aula.

Nem nos utópicos regimes comunistas se acreditava que o sucesso dos indivíduos dependia sobretudo de terceiros. Os exigentes sistemas educativos não faziam o sucesso dos estudantes depender sobretudo do professor. Este contava com disciplina e trabalho por parte dos estudantes. Sem essas duas premissas o professor pode fazer o pino com um dedo que não faz milagres.

Como tive ocasião de ler recentemente, Escartí e Gutiérrez (2006) frisam que diversas investigações (Cecchini et al., 2004; Escartí y Gutiérrez, 2001; Ferrer-Caja y Weiss, 2000; Goudas y Biddle, 1994; Kavussanu y Roberts, 1996; Mitchell, 1996), no âmbito da Educação Física e desporto, revelaram que o tipo de motivação que leva os sujeitos a realizar mais esforço, apresentar maior perseverança e obter um maior grau de satisfação é a motivação intrínseca.

Não significa que o professor não tenha influência, não potencie determinadas qualidades nos estudantes, não possa cativar alguns alunos, mas não consegue fazer sucesso da inércia e da ausência de trabalho ou da indisciplina recorrente e insistente. Quando não existe o mínimo de predisposição face ao trabalho intelectual e ao civismo por parte do estudante é difícil o professor fazer milagres. Estes às vezes acontecem, mas é impossível generalizar milagres para todo o sistema educativo...

CDS-PP promete restaurar a autoridade dos professores

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Com uma moção de censura ao Governo da República, o CDS-PP quer mostrar ao país o que faria de melhor e diferente. Entre as diferenças, defende que se deve «restaurar a autoridade dos professores» nas escolas, cada vez mais dominadas pela indisciplina e a atitude negativa perante o trabalho escolar.

A moção de censura refere ser «irresponsável o ataque generalizado à função do professor e uma política educativa exclusivamente interessada em estatísticas virtuais, sacrificando o mérito, o rigor e a excelência a critérios de laxismo, facilitismo e mediocridade».

Para um país em que a produtividade é o seu desafio basilar, não percebemos como isso poderá ser almejado com tanta falta de trabalho, rigor e disciplina nas salas de aula por este país fora. Laxismo e complacência com as quais tem pactuado uma certa esquerda e uma certa direita. Neste aspecto, o CDS-PP tem-se distanciado dessa certa direita.

Eu discordo substancialmente do ideário do CDS-PP para a educação, mas têm razão (bom senso) quanto ao desastre provocado pelo laxismo, facilitismo e desautorização dos professores. A mão dura de José Sócrates é apenas para os professores (carreira), porque para pais e alunos apenas acentuou a desresponsabilização.

Além dos governos, a apelidada maioria sociológica de esquerda no nosso país tem gerado uma cultura de irresponsabilidade, nomeadamente na educação das crianças e jovens, após a revolução de 1974, em que o aumento de direitos não teve o necessário e correspondente aumento de responsabilidade individual.

Não é preciso nem enveredar pela permissividade actual nem pela tirania do antigamente na educação das crianças e jovens. Mas, a autoridade, quer dos pais quer dos professores, tem de se fazer sentir para maior responsabilização dos jovens.

Ainda:
35: De utopia em utopia até ao laxismo total III
31: Responsabilizar os estudantes pelo seu desempenho
30: Onde falhamos nós no público
29: Regras e responsabilização das crianças
28: Inflacção de notas
27: Responsabilização
26: Inconformismos
25: Enfrentar a realidade antes que ela nos engula
24: Laxismo e facilitismo significam exclusão social
23: Leste arrasa postura desculpabilizante
22: valores do Trabalho e da Responsabilidade moribundos na escola
21: Intervir contra a indisciplina III
20: Intervir contra a indisciplina II
19: Intervir contra a indisciplina I
15: Violência (des)camuflada IV
13: violência camuflada III
12: violência camuflada II
11: Racionalidade e realismo precisam-se
10: educação infantil em Portugal (Eduardo Lourenço)
9: nem ditadura por disciplina nem a ditadura da indisciplina
7: violência camuflada I
1: condições de trabalho

Outros:
Complexos de esquerda = facilistismo
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação
Escola ideal é diferente da escola real
Brincamos mesmo
País de brincalhões
Fomentos da indisciplina [quando o exemplo nem vem de cima]