«Alguém tem de se manter calmo neste manicómio» G. K. Chesterton

Sexta-feira, Julho 31, 2009

TC dá razão a Cavaco Silva sobre Estatuto dos Açores

O Estatuto dos Açores, uma lei ordinária, mexia com os poderes constitucionais do PR, com a Assembleia da República a ficar impedida de poder alterar no futuro por sua iniciativa. Não podia ser.
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Como defendi no post Estou com Cavaco Silva, o Tribunal Constitucional vem confirmar a razão do Presidente da Repúbica sobre algumas normas do Estatuto dos Açores.

Na altura, vários especialistas confirmaram que duas normas limitariam os poderes constitucionais do Presidente da República:

«No acórdão os juízes deram razão a Cavaco Silva nas objecções quanto à audição dos órgãos de governo regional em caso de dissolução da Assembleia Legislativa Regional e marcação de datas de eleições e referendo regionais. Outra das dúvidas do Presidente era quanto à impossibilidade de a revisão do estatuto ser feita pela Assembleia da República e apenas por proposta do Parlamento Regional.» (Público 30.7.2009)

Como já disse, não é por ser autonomista que deixaria de reconhecer razão a Cavaco Silva sobre esta questão do Estatuto dos Açores, utilizado como expediente para desafiar o líder máximo do país e a Constituição da República. Neste tema, estarei mais à direita do que o PSD-M, tendente a ler anti-autonomismo na posição de Belém, conhecidos os anticorpos relativamente a Cavaco Silva.

Quarta-feira, Julho 29, 2009

Alternativas ao zeppelin

E se o PND, em vez do dirigível não pilotado, tivesse tentado sobrevoar o Chão da Lagoa como Yves Rossy ou numa asa-delta regular com motor ? Levava com uns tiros na mesma? Já estivemos mais longe do Far West...
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NOTA:
O piloto suíço Yves «FusionMan» Rossy foi o primeiro homem a voar com uma asa-delta a jacto, lançando-se em Maio de 2008 de um avião na região de Bex, no oeste da Suíça (veja aqui os videoclips). Rossy, que é actualmente capitão de um Airbus A-319-20-21 para companhia aérea «Swiss», desenhou e construiu a asa-delta com 2,5 metros de comprimento, à qual anexou quatro motores a jacto capazes de o impulsionar horizontalmente a uma velocidade entre 120 a 300 quilómetros por hora. A asa, que é feita de carbono, pesa 55 kg com querosene suficiente para dez minutos. Com a asa-delta amarrada às costas, Rossy lança-se de um avião e aterra com o auxílio de um pára-quedas. (iol)

Terça-feira, Julho 28, 2009

Mais vale 1 zeppelin abatido a tiro do que 2 a voar

«Para o irrelevante PND um zeppelin furado no chão rende muito mais do que dois a voar. Ter-se-á Alberto João Jardim passado? Obviamente que ele pode não ter nada a ver com a história do zeppelin. Mas até nessa hipótese isso significa que está a perder o controle dos acontecimentos, o que não costumava suceder.» (funes, el memorioso)

Chegar ao ponto de se andar aos tiros é de facto notável, isto é, preocupante, porque quem dá tiros num zeppelin pode dar tiros em alguém, se as circunstâncias a isso "obrigarem"...

Domingo, Julho 26, 2009

Zeppelin abatido a tiro foi única novidade em mais um Chão da Lagoa

Imagem do que poderia ter sido.

A «única novidade [do discurso do líder do PSD Madeira] foi ser mais curto do que é habitual», refere o Público. Já tinha sido assim no ano passado. Parece que o Chão da Lagoa está a perder fulgor e, consequentemente, pertinência.

A dar conta da realidade das relações entre Manuel Ferreira Leite e os social-democratas madeirenses, foi o facto de a «presidente social-democrata, cujo nome quando referido pelo seu representante na festa, mereceu alguns apupos, mais tarde reparados com aplausos pedidos por Jardim.»

Novidade mesmo foi o zeppelin, com sete metros e três motores, preparado pelo PND para sobrevoar o Chão da Lagoa, acabando por ser abatido a tiro, quando estava a ser preparada a sua partida a mil metros de distância da festa do PSD. Com as inscrições “PND voa mais alto” e “olho à ladroagem” nas duas faces, o dirigível rígido foi perfurado por quatro balas de carabina antes de atravessar o planalto (ler mais no Público ou no JN).

Nestas, como noutras coisas, o segredo é a alma do negócio....

Sexta-feira, Julho 24, 2009

Desemprego sobe há nove meses consecutivos

«A Madeira foi a região do país onde se registou o mais acentuado aumento de desemprego no mês de Junho. Há um ano tínhamos 8.244 sem trabalho e hoje temos 12.483. São os piores números em 40 anos.» (Diário)

Perante preocupações mais mundanas, não admira que os madeirenses não estejam interessados, segundo sondagem recente do Diário, nas questões da revisão constitucional levantadas pelo PSD Madeira.

Quinta-feira, Julho 23, 2009

Ainda a hostilidade a Monteiro Diniz

Não foi ainda revelada a identidade do autor das palavras na causa do incidente pessoal e institucional com o Representante da República para a Madeira. Será que a culpa vai morrer solteira?
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Ainda a respeito das desconsiderações a Monteiro Diniz no texto da proposta de revisão constitucional do PSD Madeira, o líder do partido, apesar de ter vindo, algum tempo depois, dizer que o referido «texto em relação ao Representante da República era um pouco injusto», não é credível que não conhecesse, antecipadamente, o conteúdo do documento. Se não conhecia, tinha obrigação de conhecer, ainda por cima quando se tem a fama de que se controla tudo.

Mais do que isso, num partido que se estime, o autor dessas palavras injustas e hostis para com o Representante da República, que não traduzem o pensamento do presidente do partido, teria de conhecer consequências, assumir responsabilidades e ser exemplarmente punido. Porque, ao ser mais papista do que o Papa, provocou um grave incidente pessoal e institucional.

Quarta-feira, Julho 22, 2009

Comunismo, fascismo e social-democracia musculada

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A proposta de revisão constitucional do PSD Madeira sugere «o esclarecimento de que a democracia não deve tolerar comportamentos e ideologias autoritárias e totalitárias, não apenas de Direita - como é o caso do Fascismo, esta expressamente prevista no texto constitucional - como igualmente de Esquerda - como vem a ser o caso do Comunismo, não previsto no texto constitucional.»

Com a sua razão. Já agora, sem querer equiparar ao fascismo ou comunismo, poderiam ser incluídos os comportamentos de uma certa social-democracia musculada.

A propósito:
Uns mais iguais do que os outros, mas iguais

Terça-feira, Julho 21, 2009

«O problema é de civismo, de cidadania, de cultura»

Há quem não perca uma oportunidade para hostilizar Monteiro Diniz de forma gratuita. A elevação e a cordialidade (pessoal ou institucional) não está no sangue madeirense e não faz parte da sua «realidade comportamental». Tendemos mais para a belicosidade, a contundência verbal, a hostilidade perversa e a pessoalização das questões.
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Alberto João Jardim, e muito bem, veio ontem sanar as hostilidades e garotices dos escribas do projecto de revisão constitucional do PSD/M relativamente ao Representante da República:

“Eu penso que o texto em relação ao Representante da República era um pouco injusto na medida em que por um lado não se fazia a distinção entre o que tinham sido os Ministros da República e as suas competências e o actual Representante da República com a cooperação que nos tem dado.

Isto a propósito de, naturalmente, o Representante da República para a Madeira se sentir "profundamente magoado" com as justificações no texto do projecto de revisão constitucional do PSD/M para justificar a extinção do cargo que ocupa, considerando-as "injustas, desadequadas e erróneas", noticiou a Lusa (16.07.2009).

Monteiro Diniz considera "desadequados, gravosos, ofensivos" os argumentos utilizados, como a ideia de o Representante da República ser um «vigilante especial da ortodoxia constitucional do Estado», gerador de «conflitos, políticos e jurídicos».

"Considero estas afirmações aqui contidas manifestamente injustas, inverdadeiras e tradutores de uma realidade comportamental que me magoa profundamente", declarou o juiz conselheiro. Monteiro Diniz salientou que tem sustentado muitas vezes ser "praticamente inevitável e aconselhável" que o cargo seja extinto.

"Mas uma coisa é defender esta medida outra é utilizar argumentos desadequados, gravosos, ofensivos, que traduzem ingratidão e desconsideração manifesta pelo titular do cargo que tem estado aqui ao longo dos anos numa perspectiva oposta a esta", disse à Lusa. Uma questão de educação, que a belicosidade da alma madeirense abafa.

Monteiro Diniz garante ter pautado sempre a sua actuação "no plano da cooperação, da harmonização, recebendo permanentemente os membros do Governo, em ordem a auxiliá-los na concretização das políticas administrativas e legislativas".

Recorde-se a explicação de determinado comportamento insular e endémico, que não perdoaram a Monteiro Diniz:

Lição de Monteiro Diniz (intro)
Lição de Monteiro Diniz (parte 1)
Lição de Monteiro Diniz (parte 2)
Lição de Monteiro Diniz (parte 3):

«É uma cultura cívica. O problema é de civismo, de cidadania, de cultura, de qualidade da cidadania.» «Comportamento de harmonia com as altas funções que exercem».

Outras lições:
A lição de Monteiro Diniz
Regiões usam pouco a autonomia
Anormalidade comportamental e democrática continuará
Anormalidade comportamental e democrática continua(rá) 2

Ditadores bons e ditadores maus

«Alberto João Jardim é um provocador, mas tem razão: o texto constitucional português, se quer condenar ditaduras, deverá, no futuro, não discriminar nenhuma.»
João Marcelino, jornalista, Diário de Notícias (18.07.2009)

Dependendo dos interesses e do posicionamento ideológico, sempre houve ditadores bons e ditadores maus... Uns ditadores que interessa condenar e derrubar, outros que não... Não é um exclusivo do nosso texto constitucional ou de qualquer regime.

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Domingo, Julho 19, 2009

Vários factores explicam o previsto esmagamento do PS Madeira

O 5-1 previsto pela sondagem Diário/TSF Madeira tem uma vantagem para o PS Madeira: as expectativas são colocadas tão baixas que, qualquer resultado melhor, o possível mas longe de certo 4-2, será uma vitória.
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Estudo de opinião encomendado pelo DIÁRIO e pela TSF-Madeira à Eurosondagem, realizado na semana passada, prevê a eleição de 5 deputados pelo PSD Madeira e apenas 1 pelo PS Madeira, nas Eleições Legislativas de 27 de Setembro deste ano. «O PS, em queda, ficaria com 22.467 votos e elegeria apenas um parlamentar.»

Como recorda o Diário, «nas legislativas nacionais disputadas a 20 de Fevereiro de 2005, PSD e PS empataram em número de mandatos: três para cada lado, fruto dos 45,24% conseguidos pelo PSD e pelos 34,98% alcançados pelo PS.»

A impopularidade de muitas medidas do actual Governo da República do partido socialista, a atitude de afrontamento de várias classes profissionais, o facto de sermos um arquipélago de funcionários públicos, a questão da Lei de Finanças das Regiões Autónomas e as guerras intestinas permanentes no PS Madeira (o MPT daí resultou e retira mais uns votos) fazem o 5 a 1 provável. É melhor o PS acreditar para depois aceitar melhor.

Bom ou mau para a democracia, o povo é soberano e ponto final.

Benfica beach party II

Os adeptos do Benfica do Jardim do Mar, numa prova gastronómica de manifestação do orgulho benfiquista, realizaram hoje mais uma festa de confraternização, na Vigia, com um magnífico cenário de fundo e um mergulho no mar.
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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa July 19, 2009

No início foi o Walkman

O primeiro walkman comercializado foi o da Sony, há 30 anos. Esta data comemorativa é um bom pretexto para recordar o meu percurso enquanto melómano e "audiófilo" (logo se perceberá o porquê das aspas no segundo conceito): do walkman à aparelhagem a sério.

«O primeiro modelo do mais popular leitor portátil de cassetes chegou às lojas há 30 anos. O aparelho era azul e cinzento – e substancialmente maior do que qualquer moderno leitor de áudio», deu conta o Público.

O meu primeiro (e único) walkman, responsável por me lançar nas primeiras experiências significativas com o audio e a música, foi comprado em 1986, meia-dúzia de anos após a sua chegada ao mercado, graças aos primeiros salários. Não era um Sony. A marca Aiwa vem à cabeça, mas não sei. O mais certo era ser uma marca asiática qualquer mais barata. Não posso jurar, nem confirmar porque não sei o que foi feito dele.

Viajou comigo para a Inglaterra nesse ano. Acompanhou novas experiências musicais, incluindo Bob Marley, U2 e Pink Floyd. A seguir, em 1987, evolui para um stereo (rádio e leitor de cassetes) da Panasonic (modelo RX-FW20L) e, no ano seguinte, comprei um pequeno giradiscos Marantz, que ouvia ligado ao stereo japonês.

Depois, talvez já em 1989, veio o amplificador PM25 da Marantz e umas colunas de som Jamo. No final desse ano, um leitor de CDs CDP 228ESD da Sony, uma bomba na época. A primeira aparelhagem estava formada para os próximos dez anos. Veio o rock pesado depois de dois anos a orbitar à volta de Pink Floyd. Talvez em 1990, adquiri um leitor/gravador de cassetes, o Aiwa AD F880, que hoje já não funciona.

Em 1998, com o retomar da vida de assalariado, após a universidade, dei o salto, sem consciência na altura, para a audiofilia, com o amplificador a válvulas Audio Note Oto e as colunas de som Sonus Faber Concerto, que são de suporte. Na altura, as Jamo tinham ido à vida e tinha umas pequenas Mission 760i, também colunas de suporte. Eram melhores no grave.

Apesar das minhas preferências musicais dentro do rock e heavy metal, não tive a clarividência de perceber, nas demonstrações, que o som de qualidade audiófila não servia. Não valorizei determinados sinais e percepções, como a presença no "treble". Pensava então que mais e melhor som era igual a mais musicalidade e fruição melómana, como vende a indústria e a audiofilia. Estava bem enganado.

Além disso, o vendedor sublinhou a capacidade do grave da coluna, apesar de ser de suporte, e a sua adaptabilidade ao espaço a que se destinava. Desaconselhou colunas de chão. Além do mais, as Sonus Faber Concerto eram e são muito bonitas. Foram vários factores que determinaram a escolha.

Percebo, agora, que o aconselhamento audiófilo da loja Viasónica, em Lisboa, na escolha de colunas e amplificador, há onze anos, partiu de premissas erradas. Lá me venderam os dois componentes e depois fui percebendo que o som era, tecnicamente, demasiado "bom" para rock. Transparência, refinamento, detalhe, presença e recorte que me fizeram ouvir e apreciar outros géneros musicais (world music ou jazz), mas essa superioridade técnica do som condicionava a musicalidade (som quente e cheio, com o grave encorpado e o "treble" velado e recuado) necessária ao rock.

Pelo caminho, depois de ter feito a necessária aprendizagem e ganhado clarividência na matéria, abandonei logo o Audio Note Oto em favor do amplificador MA240 e o pré-amplificador da Myryad. Ganhei mais controlo sobre a coluna devido à maior quantidade de corrente. Para ganhar algum grave ainda comprei um subwoofer da REL (Strata III). As Sonus Faber Concerto eram colunas de suporte.

O pré-amplificador da Myryad continuava a ser ainda demasiado audiófilo para os meus ouvidos sensíveis ao "treble". Em 2002, o som mais quente e velado do Rega Cursa tornou-se o companheiro ideal para o "power" da Myryad. O leitor de CDs da Sony, com treze anos de uso, já com a gaveta a funcionar mal, passou à história com a chegada do excelente Rega Planet. A qualidade dos leitores de CDs tinha evoluído muito.

Antes da escolha acertada pelo Rega Planet, que continua a ser muito apreciado e válido, ainda cheguei a experimentar o MCD 200 da Myryad, mas não era o que procurava. Da Myryad ficou mesmo o power amplifier MA240, um coração de leão, com ataque e dinâmica, que custou 350 contos. Na altura, a escolha da amplificação fez-se entre a Myryad e a Musical Fidelity.

Gostava (e gosto) das Sonus Faber Concerto pela suavidade do som, mas acabei, onze anos depois, sem planear muito, num ímpeto, por abandoná-las em favor de umas colunas de som Monitor Audio Silver RS6, mais modestas (apenas tecnicamente, isto é, do ponto de vista audiófilo) mas superiores em termos musicais, tal como o Myryad MA240 relativamente ao Audio Note Oto: som quente e cheio, com o grave encorpado e o "treble" velado e recuado. Permitem horas infinitas a ouvir música sem cansar. As Monitor Audio foram uma surpresa para mim. Do ponto de vista musical. Não falo em termos audiófilos.

O facto das inglesas Monitor Audio Silver RS6 serem colunas de chão deram outro corpo e profundidade ao grave, essencial para o rock e para um basshead como eu. Apesar dos generosos graves, não me consegui separar do subwoofer da REL, um fiel e aconchegante companheiro, para dar aquele calor telúrico dos 20Hz para baixo.

Outro fiel companheiro, desde há onze anos, tem sido o cabo de coluna Wave Guide 8" da americana Straight Wire. É o único componente, para além dos interconectores, que é americano. O restante é inglês. A cultura musical destes países reflecte-se na qualidade do audio. Uma coisa está ligada à outra.

O cabo de coluna Wave Guide 8" da Straight Wire foi-me sugerido na compra das Sonus Faber Concerto e do Audio Note Oto, como ponto de partida, pelos audiófilos da loja Viasónica, em 1998. Por acaso, foi a melhor sugestão do vendedor, que continuo a agradecer, porque é o nível certo para eu estar, com qualidade, mas sem colocar o pé na audiofilia. O resto da aparelhagem anda agora nesse nível e a musicalidade está assegurada.

Por isso, nos últimos tempos, tenho estado a fazer downgrading em vez de upgrading. Ou dito de outra forma, downgrading audiófilo e upgrading musical.

Tenho experimentado cabos de coluna das famosas marcas americanas Nordost e Kimber, mas quanto mais subo na qualidade (e preço) pior soa do ponto de vista musical, apesar de soar melhor do ponto de vista audiófilo/técnico: transparência, detalhe, precisão, dinâmica, neutralidade, recorte, entre outros atributos. Vou experimentar em breve o mais barato da Kimber, ao nível do Straight Wire que tenho, bem como o Duet (evolução do Wave Guide 8") da mesma Straight Wire, modelo que já não é produzido.

Mais musicalidade é igual a mais tempo a ouvir música, bem como mais compra de discos (música) e menos investimento no hardware (aparelhagem). A aparelhagem existe para servir a fruição de música pelo melómano. Nunca se deve inverter essa prioridade. Quando a música se torna num pretexto para o audiófilo ouvir a aparelhagem, lixou-se a música, a musicalidade, o melómano. Entra-se numa caminhada em busca de algo que não existe.

Mais transparência e detalhe pode significar mais realismo acústico, mas recorte e precisão audiófilas podem significar um som mais maquinal, neutral, árido e asséptico, isto é, com menor realismo. O demasiado recorte e exactidão, por exemplo, não soa natural/realista porque tudo soa demasiado maquinal e perfeito. Compreendo o desafio e fascínio técnicos, mas assegurar a musicalidade é o valor essencial. A imperfeição faz parte da condição humana. A perfeição soa sempre pouco natural ou realista.

Acredito no high end musical, não audiófilo.

Recorde-se:
Espelho meu, haverá colunas mais rock do que eu?
Teste das Avalon NP2
Coração quente
Audio e o Santo Graal / Audio and The Holy Grail
Melomania e audiofilia, uma relação de equilíbrio
Baixa-fidelidade
Melomania e audiofilia: a prova dos Nu Force Reference 9

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Professores de luto e em luta 171: Relatório da OCDE e avaliação do desempenho

Uma primeira leitura do relatório da OCDE sobre a avaliação do desempenho docente revela desde logo aspectos muito interessantes, que aqui destaco como incentivo para a leitura de todo o documento.

«Maria de Lurdes Rodrigues recusa suspender a avaliação, mas adia pela terceira vez a aplicação do modelo original», podemos ler no Expresso, no seguimento do relatório da OCDE sobre o polémico modelo de avaliação do desempenho dos professores portugueses. Alterações apenas com o próximo governo.

Apesar de reconhecer alguns méritos do actual modelo de avaliação e a sua necessidade (e a OCDE alinhar no corte de salários por via da avaliação, numa profissão em que os docentes têm a mesma função de ensinar, seja no início ou topo da carreira), o relatório da OCDE confirma as complexidades na sua implementação.

Por isso, se a sua implementação tivesse sido menos atabalhoada e previamente testada, sem a correria para cortar o salário aos professores, muito teria sido corrigido e, mais importante do que isso, ter-se-ia evitado tanta instabilidade e tensão nas escolas. Não se esqueça ainda que a implementação da avaliação foi precedida e acompanhada de um afrontamento e desvalorização pública dos docentes.

Neste sentido, esperemos que o Governo leia bem isto no relatório: «Teacher engagement and motivation is needed for successful school reform. Meaningful teacher evaluation and the resulting feedback, reflection and professional development will only happen if teachers are motivated to make it work.» Por aqui se percebe os danos causados pela atitude do actual Ministério da Educação. E fica a recomendação: «it is essential to find ways for teachers to identify with the goals and values of teacher evaluation arrangements and practices.»

Para já, os resultados escolares dos alunos e a avaliação feita pelos pais continuarão a não contar para a avaliação dos docentes e é praticamente certo que, na futura revisão do modelo, sejam mesmo eliminados como critério, já que foi essa uma das recomendações feitas pela OCDE. Afinal, os professores tinham as suas razões.

«Student results, drop-out and absentee rates for individual teacher evaluation» are «more relevant for whole-school evaluation». É óbvio, mas o Ministério da Educação/Governo queria tanto cortar na carreira que fizeram dos professores o bode-expiatório (responsabilizar individualmente cada docente) por todos os males da Educação. Se o aluno não trabalha, não estuda, não é reponsável nem disciplinado, o docente teria de fazer aparecer bons resultados por milagre... Quanto aos inquéritos aos pais, só o Governo não quis ver: «Parents’ surveys are more relevant for whole-school evaluation.»

Recomendam ainda a formação e integração de avaliadores externos no processo, a simplificação dos critérios e instrumentos de registo e definição de indicadores a nível nacional para serem utilizados em cada escola, a fim de se evitar injustiças.

Para a OCDE, o modelo concebido pelo Ministério da Educação peca por falhar na articulação entre dois objectivos distintos da avaliação: a melhoria profissional dos professores e a progressão na carreira. Sendo que os peritos da organização defendem processos diferentes para se conseguir esses dois propósitos. A nosso ver é algo essencial. E deveria-se privilegiar a avaliação para a melhoria profissional e não avaliação para o corte na carreira, porque aos alunos interessa melhores professores e não se progridem ou não na carreira. O modelo do ME não atendia a este aspecto porque o essencial era a avaliação para penalizar na carreira (operação de corte salarial). Relegou-se para segundo plano a melhoria efectiva da prática pedagógica.

Assim, a avaliação com vista ao desenvolvimento profissional dos professores deve ser feita no interior das escolas, que nem precisa de ser todos os anos, e resultando numa apreciação estritamente qualitativa e na elaboração de um plano de melhoria individual. E alertam para a problema da burocracia: «it would not need to be a heavy bureaucratic process.» Os recursos humanos da escola não podem ser substancialmente consumidos pela avaliação dos docentes. A missão da escola é ensinar e avaliar os estudantes.

«It is desirable to evaluate what is important in teaching and learning, not every bureaucratic obligation of a teacher. This objective should be reflected in the choice of both the evaluation criteria and instruments.» Aqui também errou muito o Ministério da Educação na avalanche burocrática que despoletaram nas escolas. Como diz o provérbio: «keep it simple stupid». Mas eles quiseram assim mesmo porque o objectivo do ME era obstaculizar a progessão na carreira e cortar nos salários. Quanto mais burocracia melhor para "quebrar a espinha" aos docentes...

Já a avaliação para a progressão na carreira deve basear-se num modelo mais "aligeirado do que o actual, com uma validação de elementos externos e critérios nacionais, para que haja justiça no conjunto de todas as escolas", afirmou Paulo Santiago, coordenador da equipa, acrescentando que não precisa de ser feita de dois em dois anos, como prevê a lei. Pode acontecer quando o docente perfaz o tempo no escalão e precisa de ser avaliado para aceder ao próximo. Poupam-se recursos e a avaliação é feita na mesma.

"Uma avaliação a nível de escola com consequências a nível nacional [a progressão na carreira] pode gerar uma percepção de desigualdade. Por isso tem de haver um avaliador externo e padrões e critérios de referências iguais para todos os estabelecimentos de ensino", afirma o especialista. Os professores avaliadores (externos), ao contrário do que prevê o actual modelo, devem ser compensados com redução de horário ou pagamento extra: «be compensated for carrying out their role (with teaching duties reduced or extra pay).» Pensava o Ministério da Educação que poderia avaliar 140 mil docente sem gastar?

É proposto que haja articulação entre a avaliação da escola e a do professor, o que terás as suas perversidades, pelo incentivo à deslocação dos (melhores) professores para as "melhores" escolas (melhores resultados). É mesmo proposto que o volume das quotas para as notas mais elevadas dependam dos resultados da escola, mais um incentivo à fuga dos docentes de umas escolas e procura de outras, sobretudo em meios social e culturalmente mais favoráveis (com população estudantil com melhor cultura escolar).

Elementos sobre o estado da Escola Pública 47: «A balbúrdia na escola»

António Barreto considera que a principal inspiração do actual Estatuto do Aluno é a desconfiança dos professores. O documento oscila «entre a burocracia, a teoria integradora das ciências de educação, a ideia de que existe uma democracia na sala de aula e a convicção de que a disciplina é um mal

António Barreto, no Público (30 de Março de 2008), sob o título «A balbúrdia na escola», mostra que sabe do que fala. Como professor, subscrevo aquilo que já pensava sobre o Estatuto do Aluno aprovado pelo actual governo, que foi mais um passo no sentido do laxismo e facilitismo estudantil e da impossibilidade de haver autoridade, disciplina (consequência) e responsabilização nas escolas. Sem essas condições, não há trabalho, não há aprendizagens sugnificativas, não há melhores resultados.

Passemos ao texto:

«Os direitos dos alunos, consagrados no respectivo estatuto, são os mais abrangentes e absurdos que se possa imaginar.

As cenas de pancadaria na escola têm comovido a opinião. A última ocorreu numa escola do Porto e foi devidamente filmada por um colega. Em poucas horas, o clip correu mundo através do YouTube. A partir daí, choveram as análises e os comentários. Toda a gente procura responsáveis, culpados e causas. Os arguidos são tantos quanto se possa imaginar: os jovens, os professores, os pais, o ministério e os políticos. E a sociedade em geral, evidentemente.

As causas são também as mais diversas: a democracia, os costumes contemporâneos, a cultura jovem, o dinheiro, a televisão, a publicidade, a Internet, a permissividade, a falta de valores, os "bairros", o rap, os imigrantes, a droga e o sexo. Para a oposição, a culpa é do Governo. Para o Governo, a culpa é do Governo anterior. O trivial

Deve haver um pouco disso tudo, o que torna as coisas mais complicadas - sobretudo quando se pretende tomar medidas ou conter a vaga crescente de violência e balbúrdia. Se as causas são múltiplas, por onde começar? Mais repressão? Mais diálogo? Mais disciplina? Mais co-gestão? Há aqui matéria para a criação de várias comissões, a elaboração de um livro branco, a aprovação de novas leis e a realização de inúmeros estudos. Até às eleições, haverá debates parlamentares sobre o tema. Não tenho a certeza, nem sequer a esperança, que o problema se resolva a breve prazo.

De qualquer maneira, a ocasião era calhada para voltar a ver a obra-prima do esforço legislativo nacional, o famoso "estatuto do aluno". A sua última versão entrou em vigor em finais de Janeiro, sendo uma correcção de outro diploma, da mesma natureza, de 2002. Trata-se de uma espécie de carta constitucional de direitos e deveres, a que não falta um regulamento disciplinar. Não se pode dizer que fecha a abóbada do edifício legal educativo, porque simplesmente tal edifício não existe. É mais um produto da enxurrada permanente de leis, normas e regras que se abate sobre as escolas e a sociedade.

É um dos mais monstruosos documentos jamais produzidos pela administração pública portuguesa. Mal escrito, por vezes incompreensível, repete-se na afirmação de virtudes. Faz afirmações absolutamente disparatadas, como, por exemplo, quando considera que "a assiduidade (...) implica uma atitude de empenho intelectual e comportamental adequada..."! Cria deveres inéditos aos alunos, tais como o de se "empenhar na sua formação integral"; o de "guardar lealdade para com todos os membros da comunidade educativa"; ou o de "contribuir para a harmonia da convivência escolar". E também os obriga a conhecer e cumprir este "estatuto do aluno", naquele que deve ser o pior castigo de todos!

Quanto aos direitos dos alunos, são os mais abrangentes e absurdos que se possa imaginar, incluindo os de participar na elaboração de regulamentos e na gestão e administração da escola, assim como de serem informados sobre os critérios da avaliação, os objectivos dos programas, dos cursos e das disciplinas, o modo de organização do plano de estudos, a matrícula, o abono de família e tudo o que seja possível inventar, incluindo as normas de segurança dos equipamentos e os planos de emergência!

Trata-se de um estatuto burocrático, processual e confuso. O regime de faltas, que decreta, é infernal. Ninguém, normalmente constituído, o pode perceber ou aplicar. Os alunos que ultrapassem o número de faltas permitido podem recuperar tudo com uma prova. As faltas justificadas podem passar a injustificadas e vice-versa. As decisões sobre as faltas dos alunos e o seu comportamento sobem e descem do professor ao director de turma, deste ao conselho de turma, destes à direcção da escola e eventualmente ao conselho pedagógico.

As decisões disciplinares são longas, morosas e processualmente complicadas, podendo sempre ser alteradas pelos sistemas de recurso ou de vaivém entre instâncias escolares. Concebem-se duas espécies de medidas disciplinares, as "correctivas" e as "sancionatórias". Por vezes, as diferenças são imperceptíveis. Mas a sua aplicação, em respeito pelas normas processuais, torna inútil qualquer esforço.

As medidas disciplinares são quase todas precedidas ou acompanhadas de processos complicados, verdadeiros dissuasores de todo o esforço disciplinar. As medidas disciplinares dependem de várias instâncias, do professor aos órgãos da turma, destes aos vários órgãos da escola e desta às direcções regionais. Os procedimentos disciplinares são relativos ao que tradicionalmente se designa por mau comportamento, perturbação de aula, agressão, roubo ou destruição de material, isto é, o dia-a-dia na escola. Mas a sua sanção é de tal modo complexa que deixará simplesmente de haver disciplina ou sanção.

O estatuto cria um regime disciplinar em tudo semelhante ao que vigora, por exemplo, para a administração pública ou para as relações entre administração e cidadãos. Pior ainda, é criado um regime disciplinar e sancionatório decalcado sobre os sistemas e os processos judiciais. Os autores deste estatuto revelam uma total e absoluta ignorância do que se passa nas escolas, do que são as escolas. Oscilando entre a burocracia, a teoria integradora das ciências de educação, a ideia de que existe uma democracia na sala de aula e a convicção de que a disciplina é um mal, os legisladores do ministério (deste ministério e dos anteriores) produziram uma monstruosidade: senil na concepção burocrática, administrativa e judicial; adolescente na ideologia; infantil na ambição.

O estatuto não é a causa dos males educativos, até porque nem sequer está em vigor na maior parte das escolas. Também não é por causa do estatuto que há, ou não há, pancadaria nas escolas. O estatuto é a consequência de uma longa caminhada e será, de futuro, o responsável imediato pela impossibilidade de administrar a disciplina nas escolas. O estatuto não retira a autoridade na escola (aos professores, aos directores, aos conselhos escolares). Não! Apenas confirma o facto de já não a terem e de assim perderem as veleidades de voltar a ter.

O processo educativo, essencialmente humano e pessoal, é transformado num processo "científico", "técnico", desumanizado, burocrático e administrativo que dissolve a autoridade e esbate as responsabilidades. Se for lido com atenção, este estatuto revela que a sua principal inspiração é a desconfiança dos professores. Quem fez este estatuto tinha uma única ideia na cabeça: é preciso defender os alunos dos professores que os podem agredir e oprimir. Mesmo que nada resolva, a sua revogação é um gesto de saúde mental pública.»

Recorde-se:
Afinal, ministra da Educação desresponsabiliza estudantes

Reuniões, a melhor alternativa ao trabalho

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As escolas vivem hoje muito de reuniões, por tudo e por nada, fazendo com que o tempo do trabalho pedagógico seja preterido a favor de encontros em que pouco ou nada de substantivo se produz.

Os actuais governos, regional ou nacional, de direita ou de esquerda, falharam redondamente nesta política de amarrar os professores a reuniões e mais reuniões na escola, com prejuízo evidente do trabalho pedagógico.

Um amigo americano, a trabalhar na Madeira, no ensino privado, referia que aqui se fazem reuniões improdutivas, isto é, para não fazer nada. Convocam-se tantos recursos humanos para não se produzir, algo que é impensável para a cultura de um americano. Serão velhos sistemas de gestão e de controlo que não evoluem. Se o professor não está na escola significa que não está a produzir e que foi para a praia. Por isso, é preciso que esteja preso a reuniões, mesmo que isso signifique baixar (impedir) a sua produtividade.

Domingo, Julho 12, 2009

Stuck Mojo

Não são pioneiros na exploração deste tipo de sonoridade, mas sempre gostei da fusão musculada de rap e metal de Stuck Mojo desde o álbum inaugural, Snappin' Necks (1995). Nunca explodiram em termos de público nem ganharam especial notoriedade.

Existe alguma actividade recente da banda, mas não parece que tenham conseguido igualar os dois primeiros álbuns, Snappin' Necks e Pigwalk (1996), sem esquecer o EP Violated, os três na imagem, nas versões promocionais e nas versões finais já em edição remasterizada (Pigwalk inclui os temas de Violated).

Rabaçal em risco XXXII (Rabaçal at risk in Madeira Island): debate na RTP-M

No Telejornal da RTP Madeira (30.6.2009), debateu-se o polémico projecto do chamado teleférico do Rabaçal. Pode seguir o link disponibilizado para ver/ouvir esse telejornal (primeiros 20 minutos) ou ler neste post o que de essencial se disse relativamente a um assunto já abordado em UNESCO pede mais informação. Vídeos disponíveis também no Madeira Stop.

O Comité do Património Mundial da UNESCO solicitou a Portugal a nomeação de uma comissão independente para estudar o impacto da construção do teleférico no Rabaçal, diz Raimundo Quintal. Era isso que a Quercus e a Associação dos Amigos do Parque Ecológico pretendiam, porque o estudo de impacte ambiental não foi um estudo suficientemente aprofundado para justificar o referido investimento.

Esta decisão decorre de uma petição enviada ao director geral da UNESCO, 21 de Novembro de 2008, com mais de cinco mil assinaturas, petição essa ridicularizada por alguns responsáveis com alguma irresponsabilidade, como recorda Raimundo Quintal. Essa petição inclui nomes de cientistas de várias partes do mundo.

João Correia, director regional do Ambiente, considera natural o pedido de esclarecimento por parte da UNESCO, mas que o Governo Regional teve desde sempre em conta o património natural. Afirmou que apenas uma estação do teleférico está nos limites da Laurissilva e não está no seu coração. Todavia, a aprovação do projecto está dependente da informação da UNESCO.

Raimundo Quintal afirmou ainda que se a UNESCO pede informação adicional, apesar do dossiê exaustivo que o Governo Regional enviou em Dezembro de 2008, então significa que a UNESCO não acreditou na bondade dessa argumentação. O biólogo alerta mesmo para outros perigos, além do teleférico do Rabaçal, como é a estrada do fanal e a progressão de espécies invasoras, que podem pôr em causa o título de património mundial da Laurisssilva. Porque a desclassificação já aconteceu em outras zonas do mundo.

Raimundo Quintal referiu ainda que a Laurissilva não é património de nenhuma associação nem do Governo Regional. É património da Humanidade. A acção da Quercus, da Associação dos Amigos do Parque Ecológico e de outros cidadãos não é contra a Madeira, mas sim a favor do manutenção do património.

O ambientalista lembrou a acção que deu entrada no Tribunal Administrativo em 16 de Março de 2009, para tornar nula a declaração de impacte ambiental.

Recorde tudo aqui:
Arquivo sobre projecto do teleférico do Rabaçal

Sábado, Julho 11, 2009

Cabo do Mundo 7

Light & Shadow, Cheerfulness & Drama.
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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa July 10, 2009

Segurança das pessoas deveria estar em primeiro lugar

Os milhões que se gastaram na ruinosa promenade do Jardim do Mar deveriam ter sido gastos na segurança do acesso ao Jardim do Mar e Paul do Mar. A segurança das pessoas deveria estar em primeiro lugar. Espera-se que haja mortes primeiro?

A imagem publicada pelo Paulo Garcês ilustra bem o perigo que espreita quem circula na estrada regional de ligação entre o Estreito da Calheta e o Jardim do Mar / Paul do Mar.

Quando foi construído o túnel Jardim do Mar - Paul do Mar sabia-se que muitas mais pessoas estariam sujeitas ao perigo da instabilidade da escarpa, que condiciona a segurança de boa parte do acesso às referidas freguesias.

Na altura, quando foi decidida a construção do túnel para o Paul do Mar e a promenade do Jardim do Mar, deveria ter sido pensada uma solução integrada de segurança. Falta de planeamento e visão a curto prazo dá nisto. E o povo é que paga.

Fez-se um túnel para o Paul do Mar e uma “promenade” no Jardim do Mar, que terão custado juntos mais de 5 milhões de contos (25 milhões de euros). Mas esqueceu-se de resolver, antes de tudo, o problema da frequente queda de pedras (derrocadas) que se soltam dos penhascos ao longo de 2km da referida estrada regional.

Na inauguração da “promenade”, disse-se que o Jardim do Mar ficava «mais seguro», quando a grande insegurança não vinha do mar mas sobretudo dos penhascos sobranceiros à aldeia.

Será que é mais um caso de encolher os ombros até haver tragédias? Existe carta de riscos? Existe um plano de emergência? Existe algum plano para, com uma série de pequenos túneis, evitar as zonas mais perigosas, como foi feito no Norte da ilha?

Gastaram-se vários milhões de euros para consolidar a escarpa junto à Marina do Lugar de Baixo, considerado prioritário face a uma estrada onde passam, no mínimo, centenas de pessoas por dia, como é o caso do acesso ao Jardim do Mar / Paul do Mar.

Recorde-se:
Derrocadas

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Encumeada ao fim da tarde

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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa
July 4, 2009

Elementos sobre o estado da Escola Pública 46: Ministra da Educação desresponsabiliza estudantes

Afinal, o discurso da ministra de responsabilização dos estudantes não será genuíno. A equipa ministerial acaba por ser complacente, como certa esquerda e certa direita, ao justificar o menor estudo e trabalho dos alunos transferindo a responsabilidade para a comunicação social, a Sociedade Portuguesa de Matmática, os partidos políticos e pessoas com responsabilidades políticas... Esqueceram-se de dizer que a culpa é dos professores...
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Menos investimento, menos trabalho e menos estudo” do lado dos alunos, comentou a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, a propósito dos resultados no exame de Matemática A, realizado por 38.303 estudantes», como noticiou o Público.

Se esta responsabilização dos estudantes pelos resultados escolares, no parte que lhes toca e depende do seu trabalho e estudo, é realista, logo a seguir a ministra e um secretário de Estado vêm responsabilizar a comunicação social, a Sociedade Portuguesa de Matemática, partidos políticos e pessoas com responsabilidades políticas pelo desincentivo do empenho e estudo dos estudantes. Isto é, desresponsabilizam os estudantes.

Esqueceram-se de responsabilizar, como é habitual, dizer que a culpa, afinal, pela falta de estudo dos alunos, é dos professores... o bode expiatório preferido.

Maria de Lurdes Rodrigues, a propósito dos resultados no exame de Matemática, no mesmo momento em que responsabilizava os estudantes, também responsabiliza a comunicação social pela baixa nesse exame, ao afirmar que se devia à difusão, pela comunicação social, “da ideia de que os exames eram fáceis”, desmotivando os estudantes para o estudo.

Como se não bastassse, em conferência de imprensa, o secretário de Estado Valter Lemos alargou o leque de responsáveis, juntando a Sociedade Portuguesa de Matemática e “partidos e pessoas com responsabilidades políticas”. “É um desincentivo ao estudo e ao trabalho”, sublinhou.

Pena que as palavras, embora contraditórias como acabámos de ver, de responsabilização dos estudantes aconteça só no final do mandato da ministra da Educação e não seja coerente ainda com as medidas do facilitismo e laxismo estudantil tomadas pelo Ministério da Educação, nomeadamente por via do Estatuto do Aluno e ou de iniciativas que dispensam a frequência das aulas em favor de uma prova.

A propósito:
«Esforço e estudo», receita a ministra

Quinta-feira, Julho 09, 2009

José Sócrates ganha mais uns votos


Imagine-se se a Democracia e o País estivessem nas mãos deste senhores...

«Cerca de 200 trabalhadores lançaram petardos e insultaram o primeiro-ministro. "Sócrates, escuta, és um filho da p..." e "Sócrates não cumpriu, vai para a p... que o pariu" e "fascista" foram alguns dos insultos proferidos, segundo fonte da PSP», noticia hoje o jornal 24 Horas. «Alguns dos trabalhadores, alegadamente de diversos portos, fizeram ainda rebentar alguns petardos.»

Este tipo de método de contestação não colhe qualquer simpatia na opinião pública, ainda por cima de trabalhadores que ganham 5 mil euros ao mês. Acham que têm mais direito de protestar e reivindicar do que os milhares de desempregados no País?

No vídeo há um mascarado que diz: «era eu aparecer assim de cara tapada ao pé dele [José Sócrates, presume-se] e matá-lo.» Este senhor, que nem coragem tem para mostrar a cara, deveria estar preso.

O primeiro-ministro, que disse não ter o dever de educar ninguém, colheu mais simpatia e votos depois deste tipo de actuação musculada e insultuosa dos estivadores.

Geração J

Clicar sobre a imagem para ler texto de Joaquim Letria, publicado no jornal 24 Horas em Abril de 2008.

Terça-feira, Julho 07, 2009

Elementos sobre o estado da Escola Pública 45: «Esforço e estudo», receita a ministra

Já não era sem tempo a ministra da Educação reconhecer a centralidade do esforço e do trabalho dos alunos para a obtenção de bons resultados escolares. Por vezes, é difícil de ver o óbvio e resistir ao mais fácil: culpabilizar os professores de tudo, até da atitude negativa generalizada dos estudantes perante o trabalho (escolar) na escola pública.
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Elogio hoje o sentido de realidade e bom senso da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, na sequência de uma intervenção no telejornal das 13h na RTP1.

«Não há melhoria escolar sem mais esforço e mais estudo» dos estudantes, disse a ministra a propósito dos resultados dos exames nacionais hoje publicados. Mais adiante, insistiu: «os resultados escolares são sempre explicados por mais trabalho e mais estudo

Aleluia. Finalmente, o bom senso começa a imperar e responsabilizam-se os estudantes pelo peso do seu trabalho nos resultados escolares. Trabalho, Responsabilidade e Disciplina são valores, a nosso ver, estruturantes do sucesso de qualquer estudante na escola e de qualquer pessoa na vida.

Todavia, o discurso de Maria de Lurdes Rodrigues tem de ser mais coerente com a prática governativa, que tem sido laxista e facilitista relativamente ao papel dos estudantes no processo de aprendizagem e nos seus resultados escolares, nomeadamente quanto aos sinais dados pelo estatuto do aluno, mas que tem sido de mão dura para os professores, transformados em bodes-expiatórios de todos os males do sistema de ensino, ainda por cima acentuando a desautorização/desvalorização pública dos docentes.

De qualquer modo, saudamos a posição da ministra (esperamos não ser algo meramente circunstancial), que vai ao encontro de muita coisa que por aqui temos escrito nos últimos anos e, especifiamente, do que escrevemos há poucos dias:

«A complacência e a não exigência de esforço, trabalho, responsabilidade e disciplina nunca fará evoluir o estudante desmotivado, com menor cultura/apetência para o estudo, e nunca será sinónimo de escola inclusiva. Ter os alunos dentro dos muros da escola não significa, necessariamente, inclusão, se estiverem excluídos da aprendizagem, do saber, das competências que precisam para a vida e que a sociedade actual exige. Se estiverem excluídos dos valores da disciplina, do rigor, do trabalho e da responsabilidade estarão excluídos da vida real.»

E concluímos: «Em vez de se tentar reinventar a roda, aquilo que é óbvio e já existe, coloquemos as pessoas a trabalhar nas escolas para aprenderem mais e melhor. Além disso, claro, apliquem-se modelos de diferenciação pedagógica, prestem-se apoios, valorize-se a singularidade, mas NUNCA se dispense o trabalho, a disciplina e a responsabilidade do estudante no seu próprio percurso escolar, porque esses valores são os alicerces do seu progresso e sucesso. Não há modelo de organização pedagógica que dispense essas pressimas/valores no estudante.»

O tempo acabará por reconhecer a razão, mas até lá e, sobretudo, até a consciência dos problemas se traduzir em mudança no terreno, continuam os docentes a sofrer as pressões da indisciplina, da irresponsabilidade e da atitude negativa dos estudantes perante o trabalho escolar, bem como a serem culpabilizados pelos resultados escolares que não podem surgir apenas do trabalho do professor.

Recorde-se alguns posts
(porque é preciso dizer que o rei vai nu):
42: Vida fácil na escola e regras de vida para o estudantes
41: «Zona de esforço não negociável»
40: Responsabilizar outros actores e não só os docentes
39: Professor bode expiatório
31: Responsabilizar os estudantes pelo seu desempenho
29: Regras e responsabilização das crianças
27: Responsabilização
24: Laxismo e facilitismo significam exclusão social
23: Leste arrasa postura desculpabilizante
22: valores do Trabalho e da Responsabilidade moribundos na escola
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação

Rabaçal em risco XXXI [Rabaçal at risk in Madeira island]: UNESCO pede mais informação

UNESCO pede mais informações na sequência do projecto do teleférico do Rabaçal, que a Quercus lê como apreensão daquela organização mundial, mas que o Governo Regional entende não terem sido colocados obstáculos ao projecto.

«O projecto do teleférico no Rabaçal foi debatido na reunião do Comité de Património Mundial da UNESCO que está a decorrer na cidade espanhola de Sevilha, tendo sido pedido a Portugal que avalie o impacto da estrutura na floresta Laurissilva», noticiou o Diário no dia 1 de Julho.

A Quercus expôs à UNESCO o caso do projecto do teleférico para o Rabaçal. Segundo disse àquele jornal Idalina Perestrelo, "a UNESCO ao pedir mais explicações, mostra que está apreensiva".

O director regional do Ambiente, João Correia, declarou que «todas as explicações já foram dadas à UNESCO», mas o facto é que aquela organização pede a avaliação ao impacte do teleférico e, no dia seguinte, 2 de Julho, no Jornal da Madeira, o biólogo Domingos Abreu confirma-o:

«A UNESCO regista que não foi feita uma avaliação específica sobre a propriedade que corresponde ao bem considerado património mundial» (Laurissilva). E refere ainda: «pelo que recomenda que seja feita, de uma forma expedita, uma análise complementada, confrontando o bem e tendo em consideração o acompanhamento do desenvolvimento das diferentes fases do próprio projecto.»

Textos anteriores:
Previous posts:

Rabaçal at risk in Madeira Island I : teleférico / cabble car
Rabaçal at risk in Madeira Island II : pergunta / question
Rabaçal at risk in Madeira Island III : novo-riquismo / nouveau riche / new rich
Rabaçal at risk in Madeira Island IV : história / history
Rabaçal at risk in Madeira Island V : carta de leitor / reader's letter
Rabaçal at risk in Madeira Island VI : imagens / pictures
Rabaçal at risk in Madeira Island VII : cena coquette / coquette scene
Rabaçal at risk in Madeira Island VIII : turistas falam / tourists speak
Rabaçal at risk in Madeira Island IX : avençados 1
Rabaçal at risk in Madeira Island X : avençados 2
Rabaçal at risk in Madeira Island XI : argumentos oficiais
Rabaçal at risk in Madeira Island XII : Susana Fontinha
Rabaçal at risk in Madeira Island XIII : teleférico soundtrack
Rabaçal at risk in Madeira Island XIV : opinião
Rabaçal at risk in Madeira Island XV : petição / petition
Rabaçal at risk in Madeira Island XVI : stop the madness
Rabaçal at risk in Madeira Island XVII : tudo decidido
Rabaçal at risk in Madeira Island XVIII : desmontar os objectivos
Rabaçal at risk in Madeira Island XIX : desnudar as contradições
Rabaçal at risk in Madeira Island XX : primeira baixa
Rabaçal at risk in Madeira Island XXI : posição da QUERCUS
Rabaçal at risk in Madeira Island XXII : galeria sobre Rabaçal no Flickr
Rabaçal at risk in Madeira Island XXIII : participar para salvar o Rabaçal
Rabaçal at risk in Madeira Island XXIV : Quercus ameaça com tribunal
Rabaçal at risk in Madeira Island XXV : comunicação 14.12.2008, Funchal
Rabaçal at risk in Madeira Island XXVI : Rabaçal vai parecer uma cidade
Rabaçal at risk in Madeira Island XXVII : money talks
Rabaçal at risk in Madeira Island XXVIII : estudo impacte ambiental
Rabaçal at risk in Madeira Island XXIX : parecer do PNM / PNM's opinion

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Sexta-feira, Julho 03, 2009

Versão de "Death Magnetic" do Guitar Hero III

Death Magnetic, o álbum mais recente de Metallica, na versão do jogo de vídeo Guitar Hero III é bem melhor do que o som da edição discográfica do álbum, seja em CD ou vinil, como tivemos ocasião de analisar: Compressão do som trama Metallica.

Além dos formatos habituais, vinil ou CD standard, conto agora com o CD-R com som/faixas do Guitar Hero III, documentado na imagem.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Gesto endiabradamente insólito

«Ministro que não sabe estar não pode ficar», disse Francisco Louçã sobre o gesto do ministro Manuel Pinho (a simular chifres), quando o líder do BE intervinha no Parlamento nacional, mas dirigido a Bernardino Soares, da bancada do PCP, na sequência de um à parte do deputado comunista sobre um cheque da EDP que Manuel Pinho alegadamente teria entregue ao clube de Aljustrel.

Para além do pedido de desculpas formais da parte de José Sócrates, e muito bem, embora o BE exigisse consequências políticas, o que veio a acontecer com a demissão do ministro aceite pelo líder do Governo, convinha descortinar o que Manuel Pinho quis significar com este gesto... se foi um acto reflectido.

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Quatro propostas estratégicas do PSD para a Educação

A Educação promete ser um ponto central na campanha das legislativas. Ainda bem, porque é um sector decisivo para o futuro do país.
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“Uma coisa é certa, vamos pôr em cima da mesa a modificação destes quatro aspectos: Estatuto do Aluno, avaliação dos professores, Estatuto da Carreira Docente e os aspectos de desburocratização” [no trabalho dos professores], afirmou hoje Manuela Ferreira Leite, dizendo que “as propostas, em concreto, hão-de ser feitas com os agentes educativos” (Público).

A alteração destes «quatro aspectos» deve-se ao facto da líder daquele partido político acreditar que «estão a paralisar o sistema, estão a torná-lo inviável, desmotivador da acção dos professores».

São sinais anti-laxismo no sistema de ensino e pró-dignificação da função docente, embora se perca algum folgo reformista, mas não há como esperar para ver, porque Manuela Ferreira Leite já foi ministra da Educação e sabe-se bem a contestação que então gerou.

Uma coisa é certa, os partidos da área de governação são mais realistas no que propõem. Os partidos mais radicais, de contestação, que se colocam fora da governação, tendem ao idealismo e a prometer mundos e fundos, porque sabem que não têm de levar as promessas à prática.

D. Quixote de la Mancha (1)

O poeta José Bento traduziu essa obra-prima intitulada Dom Quixote, para a Relógio D' Água, que estou a ler. Tal edição destinou-se a coincidir com os quatro séculos passados sobre a publicação daquela obra em Espanha e Portugal, facto assinalado em 2005.

Há uns anos, a minha primeira leitura da obra-prima de Miguel de Cervantes foi interrompida porque as folhas da edição da Bertrand começaram a soltar-se. Troquei-a depois pelo livro da Relógio D' Água, que tem sido elogiada pela qualidade da tradução de José Bento (a edição da Bertrand traduzida por Aquilino Ribeiro é considerada uma versão). Pelo menos na edição com capa dura que comprei (na imagem), a encadernação do livro da Relógio D' Água parece óptima.

«D. Quixote, um fidalgo de Castela assanhado pela leitura de romances de cavalaria, decide que é seu "ofício e exercício andar pelo mundo endireitando tortos, e desfazendo agravos" e parte à aventura na companhia de seu fiel e prosaico escudeiro, Sancho Pança. As hilariantes maluquices do Cavaleiro Andante liquidam, com a sua "moral do fracasso", as últimas ilusões da epopeia: aquilo a que Adorno chama "a ingenuidade épica".»

No próximos tempos, será esta a minha leitura épica, ao longo de cerca de mil páginas.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Autonomia

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«Independentemente das opções ideológicas e políticas de cada madeirense, a Autonomia é um valor comum e basilar da nossa vida colectiva, que nos situa política e culturalmente na Pátria.

A Autonomia é dinâmica, em dois sentidos. Primeiro, porque possui espaço para evoluir e aperfeiçoar-se sem colocar em causa a unidade nacional. Segundo, por ser um valor estruturante, não deve restringir-se ao conceito político ou à actividade político-partidária e governativa (poder). Deve ser derramado por todos os sectores de actividade neste arquipélago, de forma a ser vivenciado e interiorizado por todos os cidadãos e instituições. É a melhor defesa da Autonomia.

Cidadãos mais autónomos e auto-determinados gera uma sociedade mais empenhada, mais livre, responsável e empreendedora, capaz de, na medida das possibilidades inerentes à insularidade, ser capaz de comandar o seu destino, assumir opções e construir o futuro, da forma mais auto-sustentada possível.

Os desafios são imensos e a Educação assume um papel decisivo, para elevar os níveis de qualificação e as aptidões da população da Região. A sociedade madeirense ainda não assumiu a Educação escolar como prioridade, para além do horizonte imediato da sobrevivência material.

O conhecimento e a escolaridade continuam a ser desvalorizados e tarda a elevação dos níveis de qualidade da escola, em que a disciplina, o rigor, o esforço e uma atitude positiva perante o trabalho intelectual (escolar) são decisivos. Além da conquista de bem-estar, a Autonomia faz sentido para sermos melhores e mais competitivos.

A Madeira precisou de um braço-de-ferro para conseguir vantagens para a Madeira nos pós-25 de Abril de 1974, face a um certo centralismo arreigado. O essencial não é o estilo da reivindicação, mas o espaço negocial deverá ser privilegiado.

A Autonomia não é algo garantido nem se coaduna com ilusões ou facilitismos, que o bem-estar material das últimas duas décadas pode induzir.

Os líderes e as instituições, sem provocar pessimismo ou desistência, deverão preparar os madeirenses para os desafios, as exigências e as dificuldades, actuais e futuras, com base nos valores da Responsabilidade e do Trabalho.

A Autonomia deve procurar responder aos anseios da população madeirense, alguns dos quais são passíveis de serem concretizados e suportados pela própria Região.»

(Texto escrito na qualidade de dirigente do Sindicato dos Professores da Madeira, que serviu de base ao apontamento no Jornal da Madeira)

À procura da retoma...

... é melhor esperar sentado.
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Enquanto o governador do Banco da Inglaterra avisou hoje que a recuperação económica será lenta e penosa, o ministro das Finanças português, Teixeira dos Santos, afirmara ontem que os indicadores de clima económico do INE são “os primeiros sinais” de que a “a crise vai acabar, não vai durar sempre”, lendo “sinais francamente positivos” de retoma.

São expectativas ilusórias, quando se sabe que os indicadores hoje são piores do que nos anos 30, com risco de cairmos em deflação (inflação negativa), da qual é bastante difícil sair. A recuperação da crise de 1929 só aconteceu depois da II Guerra Mundial, isto é, após 1945.