«Alguém tem de se manter calmo neste manicómio» G. K. Chesterton

Quinta-feira, Dezembro 31, 2009

As velas ardem até ao fim (5): música que toca fundo

As velas ardem até ao fim de Sándor Márai.

«Mas a música de que Konrád gostava não era para se divertir, mas tocava nas pessoas as suas paixões, o seu sentimento de culpa, queria que a vida fosse mais real nos corações e nas consciências humanas. Esse género de música é assustador, pensava Henrik, e começou a assobiar baixinho uma valsa obstinada. Nesse ano, em Viena, por todo o lado assobiavam as valsas de um compositor que estava na moda, o jovem Strauss.»

p42 (Publicações Dom Quixote: 19ª edição: 2009)

Recorde-se:
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Professores de luto e em luta 183: ministra ignora as especificidades da função docente

Isabel Alçada insiste que a carreira dos docentes tem de ser igual à da restante função pública, como se tudo fosse igual e comparável. Dá jeito para baratear o trabalho no sector da Educação... Por alguma razão os médicos ou militares são corpos especiais devido à especificidade da sua função.

André Escórcio, no Com que Então...!, contraria essa ideia da ministra da Educação em passar por cima das especificidades da profissão docente, que não é uma função nem um serviço administrativo como na maioria da função pública:

«A carreira docente não pode nem deve ser comparável, por exemplo, à carreira das forças armadas ou do funcionalismo público em geral. Mas há uma tendência para comparar o que é incomparável no que concerne à estrutura e à progressão profissional na carreira.

Eu diria que esta profissão não é melhor nem pior, apenas é diferente, muito diferente. O que está aqui em causa é o acto de educar e de formar. E verifico que há, intencionalmente, essa quase obsessão em limitar a progressão, baseado no facto que é assim em outros sectores profissionais, quando o contexto profissional na educação é específico e é nessa especificidade que deve ser devidamente equacionado.»

Recorde-se:
Falhou acordo
Algumas razões para não assinar acordo
Os professores em início de carreira ainda mais penalizados
Se o Governo diz mata o FMI diz esfola
Baratear ainda mais o trabalho dos professores II
Baratear ainda mais o trabalho dos professores I

Quarta-feira, Dezembro 30, 2009

Professores de luto e em luta 182: falhou acordo

Não há razões para aplausos: por alguma razão nenhum sindicato assinou hoje o acordo com o Ministério da Educação. A FENPROF deu conta dos problemas.
(c) Paulo Jorge Figueiredo

Quanto ao modelo de avaliação a Ministra da Educação diz haver acordo com os sindicatos. «Houve muitas aproximações» entre o Ministério da Educação e os sindicatos, afirmou Isabel Alçada hoje no telejornal das 22h00 na RTP2. Afinal, os sindicatos também fazem cedências e trabalham para a convergência de posições.

Não há acordo é quanto à carreira. A ministra afirma que os sindicatos querem que quase todos os professores cheguem ao topo. Mário Nogueira da FENPROF referiu também hoje que os professores que são avaliados como Bons, se lhes é reconhecido mérito, devem poder progredir. Até os Muito Bons e Excelentes são sujeitos a quotas.

Por seu lado, Isabel Alçada alega que, quando se fala de Bom estamos a falar de quase todos os docentes, já que apenas cerca de meio por cento dos professores foram avaliados com suficiente e insuficiente até agora. A ministra diz que isso se deve a uma falta de cultura de avaliação profissional.

Assim, está a dizer que os Bons não são realmente Bons. Ou melhor, não podem ser todos Bons. Quer dizer que o modelo de avaliação não funciona? Se os professores são avaliados como Bons sem o serem, algo de errado se passa...

Acontece que os Bons progridem mais lentamente, ou seja, são penalizados, mas há pontos atribuídos dentro do Bom para os diferenciar (a cenoura na ponta do pau). os Quanto aos Muito Bons e Excelentes, eles progridem como já acontecia antes (mas a ministra diz que é mais rapidamente...) e também estão sujeitos às quotas...

Não há prémio nenhum o que anda o Ministério da Educação a vender como recompensa para os que se melhores. Na prática, dá menos do que o habitual (o que já era norma) aos melhores e penaliza a maioria. E assim espera que os professores se motivem para serem melhores quando sabem que dois terços estarão impedidos de chegar aos escalões melhor remunerados.

Para os Bons serem travados na carreira não bastava o modelo de avaliação do desempenho e, por isso, foi criado um sistema de quotas/vagas em três escalões: 3º, 5º e 7º. Ainda por cima, a não há garantias que a dita «fixação anual de vagas» aconteça todos os anos. Basta o Governo invocar a crise, as indicações do FMI, as estatísticas de organismos de pendor económico como a OCDE e já está tudo justificado para não haver vagas por uns anos. E não se sabe que número de vagas serão abertas todos os anos.

A Ministra da Educação invoca o interesse público, alegando que o investimento nos recursos humanos no sector tem de ser sustentável. Isto é, tem de haver cortes. Daí invocar a crise, os desempregados e argumentar que a carreira docente tem de estar alinhada com as carreiras no sector público (como se a profissão docente fosse administrativa e o acto de educar não fosse específico), que têm vagas, para não haver «situação de privilégio» para os professores. Só faltou dizer que os salários dos professores são a causa da crise e da ruína do país...

Só por acaso não se lembraram de baratear o trabalho dos professores noutras crises passadas... Pois, andam pressionados pelas razões economicistas do FMI e de outros defensores dos grandes interesses da alta finança.

Se de facto a preocupação são os recursos públicos, então o Governo e os portugueses deveriam preocupar-se no despesismo inútil do Estado:

Repetição de tarefas e ineficiência devido à burocracia, a corrupção generalizada, o tráfico de influências, a quantidade enorme de boys e girls improdutivos - mas pagos principescamente - vindos dos partidos, os boys e as girls incompetentes e sem mérito que progridem para o topo das carreiras, as mordomias dispendiosas como carros pretos com motorista, despesas de representações, telemóveis e cartões de crédito, entre outros.

Em vez disso, preocupam-se em cortar a remuneração do trabalho suado da grande maioria dos professores.

Recorde-se:
Algumas razões para não assinar acordo
Os professores em início de carreira ainda mais penalizados
Se o Governo diz mata o FMI diz esfola
Baratear ainda mais o trabalho dos professores II
Baratear ainda mais o trabalho dos professores I

Another brick to contextualize The Wall [2]

Vista sobre The Wall no formato vinil - oferecido por um amigo a quem o rock progressivo causa alguns arrepios. Uma edição prensada em Portugal (preço: 780 escudos).

Na sequência da leitura desse tijolo audio-livresco Pink Floyd's The Wall: the definitive critical view of a masterpiece (Bob Carruthers) fiquei a saber uma série de novas coisas, incluindo o facto de a banda, nos anos 70, ter avançado para o The Wall (1978) pressionada por problemas financeiros graves.

Apesar do sucesso de Dark Side Of The Moon (1973), Wish You Were Here (1975) e Animals (1977), os Pink Floyd estavam à beira da falência, devido a desastrosos investimentos financeiros especulativos e ao regime de impostos.

Além disso, depois de tanto sucesso e digressões em estádios, a banda sentia dificuldades em fixar novos objectivos: «we were finding it difficult to see what more we could do" (Nick Mason no livro Inside Out). Sinais de esgotamento.

Apesar dessa sensação de missão cumprida e das cisões criativas e pessoais entre os vários elementos da banda agora liderada (controlada) por Roger Waters de forma possessiva (autocrática mesmo), as circunstâncias financeiras ditaram o regresso ao estúdio.

The Wall seria o último disco com todos os membros da banda. The Final Cut (1982) é considerado um disco a solo de Roger Waters por quase não ter tido a participação dos restantes elementos.

Recorde-se:
Another brick to contextualize The Wall [1]

Professores de luto e em luta 181: algumas razões para não aceitar o acordo

Os textos do acordo proposto pelo Ministério da Educação e das contra-propostas da FENPROF para ser possível o acordo negocial são públicos.
photo copyright

Sabemos que o objectivo do anterior e do actual Governo é baratear o trabalho docente, embora nos documentos surjam aqueles objectivos benignos de melhorar a qualidade da escola pública etc e tal, com os quais concordo, mas pecam por serem apenas uma fachada.

Avançou-se para um modelo de avaliação mais simplificado porque se introduziu vagas/quotas para aceder ao 3º, 5º e 7º escalões. O corte salarial vai por esta via e não pelo processo de avaliação, que é menos burocrático para ser mais barato para o Ministério da Educação - daí a dispensa de aulas assistidas para os professores que abdicarem voluntariamente da progressão, isto é, todos aqueles que se satisfaçam com Bom mediante a apresentação do antigo e muito criticado relatório de auto-reflexão sobre o desempenho.

Para mim, para ser menos dispendiosa, a avaliação deveria ser feita no final de cada escalão e não em ciclos de dois em dois anos.

Prefiro que a avaliação profissional - na vertente que determina ou não a progressão na carreira - seja INDEPENDENTE (externa) e não fique entregue aos interesses das personalidades de cada escola. Para previnir qualquer tentação em fazer uma certa gestão dos aspectos mais subjectivos (menos objectivos), que o docente pode ter dificuldade em contestar/reclamar mesmo que tenha montes de razão. A avaliação na vertente formativa, isso sim, pode e deve ser feita com e pelos pares.

A independência e o mérito mais elevado do avaliador face ao avaliado são outros princípios básicos. Caso contrário, as tensões e os riscos de minar-se o trabalho colaborativo entre os professores na escola manter-se-ão.

Por último, mas não menos importante, como se poderia assinar um acordo que prevê como item de avaliação do desempenho docente as dimensões «social» e «ética»?

Avaliar o desempenho docente é complexo e possui já suficientes zonas de subjectividade. Quer-se introduzir ainda mais subjectividade e arbitrariedade na avaliação? Com que objectivo? Quais são os modelos ou pressupostos sociais e éticos a que o professor tem de obedecer? Quem define os conceitos de social e ético? Onde estão determinadas as normas? Como se avalia (objectiva) conceitos essencialmente especulativos e teóricos através da prática docente?

Dito isto, é claro que a deontologia profissional (valores ou princípios orientadores) e aquilo que o professor é como pessoa também são importantes para a docência - como para outras actividades sociais - em contacto directo com pessoas em formação académica e pessoal. Mas é um zona especulativa e nebulosa de difícil escrutínio.

Teria de haver antes um código deontológico explicitado, serem fixadas normas, estas teriam de ter força de lei e não quer dizer que, mesmo aí, fosse fácil de integrar (objectivar e quantificar) num processo de avaliação do desempenho profissional.

Professores de luto e em luta 180: não aceitar a penalização dos professores em início de carreira

image origin

O pior de tudo será se os sindicatos aceitarem, na negociação em curso com o Ministério da Educação, estrangulamentos (penalizações salariais) nos primeiros escalões (primeira metade da carreira) em troca de vantagens ou ganhos nos escalões mais elevados e de topo.

Quem está na metade superior da carreira ganha melhor (melhor do que alguma vez a maioria dos professores mais novos ganharão) e constitucionalmente o governo não pode baixar esses salários mais elevados.

Os professores na primeira metade da carreira, onde se ganha pior, não podem ser duplamente penalizados, porque o governo vai cortar a dobrar no início da carreira para compensar o que não pode cortar na segunda metada e topo da carreira.

Foi um erro nunca se ter conseguido a distribuição, de forma equitativa, do volume salarial dos professores. Privilegiou-se sempre quem estava mais adiante na carreira.

Essa valorização mais substantiva no salário dos professores nos últimos escalões serviu para sustentar os argumentos de quem quis vender a ideia que os professores ganhavam todos muito bem. As estatíticas feitas com base no ordenado de topo colocam os professores como bem pagos, na média dos páises da OCDE.

É claro que tal número encontrado pela OCDE não corresponde ao nível salarial dos docentes no seu todo, provando-se que se penaliza o volume salarial nos primeiros escalões.

Esta realidade serviu para, nos últimos anos, dar argumentos a quem quer baratear o trabalho docente.

Recorde-se:
Se o Governo diz mata o FMI diz esfola
Baratear ainda mais o trabalho dos professores II
Baratear ainda mais o trabalho dos professores I

Terça-feira, Dezembro 29, 2009

Os 20 discos do ano (escolha pessoal)

Ainda há quem goste de comprar discos: os 20 mais deste ano em carne e osso.

Estas são as 20 escolhas que se limitam, basicamente, aos discos comprados, que em si constitui já um processo importante de selecção (em muitos casos a compra avança depois de consultar os myspace das bandas ou músicos a solo).

É claro que ficaram coisas de fora que pairam na minha wish list, como ISIS, PELICAN, THE BLACK HEART PROCESSION, LOU BARLOW, DEAD WEATHER, DEVENDRA BANHART, MADLOVE ou BARONESS.

Os discos foram sendo incluídos na lista à medida da minha memória e da procura na prateleira:

. SHRINEBUILDER "shrinebuilder"
. ZU "carboniferous"
. BIZARRA LOCOMOTIVA "álbum negro"
. SOULSAVERS "broken"
. MASTODON "crack the skye"
. ANDREW BIRD "noble beast"
. SUNNO))) "monoliths & dimensions"
. ALICE IN CHAINS "black gives way to blue"
. BILL CALLAHAN "sometimes I wish we were an eagle"
. SLAYER "world painted blood"
. THE MARS DE VOLTA "octahedron"
. KMFDM "blitz"
. MONO "hymn to the immortal wind"
. RAMMSTEIN "liebe ist fur alle da"
. BONNIE PRINCE BILLY "be aware"
. THE PRODIGY "invaders must die"
. FRANZ FERDINAND "tonight"
. SONIC YOUTH "the eternal"
. DAVID SYLVIAN "manafon"
. OM "god is good"

Ondas Velhas continuam a testar Obras Novas (5)

Lugar de Baixo, hoje de manhã.

É pena que esta marina, que está integrada na paisagem e é esteticamente agradável (longe de ser um mamarracho), continue a ser um elefante branco devido à inutilidade que a persegue e às ondas de sul que teimam em a pôr à prova, com prejuízos materiais.

Vila da Calheta, ontem à noite.

A recordar:
Marina com solução favorável ao erário público?
Artificializar até a Madeira ser o que não é
Guerra dos outdoors
Recifes artificiais e protecção da costa
Kerry Black, perito em questões costeiras, esteve na Madeira
Cascais cria recife artificial para surf e protecção da costa
Recife artificial é solução para Marina do Lugar de Baixo, com várias vantagens (por Pedro Bicudo)
Recifes artificiais e Marina do Lugar de Baixo
Marina não é mamarracho
Euromilhões na Marina do Lugar de Baixo
Obras da Madeira Velha mais duráveis do que as da Madeira Nova
Ondas Velhas testam Obras Novas

Photos taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa : December 29, 2009.

Segunda-feira, Dezembro 28, 2009

Another brick to contextualize The Wall [1]

Houve um período da mocidade, digamos assim, nos primórdios da afirmação da minha melomania, em que ouvi massivamente The Wall, o duplo conceptual dos Pink Floyd de 1979, que figurou entre os discos mais vendidos da música rock & pop.

A coincidir com os seus trinta anos, surge um CD áudio e livro de 112 páginas, que compila e condensa, com um olhar dito crítico e independente, a informação sobre este marco da cultura popular.

O CD conta com extensivas opiniões dos membros da banda e um comentário faixa-a-faixa feita por Roger Waters, em 1979, e o livro apresenta uma retrospectiva crítica da criação e legado de The Wall.

O livro começa por fazer um ponto da situação da carreira da banda, para melhor perceber as circunstâncias em que surgiu The Wall. Aborda depois o processo de criação, comandado por Roger Waters, as reacções da crítica, os elaborados espectáculos ao vivo e ainda o filme.

Disco, espectáculo e filme eram os objectivos de Roger Waters, o baixista da banda, para este álbum conceptual definido por alguns ainda como rock opera, musical e oratorio.

«Heroísmo é uma vulgaridade»

Leite Derramado de Chico Buarque.

«Eu o levava de calças curtas ao Senado, fiz fotografá-lo na tribuna de onde seu avô tantas vezes discursou. O garoto não largava os livros de História, enchia a mãe de orgulho com as notas do boletim.

Enfronhado em política desde cedo, chegou ao ginásio em condições de discutir, de igual para igual com seus professores, a situação preclitante do país.

E um dia veio me comunicar que se tornara comunista. Que seja, falei comigo. Se vier o comunismo, Eulálio d'Assumpção Palumba chegará provavelmente a algum bureau político, a um conselho de ministros, se não ao comitê central do partido.

Mas em vez do comunismo, veio a Revolução Militar de 1964, então tratei de lhe lembrar nossas antigas relações de família com as Forças Militares, até lhe mostrei o chicote que pertenceu ao seu sexto avô português, o célebre general Assumpção.

Mas na sua pouca idade, Eulálio era ainda vulnerável à influência de gente insensata, talvez mesmo de uns padres vermelhos.

Ou então lhe subiu à cabeça o sangue quente de calabrês, só sei que ele cismou de ser um herói da resistência.

Trouxe um mimeógrafo para casa, imprimia panfletos, em vão tentei lhe explicar que o heroísmo é uma vulgaridade.

Um noite carregou suas tralhas numas mochilas, e minha filha entrou em desespero, disse que ele tinha partido para a vida clandestina.

Não demorou muito, sete agentes da polícia invadiram nosso apartamento, vasculharam tudo, sacolejaram Maria Eulália, perguntaram por um tal de Pablo, e eu lhes disse que havia um equívoco, o garoto era um Assumpção de boa cepa.

Ainda lhes apontei o retrato do meu avô na moldura dourada, mas um brutamontes me deu um tapa na orelha e me mandou enfiar o avô no cu.»

pp 148-149 (Publicações Dom Quixote: 3ª edição: 2009)

Sábado, Dezembro 26, 2009

Dois filmes sobre o mundo do jazz

Uma boa Sessão Dupla na RTP2 neste 26 de Dezembro, para quem gosta de filmes biográficos de músicos, com muita música à mistura:

Bird (1988), realizado por Clint Eastwood, é sobre a vida e carreira conturbadas de Charlie Parker.

'Round Midnight (1986), realizado por Bertrand Tavernier e com música de Herbie Hancock, é sobre a vida de músicos negros, nos anos 50, que vivem em Paris e Nova Iorque, numa mistura entre realidade e ficção.

Piratas do chão

logo origin

«Um incidente com um Airbus A310 da Air Transat, do Canadá, que estava nas mãos da manutenção da TAP no Brasil (M&E Brasil), está a ser usado pelos sindicatos e pelo PCP para atacar este ramo da companhia», podemos ler no jornal I (24.12.2009).

A propósito deste incidente e do aproveitamento do incidente que tentou fazer um sindicato, a comissão de trabalhadores da Groundforce, um editorial de André Macedo, afirma que os sindicalistas são «piratas a bordo da TAP»:

«Não é apenas em Portugal que os sindicatos das companhias de bandeira fazem chantagem. A aviação comercial sofre dessa praga antiga: empresas do século xxi são confrontadas por uma multiplicidade de sindicatos - pilotos, pessoal de cabine, pessoal de terra, manutenção - que, à vez, exigem regalias do século passado, indiferentes ao momento difícil. Não é por acaso que as low cost florescem. Não será também por acaso que, a prazo, companhias como a TAP irão voar cada vez mais baixinho. Tão baixinho que um dia o modelo de negócio irá mesmo pelos ares. Não haverá governos salva-vidas para ninguém.»

A luta e a defesa dos direitos laborais são legítimas mas não é um vale tudo. Porque mais vale a TAP existir.

Sexta-feira, Dezembro 25, 2009

Ho Ho Ho [2]

No que toca ainda à área musical, o Pai Natal também trouxe uma versão em miniatura, manufacturada e em madeira, da guitarra "Iron Cross" de James Hetfield, dos Metallica, para fazer companhia à restante memorabilia.

Esta Gibson 1973 Les Paul Custom "Iron Cross" (black with Gold hardware, with a gold racing stripe and a gold Iron cross on the body) tem sido a principal guitarra de digressão de James Hetfield desde o álbum St. Anger, disco que aqui o rapaz aprecia muito.

Algumas imagens do Homem e da Guitarra:

James Hetfield's Iron Cross Gibson Les Paul Guitar


Saiba mais sobre:
Les Paul

Ho Ho Ho [1]

Na área musical, a generosidade do Pai Natal fez-se sentir por via do álbum mais recente lançado pelo The Legendary Tigerman: Femina.

Paulo Furtado, membro fundador dos extintos Tédio Boys, é o homem por detrás desta "one man's band", cujo trabalho resulta, desta vez, da colaboração com diversas figuras femininas. Ele é ainda o vocalista e principal compositor da banda Wraygunn.

É um gajo que sabe do que faz e que sabe de Rock.

Quinta-feira, Dezembro 24, 2009

Ainda morremos aqui todos atupidos

Visível o rasto da quebrada desde próximo do topo do penhasco até à sua base.

Imagem, a partir de um monóculo, em que se vê o entulho da enxurrada na base do penhasco.

Grande plano da zona final da quebrada, que arrasou alguns "poios" cultivados.

O fim de tarde/noite de terça-feira (22.12) e a noite de ontem (23.12) foram de sobressalto tanto para automobilistas, no acesso às freguesias do Jardim do Mar e Paúl do Mar, como para os residentes do Jardim do Mar.

Na terça-feira, após as 19h00, várias quebradas se abateram sobre o referido acesso rodoviário, encurralando durante cerca de hora e meia, no túnel a meio do percurso, dezenas de pessoas e automóveis.

Ontem, quarta-feira, um conjunto de pedras que se desprenderam do cimo do penhasco da freguesia do Jardim do Mar (como documentam as imagens) ocasionou enorme sobressalto. Não apenas pelo ruído causado aí próximo da meia-noite, mas porque enquanto caíam as pedras não se sabia se chegariam ou não às residências.

Até haver uma percepção exacta das zonas que seriam atingidas pelas pedras, ainda por cima no escuro, o pânico toma conta das pessoas.

É curioso que na inauguração da “promenade” do Jardim do Mar, em 2004, disse-se que a freguesia do Jardim do Mar ficava «mais segura», fechando-se os olhos e a razão para a evidência de que o perigo não vinha do mar mas sim do penhasco sobranceiro à estrada de acesso.

A segurança das pessoas deveria estar em primeiro lugar. Era para aí que deveriam ter ido os milhões que se gastaram na "promenade" do Jardim do Mar, que trouxe mais prejuízos do que benefícios.

Nota 1:
Atupido é um regionalismo madeirense que significa enterrar (um animal morto). Em mirandês atupido significa cheio, entupido ou obstruído.

Nota 2:
Photos (2 of them with the help of a monocular) taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa : December 24, 2009

Recorde-se:
Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 3 (Diário aborda problema em 14.02.2008)
Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 2 (Pedras em 04.10.2009)
Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 1 (Pedras em 15.12.2009)
Jardim do Mar «mais seguro»?
Segurança das pessoas deveria estar em primeiro lugar (Pedras em 10.07.2009)
Derrocadas

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

Presépio de escadinha

O presépio ou lapinha de escadinha é tradicional na Madeira e é uma espécie de altar para o Menino, que é enaltecido no cimo do último degrau. A escadinha é formada pelo menos por três degraus e tem um aspecto piramidal.

A escadinha pode ser entendida como uma metáfora da vida, uma escalada do ser humano que representa o esforço no sentido do aperfeiçoamento e da elevação espiritual, degrau a degrau.

Pensa-se que a lapinha de escadinha foi introduzida no arquipélago da Madeira por colonos algarvios ou por religiosos franciscanos, que foram os precursores do culto do Presépio. A tradição da escadinha é ainda habitual no Algarve e nos Açores. Nestas regiões, este tipo de presépio é conhecido por altarinho.

Para além do actual espaço geográfico português, a mesma tradição é ainda hoje usada nos países que falam a língua portuguesa, designadamente no Brasil.

Fontes:
Vista da Serra
Madeira Gentes e Lugares

Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa : december 2009

Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

Broken de Soulsavers

Este Broken dos Soulsavers, a que Mark Lanegan empresta a sua voz grave e envolvente, preencheu a audição de música hoje. Foi bem definido pelo New Musical Express como «darkly majestic».

Sem dúvida um dos melhores do ano, aqui para o rapaz, entre os álbuns rock a que deitei as mãos. Um verdadeiro nirvana musical.

picture origin

Cimeira do Clima das Nações Unidas 2009 [3]

A Cimeira do Clima, que na semana passada decorreu em Copenhaga resultou num acordo não-vinculativo sobre as emissões de dióxido de carbono. Uma desilusão, embora seja melhor do que nada. Faltou vontade política.

Mais em:
United Nations Climate Change Conference
blog Copenhaga da Quercus
canal Copenhaga no Público
hopenhagen.org
hopenhagen.org blog

Sábado, Dezembro 19, 2009

Focalizar nos problemas essenciais

photo origin

«A minha atenção está noutros problemas, no desemprego do país, no endividamento do país, no desequilíbrio das contas públicas, na falta de produtividade e de competitividade do nosso país», declarou ontem o Presidente da República, quando questionado sobre o processo de aprovação das alterações ao Código Civil que permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

E depois rematou com outra ideia importante, para o país estar em condições de vencer as actuais dificuldades: «Eu procuro empenhar-me fortemente na união dos portugueses e nada fazer que provoque fracturas na sociedade portuguesa».

LER MAIS

Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 3

Os pedregulhos (exemplos de 04.10.2009 e 10.07.2009) falam por si, mas os pedidos e o abaixo-assinado subscrito pela população de nada têm valido.

Na inauguração da cara “promenade” do Jardim do Mar, disse-se que a freguesia ficava «mais segura», evitando-se a evidência de que o perigo não vinha do mar mas sim do penhasco sobranceiro à estrada de acesso. A segurança das pessoas deveria estar em primeiro lugar.

Os milhões que se gastaram na "promenade" do Jardim do Mar, que trouxe mais prejuízos do que benefícios, deveriam ter sido gastos na segurança do acesso a esta localidade e à freguesia do Paúl do Mar, quem sabe se com uma série de pequenos túneis que evitassem as zonas mais perigosas, como se fez no norte da ilha.

Em 14.02.2008, o Diário deu conta que o «Povo pede um túnel» mas «nem um Abaixo-assinado a pedir protecção contra derrocadas valeu no Jardim do Mar» e Paúl do Mar.

«A escarpa sobranceira à estrada regional ameaça desabar e o povo reclama uma ligação em túnel que sirva de alternativa ao centro da freguesia», continuava a notícia. «Quase invariavelmente, as épocas de chuvas, conjugadas com algumas abertas de sol, provocam queda de pedras da escarpa que tombam sobre a estrada entre o Estreito da Calheta e o Jardim do Mar.

«As marcas no asfalto não deixam margens para dúvidas sobre o perigo diário a que os utentes da via estão expostos. Diversos moradores afirmam que vão-se conformando com este estado de sítio. "De nada valem os nossos pedidos".»

«Nem mesmo o abaixo-assinado levado a efeito e entregue às autoridades ainda antes da construção do túnel de acesso ao Paul do Mar e do passeio marítimo ter sido erguido junto ao litoral serviu.»

A citada notícia refere que as «opiniões até nem se dividem muito na pequena comunidade jardineira. Um túnel ou mais é a solução que reúne maior consenso entre a população. Aliás, aquando da construção do túnel de acesso ao Paúl do Mar, os jardineiros pensaram que uma das bocas de saída da infra-estrutura ficaria mais a norte, desviada da área onde tradicionalmente ocorrem as derrocadas.»

Manuel Baeta, presidente da Câmara Municipal, «considerou legítima a aspiração dos populares. Na última reunião de Câmara, o autarca assumiu que "a zona é um tanto ou quanto perigosa", mas garantiu que, a haver uma intervenção, é completamente impensável ser suportada pelos cofres da autarquia.» Bold

Recorde-se:
Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 2 (Pedras em 04.10.2009)
Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 1 (Pedras em 15.12.2009)
Jardim do Mar «mais seguro»?
Segurança das pessoas deveria estar em primeiro lugar (Pedras em 10.07.2009)
Derrocadas

Quinta-feira, Dezembro 17, 2009

Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paul do Mar 2

Mais uma derrocada, em quatro de Outubro último, em que passageiros de um autocarro tentam remover os pedregulhos.
(c) photo Diário/Víctor Hugo


«Pedregulho 'isola' Jardim do Mar», noticiou o Diário (05.10.2009):

«Uma pedra de tamanho considerável condicionou o acesso rodoviário entre o Estreito da Calheta e o Jardim do Mar. Devido ao pedregulho, que ficou imobilizado a meio da faixa de rodagem, o trânsito automóvel ficou condicionado, uma vez que apenas sobrava espaço para os automóveis ligeiros poderem prosseguir a marcha.

Sem quererem perder tempo à espera que as entidades competentes aparecessem para despachar o serviço de 'limpeza', alguns passageiros que viajavam em autocarros fretados para excursões baixaram dos veículos e, à força de braços, afastaram o pesado pedregulho para junto da berma.

Antes, uma patrulha da via expresso passou pelo local tendo sinalizado a pedra com fita reflectora e alertado a Protecção Civil para o que ali tinha ocorrido.

O pedregulho terá resvalado de um morro situado do lado exterior da estrada regional, e não da escarpa sobranceira a este acesso, onde se regista um constante risco de queda de pedras durante todo o ano

Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paul do Mar 1

«Também o acesso ao Jardim do Mar ficou salpicado de terras e pedregulhos, que resvalaram uma vez mais para a estrada, num cenário que tem vindo a ser recorrente, para natural apreensão dos automobilistas.» Diário 16.12.2009

Sismo em Lisboa em directo > 17 Dezembro cerca da 01h40

Foi-me relatado em directo, do outro lado da linha telefónica fixa, o sismo que abalou Lisboa cerca da 01h40 desta madrugada de quinta-feira, dia 17 de Dezembro. A intensidade foi apreciável a julgar pela oscilação produzida, a ponto de os livros parecerem ter estado na eminência de caírem ao chão.

02h05:
Público já noticiou: Sismo de magnitude 5,7 sentido em todo o país.

02h07:
Comentário/testemunho no Olho de Fogo de Rita Botas: «1.45 senti bastante em caldas da rainha, os candeeiros abanaram assim como o chão»

10h48:
Comentário/testemunho no Olho de Fogo de Nana Odara: «acordei com a minha cama balançando, como se quisesse voar»

Sismo no Twitter.

Recorde-se:
1755

Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

Jornal Garajau no Clube de Jornalistas (RTP2 16.12.2009)

Falou-se das circunstâncias na origem do Garajau, dos mentores, das suas motivações e do seu impacte na Madeira.

O último programa do Clube de Jornalistas, depois de seis anos de emissão, na RTP2, nesta quarta-feira de Dezembro, foi dedicado ao jornal satírico madeirense, o Garajau. Contou com a presença de Gil Canha, o fundador, além de uma jornalista do semanário SOL, Graça Rosendo, e outro repórter da revista Visão, Miguel Carvalho.

A denúncia de matérias política ou socialmente escaldantes (que mais ninguém publica nos outros jornais na Região) - embora sem propriamente seguir todas as regras do jornalismo -, a irreverência e o humor satírico estruturam o Garajau, jornal que nasceu em Janeiro de 2004. Para se entender melhor a natureza da publicação, foi sugerido pelo jornalista da Visão a leitura do livro "Violência e Escárnio" de Albert Cossery, editado pela Antígona.

Ficou-se ainda a saber que Luís Filipe Malheiro, apresentado como cunhado de Gil Canha, foi convidado para o programa mas não pôde estar presente devido aos seus afazeres na Assembleia Legislativa da Madeira.

Na página electrónica do Clube dos Jornalistas pode-se ler que nos «últimos tempos o “Garajau” e o PND (Partido da Nova Democracia) deram as mãos e tornaram-se unha com carne no combate ao jardinismo.» LER MAIS

Caso Magalhães 21: adjudicação directa ilegal

No Público de hoje lê-se que a «Comissão Europeia já não tem dúvidas de que o processo de adjudicação directa dos computadores Magalhães à JP Sá Couto constitui uma infracção ao direito comunitário do mercado interno e já o fez saber ao Governo.»

Mais de diz que, «se Lisboa não apresentar rapidamente argumentos novos e pertinentes para justificar a sua opção, Bruxelas imporá uma alteração ao quadro legal que rege o fornecimento do Magalhães e serviços associados, se necessário através da apresentação de uma queixa ao Tribunal de Justiça da União Europeia (UE).»

O que está em causa é o facto de o «direito comunitário obrigar a que os contratos públicos desta natureza e importância sejam atribuídos após concursos públicos internacionais e devidamente publicitados com base em requisitos precisos. Esta obrigação destina-se a garantir a concorrência de todos os operadores no mercado interno europeu e impedir quaisquer tipos de discriminação.»

O Governo rejeita a «ideia de adjudicação directa. Foram os operadores de telecomunicações quem consultou mais de uma dezena de empresas antes de "escolher a melhor oferta", assegurou o secretário de Estado das Comunicações, Paulo Campos, na segunda-feira. Mas as empresas falam num programa "desenhado à medida". Isto porque não só o portátil da JP Sá Couto era o único com as especificações do caderno de encargos, como só a empresa de Matosinhos podia responder nos prazos e quantidades exigidas. O PÚBLICO pediu esclarecimentos à JP Sá Couto, mas não foi possível obter resposta até ao fecho desta edição.»

Recorde-se:
Caso Magalhães 20: já custou 217 milhões ao Estado (ao contribuinte)
Caso Magalhães 19: não se entre na demagogia
Caso Magalhães 18: Governo "desviou" 36,5 milhões
Caso Magalhães 17: não pára de surpreender.
Caso Magalhães 16: chegada à Madeira
Caso Magalhães 15: Medina Carreira arrasa
Caso Magalhães 14: ainda as literacias
Caso Magalhães 13: literacias
Caso Magalhães 12 : crianças desprotegidas
Caso Magalhães 11 : ainda mais humor
Caso Magalhães 10 : sonho Orwelliano
Caso Magalhães 9 : estéticas
Caso Magalhães 8 : Microsoft
Caso Magalhães 7 : mais humor
Caso Magalhães 6 : humor
Caso Magalhães 5 : louvores à força
Caso Magalhães 4 : JP Sá Couto e fuga ao fisco
Caso Magalhães 3 : quadratura do círculo
Caso Magalhães 2 : mails
Caso Magalhães 1 : Abrupto
Programa e-escola, o outro lado
Programa e-escola, que proveitos?
Ilusão de Sócrates

Caso Magalhães 20: já custou 217 milhões ao Estado

A novela do Magalhães continua.

«O Programa e.escola, em que está integrada a distribuição do computador ‘Magalhães’, já custou ao Estado, segundo a Fundação para as Comunicações Móveis (FCM), cerca de 217 milhões de euros. Com esta despesa pública a comparticipação dos contribuintes com a distribuição de computadores a alunos e professores é 81 por cento superior aos números apresentados recentemente por Mário Lino, o ministro que avançou com essa iniciativa no anterior Governo de José Sócrates, e António Mendonça, seu sucessor na pasta das Obras Públicas. Só em 2009, este Ministério transferiu para a FCM cerca de 200 milhões de euros.»
Correio da Manhã 15.12.2009

O Correio da Manhã refere ainda que o «presidente da FCM tem uma remuneração mensal de 6450 euros. Mário Franco, que foi assessor da equipa do ex-ministro Mário Lino no Ministério das Obras Públicas, é desde Março deste ano o único membro do conselho de remuneração com salário.»

Perspectivas não animadoras

Grécia e Portugal, potencias do futebol, finalistas do Campeonato Europeu de 2004, a braços com cenários sombrios para as suas economias.

«Portugal e a Grécia correm o risco de estar a entrar num ciclo de baixo crescimento económico e dívida cada vez mais insustentável, que faz com que nem o facto de pertencerem à zona euro lhes sirva de protecção, avisou ontem a agência internacional de notação financeira Moody's», noticia hoje o Público.

«A unir os dois países, assinala a Moody's, está, para além da ameaça recente feita aos seus ratings, um cenário bastante sombrio para as suas economias. "Uma nova conjuntura, com ainda mais dívida e baixas expectativas de crescimento, combinada com um apetite reduzido pelas reformas, colocou estes países num rumo negativo de crédito", afirma o relatório. A agência internacional - uma das três mais importantes do Globo - avisa ainda que "in extremis, à medida que a dívida se torna cada vez mais insustentável, os governos podem vir a ficar tentados a tomar decisões que sejam prejudiciais para os seus credores".»

Diz ainda a Moody's que, "apesar de o euro os ter protegido durante a crise de liquidez, não irá agora ajudar estes países [Portugal e Grécia] a recuperar. Pelo contrário, poderá mesmo constituir uma perturbação", afirma o relatório, assinalando que "o risco agora é que possa vir a ocorrer uma lenta mas inexorável erosão da vitalidade económica, semelhante à que pode acontecer nos casos das cidades pequenas e sem competitividade dos grandes países".

Mais de 800 anos de poesia, mais de 200 autores, mais de 2.000 textos

Pai Natal, já sabes...

A Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI foi organizada por Jorge Reis-Sá e Rui Lage.

«Algo distingue a presente antologia de outras antologias de poesia portuguesa organizadas no passado: esta é a primeira antologia panorâmica que abarca a poesia portuguesa desde os seus alvores, na transição do século XII para o século XIII, cerca de seis décadas após o nascimento do Reino de Portugal, até ao presente, entendendo-se por presente o ano de 2008, data dos poemas mais recentes aqui recolhidos.»
[LER MAIS]

Uma antologia é sempre uma selecção, que segue critérios de gosto pessoal (mesmo que sejam «opções de gosto seguras», no entender de Vasco Graça Moura, neste caso), além dos critérios mais objectivos, como a qualidade literária.

Esta é uma bíblia poética que serve de introdução (ponto de partida) aos poetas/poesia portugueses mais notáveis, além de ser um belo objecto para a fruição.

A obra foi apresentada ontem em Lisboa e é prefaciada por Vasco Graça Moura.

Terça-feira, Dezembro 15, 2009

«Socialistas, comunistas e anarquistas são doentes mentais»

A noção de patológico de Júlio de Matos chegava à política.

[...]
Um republicano de direita. É assim que a historiadora Ana Leonor Pereira define ideologicamente Júlio de Matos. «Está mais do que provado em vários escritos que tenho dele», sustenta. «Neoliberal» e «ultra-seleccionista» são adjectivos que constam igualmente da definição avançada pela investigadora. Para o psiquiatra, segundo ela, os «socialistas, comunistas e anarquistas são doentes mentais».
[...]

Considerando «interessantíssima» a noção de patológico do psiquiatra, Ana Leonor Pereira nota que «é a própria historicidade» que a estrutura. O que explica então o facto de os socialistas, comunistas e anarquistas serem encarados como doentes mentais. «A doença mental é um anacronismo. É ter ideias que foram válidas noutros tempos mas que hoje estão fora de tempo», diz, veiculando o pensamento do médico que nasceu em 1857 e morreu em 1923.

«O proletariado vir dizer que é perseguido pelo capital - como está na teoria de Karl Marx - é paranóia. Estamos num Estado onde há polícia, instituições e os indivíduos não andam a ser perseguidos, logo isso é uma doença mental», conclui a investigadora, na pele de Júlio de Matos.

Os ideários em si, observa, além da patologia diagnosticada aos seus protagonistas, eram classificados de «delírios». O patológico era sustentado em três níveis. «Ele vai provar que ao nível do pensar, sentir e agir, o socialismo, o comunismo e o anarquismo são uma doença», enumera Ana Leonor Pereira.
[...]

Tempo Medicina, 17.11.2009
(c) photo

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

Domingo, Dezembro 13, 2009

Oasis of the Seas

Oasis of the Seas, o maior navio de cruzeiro do mundo, está no mar desde o Outono de 2009 e baptizado em 30 de Novembro. O navio tem 220 mil toneladas e capacidade para 5,450 viajantes, 360 metros de comprimento, 16 andares e um parque de vegetação tropical ao ar livre do tamanho de um campo de futebol chamado de Central Park.
(c) photo

Oasis of the Seas comparado com o Titanic.

Sábado, Dezembro 12, 2009

«Google é uma tragédia para os jovens»

«O Google cria uma lista, mas no momento em que olho para a lista que o Google gerou, ela já mudou. Essas listas podem ser perigosas - não para os adultos como eu, que adquiriram conhecimento de outro modo -, mas para os jovens, para quem o Google é uma tragédia. As escolas deveriam ensinar a arte da discriminação

«A educação deveria regressar às estratégias das oficinas da Renascença. Aí, os mestres podiam não ser capazes de explicar aos alunos por que razão uma pintura era boa em termos teóricos, mas faziam-no de maneiras mais práticas. Olha, isto é o aspecto que o teu dedo pode ter e este é aquele que deve ter. Olha, esta é uma boa combinação de cores. A mesma abordagem deveria ser utilizada nas escolas quando se lida com a internet. O professor deveria dizer: "Escolham qualquer assunto: a história da Alemanha ou a vida das formigas. Pesquisem em 25 páginas web diferentes, comparando-as, e tentem descobrir qual tem informação importante e pertinente". Se dez páginas disserem a mesma coisa, pode ser sinal de que essa informação está correcta. Mas isso também pode acontecer porque alguns sites se limitaram a copiar os erros dos outros.»

Umberto Eco (Jornal I, 05.12.2009)

photo origin

Nesga

Funchal.

Photos taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa : November 06, 2009

Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

Professores de luto e em luta 179: se o Governo diz mata, o FMI diz esfola

O FMI aconselha Portugal a cortar ainda mais nos salários da Função Pública. Tomem lá com as palavras de José Mário Branco: ler e ouvir .

As quotas e vagas que o actual Governo da República alargou para o 3º, 5º e 7º escalões da carreira docente, com vista a baratear o trabalho (as questões do mérito, da melhoria do desempenho docente e do ensino são, sobretudo e infelizmente, argumentos para justificar, perante a opinião pública, esse corte no investimento nos recursos humanos), poderá inviabilizar um acordo entre o Ministério da Educação e a Fenprof.

O Ministério das Finanças tem como meta um determinado plafond para a os salários e toca a fazer tudo para baratear a mão-de-obra docente (recordar baratear 1 e baratear 2). Os professores estão destinados a carregar o défice às costas.

A este propósito, recorde-se que, recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que a consolidação orçamental em Portugal «deve concentrar-se na redução da despesa corrente primária, especialmente da massa salarial do sector público (com base nas recentes reformas da administração pública) e das transferências sociais».

Sabe-se que o modelo “docente+” foi imposto ao Chile em 2002/2003 pelo Banco Mundial / FMI para reduzir o défice das contas públicas sob a égide do paradigma norte-americano do New Public Management.

alguém disse que as «administrações públicas não se podem orientar exclusivamente para os resultados (i.é. para o controlo do déficit) sem equacionar a real eficiência dos processos e os reais impactos (positivos ou negativos) sobre as famílias e os demais agentes económicos”.»

Por isso, quando falam os altos interesses (financeiros) que o FMI representa, lembro-me sempre de sugerir o magistral «FMI» de José Mário Branco: ler e ouvir (canto superior esquerdo para o audio). (Ainda neste blogue a propósito: quero que o FMI se f**a 1; quero que o FMI se f**a 2; quero que o FMI se f**a 3).

Voltando à remuneração dos professores, foi um erro dos sindicatos nunca terem lutado ou conseguido a distribuição, de forma equitativa, por toda a carreira, desse volume salarial. Privilegiou-se sempre quem estava nos escalões mais elevados. Para ficar com uma boa reforma.

Essa valorização bastante substantiva no salário dos professores nos últimos escalões serviu para sustentar os argumentos de quem quis vender a ideia que os professores ganhavam todos muito bem e era rpeciso baratear o trabalho docente. As estatíticas feitas com base no ordenado de topo colocam os professores como bem pagos, na média dos países da OCDE.

E contra isso não há argumentos. Aliás, o único argumento é que tal número encontrado pela OCDE não corresponde ao nível salarial dos docentes no seu todo, o que vem provar que, de facto, se penaliza o regime salarial nos primeiros escalões.

Se o Estado quer cortar na despesa pública, antes de lixar quem trabalha e menos ganha, comece por eliminar as dispendiosas mordomias (carros pretos, despesas de representação, cartões de crédito, entre outros) e tantos lugares criados para os "boys" e "girls" dos partidos, camadas sucessivas oriundas do PS e PSD, que pouco ou nada produzem, bem como disciplinar (e fiscalizar) determinadas despesas sociais que servem para desresponsabilizar (criar inércia) os cidadãos à luz de uma suposta política social.

Quinta-feira, Dezembro 10, 2009

Se interagimos, mudamos

photo origin

«Fiquei fascinado com Stendhal aos 13 anos e com Thomas Mann aos 15 e, aos 16, adorava Chopin. A seguir, passei a vida a tentar conhecer o resto. Neste momento, Chopin voltou a estar no topo da lista. Quando interagimos com as coisas da nossa vida, tudo muda. Se nada mudar, somos idiotas.»
Umberto Eco (Jornal I, 05.12.2009)

Em boa hora regressados Alice In Chains

Um dos melhores regressos de sempre, como considera a Rock-A-Rolla, já roda cá por casa.

Quando o tive hoje nas mãos, a excitação que antecedeu a audição transportou-me aos tempos em que levava um mês a juntar os patacos para comprar um CD. E que festim era então.

Com a passagem (inexorável) do tempo, vamos precisando de aumentar a frequência (e a intensidade) das doses para alimentar esse apetite voraz de um coração melómano.

Recordar os vídeos de Check My Brain, tema que me anda há que tempos na cabeça devido a esse riff sombrio e monstruoso que o domina. Looking In View é outro tema intenso e com um baixo pulsante.

For people who don't have to wear a suit everyday


Terça-feira, Dezembro 08, 2009

Défice da CP: e depois criticam as regiões autónomas (actualizado 9.12, 8h50)

Custa caro a irresponsabilidade e inabilidade na gestão de empresas públicas, autênticos sorvedores do dinheiro dos contribuintes.
photo (c)

Conforme notícia do Público (08.12.2009), o «défice da CP, a transportadora ferroviária pública de Portugal, é actualmente de 3,1 mil milhões de euros, verba equivalente à que vai custar a linha de TGV entre Lisboa e Elvas, com a terceira travessia do Tejo incluída.»

Tal despesismo e má gestão dos dinheiros públicos não justifica que as regiões autónomas enveredem pelo mesmo caminho (erro), uma coisa não desculpa a outra, mas chateia que alguns se atirem ao "custo" dos dois arquipélagos. Isto é, atiram pedras aos outros quando têm enormes e dispendiosos telhados de vidro (passivos).

Aqui o presidente do Governo Regional tem razão ao apontar o dedo aos défices de algumas empresas públicas nacionais como a CP ou o Metropolitano de Lisboa. Mesmo sabendo nós que a Madeira tem empresas públicas tecnicamente falidas.

«O Estado não quer o endividamento das regiões autónomas, nem das autarquias, mas permite que as empresas públicas continuem a se endividar à custa da subida dos impostos dos portugueses», disse o presidente do Governo Regional à imprensa, em Dezembro de 2006, no seguimento da nega do Estado à contracção de um empréstimo de 75 milhões junto do Banco Europeu de Investimento.

O aperto tem de ser para todos, incluindo algumas empresas públicas, com enormes passivos, autênticos sorvedores do dinheiro público.

Nota 09.12
No Diário, hoje, Medeiros Gaspar, deputado do PSD na Região, faz uma relação das «dez mais» indemnizações compensatórias aprovadas, recentemente, pelo Governo da República Portuguesa:

- a Rádio e Televisão Portuguesa no montante de 143,114 milhões de euros, a maior fatia de um bolo de 457,4 milhões de euros;
- a CARRIS-Transportes Públicos de Lisboa no montante de 53,923 milhões de euros;
- a Rede Ferroviária Nacional-REFER no montante de 43,379 milhões de euros;
- a CP-Comboios de Portugal no montante de 34,703 milhões de euros;
- o Metro de Lisboa no montante de 28,093 milhões de euros;
- a STCP no montante de 20,113 milhões de euros;
- a OPART no montante de 19,293 milhões de euros;
- a LUSA no montante de 17,822 milhões de euros;
- o Metro do Porto no montante de 12,572 milhões de euros;
- a FERTAGUS no montante de 11,002 milhões de euros.

Ditador morto, terrorismo posto

Trocou-se um ditador por terrorismo.
photo (c) Reuters

Cinco ataques bombistas coordenados mataram hoje mais de cem em Bagdad e fizeram várias centenas de feridos. Até quando?

Cimeira do Clima das Nações Unidas 2009 [2]

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Apesar dos motivos para a descrença que nos atingem actualmente, concentremo-nos no activismo cívico e na tomada de consciência de forma a injectar mudança e garantirmos um futuro melhor: um estilo de vida mais saudável e sustentável. Não é isso que chamam bem-estar e felicidade?

Primeiro, salvemos o Planeta. Cabe a cada um de nós fazer a parte que lhe cabe (as pequenas partes todas juntas ganham um enorme peso), como as gotas transportadas pelo beija-flor...

«Conta-se que, certo dia, houve um incêndio na floresta e todos os animais se puseram em fuga. Todos... excepto o beija-flor. Ia e voltava, ia e voltava, trazendo uma gota de água no bico, que deixava cair sobre as labaredas e a terra calcinada. E, quando um dos animais em fuga o interpelou, dizendo ser impossível extinguir o fogo daquele modo, o beija-flor respondeu: “Eu sei que não são estas gotas que vão apagar o fogo, mas eu faço a minha parte...”» (José Pacheco, “Cartas a Alice”, 2004) (LER MAIS)

Cimeira do Clima das Nações Unidas 2009 [1]



Inaugurada que foi ontem, em Copenhaga, a maior e mais importante conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas, com a presença de 192 nações, ouviu-se o alerta que este pode ser a melhor e a última oportunidade para um acordo para proteger o mundo do aquecimento global.

Veremos até que ponto a existência ou a falta de vontade política das nações do Mundo viabilizam esse acordo, com consequências e mudança de rumo efectivas.

A resolução dos problemas ambientais e a aposta em energias alternativas pode contribuir para a resolução da crise económica, além de permitir um modo de vida mais sustentável e saudável.

Rabaçal em risco XXXIII (Rabaçal at risk in Madeira Island): Acção Popular

Diário noticia que está aberto o período para se juntar à acção popular para travar o teleférico do Rabaçal. O anúncio público foi publicado domingo.
photo copyright: porto bay blog

Conforme recorda o Diário hoje, a «17 de Março de 2009, duas organizações ambientalistas avançaram com uma acção popular para travar o teleférico do Rabaçal. A Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza e a Associação Amigos do Parque Ecológico do Funchal requereram ao Tribunal Administrativo do Funchal (TAF) a declaração de nulidade ou anulação da decisão do Governo Regional favorável ao projecto de execução do teleférico do Rabaçal.»

Recorde-se ainda que, em Junho último, o Comité de Património Mundial da UNESCO, reunido em Sevilha, «solicitou a Portugal uma avaliação rápida do impacte do teleférico, que o Governo Regional da Madeira pretende construir no Rabaçal, área integrada na Laurissilva, floresta classificada desde Dezembro de 1999 como Património Natural Mundial. O relatório sobre essa avaliação terá que ser submetido ao Comité até 1 de Fevereiro de 2010.» (LER MAIS)

Já depois de instaurada a acima referida acção popular para impedir o teleférico, o Governo Regional, «diligente, concluiu a elaboração dos seis Planos de Ordenamento e Gestão (POG) exigidos pela União Europeia, no âmbito da regularização da passagem dos Sítios de Interesse Comunitário a Zonas Especiais de Conservação.»

Nesse âmbito, os que «mais directamente diz respeito ao Rabaçal são o do Maciço Montanhoso Central e o da Laurissilva da Madeira. Planos que já contemplam o projecto futuro do teleférico o que leva a dirigente da Quercus, Idalina Perestrelo a classificá-los de "fato à medida". Aliás, à semelhança do POG da Ponta de São Lourenço que já contempla o igualmente contestado 'resort' Quinta do Lorde.»

No entanto, como diz ainda o Diário, a «batota legislativa não deve pôr em crise os fundamentos da acção popular. Os POG resultam do compromisso assumido pela Região junto da União Europeia e da já referida transição dos Sítios de Interesse Comunitário para Zonas Especiais de Conservação. Mas terão sido aproveitados para tentar "dar a volta ao texto".»

«Para Idalina Perestrelo aproveitou-se o cumprimento de uma imposição legal (da União Europeia), decorrente da Rede Natura 2000, para contemplar nos planos as obras projectadas. E tudo se fez com o mínimo de visibilidade pública, de forma apressada a atabalhoada», o que não constitui propriamente uma novidade.

A citada dirigente da Quercus na Madiera diz que os próprios «POG podem estar eivados de ilegalidade. Na base da sua convicção estão três situações: a não publicação correcta dos despachos; a ausência cartográfica dos valores naturais; e algumas violações do DL n.º 140/99 (sobre a conservação da natureza e transposição para o direito interno de directivas comunitárias).»

Como bem lembra o Diário, o «projectado teleférico do Rabaçal desenvolve-se dentro dos limites do sítio de interesse comunitário da rede Natura 2000 - Laurissilva da Madeira -, integrado em área classificada como "reserva biológica" do Conselho da Europa e como património natural mundial da UNESCO.»

Além disso, e «de acordo com o Plano de Ordenamento do Território da RAM, o local onde a Sociedade de Desenvolvimento 'Ponta Oeste' pretende implantar o teleférico encontra-se classificado como "espaço natural e de protecção ambiental" e, dentro desse capítulo, como "zona natural de uso interdito".»

A recordar:
Acção Popular 1
ARQUIVO GERAL SOBRE A PROBLEMÁTICA DO TELEFÉRICO DO RABAÇAL

A (re)visitar:
MADEIRA STOP

Memorabilia Madeira Dig 2009

Cá esperamos pelo Madeira Dig 2010.