Será o Facebook um Big Brother a quem as pessoas se entregam/submetem voluntária e alegremente?
Será que as pessoas não estão a expor demasiados dados sobre a sua identidade?
Ler mais:
1. Everything You Do Is Tracked And Stored Forever on Facebook: «We still keep all information.» (Tudo o que fazes é localizado e guardado para sempre no Facebook: «Nós mantemos toda a informação.»)
2. Facebook: the CIA conspiracy
3. Complete and total mind control
Ver mais:
The awful truth
Domingo, Janeiro 31, 2010
A verdade sobre o Facebook ou quem te avisa teu amigo é
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Instruções para salvar o mundo (1): dorminhocos e desassossegados
«A humanidade divide-se entre aqueles que gostam de se meter na cama à noite e aqueles a quem ir dormir desassossega.Os primeiros consideram que os seus leitos são ninhos protectores, enquanto os segundos sentem que a nudez do dormitar é um perigo.
Para uns, o momento de se deitar implica a suspensão das preocupações; aos outros, pelo contrário, as trevas provocam um alvoroço de pensamentos daninhos e, se fosse por eles, dormiriam de dia, como os vampiros.
Sentiste alguma vez o terror das noites, a angústia dos pesadelos, a escuridão a sussurrar-te na nuca com o se hálito frio que, embora não saibas o tempo que te resta, não passas de um condenado à morte? E, no entanto, na manhã seguinte a vida volta a explodir com a sua alegre mentira de eternidade.»
p07 Instruções para salvar do mundo de Rosa Montero (Porto Editora: 1ª edição: Novembro de 2008)
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Sexta-feira, Janeiro 29, 2010
Alegria no trabalho
Numa escola em crise, em que os professores têm mais dificuldade em se sentirem realizados profissionalmente, no meio da indisciplina e da má atitude perante o trabalho intelectual cada vez mais generalizado em muitas salas de aula, ainda por cima em tempo de desvalorização salarial e de carreira, com a agravante de acontecer tudo isto numa sociedade que ainda teima em desvalorizar o saber e a cultura, em plena «sociedade do conhecimento»..., este cartoon bem poderia retratar um conjunto de professores com alegria forçada, no trabalho.
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Quarta-feira, Janeiro 27, 2010
Disciplina em debate na Calheta
Debate sobre a disciplina como valor para a realização pessoal e profissional, na Escola Básica e Secundária da Calheta, entre as 14 e as 17h00 de hoje.Depois da introdução feita pela minha pessoa (ver aqui em slideshow), para desafiar os presentes para o debate com alguns factos e ideias estratégicas), o director regional de Educação, Rui Anacleto, salientou desde logo que a escola reflecte o que se passa na sociedade, mas não aceita a via do facilitismo («escola lúdica») porque a Região e o País precisam de pessoas qualificadas. Mencionou os prejuízos que a equipa ministerial anterior trouxe para a autoridade dos professores, culpabilizados de tudo o que estava mal na Educação.
O professor Valter Correia (ex-director da Escola B+S do Porto Moniz) definiu a indisciplina em sala de aula como tudo o que põe em causa o bom ambiente (a concentração) para o decorrer do processo de ensino-aprendizagem. Acentuou que a Educação é um assunto demasiado sério - enquanto pilar da democracia e garante da igualdade de oportunidades - para haver complacência face à indisciplina, numa actuação que deve ser sobretudo racional e pragmática.
Este orador referiu ainda que o acompanhamento da família é a base, o fundamental, tendo depois os alunos e os professores a sua parte de responsabilidade. A liderança dos professores em contexto pedagógico e das escolas foi realçado. Sugeriu mesmo mais formação para os docentes neste âmbito. Afirmou ainda que o aluno indisciplinado «não tem o direito de pôr em causa o direito dos outros à aprendizagem.» Para si, «consentir a indisciplina não ajuda o aluno.»
Outro orador, o Subcomissário da PSP Simão Freire, a propósito do peso da liderança do professor, fez notar que «não existe liderança sem autoridade: só se é líder quando há autoridade».
Tendo como referência a sua experiência no Colégio Militar, onde «não há mimos nem comodidades», salientou a importância da responsabilidade/responsabilização já que os «menores hoje não se sentem responsabilizados.» Falou dos valores morais/sociais que formam o carácter e de como o que define uma pessoa não é tanto a violação da regra mas sim a «forma como ela encara essa falha.» Porque são os valores que impedem de violar as regras e não a existência das regras em si. Quando não há valores pessoais que impeçam a indisciplina, a pessoa indisciplinada assume as consequências.
O seu lema é responsabilizar e não flexibilizar (muito menos ter uma atitude complacente e desculpabilizante, como também sublinhou Valter Correia, seja qual for a realidade social e cultural do aluno: «o aluno falhou, pagou», disse este professor).
O pároco Silvano Gonçalves, na sua intervenção, resumiu o problema desta forma: «a disciplina mais eficaz é preparar as pessoas para o sentido da importância do outro.» O problema, diríamos nós, é o ego desmedido de muitos indisciplinados que a última coisa que querem saber é precisamente do outro...
Marco Vasconcelos, atleta olímpico, deu conta da muita indisciplina também no desporto: a «cultura da disciplina perdeu-se.» E isso compromete os resultados desportivos. Sofia Canha, a moderadora, observou que o desporto é uma actividade para a qual os jovens têm maior predisposição, mas que mesmo assim não escapa à indisciplina... Agora imagine-se quando não há predisposição nenhuma para o trabalho intelectual/escolar os níveis que a indisciplina atinge...
A psicóloga Sara Silva referiu que os limites e hábitos desde que a criança nasce determinam a aquisição de competências sociais e auto-disciplina. Mais referiu que a disciplina exige uma acção sistémica, em que cada actor faz a sua parte, e que a liderança democrática é o modelo de liderança que melhor serve o meio escolar e familiar.
A este propósito Simão Freire referiu que o tipo de liderança deve adequar-se ao público que temos à nossa frente. Acrescentaríamos que o professor tem sempre vinte e tantos alunos à sua frente, que requerem diferentes estilos de liderança quase em simultâneo...
![]() |
| Indisciplina nas escolas, breve enquadramento |
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Terça-feira, Janeiro 26, 2010
Crime, dizem eles
Introduzir mais um elo na cadeia é um sacrilégio do ponto de vista audiófilo, mas musicalmente o "crime" pode compensar.Desde que comprei uma aparelhagem nos idos anos 80 (No início foi o walkman), que sempre regulei o controlos de tonalidade no meu amplificador Marantz PM25, um aparelho de entrada, que nada tinha de audiófilo. Retirava ganho no Treble e adicionava mais calor nos graves por via do botão do Bass.
Uma amplificação que inclui controlos de tonalidade não é audiófila, porque está a interferir na verdade da reprodução musical, ao cortarmos algumas frequências. Um dos aspectos positivos da audiofilia é esse princípio de ter o som o mais directo possível, para a menor perda possível da qualidade do sinal. O equilíbrio tem de ser conseguido na difícil conjugação (harmonização) entre a fonte, a amplificação e as colunas, com os cabos de interconexão (liga os aparelhos uns aos outros) e os cabos de coluna pelo meio.
O som puro do amplificador é como um sinal de virilidade. Mesmo quando a intervenção é subtil como no caso deste X-Tone.
Usar ou não controlos de tonalidade tem a ver com a sensibilidade auditiva e a forma como cada um ouve música (os sons). Há ouvidos que gostam de mais agudos, outros de menos agudos. Os meus enquadram-se no segundo tipo, mais sensíveis aos agudos (à volta dos 15 kHz). E valorizo mais os graves. Tem também a ver com a cultura e hábitos auditivos de cada um.
Uma vez, numa loja de audio, durante uma demonstração, o vendedor chegou a dizer que não era normal a minha forma de ouvir música, ao querer os graves bem presentes e os agudos mais recuados (um som desiquilibrado...). Sãoa gudos menos transparentes, frontais, recortados, detalhados, entre outros atributos audiófilos, que tornam o som mais agudo e com demasiada informação nesta zona de frequência, a que o ouvido humano é particularmente sensível.
Não sei como me aventurei na audiofilia, já que esta tende a realçar mais os agudos: é a transparência, a extensão de frequência, o recorte, o detalhe... Ainda por cima para ouvir, basicamente, música rock, com guitarras, distorção e gravações muitas vezes nada audiófilas. Foi um percurso de aprendizagem, com os seus sabores e dissabores.
O X-Tone da Musical Fidelity pode constituir um downgrading audiófilo e um upgrading musical. Permite retirar ganho nos agudos extremos (5, 10 ou 15kHz), de uma forma fina, sem perder o conteúdo e impacto na gama média. O som torna-se mais quente, confortável, musical. Os graves parecem mais firmes e reforçados. O volume pode ser mais alto que não fere nem induz cansaço precocemente.
Se a manipulação da tonalidade não for conseguida apenas pela via dos cabos e/ou combinação harmoniosa dos vários componentes da aparelhagem (seguindo as boas regras audiófilas), processo que envolve toneladas de subjectividade, então é altura para o X-Tone entrar em cena, a intrometer-se entre a fonte e a amplificação. No caso de haver um pré-amplificador, pode ser colocado entre o pré e o amplificador de potência.
Se retirarmos um pequeno ganho nos 5kHz, por exemplo, os agudos mais extremos, há quem refira que torna o som mais limpo, mais focado, melhorando a separação. É ainda relatado que esse corte subtil torna o som mais cheio, com mais corpo, sem perder brilho ou ataque.
Mas, não tive que chegar ao X-Tone, quando fui particularmente desafiado pelo som dos pratos de choque e do prato crash de um disco. Tenho um cabo Straight Wire Duet a alimentar a coluna na secção das baixas frequências (muito bom no recorte quanto baste, profundidade e impacto do grave, sem ser audiófilo no sentido mais puro: high end) e, para ter os agudos menos presentes e frontais (menos audiófilos, isto é, mais velados), introduzi um cabo mais antigo ("inferior") da Straight Wire, o Waveguide 8", a alimentar a coluna (permite bi-cabelagem), nas frequências mais elevadas.
A minha tendência em debelar (velar) os agudos e dar mais calor aos graves pode ser mais mania do que necessidade... Uma visão mais de pormenor do que holística. É importante não se perder nos detalhes, para não trair o melómano. Para não esquecer que a música é o que realmente importa entre aparelhos e cabos para a reprodução sonora.
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Segunda-feira, Janeiro 25, 2010
Estado pouco faz para rentabilizar o trabalho dos professores que paga
O Estado paga aos professores para ensinar, mas o mesmo Estado não se preocupa com as condições para esse trabalho (investimento) ser rentabilizado nas salas de aula deste País.picture (c)
«Apesar de os professores portugueses darem, em média, mais horas de aula do que os colegas de outros países da União Europeia, o aproveitamento deste tempo acaba por não ser o melhor», noticiou o DN (22.01.2010).
O Estado que não se preocupa em assegurar condições para o ensino e a aprendizagem nas salas de aula, para ser rentabilizado o investimento que faz, preocupa-se sim em cortar nos salários e carreira dos professores, como se isso fosse resolver o insucesso escolar e a muita indisciplina que obstaculiza o ensino e a aprendizagem nas escolas.
«De acordo com o relatório "Talis", de 2009 - um inquérito da OCDE junto de professores e direcções escolares de vários países -, os docentes nacionais estão entre os que mais se queixam do tempo perdido a manter a ordem ou em tarefas administrativas.»
Adianta ainda a notícia que, «segundo as respostas recolhidas, os professores nacionais só conseguem dedicar cerca de 75% do tempo de aula ao "ensino e aprendizagem".» Quer dizer que a «manutenção da ordem na sala de aula ocupa 15% do tempo, ficando o restante reservado a outras tarefas», achando eu que 15% é um número por baixo, conhecendo determinadas realidades, em em os professores simplesmente não conseguem leccionar em grande parte da aula. Ou então ensinam umas coisas pela rama...
«De uma lista de 23 países - em que a Bulgária, com 87% do tempo dedicado ao ensino, é o mais eficaz -, Portugal figura em antepenúltimo lugar, apenas à frente da Islândia, da Malásia, do México e do Brasil. A média "Talis" ronda os 80% de eficácia das aulas. Ao nível das questões disciplinares, só o Brasil revela mais dificuldades.»
Consequentemente, «no mesmo relatório, os portugueses surgem também abaixo da média no que respeita ao grau de satisfação obtido pela profissão que desempenham.»
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Sábado, Janeiro 23, 2010
Região lidera "chumbos", será por acaso?
Não bastam boas escolas, bons professores, famílias e sociedade empenhados e competentes - se o estudante não estuda, não trabalha, não se concentra, não tem disciplina nem é responsabilizado, nada funciona e os resultados escolares não surgem. O investimento não dá frutos. Recorde-se: Escola de velocidade nenhuma.picture origin
Mais uma notícia (Diário 22.01.2010) a confirmar o que já se sabe e que as estatísticas teimam em confirmar ano após ano: a «Região tem as mais elevadas taxas de retenção e desistências no Ensino Básico e Secundário do país.»
O «valor da [taxa de retenção no Ensino Básico da] Região foi mesmo o mais elevado do país, correspondendo a quase o dobro da taxa média nacional (3,7%)», segundo os dados recentemente disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) no estudo 50 anos de Estatísticas da Educação.
No que toca ao Ensino Secundário, «enquanto que ao nível nacional entre 1995/96 e 2007/8 houve uma diminuição do número de alunos com anos perdidos ou desistências, na Madeira a tendência foi exactamente a contrária aumentando de 23,6% (em 1995/96) para 26,6% (em 2007/8).»
Números que deveriam fazer soar os alarmes e provocar um repentina vontade política para agir de forma a contrariar esta realidade que se cristaliza.
Os 50 anos de Estatísticas da Educação do INE, divulgados em 20.01.2010, revelam que houve uma evolução muito grande, que é preciso valorizar, como também se verificou na Madeira, sobretudo no que toca ao acesso ao ensino: o número de crianças no pré-escolar cresceu 40 vezes e a taxa de escolaridade no ensino secundário escalou de 1,3% para 60%, no País. Estes dados são claros.
O desafio agora é dar o salto qualitativo e evoluir para um nível mais elevado de sucesso escolar. É preciso que uma sociedade que relativiza e desvaloriza o conhecimento receba sinais no sentido de mais exigência e mais investimento nas aprendizagens.
Para ajudar a compreender estes dados:
Insucesso escolar vem de longe 4
Gastar mais e ter dos piores resultados?
Resistir à pressão das massas para normalizar a bandalheira nas escolas
Escola "a duas velocidades" é uma "escola de velocidade nenhuma"
Discurso de Obama aos estudantes
Laxismo e facilitismo significam exclusão social
Leste arrasa postura desculpabilizante
«Zona de esforço não negociável»
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...2
até agora
| Este post é |
Sexta-feira, Janeiro 22, 2010
Caso Magalhães 23: dez a quinze avarias por dia na RAM
Imagine-se se o pequeno computador não estivesse preparado para resistir aos impactos...photo oringin (c)
«Uma média de 10 a 15 computadores Magalhães, de um universo de 14 mil pertencentes a alunos do 1.º Ciclo, avariam por dia na Madeira. Ou seja, num espaço de oito meses a contar da entrega dos primeiros portáteis na Região - o que aconteceu a 14 de Maio de 2009 aquando da visita do primeiro-ministro José Sócrates -, estima-se que tenham sido sujeitos a reparação cerca de 2900 equipamentos» (Diário 20.01.2010)
Na mesma edição do Diário, a opinião de Ricardo Duarte Freitas: «A Madeira vive o fascínio da odisseia 'Magalhães', qual épica revolução tecnológica, quando na verdade, aquilo que até tem potencial para ser uma ferramenta de inovação pedagógica e curricular, que pudesse ser usada nas aulas e produzisse autodidactas em casa, não está a ser mais do que mais um brinquedo electrónico, anos luz de outras 'coqueluches' da era digital, bem mais valorizadas pelas crianças (com a negligência dos pais), como a Play Station Portable, o hi-phone ou outros computadores com processadores vertiginosos e Internet de banda larga.»
Diz ainda que, «se os pais desprezam o projecto, os professores desvalorizam-no e os miúdos imitam. No fim, descobre-se que o "'Magalhães' não presta" e anda lá por casa aos pontapés, entrando 10 a 15 por dia numa só loja de informática para serem reparados.»
O articulista fala, por fim, do problema do «empenho político em rentabilizar o equipamento informático e alcançar progressos no futuro das novas gerações. A questão é esta: de que serve ter uma cana igual [aos dos portugueses do restante território nacional - o programa inclui a Madeira], se ninguém pesca nada com aquilo?»
Recorde-se:
Caso Magalhães 22: avarias
Caso Magalhães 21: adjudicação directa ilegal
Caso Magalhães 20: já custou 217 milhões ao Estado (ao contribuinte)
Caso Magalhães 19: não se entre na demagogia
Caso Magalhães 18: Governo "desviou" 36,5 milhões
Caso Magalhães 17: não pára de surpreender.
Caso Magalhães 16: chegada à Madeira
Caso Magalhães 15: Medina Carreira arrasa
Caso Magalhães 14: ainda as literacias
Caso Magalhães 13: literacias
Caso Magalhães 12 : crianças desprotegidas
Caso Magalhães 11 : ainda mais humor
Caso Magalhães 10 : sonho Orwelliano
Caso Magalhães 9 : estéticas
Caso Magalhães 8 : Microsoft
Caso Magalhães 7 : mais humor
Caso Magalhães 6 : humor
Caso Magalhães 5 : louvores à força
Caso Magalhães 4 : JP Sá Couto e fuga ao fisco
Caso Magalhães 3 : quadratura do círculo
Caso Magalhães 2 : mails
Caso Magalhães 1 : Abrupto
Programa e-escola, o outro lado
Programa e-escola, que proveitos?
Ilusão de Sócrates
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Quarta-feira, Janeiro 20, 2010
Manuel Alegre divide esquerda e falha o centro
photo originQuando assisti à notícia da candidatura de Manuel Alegre pensei que, em termos práticos e racionais, dividia a esquerda, com Francisco Louçã a avançar logo no apoio (a afunilar ainda mais a candidatura) e dificilmente conquistaria o centro político. Não há comparação com a abrangência de personalidades com António Guterres. Com Manuel Alegre na corrida, Cavaco Silva agradece, mesmo que o PS viesse a apoiar o candidato-poeta.
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Que o tribunal dê mais uma vez razão à Naviera Armas
O ferry espanhol Volcan de Tijarafe, da companhia Naviera Armas, no Porto do Funchal, em Agosto de 2009.Ter "meios próprios de propulsão (camiões)" é tê-los disponíveis no porto, na carga e na descarga, porque não faz sentido andar a transportar dezenas de camiões (reboques juntamente com as trelas) de um porto para outro, dentro do navio, para essa operação de carga e descarga. Seria de doidos. Estamos num país de terceiro mundo?
Mesmo que isso tivesse de ser assim e fizesse algum sentido, em que alteraria, de forma significativa, o alegado congestionamento no porto do Funchal? Em nada.
Se o navio atracasse e largasse do porto do Funchal todos os dias, mas é uma única vez por semana...
Daí haver quem alegue que se trata de uma tentativa de "ganhar na secretaria" o que não se ganha no marcado livre e concorrencial: agravar as condições impostas à operação ao ponto de a tornar impossível e economicamente inviável para o armador espanhol.
O facto do armador espanhol ter sucesso na aposta que fez (por cada viagem são transportados 350 a 400 ligeiros e 30 a 35 pesados, como avança hoje o Diário), quando mais ninguém avançou durante anos e anos, está a incomodar no sector.
Estamos afinal num mercado aberto ou não, em que a concorrência é fundamental? Os madeirenses não ficaram a ganhar? Os madeirenses saberão censusar quem os penalizar, caso o Naviera Armas seja obrigado a desistir da linha? Não deve ser defendido o interesse público acima de tudo?
Recorde-se:
Dada razão a sua "santidade"
Libertem os prisioneiros (consumidores madeirenses)
Santo Naviera Armas
Photos taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa : August 2009.
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...1 até agora
| Este post é |
Terça-feira, Janeiro 19, 2010
Ondas Velhas continuam a testar Obras Novas (6): não é no Lugar de Baixo

Marina da Calheta fustigada pelas ondas em Dezembro de 2009.Pensa-se que as ondas apenas desafiam e castigam a Marina do Lugar de Baixo, mas estas imagens da Marina da Calheta (de autor desconhecido) são por demais elucidativas. Tal como no Porto de Abrigo do Paúl do Mar.
Recorde-se:
Ondas Velhas continuam a testar Obras Novas (5)
Ondas Velhas testam Obras Novas (4)
Ondas Velhas testam Obras Novas (3)
Ondas Velhas testam Obras Novas (2)
Ondas Velhas testam Obras Novas (1)
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Nasceu um novo direito do aluno: copiar
A permissividade, o laxismo e a inversão de valores básicos no meio escolar continuam. Será que é uma componente da decadência da civilização ocidental? picture (c)«Os alunos da Universidade de Sevilha já podem copiar nos exames. Isto porque a Universidade reconheceu o seu "direito" a fazê-lo, pelo que os professores já não poderão chumbar, expulsar ou suspender os alunos que forem apanhados a copiar», noticiou o jornal I (18.1.2010).
«Sempre que um aluno da Universidade for apanhado a olhar para o teste do lado, o professor não deverá dizer nada. Em vez disso, deverá anexar ao exame uma nota a informar que o aluno parecia estar a copiar durante a execução do exame, para que uma comissão composta por três professores e três alunos decida se houve ou não cópia.»
Só falta os professores entregar os testes já feitos, para os alunos apenas se dignarem a colocar a assinatura...
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Segunda-feira, Janeiro 18, 2010
Caso Magalhães 22: Governo demora a esclarecer adjudicação do Magalhães
Se o esclarecimento fosse fácil não haveria razões para demora.image origin (c)
«O Governo português pediu mais tempo à Comissão Europeia para responder às questões
levantadas sobre a adjudicação à JP Sá Couto do fornecimento dos computadores Magalhães, disse à Lusa fonte oficial do Ministério das Obras Públicas.» (Público 18.1.2010).
Recorde-se:
Caso Magalhães 21: adjudicação directa ilegal
Caso Magalhães 20: já custou 217 milhões ao Estado (ao contribuinte)
Caso Magalhães 19: não se entre na demagogia
Caso Magalhães 18: Governo "desviou" 36,5 milhões
Caso Magalhães 17: não pára de surpreender.
Caso Magalhães 16: chegada à Madeira
Caso Magalhães 15: Medina Carreira arrasa
Caso Magalhães 14: ainda as literacias
Caso Magalhães 13: literacias
Caso Magalhães 12 : crianças desprotegidas
Caso Magalhães 11 : ainda mais humor
Caso Magalhães 10 : sonho Orwelliano
Caso Magalhães 9 : estéticas
Caso Magalhães 8 : Microsoft
Caso Magalhães 7 : mais humor
Caso Magalhães 6 : humor
Caso Magalhães 5 : louvores à força
Caso Magalhães 4 : JP Sá Couto e fuga ao fisco
Caso Magalhães 3 : quadratura do círculo
Caso Magalhães 2 : mails
Caso Magalhães 1 : Abrupto
Programa e-escola, o outro lado
Programa e-escola, que proveitos?
Ilusão de Sócrates
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Marina já custou 37 milhões
O Diário (17.1.2010) fez uma síntese da informação sobre a Marina do Lugar de Baixo.A recordar:
Marina com solução favorável ao erário público?
Artificializar até a Madeira ser o que não é
Guerra dos outdoors
Recifes artificiais e protecção da costa
Kerry Black, perito em questões costeiras, esteve na Madeira
Cascais cria recife artificial para surf e protecção da costa
Recife artificial é solução para Marina do Lugar de Baixo, com várias vantagens (por Pedro Bicudo)
Recifes artificiais e Marina do Lugar de Baixo
Marina não é mamarracho
Euromilhões na Marina do Lugar de Baixo
Obras da Madeira Velha mais duráveis do que as da Madeira Nova
Ondas Velhas testam Obras Novas
Photos taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa : December 29, 2009.
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Sábado, Janeiro 16, 2010
Point of view point
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Verdade estará no meio
Independentemente de olharmos para a metade vazia ou a metade cheia do copo, interessa manter a pressão e a unidade para conquistas futuras.photo (c)
Enquanto alguns movimentos de professores continuam a apelidar de «traição sindical» o acordo de princípios assinado entre o Ministério da Educação e principais sindicatos, na madrugada do passado dia 8, alguns fazedores de opinião consideram-no uma derrota do governo de José Sócrates, que, no seu entender, não deveria ter cedido tanto aos interesses dos docentes.
Para alguns dos movimentos de professores, o «acordo traduz a validação, por parte dos sindicatos, de quase todos os pilares que sustentavam as medidas que Maria de Lurdes Rodrigues procurou impor e que os professores rejeitam incondicionalmente e que os sindicatos reputavam de inaceitáveis» (LER MAIS).
Entre os fazedores de opinião, há quem considere mesmo que o acordo alcançado significou um «enxovalho para o governo» (LER MAIS).
A verdade estará algures no meio.
Se, por um lado, a «ministra conseguiu negociar – palavra caída em desuso no anterior Governo de José Sócrates – sem se ver forçada a assinar um recuo absoluto em relação a princípios essenciais: a avaliação e a gestão mais racional do sistema de ensino em matéria de carreiras», por outro lado, os «sindicatos viram premiado o trabalho reivindicativo e todo o processo prova a sua indiscutível força no sector e no País» (LER MAIS).
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Sexta-feira, Janeiro 15, 2010
Bravíssimo
What We All Come to Need fazia parte da minha wish list, já tinha ouvido umas coisas no myspace da banda mas fui surpreendido por este disco. Post-metal intenso, levado a um grande refinamento estético, com boas canções, uma secção rítmica intensa e bem presente, boas melodias e riffs low-tuned e poderosos.O som dos pratos é demasiado presente nalguns momentos, mas não belisca esta obra-prima, que se ouve de um fôlego e, quando termina (o último tema é o único que é vocalizado e destoa), apetece ouvir de novo. Não são muitos os discos que têm o poder de nos agarrar assim.
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Quinta-feira, Janeiro 14, 2010
Natureza (Madeira) Velha testa Obra (Madeira) Nova
Ondas Velhas continuam a testar Obras Novas.A obra (Madeira Nova) tem mérito e um lado muito positivo (sofisticação e conforto). É uma evidência material. Mas há efeitos colaterais, que uns valorizam e outros desvalorizam.
Certo é que certa obra ameaça, por um lado, o exotismo da Madeira Bela, a tal que é Velha mas natural e exuberante (sustenta o Turismo) e, por outro lado, essa mesma obra ameaça ruir aos poucos, com o passar dos tempos: tanto o cronológico como o atmosférico. São pensamentos suscitados pelas ideias partilhadas connosco, no Diário de hoje, por Hélder Spínola.
No «contexto de um arquipélago favorecido pela natureza, o crescimento das últimas três décadas, muito à conta dos dinheiros da Europa, deu à Madeira tanto de novo e moderno como de decrépito e decadente», refere o citado ambientalista. «Estas duas faces da mesma moeda, a moeda do desenvolvimento (o tal insustentável), marcam hoje parte do nosso território e ameaçam nos próximos tempos, com a crise económica e a falta de recursos, tornar mais visível esse lado obscuro da ocupação desenfreada do nosso litoral, ribeiras e encostas.»
No mesmo artigo de opinião intitulado "A Bela, a Nova e a Decrépita" conclui o articulista que a «Madeira decrépita começa a alastrar-se em cima da Madeira Nova.» E exemplifica: «São marinas desmanchadas pelo mar, hotéis emperrados a meia construção, estradas em cima de ribeiras mas que "volta e meia" ficam por baixo delas, passeios marítimos fustigados pelo mar e pelas pedras que caem das encostas, teleféricos que enferrujam, estradas ex-libris fechadas, praias de areia amarela devoradas, complexos balneares destroçados e enrocamentos de protecção desmoronados. Um autêntico gigante com pés de barro.»
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...1 até agora
| Este post é |
Com humor se ilustra a realidade na escola
Autoridade em crise na escola, bem como muitos outros valores como a responsabilidade, o trabalho e a disciplina, fundamentais para a aprendizagem.
Recorde-se:
Escola "a duas velocidades" é "escola de velocidade nenhuma"
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Segunda-feira, Janeiro 11, 2010
Escola “a duas velocidades” é escola de “velocidade nenhuma”
A crise da escola portuguesa não se resolve com a assinatura do recente acordo de princípios entre os sindicatos e o Ministério da Educação. Está para além da carreira, avaliação do desempenho e salários.photo origin
Não concordo que a escola se concentre na dimensão social (lhe dê prioridade) ao ponto de conceder menor atenção e, pior ainda, negligenciar a aprendizagem.
Perante a escola “a duas velocidades” (com vocações diferentes), a social de acolhimento e a da aprendizagem, como coloca António Nóvoa (Professores, Imagens do futuro presente – disponível online, com destaque para o capítulo "Educação 2021"), a prioridade deve ser dada à aprendizagem.
Na sociedade actual o «pior que podemos fazer às crianças, sobretudo às crianças dos meios mais pobres, é deixá-las sair da escola sem uma verdadeira aprendizagem», defende aquele autor. Isto é, gerar futuros excluídos da vida. Sob a capa de um falso igualitarismo e inclusão balofa, «aniquilam a única oportunidade que os filhos dos pobres têm de sair do buraco onde nasceram», escreveu Maria Filomena Mónica.
A “inclusão” actual resume-se a ter os estudantes dentro dos muros da escola. O laxismo e o facilitismo em que caiu a escola social de acolhimento (também escola lúdica e sala-de-estar...) significa, na prática, promoção da exclusão social para a vida activa.
O acolhimento, apoio social e integração de todos na escola, que defendo, não deve nem tem de implicar a desvalorização da cultura escolar e do processo de ensino-aprendizagem, nem a perda de valores universais de qualquer época. Nem tem de implicar um regresso à “escola de antigamente” e aos currículos mínimos.
Tal como Nóvoa, não tenho a mínima dúvida, apoiado na minha experiência directa na escola, que devemos (re)valorizar a escola como «organização centrada na aprendizagem», que sugere uma valorização da arte, da ciência e da cultura, enquanto elementos centrais de uma “sociedade do conhecimento”.
Estas ideias, que já foram mais impopulares há meia-dúzia de anos, porque os sinais de alarme e crise surgem todos os dias, vão contra as convicções dominantes. Daí a inexistência de vontade política, por parte das lideranças políticas e escolares, para assumir a resolução da tensão entre a escola social de acolhimento e a escola da aprendizagem, o que está a dar cabo da escola pública e da aprendizagem.
Devido ao fenómeno de democratização (massificação) do acesso ao ensino, um princípio nobre, a escola viu-se perante novos desafios. A escola tornou-se mais social e de acolhimento, ocupou-se menos e secundarizou as aprendizagens, a disciplina, o esforço, o trabalho, assumiu missões sociais de outros e embarcou na ilusão de que a escola poderia regenerar a sociedade, solucionar os seus problemas, criar um homem novo e reparar as injustiças sociais.
Ser um jovem oriundo de um meio social desfavorecido ou ter dificuldades pessoais não é álibi para tornar o seu tempo inútil (e dos outros) na escola, isto é, que estão na escola para trabalhar (ter ou cultivar uma atitude positiva perante o trabalho intelectual), crescerem como pessoas responsáveis e com valores humanos basilares. Para serem pessoas integradas e bem sucedidas e, pelo caminho, tornar o país mais produtivo.
Não concebo que a escola social de acolhimento dispense os valores da responsabilidade, o trabalho e a disciplina por parte dos estudantes que necessitam de ser apoiados nas dimensões pessoal e social. O processo de ensino-aprendizagem precisa de condições prévias para funcionar.
Não se espere, utopicamente, que o professor, empunhando a "varinha mágica" (segundo certos teóricos) da pedagogia, faz aprender quem não se concentra, quem "não quer saber", quem não trabalha, quem não se empenha, quem não respeita, quem não estuda. Como se fosse possível mudar o Homem e o Mundo a partir da sala de aula, independentemente dos contextos. O professor não é um deus.
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Sábado, Janeiro 09, 2010
Professores suspendem luto e continuam as outras lutas: alcançado acordo (actualizado às 12h de 10.01.2010)
Mário Nogueira da FENPROF (70% dos professores), com a ministra Isabel Alçada, na assinatura do acordo já na madrugada do dia 8. O acordo não é o ideal, mas foi dado um passo decisivo em frente.photo origin
O acordo alcançado entre os sindicatos dos professores e o Ministério da Educação põe fim a um conflito de vários anos, que acabou por contribuir para a perda da maioria absoluta do Governo de José Sócrates.
Na verdade, as circunstâncias actuais de minoria parlamentar, por parte do partido que apoia o Governo, acabou por ditar as cedências por parte do Ministério da Educação, com certeza decididas ao mais alto nível. A ministra já veio dizer que as implicações financeiras do acordo são sustentáveis.
Não é um acordo que responda, de forma total e radical a todas as reivindicações dos professores e dos seus sindicatos. Num processo negocial tem de haver cedências de parte a parte. Não há outro caminho, porque nenhum dos lados pode ficar entre a espada e a parede, isto é, numa situação de bloqueio ou cerco.
Foi pena que isto tivesse acontecido na legislatura anterior, em que o Governo recusou (simulou) processos de negociação. O conflito foi então a estratégia da governação, com os resultados que se viu de imediato, mas cujas consequências de desautorização pública sentir-se-ão nas escolas por muitos bons anos. Houve feridas profundas.
Virar uma população, que não valoriza a cultura escolar e o conhecimento como devia, contra os professores foi gravíssimo. Como refere Joaquim Azevedo (Público 10.01.2010), houve «claras perdas para a qualidade do ensino e das aprendizagens e com evidentes e enormes prejuízos para a imagem social da escola "pública" e da profissão docente.»
Não é, pois, um acordo ideal no sentido de voltar à situação óptima do Estatuto da Carreira Docente de 1998 (ler este «até 2005» no PROmova). Eu também desejaria muito que fosse, mas é preciso realismo. Regressou-se à carreira única, mas em que se progride por mérito, podendo os professores chegar ao topo da carreira, embora alguns com três ou quatro anos de atraso (as quotas no acesso aos escalões 5º e 7º foram assim mitigadas, o que já é alguma coisa).
Há professores insatisfeitos. Depende se olhamos mais para a metade vazia ou se para a metade cheia do copo. Vide, por exemplo, comunicado dos movimentos independentes da APEDE,
MUP,PROmova. O facto de não se ter obtido tudo, como acontece numa negociação, não equivale a um desastre.
Teria sido óptimo, por exemplo, obter a recuperação dos 28 meses congelados na carreira, mas os professores não tinham margem para conquistar, literalmente, tudo o que queriam. O acordo não é razão suficiente para romper o entendimento e a unidade entre os representantes dos professores (sindicatos e movimentos). Muito menos em falar de «traição sindical»...
Há aspectos no que toca ao modelo de avaliação que precisam de muito trabalho, é verdade. Os professores devem trabalhar em cooperação estreita nas escolas. É como se fosse uma "família". «Experimentem criar um escalão de avaliação entre os membros duma mesma família que se autovigia», alerta Lídia Jorge (Público (10.01.2010). A paz nas escolas dependerá essencialmente de um modelo de avaliação que não divida os professores e não burocratize (não desvie o professor da sua terefa: o ensino).
No entanto, é preciso não esquecer que as soluções para os problemas da escola não reside nos salários, carreiras e avaliação dos professores. Muitas questões estão para além dos professores, dependente da vontade política, isto é, dos sinais dos líderes políticos e das lideranças nas escolas.
É urgente resolver esse conflito entre as duas escolas públicas que temos, a escola social de acolhimento e a escola da aprendizagem, como António Nóvia analisa, com prejuízos para a qualidade do ensino e da aprendizagem.
Porque como afirma, no Público (10.01.2010), Ana Maria Bettencourt, Presidente do Conselho Nacional de Educação, o «futuro exige uma maior eficácia na organização das escolas, no trabalho dos alunos e nas aprendizagens.»
Escola em que os valores do trabalho, da disciplina e da responsabilidade estejam ausentes nos seus estudantes não há professor excelente que faça milagres. Nos dias de hoje não basta passar de ano e ter boas notas: é preciso saber, saber pensar e saber adaptar-se à mudança. Voltaremos noutro momento a este assunto.
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
O insucesso escolar vem de longe 4
photo (c)«Portugueses no Luxemburgo são os campeões do abandono escolar» foi título no Público de 04.01.2010.
Diz a notícia que, «de acordo com o documento [do Ministério da Educação do Luxemburgo], os alunos portugueses, que representam 19,1 por cento da população estudantil, são os que apresentam a maior taxa de aban
dono escolar entre os estrangeiros: 23,5 por cento do total de estudantes que abandonam a escola.Entre os estudantes portugueses que deixaram a escola, 53 arranjaram trabalho, 19 beneficiaram de uma medida de inserção profissional, enquanto 106 não tinham qualquer ocupação.
Os alunos portugueses representam o maior grupo entre os estrangeiros que estudam no Luxemburgo. No ano lectivo de 2008/2009 estavam inscritos nas escolas públicas luxemburguesas 24.093 alunos luxemburgueses, 7046 portugueses, 1549 ex-jugoslavos, 963 italianos, 811 franceses, 456 belgas, 436 alemães e 319 cabo-verdianos. No Luxemburgo residem oficialmente 76.600 portugueses.»
Mais uma notícia a dar conta de
uma dura realidade que temos vindo a esmiúçar aqui neste blogue:«Os alunos portugueses na Suiça obtêm os resultados escolares mais baixos entre as comunidades estrangeiras».
«A comunidade portuguesa no Canadá é uma das comunidades étnicas com maiores taxas de abandono e subescolarização.»
«Entre as minorias étnicas, as crianças de origem portuguesa são aquelas que têm os piores resultados escolares», na Inglaterra (área de Londres).
Tudo nestes links:
- Insucesso escolar vem de longe 3 (estudantes madeirenses na Madeira)
- Insucesso escolar vem de longe 2 (estudantes filhos de emigrantes portugueses na Suiça)
- Insucesso escolar vem de longe 1 (estudantes filhos de emigrantes portugueses no Canadá e Inglaterra)
Note-se a saudável mudança do meu d
iscurso entre os posts Insucesso escolar vem de longe 1 e o 2. Não há como o poder pedagógico da realidade.Quem não tem experiência directa em escolas ou turmas com alunos indisciplinados e com uma acentuada atitude negativa perante o trabalho escolar (intelectual) nunca dará o real valor das dificuldades que os docentes passam todos os dias, no terreno, nem ao trabalho docente.
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Sexta-feira, Janeiro 08, 2010
Professores de luto e em luta 187: a provinha
A prova de acesso ao sexto escalão na Madeira, previsto no Estatuto da Carreira Docente não será uma discriminação quando aos outros profissionais do Estado não se exige uma prova para progredir? Por que razão os médicos, políticos, engenheiros, entre outros funcionários do Estado, não fazem «provinha»? Não defendo que estes profissionais precisem de fazer «provinha». Apenas procuro destacar a singularidade da «provinha» para os professores.
Por que razão se destina aos professores, ainda por cima para lá do meio da carreira? Qual é o seu objectivo? Passar a ideia para a opinião pública que os professores são suspeitos de incompetência e são os culpados do actual estado de coisas na Educação?
Destina-se a impedir a progressão? Basta alegar dificuldades de tesouraria e suspende-se a «provinha» por uns tempos... e sem «provinha» não há acesso ao escalão seguinte...
Há dinheiro para tudo mas parece ser cada vez mais escasso para pagar os professores, os tais que asseguram a formação das pessoas... vital para o futuro do país... coisa somenas...
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Quinta-feira, Janeiro 07, 2010
Professores de luto e em luta 186: salvamento do país nas mãos dos professores
image (c)Há dinheiro para cobrir os desvarios do BPN, para os enormes buracos financeiros de muitas empresas públicas repletas de boys e para os investimentos megalómanos no betão, mas não há dinheiro para pagar os professores.
O país só se salva se o trabalho dos professores for barateado e a carreira emperrada. Assim se percebem as prioridades de investimento do país. Não é habitual dizer-se nos discursos que a Educação é importante para o futuro do país?
O Ministério da Educação já confessou publicamente que eram económicas as questões condicionantes da progressão da carreira dos docentes, condições impostas pelo Ministério das Finanças.
Como escreveu Santana Castilho, no Público de 06.01.2010, «apenas poderão ter ficado surpreendidos os distraídos, já que Sócrates procurou, desde o primeiro momento, construir uma escola de pouco custo e a “tempo inteiro”». O corte nos custos e o desinvestimento no sector da Educação passa sobretudo pelo barateamento do trabalho dos agentes de ensino.
Além disso, quer-se «professores proletarizados sujeitos a mecanismos burocráticos de controlo, sem autonomia intelectual e pedagógica, com horários dilatados e salários reduzidos.»
Recorde-se:
Falhou acordo (da passada semana: as negociações de hoje decorrem noite dentro - ver novidades AQUI)
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...1 até agora
| Este post é |
«Aquela pancada no coração»
photo (c)«A poesia do José Agostinho Baptista apela sobretudo ao coração. Acho que podemos saber muito de poesia, mas ninguém consegue pôr um verso a seguir ao outro como o faz J. A. B., e obter aquela sensação de beleza, aquele assombro, aquela pancada no coração», disse António Fournier (Diário 06.01.2010), a propósito do lançamento do nº 27 da Margem 2 dedicada ao referido poeta.
José Agostinho Baptista nasceu em 1948, no Funchal, ilha da Madeira. Com 21 anos, veio para Lisboa, onde iniciou a sua carreira literária e onde continua a residir.
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Quarta-feira, Janeiro 06, 2010
Professores de luto e em luta 185: E se o Governo ouvisse a OCDE nesta matéria?
O slogan Teachers Matter foi adoptado pela UNESCO para a comemoração do Dia Mundial do Professor, em 2008.poster origin
Um relatório publicado pela OCDE em 2005 – Teachers matter (os professores importam) – inscreve «as questões relacionadas com a profissão docente como uma das grandes prioridades das políticas nacionais».
É curioso como o Governo português tem caminhado no sentido inverso. A prioridade para a profissão docente, para José Sócrates, é precarizar e baratear o trabalho do professor, suscitar a inveja social relativamente aos profssionais do ensino e criar conflitos de classes colocando pais contra professores, contribuindo para a desautorização acentuada do professor nas comunidades, com graves prejuízos, por muito anos, para o sistema de ensino.
Mas eles não querem saber dos prejuízos e da qualidade da aprendizagem na escola. Interessa é pagar ainda menos aos professores. E assim tudo está resolvido.
E se a sociedade portuguesa não quer assumir a Educação e a escola pública como investimento prioritário, estou como o outro: faça-se a sua vontade. Não vale a pena angustiar-se por isso.
Recordar:
Governo tenta virar opinião pública contra os professores, uma vez mais
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Terça-feira, Janeiro 05, 2010
As velas ardem até ao fim (6): tratado sobre a amizade
As velas ardem até ao fim de Sándor Márai.«Não há processo emocional mais triste e mais desesperado que quando uma amizade entre dois homens arrefece. Porque entre um homem e uma mulher tudo tem determinadas condições, como o regateio no mercado. Mas o sentido mais profundo da amizade entre homens é precisamente o altruísmo, o facto de não querermos o sacrifício do outro, nem ternura, não querermos nada, apenas manter o acordo duma aliança silenciosa.»
«[U]nidos por laços de uma relação meticulosa e misteriosa que se chamava, em linguagem comum, amizade.»
«Éramos amigos, não companheiros, compadres, ou camaradas. Éramos amigos e não há nada na vida que possa compensar uma amizade. Nem mesmo uma paixão devoradora pode oferecer tanto prazer como uma amizade silenciosa e discreta proporciona àqueles que são tocados pela sua força.»
«Porque a amizade não é um estado de espírito ideal. A amizade é uma lei humana rigorosa. Na antiguidade era a lei do mais forte, nela se baseavam os sistemas jurídicos das grandes civilizações. Para além das paixões e do egoísmo vivia essa lei, a lei da amizade, nos corações humanos.»
«Era mais poderosa que a paixão que persegue os homens e as mulheres com uma força desesperada, para se unirem, a amizade não podia levar à desilusão, porque não queria nada do outro, podia-se matar o amigo,mas a amizade que se formou na infância entre duas pessoas, talvez nem a morte a pudesse matar: a sua recordação continua a viver na consciência das pessoas, como a recordação dum acto heróico silencioso. E realmente, é um acto heróico, no sentido fatal e tácito da palavra, sem o embate de sabres e espadas, um acto heróico, como qualquer atitude humana que é desinteressada.»
pp102-104 (Publicações Dom Quixote: 19ª edição: 2009)
Recorde-se:
(5) : música que não é para divertir
(4) : capacidade de mudança
(3) : conformar-se e suportar
(2) : carácter é inalterável
(1) : essência do ser é imutável
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Segunda-feira, Janeiro 04, 2010
Professores de luto e em luta 184: Governo tenta virar a opinião pública contra os professores
Os professores têm responsabilidades e funções específicas face à maioria do funcionalismo público.(c) Anterozóide
Antes de mais, o essencial é saber se a sociedade portuguesa está disposta ou não a investir, de facto, como uma prioridade na prática, no sector da Educação e nos seus recursos humanos, que são basilares para o funcionamento do sector. Para quando apostar a sério na Educação e na qualificação a sério dos portugueses (ver final deste texto)?
Quer-se de facto bons (melhores) professores ou apenas lhes pagar menos (mal face às suas responsabilidades, formação e funções)? Se são avaliados com rigor, os bons docentes não têm de ser pagos de acordo com o seu trabalho e mérito?
O Governo, para baratear o trabalho dos professores, com esperteza, decidiu nesta nova legislatura, por um lado, esvaziar os temas polémicos (com desgaste público para o anterior Executivo), como a absurda divisão da carreira em duas categorias e um sistema de avaliação do desempenho burocrático e impraticácel, e, por outro lado, centrar as atenções na questão das quotas na carreira, alegando que assim acontece na restante Função Pública e os docentes não podem ter tratamento diferenciado.
O Governo, que sabe que o português não quer que o vizinho esteja melhor de vida, procura vender a ideia de que os professores são privilegiados, que têm uma carreira diferente da maioria da Função Pública, sem as famosas quotas, o que dá campo para a inveja social. Esconde-se deliberadamente as especificidades da docência e a homogeneidade funcional do desempenho dos professores.
Por alguma razão os docentes são considerados um corpo especial no âmbito da Função Pública, devido às especificidades da profissão, como os militares ou os médicos também possuem as suas especificidades próprias. Os professores não têm funções administrativas como a maioria do funcionalismo público. Têm outras responsabilidades. Não se pode comparar o que não é comparável, apenas com o intuito de baratear o trabalho e gerir a opinião pública.
Os corpos especiais são justificados, legislativamente, como carreiras com um nível de responsabilidade, estatuto, exigência, perigosidade, requisitos ou conteúdos funcionais especializados que justificam um regime específico de retribuição.
O actual de contexto de crise (e Portugal não está sempre em crise?) serve de álibi para acabar com os corpos especiais, no que se reflecte na carreira e remunerações, tal como as multinacionais se aproveitam do momento para despedir trabalhadores e/ou precarizar o trabalho.
NOTA:
Se pensam que a educação é cara, experimentem quanto é que custa a falta de qualificações e produtividade dos portugueses:
«Portugal tem décadas e décadas de uma relativa indiferença em relação à escola», disse António Nóvoa. «A sociedade portuguesa, desde sempre, nunca foi uma sociedade muito fundada na cultura escolar. [...] Esta resignação da sociedade portuguesa está-nos a custar muito caro. [...] Mas é preciso fazer um esforço muito maior.»
Diz ainda que há o «problema do desinvestimento que está a haver hoje em dia na Educação, tanto na educação básica e secundária, como na educação superior. [Lançou-se] a ideia para a sociedade portuguesa que se gastava demais na Educação para ter fracos resultados. Os fracos resultados é verdade. O investir demais em educação nunca foi verdade em Portugal. Foi verdade durante dois ou três anos. Em 1998, 1999 e 2000 nós aproximámo-nos da média europeia. Em dois séculos Portugal investiu dois ou três anos.»
E concluiu: «Não é possível transformar uma situação de atraso de dois séculos sem termos um esforço de alguma continuidade. Nesse sentido, estou inteiramente de acordo com o comentário do Engenheiro José Sócrates, citando aliás uma frase famosa do presidente da Harvard University, quando diz que se pensam que a educação é cara, experimentem quanto é que custa a ignorância. Mas, isto não pode ser só discurso, tem que ser práticas políticas.»
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Domingo, Janeiro 03, 2010
Mais uma vez se provaria a inutilidade das dispendiosas campanhas eleitorais
O Expresso refere que a «ligação do indivíduo a um partido é habitualmente considerada como resultado de factores sociais. Mas uma equipa de académicos norte-americanos afirmou recentemente que a identificação partidária pode ser transmitida genética e não socialmente.»photo origin
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |
Para um 2010 explosivo
photo origin«Na comunicação ao País, sexta-feira, o PR apontou três razões para o perigo de um 2010 "explosivo": desemprego, défice e endividamento. Referia-se ao Continente. Mas então que dizer de uma terra onde são dramáticas as situações de desemprego, défice, endividamento, mas também autoritarismo, discriminação, favorecimento, compadrio e veniaga, galopinagem, maniqueísmo, esbanjamento, corrupção e concorrência desleal, tudo à descarada?»
Luís Calisto
Diário 3.1.2010
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...2
até agora
| Este post é |
Sábado, Janeiro 02, 2010
Comissão para investigar se padre era comunista? (Actualizado 3.1.2010)
«Temos regiões do país onde não é permitido pregar o evangelho, o amor, apontar as mazelas reais», disse Jardim Moreira sobre um caso na Madeira.(c) Diário
«Na região da Madeira, o meu colega [cónego Manuel Martins], que era pároco da sé catedral do Funchal [foi afastado do cargo a 5 de Setembro último], porque falou nas missas da defesa das crianças, dos pobres do Funchal, teve atrás dele uma comissão do Governo do Madeira para investigarem se ele era comunista. Como se nós tivéssemos num país não sei o quê», disse Jardim Moreira, presidente em Portugal da Rede Europeia Anti-Pobreza, à RTP, falando em pressões constantes. «Por defender e falar da pobreza é colocado numa aldeia», frisou, considerando não ser possível que «não haja liberdade de pregar pela defesa dos pobres.»
Ler mais:
IOL (2.1.2010)
Diário de Notícias da Madeira (7.9.2009)
Nota posterior:
Esclarecimento da Diocese do Funchal (2.1.2010)
Diário de Notícias da Madeira (3.1.2010)
Jornal da Madeira (3.1.2010)
Deixe uma acha para a fogueira ou um contra fogo...0
até agora
| Este post é |



