«Alguém tem de se manter calmo neste manicómio» G. K. Chesterton

Domingo, Fevereiro 28, 2010

Reerguer-se

origem da imagem

Quando está em causa a vida, a sobrevivência e a dignidade humanas, as pessoas unem-se, convergem e, com naturalidade, alargam o conceito de “parentesco de sangue”.

O movimento de solidariedade nacional relativamente à Madeira está a ser tão impressionante tal como a resistência à tragédia e a genica colocada pelos madeirenses na reconstrução e no voltar à normalidade.

Com este alento solidário e a reacção vigorosa dos madeirenses, é mais fácil reerguer-se.

Uma semana depois, foram apagados muitos dos vestígios da catástrofe, em vários locais da ilha, em especial na capital.

Advertências para evitar as pedras salientes da calçada

Com tanta pedra saliente na calçada, neste momento, é difícil não baixar a cabeça e colocar os olhos no chão
photo origin

Várias advertências têm dido emitidas desde sábado passado, de modo a que aqueles que tentem atribuir responsabilidades que não sejam exclusivamente imputáveis à natureza, tenham tento na língua. É a parte política da catástrofe.

«Eu dei instruções a toda a gente que trabalha comigo que tudo o que seja calúnia, tudo o que seja acusação não fundamentada mandem levantar processos», disse o presidente do Governo Regional, na Grande Entrevista (RTP1, 25.2.2010), para condicionar a acção dos «abutres», que venham criticar as opções do Executivo Regional, em termos de ordenamento do território, que se relacionem com as consequências da catástrofe. Já no próprio dia 20 se alertara os «miseráveis».

Ontem o Diário publicou uma opinião de Pedro França Ferreira com mais avisos à navegação: «Nestes temporais apareceram poucos Especialistas e muitos Zandingas. Os primeiros, conhecedores e úteis, que utilizam as suas advertências com objectivos didácticos, tiveram a grandeza de serem muito comedidos no "eu bem disse" e de reconhecerem a excepcionalidade da situação. A esses pedimos: Continuem a agitar as nossas consciências.»

Quanto aos «outros, os ignorantes e pequenos, que quase pareciam contentes por poderem dizer "eu bem disse", esquecendo-se que, com tanta profecia da desgraça que fizeram e que falharam, alguma vez o acaso lhes iria dar razão. Desses não precisamos. Podem fazer como o Emanuel Gimes, e tornar-se Zandingas noutras terras.»

Aí está, é preciso muito talento e cuidadinho (maleabilidade) para andar no fio da navalha com o devido equilíbrio (didactismo).

Mas, e se o especialista comedido, com fins didácticos, que reconhece a excepcionalidade da situação, sem nunca proferir o fatídico "eu bem disse", afirmar que as consequências materiais e pessoais da catástrofe não terão sido a 100% imputáveis à situação natural excepcional?

É nestas horas que me lembro das palavras de um ilustre calhetense, o juíz Ferreira Neto, que escreveu no Tibuna da Madeira (10.03.2006) o seguinte: «para sobreviver numa ilha, além do mais bem pequena, é preciso dar muita volta à imaginação, ter alguns cuidados como regra e evitar as pedras da calçada que estão mais salientes. Talvez seja por isso que muitos andam tristes e cautelosos a olhar para o chão como nas procissões.»

Há gente a falar com muito cuidadinho e muitos outros que nem se atrevem a fazê-lo. Hélder Spínola da Quercus pediu para a sociedade civil chegar-se à frente e falar do que viu no dia da catástrofe e retirar as suas ilações. É claro que ninguém acredita de isso vá acontecer na praça pública depois de tanta advertência e tantas predras salientadas na calçada...

Jardim do Mar e Paúl do Mar com acesso

Com a chegada de mais escavadoras, foi possível antecipar a abertura da estrada regional que permite o acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar, a partir do Estreito da Calheta. Ao fim da tarde de sábado já se circulava.

Sábado, Fevereiro 27, 2010

Está lá tudo 1: Raimundo Quintal na RTP Madeira, em 23 de Dezembro de 2009





Este vídeos reportam-se a declarações de 23 de Dezembro de 2009, aquando das cheias no Norte da ilha. Raimundo Quintal termina dizendo: «com o continuar da precipitação não é preciso ser muito esperto para perceber que mais desmorenamentos vão acontecer e até podem haver mais cheias.»

Entretanto, ao Expresso, esta semana, o geógrafo madeirense afirma que alertou várias vezes as autoridades, nos últimos anos, para o desastre que poderia ocorrer na ilha, mas chamaram-lhe "fundamentalista, radical e inimigo da Madeira". E defende: «O que não foi bem feito não deve ser reconstruído»

Algumas passagens:

«Em primeiro lugar é preciso dizer que, por muito bem ordenado que estivesse o território, com a gravidade do que ocorreu na manhã de 20 de Fevereiro e somando ao que vem a chover desde Dezembro, haveria sempre consequências, mortos e destruição. Disso não tenho dúvidas.»

«Mas a meu ver o que correu mal foi o facto de se ter acreditado, desde há muitos anos, que apenas com obras de construção civil se resolvem os problemas dos cursos de água. Não é verdade. Alguns casos poderiam ter-se evitado se dentro dos leitos das ribeiras não existissem britadeiras e materiais.»

«Nem tudo o que se fez foi bem feito por quem tem responsabilidades nesta terra. Cometeram-se erros, também se fizeram coisas bem feitas, mas o que não foi bem feito não deve ser reconstruído.» «Há situações em que voltar a construir no mesmo sítio é estar a deitar dinheiro pela ribeira a baixo.»

«Haver coragem de dizer que não é possível construir mais em determinados sítios onde existem riscos de escorregamentos, ou que estão em leito de cheia.»

«Algumas dessas obras [de canalização das ribeiras] foram bem feitas, foram importantes para defender localidades, tanto no Funchal como fora do Funchal. Mas outras não.»

Todos viram, então que falem

Quercus disponibiliza informação sobre o temporal do dia 20 em Núcleo Regional da Madeira

Hélder Spínola da Quercus teve a atitude certa ao desafiar a sociedade civil a falar. Isto de ficarem duas ou três vozes a falar não adianta. São facilmente isoláveis, são chamados de miseráveis ou abutres e ameaçados de serem processados em tribunal, como forma de pressão, se contrariam a versão oficial.

Se a população da Madeira não tem nada para dizer de fundamentado e se tem medo, então não se queixe depois.

Cansado de apontar erros ambientais e ignorado por autoridades e população, o referido ambientalista afirma que agora chegou a hora da sociedade civil se chegar à frente e dizer de sua justiça, como relatado ontem pelo Diário:

«As pessoas que falem daquilo que viram, daquilo que sabem, se entendem que tudo isto é um castigo da natureza (...) ou se [também] há outros factores».

A Quercus Madeira já deixou algumas dicas, numa espécie de relatório preliminar, apontando 22 falhas na organização e ordenamento do território.

Recorde-se:
Dúvidas para a sociedade civil e quem de direito responder

Contributos para o debate 2 [actualizado 01.03]

Dúvidas para a sociedade civil e quem de direito responder [actualizado 28.2]

Depois de ouvir a entrevista de Judite Sousa ao líder da Região e alguns peritos sobre as causas da tragédia de 20 de Fevereiro na Madeira, ficaram algumas dúvidas, fundamentadas segundo este cidadão, que os governantes e os peritos saberão, com certeza, esclarecer nos próximos tempos:

- Tendo nós conhecimento de 17 aluviões anteriores na Madeira, isso faz do aluvião de sábado passado uma tragédia anunciada?

- Tendo sido este o 18º aluvião que a Madeira sofre, que poderia ter sido feito antes deste e o que poderemos a partir de agora fazer para prevenir e minimizar as consequências humanas («com a vida das pessoas não se brinca») e materiais (com quem vê os seus negócios [património] de uma vida inteira prejudicados não se brinca») de futuros aluviões?

- Por mais ordenado que estivesse o território e reflorestados os cumes das montanhas não haveria sempre destruição de bens e danos pessoais, numa situação excepcional de precipitação como a do passado sábado?

- Um aluvião é sempre uma situação excepcional. Pode a Madeira preparar-se melhor para essas situções de excepção? Como? Ou não podemos fazer nada (se teremos de nos resignar) face a essas situações de excepção para evitar a magnitude dos danos pessoais e materiais do dia 20?

- Se a elevada densidade populacional faz com que se construa e fixem populações em leitos de cheia das ribeiras ou em locais com perigo de ecorregamento, que soluções existem para contornar este problema?

- Porque vieram detritos (lama e pedras) em tão grande quantidade pelas ribeiras abaixo? A erosão/desflorestação das serras ou os aterros terão alguma coisa a ver com isso?

- A obra privada licenciada pelas entidades públicas está dentro ou fora da obra feita desde há 30 anos na Madeira?

- As responsabilidades são exclusivamente da elevada precipitação? A acção (e muita obra) humana, nomeadamente das últimas décadas, não teve influência?

- As zonas de risco dos leitos da ribeiras continuarão a ser ocupados, inclusive por quartéis de bombeiros? Devem ser ocupados por equipamentos como jardins ou parques ou zonas para agricultura?

- O leito das ribeiras deve estar preparado para as situações normais ou para as situações de anormalidade e emergência (cheias) como no passado dia 20 de Fevereiro?

- As ribeiras estarem limpas foi importante, mas estarem ocupadas no leito natural de cheia ou cobertas será que ajudou a água e os detritos a se manterem dentro desse leito actual das ribeiras? E o estado dos muitos afluentes chamados de ribeiros?

- A canalização das ribeiras evitou catástrofe maior, pelo facto de terem contido a água no seu interior, nas zonas intermédias, entre as zonas altas e a baixa do Funchal?

- A foz das ribeiras, onde afluem e se concentram as massas de água de montante, não têm de ser as zonas mais largas e desimpedidas para a água e os detritos possam desaguar sem risco de bloqueio?

Entrevista de Judite Sousa ao presidente do GR da Madeira, Alberto João Jardim

«Como não rebentou o que eu fiz, a reconstrução que eu vou fazer é seguindo a linha do que até agora fiz»

«Eu dei instruções a toda a gente que trabalha comigo que tudo o que seja calúnia, tudo o que seja acusação não fundamentada mandei levantar processos», disse o presidente do Governo Regional, na Grande Entrevista (RTP1, 25.2.2010), para condicionar a acção dos «abutres», que venham criticar as opções do Governo Regional que se relacionem com as consequências da catástrofe.

O líder da Região entende que aqueles que apontam erros no ordenamento do território têm como objectivo o «ajuste de contas políticas», reduzindo, por isso, a intervenção de alguns técnicos e académicos (sobre as causas na origem da catástrofe) ao âmbito da luta política. «Para me atacar e atacar a administração pública da Madeira».

Às acusações de falhas na organização e ordenamento do território, o governante madeirense contrapõe a existência de Parque Natural correspondente a «dois terços do território». E justifica a construção de casas em determinadas zonas devido à densidade populacional: «Eu tenho três vezes a densidade populacional do Continente, que vive apenas num terço do território

«Esta gente vivia na miséria até à Autonomia [e] fizeram a sua casinha no pequenino bocado de terra onde podiam ir fazendo...», continuou o governante, tendo a entrevistadora interrompido para dizer que «agora ficaram sem as casas.» Alberto João Jardim responde: «faltam 320 casas e vou fazê-las.»

E continuou o seu raciocínio: «E chegava aqui e o que eu fazia? Ia dizer casas todas abaixo e a senhora emprestava-me um barco para mandar embora dois terços da população da Madeira.» E remata: «É bom falar e dizer umas asneiradas. É bom os abutres se exibirem...»

Como declarou na Grande Entrevista, «com a vida das pessoas não se brinca». Bem como «com quem está sem abrigo não se brinca, com quem não tem acessos não se brinca, com quem vê os seus negócios de uma vida inteira prejudicados não se brinca». Isto a propósito da obtenção de verbas para a reconstrução.

«Que lições retira daquilo que aconteceu?», perguntou Judite Sousa, a que o presidente do GR responde: «As lições eu já as conhecia. Porque este é o 18º aluvião que a Madeira sofre». A jornalista insiste: «a culpa não foi só da chuva, pois não?» O governante ironiza: «foi minha, se calhar».

E acrescenta que a culpa «nem foi da chuva.» E diz mais adiante: «a água passou onde devia passar, as ribeiras estão canalizadas. É que não foi a água que rebentou. O que veio foram detritos e o volume de detritos, que veio de montante para juzante, fez saltar a água. Porque se as ribeiras não estavam canalizadas hoje não havia cidade do Funchal.»

Para concluir, o líder regional salienta que «esta política que eu fiz está certa, o que ficou de pé e intocáveis foram as obras da Madeira da Autonomia». Judite Sousa logo perguntou se «tenciona reconstruir tudo tal como como as coisas estavam», a que respondeu o entrevistado: «Como não rebentou o que eu fiz, a reconstrução que eu vou fazer é seguindo a linha do que até agora fiz.» Ou seja, «afastar aquele tipo de construção que vinha do Estado Novo, do Afonso Costa e do D. Carlos, que foi o que me rebentou por aí abaixo.»

A entrevistadora da RTP pergunta: «Não retira responsabilidades políticas nem civis do que aconteceu?» O presidente do GR afirma: «Eu não». E justifica: «Eu não porque o que eu fiz está de pé

Tempo esclarecerá:
Dúvidas para a sociedade civil e quem de direito responder

Em 1999, abaixo-assinado reivindicara túnel [actualizado 28.2]

A prova da entrega do abaixo-assinado em 15.02.1999, numa audiência com o secretário regional do Equipamento Social

Apoiamos e subscrevemos já o actual abaixo-assinado da iniciativa Paúl do Mar, mesmo que no século passado a iniciativa do Jardim do Mar não tenha merecido a mesma recepção. Em 1999, um dos slogans utilizados foi «seja solidário, as pedras não escolhem».

Ainda bem que as grandes derrocadas do último sábado, que ainda mantêm encerrado o acesso Estreito da Calheta-Jardim do Mar, tenham servido, finalmente, de alerta para aqueles que relativizaram a preocupação com a segurança do referido acesso, quando circulou o abaixo-assinado de 1999. Há males que vêm mesmo por bem.

Clicar para aceder ao abaixo-assinado de 1999 a reivindicar túnel Ribeira Funda-Jardim do Mar

Esse antigo abaixo-assinado, entregue às autoridades regionais em 15.02.1999, da iniciativa de residentes do Jardim do Mar, contou com 154 subscritores. Praticamente toda a sua população adulta.

Na altura, tentou-se que a população do Paúl do Mar, que em breve viria a utilizar o acesso Estreito da Calheta-Jardim do Mar, já que estava eminente a construção do túnel Jardim do Mar-Pául do Mar, também juntasse as suas assinaturas, para dar mais força reivindicativa à pretensão de maior segurança no acesso às duas freguesias.

No entanto, a receptividade foi difícil, já que a atenção estava concentrada na ligação em túnel para Paúl do Mar-Jardim do Mar. Chegou mesmo a ser mal interpretada por alguns e houve mesmo quem se desse ao trabalho de "mandar bocas" num jornal regional a denegrir a liderança da iniciativa do Jardim do Mar. Temiam esses alguns que pudesse condicionar a construção do túnel para o Paúl do Mar...

Não é essa atitude de então que vai impedir a população do Jardim do Mar (documento já está no Joe's Bar) de subscrever o novo abaixo-assinado, agora da iniciativa do Paúl do Mar. Bem pelo contrário.

As questões acessórias não devem fazer perder de vista o essencial: a segurança de todos aqueles, residentes e não residentes, que circulam no perigoso acesso Estreito da Calheta-Jardim do Mar.

Sem esquecer que a população do Jardim do Mar e o Governo Regional deram, na época, prioridade à construção da famosa e polémica promenade, que custou pelo menos 10 milhões de euros, e não à construção de um acesso seguro à freguesia. Na altura, alguns chegaram a defender uma situação de compromisso, promenade mais estreita, sem entrar no mar, e o resto do investimento ser aplicado na segurança da estrada para o Jardim do Mar, mas de nada serviu.

Recorde-se:
Ganha força a reivindicação de um túnel para acesso seguro ao Jardim do Mar e Paúl do Mar

- Derrocadas
- Segurança das pessoas deveria estar em primeiro lugar (Pedras em 10.07.2009)
- Jardim do Mar «mais seguro»?
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 4 (Pedras início Fevereiro 2010)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 3 (Diário aborda problema em 14.02.2008)
-Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 2 (Pedras em 04.10.2009)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 1 (Pedras em 15.12.2009)

Sexta-feira, Fevereiro 26, 2010

Ganha força a reivindicação de um túnel para acesso seguro ao Jardim do Mar e Pául do Mar

A elevada insegurança no acesso ao Jardim do Mar poderá ter solução. Louvamos que a autarquia e os pauleiros se tenham juntado à antiga reivindicação dos jardineiros.

O abaixo-assinado feito no Jardim do Mar e entregue às autoridades ainda antes da construção da promenade e do túnel de acesso ao Paúl do Mar de nada serviu. Hoje a autarquia apoia a solução do acesso em túnel, para bem dos jardineiros e pauleiros:

«É uma estrada que está sempre condicionada todo o ano, mesmo no verão», afirmou o presidente da Câmara Municipal da Calheta ao JM (26.02.2010), considerando que as «populações têm razão e eu próprio assumo isso. É prioritário um túnel para o Jardim do Mar».

A mesma edição de hoje do JM dá conta que os populares, perante as frequentes derrocadas, solicitam a «concretização rápida da ligação em túnel entre a Ribeira Grande [mais especificamente a Ribeira Funda, no Estreito da Calheta] e o Jardim do Mar»

Na altura do abaixo-assinado, entregue ao secretário regional do Equipamento Social em 15.02.1999, há onze anos, a iniciativa de alguns residentes no Jardim do Mar tentou envolver os pauleiros, mas isso foi mal interpretado por algumas pessoas, que até se deram ao trabalho de denegrir os dinamizadores do documento reivindicativo em certo órgão escrito de comunicação social. Temiam que isso atrapalhasse a então futura construção do túnel para o Paúl do Mar...

Hoje são os pauleiros que fazem circular um abaixo-assinado a reivindicar segurança no acesso ao Jardim do Mar. Só quando deu trovões é que alguns se lembraram de Santa Bárbara (confirma a endémica falta de cultura de risco na população da nossa ilha) mas só temos a saudar e a elogiar que, finalmente, os pauleiros se tenham juntado aos jardineiros nessa reivindicação pela segurança no referido acesso.

Mesmo no Jardim do Mar, aqueles que preferiram, na época, acreditar que o maior perigo vinha do mar e embarcaram na priorização da construção da gigantesca promenade (custou pelo menos dois milhões de contos) já defendem hoje um acesso em túnel, o que é também de saudar.

Esperemos que a solução em túnel ainda vá a tempo e seja tido em conta pelo Governo Regional no âmbito do plano de reconstrução da Madeira após a catástrofe de 20 de Fevereiro.

Recorde-se que, em 14.02.2008, o Diário deu conta que o «Povo pede um túnel» mas «nem um Abaixo-assinado a pedir protecção contra derrocadas valeu no Jardim do Mar» e Paúl do Mar.

«A escarpa sobranceira à estrada regional ameaça desabar e o povo reclama uma ligação em túnel que sirva de alternativa ao centro da freguesia», continuava a notícia. «Quase invariavelmente, as épocas de chuvas, conjugadas com algumas abertas de sol, provocam queda de pedras da escarpa que tombam sobre a estrada entre o Estreito da Calheta e o Jardim do Mar.

O Diário, nessa edição de há dois anos, lembra ainda que Manuel Baeta, presidente da Câmara Municipal, «considerou legítima a aspiração dos populares e assumiu que "a zona é um tanto ou quanto perigosa".

Breve memória:
- Derrocadas
- Segurança das pessoas deveria estar em primeiro lugar (Pedras em 10.07.2009)
- Jardim do Mar «mais seguro»?
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 4 (Pedras início Fevereiro 2010)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 3 (Diário aborda problema em 14.02.2008)
-Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 2 (Pedras em 04.10.2009)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 1 (Pedras em 15.12.2009)

Acesso ao Jardim do Mar não abre antes de domingo à noite

Fala-se que a dantesca derrocada e consequente deslizamento de terras no acesso ao Jardim do Mar, via Estreito da Calheta, poderá ser removida até domingo à noite.

Hoje passei pelo local e a imagem é elucidativa ainda do muito trabalho que falta fazer, apesar de mais duas grandes escavadoras terem-se juntado à primeira. Ainda por cima com o mau tempo (chuva e vento) que se fazem sentir neste momento, será optimista falar na abertura da estrada para domingo, mesmo que no final do dia.

Marcas do mau tempo permanecem no Jardim do Mar

A entrada do túnel de acesso ao Pául do Mar, a partir do Jardim do Mar, fica um lago sempre que chove

Passada quase uma semana, o acesso ao Jardim do Mar continua a ser limpo depois das diversas derrocadas. Eis algumas imagens, para serem conjugadas com aquelas do dia do temporal:

Ponte improvisada enquanto a água que corre entre as casas não é desviada

Muita água tem corrido do penhasco sobranceiro ao Jardim do Mar

Ainda bem visíveis os vestígios da lama no parque de estacionamento

Barreira com sacos de areia na entrada do Jardim do Mar, para desviar as águas que venham a acumular-se na estrada

É temporal, ninguém leva a mal

Os jardineiros e pauleiros, na prática, ficaram tão encurralados como os residentes no Curral da Freiras

Há residentes do Jardim do Mar e Paúl do Mar que se têm queixado de terem sido um tanto esquecidos, no seu isolamento, bloqueados pelas diversas quebradas e deslizamentos de terras, no passado sábado e dias seguintes.

Justino Abreu Santos, médico, declarou ao JM de hoje que «dizer que não se sabia, ao fim de cinco dias, que a estrada estava interrompida é uma coisa que não aceito», lembrando que a freguesia esteve completamente cortada durante dois dias.

A preocupação das autoridades e os meios concentraram-se, como é compreensível, nos efeitos da catástrofe no centro do Funchal, algumas zonas altas da capital e no isolamento do Curral das Freiras.

Apesar de o concelho da Calheta não ter sido tão fustigado como o Funchal ou Ribeira Brava, aconteceram três mortes em consequência directa do temporal. No outro dia, na RTP1, eram apenas contabilizadas duas mortes, o que está incorrecto.

Professores com ordem para não descer ao Pául do Mar e Jardim do Mar

Zona mais "segura", a algumas centenas de metros do Paúl do Mar, em que se vêem ainda muita lama e pedras na estrada

Os docentes do Pául do Mar e Jardim do Mar receberam hoje a indicação para não descer o acesso pela Fajã da Ovelha, depois de estes dias, especialmente ontem, terem recebido a ordem para se apresentar nas escolas. Há relatos de professores a chegar ao Pául do Mar em lágrimas na passada quinta-feira, tementes do risco.

É de saudar a decisão dos responsáveis em evitar a circulação de pessoas, tendo em conta a perigosidade do acesso - devido à grande probabilidade de mais queda de pedras ou deslizamentos das muitas escarpas -, sem esquecer a morte ocorrida nesta estrada, no passado sábado, devido a queda de pedras, e a chuva e o vento previstos para hoje.

Recorde-se que, em boa hora, o Sindicato dos Professores da Madeira tomou posição sobre o facto de os docentes terem atravessado, desde segunda-feira, a ilha, circulando por zonas muito afectadas ou nas quais persiste a possibilidade de derrocadas ou deslizamentos: LER AQUI comunicado.

Recorde-se:
Acesso Fajã da Ovelha - Pául do Mar
Porque a segurança está em primeiro lugar, SPM tomou posição
Professores convocados para regressar às escolas do Jardim e Paúl, não importa como
Professores circulam, "normalmente", desde segunda-feira, em zonas de catástrofe

Acesso Fajã da Ovelha - Paúl do Mar

São muitas as quebradas e deslizamentos de terras ao longo da estrada de acesso ao Pául do Mar, via Fajã da Ovelha

Desde quarta-feira, a meio do dia, foi dado como transitável, pela Protecção Civil, o acesso rodoviário regional para o Pául do Mar/Jardim do Mar, a partir da Fajã da Ovelha.

Recorde-se que foi neste acesso que, tragicamente, no dia 20, perdeu a vida um responsável da brigada de limpeza da Direcção Regional de Estradas, muito conhecido neste concelho. Procediam à limpeza do acesso quando uma pedra se desprendeu da escarpa e ceifou a vida.

Com a melhoria do tempo até meio da tarde de hoje, após dois dias de "estabilização" das escarpas, e antes que viesse a chuva (começou a cair pelas 17h30 no Jardim do Mar), resolvi arriscar descer.

As fotografias que aqui se apresentam são das zonas mais próximas do Pául do Mar, porque não me arrisquei parar nas zonas mais expostas e perigosas para fazer qualquer boneco.

Deu para verificar que, a estrada regional que liga Pául do Mar e Fajã da Ovelha continua enlameada e com muitos vestígios de queda e deslizamentos de pedras e terra. Não foi por acaso que o acesso esteve muito condicionado desde sábado até quarta-feira.

Tenho a informação que a Rodoeste esta semana não arriscou descer para ir buscar os alunos do Jardim do Mar e/ou Pául do Mar, das Escola Básica e Secundária da Calheta e da EB 1, 2 e 3/PE Professor Francisco Barreto.

Há zonas em que a circulação se faz apenas numa via, face à quantidade de lama e pedras ainda por limpar

Sócrates é fixe

photo (c)

O título deste post resume o que foi declarado, pelo presidente do Governo Regional, ontem na Grande Entrevista na RTP, com Judite Sousa.

Afirmou-se surpreendido, pela positiva, com a forma como o Primeiro-Ministro está a colaborar com a Madeira, decorrente da catástrofe do dia 20, declarando categoricamente que o machado de guerra está enterrado. Porque não é hora para questões acessórias da política. «Este País pode enterrar uma série de machados que não tem importância nenhuma e em que andamos a gastar uma série de energias.»

De outra forma não poderia ser nas actuais circunstâncias trágicas e deve-se tirar o chapéu ao presidente do Governo Regional por, quando é preciso, sanar diferendos acessórios, mudar de direcção (mesmo que implique um golpe de rins) tendo em vista o essencial: o interesse da Madeira e dos seus concidadãos.

Bem como salientar o elevado sentido de Estado e a solidariedade manifestada por José Sócrates, com actos e no imediato, aos madeirenses.

«A catástrofe não caiu do céu»

A Visão desta semana defende que catástrofe na Madeira não caiu do céu:

«Há muito que, em documentos oficiais, se previa uma tragédia como esta. O Ministério Público vai apurar se a negligência das autoridades regionais pode ser classificada como "um crime".»

Quinta-feira, Fevereiro 25, 2010

Porque a segurança está em primeiro lugar, SPM toma posição

O Sindicato dos Professores da Madeira tomou posição sobre o facto de os docentes terem atravessado, desde segunda-feira, a ilha, circulando por zonas muito afectadas ou nas quais persiste a possibilidade de derrocadas ou deslizamentos: LER AQUI comunicado.

«A deslocação rodoviária dos docentes foi, na prática, considerada, circulação automóvel necessária e indispensável nos dias imediatamente após a catástrofe de proporções épicas.

Em caso de acidente com algum professor, forçado a circular em zonas instáveis que ainda apresentam riscos de derrocada ou deslizamento, para apresentar-se ao serviço, a quem cabe a responsabilidade?»

Professores convocados para regressar às escolas do Jardim e Paúl, não importa como

O Jardim do Mar está bloqueado por duas grandes quebradas, mas, em nome não sabemos de que imagem de normalidade dentro da anormalidade de um aluvião, os professores foram convocados, por telefone, para regressar hoje às escolas.

A escola do Jardim do Mar ainda não funcionou esta semana porque o acesso do Jardim do Mar (via Estreito da Calheta) está completamente bloqueado e o acesso do Pául do Mar (via Fajã da Olvelha) esteve oficialmente condicionado até ontem à hora do almoço, embora continue a apresentar riscos, como dava conta ontem uma reportagem da RTP Madeira. A escola do Pául do Mar tinha funcionado, parcialmente, com os professores que lá residem.

Achou-se por bem hoje dar ordem, via telefone, aos professores (a residir no exterior) a se deslocarem às escolas das duas freguesias por esse acesso da Fajã da Ovelha.

Hoje temos a informação de que os professores do Paúl do Mar estão ao serviço mas que no Jardim do Mar os professores não se apresentaram.

Sabemos do alerta online do Serviço Regional de Protecção Civil, IP – RAM, quanto aos «riscos que representam, com estas condições, os percursos auto e apeados, sobretudo nas zonas montanhosas e vertentes expostas», bem como recomenda ainda que, «face ao estado em que se encontram muitas das infraestruturas rodoviárias da Região, em consequência do dantesco temporal deste fim de semana, e persistindo a possibilidade de derrocadas ou deslizamentos de terras, a circulação automóvel deverá reduzir-se ao indispensável e efectuar-se com toda a precaução, prestando especial atenção aos avisos, sinalização e recomendações das autoridades e forças de segurança.»

Nem a trágica morte ocorrida, nesse mesmo acesso, no passado sábado, de um trabalhador da brigada de limpeza das estradas do GR, parece impressionar. Morte que se deu em consequência de um desprendimento de pedras.

Sabemos da elevada perigosidade que esta estrada apresenta. Ainda ontem, quem por lá se arriscou por sua conta, deu conta dos riscos de desprendimento de pedras.

Sabemos que hoje havia relatos de mais desprendimentos de pedras no acesso ao Paúl do Mar via Fajã da Ovelha.

Sabe-se que a Escola Básica e Secundária da Calheta até ao dia de hoje não enviou transporte para buscar os alunos (sitiados) do Paúl do Mar, pelo acesso da Fajã da Ovelha.

Sabemos ainda que amanhã e depois estão previstos chuva e vento, numa altura em que a situação na ilha ainda é instável. A meteorologia ainda nem consegue hoje prever ao certo o que vai acontecer em termos de valores de precipitação e vento.

Apesar disto tudo, segundo foi relatado pelos professores, convocou-se hoje por telefone os docentes para irem trabalhar de imediato para a escolas do Pául do Mar e Jardim do Mar. Por sua conta e risco. À conta do destino.

Não sabemos quem assume as responsabilidades em caso de algum acidente. Não sabemos quem assume o facto de colocar-se o valor da normalidade lectiva (em tempo da anormalidade de uma catástrofe) acima do valor da segurança.

Recorde-se:
Professores circulam em zonas de catástrofe desde segunda-feira

Imagens inéditas da Vila da Ribeira Brava, Tabua e Lugar de Baixo

Madeira 20.02.2010 Vila da Ribeira Brava, Tabua e Lugar de Baixo

Clicar em cima para accionar o slideshow. As imagens foram captadas pelo meu fratello Celso F Sousa, que, vindo do Funchal pelas 10 horas da manhã de sábado, atravessou a pé a Vila da Ribeira Brava, Tabua e Lugar de Baixo, até conseguir chegar à Ponta do Sol e apanhar boleia para a Calheta.

Professores circulam, "normalmente", desde segunda-feira, em zonas da catástrofe

Zona da Tabua tem sido atravessada por dezenas de professores, desde o dia 23, como se tudo estivesse normal.

Será que os professores estão equiparados aos corpos especiais de intervenção em catástrofe, ao lado de polícias, bombeiros e brigadas de limpeza?

Sabemos do alerta online do Serviço Regional de Protecção Civil, IP – RAM, quanto aos «riscos que representam, com estas condições, os percursos auto e apeados, sobretudo nas zonas montanhosas e vertentes expostas», bem como recomenda ainda que, «face ao estado em que se encontram muitas das infraestruturas rodoviárias da Região, em consequência do dantesco temporal deste fim de semana, e persistindo a possibilidade de derrocadas ou deslizamentos de terras, a circulação automóvel deverá reduzir-se ao indispensável e efectuar-se com toda a precaução, prestando especial atenção aos avisos, sinalização e recomendações das autoridades e forças de segurança.»

Mas, quanto aos professores, eles têm atravessado, desde segunda-feira, a ilha de um lado para o outro, mais de uma vez ao dia, passando pelas zonas muito afectadas ou nas quais persiste a possibilidade de derrocadas ou deslizamentos.

Isto entra em contradição com o que diz hoje a Secretaria Regional de Educação e Cultura (ver o Diário), que aconselha que, até à próxima sexta feira, inclusive, as escolas já abertas "sejam apenas utilizadas pelas crianças cujas famílias não tenham outra alternativa para a sua guarda em segurança, a fim de evitar circulação automóvel desnecessária".

E eu a pensar que as pessoas em circulação em dadas zonas, segundo o acima citado aviso da Protecção Civil, constituiria ainda um risco e até atrapalharia os trabalhos de limpeza das estradas... Mas, se calhar, tais apelos dirigir-se-ão, afinal, à população em geral, excluindo equipas de limpeza, bombeiros, polícias e, claro, professores.

Os professores representam, assim, circulação automóvel «indispensável» e o aviso da Protecção Civil não lhes diz respeito.

Os docentes circulam por sua conta e risco, para não arriscarem faltas injustificadas. A questão que se coloca é esta: quem assume a responsabilidade em caso de acidente?

Tudo em nome de uma normalidade dentro da anormalidade do «dantesco temporal» que assolou a Madeira. O valor da segurança não é, sobretudo nesta hora, mais importante do que o valor da (aparente) normalidade?

Não são as indicações da Protecção Civil a terem a primazia neste momento?

Contributos para o debate 1

A imagem idílica e endémica do "cantinho do céu", muito cultivada por cá, faz-nos crer que o "paraíso" está a salvo de qualquer tragédia.
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A catástrofe que se abateu sobre a Madeira no passado sábado, depois da advertência que constituiu o temporal de 1993, estava previsto e sabia-se que era possível acontecer. Toda a gente ouviu esses alertas repetidos, apesar das tentativas de desacreditar, publicamente, algumas vozes.

Estar 100% solidário com os madeirenses, sobretudo os directamente atingidos, neste momento de grande tristeza e apoiar-se a acção governamental para a rápida recuperação desta tragédia, não pode ser confundido com a suspensão da massa crítica, sobretudo aquela que é abalizada e pode contribuir, no futuro, pelo menos, para evitar tão elevado grau de gravidade das consequências conhecidas.

A natureza, pelo poder que tem e até pelo seu grau de imprevisibilidade, tem a sua boa quota parte de responsabilidade, até pelo que fica além do controlo humano. Mas o Homem madeirense estará isento de responsabilidade? Nem 1% de responsabilidade lhe pode ser atribuída? É 100% responsabilidade da natureza?

As raras pessoas que logo tiveram a coragem de indagar sobre quaisquer responsabilidades das opções de quem nos governa, que não fossem exclusivamente atribuídas ao tempo atmosférico, receberam logo o nome de «miseráveis», os tais "inimigos" da Madeira e do desenvolvimento do costume. A contar com o escasso sentido crítico sobre a perspectiva oficial apresentada e o luto/emotividade decorrente da tragédia. Nestas circunstâncias, é-se facilmente alvo de deliberada desinterpretação e ostracização pública. É mais seguro estar calado.

Ontem e hoje o Com que Então ...! publicou algumas reflexões no sobre as culturas de risco e de responsabilidade. A nossa cultura de "cantinho do céu" relativiza risco e inibe responsabilidade.

É a cultura de risco e a cultura de responsabilidade que têm procedido ao licenciamento de construção de habitações (bem como centros desportivos e até quartéis de bombeiros...) no leito de cheia das ribeiras e outras zonas de risco?

Já que, desta vez, não se pode culpar José Sócrates pela tragédia, é crível que as responsabilidades sejam exclusivamente imputadas à elevada precipitação?

A acção (e muita obra) humana, nomeadamente nas últimas décadas, nada tem a ver com o assunto?

São perguntas que têm vindo a ser colocadas publicamente e que os peritos independentes deverão responder nos próximos tempos. O debate segue-se.

Quarta-feira, Fevereiro 24, 2010

Efeitos do temporal no Jardim do Mar

Imagem do acesso ao Jardim do Mar, bloqueado por esta primeira grande derrocada, em altura e extensão, entre o Estreito da Calheta e o túnel de acesso ao Jardim do Mar.

Podemos ver uma escavadora, no dia de ontem, a operar no topo, a cortar o penhasco de cima para baixo. Os trabalhos levarão mais alguns dias.

As atenções estão concentradas, é claro, nas zonas mais fustigadas pelo temporal de sábado, mas há pequenas desgraças noutros sítios. No mesmo sábado, morreu um trabalhador (calhetense) dos serviços de limpeza das estradas do GR, atingido por uma pedra, no acesso ao Paúl do Mar e Jardim do Mar pela Fajã da Ovelha.

Muita água e lama correu na nova via de acesso ao Portinho, na fatídica manhã de 20 de Fevereiro

Uma segunda grande derrocada no acesso ao Jardim do Mar, junto do túnel para o Paúl do Mar

Água, lama e pedras à chegada do Jardim do Mar

Vista de sul da grande derrocada entre o Estreito da Calheta e o túnel de acesso ao Jardim do Mar

Sábado, Fevereiro 20, 2010

«A buganvília a tingir-se de vermelho, trepando»

E para acompanhar estas imagens da buganvília, no Funchal, O JARDIM (link para vídeo com a música) dos Mão Morta:

Há tanto tempo que não me ocupo do jardim
A última vez estava frondoso
A buganvília a tingir-se de vermelho
Trepando O perfume inebriante
E as festas ao cair da tarde
Parece que foram há séculos
Noutra encarnação
Os meus amigos traziam as bebidas
E a jovialidade
O jardim enchia-se de gente
De beijos
Pelos cantos Sôfregos de desejo

Inventavamos planos de rebelião
Sonhos de transmutação
Passavamos horas a inventar
Entre duas carícias
Surgiam ideias puras e inocentes
Como a nossa vontade de tudo abarcar
Era um frenesim constante
Faz-me pena agora
Olhar para ele
Para as suas sebes abandonadas
De ramos retorcidos
Jaz tombada a grande epícea
E uma enorme cratera
Substitui os belos canteiros de outrora

Há tanto tempo que não me ocupo do jardim

Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa : february 2010

Sexta-feira, Fevereiro 19, 2010

A derreter

Há quem vaticine que a obra irá cair aos bocados, nas próximas décadas, mas há quem alerte de que já está ser derretida: «A "obra" de Jardim (obra da Madeira Nova) está a ser derretida pela chuva, tirando aeroporto e algumas vias rápidas» (Luís Calisto, director do Diário, 14.02.2010).

Quanto ao aeroporto, não sei se pode ser "tirado". Devemos lembrar que o derretimento é de outra ordem: entre meados de Dezembro e meados de Fevereiro já esteve fechado demasiadas vezes devido ao mau tempo.

É um aeroporto novo e internacional que herda muitos dos problemas do velho aeroporto: as condições climatéricas velhas teimam em pôr à prova o aeroporto novo, no que toca à sua operacionalidade e rentabilidade.

O aeroporto teima ou tarda em não ter o efeito esperado na economia regional, isto é, na principal actividade e fonte de riqueza da Região: o Turismo.

Recorde-se:
Palavras sem obra são tiro sem bala
Ondas Velhas continuam a testar Obras Novas
Obra poderia ter sido mais espaçada no tempo

Quinta-feira, Fevereiro 18, 2010

No comments

Quarta-feira, Fevereiro 17, 2010

Avatar, uma leitura

Avatar tem um companheiro natural (e obrigatório) no filme Baraka, sem esquecer a trilogia Qatsi.

Após passar as semanas de correria ao filme, fui ver AVATAR. Embora as muitas expectactivas geradas, elas foram superadas.

James Cameron oferece-nos um mundo para além da nossa imaginação, com uma beleza exuberante, ao mesmo tempo que nos fala de valores fundamentais da Humanidade, que a sociedade actual (alienada) esqueceu em parte.

Aqui entra a sugestão para o visonamento do filme Baraka, pessoalmente um dos filmes mais marcantes de sempre, recentemente restorado e reeditado em DVD e Blu-Ray (mostra alguns dos melhores e piores aspectos da relação natureza - vida humana), como ainda da trilogia Qatsi: Koyaanisqatsi, Powaqqatsi e Naqoyqatsi («we do not live with nature any longer; we live above it, off of it as it were; nature has become the resource to keep this artificial or new nature alive»).

A história (enredo) não é original, inovadora ou revolucionária no seu todo, mas não será o mais importante no cinema: a forma como tudo é contado faz a diferença (efeito de verosimilhança e efeito dramático). O misticismo ou a ecologia são temas há muito abordados, é verdade, mas a pertinência resultante da actualidade dessa temática e a forma como é abordada (combinada) conferem profundidade e densidade dramática ao filme. Avatar é resultado do cruzamento de um humano com os "aliens", os humanoids de Pandora. Nasce um ser superior, melhor.

E o filme nem vale sobretudo pelos efeitos especiais, como opinam alguns, que são óptimos, com os 3D a transportar-nos mais para dentro da tela (concorrente para o tal efeito de verosimilhança), a acentuar a magnitude e exuberância das imagens, mas já existem outros filmes com excelentes efeitos especiais.

A mensagem ecológica é central. A natureza exuberante do planeta Pandora faz lembrar as florestas tropicais que estamos a destruir a grande velocidade na Terra. Em nome do Equilíbrio natural, da existência pacífica e em harmonia com a Natureza, o antes humano Avatar toma o partido do povo Na'vi, apresentado como povo superior pelos valores que abraçam. Ao ponto do protagonista trair a sua própria raça, como o acusa o coronel, no final. Diz Jake Sully/Avatar: «There's no green there. They killed their Mother, and they're gonna do the same thing here

Não é apenas nem sobretudo pela relação afectiva individual com uma "alien" (Avatar não é uma história de amor - não é o Titanic 2) que o protagonista trai a sua raça. É pelo colectivo e pelos valores que tem esse colectivo. À volta dos valores nunca nos enganamos e mantemos o Equilíbrio.

A riqueza ("império") dos Na'vi é de ordem natural e espiritual e não feita de metais preciosos arrancados à natureza para satisfação individual momentânea ou para fazer obra (através da qual os homens procuram ganhar a imortalidade). Este povo representa o bem e os humanos o mal.

A sobrevivência e a felicidade acontecem em harmonia com a natureza e não a destruindo, em nome do lucro, para extrair riquezas naturais. Neytiri, a companheira do Avatar, diz: «Our great mother Eywa does not take sides, Jake; only protects the balance of life.» É por este valor superior que Jake (Avatar) vai lutar ao lado dos humanoids, a fim de evitar a destruição da Mãe natureza pela mão dos humanos, como o fizeram na Terra. Estamos em 2154.

O humanos são mais fortes do ponto de vista do seu poderio bélico, mas os Na'vi são mais fortes ecológica e espiritualmente, em que os seres vivos vivem todos em harmonia com a natureza. Há uma luta entre valores materiais (humanos) e valores ecológicos e espirituais (nativos de Pandora). É significativo que o povo de Pandora viva numa grande árvore (Hometree), que é o primeiro alvo do plano de destruição pelos humanos. A queda desse santuário representa a queda da natureza na Terra.

No final, ao expulsarem os humanos de Pandora, depois de vencerem o seu poder bélico, o agora nativo Jake Sully afirma: «The aliens went back to their dying home

Os humanos passam a ser os "aliens". O Homem é ganancioso e não olha a meios para atingir os seus fins materiais (Selfridge diz: «This is why we're here: because this little gray rock sells for twenty million a kilo»). Os militares estão ao serviço das corporações para extorquir recursos naturais, neste caso para servir de fonte de energia à Terra (recorde-se a guerra pelo petróleo no Iraque).

Jake Sully (Avatar) pensava que como guerreiro faria a paz (definitiva) mas a realidade não será bem essa. Teve de fazer a guerra ao lado dos nativos de Pandora. «I was a warrior who dreamed he could bring peace. Sooner or later though, you always have to wake up

Isto leva-nos ao facto de o povo Na'vi ser guerreiro. Se não o fosse teria sido destruído. E com ele o seu planeta. A resistência pacífica não resulta neste contexto, como não resulta noutros. É recordar o discurso realista de Barack Obama quando recebeu o prémio Nobel da Paz:

«A non-violent movement could not have halted Hitler's armies. Negotiations cannot convince al Qaeda's leaders to lay down their arms. To say that force is sometimes necessary is not a call to cynicism it is a recognition of history; the imperfections of man and the limits of reason. [...] So yes, the instruments of war do have a role to play in preserving the peace

A personagem Trudy Chacon desabafa: «I was hoping for some kind of tactical plan that didn't involve martyrdom

Até na guerra os Na'vi surgem integrados/em parceria com a natureza; há uma sintonia entre os humanoids e os outros seres vivos. O Homem mune-se de máquinas (artificiais) para fazer a guerra e destruir. O povo guerreiro nativo não tem as máquinas terrestres e aéreas dos humanos, mas contam com aliados do mundo natural: animais em terra e no ar. O mundo natural, incluindo as criaturas animais, fazem parceria com eles.

No final, não venceu quem tinha mais bombas, mais poderio bélico, no sentido que conhecemos como humanos.

Para o Homem, a luta pela sobrevivência implica a subjugação ou a destruição do outro. É uma questão de "eu ou tu", não de "eu e tu". Um tem de ser eliminado. A co-vivência é um valor secundário para os humanos. Em nome da sobrevivência (nome benévolo dado à ganância) o Homem justifica a destruição da natureza e de outros povos.

O filme transmite uma mensagem de esperança (ilusão?), neste tempo de crises várias (a maior é de valores) e de um caminho aparentemente sem saída, na nossa relação com a Mãe Natureza. Os cientistas saem bem nessa fotografia, em oposição aos senhores da guerra e às corporações gananciosas.

Nota:
Avatar (Avatāra - "descida") é uma manifestação corporal de um ser imortal segundo hinduísmo. Aliás, a busca do equilíbrio e a união (harmonia) entre o ser humano e o Cosmos faz parte da filosofia do Yoga. Somos feitos da mesma matéria das estrelas...

Terça-feira, Fevereiro 16, 2010

Crise anunciada? 3

Compreendo as razões invocadas, mas se calhar o polvo, seja rosa ou laranja, não explica tudo: Crise anunciada ? (1) e Crise anunciada ? (2).
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«O 'polvo' que estupora o panorama nacional dos media (...) ainda não passa de um polvinho» referiu Luís Calisto no passado Domingo, para depois perguntar: «Que acontecerá naquele Continente se um dia se comprovar que o plano já resultou, como na Madeira?»

O director do Diário conclui que os reponsáveis de lá «preferem fingir que ignoram o polvão de braços longos e viscosos que sufoca a liberdade de informar na Madeira. Esse molusco predador que há 30 anos usa as medonhas ventosas para se alimentar a si próprio e a seus validos, que continua a turvar a vista dos Madeirenses cobrindo a babugem com a sua sinistra tinta camuflante.»

«[I]maginemos que, em lugar de um só noticiário semanal, Sócrates decidia fechar por inteiro um órgão de comunicação com mais de 130 anos e para isso usava todos os meios financeiros públicos necessários e todos os métodos ilegais, exactamente como Jardim faz na Madeira, no seu projecto assumido de levar o Diário de Notícias à falência?»

«E se Sócrates fizesse como o sr. Jardim, que calunia, insulta e enxovalha diariamente os jornalistas com epítetos de corruptos, traidores, comunas, súcias, fascistas, tolos, incapazes, incultos, vingativos, desonestos, gente reles, mentes recalcadas, bastardos, exóticos, incumpridores de estatutos editoriais, ralé que não toma banho? E as jornalistas de vendidas, descompensadas, sovaqueiras...? Que seria de um Sócrates cavalgando tal paradigma?»

«Mas mesmo afectado por indícios e meras suspeições, Sócrates não está livre de cair. Quanto mais se repetisse as ilegalidades tornadas banais na Madeira!»

Recorde-se:
Crise anunciada ? (1)
Crise anunciada ? (2)

Domingo, Fevereiro 14, 2010

A bela e o maestro

Cortejo de Carnaval, Funchal, 2010 [photo (c) Diário].

Recorde-se:
OMC vai tocar em casamentos e baptizados

Sexta-feira, Fevereiro 12, 2010

OCM vai tocar em casamentos e baptizados

Rui Massena, director artístico e maestro titular da Orquestra Clássica da Madeira, desde 2000.
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A Orquestra Clássica da Madeira anunciou que passará a disputar o mercado dos casamentos e baptizados.

Não é uma notícia verdadeira mas já esteve mais longe de ser uma realidade, com a participação agendada para amanhã da Orquestra Clássica da Madeira no cortejo de Carnaval madeirense. Para nem falar que a orquestra toca já em jantares.

Como se isto não bastasse para "engrandecer" a dignidade da OCM, a participação no cortejo far-se-á em playback, segundo consta. Para fingir que se está a tocar poderiam ir uns figurinos quaisquer (umas musas semi-nuas), em vez dos músicos, que já gravaram a música. E os instrumentos também poderiam ser a fingir, para o caso de estar chuva e evitar danos materiais em objectos sensíveis e caros.

Ooooops (5)

Apesar de uma providência cautelar, segundo noticiado ontem, interposta por uma figura citada nas notícias, Rui Pedro Soares, o semanário SOL garante que «estará amanhã nas bancas como habitualmente, incluindo novas revelações sobre as escutas no processo ‘Face Oculta’.»

(Ana Gomes critica, no Causa Nossa - Boys will be... bóis -, a providência interposta por Rui Pedro Soares.)

A «primeira página da edição desta semana do SOL revela que, segundo o Ministério Público de Aveiro, a compra da TVI pela PT era apenas o pontapé de saída para possibilitar a emergência de um grupo de comunicação social favorável ao Executivo».

As cúpulas da Justiça não viram indícios criminais nas escutas que envolviam directamente o Primeiro-Ministro. E não ponho isso em causa. Todavia, é a versão "especulativa" que preside ao julgamento político, na praça púbica, da acção de pessoas ligadas ao Governo. Não se sabe ainda com que consequências.

A liberdade de expressão não está em causa, mas o conteúdo indesmentido das escutas que têm vindo a público, mesmo que não seja prova de ilícito criminal, exige esclarecimentos (políticos). Se não for provada culpa e tiverem lugar os esclarecimentos, deixe-se então cair o assunto.

Pascal Comelade (2)



«Não me recordo de um momento da minha vida em que tenha escolhido ser músico. Músico? Estou longe de ser um músico. Não leio música, não sou capaz de escrever música, não tenho nenhuma técnica e não estou a tentar melhorá-la. Não posso melhorar algo que não tenho.»

Diz assim Pascal Comelade, um artista francês-catalão bem original, neste excerto do Vidéographie Polyfacétique, um filme sobre Pascal Comelade realizado por Olivier Cavaller.

Não é músico, não sabe ler ou escrever música, não tem nenhuma técnica... mas funciona, porque há talento.

Ouvir:
Aqui e aqui.

Quinta-feira, Fevereiro 11, 2010

Ooooops (4)

photo (c)

"A cúpula da justiça tentou camuflar escutas”, afirma o director do Sol:, no I:

«O que verdadeiramente está em causa é a decisão do PGR e do presidente do Supremo ao mandar arquivar estas escutas, porque os indícios, as suspeitas e os factos são tão fortes que só não vê quem não quer. Não pode tomar-se uma decisão de arquivar só porque sim. O despacho de arquivamento não está sustentado. O que está em causa é que a cúpula do aparelho de justiça tentou esconder e camuflar as escutas.» (LER MAIS)

Recorde-se:
Ooooops (3)
Ooooops (2)
Ooooops (1)

Quarta-feira, Fevereiro 10, 2010

Madeira com as orelhas a arder

«O governo mais despesista do País», afirmou hoje o Primeiro-Ministro, na Assembleia da República, pelas 11:55, sobre a Região Autónoma da Madeira. Discutia-se o Orçamento de Estado.

Quando se conhece o despesismo do sector empresarial do Estado (parece representar hoje 33% do PIB, disse uma deputada da oposição), é difícil a Madeira ser tornada o bode expiatório do despesismo nacional.

Sem justificar certos actos de gestão na Região, é curioso o Estado despesista acusar a Madeira de despesismo...

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Jaime Gama preocupado com a credibilidade do primeiro-ministro.

Recorde-se:
Ooooops (2)
Ooooops (1)

Ah sim?

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«A Educação é a chave do futuro», disse hoje José Sócrates na Assembleia da República pelas 11:53, no âmbito da discussão do orçamento.

É porque não parece. Os actos e as políticas têm de ser coerentes com o discurso.

Quando aprova um estatuto do aluno permissivo e desresponsabilizante o Governo está a valorizar a Educação?

Quando insistentemente, nos últimos anos, se desvalorizaram e desautorizaram os professores na praça pública está o Governo a valorizar o Ensino?

Quando é complacente com a insdisciplina e a violência nas escolas o Governo está a valorizar a Escola?

Quando burocratiza e desqualifica a profissão docente, e se dificulta o exercício dessa profissão, o Governo está a valorizar a Educação?

Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

O que Teixeira dos Santos não explicou

Quando a política se mistura com as finanças é difícil saber onde pára a verdade.
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O Diário de hoje dá conta que a Madeira «garante ao Estado mais IVA do que reclama», já que as «importações pagam IVA no continente» e os «serviços prestados na Região geram imposto ao Estado».

A notícia lembra que o «Ministro das Finanças disse aos portugueses que Alberto João Jardim cobrava uma taxa de IVA mais baixa por oportunismo político. E acusou os madeirenses de pagarem menos impostos que os restantes portugueses, nomeadamente em sede de IVA.»

Teixeira dos Santos referiu-se à circunstância da taxa do IVA ser 30% inferior na Madeira e Açores do que no restante território continental (consequência da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia e ao estatuto de regiões ultraperiféricas), mas não explicou:

1. Que esta «redução se aplica apenas aos consumidores, deixando de fora as empresas que importam todos os bens e serviços consumidos na Região.»

2. Que os «transportes dos bens representam, em alguns casos, um agravamento de 30% do seu preço. E que embora o consumidor pague um IVA inferior ao praticado no continente, a taxa de incidência - o preço do bem - é superior, do que resulta uma receita maior.»

3. Que «todas as importações feitas pelas empresas madeirenses são tributadas à taxa nacional. Ou seja, os empresários madeirenses quando vão às compras pagam à cabeça o IVA a 20%, sendo que a liquidação do imposto através das empresas nacionais reverte para os cofres do Estado.»

4. Que o «reembolso é feito a partir da dedução no cálculo da receita do IVA da Madeira, ainda que o pagamento inicial seja feito a favor do Estado. Ou seja, a Região não recebe a receita gerada pelas compras feitas em território continental, mas deduz milhões de euros à sua receita a título de reembolso.»

5. Que a «actividade económica gerada na Madeira - comprovada pelo seu PIB, mesmo expurgando os efeitos do Centro Internacional de Negócios da Madeira/Zona Franca - é grandemente gerada no exterior, através das importações e da prestação de serviços, com destaque para as telecomunicações e banca - 3,5% do negócio da banca portuguesa é feito na Região- que garantindo uma parte substantiva do seu negócio na Madeira não contribuem para a receita fiscal da Região pois liquidam o IVA em território continental.»

Governação e comunicação social, cá e lá

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«Anualmente, o Executivo regional transfere, só para o Jornal da Madeira, uma média de quatro milhões de euros [a Região tem uma população de 255 milhões e, feitas as contas, cada um 'paga' 16 euros para o 'JM'], mais do que todos os portugueses pagam pelos três órgãos de comunicação estatais de âmbito nacional: RTP, RDP e agência LUSA [o Orçamento de Estado de 2010 dedica 164,7 milhões de euros à comunicação social estatal , que dividida por todos os portugueses (cerca de 11 milhões) 'dá' a cada um pouco menos de 15 euros]», conta hoje o Diário.

Diz-se ainda que a «verba [regional dos quatro milhões] não impede que a empresa participada pelo GR continue a dar prejuízo». Ver ainda comentário neste blogue sobre o facto de a Madeira ter vindo a ser apelidada de rica: aqui.

Ora, percebemos o interesse do ponto de vista de estratégia política da governação social-democrata madeirense relativamente ao Jornal da Madeira. Se calhar outro governo faria o mesmo, à sua maneira. Veja-se o que está a ser agora discutido ao nível nacional sobre a alegada tentativa de controlo sobre a comunicação social e liberdade de expressão por parte de uma governação socialista.

A tentação de controlo ou condicionamento do quarto poder por parte do poder político é algo que faz parte da sua genética. Até da condição humana. É um jogo de forças (uma dialéctica dinâmica) que é positivo desde que não se ultrapassem determinados limites e regras.

Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

Madeira rica?

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Ricardo Duarte Freitas, jornalista do Diário, opina hoje sobre um assunto que tem vindo sempre à baila na discussão da Lei de Finanças das Regiões Autónomas: em que supostamente a Madeira é rica.

Uma riqueza apelidada de «esquizofrénica» por aquele jornalista, porque a Madeira «julga que é rica». A Região «fez-se estafeta do PIB, deixando para trás um rasto de fenómenos por explicar, alguns deles silenciados, como é o caso da pobreza que ditou os afastamentos do ex-presidente do Centro de Segurança Social e do cónego da Sé, e outros branqueados como o desemprego». Observa ainda que «98% dos madeirenses nunca ostentou esse 'troféu' feito no delírio do novo riquismo que esconde o desemprego, a pobreza, calotes e falências.»

Quer-se ao fim ao cabo dizer que a Região também colocou o lombo a jeito para ser chamada de rica. Terá sido um erro estratégico, na ânsia política de mostrar trabalho, não expurgar o nosso PIB do efeito da Zona Franca. Perdemos, com isso, fundos europeus e nacionais.

Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 4

Mais uma imagem, da semana passada, da queda de pedras constante no acesso ao Jardim do Mar, Paúl do Mar e Fajã da Ovelha. Como se fosse tão normal e natural como a chuva... E lá gastaram os milhões na promenade como se o perigo viesse do mar e não do penhasco...

Recorde-se:
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 3 (Diário aborda problema em 14.02.2008)
-Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 2 (Pedras em 04.10.2009)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 1 (Pedras em 15.12.2009)
- Jardim do Mar «mais seguro»?
- Segurança das pessoas deveria estar em primeiro lugar (Pedras em 10.07.2009)
- Derrocadas

Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa : september 2009

Domingo, Fevereiro 07, 2010

Política de «estádio»

photo (c)

Câmaras gastam 20 milhões de euros por ano nos estádios municipais do Europeu, diz o Público hoje.

Não, isto não é despesismo. Nem a má gestão de diversas empresas públicas, com enormes passivos. Só a Lei de Finanças das Regiões Autónomas significa esbanjamento.

Com isto não quero desculpabilizar qualquer despesismo ou má gestão na Região. O Diário dá hoje conta que as «sociedades de desenvolvimento - e a Madeira Parques - são hoje responsáveis por 25% do endividamento público da Madeira», acumulando «prejuízos de 98,5 milhões e o negócio gerado paga 18% dos custos». Aquele jornal noticia que, para evitar a falência, vem aí um «novo empréstimo de 100 milhões».

Todavia, por mais críticas que mereçam determinadas opções - a Madeira não pode invocar o despesismo do Estado para desculpabilizar o seu -, não se pode negar que o arquipélago deu um enorme salto no que toca às suas infraestuturas e deixou de estar votada ao esquecimento pelo centralismo. É claro que não concordo com a política de estádio também seguida por cá. É claro que não concordo com uma série de coisas.

É injusto a Região servir de bode expiatório do esbanjamento no País. Tal como o Diário adiantou (06.02.2010), a «Madeira (15%) e Açores (8%) são responsáveis por 0,6% da dívida pública portuguesa directa, que se situava no final de 2008 nos 72% do PIB português, isto de acordo com o Tribunal de Contas.» No contributo para a riqueza do País, «excluindo o sector público empresarial das regiões em apreço», a Madeira fá-lo em 3% e Açores em 2,1%.

Ainda segundo a mesma edição do Diário, enquanto a despesa pública portuguesa representa um «gasto per capita com os cidadãos que vivem no continente de 15.145 euros», as transferências do Estado para as ilhas representam um «esforço de solidariedade de 1.987 euros por cidadão insular, com os madeirenses a valerem 1.577 euros e os açorianos 2.404, ou seja uma discriminação positiva de 52% para os ilhéus dos Açores.»