«Alguém tem de se manter calmo neste manicómio» G. K. Chesterton

Terça-feira, Março 30, 2010

Uma questão de fé

Prova de como o futebol e a fé podem andar de "mãos dadas", isto é, coexistir pacificamente, embora o poster (Bento, Sheu, Néné, Humberto Coelho, entre outros, ainda jogavam neste Benfica dos anos 80) esteja colocado num nível superior.

Devo confessar que me recordo melhor, em muito tenra idade, de ouvir festejar os golos do Benfica (Eusébio), nas tardes de domingo, do que das palavras divinas escutadas na igreja, nas manhãs de domingo.

Nota em 1 de Abril de 2010:
«Será que a ordem é relevante?», perguntou o amigo Roberto, via Facebook, ao que retorqui: «É precisamente esse o ponto de maior interesse desta "composição de fé". Pelo que sei, parece não ter havido intenção da criança-jovem, que encavalitou o poster na cruz, em colocar em causa o lugar cativo do poder divino. Pelo menos de forma consciente...»

Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa : february 2010

Domingo, Março 28, 2010

Benfica beach party III

Os adeptos do Benfica do Jardim do Mar, numa prova gastronómica de manifestação do orgulho benfiquista, realizaram hoje mais uma festa de confraternização, na Vigia, para comemorar a conquista da taça frente ao Porto e a vitória sobre o Braga para o campeonato.
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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa March 28, 2010

Sexta-feira, Março 26, 2010

Elementos sobre o estado da escola pública 64: violência camuflada XV

Este país não é para professores

Síntese de um artigo de opinião com algumas sentenças certeiras:
«Só quem anda longe do meio escolar é que ficou surpreendido com o suicídio do pequeno Leandro ou com o voo picado para o Tejo do professor de Música. Nas escolas, antigamente, preveniam-se as causas. Hoje, lamentam-se, com lágrimas de crocodilo, os efeitos.»

«Pobre senhor [professor Luís]. Se calhar teve o azar de ter que ganhar a vida a dar aulas e não conheceu a sorte daqueles que a ganham a ditar leis do alto da sua poltrona que, em nada, se adequam à realidade das escolas de hoje.»

[É] normal os professores andarem com a cabeça num 'oito' por não se sentirem protegidos por uma ideia pedagógica de que os alunos são o centro de tudo, têm quase sempre razão, que a vida familiar deles justifica tudo, inclusive atitudes violentas sobre os colegas a que agora os entendidos dão o nome de 'bullying'?»

«Segundo os jornais 'Público' e 'i', o professor de Música que se suicidou a 9 de Fevereiro deste ano, parou o carro na Ponte 25 de Abril, em Lisboa, e atirou-se ao rio Tejo. No seu computador pessoal, noticiam os dois diários, deixou um texto que afirmava: 'Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimento, a única solução apaziguadora será o suicídio', disse o licenciado em Sociologia.»

«E à boa maneira portuguesa, lá veio o director regional de Educação de Lisboa [dizer] que o docente tinha uma 'fragilidade psicológica há muito tempo'. Só entendo estas afirmações num país que, constantemente, quer enveredar pelo caminho mais fácil, desculpando os culpados e deixar a defesa para aqueles que, infelizmente, já não se podem defender.»

«É assim tão lógico pensarmos que este senhor professor, por ter a tal fragilidade psicológica, não precisaria de algo mais do que um simples ignorar dos sete processos instaurados àquela turma e que em nada deram?»

A Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), à boa maneira portuguesa, colocou psicólogos na tal turma com medo que haja um sentimento de culpa [nos alunos]. E não deveria haver? Não há aqui ninguém responsável pela morte deste professor?» Nem um pouco?

«Só quem não trabalha numa escola ou não lida com o ambiente escolar pode achar estranho (colocando de lado a questão do suicídio em si) que um professor não ande bem da cabeça pelos problemas vividos dentro da sala de aula em tantas escolas deste país.»

Recorde-se:
Apontam a suposta fragilidade da vítima, mas nada dizem da brutalidade dos agressores

Quarta-feira, Março 24, 2010

Escola, (deixou de ser) lugar de trabalho

«O facilitismo, a desmotivação, a falta de hábitos de trabalho e de competências essenciais estão a arrasar várias gerações»
image (c)

«Sem dúvida, aprende-se brincando», começa por dizer Nelson Veríssimo em artigo de opinião de 07.02.2010, mas a «valorização da actividade lúdica na aprendizagem não invalida, porém, a promoção de hábitos de trabalho e de comportamento social. Antes, pelo contrário.»

O articulista afirma verificar que «muitos dos nossos alunos não adquiriram esses hábitos nem atitudes», apontando caminhos: «Não se pode continuar a pensar que a Escola deve facilitar ao máximo os alunos, aprovando quem não sabe ou não demonstra competências essenciais. Mas, infelizmente, é o que se constata e, por razões diversas, até o defende quem não devia.»

É evidente que «muitos encarregados de educação querem, simplesmente, que os seus educandos passem de ano, não se interessando em acompanhar os seus estudos e em responsabilizá-los pelos resultados escolares.» Por seu lado, os «alunos, na sua maioria, mostram-se desinteressados. A nota mínima contenta grande número.»

Nelson Veríssimo não esquece os «decisores políticos», que «pretendem que os professores reprovem o menor número de alunos, para as estatísticas não revelarem o insucesso do sistema educativo.»

Daí que o «facilitismo, a desmotivação, a falta de hábitos de trabalho e de competências essenciais estão a arrasar várias gerações e a contribuir para o aumento da iletracia, considerada já um drama social no nosso país. Perante este cenário lastimoso, cada vez mais se exige do professor em relatórios, burocracias, investimento na carreira…, faltando, tantas vezes, o tempo e a disponibilidade mental para a missão maior: promover a aprendizagem!»

Conclui o articulista que a «Escola deixou de ser lugar de trabalho» e que, com o «actual estado do ensino, o desenvolvimento económico e o progresso social estão comprometidos

Recorde-se:
Nem sequer revelam interesse pelo trabalho
Zona de esforço não negociável

Domingo, Março 21, 2010

Medidas importantes propostas pela FENPROF

Combate à indisciplina e violência na escola: esperemos que o Ministério da Educação apoie e implemente as propostas para melhorar o ensino e a aprendizagem.
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«Prevenir e não pactuar com as situações de indisciplina e violência na escola», afirma desde logo a resolução do Conselho Nacional da FENPROF de ontem.

Salienta-se que o «stress não pode ser encarado como uma fraqueza ou fragilidade dos professores, alheado de problemas do contexto em que exercem a sua actividade, mas como um sintoma de problemas organizacionais e societais.»

A FENPROF defende que o «stress passe a integrar a lista de doenças profissionais dos docentes, aplicando-se, nesse caso, as medidas de protecção na doença adequadas e legalmente estabelecidas.»

Além disso, defende que as «situações de violência exercidas sobre os professores, durante o seu exercício profissional ou por motivo dele derivado, sejam tipificadas como crime público e punidas de forma agravada. A este propósito, recorda-se que a tipificação das agressões a docentes como crime público foi defendida, já em 2002, pelo Conselho Nacional de Educação.» Defende ainda que aos docentes seja atribuída a "presunção de verdade".

Recorde-se que essa é também vontade do Procurador Geral da República insistir, nos próximos dias, junto do Governo, para que os crimes relacionados com violência escolar passem a ser públicos.

O sistema educativo e muitas escolas continuam a negar (quando podem esconder), a aceitar e a desculpabilizar a indisciplina e a violência que grassam no espaço escolar, mas com a mediatização, decorrente de algumas tragédias, faz com que hoje seja cada vez mais difícil negar a realidade.

Relacionado:
Sobre a autoridade do professor

Certos estudantes «não se interessam por aprender e que intencionalmente procuram que as aulas não funcionem. Não somos escravos deste tipo de alunos, que infelizmente são mais numerosos do que parece».

Sábado, Março 20, 2010

Medidas de combate à indisciplina e violência escolares: será a sério?

Sei que vivo num país de pântanos, de meias-tintas e de faz-de-conta...
Photo (c) Pedro Cunha/Público

O discurso de relativização e aceitação da indisciplina e da violência nas escolas, que se ouviu nos últimos tempos da boca de responsáveis do sistema educativo, no Continente e na Madeira, é contrariado com novas medidas em termos disciplinares.

Todavia, esses responsáveis vão a reboque dos casos mediáticos dos últimos dias, o que é um sinal preocupante. Um sinal de que governam segundo a agenda mediática, empurrados pelos casos que não conseguem camuflar e esconder. Deviam há muito ter tomado as medidas que a realidade exigia.

Quando não saltam para os jornais e telejornais, os casos de violência não se conhecem; é como se não existissem. É assim que a governação politiqueira da Educação funciona. Por isso, o sector da Educação nunca poderia ser dirigido por políticos a defender os seus cargos e estar refém da agenda política.

Noticiou o Público online ontem que, no âmbito da revisão em curso do Estatuto do Aluno, serão introduzidas alterações ao regime de faltas, «com diferenciação entre faltas justificadas e injustificadas», como anunciado pela ministra da Educação.

A ministra disse ainda que a revisão de alguns pontos deste estatuto visa o «reforço da intervenção preventiva das escolas» em casos de violência ou indisciplina. Mais vale tarde do que nunca, mas os danos estão já feitos e acentuados nos últimos anos.

Na verdade, como lembrou o deputado madeirense José Manuel Rodrigues, a anterior ministra, Maria de Lurdes Rodrigues, «elogiava» o actual Estatuto do Aluno, «alegando que devolvia a autoridade ao professor». Não sei como é possível passar-se impune a tamanha mentira. Espero que a consciência da antiga ministra esteja bem pesada.

António Barreto considerou que a principal inspiração do actual Estatuto do Aluno é a desconfiança dos professores. O documento oscila «entre a burocracia, a teoria integradora das ciências de educação, a ideia de que existe uma democracia na sala de aula e a convicção de que a disciplina é um mal.» Nem mais.

Com a crónica desculpabilização e permissividade relativamente à indisciplina, violência e atitude negativa dos estudantes perante o trabalho escolar, espero para ver as medidas em aplicação concreta. Só vendo para acreditar.

Temo que possam resumir-se a meras medidas (de cosmética) para senerar as críticas que se têm feito sentir a esses responsáveis pela actual bandalheira nas escolas públicas, desde a ministra da Educação às direcções dos estabelecimentos de ensino. Para mostrar que se faz mas sem mudar nada de substantivo e sem ter impacto na realidade. É a tal gestão política... Sei que vivo num país de pântanos, de meias-tintas e de faz-de-conta...

Recorde-se:
«A balbúrdia na escola»

Sexta-feira, Março 19, 2010

Elementos sobre o estado da Escola Pública 63: público perde, privado ganha alunos

Enquanto a escola pública perde milhares de alunos, o privado está em ascensão, sobretudo nos últimos anos
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A notícia não espanta ninguém, sobretudo quem, como aqui, tem abordado diversos «elementos sobre o estado da Escola Pública» portuguesa.

«Nos últimos dez anos, o ensino público perdeu mais de 135 mil alunos, do pré-escolar ao ensino secundário», diz o Público (02.03.2010). «No entanto, o número de estudantes nos colégios e externatos aumentou de 15 para 18 por cento do total da rede, em dez anos. Entre 1998 e 2004, fecharam cerca de cem colégios. Mas o ensino privado ganhou um novo fôlego. E, de há seis anos para cá, surgem novos projectos anualmente.»

E porquê a escolha pelo privado? «As famílias que optam pelo privado procuram um ambiente seguro, um projecto educativo virado para o sucesso e um corpo docente estável, dizem os pais, os responsáveis pelas escolas, mas também os investigadores universitários.»

Eu recorreria à escola privada como forma de fugir aos ambientes desfavoráveis ao processo de ensino-aprendizagem, à indisciplina, à atitude negativa perante o trabalho intelectual, à violência escolar, à degradação da qualidade das aprendizagens devido ao facilitismo (e construção fraudulenta do sucesso escolar), à falta de valores, entre outros aspectos.

«É preciso investir na educação dos filhos como fez a avó de Obama: meteu-o numa escola privada cara» (João Vaz - Jornalista, CM 14.11.2008).

Quinta-feira, Março 18, 2010

Elementos sobre o estado da Escola Pública 62: violência camuflada XIV

É claro que os professores, deixados sozinhos, têm também de unir-se para forçar os responsáveis, desde cima a baixo, a tomar medidas e a fazer o que lhes compete quanto à indisciplina e violência na escola
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«[O]s professores (ou pelo menos aqueles dignos de assim serem chamados) deviam unir-se para mudar o estado das coisas. Já vimos que os professores são capazes de mobilizar-se em torno de causas que consideram verdadeiramente importantes como, por exemplo, a progressão na carreira e a questão da sua avaliação.

Eu, como cidadã e como mãe, gostaria de ver os professores unidos pelo respeito pela sua autoridade, e pelo correcto exercício dela. Considero que não abona a favor dos professores que não lutem por isto, que é o cerne do ensino, como lutam por alguns dos seus direitos.

Compete, também, aos professores, se for necessário, lutar por contrariar a podridão que Marques da Silva [Carta do Leitor no Diário de 15.03.2010: decorrente do facilitismo e permissividade, o «resultado foi a Escola, em muitos casos, oferecer à sociedade indivíduos ignorantes, incompetentes e malcriados»] aponta na sua referida carta. Estou convencida que os pais - aqueles que se esforçam por exercer essa função de forma séria - e toda a sociedade civil, os apoiariam. Ficassem os politicamente correctos e os pedagogos de meia tijela a falar sozinhos! Neste momento o poder está na mão deles porque todos nós deixámos...

Conheço imensos professores. Alguns são excelentes, na sua maioria são honestos, sérios e trabalhadores. Querem cumprir a sua missão (ensinar!) e fazer o que está certo, mas frequentemente acabam por desistir. Às vezes são as próprias direcções das escolas que "não querem problemas", ou a Secretaria da Educação que não toma medidas (se calhar porque não pode).

Assim, alguns pais usam o "bullying" para que nada toque ou perturbe o percurso escolar dos delinquentes de amanhã, o sistema protege-os e nós todos vergamo-nos. A mensagem que passa é bem clara: o que está a dar é insultar e ameaçar, e o resto (comportamento, saber, trabalho, competência, esforço, honestidade, etc.) pouco importa. Esta mensagem, aliás, faz eco na nossa sociedade em muitas outras situações...

Autoridade e autoritarismo são coisas muito diferentes. O 25 de Abril trouxe-nos liberdade. O exercício da liberdade não pressupõe um vazio de autoridade. Já vem sendo mais que tempo de os portugueses compreenderem que a autoridade é necessária e faz falta. Depois, só nos faltará exigir às autoridades que as sejam efectivamente. Mas isso já é outro assunto.»

Diário 16.03.2010
Diana Rodrigues

Quarta-feira, Março 17, 2010

Elementos sobre o estado da Escola Pública 61: violência camuflada XIII

É preciso penalizar e responsabilizar tanto quem provoca a violência como quem a desculpabiliza e branqueia. Tanto uns como outros, bullies e quem lhes dá "carta branca", não podem continuar impunes
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Têm surgido, em vários quadrantes, o discurso do "sempre existiu" para legitimar a violência (bullying) em espaço escolar. Aceitar e relativizar para negar a realidade é abandonar as vítimas à sua sorte.

A discriminação da mulher, por exemplo, sempre houve, mas isso não é argumento para legitimar essa discriminação nem para que ela continue a ser aceite como normal, como se de uma boa tradição se tratasse. O mesmo se aplica ao bullying.

«Efectivamente, ao nível das comunidades escolares, sempre houve os empurrões, sempre houve as pequenas agressões, todos nós passámos por isso e sobrevivemos e penso que todos sobreviverão a esse tipo de situações», afirmou à RTP Madeira, em 16.3.2010, o secretário regional de Educação e Cultura.

A relativização e aceitação da violência em espaço escolar é, antes de mais um sinal de desautorização a todos os que procuram, nas escolas, lutar contra a violência continuada dos bullies sobre as vítimas. É, por outro lado, um sinal de incentivo para os agressores e para a impunidade de que gozam tantas vezes.

Ainda bem que PGR quer reforçar criminalização da violência escolar. «A nossa sociedade não pode continuar a ver o aluno como uma criatura intocável, irresponsabilizável e inimputável» [LER MAIS].

Interessa apenas sobreviver? Se as vítimas da violência não acabarem como o Leandro de Mirandela significa que está tudo bem? As feridas e marcas psicológicas que ficam para a vida nas vítimas não têm importância? A violência mais grave e demolidora muitas vezes nem é a física («empurrões»). É a psicológica.

As sociedades vão evoluindo. A civilização tem evoluído. O facto de um comportamento ter sempre existido não o legitima nem serve de argumento para que continue. É uma questão de tradição? Isto é negar o conceito de Educação, aquilo que nos permite estarmos num estádio superior ao dos animais irracionais.

Uma escola que aceita a indisciplina e a violência como normal está doente. Tal minimização da violência constitui a negação da realidade, bem como do valor da Educação, numa gestão do problema que é tudo menos educativa.

A mesma notícia da RTP Madeira referia que, «nos últimos dez anos a Secretaria Regional de Educação e Cultura lidou apenas com dois casos de bullying, ou seja, violência em meio escolar». Supostamente dois casos que ficaram por resolver [esconder?] nas escolas e acabaram por chegar à Secretaria Regional de Educação e Cultura.

Faço três apelos, para que a realidade integre as (ilusões) estatísticas e o bullying não passe incógnito:

Que todos os alunos ou encarregados de educação cujos filhos sejam vítimas de bullying façam chegar à Secretaria Regional de Educação e Cultura esses casos de violência escolar.

Que todos os professores denunciem à Secretaria Regional de Educação e Cultura os casos de violência escolar de que os seus alunos ou eles próprios sejam vítimas.

Que os professores se unam na luta por condições de trabalho, para si e para os estudantes que querem aprender, sem indisciplina generalizada e violência.

A ocultação da realidade serve aos agressores, desresponsabiliza quem tem o dever de agir e penaliza as vítimas.

É preciso penalizar e responsabilizar tanto quem provoca a violência como quem a desculpabiliza e branqueia. Tanto uns como outros não podem continuar impunes.

A propósito:
PGR quer reforçar criminalização da violência escolar

60: Violência camuflada XII
59: Violência camuflada XI
58: Violência camuflada X
57: Violência camuflada IX
56: Violência camuflada VIII
55: Violência camuflada VII
53: Violência camuflada V
15: Violência (des)camuflada IV
13: violência camuflada III
12: violência camuflada II
7: violência camuflada I
38: Bandalheira instalada na pública favorece a privada
30: Onde falhamos nós no público
29: Regras e responsabilização das crianças
27: Responsabilização
23: Leste arrasa postura desculpabilizante

Outros:
10: educação infantil em Portugal (Eduardo Lourenço)
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação
Brincamos mesmo
País de brincalhões
Fomentos da indisciplina [quando o exemplo nem vem de cima]

Segunda-feira, Março 15, 2010

PGR quer reforçar criminalização da violência escolar

Não resolve tudo, mas a via legal da responsabilização, inclusive criminal, tem de ser aplicada de forma clara

O procurador-geral da República vai insistir nos próximos dias junto do Governo para que os crimes relacionados com violência escolar passem a ser públicos, tal como acontece já com os casos de violência doméstica.

Esta alteração iria facilitar a intervenção das autoridades, que passariam a poder intervir sem terem de ficar à espera da apresentação de queixa pelas vítimas.

Em 2007, o procurador-geral da República apontou este tipo de casos como prioritários e logo aí avançou com esta proposta, reforçada agora com um apelo no mesmo sentido feito há dias pelo Instituto de Apoio à Criança.

Ontem, contudo, a sugestão não suscitou qualquer reacção por parte do Ministério da Justiça. Numa entrevista do PGR, concedida há um ano, Pinto Monteiro notava que “hoje já ninguém esconde que há violência nas escolas”.

Senhor PGR, a escola portuguesa continua a negar (quando pode esconder), a aceitar e a desculpabilizar a indisciplina e a violência que grassam nas escolas.

Elementos sobre o estado da escola pública 60: violência camuflada XII

«A nossa sociedade não pode continuar a ver o aluno como uma criatura intocável, irresponsabilizável e inimputável»
photo (c)

«Esta sequência de acontecimentos [suicídio de estudante da uma escola de Mirandela e de um professor de uma escola de Mafra] evidencia bem o estado a que chegámos e revela o grande erro em que persistimos no campo da educação - o aluno está no centro de tudo, enquanto professores e pais são actores secundários, que as orientações do Ministério tentam colocar em lados opostos da barricada», lê-se hoje no Diário, num artigo de opinião.

«A nossa sociedade não pode continuar a ver o aluno como uma criatura intocável, irresponsabilizável e inimputável», continua o articulista Raul Ribeiro. «Na peça do "Público" lia-se que o malogrado Professor Luís era constantemente apodado de "gordo", "careca" e "cão". Mas o mais chocante para mim foi ler a declaração dum dos seus alunos do 9º B,: "Portava-me sempre mal (…) mas somos assim e todas as aulas, é da idade".»

Na verdade, «numa simples frase, dita por um adolescente, que deverá ter entre 13 e 15 anos, está tudo dito sobre as futuras gerações de egoístas sem carácter que estamos formando. O mau comportamento, o insulto e a agressão estão cobertos por um manto de normalidade e resignação, porque não se deve pressionar nem castigar os meninos, para não os traumatizar.»

Acrescentaria que aqui entra a desculpabilização da indisciplina e da violência escolares para a qual a psicologia e a pedagogia muito contribuíram: não há consequência por que se traumatizam os meninos, não se exige trabalho e estudo porque, supostamente, a pedagogia deve fazer o estudante aprender sem esforço e empenho.

«E assim, por todo o Pais, há muitos pais que não são integrados no projecto escolar, e lavam as mãos com a mesma desfaçatez com que ignoram os filhos, muitos professores que se sentem manietados, porque podem levar com uma cadeira na cabeça mas quase não podem levantar a voz, e cada vez mais alunos que reinam, na escola e em casa, porque se aperceberam que quem deveria zelar por eles e impor-lhes regras, lhes concedeu o poder de fazerem o que bem entenderem

Isto é, todas as partes no processo educativo têm de assumir as suas responsabilidades. E os alunos não podem ficar de fora.

Elementos sobre o estado da escola pública 59: violência camuflada XI

Madeira não é nenhum "cantinho do céu" no que toca à indisciplina e violência escolar

A «disciplina democrática» que se aplica aos sectores da vida pública na Madeira não chega às salas de aula, esses espaços de autoridade e regulação difusas (vulgo bandalheira).

O aluno é disciplinado e empenhado nas tarefas escolares apenas se assim entender, porque caso contrário ninguém lhe educa a vontade para nada. Pelo menos o professor já não tem a autoridade para tal. Como não tem autoridade não pode construir uma liderança (ser líder). Por isso, exigem-lhe qualidades de super homem ou super mulher para inventar soluções, sozinho.

«Direcções das escolas nem sempre são solidárias com os professores» foi título de uma notícia no Diário (13.03.2010). «Além das ameaças de agressão fora da escola, não é raro o professor repreender um aluno dentro da sala de aula e depois deparar-se com o carro vandalizado.»

O Sindicato dos Professores da Madeira denuncia que «há professores vítimas dos alunos na Região. Os números são à nossa escala, mas existem, os dramas são reais e estão espalhados um pouco por todos os concelhos». Diz-se ainda que «quase todos preferem viver a situação sozinhos, conforme podem.»

É este isolamento que é preciso ser quebrado e haver uma acção concertada, não sei se liderada pelos sindicatos ou por outro tipo de estrutura associativa de docentes. É preciso que as queixas de foro criminal cheguem ao Ministério Público e que os problemas sejam descritos por escrito e oficialmente à tutela educativa. Nem que seja para evitar que alguns neguem a realidade.

Como outro tipo de vítimas, os docentes muitas vezes ocultam os problemas com medo da censura ou de serem responsabilizados, porque o sistema educativo tenta passar a ideia de que a disciplina e autoridade e liderança na sala de aula depende exclusivamente do professor. Que nada tem a ver com o aluno, a família, a direcção da escola ou a tutela educativa. Como se fosse uma questão de pedagogia...

Domingo, Março 14, 2010

Elementos sobre o estado da escola pública 58: violência camuflada X

Na escola do professor que se matou os casos de violência são constantes, denuncia o Público

Os alertas, inclusive escritos, não tiveram eco na direcção da escola, como não têm o devido tratamento em outras instâncias educativas. É a indiferença e o deixa andar reveladores de uma enorme irresponsabilidade.

Como pode um professor conformar-se com uma escola de falsas ilusões que não promove a cultura, nem o método, nem o rigor, nem a exigência, nem a disciplina, nem o trabalho?

Como se pode um professor conformar-se com uma escola que nega e desculpabiliza a indisciplina e a violência?

«Quem pode levar a sério uma escola em que o próprio ministério fabrica os resultados, proíbe legalmente a reprovação e aceita a violência?» (Vasco Pulido Valente, Público 13.03.2010)

Como se pode tolerar como normal que um estudante, um dos alunos do professor Luís, que se suicidou, diga com o maior à vontade que «portava-me sempre mal, mas não era por ser ele. Somos assim e todas as aulas, é da idade»...

Elementos sobre o estado da escola pública 57: violência camuflada IX

Para alguns, a culpa é da suposta fragilidade da vítima e não da brutalidade dos agressores

Os casos mediatizados do estudante de 12 anos que atirou ao rio e o do professor que «preferiu morrer a voltar ao 9º B», em consequência, no todo ou em parte, da maus tratos de alunos, têm colocado à mostra a complacência com que os responsáveis, desde as escolas ao Ministério da Educação, lidam com o problema da indisciplina e violência na escola pública.

Desde logo pela recusa em falar do caso. E quando falam é para negar a evidência (relativizar, aceitar, minimizar, é escolher o sinónimo) ou ajeitar os factos (desresponsabilização).

O professor que suicidou, bem como outros colegas, segundo o Público, alertaram a direcção da escola para os problemas da indisciplina e da violência, mas nada fizeram.

O facto de o professor em causa ter antecedentes de fragilidade emocional não o torna agressor nem justifica a violência. Bem pelo contrário. Ou será que a sala de aula é uma arena de combate em que as pessoas se portam como animais?

«Apenas lhe propuseram assistir a aulas de colegas para aprender a lidar com as provocações», disse a irmã, também docente, do referido professor. Que bela forma de sacudir a água do capote. A direcção da escola, em vez de fazer o que lhe compete e regular a indisciplina, deixa cada docente sozinho, entregue a si próprio e, ainda por cima, culpabiliza-os. O problema não está no agressor ou no indisciplinado, está no docente que supostamente não sabe lidar com as provocações...

Dá vergonha ser professor neste País... Vale mesmo a pena ser-se empenhado e competente... A qualidade que se pede ao professor é, afinal, saber lidar com as provocações. Tem de impôr respeito (dar-se ao respeito) e ser líder sem autoridade (condições para exercer liderança). É preciso não esquecer a grande erosão da autoridade dos professores nos últimos quatro anos de governo PS e "reinado" de Maria de Lurdes Rodrigues. Isto ninguém pode negar.

«O clima de indisciplina nas escolas está a tornar-se insustentável», escreveu Luís, que era como se chamava o professor em causa. «E ainda há quem culpe os professores, por falta de autoridade. Essas pessoas não fazem a mínima ideia do ambiente que se vive numa escola. Aconselho-as a verem o filme A Turma [Entre Les Murs]». Eu aconselho um outro: Dia da Saia.

Mas, mesmo que poucos optassem pelo suicídio nas circustâncias do Luís, a sua irmã questiona (Público 13.03.2010): «quantos professores não se econtram neste momento de atestado médico ou a leccionar no limite das suas forças, por situações semelhantes?»

E insiste: «Será que um professor tem que ser um super homem? Qualquer um, independentemente das suas características, não tem o direito de ser respeitado?»

Dito de outra forma, os estudantes não sabem que, à partida, até por lei, têm de ter uma atitude disciplinada e não violenta na sala de aula? Os pais não o sabem? As direcções das escolas não o sabem? A regulação da disciplina depende apenas do professor?

Como se pode tolerar como normal que um estudante, um dos alunos do professor Luís, diga com o maior à vontade (Público 12.03.2010) que «portava-me sempre mal, mas não era por ser ele. Somos assim e todas as aulas, é da idade»...

O director regional de Educação de Lisboa, José Joaquim Leitão, que já desculpabilizara os alunos que maltrataram o professor, veio dizer, segundo o Público (13.03.2010) que «Luís apresentaria "fragilidade psicológica desde há muito tempo"» (mais desculpabilização e aceitação da violência escolar) e que o objectivo, em vez de tomar medidas para acabar com a indisciplina e a violência na escola, é perceber se o suicídio foi uma consequência do bullying por parte dos alunos (mais uma tentativa de iludir a realidade de uma forma desavergonhada e irresponsável)...

Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, afirmou que o «pior que pode acontecer neste caso é desvalorizar-se a situação e dizer-se que só aconteceu porque era frágil.»

O senhor José Joaquim Leitão deveria ser imediatamente responsabilizado pela tentativa de branqueamento da situação e falta de vontade política em resolver os problemas. Se os maus tratos dos alunos tiveram um peso que 30, 50 ou 70 por cento no suicídio do professor o que altera de substancial? Deixa de haver indisicplina e violência? Isto não é uma questão de estatística.

São muitos os professores em estado de exaustão física e psicológica. A maioria não se realiza na profissão porque não tem condiçoes para ensinar nas salas de aula deste País e desta Região. Os alunos que querem aprender também não têm condições para o fazer: não vêem cumprido um direito basilar inscrito na legislação, o direito à aprendizagem.

Elementos sobre o estado da escola pública 56: violência camuflada VIII

Recorde-se as palavras de Eduardo Lourenço, um dos mais importantes pensadores portugueses, já em 1978, sobre a educação infantil no nosso País: AQUI

Em Portugal, incluindo a Madeira, que padece do mesmo mal, pensa-se que se educa sem disciplina, responsabilização e consequência. Sem regras e regulação.

É uma educação a fingir, para a indisciplina, para a irresponsabilidade, para a inconsequência, para a improdutividade, para o atraso e a pobreza.

Isto vem a propósito de alegados suicídios de um aluno e de um professor, que saltaram para as primeiras páginas dos jornais nos últimos dias, ambos vítimas de bullying por parte de jovens estudantes.

O director regional de Educação de Lisboa, José Joaquim Leitão, afirmou mesmo que os meninos e meninas da turma que, alegadamente, infernizou a vida do professor e o terá (pelo menos ajudado) levado ao suicídio, devem ser objecto de preocupação para que não haja traumas no futuro, como se maltratar verbal e fisicamente o professor fosse algo normal e não implicasse responsabilização nem consequência.

Esse (ir)responsável da (des)educação disse: «Trata-se de jovens que são na sua generalidade bons alunos e que não podem transportar na sua vida uma situação de culpa que os pode vir a condicionar pela negativa».

Os agressores e agentes de crueldade passam a vítimas. É ser «bom aluno» maltratar os outros? Dos traumas das vítimas ninguém quer saber. Está o director regional de Educação de Lisboa (e certamente os pais desses meninos e a escola...) preocupado com os traumas dos agressores. Isto é uma vergonha.

Mais do que vergonha, é a prova da aceitação da indisciplina e da violência na escola pública portuguesa, começando nos mais altos responsáveis. E tentam negar (ou minimizar, que é a mesma coisa) a realidade quando com ela são confrontados de forma brutal.

A propósito:
15: Violência (des)camuflada IV
13: violência camuflada III
12: violência camuflada II
7: violência camuflada I
38: Bandalheira instalada na pública favorece a privada
30: Onde falhamos nós no público
29: Regras e responsabilização das crianças
27: Responsabilização
23: Leste arrasa postura desculpabilizante

Outros:
10: educação infantil em Portugal (Eduardo Lourenço)
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação
Brincamos mesmo
País de brincalhões
Fomentos da indisciplina [quando o exemplo nem vem de cima]

Atravessar os EUA ao som da música

Mississipi e Route 66

in Público, 06.03.2010 (Fugas)

Quinta-feira, Março 11, 2010

Espectáculo de solidariedade no Madeira Tecnopolo, sábado, 18h00

Bilhetes à venda no SPM, Conservatório e no local do espectáculo no próprio dia

Com o alto patrocínio de Sua Excelência o Representante da República para a Região Autónoma da Madeira e de Sua Excelência o Secretário Regional de Educação e Cultura, realiza-se um espectáculo de solidariedade para com as vítimas do recente temporal, no próximo sábado, dia 13 de Março, às 18h00, no Madeira Tecnopolo (Sala Ursa Maior).

Intitulado Solid’Arte, o evento é organizado, em parceria, pelo Sindicato dos Professores da Madeira (SPM) e Conservatório – Escola de Artes da Madeira (CEPAM). Os bilhetes, com um custo de 10 euros, encontram-se à venda nestas duas instituições e no Madeira Tecnopolo antes do espectáculo.

LER MAIS

Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 6

Capa do Diário de hoje é bem ilustrativa

Sob o título Uma semana, duas grandes derrocadas o Diário refere que os «automobilistas estão revoltados e já não sabem o que fazer para chamar atenção face às 'orelhas moucas' dos governantes. Até Manuel Baeta, presidente da Câmara Municipal da Calheta, reclamou aos microfones da TSF-Madeira, a construção de túnel rodoviário de acesso ao Jardim do Mar como alternativa à estrada que actualmente existe.»

A notícia refere ainda que, «do lado popular dizem ter feito de tudo. Foram efectuados vários abaixo-assinados a reivindicar uma estrada com maior segurança, mas asseguram estar fartos e cansados por não verem uma solução à vista.»

Pois, pena que algumas pessoas só se lembrem de Santa Bárbara quando dá trovões... É bom recordar o passado:

- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 5 (Pedras em 6 e 9 de Março 2010)
- Em 1999, abaixo-assinado reivindicara túnel
- Ganha força a reivindicação de um túnel para acesso seguro ao Jardim do Mar e Paúl do Mar

- Derrocadas
- Segurança das pessoas deveria estar em primeiro lugar (Pedras em 10.07.2009)
- Jardim do Mar «mais seguro»?
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 4 (Pedras início Fevereiro 2010)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 3 (Diário aborda problema em 14.02.2008)
-Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 2 (Pedras em 04.10.2009)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 1 (Pedras em 15.12.2009)

Quarta-feira, Março 10, 2010

Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 5

Será que estes argumentos não têm "peso" suficiente? Significa isto «seguro»?

No passado sábado, 6 de Março, caiu uma derrocada no acesso ao Jardim do Mar. Hoje, de madrugada, voltou a cair, como documenta a imagem.

Esperemos que as gentes do Jardim do Mar e Paúl do Mar, bem como todos aqueles que visitam as freguesias, mereçam um acesso seguro, quando sabemos que são feitos túneis em zonas bem mais seguras da ilha, em que não se colocam tão graves problemas de segurança.

Mas, quem deu prioridade ao investimento de 10 milhões na promenade do Jardim do Mar em lugar de ter cuidado da segurança no acesso ao Jardim do Mar, deve passear-se na promenade quando estiver isolado, para passar o tempo e esquecer as preocupações. Pena que todos tenham de pagar por determinadas opções.

Recorde-se:
- Em 1999, abaixo-assinado reivindicara túnel
- Ganha força a reivindicação de um túnel para acesso seguro ao Jardim do Mar e Paúl do Mar

- Derrocadas
- Segurança das pessoas deveria estar em primeiro lugar (Pedras em 10.07.2009)
- Jardim do Mar «mais seguro»?
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 4 (Pedras início Fevereiro 2010)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 3 (Diário aborda problema em 14.02.2008)
-Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 2 (Pedras em 04.10.2009)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 1 (Pedras em 15.12.2009)

Terça-feira, Março 09, 2010

Elementos sobre o estado da escola pública 55: violência camuflada VII

image (c)

«No território disciplinar que é o seu, que devia ser seguro e disciplinado, a escola devia ser soberana. Assim tenha meios e não baixe os braços», disse o Editorial do Público no passado dia 6 de Março, a propósito do jovem que, em desespero, depois de ter sido alvo de bullying (violência física e psicológica continuada por parte de colegas).

«Numa primeira fase vieram as habituais desculpas: não haveria relação directa entre o afogamento do jovem de 12 anos e eventuais violências sobre eles exercidas na escola», continua o referido texto, para concluir que, «em lugar de procurar respostas, a comunidade acobarda-se e afasta responsabilidades

Sem esquecer que a escola não pode substituir a família, as escolas têm inevitavelmente que ter um papel na «educação das crianças, na sua disciplina, na forma como devem respeitar-se entre si e respeitar os outros».

Segunda-feira, Março 08, 2010

Elementos sobre o estado da escola pública 54: violência camuflada VI

A Federação Nacional dos Professores contraria a tendência de alguns responsáveis camuflarem ou relativizarem a realidade e defende que «são necessárias medidas concretas para combater a violência e indisciplina escolar», recordando que a «violência e a indisciplina em contexto escolar, assim como os fenómenos de bullying, têm tido, da parte da FENPROF, uma atenção muito especial.»

O Secretariado Nacional da FENPROF, reunido em 5 de Março, em Lisboa, manifestou a sua «preocupação pelas situações de violência» que têm vindo a ocorrer nas nossas escolas «com cada vez maior frequência e com consequências por vezes trágicas», como foi o caso recentemente ocorrido em Mirandela.

«Foi nesse sentido que a FENPROF aprovou no seu Congresso uma Resolução na qual defendia a consagração de 12 Medidas urgentes para combater os fenómenos de violência e indisciplina em contexto escolar:

1. A promoção, pelo Governo, com o envolvimento da Assembleia da República e do Conselho Nacional de Educação, junto das escolas e das comunidades educativas, de um amplo debate "Por uma Cultura de Paz e de Não-violência", que saia do foro exclusivamente legal e que procure o estabelecimento de um compromisso, envolvendo, designadamente, as famílias e as comunidades educativas, em geral.

2. A atribuição às Escolas e Agrupamentos de Escolas dos recursos humanos, financeiros e materiais necessários para o desenvolvimento de planos de actividade que concretizem os seus Projectos Educativos».

Recorde-se:
Violência camuflada V

Felicidade é perigosa

Erri de Luca
photo (c)

«Desce-se sempre de uma montanha, porque o cume é inabitável. O mesmo acontece com a felicidade. É perigosa, breve, e sobre ela não se pode fundar nenhum futuro
Notícias Sábado (Diário de Notícias) 09.01.2010

Domingo, Março 07, 2010

Trilogia Qatsi

Koyaanisqatsi - Life Out Of Balance (1983), com imagens do hemisfério Norte (the beauty of the beast that is our way of living because of the collision of two different worlds - urban life and technology versus the environment: a way of life out of balance that calls for another way of living)

Powaqqatsi - Life In Transformation (1988), com imagens do hemisfério Sul (celebration of the human-scale endeavor the craftsmanship, spiritual worship, labor and creativity that defines a particular culture)

Naqoyqatsi - Life As War (2002), o mundo global em que nos encontramos (the most significant event of the last five thousand years: the transition from the natural milieu, old nature, to the "new" nature, the technological milieu)
image origin

A trilogia Qatsi, filmes realizados por Godfrey Regio, com música de Philip Glass, provoca-nos. Mais do que isso, inquieta-nos neste tempo de crise e transição na vida no nosso planeta, em que tendemos a questionar a nossa forma de vida e a nossa relação/equilíbrio com a Natureza.

São filmes apenas com imagens e música, em fusão, que nos falam directamente à nossa alma e sensibilidade. O facto de não haver palavras (narrativa e diálogos) faz com que os filmes não sejam tanto intelectualizados pelo espectador.

«The film's role is to provoke, to raise questions that only the audience can answer», diz-nos o realizador. «This is the highest value of any work of art, not predetermined meaning, but meaning gleaned from the experience of the encounter. The encounter is my interest, not the meaning.»

Veio a propósito de:
Avatar, uma leitura

Sexta-feira, Março 05, 2010

Está lá tudo 4: «Oxalá que nunca se diga que sou profeta»

Quem diz aquilo que alguns NÃO querem ouvir, por mais que seja sustentado técnica e cientificamente, é chamado de Zandinga...

O Diário de Notícias do Funchal publicou, em 13 de Janeiro de 1985, um artigo de opinião intitulado Eu tive um sonho, assinado pelo engenheiro silvicultor Cecílio Gomes da Silva (1923-2005), sobre a iminências das enxurradas desastrosas na cidade do Funchal:

«Traumatizado pelo estado de desertificação das serras do interior da Ilha da Madeira, muito especialmente da região a Norte do Funchal e que constitui as bacias hidrográficas das três ribeiras que confluem para o Funchal, dando-lhe aquela fisiografia de perfeito anfiteatro, aliado a recordações da infância passada junto à margem de uma das mais torrenciais dessas ribeiras – a de Santa Luzia – o mundo dos meus sonhos é frequentemente tomado por pesadelos sempre ligados às enxurradas invernais e infernais dessa ribeira. Tive um sonho.

Adormecendo ao som do vento e da chuva fustigando o arvoredo do exemplar Bairro dos Olivais Sul onde resido, subia a escadaria do Pico das Pedras, sobranceiro ao Funchal. Nuvens negras apareceram a Sudoeste da cidade, fazendo desaparecer o largo e profundo horizonte, ligando o mar ao céu. Acompanhavam-me dois dos meus irmãos – memórias do tempo da Juventude – em que nós, depois do almoço, íamos a pé, subindo a Ribeira de Santa Luzia e trepando até à Alegria por alturas da Fundoa, até ao Pico das Pedras, Esteias e Pico Escalvado.

Mas no sonho, a meio da escadaria de lascas de pedra, o vento fez-nos parar, obrigando-nos a agarrarmo-nos a uns pinheiros que ladeavam a pequena levada que corria ao lado da escadaria. Lembro-me que corria água em supetões, devido ao grande declive, como nesses velhos tempos. De repente, tudo escureceu. Cordas de água desabaram sobre toda a paisagem que desaparecia rapidamente à nossa volta.

O tempo passava e um ruído ensurdecedor, semelhante a uma trovoada, enchia todo o espaço. Quanto durou, é difícil calcular em sonhos. Repentinamente, como começou, tudo parou; as nuvens dissiparam-se, o vento amainou e a luz voltou. Só o ruído continuava cada vez mais cavo e assustador.

Olhei para o Sul e qualquer coisa de terrível, dantesco e caótico se me deparou. A Ribeira de Santa Luzia, a Ribeira de S. João e a Ribeira de João Gomes eram três grandes rios, monstruosamente caudalosos e arrasadores. De onde me encontrava via-os transformarem-se numa só torrente de lama, pedras e detritos de toda a ordem.

A Ribeira de Santa Luzia, bloqueada por alturas da Ponte Nova – um elevado monturo de pedras, plantas, arames e toda a ordem de entulho fez de tampão ao reduzido canal formado pelas muralhas da Rua 31 de Janeiro e da Rua 5 de Outubro – galgou para um e outro lado em ondas alterosas vermelho acastanhadas, arrasando todos os quarteirões entre a Rua dos Ferreiros na margem direita e a Rua das Hortas na margem esquerda.

As águas efervescentes, engrossando cada vez mais em montanhas de vagas espessas, tudo cobriram até à Sé – único edifício de pé. Toda a velha baixa tinha desaparecido debaixo de um fervedouro de água e lama.

A Ribeira de João Gomes quase não saiu do seu leito até alturas do Campo da Barca; aí, porém, chocando com as águas vindas da Ribeira de Santa Luzia, soltou pela margem esquerda formando um vasto leito que ia desaguar no Campo Almirante Reis junto ao Forte de S. Tiago.

A Ribeira de S. João, interrompida por alturas da Cabouqueira fez da Rua da Carreira o seu novo leito que, transbordando, tudo arrasou até à Avenida Arriaga. Um tumultuoso lençol espumante de lama ia dos pés do Infante D. Henrique à muralha do Forte de S. Tiago. O mar em fúria disputava a terra com as ribeiras. Recordo-me de ver três ilhas no meio daquele turbilhão imenso: o Palácio de S. Lourenço, A torre da Sé e a fortaleza de S. Tiago. Tudo o mais tinha desaparecido – só água lamacenta em turbilhões devastadores.

Acordei encharcado. Não era água, mas suor. Não consegui voltar a adormecer. Acordado o resto da noite por tremenda insónia, resolvi arborizar toda a serra que forma as bacias dessas ribeiras. Continuei a sonhar, desta vez acordado. Quase materializei a imaginação; via-me por aquelas chapas nuas e erosionadas, com batalhões de homens, mulheres e máquinas, semeando urze e louro, plantando castanheiros, nogueiras, pau-branco e vinháticos; corrigindo as barrocas com pequenas barragens de correcção torrencial, canalizando talvegues, desobstruindo canais. E vi a serra verdejante; a água cristalina deslizar lentamente pelos relvados, saltitando pelos córregos enchendo levadas. Voltei a ouvir os cantares dolentes dos regantes pelos socalcos ubérrimos das vertentes. Foram dois sonhos. Nenhum deles era real; felizmente para o primeiro; infelizmente para o segundo.

Oxalá que nunca se diga que sou profeta. Mas as condições para a concretização do pesadelo existem em grau mais do que suficiente.

Os grandes aluviões são cíclicos na Madeira. Basta lembrar o da Ribeira da Madalena e mais recentemente o da Ribeira de Machico. Aqui, porém, já não é uma ribeira, mas três, qualquer delas com bacias hidrográficas mais amplas e totalmente desarborizadas. Os canais de dejecção praticamente não existem nestas ribeiras e os cones de dejecção estão a níveis mais elevados do que a baixa da cidade. As margens estão obstruídas por vegetação e nalguns troços estão cobertas por arames e trepadeiras. Agradável à vista mas preocupante se as águas as atingirem. Estão criadas todas as condições, a montante e a jusante para uma tragédia de dimensões imprevisíveis (só em sonhos).

Não sei como me classificaria Freud se ouvisse este sonho. Apenas posso afirmar sem necessidade de demonstrações matemáticas que 1 mais 1 são 2, com ou sem computador. O que me deprime, porém, é pensar que o segundo sonho é menos provável de acontecer do que o primeiro.

Dei o alarme – pensem nele

Lisboa, 11 de Dezembro de 1984»

Recorde-se:
Está lá tudo 3
Está lá tudo 2
Está lá tudo 1
Advertências para evitar as pedras salientes na calçada

Elementos sobre o estado da escola pública 53: violência camuflada V

«Coisas de miúdos» diz a direcção da Escola Luciano Cordeiro de Mirandela, mas agora morreu um aluno. Até quando se vai, cobardemente, escamotear a violência e a indiscisplina nas escolas?
photo origin

Não apanho mais, vou-me atirar ao rio”, terá dito o menino desaparecido no rio Tua, levado ao desespero, segundo relatado, por ser frequentemente ameaçado e agredido por colegas mais velhos. Anteontem, «Leandro não aguentou mais. Saiu a chorar do estabelecimento de ensino, pelas 15h00, e nem o irmão gémeo nem os três primos, sensivelmente da mesma idade, o conseguiram travar» (CM).

Leandro já tinha estado internado no hospital, há um ano, depois de ter sido pontapeado na cabeça por colegas de escola. Um entre vários episódios de violência de que terá sido vítima.

Isto é uma vergonha, para além de ser uma tragédia. A realidade vem dar razão ao Procurador-Geral da República: «Sei que há várias pessoas (...) que minimizam a dimensão da violência nas escolas, mas ela existe. (...) Não quero nem que haja um sentimento de impunidade nem que esse miúdo se torne um ídolo para os colegas. Quanto à escola, ao nível penal, deve existir tolerância zero.»

O Ministério Público está a investigar pelo menos 160 casos de violência escolar, segundo os dados mais recentes divulgados ao Público pela Procuradoria-Geral da República. Os inquéritos foram abertos em 2008 e admite-se "que o número seja maior, já que alguns[processos] não constam do sistema informático" da procuradoria. Se pensarmos que a maioria dos casos é camuflada... e que nunca vem a lume...

Em Mirandela, uma mãe cuja filha tem sido, alegadamente, vítima de violência na mesma escola, denuncia que a direcção da escola limita-se a desvalorizar o problema ao dizer que «são coisas de miúdos». É tudo uma brincadeira. Mesmo perante os factos públicos nega-se a realidade. Imaginemos o que não se esconde quando nem chega a conhecimento público...

A Associação de Pais veio alegar que não havia violência na escola, mas um grupo de mães logo se reuniu para denunciar o oposto, com exemplos de violência sofrida pelos seus filhos na escola.

A Confap quer responsabilizar pais por actos violentos dos filhos, por exemplo, retendo os seus apoios sociais. É um sinal, não sei se é a melhor forma de responsabilização cívica, mas não basta.

Esperemos que a morte do Leandro, com fortes indícios de ter sido um suicídio na sequência de violência física e psicológica continuada no tempo (bullying) por parte dos seus colegas, ao menos não seja em vão e despolete processos crime e medidas no sistema de ensino. A escola não pode ser um limbo de violência impune, como se fosse um espaço sem lei.

Não pode continuar tamanha bandalheira nas escolas, dentro e fora das salas de aula.

A propósito:
15: Violência (des)camuflada IV
13: violência camuflada III
12: violência camuflada II
7: violência camuflada I
38: Bandalheira instalada na pública favorece a privada
30: Onde falhamos nós no público
29: Regras e responsabilização das crianças
27: Responsabilização
23: Leste arrasa postura desculpabilizante

Outros:
10: educação infantil em Portugal (Eduardo Lourenço)
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação
Brincamos mesmo
País de brincalhões
Fomentos da indisciplina [quando o exemplo nem vem de cima]

Quinta-feira, Março 04, 2010

"Pé-descalço" doa prémio de 6.500 dólares às vítimas do temporal

Depois dos milhões de tostões de Timor (750 mil dólares), um "pé-descalço" (sem esquecer os outros nomes) doa prémio monetário à Madeira.photo origin

«O surfista português Tiago Pires doou o prémio de 6500 dólares (cerca de 4600 euros) referente ao 17.º lugar obtido terça feira em Queensland, na Austrália», às vítimas da catástrofe na Madeira, lê-se no Destak/Lusa.

«Tiago Pires, 29 anos, considerado o melhor surfista português de sempre, afirmou ao site da ASP (Associação dos Surfistas Profissionais) que sente a tragédia de forma especial.»

“A Madeira é uma ilha portuguesa, eu vou lá muitas vezes e sinto que ela faz parte de mim. Sinto que é minha obrigação ajudar. Estou muito longe, não posso lá ir agora e esta é a minha forma de ajudar”, afirmou Tiago Pires.»

Recorde-se:
- «Pata rapada» 1
- «Pata rapada» 2
- «Pata rapada» 3
- «Pata rapada» 4
- «Pata rapada» que foi capa da Time

- Nomes chamados aos surfistas em tempos

«Uma campanha do Diário [de Notícias da Madeira] alimentada por pseudo-ambientalistas zaragateiros e participada por alguns “surfistas” estrangeiros, os quais a população do Jardim do Mar sabe se tratar de “turismo pé-descalço”.» (Comunicado da presidência – Diário de Notícias da Madeira, Novembro 9, 2002)

"Foi um folclore alimentado por falsos ambientalistas e sabotadores da economia, que defendem um turismo de pé descalço como é aquele trazido pelos senhores do Surf do Jardim do Mar. Vão fazer Surf para outro lado." (Presidente do Governo - RDP-Madeira, Abril 2003)

Quarta-feira, Março 03, 2010

Nem tudo obedece a calculismos políticos

Henrique Cartoon

Há necessidade e interesse, de ambas as partes, no entendimento. Tanto do presidente do executivo regional, para a reconstrução, como do líder do governo nacional, esvaziando uma fonte de conflito. Ditado pelas circunstâncias da tragédia do dia 20 na Madeira. Como dizia outro, governante, é a vida.

No entanto, as pessoas têm coração. O sentido de Estado do Primeiro-Ministro e a atitude do líder regional em "enterrar o machado de guerra", sem hesitações, face aos tristes acontecimentos na Madeira, não são fruto apenas de calculismos políticos.

Alberto João Jardim sofreu e sofre com os dramas vividos pelos madeirenses desde o sábado trágico e José Sócrates está sensibilizado e solidário com esses dramas.

«Nem sequer revelam interesse pelo trabalho»

photo (c)

O Correio da Manhã de 02.03.2010 publica um artigo de opinião intitulado Fábrica de cretinos, que pode ser chocante, mas é isso que se constata todos os dias, em que é cada vez mais generalizada uma atitude negativa dos estudantes perante o trabalho, primeiro face ao labor académico e depois no próprio mercado do trabalho.

«A ideia de a escola, o ensino e a aprendizagem constituírem um elevador social para os desfavorecidos está a ser aniquilada pela actual crise. Em menos de vinte anos, Bill Gates, Steve Jobs e Paul Alen não deixaram de estar entre os mais ricos do Mundo, mas já se destaca mais o seu sentido de negócio do que a sua paixão pelo conhecimento e a inovação, capazes de mudar o Mundo.

As legiões de jovens com diplomas, mas sem emprego, reduzem os bilionários das novas tecnologias a uma espécie de clube de premiados do Euromilhões. Já nem se vê claramente que aprendizagem contribui para o seu êxito. (...)

O problema é grave. Na semana passada, um jornal britânico registava que o desemprego não cessa de aumentar entre os recém-licenciados. Há sempre os sobredotados e superapoiados que vão directo ao topo depois de saírem de Harvard, Yale, Oxford ou Cambridge, mas a desilusão reina nas grandes massas de diplomados aviados pelas universidades públicas e privadas sem prestígio. Dois números chocavam no ‘Sunday Times’: uma em cada cinco pessoas em idade de trabalhar não tem emprego; dos 1,7 milhões de empregos criados desde 1997 no Reino Unido 81% pertencem a estrangeiros.

Poder-se-ia pensar num declínio de civilização. Instalados na sua subsídiodependência, os britânicos já não teriam ambição e capacidade para singrar. A observação dos factos leva porém a outras pistas: após nove, 11 ou mais anos de escola, os jovens passam ao mercado de trabalho sem um mínimo de capacidades. Pior, nem sequer revelam interesse pelo trabalho.

Num recrutamento, 52 candidatos foram chamados a uma entrevista. Mais de metade chegaram atrasados, 12 não traziam nada com que pudessem tomar notas para resolver um problema e os três seleccionados ficaram sem emprego em menos de seis meses por incompetência e falta de empenho.

Fica evidente que as escolas estão a falhar na sua função. Fabricam cretinos em vez de homens livres, capazes de fazer progredir as sociedades em que se inserem. Com esta Educação, não há hipóteses de um mundo melhor. Nem de uma vida melhor.»

Terça-feira, Março 02, 2010

The Godfather of Metal, Tony Iommi, and Monitor Audio speakers

O guitarrista dos Black Sabbath, Toni Iommi, usa colunas Monitor Audio, como aqui o rapaz
image (c)

«Toni Iommi, the ledgendary musician widely credited as having invented the sound of heavy metal, has joined forces with Monitor Audio to help promote the benefits of dynamic full-frequency music reproduction.

Over the years many famous people have owned a pair of Monitor Audio loudspeakers. But none is so genetically connected with Rock music as our newest endorsee. Tony Iommi is the founding member of Rock giants Black Sabbath and is acknowledged by his peers as having invented the sound of heavy metal.

The guitar supremo uses our current flagship model, the PL300s in a two-channel system, along with Radius HD and Gold GS10 for home cinema and studio duties respectively.

In a new Monitor Audio advertising campaign featured in Classic Rock magazine, the founding member of metal gods Black Sabbath is pictured with a flagship Platinum PL300 speaker.

Mr Iommi, who owns several pairs of Monitor Audio’s speakers, said “I'm delighted to be associated with Monitor Audio and I'm a huge fan of their products. If this helps to get great sound in front of a wider audience, then I’m all for it.”

Michael Johnson, marketing manager of Monitor Audio said, “we were looking for a new creative to showcase some of the technological audio advances we have made at Monitor Audio since the company was formed. We were keen to work with a musician and what better way than to team up with the inventor of some of the most recognisable guitar riffs in rock history?

Mr Iommi uses Monitor Audio's flagship Platinum PL300 speakers in a 2-channel system along with a mix of Radius HD and GS10 speakers for home cinema and studio duties respectively.

‘The performance of Monitor Audio products is outstanding’, adds Iommi, ‘Each part of the range is also incredibly versatile and they look great too’.

As well as his work with Black Sabbath, Tony is a successful solo artist and has worked with many of rock's top names including Henry Rollins, Dave Grohl, Billy Corgan, Phil Anselmo and Ozzy Osbourne.

Other notable milestones for Iommi include being voted Number One in Guitar World's "100 Greatest Metal Guitarists of All Time" pole and seeing Black Sabbath inducted into the UK and US Rock Hall’s of Fame.

In late 2006, Tony reunited with Ronnie James Dio, Geezer Butler and Vinny Appice to form ‘Heaven & Hell’, and have recorded and toured with great success ever since.»

Nota: como ouço Rock, não sei se os topos de gama da Monitor Audio serão as mais adequadas para este estilo musical. A gama Silver sei que sim (o modelo RS já não se faz, agora são as novas RX). Toni Iommi prefere as Platinum. As qualidades audiófilas como a transparência, o refinamento ou a abertura na gama média podem colocar-se no caminho da musicalidade do som da aparelhagem, nomeadamente as colunas, para alguns melómanos.

Recorde-se:
No início foi o Walkman
Espelho meu, haverá colunas mais rock do que eu?
And the winner is...

Teste das Avalon NP2
Coração quente
Audio e o Santo Graal / Audio and The Holy Grail
Melomania e audiofilia, uma relação de equilíbrio
Baixa-fidelidade
Melomania e audiofilia: a prova dos Nu Force Reference 9

Está lá tudo 3: Reportagem sobre catástrofes naturais da RTP Madeira em 13 de Janeiro de 2010








Reportagem emitida pela RTP Madeira em 13 de Janeiro de 2010 sobre a ocorrência e prevenção de catástrofes naturais (enxurradas, drrocadas e deslizamentos de terra) na Madeira.

Recorde-se:
Está lá tudo 1
Está lá tudo 2

Está lá tudo 2: Biosfera, na RTP2 em Abril de 2008




Uma tragédia anunciada no Biosfera da RTP2, em Abril de 2010, que voltamos a colocar aqui. Para além desta versão de cinco minutos, fica os links para a versão integral: Parte 1 e Parte 2.

No Público, um texto de Rui Tavares (Historiador e deputado independente ao Parlamento Europeu pelo Bloco de Esquerda) intitulado "Está lá tudo" sobre a reportagem em causa:

«Nas palavras claríssimas de uma porta-voz da organização ambientalista Quercus e de um professor de Geologia da Universidade da Madeira, está explicado que as chuvadas como as que ocorreram há uma semana na Madeira são pouco frequentes, sim, mas descritas e conhecidas e esperadas.

A formação das enxurradas de lama que todos vimos em imagem real aparece pedagogicamente narrada através de uma animação. E indicam-se alguns princípios de planeamento defensivo: à volta das ribeiras, sugere o professor de Geologia, devem construir-se jardins e parques, "que também são precisos e são fáceis de evacuar"; manda o simples bom senso que se deva evitar a construção de infra-estruturas, algumas das quais importantes (hospitais, quartéis de bombeiros) nas proximidades das ribeiras.

A ideia não é fazer de uma simples reportagem um manual de preparação para catástrofes a aplicar integralmente. Mas ela serve para contrariar os arautos da "inevitabilidade" e da "imprevisibilidade" destes acontecimentos. Sim, o que aconteceu é raro, mas não é "imprevísivel". Não, não era "inevitável" construir-se como se construiu. Sim, caros portugueses: há um preço a pagar pelo nosso desrespeito sistemático e simultâneo ao meio físico e ao bem público.

Não é só que ninguém ouve a gente que aparece naquela reportagem. É que os poderosos se esforçam para que eles não sejam ouvidos (há pouco tempo uma delegação do Parlamento Europeu foi à Madeira e uma das propostas era que se visitassem vários pontos de crise ambiental; o PSD fez o possível para impedir essa parte do programa e, com uma ajudazinha do PS, lá o conseguiu).

Quando digo então que "está lá tudo", não falo apenas da calamidade natural na Madeira; falo também da forma como os nossos problemas de democracia aparecem ali em pano de fundo

Segunda-feira, Março 01, 2010

Contributos para o debate 3

imagem de autor desconhecido

«Se as consequências da tragédia estão à vista de todos e a todos constrange; se a principal causa da calamidade foi a chuva torrencial; já as causas que potenciaram a destruição têm intervenção humana e podem e devem ser corrigidas.

A falta de um rigoroso planeamento e ordenamento do território; a ocupação indevida dos solos; a construção nas margens e nos leitos das ribeiras; a falta de limpeza de muitos corgos e ribeiros; o despejo de terras e entulho nos cursos de água; a insuficiente florestação das serras; a falta de limpeza de troncos derrubados pelos incêndios e a ausência de consolidação de muitas escarpas são causas que ampliaram o desastre natural. São erros que, tal como os sucessos, têm que ser assumidos por quem governa a Região. Trata-se de aprender com esses erros para que possam ser corrigidos e, sobretudo, para que outros não voltem a ser cometidos nesta fase de reconstrução. Aqui não há Madeira nova ou Madeira velha. Há uma só terra e um só povo que quer viver em paz e segurança. (...)

No domínio da prevenção e segurança, é urgente a aprovação das cartas de risco e planos de protecção municipais, o lançamento de uma grande operação de limpeza nas serras e montanhas da Madeira, bem como de todos os ribeiros e corgos, o estudo de zonas, em todos os concelhos, para a instalação de aterros devidamente licenciados e fiscalizados e a consolidação das escarpas sobranceiras às estradas regionais.

A curto prazo é necessário concluir a revisão do Plano de Ordenamento do Território, aprovar os novos Planos Directores Municipais e os Planos de Ordenamento da Orla Costeira impondo restrições e condicionamentos à construção em zonas de risco.

É prioritário reforçar a reflorestação das serras, estudar medidas de protecção e defesa das ribeiras e do litoral marítimo e projectar a monitorização, com novos meios técnicos, dos principais cursos de água da Região.»

José Manuel Rodrigues
Deputado à Assembleia da República do CDS-PP
Diário 01.03.2010