«Alguém tem de se manter calmo neste manicómio» G. K. Chesterton

Segunda-feira, Março 28, 2011

Marina do Lugar de Baixo já ronda os 80 milhões de euros


Não se trata da factura final, mas a Marina do Lugar de Baixo continua a encarecer. Neste momento, segundo o Diário, a factura ronda os 80 milhões de euros:

«O custo do projecto da marina do Lugar de Baixo não pára de subir, sendo que o montante global dos investimentos já realizados ou em fase de concurso deverá ascender a cerca de 78,9 milhões de euros. A última factura desta obra foi conhecida segunda-feira: quase 256 mil euros (IVA incluído) para a empresa Kplano realizar a revisão do projecto e a fiscalização da empreitada de reconstrução dos paredões da marina.

Recorde-se que, no início do corrente mês, o DIÁRIO revelou que a Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste (SDPO) lançou um concurso público para a construção de um novo enrocamento exterior de protecção daquela infraestrutura marítima, cujo preço-base é de 23,78 milhões de euros (IVA incluído). Entretanto, foi também publicado que a sociedade Abreu Advogados vai receber 5.800 euros para a prestação de assessoria jurídica ao lançamento deste concurso.

Governo incentiva o despesismo ao mesmo tempo que vai ao bolso dos portugueses

A fazer os últimos arranjos antes de ir embora, pá?

Um novo decreto-lei, publicado no dia anterior à reprovação do PEC IV, autoriza o Estado a gastar mais dinheiro, aumentando os limites dos contratos por ajuste directo sem concurso público, escreveu o Diário de Notícias no fim de semana.

Falta de sentido de Estado. É aumentar o despesismo, um incentivo à corrupção e, como já alguém já fez notar, uma forma de financiar campanhas eleitorais.

Os presidentes de câmara, por exemplo, podem agora fazer contratos por ajuste directo até aos 900 mil euros, quando o máximo era 150 mil.

O Governo dá um claro incentivo ao aumento de despesa em toda a administração pública ao mesmo tempo que vai ao bolso dos portugueses, de forma selvagem e por todas as vias.

Tenham vergonha e o mínimo de decência no momento em que estamos na bancarrota.

Domingo, Março 27, 2011

I'm New Here por Bill Callahan (original) e Gil Scott-Heron e/ou Jamie Xx (versões)



Original de Bill Callahan (estúdio), do álbum de 2008: A River Ain't To Much To Love



O mesmo original de Bill Callahan (ao vivo, pelo próprio)



Versão por Gil Scott-Heron, do álbum de 2010: I'm New Here



Gil Scott-Heron And Jamie Xx, do álbum de 2011: We're New Here

Letra:

No No No No
I did not become someone different
I did not want to be
But I'm new here
Will you show me around

No matter how far wrong you've gone
You can always tournaround

Met a woman in a bar
Told her I was hard to get to know
And near impossible to forget
She said i had an ego on me
The size of Texas

Well I'm new here and I forget
Does that mean big or small

Turnaround turnaround turnaround

And I'm shedding plates like a snake
And it may be crazy but I'm the closest thing I have
To a voice of reason

Turnaround turnaround turnaround
And you may come full circle and be new here again

Paz na música



Os Mono são uma banda japonesa de rock instrumental (influenciados pelo rock experimental, música erudita e contemporânea, noise e minimalismo). Depois dos recentes acontecimentos trágicos no seu País, perguntaram-lhes "What can music do in this difficult time?"

O guitarrista Takaakira Goto respondeu: "I hope music can change our energy from darkness to hope. I feel like people turn to music when times are difficult so I hope they can find some peace in our songs. Our music always has both sides, dark and light, like a coin."

Cada ser humano tem os seus métodos de garantir o seu equilíbrio. Cada ser humano tem um estonteamento qualquer para suportar melhor as dificuldades da vida. A música tem um forte efeito terapêutico para alguns desses mortais.

"Music has the potential other arts don't have, which is to utterly change you within three minutes. Your whole body chemistry can change, your mood, your perspective..." Said Nick Cave [Mojo magazine, 2005]

Desenho de BD


Sábado de manhã, no âmbito do 1º Festival de Arte Sequencial da Madeira, teve lugar o workshop desenho de BD orientado por Roberto Gomes, muito interessante para quem gosta destas coisas, de experimentar ou de simplesmente conhecer mais sobre o processo de desenho de Banda Desenhada.

Aos participantes foi dada a oportunidade de desenhar elementos até criar um personagem de corpo inteiro. Primeiro, desenharam-se diversas cabeças a partir de fotografias de pessoas. O tempo sempre cronometrado. É importante a rapidez com que se encontram os traços essenciais. É desse processo que dá conta a imagem, em que o monitor exemplifica como transpor para desenho uma figura humana.

David Lloyd na Calheta

David Lloyd autografando o V For Vendetta que aqui o rapaz tinha por casa :)
David Lloyd esteve ontem na inauguração de uma exposição no Centro das Artes, na Calheta, sobre o famoso álbum (graphic novel) de banda desenhada V For Vendetta, que criou conjuntamente com o argumentista Alan Moore. A obra originou o filme com o mesmo nome, de 2006, que teve exibição na noite de sexta-feira, após a sessão de autógrafos.

Esta inesperada presença, na Região, mais especificamente na Calheta, de uma figura tão destacada do mundo dos comic books como David Lloyd, acontece no 1º Festival de Arte Sequencial, no Centro das Artes, que decorre até domingo, 27 de Março.

Sábado, Março 26, 2011

Fruta da época


Se Pedro Passos Coelho não der muitos tiros nos pés, José Sócrates pode estrabochar o que quiser porque passou à história.

photo with a Nokia cellphone 3.0 megapixel camera : no editing : © neliodesousa 2011

Sexta-feira, Março 25, 2011

Segurem-se, a queda vai doer a sério daqui a nada


De crise em crise até à queda final. Segurem-se porque a queda vai doer a sério daqui a nada. Quem ainda não viu circunstâncias verdadeiramente selvagens, prepare-se.

Quinta-feira, Março 24, 2011

THE WALL (15): The Show (Must Go On)

Roger Waters THE WALL Lisbon 21.3.2011

THE WALL é um concerto rock com fortes elementos teatrais e cinemáticos, um espectáculo multimédia, que as novas tecnologias permitiram concretizar de uma forma tão exuberante quanto rigorosa. De uma forma que não era possível no final de 1979, altura em que o disco duplo foi lançado.

O muro ocupava toda a largura do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, subindo pelo balcão 1 fora, e tinha dez metros de altura, que serviu de enorme tela de projecção de imagens, filmes e texto a ilustrar as músicas e o conceito do álbum. Só mesmo visto.

Mais lá para final do ano será editado um DVD, suporte perfeito para este espectáculo, que tira enorme partido do som e da imagem, que será um brutal sucesso de vendas e deliciará a malta nos seus sistemas de home cinema. As gravações serão feitas nos vários concertos agendados para Londres.

Quem gosta de Pink Floyd e, sobretudo, dos discos dos anos 70 e 80, produto do período liderado por Roger Waters, agora com 67 anos, tem uma oportunidade única nestes concertos THE WALL. Em especial quem nunca antes tinha ido a um concerto da referida banda ou de Roger Waters. O concerto de segunda-feira, 21 de Março, representou o arranque da digressão europeia.

No meu caso, THE WALL é o álbum preferido da banda. Era obrigatória a presença no concerto em memória dos tempos da adolescência. Poucas oportunidades mais haverão tendo em conta a idade de Roger Waters, embora mantenha uma excelente forma, sem dúvida.

O álbum foi replicado com uma exactidão irrepreensível, em pouco mais de duas horas, com uma pausa pelo meio (intermission), a respeitar a passagem do primeiro disco para o segundo, quando o sujeito acaba de construir o muro entre si e os outros. No início da segunda parte, a banda toca Hey You atrás do muro, que só cai no final do espectáculo. Depois de Comfortably Numb a banda passa a tocar à frente do muro.

Na primeira parte, o concerto arrancou a todo o gás com o poderoso In the Flesh, passando por Another Brick in the Wall part 1 e part 2 (aqui com um coro de jovens da Cova da Moura, com "Fear Builds Walls" nas T-shirts) ou Mother (quando chega ao verso «mother should I trust the government?» o público reage... e surge no lado direito do muro, uma depois da outra, as palavras NO FUCKING WAY escritas a vermelho). Roger Waters tocou este tema em dueto consigo próprio, na parte inicial, com a imagem e som de uma gravação ao vivo datada de 1980 (Earls Court), que conseguiram recuperar.

Mas a crítica e a falta de confiança não vai apenas para o governo. Noutro momento do espectáculo, as corporações e as religiões são também alvejadas, mais precisamente em Goodbye Bluesky, em imagens poderosas (bombardeiros a despejar símbolos como bombas).

Os técnicos a tratar do som e da imagem eram imensos junto dos écrans de computador, numa área no centro da plateia. Uma equipa que permite montar um espectáculo tão complexo, em que a coordenação entre os vários elementos cénicos e musicais é fundamental. O som era muito definido mas, a meu gosto, deveria estar mais alto. Para se sentir mais os graves, que proporcionariam maior impacto, intensidade e envolvimento.

Na assistência, pessoas de todas as idades. Prova a permanência e longevidade do conceito do álbum THE WALL, já que trata de um tema profundo e inerente à condição do ser humano, desde logo como ser individual. Ainda por cima, o conceito do muro construído devido ao medo pode ser alargado a contextos e realidades colectivas (sociedades, nações, etc).

Sexta-feira, Março 18, 2011

THE WALL (14): "...we came in?"

Arte Sequencial: BD na Casa das Mudas > 25 a 27 de Março


Roberto Macedo Alves (desenhador de BD), escreveu em 16 de Março, no Diário, sob o título Arte Sequencial, que a Banda Desenhada «é mais do que um simples meio de expressão, mais do que um meio de comunicação. Gosto de BD desde sempre: ainda antes de saber ler sentia-me eufórico por perceber as sequências de imagens e por desenhar, criar e (re)escrever o mundo à minha maneira!»
Salienta que o «leitor de BD nunca é um leitor passivo - tem que "ler" as imagens da mesma forma que lê o texto porque é a combinação dos dois que torna esta arte única. A narrativa continua nos espaços entre as vinhetas, o leitor tem um maior controlo do fluxo da história, muito mais do que quando vê um filme.»

Continua dizendo que, por vezes, a BD é vista como uma «forma de "cultura inferior" - por isso, muitos autores que cultivam as possibilidades expressivas desta arte (como Will Eisner ou David Lloyd) chamam-lhe "Arte Sequencial", porque isto é muito mais do que literatura infantil. Em muitos casos é uma expressão clara de uma cultura popular e aqui reside muito do que hoje se designa por alternativas ou "outros" espaços de emancipação cultural e social. É tudo isto que iremos celebrar de 25 a 27 de Março na Casa das Mudas.»

THE WALL (13): All in all you were all just bricks in the wall

Estado (cada vez mais) selvagem


Já chega, pá
Neste momento, Portugal é exemplo de quando o Estado pode ser tão ou mais selvagem do que o Capitalismo selvagem.

As recentemente redobradas medidas de austeridade (já vamos no PEC número quatro) nem deixaram de fora as pensões mais baixas, as tais à volta dos 200 euros mensais, embora o Governo tenha recuado hoje nesse propósito, face à contestação, dizendo que afinal não implicava congelamento...

O Correio da Manhã dá hoje conta de que o subsídio de férias está em risco. O Governo prepara-se ainda para abrir uma excepção ao aumento do IVA: no golfe poderá cair de 23 para 6 por cento, seguindo o rumo oposto aos bens essenciais (austeridade não é para todos).

A estrutura despesista do Estado não é tocada no corte da despesa. Decidem ir antes, sem vergonha, ao bolso dos mais pobres.

É claro que na semana anterior tudo estava no bom caminho e sob controlo. O actual governo perdeu toda e qualquer credibilidade.

Já chega de ilusionismo e manipulação, pá.

THE WALL (12): vídeos de faixas preferidas


In the Flesh (lyrics) 1980s


Another Brick in the Wall part 2 (lyrics) 1980


Mother (lyrics) 1980


Hey You (lyrics) 1980s


Comfortably Numb (lyrics) 1980s


Run Like Hell (lyrics) 2010

Quinta-feira, Março 17, 2011

THE WALL (11): efeito terapêutico

The Wall acabou por funcionar como forma de catarse e desbloqueio de nós emocionais do jovem Roger Waters

What were your inspirations for “The Wall”?, perguntou a Associated Press (April 2010). Waters respondeu: «My early manhood was troubled by all kinds of feelings of inferiority, and inconsequence, I was that guy at parties who only ever dressed in black and stood in the corner and scowled at people.

Very often those attempts by the young to be cool are just because they’re absolutely scared. I certainly was. The writing of “The Wall” was part of a process that I used to free myself from some of those neuroses, and some of those fears. Fear is a very pernicious element in many of our lives … (It) is in lots of ways similar to the fear that is engendered in nations and ideologies. … We build up these defenses and the fear that we establish about other, anybody that’s not us.»

O medo contrai, fecha, isola, faz mal. O personagem em The Wall passa por esse processo de contracção e fechamento, que é uma forma de defesa e refúgio, mas que alimenta o medo. O próprio autor, Roger Waters, na época, passou por um processo de isolamento, que despoletou a ideia de construir um muro entre si e a audiência. Foi assim que nasceu The Wall. Só muito mais tarde ultrapassou os seus medos.

THE WALL (10): alegria e prazer verdadeiros na relação com os outros seres humanos

Com quase 60 anos em 2002, Roger Waters afirmou: "It's exciting to feel I'm on the edge of maturity, emotionally"

À pergunta da The Age, em Abril de 2002, "Around the time of Wish You Were Here you were quoted as saying you felt the world was a sad place. Do you still feel that way?", Roger Waters respondeu:

"My work flickers back and forth between introspective writing and general political comment on the way the world works. It also tries to make sense of both of those things together. If one looks into one's own life and discovers what it is we find joy in, deep fundamental joy and pleasure, it's nearly always connections with other human beings, whether they're family or friends or people who are strangers.
(...)
"Yes, a lot of the world is very sad, but I'm optimistic. I feel that we're capable of greater empathy than could be described in the way the world works at the moment. The questions are becoming more open. They're becoming exposed with the burgeoning of this information technology."
(...)
"Also, I'd identified some major problems that I've had in my life. For one reason or another, I had some powerful feelings of abandonment when I was a very young child that I'm only beginning to extricate myself from now. I'm nearly 60 years old and I'm just beginning to feel I can operate as an adult. It's exciting to feel I'm on the edge of maturity, emotionally."

(Nota: por vezes uma pessoa pode ser mais feliz e conquistar alegria e paz interior numa fase avançada da vida, o que não deixa de ser interessante, já que o envelhecimento traz mais harmonia e bem-estar emocional)

Terça-feira, Março 15, 2011

THE WALL (9): Roger Waters confessa-se capitalista

Roger Waters não voltou costas à condição que o aumento de rendimento impôs no início da década de 70

"If I'm honest, I have to accept that at that point [release of The Dark Side Of The Moon], I became a capitalist. When you suddenly make a lot of money, you have to decide whether to give it away to poor people or invest it. I decided to give some of it away to poor people and invest the rest.

I was faced with that dilemma, coming from the background I did. I could no longer pretend that I was a true socialist, but twenty-five percent of my money went into a charitable trust that I've run ever since. I don't make a song and dance about it. One of the good things about being a capitalist, is that you become a philanthropist, to a certain extent." (Rolling Stone Magazine, March 12, 2003)

Roger Waters é honesto, porque no momento em que o rendimento aumentou exponencialmente, tornou-se capitalista. Aceitou-o e procurou fazer algo de positivo nessa nova condição. Há pessoas que maldizem o capitalismo mas aproveitam o mais que podem as vantangens que o próprio concede...

Não há nada de errado se o rendimento é ganho de forma honesta e se depois reverter de algum modo para a sociedade, para os outros, quando há a preocupação de reinvestir e gerar empregos e riqueza, isto é, quando não é apenas para proveito próprio. A preocupação social de Roger Waters passou ainda por destinar parte do rendimento ao apoio dos mais carenciados.

Uma pessoa não precisa de muito para ter uma vida confortável, desde que não se entregue à extravagância e ao superfluo, deixando espaço para o altruísmo.

Segunda-feira, Março 14, 2011

THE WALL (8): Roger Waters no Conan O'Brien


Roger Waters stopped by The Tonight Show with Conan O'Brien in late 2010 (December 15) to discuss his ongoing tour for The Wall.

Domingo, Março 13, 2011

THE WALL (7): Roger Waters sobre arte & egocentrismo

O processo de criação à volta de certos temas obriga a introspecção, a estar imerso em si próprio
Em entrevista a The Age (Abril de 2002), Roger Waters afirmou: "People going into rock'n'roll are pretty self-centred. I am. To write what I've written, you have to be self-centred. To write the words that the lonely people can connect to, the authenticity in that, whatever it is, that you discover in the lyric and the music, there inevitably is narcissism in that, and you have to accept that's what it is. That's what all art is.

"Without that disregard for what anybody else may think, you don't produce anything. I certainly don't buy into the notion that bands keep going because they care about their roadies or the people selling T-shirts. They care about themselves. Some people become addicted to the life, addicted to the attention, addicted to the limelight. The limelight addiction is very real."

Sábado, Março 12, 2011

País à rasca


Veio o sobressalto cívico, que só em Lisboa terá reunido pelo menos 100 mil pessoas em manifestação. Não é só uma geração à rasca, é todo um País à rasca, a empobrecer. Temos um País e uma cultura pantanosa (amiguismo, corrupção, despesismo, improdutividade) para reformar. Quem tem a coragem de o fazer? A sociedade portuguesa quer fazê-lo?

Foram mais de três décadas perdidas desde a revolução dos cravos. Décadas de deixa andar eleitoreiro e pensamento a curto prazo.

A pressão social está a aumentar, já que as pessoas já perceberam que os sacrifícios que estão a fazer não chegam e não se sabe quantos mais sacrifícios irão ser pedidos por um Governo que andou a vender ilusões e procura camuflar sempre a realidade, até ao momento em que a realidade o obriga a lançar um novo pacote de medidas de austeridade, como voltou a acontecer ontem.

É importante que os cidadãos actuem, mas numa casa sem pão, ralhar não nos paga as dívidas nem faz aumentar o PIB (pôr o País a crescer). Em bom inglês, we're fucked.

THE WALL (6): imprensa


Roger Waters na capa da Rolling Stone de 30 de Setembro de 2010. Ler excerto da entrevista aqui:

Roger Waters is about to launch a tour where a 36-foot-high wall will rise up each night between him and his fans — and right now, you wouldn’t blame him for wishing the thing was a bit more portable. The former Pink Floyd leader has just ducked his still-gangly six-foot-three-inch frame into a town car for a ride to a midtown Manhattan restaurant, and it is immediately clear that the driver is way too excited to see him. Waters braces himself. “Been a fan all my life, man,” says the driver, a baseball-capped, middle-aged dude named Fred, with a broad New York accent. ” ‘Wish You Were Here’ — I was backpacking in Europe when I got turned on to it. I was like, ‘This is the best album evvuh!’ It must be an unbelievable feeling to know what an impact you made on my generation.”

“Normally, we don’t know until we get in your car,” Waters replies in his crisply British tones, buckling his seat belt. As usual, it’s hard to read his chilly blue-gray eyes — color-coordinated these days with his longish, silvery hair and professorial beard — but it seems he’s decided to be amused. It helps that Waters just shared an excellent bottle of Montrachet, in celebration of the end of a long workday: After driving into Manhattan this morning from his house in the Hamptons, he endured a biceps, triceps and abdominal core workout (“It nearly kills me, but I need to get a little stronger”), sang scales with the vocal coach who’s been helping him reclaim the high notes of his youth, met with a stylist to select stage clothes in various shades of black (rejecting one pair of leather boots as “very Bruce” and another as “too Pete Townshend”) and spent hours in a downtown production studio, making minute tweaks to lighting and digital animation.

He’s been working at this pace since January, determined to perfect the first real touring version of what he considers the defining work of his career, the 30-million-copy-selling The Wall — the 1979 tale of an alienated rock star named Pink whose biography bears a distinct resemblance to his own. Pink Floyd’s original live version — with its giant puppets, synchronized graphics and that wall, constructed brick by brick, then knocked down at the show’s climax — set a standard for every rock spectacle that followed, from Steel Wheels to Zoo TV. But it hit a mere four cities worldwide, with months passing between each block of shows. No footage was officially released from the performances, so they’ve become a dimly recalled legend — except for Gerald Scarfe’s surreal animation, which also appeared in 1982′s film version.

The shows lost money at every date — tickets were around $12 — and the band was falling apart. “They were getting to the point where they couldn’t stand the sight of each other,” says Mark Fisher, the architect who built both the 1980 and 2010 versions of the tour (and also worked on the “spaceship” stage for U2′s 360û Tour). “It was all too convenient that they got to declare that the whole thing was a turkey and way too expensive and walk away from it on those grounds.”

Lighting director Marc Brickman, who also worked on the new show, was brought in just before the beginning of the original performances. “It was just mind-blowing — I was speechless,” says Brickman. “It was mounting opera at a rock & roll show. In 1980, you couldn’t even dream of that show.” For Waters, the idea behind arena theatrics was simple: “You can’t ask people to go to the circus and just have fleas in the middle — you’ve got to have elephants and tigers.”

Sexta-feira, Março 11, 2011

THE WALL (5): a origem do conceito

Roger Waters looking at the wall

Depois de termos visto o conceito do álbum THE WALL, vamos saber mais sobre o contexto da origem da ideia.

"The reason why I designed this show in the first place, all those years ago, was because I'd become disaffected [resentful, rebellious] by doing gigs in football stadiums in front of large numbers of people, who I felt were not really engaged in the same thing I was engaged in", sintetiza o próprio Roger Waters, criador do conceito e autor das letras do álbum de 1979. "I thought of building a show where I build a wall to express the feelings of alienation I had from the audience."

No final da primeira parte do espectáculo, final do disco 1, há uma parede totalmente erguida e a separar a banda do público. Não é só a separação entre o artista e a audiência, é uma metáfora da separação entre Oeste e Leste, entre ricos e pobres, entre poderosos e fracos. «You start finding parallels in other people's experiences.»

Após o álbum The Animals, os Pink Floyd passaram a tocar em estádios para multidões. «The rowdy rock audiences of the US are the ultimate nightmare of an artist of sensitive disposition. For Roger Waters the task of trying to communicate his art to 80.000 concertgoers, many of whom were intent on getting high by any means necessary, was simply a bridge too far (Retrospectives, Pink Floyd's The Wall). Na verdade, com o álbum The Dark Side Of The Moon, a banda passou de audiências de 10 mil pessoas para multidões ruidosas. Foi um choque para Roger Waters, sobretudo.

«The moment that sparked The Wall happened at a show at Montreal's Olympic Stadium during the Animals tour of 1977. (...) During the break between a couple of numbers, this group [righ at the front] were shouting out suggestions for songs. When Roger's eye was caught by one particularly vocal member of the claque yelling, "play Carefull With That Axe Eugene, Roger", he finally lost patience, and spat at the offender.» David Gilmour diria anos mais tarde sobre o incidente: "I think Roger was disgusted with himself really that he had let himself go sufficiently to spit at a fan."

«After the gig Roger poured out his sense of frustration and alienation to Canadian producier Bob Ezrin and in his frustration he suggested he would like to build a wall betweeen the band and the audience. Ezrin's reply was direct and to the point, "well why don't you?"

"I hate audience participation", diz Waters nos anos 80, quando em digressão com o espectáculo The Wall. "I hate it when they want to sing along: it makes my flesh creep. Yelling and screaming and singing is great in church, but not at our shows, thank you very much." O tema e o espectáculo exigiam silêncio e concentração do público. Daí ter escolhido espaços mais pequenos para os concertos.

Esperemos que os fãs nos concertos da actual digressão The Wall não se ponham aos berros a cantar os temas. Eu, como espectador, a não ser que seja um concerto ruidoso ao ponto de não se ouvir a gritaria, gosto de poder apreciar a música. Gritem e dêem palmas no fim durante o tempo que quiserem.

Quinta-feira, Março 10, 2011

Sobressalto cívico, claro, de que estão à espera?



Quem se incomodou com o buzinão e o direito à indignação vem falar da necessidade de sobressalto cívico; quem apoiou o buzinão e o direito à indignação agora mostra-se ofendido com o sobressalto cívico...

«É necessário um sobressalto cívico que faça despertar os portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes públicos», afirmou ontem o Presidente da República no discurso da tomada de posse para um segundo mandato em Belém.

Ora, tal como Cavaco Silva não pode esquecer como reagiu ao direito à indignação do então chefe de Estado Mário Soares, numa determinada fase da governação do PSD, o PS também não o pode esquecer. Não se pode armar, agora que está no Governo, em virgem ofendida, não pode reclamar um presidente árbitro e moderador, não pode mostrar intolerância e criticar com contundência o «sobressalto cívico» quando acolheram o apelo à «indignação» cívica há anos atrás, em meados dos anos 90.

Ou pensará o actual Governo (em agonia) que não há tantas ou mais razões, neste momento, do que em meados do ano 90, para o direito à indignação ou ao sobressalto cívico? O Governo actual actua como se tudo estivesse na maior das normalidades... É perito em iludir a realidade da gravidade da situação em que o País se encontra. Venha o sobressalto cívico.

THE WALL (4): imprensa


Revista Blitz (Março 2011, # 57) com 10 páginas, seis delas ocupadas com fotografias e as restantes com uma entrevista traduzida de Cole Moreton/LIVE Magazine/The Interview People.

Quarta-feira, Março 09, 2011

THE WALL (3): entrevista a Roger Waters


Roger Waters, the man himself, fala do conceito do álbum, dos muitos muros que nos separam uns dos outros e nos alienam, e do espectáculo THE WALL, que está na estrada. Passa por Portugal, Pavilhão Atlântico, no final deste mês.

Segunda-feira, Março 07, 2011

THE WALL (2): o conceito

O que tem The Wall a ver com a natureza humana, Jean-Paul Sartre, Robert Fisher ou o muro entre Israel e a Palestina? Read on...
O conceito, o fio condutor ou ideia, que percorre The Wall é simples. Nas próprias palavras de Roger Waters, trata-se da «história de um jovem que se isola devido ao medo que tem das outras pessoas e relacionamentos.» Aos poucos, esse personagem vai construindo, tijolo a tijolo, um muro entre si e os outros.

Segundo Jean-Paul Sartre, «o inferno são os outros», isto é, fonte permanente de contingências e que impossibilitam a concretização dos projectos individuais, colocando-se sempre no seu caminho. Apesar disso, o indivíduo não pode evitar a convivência. Só esta convivência é capaz de lhe dar a certeza de que está a fazer as escolhas que deseja, em contraponto com os projectos diferentes dos outros. Sem os outros, o seu projecto ou a sua missão não faria sentido.

The Wall traduz a «ideia de que nós, enquanto indivíduos, geralmente achamos necessário evitar ou negar os aspectos dolorosos da nossa existência», diz Roger Waters, fazendo com que muitas vezes utilizemos esses aspectos difíceis e traumáticos como «tijolos num muro atrás do qual podemos por vezes encontrar refúgio, mas que nos pode tornar emocionalmente emparedados».

O mesmo Waters diz ser uma ideia com a qual muitos de nós se debatem. Tem a ver, simplesmente, com a nossa condição humana. E é relevante que um álbum tão difundido, no âmbito da cultura popular, tenha abordado e problematizado essa ideia tão profunda sobre a natureza humana. Daí a sua enorme pertinência, consistência e profundidade como conceito. Abordado de forma simples, mas poderosa e inquietante. Toca-nos, desperta-nos. Porque é uma história sobre cada um de nós, que carregamos as nossas cargas (tijolos).

O baixista dos Pink Floyd foi empurrado para The Wall decorrente de acontecimentos na sua vida, pessoal e artística (a aprofundar num próximo post). Se calhar sem a consciência plena, então, que tocava um dos aspectos mais profundos da nossa condição enquanto seres humanos.

Em defesa, tendemos a nos fecharmos, a nos isolarmos dos outros, a construir muros ou a envergar armaduras que nos protejam. Assim é o instinto. Mas o muro ou a armadura que nos protege, também nos aprisiona («in perfect isolation here behind my wall» no tema "Waiting for the Worms") e nos debilita (mata) a longo prazo. O que parece ser o refúgio ou salvação, torna-se na causa de alienação e desequilíbrio (o sujeito em The Wall torna-se autoritário).

«[A] sua armadura [muro] impedia-o de sentir o que quer que fosse, e usava-a há já tanto tempo que se tinha esquecido de sentir as coisas sem ela», diz o livro O Cavaleiro da Armadura Enferrujada, de Robert Fisher. «Todos nós estamos presos numa armadura similar». Logo a abrir em "In The Flesh" ouvimos: «If you wanna find out what's behind these cold eyes / You'll just have to claw your way through this disguise».

Colocamos a armadura por medo, tal como refere Roger Waters no primeiro parágrafo deste post. Por medo, o sujeito veste um uniforme e incarna uma figura fascista para os outros. Mas, no fim, no tema "Stop", resolve despir essa armadura (uniforme): «wanna go home /Take off this uniform».

«A luta consistirá em aprenderes a gostar de ti próprio» e tal «começará pela aprendizagem do conhecimento de ti mesmo», diz ainda o livro de Robert Fisher. No tema "Comfortably Numb" acontece essa tomada de consciência: «This is not how I am / I have become comfortably numb.»

Os tijolos em The Wall é a ausência do pai («Daddy's flown across the ocean / Leaving just a memory»), o professor sarcástico («We dont need no thought control / No dark sarcasm in the classroom»), a mãe sufocante («Mother's gonna put all her fears into you. / Mother's gonna keep you right here under her wing»), a relação deteorada com a mulher («I have grown older and / You have grown colder and / Nothing is very much fun any more»), o stress do estilo de vida do próprio («If you should go skating / On the thin ice of modern life [...] / Don't be surprised when a crack in the ice / Appears under your feet»), entre outros.

São as causas do medo, da dúvida e da culpa («guilty past» mencionado em "Run Like Hell"), que funcionam como exemplos (cada pessoa tem os seus "tijolos") do conceito abrangente: «All in all it was all just bricks in the wall.»

Trata-se de um conjunto de relações com os outros, e consigo próprio, decorrente não apenas das características dessas pessoas, mas também decorrente do percurso e acidentes da vida. O sujeito acaba por construir um muro em seu redor e confinar-se ao isolamento. É assim que acaba a primeira parte do The Wall (disco 1).

Após a construção do muro, o sujeito consegue ao menos ter consciência do seu estado de isolamento e envia um grito de ajuda no excelente e melancólico "Hey You", que abre a segunda parte do álbum. E que diz «don't give in without a fight». Mais adiante outro tema refere «I've got a strong urge to fly / But I got nowhere to fly to», a dar conta de uma busca que tem de ser interior.

O conceito destaca mais o passar as culpas para os outros, do que o assumir de responsabilidades, mas compreende-se que o ângulo de abordagem é individual (eu). Todavia, em "Stop", o sujeito pergunta: «Because I have to know / Have I been guilty all this time?» É o ponto de partida para a transformação.

Mais do que dos outros, como salienta a história de Fisher, nós mesmos «criamos barreiras para nos protegermos de quem pensamos que somos. Até que um dia ficamos presos atrás das barreiras e não nos conseguimos libertar.»

E a vida tem de continuar (como diz a faixa "The Show Must Go On", no disco 2). Embora a temática e ambiência do álbum seja muito densa, sombria e melancólica, no final há lugar para a esperança quando é derrubado o muro (libertação), barreira entre si e os outros e entre si e o eu verdadeiro. Depois de muita luta (o sujeito torna-se na tal figura autocrática em "In the Flesh"), análise e vontade interior. É possível, afinal, quando conscientes e quando queremos, derrubar os muros (livar-se das barreiras) que nos isolam e nos lixam o equilíbrio.

Baixar as defesas e abir o peito permite derrubar o muro, lê-se em "The Trial": «Since, my friend, you have revealed your / Deepest fear, / I sentence you to be exposed before / Your peers. / Tear down the wall!»

Nota:
Segundo Waters, numa visão mais abrangente, o conceito por detrás do The Wall pode ser encarado como uma «alegoria sobre o que se passa no cenário político, em que as nações são encorajadas pelos seus líderes a ter medo das outras nações.» Que chega ao ponto de se erguerem muros físicos: o muro de Berlim ou o muro entre Israel e a Palestina. O que diz respeito ao nível individual pode ser transporto para a esfera colectiva.

O tema "Bring the Boys Back Home" é alusivo aos conflitos armados, que acabam por deixar órfãos. Roger Waters foi-o com apenas meses de idade, já que o pai morreu na Segunda Grande Guerra.

Domingo, Março 06, 2011

THE WALL (1): confortavelmente dormente

The Wall dos Pink Floyd está entre os álbuns mais marcantes aqui para o rapaz
Ouvi massivamente The Wall nos anos 80 (o disco foi editado em 30 de Novembro, na Grã Bretanha, e 8 de Dezembro, nos EUA, do ano de 1979), tendo sido introduzido ao Rock através dos Pink Floyd. Na época, talvez pelo pendor conceptual, reflexivo, intelectualizante, com rebeldia e crítica social, disseram-me mais do que Led Zeppelin, Doors ou Rolling Stones. Foi o ponto de partida para outros rocks. Devo-lhes a minha alfabetização musical...

O sombrio The Wall serviu de banda sonora a uma fase da vida um tanto melancólica e de mudança pessoal, marcada pelo desemprego, emigração e serviço militar obrigatório. E, por isso, marcou um tempo. Pelas muitas emoções e vivências associadas, não deixa de me comover e deixar confortavelmente nostálgico (dormente) quando acontece pô-lo a tocar, sobretudo quando passa por Mother, Hey You ou Comfortbly Numb.

Perdi a conta de quantas vezes ouvi The Wall nessa época, mas raramente o oiço nos dias correntes. Não só porque é um disco denso, sombrio e de grande fòlego (duplo). Fui evoluindo nos gostos musicais (uma pessoa não pode ficar estagnada ou agarrada às coisas, por bons que sejam as bandas e os discos).

Todavia, este mês de Março rodará insistentemente no leitor as duas rodelas de plástico que comprei em 1987, se não me engano (a primeira versão do álbum foi em cassete, cuja fita foi engolida pelo leitor...). Já existe uma versão remasterizada, mas não sei se é melhor ou pior. Na foto seguro a versão em vinil que me foi oferecida por um querido amigo (não é fã da banda).

Rodará insistentemente este mês ou não fosse Roger Waters, o meu preferido dos quatro (entretanto faleceu o teclista Rick Wright), apresentar The Wall ao vivo em Portugal (Pavilhão Atlântico), um espectáculo muito visual, dos mais ambiciosos e complexos que o rock encenou, tirando partido de todas as novas tecnologias. Produzir e fazer a digressão custou 45 milhões de euros, mas esperam de receita, apenas de bilheteira, 200 milhões.

Mais posts nos dias que se seguem sobre The Wall, o álbum e o espectáculo, dando conta dos seus pontos fortes como dos pontos fracos, característicos que qualquer obra conceptual, que vale sempre mais como um todo do que pelas partes.

Concerto de Carnaval da OCM, acústica da sala e venda de bilhetes


Na companhia de amigos e familiares, embora a música erudita, dia clássica, não seja o meu prato forte (em casa apenas tenho um disco, a 9ª Sinfonia de Beethoven, de uma colecção do jornal Público - a falta de graves é um dos aspectos que me desmotiva no género), lá decidi ir ao Concerto de Carnaval da Orquestra Clássica da Madeira (OCM), na sala Ursa Maior, no Tecnopolo.

Entretanto, como não havia bilhetes na plateia, venderam-se bilhetes para os camarotes. Na sala que é, fiquei de pé atrás, mas o pior é terem-se vendido nove bilhetes para um camarote com apenas quatro cadeiras e quem ficava em segunda ou terceira fila não tinha vista directa para o palco (mais vale dizer não do que oferecer condições insuficientes). Perante essa falta de condições, subi à bilheteira e pedi a devolução do dinheiro do bilhete (e fui ao cinema ver o excelente The King's Speech).

Apesar de se ter vendido que a sala tinha uma boa acústica (só vi tratamento acústico na área do palco) foi-me relatado por quem lá ficou o som continua a não ser bom. Havia mesmo dificuldade em perceber quem falava. O som era como se estivesse fechado numa caixa, na zona do palco, o que é complicado dado que o envolvimnento é crucial na música tocada ao vivo. Caso contrário mais vale ouvir na aparelhagem em casa.

Devido à acústica da sala, "confinar" a música ao palco, de forma a que a sala não interferisse, deve ter sido a solução possível. Todavia, não condiz com as «óptimas condições acústicas», invocadas por Francisco Fernandes, secretário regional de Educação e Cultura, aquando do concerto de estreia do novo espaço da orquestra, no final de Dezembro de 2010, e que as pessoas iriam «com certeza ficar agradavelmente surpreendidas com a sonoridade desta sala», na perspectiva de José Alberto Gonçalves, presidente da OCM.

Enfim, ainda hei-de ouvir um concerto na Ursa Maior do Tecnopolo para tirar as minhas conclusões. A área acústica, na sua relação com a reprodução sonora, é um assunto (complexo) que me fascina.

Outra questão tem a ver com convites versus venda de bilhetes. Entendo que a orquestra tenha de garantir um certo número de presenças. No entanto, os convites deveriam ser distribuídos apenas na véspera do evento. Porque é desmotivante para quem paga saber que, se calhar, como acontece tantas vezes em eventos culturais cá na Região, que boa parte dos espectadores (os amigos e conhecidos) acede à borla.

Na estreia do novo espaço, em Dezembro último, disse-se que se venderam 540 lugares em 678. Não sei desta vez como foi. Mas que havia muito convite havia... Em lugar de pôr alguns a pagar 10 euros, se todos pagassem 5 euros era mais justo e até seria um estímulo para democratizar o acesso aos concertos da OCM. Ou até priorizar convites para quem nunca foi a um concerto da OCM.

Terça-feira, Março 01, 2011

Estado Selvagem

Michael Hacker: Capitalismo (ou Estado Selvagem)
Parece que, à medida que Março se aproxima, com ministro das Finanças e Primeiro-Ministro já a admitir que vão ser precisas mais medidas de austeridade, os presentes sacrifícios dos portugueses de pouco estão a servir. Isto é, o Estado terá, em breve, de ser ainda mais Selvagem (assaltar mais os portugueses). Não deixa de ser ironia do destino que um partido de esquerda governe de forma tão selvagem como o (por eles) criticado Capitalismo Selvagem... O que será pior?