«Alguém tem de se manter calmo neste manicómio» G. K. Chesterton
I'm New Here, lançado no ano passado, foi o derradeiro disco do músico, poeta e
spoken word performer Gil Scott-Heron, considerado o padrinho do Rap, embora não gostasse desse epíteto. O tema "The Revolution Will Not Be Televised" foi um marco.
Gil Scott-Heron foi um activista e ajudou a dar forma à emergente cultura hip hop. Gostava de descrever a sua obra como "bluesology", uma fusão de poesia, soul, blues e jazz, tudo disparado com uma acutilante consciência social e fortes mensagens políticas, abordando problemas como o apartheid ou as armas nucleares.
O seu último álbum foi o primeiro que comprei e a sua morte não passou despercebida nem indiferente. Há dezasseis anos que Gil Scott-Heron não lançava um novo disco de originais. Morreu em 27 de Maio, aos 62 anos.
O vídeo da sua versão do tema
I'm New Here, um
original de Bill Callahan, e
The Revolution Will Not Be Televised, de 1971 (
letra).
Tal como colocou Gil Scott-Heron, a revolução e a mudança não serão transmitidas na televisão porque começam na cabeça de cada um de nós (mentalidade, cultura, atitude), antes de se reflectirem nos nossos actos. Muito antes de aparecerem na televisão... Por isso, toca a mexer (e primeiro na nossa cabeça), porque a revolução e a mudança não chegam por via da televisão.
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Mais do que as ilusões e as mentiras, o maior problema é haver quem as compre... por comodismo e conforto |
E os portugueses, na sua endémica dificuldade de aderir à realidade, queriam ouvir as mentiras todas porque lhes eram confortáveis.
Agora vão pagar bem duro o facto de terem comprado demasiadas ilusões e mentiras que nos levaram à pré-bancarrota.
E nada de culpar só os políticos. Eles foram eleitos. Eles são o nosso reflexo. Nós pactuamos e eternizamos uma certa cultura, certas mentalidades e certas mentiras.
Recorde-se:
Vendilhões de ilusões
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Clicar na imagem para leitura |
Foi desta forma que intitulei um artigo de opinião no Jornal da FENPROF #245, de Setembro de 2010. Exemplifiquei com algumas ilusões e mentiras no sector da Educação, que o Governo da República, liderado por José Sócrates, vendeu aos portugueses. E que estes alegremente compraram.
Muitas outras mentiras e ilusões foram vendidas e compradas, ao ponto de nos encontrarmos numa situação gravíssima de pré-bancarrota, sujeitos a uma troika que nos vem dizer como nos devemos governar de forma a pagarmos o que devemos (gastámos acima das nossas possibilidades).
Não vale a pena nos andarmos a queixar dos maus políticos que escolhemos, quando não queremos olhar a realidade e assumir a mudança.
É preciso exigir e querer que nos falem verdade. A mentira não compensou.
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William Klein, à esquerda, a fotografar, no Centro das Artes, na Calheta, ontem à tarde |
O
I Festival de Cinema Documental da Madeira faz uma homenagem e retrospectiva do trabalho de William Klein. Nos dias 19, 20 e 21 são mostrados sete filmes de um dos artistas mais influentes e controversos do século XX. É cineasta, fotógrafo, designer gráfico e pintor. É considerado entre a melhor dezena de fotógrafos de sempre.
O documentário, ou cinema da verdade, é um género cinematográfico caracterizado pelo compromisso com a exploração da realidade, embora seja sempre uma representação parcial e subjectiva da realidade. Contribui para a formação cívica e intelectual do espectador, conduzindo-o ao conhecimento, à reflexão e ao debate, e também ao prazer artístico proposto por cada autor.
Fotografia captada com telemóvel Nokia com câmara 3.2 megapixel
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Momento da entrada dos actores em cena na "História Rapidinha da Crise", que estará em cena entre 20 e 29 de Maio, na sala de congressos do CS Madeira. Vale a pena assistir |
A História Rapidinha da Crise é uma «comédia bufa que tenta explicar, de um modo rápido e conciso, como é que chegámos ao estado em que estamos», diz-se sobre a comédia estreada no dia 12 de Maio, no Centro das Artes, com sessões esgotadas até Domingo passado.
Com um elenco composto por Nuno Morna, Pedro Ribeiro, Paulo Lopes, Pedro Afonseca, Rodolfo Sousa e Rui Rodrigues, o principal alvo deste novo trabalho é o sistema económico e financeiro, mas disparam para todos os lados e ai está a riqueza activista da peça, que denuncia uma série de realidades.
Entre elas, as críticas à esquerda política, irrealista e cristalizada no discurso, ou as subversões do Estado de Providência, que mimou muitos portugueses. Nem a Marina do Lugar de Baixo escapa... A rir se falam de realidades muito sérias e se incomodam e despertam consciências.
Claro que sabemos que falta regulação e moralidade na forma como funciona o criticado sistema financeiro, mas essa é mais uma razão para os políticos terem juízo quando endividam o País ao ponto de ficar dependente e nas mãos desse sistema que tanto criticamos. Metemo-nos na boca do lobo.
Enquanto não chega a revolução que alguns advogam para mudar esse sistema, aí está a Troika para assegurar que pagamos o que devemos. Se não conseguirmos pagar o que devemos, podemos ter a Troika ciclicamente por cá... Corremos o risco de uma tROIKA fOREVER...
No final a mensagem de que é hora de parar de "cagar nisso", atitude endémica, e tentar fazer alguma coisa. Primeiro, é preciso aderir à realidade, em lugar do deixa andar ou acreditar nas ilusões que nos vendem.
A História Rapidinha da Crise é ainda defnido como um «espectáculo catártico onde público e actores têm a oportunidade de deitar tudo, salvo seja, cá para fora.»
Dar importância à expressão vernácula de Eduardo Catroga (entrevista na SIC Notícias na noite de quinta-feira passada) confirma o nosso gosto bem português de confundir o acessório com o essencial, e valorizar a forma em detrimento do conteúdo. Ninguém fala ou debate o que de certo ou errado disse Catroga sobre o futuro do País. Isso não interessa...
Gostamos dos
faits divers, do pitoresco, do folclore, das curiosidades, do riso, do gozo, da distracção. Desde que nos garanta escapar da realidade. Assim não vamos lá.
Se é um cidadão* cONSCIENTE e cRÍTICO relativamente à forma como Portugal tem sido dESGOVERNADO nos últimos seis anos, ao ponto de ficarmos na bancarrota, na sequência de erros graves, excessos eleitoralistas e satisfação da clientela partidária, sem esquecer as irresponsabilidades de governos anteriores, e deseja dar um sinal de pROTESTO, compre esta bela t-shirt por apenas nove euros. Campanha limitada ao stock.
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Não é o cidadão comum que é responsável pela vinda da tROIKA a Portugal (a não ser que tenha ido ou vá em cantigas e ilusões), para fazer aquilo que não conseguimos fazer: nos governarmos com racionalidade e realismo. É triste, é um enxovalho, mas é a realidade.
NOTAS:
1. tROIKA fOREVER", além do pROTESTO e da cRÍTICA, é um aLERTA para um perigo caso continuemos no mesmo caminho irracional e irrealista. Se não houver mudança de rumo arriscamo-nos a ter a troika ciclicamente por cá, no futuro, e a perder ma
is soberania. Perda de soberania por culpa própria por mais que se diabolize o mercado, o sistema financeiro e a tROIKA (não esquecer que a União Europeia faz parte da tROIKA, além do FMI e do BCE). Quem não queria a tROIKA e as suas consequências não nos tivesse arrastado para a bancarrota.
2. É claro que o fOREVER é uma provocação. Uma grande provocação... É preciso manter o sentido de humor no meio disto tudo... através da mais fina ironia.
3. O fOREVER é pura ironia, deixando-se ao leitor a possibilidade de perceber a distância intencional entre aquilo que é dito e aquilo que realmente se pensa, para obter desse leitor uma reacção. Quem percebe a ironia diverte-se, quem se fica pelo sentido literal incomoda-se e até se zanga... Como já se disse, o objectivo é a denúncia, a crítica e o protesto (em várias frentes), bem como o alerta, a leitura activa e posicionamento da parte de quem lê. Com a aparente valorização da realidade descrita, a chamada tROIKA, se desvaloriza (e contesta) essa mesma realidade (mas valorizando-se outras realidades, como a situação do País e a desgovernação que nos fez chegar a este estado).
Michael Gira diz adeus no final do último concerto de SWANS, em Londres, em 15 de Março de 1997 (fotografia de Twomberly Canale). Regressariam com novo disco em 2010, dando um
concerto memorável em Lisboa (9 de Abril do corrente) provando que «
they were, are, and will always be the most powerful band in the world live» (Drew West, Ink #19 04/01/1998).