«And some people say that it's just rock 'n' roll. Oh but it gets you right down to your soul» NICK CAVE

sábado, novembro 27, 2010

Falta plano estratégico para o turismo na Madeira

No momento em que a ocupação hoteleira e a entrada de turistas cai, João Welsh avança uma série de ideias em entrevista ao Diário, de que destacamos algumas passagens
photo copyright APAVT

«Nós convence-mo-nos que tínhamos qualidade e falávamos que a Madeira era um destino de grande qualidade e o que tinha mais qualidade, mas esquecemos de acompanhar os mercados. Em cima disto tudo, começámos a perder competitividade, não sabíamos bem o que estava a acontecer, não tivemos a humildade de perceber que as medidas imediatistas não são a forma de tentar reagir.»

«A questão central da Madeira é, de facto, com o produto Madeira, que tem de ser olhado com muita atenção, pois tem havido uma descaracterização do produto, muita falta de atenção com aspectos qualitativos e até nas próprias unidades hoteleiras.»

«O estratégico é a árvore, que temos de cuidar por forma a que todos os anos possamos ir lá colher a fruta. Ora, se colocamos no PDES (Plano de Desenvolvimento Económico e Social) as questões sociais e outras como estratégicas, depois colocamos em temático o Turismo, que é na realidade o único sector de actividade central na Madeira, que tem peso na economia e que é exportador, porque entram receitas externas em consequência desta actividade, há um erro estratégico. Temos de colocar o Turismo no local certo, que é como um sector estratégico para Região, numa lógica de montar um 'cluster' (aglomerados de empresas/entidades que colaboram para um mesmo objectivo) à volta do turismo, ou seja com o sector da hotelaria tradicional no centro e, a partir daí, desenvolver todo um conjunto de sectores de actividade, passando até pelos tradicionais.»

«O turismo aí deveria ser determinante de tudo o resto, em que cada obra, cada iniciativa que a Madeira tome, primeiro avalie os seus impactos negativos ou positivos para o turismo. E se são negativos têm de ser travadas quaisquer tipos de obras ou outras iniciativas. Porque, na realidade, quando fazemos tentativas de diversificar os nossos sectores de actividade, para a Madeira ganhar mais estabilidade e ter outras soluções, é de facto uma ideia bem pensada. O problema é que quando enveredamos por esses caminhos e pomos em causa o próprio sector central que é o Turismo, que é aquele em que sempre ganhamos dinheiro e temos todas as condições naturais para continuar a ser competitivos.»

«A marca resulta, não de uma promoção, mas sobretudo de uma estratégia consistente na lógica produto que, depois, acaba nessa própria promoção

«As nossas verbas para a promoção rondam os 300 euros por cama, enquanto os Açores devem estar acima dos 600 euros e Lisboa, salvo erro, estão próximos dos 900 euros/cama. Estamos a ver que o esforço feito em termos do turismo ainda é diminuto, por isso não é olhado como um sector estratégico. É visto como um sector extremamente importante, mas não é o que recolhe mais verbas, acreditando eu que é por aí que podemos ter maior retorno dos investimentos feitos.»

Diário de Notícias da Madeira
27.11.2010
João Welsh é delegado regional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT)

Recorde-se:
Turismo do qual a Madeira depende e onde deve apostar

sexta-feira, novembro 26, 2010

Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 8

Mais pedregulhos na estrada em 25.11.2010
Pedregulho de grandes dimensões bloqueia metade de uma estrada que prova com frequência, e com argumentos de peso, a sua elevada perigosidade. Muitos milhões se gastaram na promenade para passeio no Jardim do Mar, quando o maior perigo não vinha do oceano, mas sim do penhasco ao longo do acesso à freguesia...

Erro estratégico no investimento público, que deveria ter privilegiado a segurança. Ainda por cima, o investimento na desmesurada promenade comprometeu uma fonte importante de riqueza do Jardim do Mar, a famosa onda para o Surf, que perdeu as suas condições únicas.

Se a promenade tivesse sido mais estreita, sem entrar mar adentro, teria custado menos de metade do que custou e poder-se-ia ter construído um túnel de acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar.

Um erro que as populações poderão pagar caro no futuro.

Recordar:
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 7 (acção do CDS-PP em Julho de 2010)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 6 (capa do Diário em 11.03.2010)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 5 (Pedras em 6 e 9 de Março 2010)
- Em 1999, abaixo-assinado reivindicara túnel (lembrar-se de Santa Bárbara apenas quando dá trovões)
- Ganha força a reivindicação de um túnel para acesso seguro ao Jardim do Mar e Paúl do Mar (posição da Câmara da Calheta)

- Derrocadas
- Segurança das pessoas deveria estar em primeiro lugar (Pedras em 10.07.2009)
- Jardim do Mar «mais seguro»?
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 4 (Pedras início Fevereiro 2010)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 3 (Diário aborda problema em 14.02.2008)
-Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 2 (Pedras em 04.10.2009)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 1 (Pedras em 15.12.2009)

quarta-feira, novembro 24, 2010

Turismo do qual a Madeira depende e onde deve apostar

Quando o turismo é mera carruagem a reboque da locomotiva da construção civil, como refere João Welsh, acontecem atentados arrasadores para o turismo, como a desmesurada promenade no pitoresco Jardim do Mar
«Poderá a Madeira ambicionar um modelo económico que nos garanta uma autonomia genuína? Um modelo económico que nos dê perspectivas animadoras assentes numa visão aglutinadora de vontades e interesses? O Mundo está a mudar, a Europa enfrenta desafios impensáveis há poucos anos, o País está quase falido (ou falido e ainda não nos disseram) e a Madeira com uma economia altamente debilitada irá, inevitavelmente, sofrer um encolhimento brutal.

O nosso modelo económico actual está basicamente assente em 3 sectores de actividade: a construção civil, o CINM e o turismo. A construção civil sustentada nas obras públicas irá sentir os efeitos da realidade de orçamentos altamente restritivos - UE, Estado e Região. A isto, junta-se o facto de todas as obras necessárias e as supostamente necessárias - até aquelas que já só visavam alimentar o próprio sector - estarem concluídas, o que até é uma boa notícia se tivermos presente os impactos negativos de muitas das referidas obras na competitividade do nosso destino turístico por via da perda de exotismo, do património edificado e do desrespeito pela paisagem.

Quanto ao CINM tem sido na realidade um instrumento de valor acrescentado para a nossa economia - independentemente do seu maior ou menor contributo para o nosso PIB - mas é e será sempre uma realidade de cariz efémero dependente de decisões políticas exógenas à nossa vontade.

Fica-nos o Turismo, esse sim, um sector em que o nosso sucesso depende acima de tudo da nossa inteligência, SENSIBILIDADE e vontade de vencer.

Fomos presenteados com uma ilha que reúne naturalmente todas as qualidades de um excepcional produto turístico, desde as nossas paisagens, à nossa orografia, ao nosso mar, ao nosso clima, à nossa localização e, até ao facto de sermos uma ilha, factor diferenciador e de atractividade.

É neste quadro que defendo para a Madeira um modelo económico assente num Cluster do Turismo, gerador de dinâmicas competitivas transversais aos sectores tradicionais do vinho Madeira, bordados e vimes, à economia do mar, à cultura, aos negócios ligados ao ambiente e ecologia, até à agricultura - critica para a defesa da nossa paisagem - entre outros. Mas sejamos realistas, o sucesso de um destino competitivo só se constrói com uma atitude fundamentalista no desenvolvimento criterioso do nosso macro produto, num quadro em que nenhuma obra seja aprovada sem que primeiro seja avaliado o seu impacto positivo ou negativo para o turismo.

Temos outra alternativa? O modelo da construção civil no papel de locomotiva relegando o turismo para mera carruagem não só é uma perversão económica, como é arrasador para o único sector exportador da região: o turismo.

A única saída para a Madeira passa por um modelo económico em que o turismo assuma um papel estratégico, condicionando tudo o resto numa lógica virtuosa e nunca o turismo condicionado por alternativas não sustentáveis. O turismo não pode continuar com o estatuto de temático no PDES. Tem de ser promovido a estratégico!»

João Welsh, Delegado Regional da APAVT
Diário de Notícias da Madeira
24.11.2010

Votar é um prazer



O vídeo de campanha da Juventude Socialista da Catalunha mostra uma mulher a ter um orgasmo enquanto coloca o voto na urna, como nos conta a Visão online. As eleições para o parlamento estão marcadas para o dia 28 de Novembro e a Espanha está chocada com o anúncio que associa o acto de votar ao orgasmo.

A oposição acusa a Juventude Socialista de atacar a dignidade das mulheres. A Ministra da Saúde pediu sentido de responsabilidade aos partidos e respeito pelas mulheres.

sábado, novembro 13, 2010

Icewine

Néctar divinal vindo do frio canadiano
Riesling Icewine is a Canadian specialty, a heavenly nectar that comes from the cold. It is made from graves that are naturallly frozen by cold on the vine at -8º C. These late harvest grapes are harvested and then pressed while cold. Only 15% of the juice in the grape remains unfrozen and this nectar is both sweet and concentrated.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Auditorium 3

Nova sala de chuto, para acentuar a dependência de música
Uma aparelhagem e uns bons discos de rock são um antídoto à vida estupidificante casa-trabalho-casa-sepultura.

Recorde-se:
Sala de chuto 2

quinta-feira, novembro 11, 2010

Ainda o Jardim do Mar…

Maximiano Martins: As obras públicas destruíram o património natural de ondas não apenas do Jardim do Mar

A imprensa portuguesa tem feito eco de várias competições de surf em Portugal, em particular no santuário para a modalidade que é a Costa Peniche/Ericeira. Alguns apontamentos:

1. A Associação de Turismo de Lisboa e a Câmara Municipal de Mafra pretendem converter as praias da Ericeira numa reserva mundial de surf. É a organização americana "Save the Waves" que promove esta 'certificação'. A ser aceite a Ericeira será a segunda reserva mundial depois de Malibu, na costa da Califórnia.

A ser assim, a Costa Oeste de Lisboa/Cascais/Sintra é vista como o prolongamento natural da Serra de Sintra - que é Património Mundial da Unesco. Um contínuo de terra e mar de eleição.

2. A propósito do Rip Curl Pro Peniche, deste último Outubro, Pedro Bicudo, professor do IST, estima que a onda de 'supertubos' ali existente tem um valor económico mínimo de 100 milhões de euros. Peniche é visitada por mais de 100 000 turistas por ano em razão daquela onda. Diz ainda o professor: "…esta onda é como o Monte Branco dos Alpes". São receitas. São empregos.

3. Opinião semelhante tem Pedro Adão e Silva: "Temos de produzir bens que os chineses não saibam imitar e que os alemães não saibam produzir com maior qualidade. O que não podem imitar e produzir é uma onda como os Supertubos. Isso é impossível". E acrescenta "É mais fácil apanhar o avião em Londres para Lisboa do que ir à Indonésia ou à Austrália". Na Europa, todo o ano. E "uma onda de qualidade, desde que preservada, nunca será deslocalizada".

4. O mar não é apenas pescas, portos, construção naval. A Economia do Mar, no seu conteúdo concreto, inclui as áreas emergentes, como as energias e as biotecnologias, mas também surf e intersecção com o turismo - numa das áreas mais fortes deste que é o turismo-natureza, o turismo ambiental.

Tudo isto fez-me recordar a controvérsia sobre a Madeira como destino privilegiado de Surf com as suas 'big waves' únicas na Europa. Recordei-me do documentário LOST JEWEL OF THE ATLANTIC : a história de uma batalha travada no Jardim do Mar 'onde surfistas tentaram fazer valer os seus direitos contra o governo guiado pela ganância' (segundo o site da organização, citado na imprensa).

Recordei ainda as declarações infelizes de responsáveis públicos madeirenses sobre os 'turistas de pé descalço' e outras barbaridades. Lembrei-me também de uma população mal informada ou manipulada a perseguir ambientalistas que defendiam aquela onda do Jardim do Mar. Quando o turismo é considerado 'a indústria da hospitalidade' é estranho ver tais actos e declarações numa terra tradicional de turismo. E revela falta de visão.

É tempo para recordar, aprender com os erros e não repeti-los. Recordar, em particular, que as obras públicas destruíram o património natural de ondas não apenas do Jardim do Mar mas também do Lugar de Baixo e da Ponta Delgada. Em contraponto, Peniche prescindiu de um porto de águas profundas para preservar o seu património natural de ondas - uma futura reserva mundial.

Maximiano Martins
Diário de Notícias
10.11.2010

Recorde-se:
- Mundial de surf anunciado em 2006 que nunca mais aconteceu
- Pé-descalço doa prémio de 6500 dólares às vítimas do temporal
- «Pata rapada» 1
- «Pata rapada» 2
- «Pata rapada» 3
- «Pata rapada» 4
- «Pata rapada» que foi capa da Time
- Mafra homenageia surfistas, Madeira escorraça-os I (bilingual)
- Mafra homenageia surfistas, Madeira escorraça-os II (bilingual)
- Câmara da Calheta quer surf de volta II: motivação e realidade
- Save The Waves promove estudo sobre o mercado turístico do surf (bilingual)
- Surf promovido na montra de Turismo da Madeira
- Surf, turismo de pata-rapada?...
- Câmara da Calheta quer surf de volta I: campeonato mundial na Ponta Jardim
- Surf faz parte do Plano de Desenvolvimento 2007-2013 da Madeira
- El Salvador aposta no surf para reanimar economia
- Indústria do Surf com significativo impacto económico em Portugal
- Governo insiste que surf está igual ou até melhor: vamos aos FACTOS
- Interessa? Não interessa? Decida-se I
- Interessa? Não interessa? Decidam-se II
- Interessa? Não interessa? Os privados já decidiram III
- Interessa? Não interessa? Outro exemplo como sim IV
- Nomes chamados aos surfistas em tempos:

«Uma campanha do Diário [de Notícias da Madeira] alimentada por pseudo-ambientalistas zaragateiros e participada por alguns “surfistas” estrangeiros, os quais a população do Jardim do Mar sabe se tratar de “turismo pé-descalço”.» (Comunicado da presidência – Diário de Notícias da Madeira, Novembro 9, 2002)

"Foi um folclore alimentado por falsos ambientalistas e sabotadores da economia, que defendem um turismo de pé descalço como é aquele trazido pelos senhores do Surf do Jardim do Mar. Vão fazer Surf para outro lado." (Presidente do Governo - RDP-Madeira, Abril 2003)

quarta-feira, novembro 10, 2010

Mundial de surf anunciado para a Calheta em 2006 nunca mais se deu

Jardim do Mar pouco antes da enorme promenade que comprometeria as condições únicas das ondas para o surf
«Num dia destes, ao passar pelo Jardim do Mar, vi meia dúzia de surfistas de prancha na mão, de repente recordei-me da promessa de um político, que durante o seu discurso de inauguração da Piscina da Calheta disse que ia candidatar a localidade a uma prova do campeonato mundial de surf.

Pois bem, isto foi há sensivelmente dois anos. A oratória caiu bem, tanto que o presidente do Governo Regional, logo a seguir à intervenção, mesmo que indirectamente estava a reconhecer o valor das ondas e a importância da modalidade na economia da pequena freguesia.

Na altura, fiquei com a leve sensação que o anúncio seria para dar resposta aos denominados e habituais detractores do mal e provar consequentemente que as condições ímpares de surfar no Jardim continuavam bem presentes.

O gesto fora apreciado, sem dúvida. Na memória fica-me o sucesso do 'Madeira Big Wave Team Challange', em 2000, nesta pequena freguesia. Eu e mais algumas centenas de pessoas assistimos apinhados ao evento. No final, o balanço tinha sabido a pouco tal a espectacularidade do evento.

Não quero voltar a alimentar polémica em torno da infra-estrutura, se está mal ou se está bem, esse assunto 'já era', como se costuma dizer na gíria e naturalmente está mais do que debatido. O que eu quero, é avivar a memória da tal candidatura. Bem sei que não se disse para quando seria a prova, mas seria bom que depois do dia 22 de Setembro de 2006 se se tivesse escutado mais qualquer coisinha.

O que falhou? As negociações com a Federação Internacional de Surf, a participação dos surfistas de topo, porventura não estiveram disponíveis para eles próprios 'darem o cabedal' às rochas e assim provarem o que anteriormente se haviam manifestado contra ou foi só discurso para surfista ver? É que se foi, Jardim também foi na onda...»

Vítor Hugo
Jornalista do Diário de Notícias
15.09.2008

Recorde-se:
- Câmara da Calheta quer surf de volta I: campeonato mundial na Ponta Jardim (23.09.2006)
- Câmara da Calheta quer surf de volta II: motivação e realidade (25.08.2007)
- Governo insiste que o surf está igual ou até melhor: vamos a FACTOS (15.09.2006)

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Chomsky e as dez estratégias de manipulação mediática

Conhecer as estratégias ajuda a superá-las
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O linguista dos Estados Unidos Noam Chomsky elaborou a lista das 10 estratégias de manipulação através dos media:

1. A estratégia da distracção
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distracções e de informações insignificantes.

A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir o público de se interessar pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais” (citação do texto Armas silenciosas para guerras tranquilas).

2. Criar problemas, depois oferecer soluções

Este método também é chamado “problema-reacção-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reacção no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo, deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade.

Ou também: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3. A estratégia da gradação
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconómicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4. A estratégia do deferido
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato.

Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado.

Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5. Dirigir-se ao público como crianças de baixa idade
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos da debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental.

Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adoptar um tom infantilizante. Porquê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reacção também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade” (ver Armas silenciosas para guerras tranquilas).

6. Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido crítico dos indivíduos.

Além do mais, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão.

“A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores” (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas).

8. Estimular o público a ser complacente na mediocridade
Levar o público a achar que é moda o facto de ser estúpido, vulgar e inculto...

9. Reforçar a revolta pela autoculpabilidade
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços.

Assim, ao invés de se revoltar contra o sistema económico, o indivíduo auto-desvaloriza-se e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua acção. E, sem acção, não há revolução.

10. Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem

No decorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado uma crescente diferença entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente.

O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

(Revista RCI, Sindicato dos Professores da Região Centro, Novembro de 2010)

O império da estatística versus a valência educativa da Escola

Litografia "Pela República" de Alfredo Roque Gameiro
 “Todo o republicano genuíno se empenhava em levar a escola aos mais recônditos lugares do país, abrindo assim os olhos das crianças para as luzes do progresso e para o derrube dos fantasmas ancestrais que lhe embargavam o passo. (...) O império das estatísticas e o esvaziamento dos territórios do interior, têm vindo a enfraquecera valência educativa em favor da mera aprendizagem. Para poupar meia dúzia de patacos no orçamento de estado, exactamente no sector em que ele deveria ser mais pródigo, a tendência começa a ser a de massificar e diluir as individualidades infantis em grandes agrupamentos indiferenciados, tudo em nome de supostas recomendações internacionais e conceitos pedagógicos de pacotilha, tão ao invés de Pestalozzie Maria Montessori, esquecidos a um ponto que até confrange.”

“Mas do Ministério da Educação pouco haverá a esperar. Aquele departamento crucial do estado mais parece um parque zoológico de dinossauros, de burocratas encardidos, esplêndida máquina para descascar bananas, ravina do por guerras territoriais de poder entre as várias seitas em que, aos poucos, se foi estilhaçando. A mesma parcialidade, ou melhor, a mesma ignorância, nas sucessivas comissões que têm vindo a sentenciar quais os títulos a inscrever, ou não, na PlanoNacional de Leitura, onde Aquilino não é também persona grata.”

(Intervenção de Aquilino Ribeiro Machado, na “Noite Republicana, Soutosa, 13 de Setembro de 2010 - revista RCI, Sindicato dos Professores da Região Centro, Novembro de 2010)

Agressão a jornalista na Madeira

Vídeo
Marco Freitas acusou na terça-feira Carlos Pereira, presidente do Marítimo, de lhe ter dado um soco e apertado o pescoço, quando assistia ao treino da equipa no Complexo de Santo António.

O Marítimo emitiu um comunicado na mesma terça-feira à noite a desmentir as notícias que davam conta de uma agressão do seu presidente, Carlos Pereira, a um jornalista do Diário de Notícias da Madeira. O líder maritimista admitiu, no entanto, em reportagem da RTP Maderia ter agarrado o jornalista em causa.

A agressividade (ou agarranços) sobre jornalistas não é inédita na Região.

Recorde-se:
Anormalidade comportamental e democrática continuará

segunda-feira, novembro 01, 2010

Escola não é democrática nem deve sê-lo


"A escola não é democrática. Nem deve sê-lo. A escola é a preparação para a democracia. Uma aula é hierárquica. O professor está sempre acima dos alunos. A escola deve estar a preparar os jovens para ser cidadãos. A escola não tem os mecanismos da democracia nem deve ter."

(Fernando Savater, filósofo e professor de Ética, em entrevista a Cristina Margato in ATUAL, nº 1983, de 30 de Outubro de 2010)