segunda-feira, novembro 29, 2010
Recusa do mainstream aos 7 anos
O vídeo animado do "Electric Flower", o tema mais orelhudo do novo de Melvins, é muito lúdico e até fascina as crianças, inclusive a que há em nós
Hoje de manhã, para ajudar a acordar a minha filha de 7 anos, que custa a levantar-se, apesar de deitar-se cedo, coloquei na aparelhagem o mais recente disco da Miley Cyrus que lhe fora oferecido por mim.
Para meu espanto, a música fê-la tapar-se de pés e cabeça e pedir para desligar a música pop da adolescente americana. Recusou a música dela (filha) e pediu para o pai colocar música dele. E explicou porquê: a música da Miley Cyrus é só para ela dançar.
E lá fui pôr no leitor um dos discos que ando a ouvir massivamente, o novo dos Melvins, roqueiros alternativos. E lá a pequena ganhou forças e disposição para sair dos confins dos lençóis e enfrentar o dia (ela associa o aspecto lúdico do vídeo animado do tema "Electric Flower" à música, que é muito energética e empolgante).
Este episódio deixou o progenitor orgulhoso, porque a miúda já tem critério musical e estético, no sentido em que distingue o mainstream (o gosto mais difundido e comum, de massas, consumidor daquilo que é mais imediato e fácil, para dançar) do independente e alternativo (de gosto menos massificado e de acesso mais restrito, selectivo, porque mais desafiante e exigente para o ouvinte, implicando maior esforço na adesão).
Miley Cyrus para dançar (abanar o rabo), a outra música (do pai, neste caso) para ouvir.
Nota:
Os Melvins têm dois bateristas (daí os siameses no vídeo)
domingo, novembro 28, 2010
Lúgubre belo
Quando o lúgubre, o sombrio e soturno são belos e essa emoção e experiência estética causam prazer e alegria.
E a banda sonora para as fotografias da negritude de duas tardes chuvosas e de espessa intensidade dramática, na Calheta:Bohren & Der Club of Gore
| 29.11.2010 |
| 28.11.2010 |
| 28.11.2010 |
E a banda sonora para as fotografias da negritude de duas tardes chuvosas e de espessa intensidade dramática, na Calheta:Bohren & Der Club of Gore
BEN FROST, electrónica cinemática no Madeira Dig 2010
Ben Frost, australiano que vive na Islândia, é um dos artistas presentes a não perder. A sua actuação acontece no dia 5 de Dezembro (domingo), integrado no Madeira Dig 2010. O disco By The Throat é o seu mais recente marco discográfico, editado há um ano. A edição com faixas bónus contém o tema "Studies for Michael Gira". Michael Gira (Swans, Angels Of Light) é um dos meus artistas preferidos.
Frost’s music is about contrast; influenced as much by Classical Minimalism as by Rock & Metal, Frost’s throbbing guitar-based textures emerge from nothing and slowly coalesce into huge, forbidding forms that often eschew conventional structures in favor of the inevitable unfoldings of vast mechanical systems. (Digital In Berlin)
«By The Throat creates «something defiantly new, and distinctly dramatic and programmatic.» «The cinematic electronica of Australian Ben Frost offers a Hi-Def portal do other worlds». «The rumble of double bass is a key sound in the album». «Frost utilises the musical and technological developments of the past decade, and the atavistic power of its Metal elements to make those worlds all-encompassing and eerrily real. Occasionally the experience may feel like a home cinema thrill-ride, but at its best this record truly does grab you by the throat.» (Joe Muggs in WIRE magazine - issue 309 November 2009, p53)
«Listening to Frost's epic minimalism, it's no surprise to discover taht he admires Arvo Part, Gyorgy Ligeti, Swans, Sunn O))) and Burial.» «The ramping-up tension to the point where it is almost unbearable, is something that Frost has in common with the aforementioned Swans - and By The Throat's larval, leviathan slowness, the sense of enormous power held in check, recalls nothing so much as that group's performances in the mid-1980s.» «Saturated with a sense o the cinematic. Most Hollywood scores now are depressingly conservative, but Frost's work could be a template for a 21st century movie music.» «"If my work is cinematic, it is really only in the sense that making it, for me, is very much a visual exercise where every element of thsi record has a singular and and inherent animated visual shape, colour and texture, and I am trying to make this music a world in and of itself" (says Frost). «With its wolf howls and monstrous machine-screams , By The Throat 's world feels like a vast, desolate, inhospitable terrain populated by predators both organic and inorganic.» (Mark Fisher in WIRE magazine - issue 310 December 2009, p14)
Os artistas/concertos e outras actividades adjacentes (after-sessions, lecture, installation, presentation e screenings) podem se escrutinadas em madeiradig.net. Os concertos têm como palco o Centro das Artes da Calheta (Casa das Mudas) e os restantes eventos a Estalagem da Ponta do Sol e o Centro Cultural John dos Passos.
Os preços variam entre os 15 euros por concerto, 40 euros para três dias (poupança de 5 euros) e 50 euros para os quatro dias (poupança de 10 euros).
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| Ben Frost ao vivo já no próximo domingo, no Centro das Artes |
sábado, novembro 27, 2010
Falta plano estratégico para o turismo na Madeira
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| No momento em que a ocupação hoteleira e a entrada de turistas cai, João Welsh avança uma série de ideias em entrevista ao Diário, de que destacamos algumas passagens |
«Nós convence-mo-nos que tínhamos qualidade e falávamos que a Madeira era um destino de grande qualidade e o que tinha mais qualidade, mas esquecemos de acompanhar os mercados. Em cima disto tudo, começámos a perder competitividade, não sabíamos bem o que estava a acontecer, não tivemos a humildade de perceber que as medidas imediatistas não são a forma de tentar reagir.»
«A questão central da Madeira é, de facto, com o produto Madeira, que tem de ser olhado com muita atenção, pois tem havido uma descaracterização do produto, muita falta de atenção com aspectos qualitativos e até nas próprias unidades hoteleiras.»
«O estratégico é a árvore, que temos de cuidar por forma a que todos os anos possamos ir lá colher a fruta. Ora, se colocamos no PDES (Plano de Desenvolvimento Económico e Social) as questões sociais e outras como estratégicas, depois colocamos em temático o Turismo, que é na realidade o único sector de actividade central na Madeira, que tem peso na economia e que é exportador, porque entram receitas externas em consequência desta actividade, há um erro estratégico. Temos de colocar o Turismo no local certo, que é como um sector estratégico para Região, numa lógica de montar um 'cluster' (aglomerados de empresas/entidades que colaboram para um mesmo objectivo) à volta do turismo, ou seja com o sector da hotelaria tradicional no centro e, a partir daí, desenvolver todo um conjunto de sectores de actividade, passando até pelos tradicionais.»
«O turismo aí deveria ser determinante de tudo o resto, em que cada obra, cada iniciativa que a Madeira tome, primeiro avalie os seus impactos negativos ou positivos para o turismo. E se são negativos têm de ser travadas quaisquer tipos de obras ou outras iniciativas. Porque, na realidade, quando fazemos tentativas de diversificar os nossos sectores de actividade, para a Madeira ganhar mais estabilidade e ter outras soluções, é de facto uma ideia bem pensada. O problema é que quando enveredamos por esses caminhos e pomos em causa o próprio sector central que é o Turismo, que é aquele em que sempre ganhamos dinheiro e temos todas as condições naturais para continuar a ser competitivos.»
«A marca resulta, não de uma promoção, mas sobretudo de uma estratégia consistente na lógica produto que, depois, acaba nessa própria promoção.»
«As nossas verbas para a promoção rondam os 300 euros por cama, enquanto os Açores devem estar acima dos 600 euros e Lisboa, salvo erro, estão próximos dos 900 euros/cama. Estamos a ver que o esforço feito em termos do turismo ainda é diminuto, por isso não é olhado como um sector estratégico. É visto como um sector extremamente importante, mas não é o que recolhe mais verbas, acreditando eu que é por aí que podemos ter maior retorno dos investimentos feitos.»
Diário de Notícias da Madeira
27.11.2010
João Welsh é delegado regional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT)
Recorde-se:
Turismo do qual a Madeira depende e onde deve apostar
sexta-feira, novembro 26, 2010
Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 8
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| Mais pedregulhos na estrada em 25.11.2010 |
Erro estratégico no investimento público, que deveria ter privilegiado a segurança. Ainda por cima, o investimento na desmesurada promenade comprometeu uma fonte importante de riqueza do Jardim do Mar, a famosa onda para o Surf, que perdeu as suas condições únicas.
Se a promenade tivesse sido mais estreita, sem entrar mar adentro, teria custado menos de metade do que custou e poder-se-ia ter construído um túnel de acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar.
Um erro que as populações poderão pagar caro no futuro.
Recordar:
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 7 (acção do CDS-PP em Julho de 2010)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 6 (capa do Diário em 11.03.2010)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 5 (Pedras em 6 e 9 de Março 2010)
- Em 1999, abaixo-assinado reivindicara túnel (lembrar-se de Santa Bárbara apenas quando dá trovões)
- Ganha força a reivindicação de um túnel para acesso seguro ao Jardim do Mar e Paúl do Mar (posição da Câmara da Calheta)
- Derrocadas
- Segurança das pessoas deveria estar em primeiro lugar (Pedras em 10.07.2009)
- Jardim do Mar «mais seguro»?
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 4 (Pedras início Fevereiro 2010)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 3 (Diário aborda problema em 14.02.2008)
-Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 2 (Pedras em 04.10.2009)
- Derrocadas frequentes no acesso ao Jardim do Mar e Paúl do Mar 1 (Pedras em 15.12.2009)
quarta-feira, novembro 24, 2010
Turismo do qual a Madeira depende e onde deve apostar
O nosso modelo económico actual está basicamente assente em 3 sectores de actividade: a construção civil, o CINM e o turismo. A construção civil sustentada nas obras públicas irá sentir os efeitos da realidade de orçamentos altamente restritivos - UE, Estado e Região. A isto, junta-se o facto de todas as obras necessárias e as supostamente necessárias - até aquelas que já só visavam alimentar o próprio sector - estarem concluídas, o que até é uma boa notícia se tivermos presente os impactos negativos de muitas das referidas obras na competitividade do nosso destino turístico por via da perda de exotismo, do património edificado e do desrespeito pela paisagem.
Quanto ao CINM tem sido na realidade um instrumento de valor acrescentado para a nossa economia - independentemente do seu maior ou menor contributo para o nosso PIB - mas é e será sempre uma realidade de cariz efémero dependente de decisões políticas exógenas à nossa vontade.
Fica-nos o Turismo, esse sim, um sector em que o nosso sucesso depende acima de tudo da nossa inteligência, SENSIBILIDADE e vontade de vencer.
Fomos presenteados com uma ilha que reúne naturalmente todas as qualidades de um excepcional produto turístico, desde as nossas paisagens, à nossa orografia, ao nosso mar, ao nosso clima, à nossa localização e, até ao facto de sermos uma ilha, factor diferenciador e de atractividade.
É neste quadro que defendo para a Madeira um modelo económico assente num Cluster do Turismo, gerador de dinâmicas competitivas transversais aos sectores tradicionais do vinho Madeira, bordados e vimes, à economia do mar, à cultura, aos negócios ligados ao ambiente e ecologia, até à agricultura - critica para a defesa da nossa paisagem - entre outros. Mas sejamos realistas, o sucesso de um destino competitivo só se constrói com uma atitude fundamentalista no desenvolvimento criterioso do nosso macro produto, num quadro em que nenhuma obra seja aprovada sem que primeiro seja avaliado o seu impacto positivo ou negativo para o turismo.
Temos outra alternativa? O modelo da construção civil no papel de locomotiva relegando o turismo para mera carruagem não só é uma perversão económica, como é arrasador para o único sector exportador da região: o turismo.
A única saída para a Madeira passa por um modelo económico em que o turismo assuma um papel estratégico, condicionando tudo o resto numa lógica virtuosa e nunca o turismo condicionado por alternativas não sustentáveis. O turismo não pode continuar com o estatuto de temático no PDES. Tem de ser promovido a estratégico!»
João Welsh, Delegado Regional da APAVT
24.11.2010
Votar é um prazer
O vídeo de campanha da Juventude Socialista da Catalunha mostra uma mulher a ter um orgasmo enquanto coloca o voto na urna, como nos conta a Visão online. As eleições para o parlamento estão marcadas para o dia 28 de Novembro e a Espanha está chocada com o anúncio que associa o acto de votar ao orgasmo.
A oposição acusa a Juventude Socialista de atacar a dignidade das mulheres. A Ministra da Saúde pediu sentido de responsabilidade aos partidos e respeito pelas mulheres.
sábado, novembro 13, 2010
Icewine
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| Néctar divinal vindo do frio canadiano |
sexta-feira, novembro 12, 2010
Auditorium 3
| Nova sala de chuto, para acentuar a dependência de música |
Recorde-se:
Sala de chuto 2
quinta-feira, novembro 11, 2010
Ainda o Jardim do Mar…
| Maximiano Martins: As obras públicas destruíram o património natural de ondas não apenas do Jardim do Mar |
A imprensa portuguesa tem feito eco de várias competições de surf em Portugal, em particular no santuário para a modalidade que é a Costa Peniche/Ericeira. Alguns apontamentos:
1. A Associação de Turismo de Lisboa e a Câmara Municipal de Mafra pretendem converter as praias da Ericeira numa reserva mundial de surf. É a organização americana "Save the Waves" que promove esta 'certificação'. A ser aceite a Ericeira será a segunda reserva mundial depois de Malibu, na costa da Califórnia.
A ser assim, a Costa Oeste de Lisboa/Cascais/Sintra é vista como o prolongamento natural da Serra de Sintra - que é Património Mundial da Unesco. Um contínuo de terra e mar de eleição.
2. A propósito do Rip Curl Pro Peniche, deste último Outubro, Pedro Bicudo, professor do IST, estima que a onda de 'supertubos' ali existente tem um valor económico mínimo de 100 milhões de euros. Peniche é visitada por mais de 100 000 turistas por ano em razão daquela onda. Diz ainda o professor: "…esta onda é como o Monte Branco dos Alpes". São receitas. São empregos.
3. Opinião semelhante tem Pedro Adão e Silva: "Temos de produzir bens que os chineses não saibam imitar e que os alemães não saibam produzir com maior qualidade. O que não podem imitar e produzir é uma onda como os Supertubos. Isso é impossível". E acrescenta "É mais fácil apanhar o avião em Londres para Lisboa do que ir à Indonésia ou à Austrália". Na Europa, todo o ano. E "uma onda de qualidade, desde que preservada, nunca será deslocalizada".
4. O mar não é apenas pescas, portos, construção naval. A Economia do Mar, no seu conteúdo concreto, inclui as áreas emergentes, como as energias e as biotecnologias, mas também surf e intersecção com o turismo - numa das áreas mais fortes deste que é o turismo-natureza, o turismo ambiental.
Tudo isto fez-me recordar a controvérsia sobre a Madeira como destino privilegiado de Surf com as suas 'big waves' únicas na Europa. Recordei-me do documentário LOST JEWEL OF THE ATLANTIC : a história de uma batalha travada no Jardim do Mar 'onde surfistas tentaram fazer valer os seus direitos contra o governo guiado pela ganância' (segundo o site da organização, citado na imprensa).
Recordei ainda as declarações infelizes de responsáveis públicos madeirenses sobre os 'turistas de pé descalço' e outras barbaridades. Lembrei-me também de uma população mal informada ou manipulada a perseguir ambientalistas que defendiam aquela onda do Jardim do Mar. Quando o turismo é considerado 'a indústria da hospitalidade' é estranho ver tais actos e declarações numa terra tradicional de turismo. E revela falta de visão.
É tempo para recordar, aprender com os erros e não repeti-los. Recordar, em particular, que as obras públicas destruíram o património natural de ondas não apenas do Jardim do Mar mas também do Lugar de Baixo e da Ponta Delgada. Em contraponto, Peniche prescindiu de um porto de águas profundas para preservar o seu património natural de ondas - uma futura reserva mundial.
Maximiano Martins
Diário de Notícias
10.11.2010
Recorde-se:
- Mundial de surf anunciado em 2006 que nunca mais aconteceu
- Pé-descalço doa prémio de 6500 dólares às vítimas do temporal
- «Pata rapada» 1
- «Pata rapada» 2
- «Pata rapada» 3
- «Pata rapada» 4
- «Pata rapada» que foi capa da Time
- Mafra homenageia surfistas, Madeira escorraça-os I (bilingual)
- Mafra homenageia surfistas, Madeira escorraça-os II (bilingual)
- Câmara da Calheta quer surf de volta II: motivação e realidade
- Save The Waves promove estudo sobre o mercado turístico do surf (bilingual)
- Surf promovido na montra de Turismo da Madeira
- Surf, turismo de pata-rapada?...
- Câmara da Calheta quer surf de volta I: campeonato mundial na Ponta Jardim
- Surf faz parte do Plano de Desenvolvimento 2007-2013 da Madeira
- El Salvador aposta no surf para reanimar economia
- Indústria do Surf com significativo impacto económico em Portugal
- Governo insiste que surf está igual ou até melhor: vamos aos FACTOS
- Interessa? Não interessa? Decida-se I
- Interessa? Não interessa? Decidam-se II
- Interessa? Não interessa? Os privados já decidiram III
- Interessa? Não interessa? Outro exemplo como sim IV
- Nomes chamados aos surfistas em tempos:
«Uma campanha do Diário [de Notícias da Madeira] alimentada por pseudo-ambientalistas zaragateiros e participada por alguns “surfistas” estrangeiros, os quais a população do Jardim do Mar sabe se tratar de “turismo pé-descalço”.» (Comunicado da presidência – Diário de Notícias da Madeira, Novembro 9, 2002)
"Foi um folclore alimentado por falsos ambientalistas e sabotadores da economia, que defendem um turismo de pé descalço como é aquele trazido pelos senhores do Surf do Jardim do Mar. Vão fazer Surf para outro lado." (Presidente do Governo - RDP-Madeira, Abril 2003)
quarta-feira, novembro 10, 2010
Mundial de surf anunciado para a Calheta em 2006 nunca mais se deu
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| Jardim do Mar pouco antes da enorme promenade que comprometeria as condições únicas das ondas para o surf |
Pois bem, isto foi há sensivelmente dois anos. A oratória caiu bem, tanto que o presidente do Governo Regional, logo a seguir à intervenção, mesmo que indirectamente estava a reconhecer o valor das ondas e a importância da modalidade na economia da pequena freguesia.
Na altura, fiquei com a leve sensação que o anúncio seria para dar resposta aos denominados e habituais detractores do mal e provar consequentemente que as condições ímpares de surfar no Jardim continuavam bem presentes.
O gesto fora apreciado, sem dúvida. Na memória fica-me o sucesso do 'Madeira Big Wave Team Challange', em 2000, nesta pequena freguesia. Eu e mais algumas centenas de pessoas assistimos apinhados ao evento. No final, o balanço tinha sabido a pouco tal a espectacularidade do evento.
Não quero voltar a alimentar polémica em torno da infra-estrutura, se está mal ou se está bem, esse assunto 'já era', como se costuma dizer na gíria e naturalmente está mais do que debatido. O que eu quero, é avivar a memória da tal candidatura. Bem sei que não se disse para quando seria a prova, mas seria bom que depois do dia 22 de Setembro de 2006 se se tivesse escutado mais qualquer coisinha.
O que falhou? As negociações com a Federação Internacional de Surf, a participação dos surfistas de topo, porventura não estiveram disponíveis para eles próprios 'darem o cabedal' às rochas e assim provarem o que anteriormente se haviam manifestado contra ou foi só discurso para surfista ver? É que se foi, Jardim também foi na onda...»
Vítor Hugo
Jornalista do Diário de Notícias
15.09.2008
Recorde-se:
- Câmara da Calheta quer surf de volta I: campeonato mundial na Ponta Jardim (23.09.2006)
- Câmara da Calheta quer surf de volta II: motivação e realidade (25.08.2007)
- Governo insiste que o surf está igual ou até melhor: vamos a FACTOS (15.09.2006)
foto origin
Chomsky e as dez estratégias de manipulação mediática
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| Conhecer as estratégias ajuda a superá-las |
O linguista dos Estados Unidos Noam Chomsky elaborou a lista das 10 estratégias de manipulação através dos media:
1. A estratégia da distracção
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distracções e de informações insignificantes.
A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir o público de se interessar pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais” (citação do texto Armas silenciosas para guerras tranquilas).
2. Criar problemas, depois oferecer soluções
Este método também é chamado “problema-reacção-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reacção no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo, deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade.
Ou também: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
3. A estratégia da gradação
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconómicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4. A estratégia do deferido
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato.
Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado.
Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.
5. Dirigir-se ao público como crianças de baixa idade
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos da debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental.
Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adoptar um tom infantilizante. Porquê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reacção também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade” (ver Armas silenciosas para guerras tranquilas).
6. Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido crítico dos indivíduos.
Além do mais, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...
7. Manter o público na ignorância e na mediocridade
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão.
“A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores” (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas).
8. Estimular o público a ser complacente na mediocridade
Levar o público a achar que é moda o facto de ser estúpido, vulgar e inculto...
9. Reforçar a revolta pela autoculpabilidade
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços.
Assim, ao invés de se revoltar contra o sistema económico, o indivíduo auto-desvaloriza-se e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua acção. E, sem acção, não há revolução.
10. Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem
No decorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado uma crescente diferença entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente.
O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.
(Revista RCI, Sindicato dos Professores da Região Centro, Novembro de 2010)
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