«And some people say that it's just rock 'n' roll. Oh but it gets you right down to your soul» NICK CAVE

sábado, março 12, 2011

THE WALL (6): imprensa


Roger Waters na capa da Rolling Stone de 30 de Setembro de 2010. Ler excerto da entrevista aqui:

Roger Waters is about to launch a tour where a 36-foot-high wall will rise up each night between him and his fans — and right now, you wouldn’t blame him for wishing the thing was a bit more portable. The former Pink Floyd leader has just ducked his still-gangly six-foot-three-inch frame into a town car for a ride to a midtown Manhattan restaurant, and it is immediately clear that the driver is way too excited to see him. Waters braces himself. “Been a fan all my life, man,” says the driver, a baseball-capped, middle-aged dude named Fred, with a broad New York accent. ” ‘Wish You Were Here’ — I was backpacking in Europe when I got turned on to it. I was like, ‘This is the best album evvuh!’ It must be an unbelievable feeling to know what an impact you made on my generation.”

“Normally, we don’t know until we get in your car,” Waters replies in his crisply British tones, buckling his seat belt. As usual, it’s hard to read his chilly blue-gray eyes — color-coordinated these days with his longish, silvery hair and professorial beard — but it seems he’s decided to be amused. It helps that Waters just shared an excellent bottle of Montrachet, in celebration of the end of a long workday: After driving into Manhattan this morning from his house in the Hamptons, he endured a biceps, triceps and abdominal core workout (“It nearly kills me, but I need to get a little stronger”), sang scales with the vocal coach who’s been helping him reclaim the high notes of his youth, met with a stylist to select stage clothes in various shades of black (rejecting one pair of leather boots as “very Bruce” and another as “too Pete Townshend”) and spent hours in a downtown production studio, making minute tweaks to lighting and digital animation.

He’s been working at this pace since January, determined to perfect the first real touring version of what he considers the defining work of his career, the 30-million-copy-selling The Wall — the 1979 tale of an alienated rock star named Pink whose biography bears a distinct resemblance to his own. Pink Floyd’s original live version — with its giant puppets, synchronized graphics and that wall, constructed brick by brick, then knocked down at the show’s climax — set a standard for every rock spectacle that followed, from Steel Wheels to Zoo TV. But it hit a mere four cities worldwide, with months passing between each block of shows. No footage was officially released from the performances, so they’ve become a dimly recalled legend — except for Gerald Scarfe’s surreal animation, which also appeared in 1982′s film version.

The shows lost money at every date — tickets were around $12 — and the band was falling apart. “They were getting to the point where they couldn’t stand the sight of each other,” says Mark Fisher, the architect who built both the 1980 and 2010 versions of the tour (and also worked on the “spaceship” stage for U2′s 360û Tour). “It was all too convenient that they got to declare that the whole thing was a turkey and way too expensive and walk away from it on those grounds.”

Lighting director Marc Brickman, who also worked on the new show, was brought in just before the beginning of the original performances. “It was just mind-blowing — I was speechless,” says Brickman. “It was mounting opera at a rock & roll show. In 1980, you couldn’t even dream of that show.” For Waters, the idea behind arena theatrics was simple: “You can’t ask people to go to the circus and just have fleas in the middle — you’ve got to have elephants and tigers.”

sexta-feira, março 11, 2011

THE WALL (5): a origem do conceito

Roger Waters looking at the wall

Depois de termos visto o conceito do álbum THE WALL, vamos saber mais sobre o contexto da origem da ideia.

"The reason why I designed this show in the first place, all those years ago, was because I'd become disaffected [resentful, rebellious] by doing gigs in football stadiums in front of large numbers of people, who I felt were not really engaged in the same thing I was engaged in", sintetiza o próprio Roger Waters, criador do conceito e autor das letras do álbum de 1979. "I thought of building a show where I build a wall to express the feelings of alienation I had from the audience."

No final da primeira parte do espectáculo, final do disco 1, há uma parede totalmente erguida e a separar a banda do público. Não é só a separação entre o artista e a audiência, é uma metáfora da separação entre Oeste e Leste, entre ricos e pobres, entre poderosos e fracos. «You start finding parallels in other people's experiences.»

Após o álbum The Animals, os Pink Floyd passaram a tocar em estádios para multidões. «The rowdy rock audiences of the US are the ultimate nightmare of an artist of sensitive disposition. For Roger Waters the task of trying to communicate his art to 80.000 concertgoers, many of whom were intent on getting high by any means necessary, was simply a bridge too far (Retrospectives, Pink Floyd's The Wall). Na verdade, com o álbum The Dark Side Of The Moon, a banda passou de audiências de 10 mil pessoas para multidões ruidosas. Foi um choque para Roger Waters, sobretudo.

«The moment that sparked The Wall happened at a show at Montreal's Olympic Stadium during the Animals tour of 1977. (...) During the break between a couple of numbers, this group [righ at the front] were shouting out suggestions for songs. When Roger's eye was caught by one particularly vocal member of the claque yelling, "play Carefull With That Axe Eugene, Roger", he finally lost patience, and spat at the offender.» David Gilmour diria anos mais tarde sobre o incidente: "I think Roger was disgusted with himself really that he had let himself go sufficiently to spit at a fan."

«After the gig Roger poured out his sense of frustration and alienation to Canadian producier Bob Ezrin and in his frustration he suggested he would like to build a wall betweeen the band and the audience. Ezrin's reply was direct and to the point, "well why don't you?"

"I hate audience participation", diz Waters nos anos 80, quando em digressão com o espectáculo The Wall. "I hate it when they want to sing along: it makes my flesh creep. Yelling and screaming and singing is great in church, but not at our shows, thank you very much." O tema e o espectáculo exigiam silêncio e concentração do público. Daí ter escolhido espaços mais pequenos para os concertos.

Esperemos que os fãs nos concertos da actual digressão The Wall não se ponham aos berros a cantar os temas. Eu, como espectador, a não ser que seja um concerto ruidoso ao ponto de não se ouvir a gritaria, gosto de poder apreciar a música. Gritem e dêem palmas no fim durante o tempo que quiserem.

quinta-feira, março 10, 2011

Sobressalto cívico, claro, de que estão à espera?



Quem se incomodou com o buzinão e o direito à indignação vem falar da necessidade de sobressalto cívico; quem apoiou o buzinão e o direito à indignação agora mostra-se ofendido com o sobressalto cívico...

«É necessário um sobressalto cívico que faça despertar os portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes públicos», afirmou ontem o Presidente da República no discurso da tomada de posse para um segundo mandato em Belém.

Ora, tal como Cavaco Silva não pode esquecer como reagiu ao direito à indignação do então chefe de Estado Mário Soares, numa determinada fase da governação do PSD, o PS também não o pode esquecer. Não se pode armar, agora que está no Governo, em virgem ofendida, não pode reclamar um presidente árbitro e moderador, não pode mostrar intolerância e criticar com contundência o «sobressalto cívico» quando acolheram o apelo à «indignação» cívica há anos atrás, em meados dos anos 90.

Ou pensará o actual Governo (em agonia) que não há tantas ou mais razões, neste momento, do que em meados do ano 90, para o direito à indignação ou ao sobressalto cívico? O Governo actual actua como se tudo estivesse na maior das normalidades... É perito em iludir a realidade da gravidade da situação em que o País se encontra. Venha o sobressalto cívico.

THE WALL (4): imprensa


Revista Blitz (Março 2011, # 57) com 10 páginas, seis delas ocupadas com fotografias e as restantes com uma entrevista traduzida de Cole Moreton/LIVE Magazine/The Interview People.

quarta-feira, março 09, 2011

THE WALL (3): entrevista a Roger Waters


Roger Waters, the man himself, fala do conceito do álbum, dos muitos muros que nos separam uns dos outros e nos alienam, e do espectáculo THE WALL, que está na estrada. Passa por Portugal, Pavilhão Atlântico, no final deste mês.

segunda-feira, março 07, 2011

THE WALL (2): o conceito

O que tem The Wall a ver com a natureza humana, Jean-Paul Sartre, Robert Fisher ou o muro entre Israel e a Palestina? Read on...
O conceito, o fio condutor ou ideia, que percorre The Wall é simples. Nas próprias palavras de Roger Waters, trata-se da «história de um jovem que se isola devido ao medo que tem das outras pessoas e relacionamentos.» Aos poucos, esse personagem vai construindo, tijolo a tijolo, um muro entre si e os outros.

Segundo Jean-Paul Sartre, «o inferno são os outros», isto é, fonte permanente de contingências e que impossibilitam a concretização dos projectos individuais, colocando-se sempre no seu caminho. Apesar disso, o indivíduo não pode evitar a convivência. Só esta convivência é capaz de lhe dar a certeza de que está a fazer as escolhas que deseja, em contraponto com os projectos diferentes dos outros. Sem os outros, o seu projecto ou a sua missão não faria sentido.

The Wall traduz a «ideia de que nós, enquanto indivíduos, geralmente achamos necessário evitar ou negar os aspectos dolorosos da nossa existência», diz Roger Waters, fazendo com que muitas vezes utilizemos esses aspectos difíceis e traumáticos como «tijolos num muro atrás do qual podemos por vezes encontrar refúgio, mas que nos pode tornar emocionalmente emparedados».

O mesmo Waters diz ser uma ideia com a qual muitos de nós se debatem. Tem a ver, simplesmente, com a nossa condição humana. E é relevante que um álbum tão difundido, no âmbito da cultura popular, tenha abordado e problematizado essa ideia tão profunda sobre a natureza humana. Daí a sua enorme pertinência, consistência e profundidade como conceito. Abordado de forma simples, mas poderosa e inquietante. Toca-nos, desperta-nos. Porque é uma história sobre cada um de nós, que carregamos as nossas cargas (tijolos).

O baixista dos Pink Floyd foi empurrado para The Wall decorrente de acontecimentos na sua vida, pessoal e artística (a aprofundar num próximo post). Se calhar sem a consciência plena, então, que tocava um dos aspectos mais profundos da nossa condição enquanto seres humanos.

Em defesa, tendemos a nos fecharmos, a nos isolarmos dos outros, a construir muros ou a envergar armaduras que nos protejam. Assim é o instinto. Mas o muro ou a armadura que nos protege, também nos aprisiona («in perfect isolation here behind my wall» no tema "Waiting for the Worms") e nos debilita (mata) a longo prazo. O que parece ser o refúgio ou salvação, torna-se na causa de alienação e desequilíbrio (o sujeito em The Wall torna-se autoritário).

«[A] sua armadura [muro] impedia-o de sentir o que quer que fosse, e usava-a há já tanto tempo que se tinha esquecido de sentir as coisas sem ela», diz o livro O Cavaleiro da Armadura Enferrujada, de Robert Fisher. «Todos nós estamos presos numa armadura similar». Logo a abrir em "In The Flesh" ouvimos: «If you wanna find out what's behind these cold eyes / You'll just have to claw your way through this disguise».

Colocamos a armadura por medo, tal como refere Roger Waters no primeiro parágrafo deste post. Por medo, o sujeito veste um uniforme e incarna uma figura fascista para os outros. Mas, no fim, no tema "Stop", resolve despir essa armadura (uniforme): «wanna go home /Take off this uniform».

«A luta consistirá em aprenderes a gostar de ti próprio» e tal «começará pela aprendizagem do conhecimento de ti mesmo», diz ainda o livro de Robert Fisher. No tema "Comfortably Numb" acontece essa tomada de consciência: «This is not how I am / I have become comfortably numb.»

Os tijolos em The Wall é a ausência do pai («Daddy's flown across the ocean / Leaving just a memory»), o professor sarcástico («We dont need no thought control / No dark sarcasm in the classroom»), a mãe sufocante («Mother's gonna put all her fears into you. / Mother's gonna keep you right here under her wing»), a relação deteorada com a mulher («I have grown older and / You have grown colder and / Nothing is very much fun any more»), o stress do estilo de vida do próprio («If you should go skating / On the thin ice of modern life [...] / Don't be surprised when a crack in the ice / Appears under your feet»), entre outros.

São as causas do medo, da dúvida e da culpa («guilty past» mencionado em "Run Like Hell"), que funcionam como exemplos (cada pessoa tem os seus "tijolos") do conceito abrangente: «All in all it was all just bricks in the wall.»

Trata-se de um conjunto de relações com os outros, e consigo próprio, decorrente não apenas das características dessas pessoas, mas também decorrente do percurso e acidentes da vida. O sujeito acaba por construir um muro em seu redor e confinar-se ao isolamento. É assim que acaba a primeira parte do The Wall (disco 1).

Após a construção do muro, o sujeito consegue ao menos ter consciência do seu estado de isolamento e envia um grito de ajuda no excelente e melancólico "Hey You", que abre a segunda parte do álbum. E que diz «don't give in without a fight». Mais adiante outro tema refere «I've got a strong urge to fly / But I got nowhere to fly to», a dar conta de uma busca que tem de ser interior.

O conceito destaca mais o passar as culpas para os outros, do que o assumir de responsabilidades, mas compreende-se que o ângulo de abordagem é individual (eu). Todavia, em "Stop", o sujeito pergunta: «Because I have to know / Have I been guilty all this time?» É o ponto de partida para a transformação.

Mais do que dos outros, como salienta a história de Fisher, nós mesmos «criamos barreiras para nos protegermos de quem pensamos que somos. Até que um dia ficamos presos atrás das barreiras e não nos conseguimos libertar.»

E a vida tem de continuar (como diz a faixa "The Show Must Go On", no disco 2). Embora a temática e ambiência do álbum seja muito densa, sombria e melancólica, no final há lugar para a esperança quando é derrubado o muro (libertação), barreira entre si e os outros e entre si e o eu verdadeiro. Depois de muita luta (o sujeito torna-se na tal figura autocrática em "In the Flesh"), análise e vontade interior. É possível, afinal, quando conscientes e quando queremos, derrubar os muros (livar-se das barreiras) que nos isolam e nos lixam o equilíbrio.

Baixar as defesas e abir o peito permite derrubar o muro, lê-se em "The Trial": «Since, my friend, you have revealed your / Deepest fear, / I sentence you to be exposed before / Your peers. / Tear down the wall!»

Nota:
Segundo Waters, numa visão mais abrangente, o conceito por detrás do The Wall pode ser encarado como uma «alegoria sobre o que se passa no cenário político, em que as nações são encorajadas pelos seus líderes a ter medo das outras nações.» Que chega ao ponto de se erguerem muros físicos: o muro de Berlim ou o muro entre Israel e a Palestina. O que diz respeito ao nível individual pode ser transporto para a esfera colectiva.

O tema "Bring the Boys Back Home" é alusivo aos conflitos armados, que acabam por deixar órfãos. Roger Waters foi-o com apenas meses de idade, já que o pai morreu na Segunda Grande Guerra.

domingo, março 06, 2011

THE WALL (1): confortavelmente dormente

The Wall dos Pink Floyd está entre os álbuns mais marcantes aqui para o rapaz
Ouvi massivamente The Wall nos anos 80 (o disco foi editado em 30 de Novembro, na Grã Bretanha, e 8 de Dezembro, nos EUA, do ano de 1979), tendo sido introduzido ao Rock através dos Pink Floyd. Na época, talvez pelo pendor conceptual, reflexivo, intelectualizante, com rebeldia e crítica social, disseram-me mais do que Led Zeppelin, Doors ou Rolling Stones. Foi o ponto de partida para outros rocks. Devo-lhes a minha alfabetização musical...

O sombrio The Wall serviu de banda sonora a uma fase da vida um tanto melancólica e de mudança pessoal, marcada pelo desemprego, emigração e serviço militar obrigatório. E, por isso, marcou um tempo. Pelas muitas emoções e vivências associadas, não deixa de me comover e deixar confortavelmente nostálgico (dormente) quando acontece pô-lo a tocar, sobretudo quando passa por Mother, Hey You ou Comfortbly Numb.

Perdi a conta de quantas vezes ouvi The Wall nessa época, mas raramente o oiço nos dias correntes. Não só porque é um disco denso, sombrio e de grande fòlego (duplo). Fui evoluindo nos gostos musicais (uma pessoa não pode ficar estagnada ou agarrada às coisas, por bons que sejam as bandas e os discos).

Todavia, este mês de Março rodará insistentemente no leitor as duas rodelas de plástico que comprei em 1987, se não me engano (a primeira versão do álbum foi em cassete, cuja fita foi engolida pelo leitor...). Já existe uma versão remasterizada, mas não sei se é melhor ou pior. Na foto seguro a versão em vinil que me foi oferecida por um querido amigo (não é fã da banda).

Rodará insistentemente este mês ou não fosse Roger Waters, o meu preferido dos quatro (entretanto faleceu o teclista Rick Wright), apresentar The Wall ao vivo em Portugal (Pavilhão Atlântico), um espectáculo muito visual, dos mais ambiciosos e complexos que o rock encenou, tirando partido de todas as novas tecnologias. Produzir e fazer a digressão custou 45 milhões de euros, mas esperam de receita, apenas de bilheteira, 200 milhões.

Mais posts nos dias que se seguem sobre The Wall, o álbum e o espectáculo, dando conta dos seus pontos fortes como dos pontos fracos, característicos que qualquer obra conceptual, que vale sempre mais como um todo do que pelas partes.

Concerto de Carnaval da OCM, acústica da sala e venda de bilhetes


Na companhia de amigos e familiares, embora a música erudita, dia clássica, não seja o meu prato forte (em casa apenas tenho um disco, a 9ª Sinfonia de Beethoven, de uma colecção do jornal Público - a falta de graves é um dos aspectos que me desmotiva no género), lá decidi ir ao Concerto de Carnaval da Orquestra Clássica da Madeira (OCM), na sala Ursa Maior, no Tecnopolo.

Entretanto, como não havia bilhetes na plateia, venderam-se bilhetes para os camarotes. Na sala que é, fiquei de pé atrás, mas o pior é terem-se vendido nove bilhetes para um camarote com apenas quatro cadeiras e quem ficava em segunda ou terceira fila não tinha vista directa para o palco (mais vale dizer não do que oferecer condições insuficientes). Perante essa falta de condições, subi à bilheteira e pedi a devolução do dinheiro do bilhete (e fui ao cinema ver o excelente The King's Speech).

Apesar de se ter vendido que a sala tinha uma boa acústica (só vi tratamento acústico na área do palco) foi-me relatado por quem lá ficou o som continua a não ser bom. Havia mesmo dificuldade em perceber quem falava. O som era como se estivesse fechado numa caixa, na zona do palco, o que é complicado dado que o envolvimnento é crucial na música tocada ao vivo. Caso contrário mais vale ouvir na aparelhagem em casa.

Devido à acústica da sala, "confinar" a música ao palco, de forma a que a sala não interferisse, deve ter sido a solução possível. Todavia, não condiz com as «óptimas condições acústicas», invocadas por Francisco Fernandes, secretário regional de Educação e Cultura, aquando do concerto de estreia do novo espaço da orquestra, no final de Dezembro de 2010, e que as pessoas iriam «com certeza ficar agradavelmente surpreendidas com a sonoridade desta sala», na perspectiva de José Alberto Gonçalves, presidente da OCM.

Enfim, ainda hei-de ouvir um concerto na Ursa Maior do Tecnopolo para tirar as minhas conclusões. A área acústica, na sua relação com a reprodução sonora, é um assunto (complexo) que me fascina.

Outra questão tem a ver com convites versus venda de bilhetes. Entendo que a orquestra tenha de garantir um certo número de presenças. No entanto, os convites deveriam ser distribuídos apenas na véspera do evento. Porque é desmotivante para quem paga saber que, se calhar, como acontece tantas vezes em eventos culturais cá na Região, que boa parte dos espectadores (os amigos e conhecidos) acede à borla.

Na estreia do novo espaço, em Dezembro último, disse-se que se venderam 540 lugares em 678. Não sei desta vez como foi. Mas que havia muito convite havia... Em lugar de pôr alguns a pagar 10 euros, se todos pagassem 5 euros era mais justo e até seria um estímulo para democratizar o acesso aos concertos da OCM. Ou até priorizar convites para quem nunca foi a um concerto da OCM.

terça-feira, março 01, 2011

Estado Selvagem

Michael Hacker: Capitalismo (ou Estado Selvagem)
Parece que, à medida que Março se aproxima, com ministro das Finanças e Primeiro-Ministro já a admitir que vão ser precisas mais medidas de austeridade, os presentes sacrifícios dos portugueses de pouco estão a servir. Isto é, o Estado terá, em breve, de ser ainda mais Selvagem (assaltar mais os portugueses). Não deixa de ser ironia do destino que um partido de esquerda governe de forma tão selvagem como o (por eles) criticado Capitalismo Selvagem... O que será pior?

domingo, fevereiro 20, 2011

Cordão humano no aterro visto por alguém nele integrado

Cordão humano em protesto, no aterro do Funchal 20.2.2011

Um momento histórico no arquipélago da Madeira. Numa iniciativa da sociedade civil, a manifestação da opinião dos cidadãos no sentido de ser removido o aterro junto ao cais do Funchal, bem como recordar as vítimas do 20 de Fevereiro (minuto de silêncio às 18h30).

Não foi preciso gritar. Mais de um milhar de cidadãos presentes limitaram-se a dar as mãos, símbolo de união e acção pacífica. Foi tomada uma posição, democraticamente.

“O objectivo do cordão está alcançado, agora o verdadeiro objectivo é tentar tirar o aterro daqui”, afirmou o promotor da iniciativa, Miguel Sá, ao Diário de Notícias. Segundo os organizadores enquanto houver vontade dos cidadãos haverá protesto, noticia o referido jornal online.

Os decisores políticos têm agora a palavra. Não deverão com certeza, de algum modo ou em alguma escala, transformar o aterro numa espécie de Praça Tahir...

VÍDEO

No protesto no aterro junto ao cais do Funchal

Enquanto madeirense e membro do Advisory Board da Save the Waves, participarei no cordão humano de hoje à tarde, 18h00, no protesto no aterro junto ao cais do Funchal.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Hino contra a precariedade e o desemprego

Deolinda denunciam a triste realidade da precariedade e do desemprego, mas que não atinge apenas os licenciados ou uma geração.

Que Parva que Eu Sou

Sou da geração sem remuneração
E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração "casinha dos pais"
Se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração "vou queixar-me pra quê?"
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou
Sou da geração "eu já não posso mais!"
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Tema:
Audío
Vídeo

Artigos:
Diplomados precários mais do que duplicaram em dez anos
(sem esquecer os precários e desempregados não diplomados)