«And some people say that it's just rock 'n' roll. Oh but it gets you right down to your soul» NICK CAVE

segunda-feira, março 28, 2011

Marina do Lugar de Baixo já ronda os 80 milhões de euros


Não se trata da factura final, mas a Marina do Lugar de Baixo continua a encarecer. Neste momento, segundo o Diário, a factura ronda os 80 milhões de euros:

«O custo do projecto da marina do Lugar de Baixo não pára de subir, sendo que o montante global dos investimentos já realizados ou em fase de concurso deverá ascender a cerca de 78,9 milhões de euros. A última factura desta obra foi conhecida segunda-feira: quase 256 mil euros (IVA incluído) para a empresa Kplano realizar a revisão do projecto e a fiscalização da empreitada de reconstrução dos paredões da marina.

Recorde-se que, no início do corrente mês, o DIÁRIO revelou que a Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste (SDPO) lançou um concurso público para a construção de um novo enrocamento exterior de protecção daquela infraestrutura marítima, cujo preço-base é de 23,78 milhões de euros (IVA incluído). Entretanto, foi também publicado que a sociedade Abreu Advogados vai receber 5.800 euros para a prestação de assessoria jurídica ao lançamento deste concurso.

Governo incentiva o despesismo ao mesmo tempo que vai ao bolso dos portugueses

A fazer os últimos arranjos antes de ir embora, pá?

Um novo decreto-lei, publicado no dia anterior à reprovação do PEC IV, autoriza o Estado a gastar mais dinheiro, aumentando os limites dos contratos por ajuste directo sem concurso público, escreveu o Diário de Notícias no fim de semana.

Falta de sentido de Estado. É aumentar o despesismo, um incentivo à corrupção e, como já alguém já fez notar, uma forma de financiar campanhas eleitorais.

Os presidentes de câmara, por exemplo, podem agora fazer contratos por ajuste directo até aos 900 mil euros, quando o máximo era 150 mil.

O Governo dá um claro incentivo ao aumento de despesa em toda a administração pública ao mesmo tempo que vai ao bolso dos portugueses, de forma selvagem e por todas as vias.

Tenham vergonha e o mínimo de decência no momento em que estamos na bancarrota.

domingo, março 27, 2011

I'm New Here por Bill Callahan (original) e Gil Scott-Heron e/ou Jamie Xx (versões)



Original de Bill Callahan (estúdio), do álbum de 2008: A River Ain't To Much To Love



O mesmo original de Bill Callahan (ao vivo, pelo próprio)



Versão por Gil Scott-Heron, do álbum de 2010: I'm New Here



Gil Scott-Heron And Jamie Xx, do álbum de 2011: We're New Here

Letra:

No No No No
I did not become someone different
I did not want to be
But I'm new here
Will you show me around

No matter how far wrong you've gone
You can always tournaround

Met a woman in a bar
Told her I was hard to get to know
And near impossible to forget
She said i had an ego on me
The size of Texas

Well I'm new here and I forget
Does that mean big or small

Turnaround turnaround turnaround

And I'm shedding plates like a snake
And it may be crazy but I'm the closest thing I have
To a voice of reason

Turnaround turnaround turnaround
And you may come full circle and be new here again

Paz na música



Os Mono são uma banda japonesa de rock instrumental (influenciados pelo rock experimental, música erudita e contemporânea, noise e minimalismo). Depois dos recentes acontecimentos trágicos no seu País, perguntaram-lhes "What can music do in this difficult time?"

O guitarrista Takaakira Goto respondeu: "I hope music can change our energy from darkness to hope. I feel like people turn to music when times are difficult so I hope they can find some peace in our songs. Our music always has both sides, dark and light, like a coin."

Cada ser humano tem os seus métodos de garantir o seu equilíbrio. Cada ser humano tem um estonteamento qualquer para suportar melhor as dificuldades da vida. A música tem um forte efeito terapêutico para alguns desses mortais.

"Music has the potential other arts don't have, which is to utterly change you within three minutes. Your whole body chemistry can change, your mood, your perspective..." Said Nick Cave [Mojo magazine, 2005]

Desenho de BD


Sábado de manhã, no âmbito do 1º Festival de Arte Sequencial da Madeira, teve lugar o workshop desenho de BD orientado por Roberto Gomes, muito interessante para quem gosta destas coisas, de experimentar ou de simplesmente conhecer mais sobre o processo de desenho de Banda Desenhada.

Aos participantes foi dada a oportunidade de desenhar elementos até criar um personagem de corpo inteiro. Primeiro, desenharam-se diversas cabeças a partir de fotografias de pessoas. O tempo sempre cronometrado. É importante a rapidez com que se encontram os traços essenciais. É desse processo que dá conta a imagem, em que o monitor exemplifica como transpor para desenho uma figura humana.

David Lloyd na Calheta

David Lloyd autografando o V For Vendetta que aqui o rapaz tinha por casa :)
David Lloyd esteve ontem na inauguração de uma exposição no Centro das Artes, na Calheta, sobre o famoso álbum (graphic novel) de banda desenhada V For Vendetta, que criou conjuntamente com o argumentista Alan Moore. A obra originou o filme com o mesmo nome, de 2006, que teve exibição na noite de sexta-feira, após a sessão de autógrafos.

Esta inesperada presença, na Região, mais especificamente na Calheta, de uma figura tão destacada do mundo dos comic books como David Lloyd, acontece no 1º Festival de Arte Sequencial, no Centro das Artes, que decorre até domingo, 27 de Março.

sábado, março 26, 2011

Fruta da época


Se Pedro Passos Coelho não der muitos tiros nos pés, José Sócrates pode estrabochar o que quiser porque passou à história.

photo with a Nokia cellphone 3.0 megapixel camera : no editing : © neliodesousa 2011

sexta-feira, março 25, 2011

Segurem-se, a queda vai doer a sério daqui a nada


De crise em crise até à queda final. Segurem-se porque a queda vai doer a sério daqui a nada. Quem ainda não viu circunstâncias verdadeiramente selvagens, prepare-se.

quinta-feira, março 24, 2011

THE WALL (15): The Show (Must Go On)

Roger Waters THE WALL Lisbon 21.3.2011

THE WALL é um concerto rock com fortes elementos teatrais e cinemáticos, um espectáculo multimédia, que as novas tecnologias permitiram concretizar de uma forma tão exuberante quanto rigorosa. De uma forma que não era possível no final de 1979, altura em que o disco duplo foi lançado.

O muro ocupava toda a largura do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, subindo pelo balcão 1 fora, e tinha dez metros de altura, que serviu de enorme tela de projecção de imagens, filmes e texto a ilustrar as músicas e o conceito do álbum. Só mesmo visto.

Mais lá para final do ano será editado um DVD, suporte perfeito para este espectáculo, que tira enorme partido do som e da imagem, que será um brutal sucesso de vendas e deliciará a malta nos seus sistemas de home cinema. As gravações serão feitas nos vários concertos agendados para Londres.

Quem gosta de Pink Floyd e, sobretudo, dos discos dos anos 70 e 80, produto do período liderado por Roger Waters, agora com 67 anos, tem uma oportunidade única nestes concertos THE WALL. Em especial quem nunca antes tinha ido a um concerto da referida banda ou de Roger Waters. O concerto de segunda-feira, 21 de Março, representou o arranque da digressão europeia.

No meu caso, THE WALL é o álbum preferido da banda. Era obrigatória a presença no concerto em memória dos tempos da adolescência. Poucas oportunidades mais haverão tendo em conta a idade de Roger Waters, embora mantenha uma excelente forma, sem dúvida.

O álbum foi replicado com uma exactidão irrepreensível, em pouco mais de duas horas, com uma pausa pelo meio (intermission), a respeitar a passagem do primeiro disco para o segundo, quando o sujeito acaba de construir o muro entre si e os outros. No início da segunda parte, a banda toca Hey You atrás do muro, que só cai no final do espectáculo. Depois de Comfortably Numb a banda passa a tocar à frente do muro.

Na primeira parte, o concerto arrancou a todo o gás com o poderoso In the Flesh, passando por Another Brick in the Wall part 1 e part 2 (aqui com um coro de jovens da Cova da Moura, com "Fear Builds Walls" nas T-shirts) ou Mother (quando chega ao verso «mother should I trust the government?» o público reage... e surge no lado direito do muro, uma depois da outra, as palavras NO FUCKING WAY escritas a vermelho). Roger Waters tocou este tema em dueto consigo próprio, na parte inicial, com a imagem e som de uma gravação ao vivo datada de 1980 (Earls Court), que conseguiram recuperar.

Mas a crítica e a falta de confiança não vai apenas para o governo. Noutro momento do espectáculo, as corporações e as religiões são também alvejadas, mais precisamente em Goodbye Bluesky, em imagens poderosas (bombardeiros a despejar símbolos como bombas).

Os técnicos a tratar do som e da imagem eram imensos junto dos écrans de computador, numa área no centro da plateia. Uma equipa que permite montar um espectáculo tão complexo, em que a coordenação entre os vários elementos cénicos e musicais é fundamental. O som era muito definido mas, a meu gosto, deveria estar mais alto. Para se sentir mais os graves, que proporcionariam maior impacto, intensidade e envolvimento.

Na assistência, pessoas de todas as idades. Prova a permanência e longevidade do conceito do álbum THE WALL, já que trata de um tema profundo e inerente à condição do ser humano, desde logo como ser individual. Ainda por cima, o conceito do muro construído devido ao medo pode ser alargado a contextos e realidades colectivas (sociedades, nações, etc).

sexta-feira, março 18, 2011

THE WALL (14): "...we came in?"

Arte Sequencial: BD na Casa das Mudas > 25 a 27 de Março


Roberto Macedo Alves (desenhador de BD), escreveu em 16 de Março, no Diário, sob o título Arte Sequencial, que a Banda Desenhada «é mais do que um simples meio de expressão, mais do que um meio de comunicação. Gosto de BD desde sempre: ainda antes de saber ler sentia-me eufórico por perceber as sequências de imagens e por desenhar, criar e (re)escrever o mundo à minha maneira!»
Salienta que o «leitor de BD nunca é um leitor passivo - tem que "ler" as imagens da mesma forma que lê o texto porque é a combinação dos dois que torna esta arte única. A narrativa continua nos espaços entre as vinhetas, o leitor tem um maior controlo do fluxo da história, muito mais do que quando vê um filme.»

Continua dizendo que, por vezes, a BD é vista como uma «forma de "cultura inferior" - por isso, muitos autores que cultivam as possibilidades expressivas desta arte (como Will Eisner ou David Lloyd) chamam-lhe "Arte Sequencial", porque isto é muito mais do que literatura infantil. Em muitos casos é uma expressão clara de uma cultura popular e aqui reside muito do que hoje se designa por alternativas ou "outros" espaços de emancipação cultural e social. É tudo isto que iremos celebrar de 25 a 27 de Março na Casa das Mudas.»

THE WALL (13): All in all you were all just bricks in the wall