«And some people say that it's just rock 'n' roll. Oh but it gets you right down to your soul» NICK CAVE

quinta-feira, agosto 11, 2011

Pink Floyd reedita discografia (já) remasterizada

Let music in, not else
Os discos (originais) de Pink Floyd foram já remasterizados, em 1992, 1994 e 1996. Até os primeiros, de 1967 e 1968, The Piper At The Gates of Dawn e A Saucerful of Secrets, passaram pela remasterização digital. A edição remasterizada de Final Cut, o 12º álbum da banda (para mim o último - não me interessa nada daí em diante sem Roger Waters) data de 2004.

Por isso, não percebo como a banda redefine, na nova reedição da sua discografia, o seu legado. A não ser o financeiro... Alterando as cores do artwork original? Não acredito que tenham remasterizado novamente os discos originais para as reedições que aí vêm em Setembro, embora os meios tecnológicos hoje sejam outros bem diferentes comparado com há 15 anos. Por isso, cuidado para os apreciadores (sobretudo antigos apreciadores) da música da banda não voltem a comprar o que já têm. Apesar de dizerem que é "newly remastered", convém mesmo verificar, porque o "newly" a que se referem são as remasterizações de 1992, 1994 e 1996...

Para os coleccionadores podem ser apelativas as edições Experience e Immersion com material extra dos discos mais populares da década de 70 ("Wish", "Dark" e "Wall"). A versão alargada Immersion custa mais de cem euros e dedica-se, além dos extras, a outros formatos como DVD ou Blu-Ray, que não interessa, para mim. Dark Side of the Moon, por exemplo, na edição Experience, traz um disco extra com o álbum integralmente tocado ao vivo, em 1974. É um documento interessante. Wish Your Were Here traz um segundo CD com alguns temas ao vivo remasterizados. Não muito relevante. The Wall traz versões demo dos temas. Mais relevante.

Não será melhor optar pelas edições em vinil, originais ou mais recentes? Dark Side of the Moon, por exemplo, até tem uma remasterização de 2003.

Dito isto, as remasterizações são sempre um pau de dois bicos, porque pode alterar a "verdade" da música tal como foi editada originalmente. Nos anos 80, no advento do CD, ainda quando ouvia Pink Floyd a sério (antes de conhecer outros rocks), não por mera nostalgia como hoje praticamente acontece, comprei nesse formato os quatro álbuns mais populares dos anos 70. Entretanto, ofereci dois deles. Mantenho o The Wall e o Animals dessa primeira transposição AAD para CD. Nunca as substituí pelas remasterizações. Repus há tempos o Wish You Were Here, na versão remasterizada, porque não tinha o disco em casa há cerca de dez anos e tive um ataque nostálgico.

Um dia que faça a análise comparativa entre a primeira edição em CD e as remasterizações, direi se vale a pena, se a obra manteve a sua integridade original e se o melhor som (supostamente) ainda nos faz gostar mais da música em si.

Há remasterizações mal feitas que tornam o som falsamente limpo, cristalino, fininho, artificial. Espero que não seja o caso das remasterizações dos Pink Floyd, que nada têm a ver com a tendência assassina, para a musicalidade, dos últimos anos, em puxar pela gama média para impressionar os ouvintes de leitores de mp3, o chamado loudness (compressão do som que o torna menos natural, real e musical, sem a devida dinâmica de frequência, com perda sobretudo para as frequências graves, sem sublinhar as nuances, os contrastes, as transições, a diferença entre a sombra e a luz, entre os sons mais altos e os mais baixos, sem espaço entre instrumentos, som mais duro r ser uma parede compacta de som, o que e induz cansaço precoce no ouvinte, também pelo maior volume e distorção).

Além de a melhoria de som ser pouca, muitas vezes aproveitam para mexer na música em si, limar algumas coisas e adulterar o que inicialmente foi editado. E aperfeiçoar nem sempre significa ficar melhor. Melhor pode ser pior nestas coisas do som.

Tenho vasta experiência dessa realidade em algumas incursões audiófilas - sempre para servir melhor a melomania, a paixão primeira, mesmo que fosse ilusório muitas das vezes esse ideal: apesar de tudo, entre upgrades e downgrades, e muito stress, tenha chegado a um ponto de conciliação e bem-estar, o meu Santo Graal, com colunas Monitor Audio Silver RS6 Black, amplificador de potência Myryad MA240, pré-amplificador Rega Cursa, leitor de CDs Rega Planet, giradiscos Rega Planar 2, subwoofer REL Strata III, cabos de coluna Straightwire Duet para o grave e Waveguide para o treble e cabos de interligação Straightwire Symphony II + Audioquest Sidewinder.

As novas edições dos álbuns de Pink Floyd, para sacar mais uns trocos ao pessoal, não é Santo Graal nenhum. O Final Cut no velho vinil já está a rodar... e que som. Tal como no Pros and Cons of Hitch Hiking, álbum a solo de Roger Waters, adoro as transições/contraste entre os momentos sussurrantes e os momentos explosivos.

segunda-feira, junho 13, 2011

West is refugees' home. Wanna be one?

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O tema Refugees de Van Der Graaf Generator, de 1970, é único pela melodia, pela atmosfera, pela melancolia, pela vocalização, pelos arranjos, pela forma como progride e, claro, pela letra de Peter Hammill.

Como vivo (e adoro viver) na zona Oeste, onde há luz do sol até este desaparecer no horizonte, muitas vezes num retinto alaranjado que torna douradas as paisagens ao pôr-do-sol, o texto (versão em português) desta faixa diz-me muito: "West is where the colours turn from grey to gold, and you can be with the friends. And light flakes the golden clouds above all; West is where I love."

Além da reunião com os amigos, "Refugees" fala dos que se rebelam e seguem um caminho próprio, alternativo (para Oeste e não para Norte, Sul ou Este), de despojamento e de esperança em direcção ao essencial da vida e do bem-estar ou felicidade:

"We're refugees, walking away from the life that we've known and loved; nothing to do or say, nowhere to stay; now we are alone. We're refugees, carrying all we own in brown bags, tied up with string; nothing to think, it doesn't mean a thing, but we'll be happy on our own."

E diz mais: "Smiling very peacefully, we began to notice that we could be free, and we moved together to the West." "Into the West, smiles on our faces, we'll go; oh, yes, and our apologies to those who'll never really know the way. West is refugees' home." "There we shall spend our final days of our lives; tell the same old stories: yeah well, at least we tried."

De acordo com um artigo publicado na revista MOJO em Maio de 2002, a "Susie" referida em "Refugees" é a actriz Susan Penhaligon.

No livro Killers, Angels, Refugees (1974), o próprio Peter Hammill fala do contexto ou história por detrás do tema:

"For six months I shared a flat with Mike and Susie, who are among my oldest friends. When the time for departure came, I was washed with the melancholia which normally attends moving from 'home' and the physical memories it retains, heightened in this instance by the knowledge that, from being the closest of triads, we were committing ourselves to a separation in which months could easily slide into years. In this knowledge, the last vestiges of hope lay only in a future Utopia and re-joining of the hands."

E diz mais :"In the writing, however, the song developed a life of its own (as is always the best way), and the hope becomes much more than that for reunion with my friends."

terça-feira, junho 07, 2011

O mínimo que podemos fazer é acenarmos uns aos outros


Ouvir um állbum é diferente de ouvir uma compilação de faixas de vários álbuns. A coerênia é outra. Ainda mais num género como o rock progressivo, que tende para a conceptualização. Foi isso que senti de imediato ao ouvir The Least We Can Do is Wave to Each Other, que colocou Van Der Graaf Generator entre os melhores. Tem já lugar entre os meus discos preferidos.

Francamente inovador e consistente ainda hoje, 42 anos depois. Há discos acabados de editar que são bem mais datados e menos inovadores... Há inventividade, genialidade e experimentalismo. Com bom gosto e justa medida (para evitar cair no pretensiosimo ou no exibicionismo técnico...), na criação de temas longos, com estruturas musicais intrincadas com novos padrões intrumentais, texturas e atmosferas, combinando a linguagem e base instrumental do rock (guitarra, bateria, baixo, voz) com a linguagem e instrumentos da área do jazz (saxofones) e da música erudita (flauta, piano e mais tarde violino).

Os temas existencialistas, a atmosfera sombria e melancólica, a vocalização característica de Peter Hammill e os raros solos de guitarra ajudaram a distinguir pela positiva Van Der Graaf Generator das outras bandas de rock progressivo.

A alma levitou nesta primeira audição de The Least We Can Do is Wave to Each Other, o segundo disco destes britânicos, mas que o líder Peter Hammill gosta de considerar como o primeiro, já que foi resultado de um esforço colectivo. O título do disco foi adoptado de uma frase de John Milton: "We're all awash in a sea of blood, and the least we can do is wave to each other".

Peter Hammill, na edição original de 1970, escreveu sobre a abordagem do disco pelo ouvinte: «Don't listen when you're hustling, because it won't get in your head. Don't listen when you're angry, because you'll smash something. Don't listen when you're depressed, because you'll get more so. Don't listen with any preoccupations, because you'll blow it. And if you're a perpetually angry, depressed hustler with set ideas, don't bother, it wasn't meant for you in the first place.» Não é para pessoas com ideias fixas ou gosto musical alinhado pelo mainstream.

(Eu juntava a estas palavras a forma como se deve ouvir um disco pela primeira vez, como o recentemente desaparecido Gil-Scott Heron colocou por escrito, de forma a tirarmos o máximo partido da música.)

Esta é uma versão digitalmente remasterizada, com faixas extras. Nestas coisas nunca se sabe se a remasterização traz prejuízos juntamente com os ganhos na qualidade de som, ao nível dos graves por exemplo. Muitas vezes acontece que se torna tudo demasiado limpo e clínico (perfeito no sentido de artificial), na ânsia de limpar "imperfeições".

Neste caso, sem ter como referência edições anteriores do disco, fiquei mais descansado quando nos créditos surge o nome do líder da banda nesse trabalho de remasterização: «Digital remastering by Peter Hammill in consultation with Hugh Banton, Guy Evans and David Jackson.» Estes três também elementos da banda: teclados, bateria/percussão e saxofone/flauta, respectivamente.

segunda-feira, junho 06, 2011

Aderir à realidade, desde já

«Mas quem suporta olhar para essa realidade que se aproxima e quem se atreve a falar dela? Nem os partidos, nem os portugueses», escreveu Vasco Pulido Valente este domingo
No meio da mais elevada abstenção de sempre (41,1% ao nível nacional e 45,7% na Madeira e Porto Santo: números que ultrapassam o score do partido mais votado no País e na Região), que deve fazer o sistema e os partidos políticos reflectirem e agirem, a esquerda sofre uma derrota pesada, muito por culpa própria, dada a sua fragmentação. Louça apesar de se declarar o «primeiro responsável» pelo muito mau resultado do BE, não se demitiu como Sócrates teve a humildade de fazer («não me escondo atrás das circunstâncias»).

Sintomático que, à esquerda, só José Sócrates saudou Passos Coelho pela vitória nas eleições. Há uma esquerda que parece encaixar mal a vontade democrática expressa pelo povo, como se ela estivesse na posse da verdade e a maioria dos portugueses estivesse enganada. É preciso humildade democrática e menos arrogância.

Na Madeira, o PS passa a força residual (com o pior resultado de todo o País), a um ponto percentual apenas à frente do CDS-PP. O PSD esmaga, colocando 4 deputados em São Bento, contra 1 do PS e outro do CDS-PP. Longe vão os tempos de 3 para o PS e 3 para o PSD.

O partido de José Manuel Rodrigues ficou à frente do PS em mais de metade dos concelhos, incluindo o Funchal, mas também Câmara de Lobos, Santa Cruz, Santana, Ribeira Brava, Ponta do Sol e Calheta. Neste concelho o PS obteve apenas 5,6%. Um descalabro inadmissível há uns tempos, mas bem real. Será que se vai tentar iludir mais esta realidade? Pensar apenas nos projectos pessoais de poder?

«Será admissível que o Portugal próspero e contente de Cavaco e Guterres, que organizava a "Expo" e o "Europeu", caia em quatro ou cinco anos numa aflitiva miséria?», escreveu este domingo, no Público, Vasco Pulido Valente.

Será admissível «que se percam hoje a segurança e os privilégios de anteontem?», continua o articulista, para depois concluir: «Admissível é. E, mais do que admissível, fatal.» E finalmente a pergunta que nos põe a nu: «Mas quem suporta olhar para essa realidade que se aproxima e quem se atreve a falar dela? Nem os partidos, nem os portugueses.»

Como dizia Pedro Santos Guerreiro (Jornal de Negócios 26.05.2011), «em Portugal há alguns vendedores de ilusões, mas há ainda mais compradores».

Esperemos que Passos Coelho pense primeiro no País e não seja um vendedor de ilusões. Que enfrente e fale da realidade, mesmo que isso tenha custos eleitorais para si e o partido que lidera.

Esperemos que os portugueses, apesar da sua endémica dificuldade de aderir à realidade, e preferência em ouvir as mentiras e ficar pelas ilusões, porque lhes são mais confortáveis, não acordem sobressaltados e muito menos estremunhados, nos próximos tempos.

Não vale a pena nos andarmos a queixar dos maus políticos que escolhemos, quando não queremos olhar a realidade e assumir a nossa responsabilidade na mudança e no crescimento do País.

domingo, maio 29, 2011

Morreu Gil Scott-Heron

O mais recente disco de Gil Scott-Heron, de 2010, no qual vinha o conselho de como ouvir um disco pela primeira vez
I'm New Here, lançado no ano passado, foi o derradeiro disco do músico, poeta e spoken word performer Gil Scott-Heron, considerado o padrinho do Rap, embora não gostasse desse epíteto. O tema "The Revolution Will Not Be Televised" foi um marco.

Gil Scott-Heron foi um activista e ajudou a dar forma à emergente cultura hip hop. Gostava de descrever a sua obra como "bluesology", uma fusão de poesia, soul, blues e jazz, tudo disparado com uma acutilante consciência social e fortes mensagens políticas, abordando problemas como o apartheid ou as armas nucleares.

O seu último álbum foi o primeiro que comprei e a sua morte não passou despercebida nem indiferente. Há dezasseis anos que Gil Scott-Heron não lançava um novo disco de originais. Morreu em 27 de Maio, aos 62 anos.

O vídeo da sua versão do tema I'm New Here, um original de Bill Callahan, e The Revolution Will Not Be Televised, de 1971 (letra).

Tal como colocou Gil Scott-Heron, a revolução e a mudança não serão transmitidas na televisão porque começam na cabeça de cada um de nós (mentalidade, cultura, atitude), antes de se reflectirem nos nossos actos. Muito antes de aparecerem na televisão... Por isso, toca a mexer (e primeiro na nossa cabeça), porque a revolução e a mudança não chegam por via da televisão.

sexta-feira, maio 27, 2011

Em Portugal há alguns vendedores de ilusões, mas há ainda mais compradores

Mais do que as ilusões e as mentiras, o maior problema é haver quem as compre... por comodismo e conforto
«Em Portugal há alguns vendedores de ilusões, mas há ainda mais compradores» (Pedro Santos Guerreiro, Jornal de Negócios 26.05.2011).

E os portugueses, na sua endémica dificuldade de aderir à realidade, queriam ouvir as mentiras todas porque lhes eram confortáveis.

Agora vão pagar bem duro o facto de terem comprado demasiadas ilusões e mentiras que nos levaram à pré-bancarrota.

E nada de culpar só os políticos. Eles foram eleitos. Eles são o nosso reflexo. Nós pactuamos e eternizamos uma certa cultura, certas mentalidades e certas mentiras.

Recorde-se:
Vendilhões de ilusões

Vendilhões de ilusões

Clicar na imagem para leitura
Foi desta forma que intitulei um artigo de opinião no Jornal da FENPROF #245, de Setembro de 2010. Exemplifiquei com algumas ilusões e mentiras no sector da Educação, que o Governo da República, liderado por José Sócrates, vendeu aos portugueses. E que estes alegremente compraram.

Muitas outras mentiras e ilusões foram vendidas e compradas, ao ponto de nos encontrarmos numa situação gravíssima de pré-bancarrota, sujeitos a uma troika que nos vem dizer como nos devemos governar de forma a pagarmos o que devemos (gastámos acima das nossas possibilidades).

Não vale a pena nos andarmos a queixar dos maus políticos que escolhemos, quando não queremos olhar a realidade e assumir a mudança.

É preciso exigir e querer que nos falem verdade. A mentira não compensou.

domingo, maio 22, 2011

William Klein no Centro das Artes (Calheta)

William Klein, à esquerda, a fotografar, no Centro das Artes, na Calheta, ontem à tarde
O I Festival de Cinema Documental da Madeira faz uma homenagem e retrospectiva do trabalho de William Klein. Nos dias 19, 20 e 21 são mostrados sete filmes de um dos artistas mais influentes e controversos do século XX. É cineasta, fotógrafo, designer gráfico e pintor. É considerado entre a melhor dezena de fotógrafos de sempre.

O documentário, ou cinema da verdade, é um género cinematográfico caracterizado pelo compromisso com a exploração da realidade, embora seja sempre uma representação parcial e subjectiva da realidade. Contribui para a formação cívica e intelectual do espectador, conduzindo-o ao conhecimento, à reflexão e ao debate, e também ao prazer artístico proposto por cada autor.

Fotografia captada com telemóvel Nokia com câmara 3.2 megapixel

segunda-feira, maio 16, 2011

História Rapidinha da Crise faz sucesso

Momento da entrada dos actores em cena na "História Rapidinha da Crise", que estará em cena entre 20 e 29 de Maio, na sala de congressos do CS Madeira. Vale a pena assistir
A História Rapidinha da Crise é uma «comédia bufa que tenta explicar, de um modo rápido e conciso, como é que chegámos ao estado em que estamos», diz-se sobre a comédia estreada no dia 12 de Maio, no Centro das Artes, com sessões esgotadas até Domingo passado.

Com um elenco composto por Nuno Morna, Pedro Ribeiro, Paulo Lopes, Pedro Afonseca, Rodolfo Sousa e Rui Rodrigues, o principal alvo deste novo trabalho é o sistema económico e financeiro, mas disparam para todos os lados e ai está a riqueza activista da peça, que denuncia uma série de realidades.

Entre elas, as críticas à esquerda política, irrealista e cristalizada no discurso, ou as subversões do Estado de Providência, que mimou muitos portugueses. Nem a Marina do Lugar de Baixo escapa... A rir se falam de realidades muito sérias e se incomodam e despertam consciências.

Claro que sabemos que falta regulação e moralidade na forma como funciona o criticado sistema financeiro, mas essa é mais uma razão para os políticos terem juízo quando endividam o País ao ponto de ficar dependente e nas mãos desse sistema que tanto criticamos. Metemo-nos na boca do lobo.

Enquanto não chega a revolução que alguns advogam para mudar esse sistema, aí está a Troika para assegurar que pagamos o que devemos. Se não conseguirmos pagar o que devemos, podemos ter a Troika ciclicamente por cá... Corremos o risco de uma tROIKA fOREVER...

No final a mensagem de que é hora de parar de "cagar nisso", atitude endémica, e tentar fazer alguma coisa. Primeiro, é preciso aderir à realidade, em lugar do deixa andar ou acreditar nas ilusões que nos vendem.

A História Rapidinha da Crise é ainda defnido como um «espectáculo catártico onde público e actores têm a oportunidade de deitar tudo, salvo seja, cá para fora.»

sábado, maio 14, 2011

Gosto pelo acessório, pela forma, pelo pitoresco

Os "piiiii..." do Catroga por Henrique Monteiro
Dar importância à expressão vernácula de Eduardo Catroga (entrevista na SIC Notícias na noite de quinta-feira passada) confirma o nosso gosto bem português de confundir o acessório com o essencial, e valorizar a forma em detrimento do conteúdo. Ninguém fala ou debate o que de certo ou errado disse Catroga sobre o futuro do País. Isso não interessa...

Gostamos dos faits divers, do pitoresco, do folclore, das curiosidades, do riso, do gozo, da distracção. Desde que nos garanta escapar da realidade. Assim não vamos lá.

Sinal de protesto


Se é um cidadão* cONSCIENTE e cRÍTICO relativamente à forma como Portugal tem sido dESGOVERNADO nos últimos seis anos, ao ponto de ficarmos na bancarrota, na sequência de erros graves, excessos eleitoralistas e satisfação da clientela partidária, sem esquecer as irresponsabilidades de governos anteriores, e deseja dar um sinal de pROTESTO, compre esta bela t-shirt por apenas nove euros. Campanha limitada ao stock.

*Não é o cidadão comum que é responsável pela vinda da tROIKA a Portugal (a não ser que tenha ido ou vá em cantigas e ilusões), para fazer aquilo que não conseguimos fazer: nos governarmos com racionalidade e realismo. É triste, é um enxovalho, mas é a realidade.

NOTAS:
1. tROIKA fOREVER", além do pROTESTO e da cRÍTICA, é um aLERTA para um perigo caso continuemos no mesmo caminho irracional e irrealista. Se não houver mudança de rumo arriscamo-nos a ter a troika ciclicamente por cá, no futuro, e a perder mais soberania. Perda de soberania por culpa própria por mais que se diabolize o mercado, o sistema financeiro e a tROIKA (não esquecer que a União Europeia faz parte da tROIKA, além do FMI e do BCE). Quem não queria a tROIKA e as suas consequências não nos tivesse arrastado para a bancarrota.

2. É claro que o fOREVER é uma provocação. Uma grande provocação... É preciso manter o sentido de humor no meio disto tudo... através da mais fina ironia.

3. O fOREVER é pura ironia, deixando-se ao leitor a possibilidade de perceber a distância intencional entre aquilo que é dito e aquilo que realmente se pensa, para obter desse leitor uma reacção. Quem percebe a ironia diverte-se, quem se fica pelo sentido literal incomoda-se e até se zanga... Como já se disse, o objectivo é a denúncia, a crítica e o protesto (em várias frentes), bem como o alerta, a leitura activa e posicionamento da parte de quem lê. Com a aparente valorização da realidade descrita, a chamada tROIKA, se desvaloriza (e contesta) essa mesma realidade (mas valorizando-se outras realidades, como a situação do País e a desgovernação que nos fez chegar a este estado).

domingo, maio 01, 2011

The most powerful band in the world live

Michael Gira diz adeus no final do último concerto de SWANS, em Londres, em 15 de Março de 1997 (fotografia de Twomberly Canale). Regressariam com novo disco em 2010, dando um concerto memorável em Lisboa (9 de Abril do corrente) provando que «they were, are, and will always be the most powerful band in the world live» (Drew West, Ink #19 04/01/1998).