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14 de JULHO
«71% [114 mil] sem ensino secundário». «Apenas 29% do total dos jovens madeirenses concluíram o ensino secundário com sucesso [entre 1997 e 2004]. "Estamos muito atrás da média europeia, que ronda os 55%", sublinha a investigadora Liliana Rodrigues, do Centro de Investigação em Educação da Universidade da Madeira.» [Diário]
15 de JULHO
«A gravidade da situação relatada não se prende, no nosso entender, com os números, pois são absurdos, mas com a puerilidade e frivolidade do trabalho estatístico apresentado, com a análise infantil, ridícula e quixotesca dos números, com o despropósito e disparate das conclusões debandadas». Secretário Regional da Educação [Diário]
«Recuando 18 anos, nasciam na Madeira cerca de 4.000 crianças por ano. Ou seja, em 8 anos, 32 mil. Daí que 114 mil é um número estranho. Ou seja, no máximo, haverá 32 mil jovens em idade de conclusão do ensino secundário naquele período. Sabemos que metade conclui mesmo o 12º ano pelo que, se de 32 mil retirarmos metade, nunca poderão sobrar 114 mil». Secretário Regional da Educação [Diário]
16 de JULHO
«Os 114 mil casos são dados brutos de casos possíveis de inscrições em todos os níveis e modalidades de ensino secundário durante o período de 1997 a 2004». Liliana Rodrigues [Diário]
«O que o meu estudo revela é que apenas 51% dos jovens se matricularam nas escolas (públicas e privadas) secundárias da Madeira e que, desses 51%, apenas 58% terminaram com sucesso o ensino secundário». Liliana Rodrigues [Diário]
«Qualquer criança do pré-escolar saberia fazer a conta de que uma pequeníssima percentagem dos jovens na RAM completa o ensino secundário». Liliana Rodrigues [Diário]
O trabalho «escandaliza pelo absurdo e incompetência das conclusões». «Das duas uma, ou se trata de um arranjo político sob cobertura universitária, e cabe às autoridades académicas reagir, ou estamos perante a constatação da mediocridade também ao nível da Universidade». Presidência do Governo Regional [Diário]
17 de JULHO
«O que sei é que houve cinco pessoas da área, o júri do doutoramento, que dedicaram a vida à investigação e que disseram que o estudo está bem». Pedro Telhado, Reitor da UMa [Diário]
«Qualquer cidadão num estado democrático pode participar na vida política. Já ao contrário não é possível, não é qualquer cidadão de um estado democrático que faz parte de um júri de doutoramento. Têm que chegar a doutorados». Pedro Telhado, Reitor da UMa [Diário]
«O que me parece é que a Secretaria [da Educação] e a Presidência do Governo não percebem o que é universidade, nem como funciona. Isto não é o braço armado do poder político, nem as conclusões dos estudos são para corroborar na propaganda do regime». Carlos Fino, professor da UMa [Diário]
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NOTA: cabe a cada qual retirar as suas ilações, contando que o assunto não seja esquecido pelos media, para o cidadão saber o fim da história.
«Apostar a sério na educação», para quando?
Cresci no Funchal numa zona urbano-residencial perto da cota 200. dentro do target que o estudo abrange, metade das pessoas elegíveis da zona, simplesmente não completaram o 9ºano de escolaridade (e esta nem é uma das zonas problemática habitualmente referenciadas). Daí que as conclusões do dito estudo não sejam propriamente surpresa para mim.
ResponderEliminarPior é o negar das evidências, conforme se depreende pelas reacções oficiais aos resultados em questão.
Tantos fundos exógenos a entrar (muitas vezes em investimentos de retorno nulo) e poucas capacidades endógenas potencializadas de forma a capacitar um efectiva sustentabilidade futura...
Mas o eleitorado tem memória curta...
O problema neste assunto reside apenas na posição de fragilidade em que forão colocados o estudo, a autora, os orientadores, o juri e a UMA.
ResponderEliminarNão pela SREC, mas pelos números indicados no estudo.
E pela ânsia de os publicar (no DN).
O tiro saíu pela culatra.
Os problemas da Educação existem, são conhecidos e públicos. Todos os anos são repetidos pela comunicação social.
Mas estes números são um problema...
Por não terem nada a haver com a realidade. E por colocarem em questão todos aqueles indicados acima.
Pergunta: alguém, até agora defendeu os números como bons?
Não...
O processo seguido pelos indicados acima é de branqueamento do erro (significativos) pela vitimização...
Não são mais de 16 mil os 114 mil anunciados...
Não é uma diferença insignificante. Não é possível ignorá-la. E dizer qe se mantém tudo o restante (comentários, conclusões e recomendações).