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terça-feira, março 06, 2018

Liberal

Mario Vargas Llosa por Ximena Garrigues e Sergio Moya (photo copyright)

«El fascismo, el comunismo han atacado tremendamente al liberalismo, sobre todo caricaturizándolo y asociándolo a los conservadores. En sus primeras épocas el liberalismo fue asediado sobre todo por la derecha. Ahí están las encíclicas papales, los ataques desde todos los púlpitos a una doctrina que se consideraba enemiga de la religión, enemiga de los valores morales. Creo que estos adversarios definen muy bien la estrecha relación que existe entre el liberalismo y la democracia. La democracia ha avanzado y los derechos humanos han sido reconocidos fundamentalmente gracias a los pensadores liberales.»

«Esta semana [final de Fevereiro de 2018] publica su ensayo La llamada de la tribu (Alfaguara), un alegato a favor del pensamiento liberal a través de siete autores que le influyeron y a los que rinde homenaje: Adam Smith, José Ortega y Gasset, Friedrich von Hayek, Karl Popper, Raymond Aron, Isaiah Berlin y Jean-François Revel. Voces de una corriente que reivindica al individuo como ser soberano y responsable, y a la libertad como valor supremo; que defiende la democracia y la separación de poderes como el sistema que mejor concilia los valores contradictorios de la sociedad. Una doctrina que reacciona frente al “espíritu tribal” que han alimentado históricamente el fascismo, el comunismo, el nacionalismo o el fanatismo religioso.»

«El liberalismo no solo admite, sino que estimula la divergencia. Reconoce que una sociedad está compuesta por seres humanos muy distintos y que es importante preservarla así. Es la única doctrina que acepta la posibilidad de error. Por eso insisto mucho: no es una ideología; una ideología es una religión laica. El liberalismo defiende algunas ideas básicas: la libertad, el individualismo, el rechazo del colectivismo, del nacionalismo; es decir, de todas las ideologías o doctrinas que limitan o cancelan la libertad en la vida social.»

Excertos da entrevista de Mario Vargas Llosa ao El País em 25.2.2018.

sexta-feira, dezembro 29, 2017

Arte da lentidão, por José Tolentino Mendonça

24.12.2017

Talvez precisemos voltar a essa arte tão humana que é a lentidão. Os nossos estilos de vida parecem irremediavelmente contaminados por uma pressão que não dominamos; não há tempo a perder; queremos alcançar as metas o mais rapidamente que formos capazes; os processos desgastam-nos, as perguntas atrasam-nos, os sentimentos são um puro desperdício: dizem-nos que temos de valorizar resultados, apenas resultados. À conta disso, os ritmos de atividade tornam-se impiedosamente inaturais.

Cada projeto que nos propõem é sempre mais absorvente e tem a ambição de sobrepor-se a tudo. Os horários avançam impondo um recuo da esfera privada. E mesmo estando aí é necessário permanecer contactável e disponível a qualquer momento. Passamos a viver num open space sem paredes nem margens, sem dias diferentes dos outros, sem rituais reconfiguradores, num contínuo obsidiante, controlado ao minuto. Damos por nós ofegantes, fazendo por fazer, atropelados por agendas e jornadas sucessivas em que nos fazem sentir que já amanhecemos atrasados.

Deveríamos, contudo, refletir sobre o que perdemos, sobre o que vai ficando para trás, submerso ou em surdina, sobre o que deixamos de saber quando permitimos que a aceleração nos condicione deste modo. Com razão, num magnífico texto intitulado “A lentidão”, Milan Kundera escreve: «Quando as coisas acontecem depressa demais, ninguém pode ter certeza de nada, de coisa nenhuma, nem de si mesmo.» E explica, em seguida, que o grau de lentidão é diretamente proporcional à intensidade da memória, enquanto o grau de velocidade é diretamente proporcional à do esquecimento. Quer dizer: até a impressão de domínio das várias frentes, até esta empolgante sensação de omnipotência que a pressa nos dá é fictícia. A pressa condena-nos ao esquecimento.

Passamos pelas coisas sem as habitar, falamos com os outros sem os ouvir, juntamos informação que nunca chegamos a aprofundar. Tudo transita num galope ruidoso, veemente e efémero. Na verdade, a velocidade com que vivemos impede-nos de viver.

Uma alternativa será resgatar a nossa relação com o tempo. Por tentativas, por pequenos passos. Ora isso não acontece sem um abrandamento interno. Precisamente porque a pressão de decidir é enorme, necessitamos de uma lentidão que nos proteja das precipitações mecânicas, dos gestos cegamente compulsivos, das palavras repetidas e banais. Precisamente porque nos temos de desdobrar e multiplicar, necessitamos de reaprender o aqui e o agora da presença, de reaprender o inteiro, o intacto, o concentrado, o atento e o uno.

Lembro-me de uma história engraçada que ouvi contar à pintora Lourdes de Castro. Quando em certos dias o telefone tocava repetidamente, e os prazos apertavam e tudo, de repente, pedia uma velocidade maior do que aquela que é sensato dar, ela e o Manuel Zimbro, seu marido, começavam a andar teatralmente em câmara lenta pelo espaço da casa. E divergindo dessa forma com a aceleração, riam-se, ganhavam tempo e distanciamento crítico, buscavam outros modos, voltavam a sentir-se próximos, refaziam-se.

Mesmo se a lentidão perdeu o estatuto nas nossas sociedades modernas e ocidentais, ela continua a ser um antídoto contra a rasura normalizadora. A lentidão ensaia uma fuga ao quadriculado; ousa transcender o meramente funcional e utilitário; escolhe mais vezes conviver com a vida silenciosa; anota os pequenos tráficos de sentido, as trocas de sabor e as suas fascinantes minúcias, o manuseamento diversificado e tão íntimo que pode ter luz.

José Tolentino Mendonça in Expresso, 25.5.2013
e in Crónicas de José Tolentino Mendonça: Que Coisa São As Nuvens (Expresso Impresa Publishing 2015, pp27-28)

Conexões:
Parar para viver melhor
Silêncio
Desligar do facebook

quinta-feira, janeiro 05, 2017

Nova ignorância

image: pixabay.com

«Mesmo que tenhamos, como agora se diz, as gerações mais qualificadas, estamos cegos quanto ao crescimento da nova ignorância, não só em aliança e em tandem com a antiga, mas assumindo novas formas e efeitos. O facto de haver um modismo tecnológico e se confundir a utilização de gadgets, aliás bastante rudimentar, com um novo saber, que implica novas competências, esconde essa regra básica de que as literacias para os usar vêm do sistema escolar a montante e a possibilidade de os usar para uma melhoria social só existe a jusante se acompanhar uma evolução social que não se está a verificar. Mais do que uma evolução, há uma involução. A antiga ignorância assentava numa carência, numa falta [baixa qualificação profissional e insuficiente escolaridade], a nova assenta numa ilusão.»

«É por isso que a antiga ignorância era vista como um problema da sociedade e a nova é vista como um “progresso”, ou como uma tendência contra a qual é inútil lutar. Isso tem muito que ver com uma ideologia corrente face às novas tecnologias, em particular aquelas que têm imediatos efeitos sociais como os telemóveis, as redes sociais, e certos modos de usar os videojogos, a realidade virtual e mesmo o computador e a televisão.»

— José Pacheco Pereira, Público (31.12.2016)

terça-feira, agosto 09, 2016

Franqueza politicamente incorrecta em lugar da mentira ou ilusão politicamente correcta

Tom Morello: «Rocking ‪#‎lollapalooza‬ with my face» (July 31, 2016)

Não quero "perder" mais tempo neste tipo de deambulações (há coisas mais interessantes do que a política - como o meu Hermann Hesse ou os meus Tool, um na mesa de cabeceira, outros no meu leitor de CDs) mas deixo o excelente artigo de Daniel Oliveira (Chegou o futuro infeliz), embora discorde que o futuro infeliz chega só agora. Já tinha chegado às muitas vítimas da crise financeira.

Importa que o opinion maker explica como se chegou até aqui (risco de um candidato radical e populista ganhar a presidência dos EUA). Uma opinião "jornalística" que não abarca tudo, nem seria esse o propósito. É uma sugestão de leitura para quem queira "perder" algum tempo a compreender. Deixo uns destaques pessoais a respeito do que li:

Como estou cansado da deliberada mentira ou ilusão politicamente correcta, acredito na «franqueza politicamente incorrecta», de que fala o articulista, para enfrentar a realidade e dar solução aos problemas, de forma a tornar o mundo socialmente mais justo e pacífico. E em lugar do pântano politicamente correcto à maneira lusa - António Guterres, apesar do seu talento, foi embora por causa desse pântano petrificante. E Sá Carneiro fora antes "mandado embora"...

Para mim, o politicamente incorrecto como uma «autoestrada para a alarvidade onde nem o bom senso nem a civilidade sobrevivem» não é opção nem faz sentido. Como é óbvio. E acredito que não é este segundo tipo de politicamente incorrecto que defendia Clint Eastwood (Clint Eastwood on the "Pussy" Generation and Why He's Voting for Donald Trump).

Os filmes por si realizados, segundo lembro, defendem valores humanos fundamentais da civilização, como a solidariedade, embora se possa criticar alguns aspectos de fervor nacionalista e justicialista à americana. Não seria admissível que, nos dias de hoje, Eastwood ainda defendesse qualquer tipo de discriminação entre pessoas.

Daniel Oliveira refere que «“Donald Trump é o candidato do caos.” Não o criou, nem sequer se pode dizer que o tenha alimentado. Resulta dele.» O caldo morno do politicamente correcto impeditivo de soluções para os problemas deixou muita gente desiludida (e sem esperança) no campo democrata. A responsabilidade não é só da direita nem dos democratas. A circunstância de crise económica veio dar gás ao populismo radical.

O articulista refere: «O seu discurso [de Donal Trump], carregado de ódio e ressentimento, com toda a retórica da extrema-direita, é mais fácil por ter havido a crise em 2008. Por Obama ter falhado (não percebemos porque a Europa falhou ainda mais). Porque, tal como Bernie Sanders, dirige-se a um profundo mal-estar da América e sabe que Hillary Clinton será a última a conseguir responder-lhe».
 
Mas, é importante isto: por mais insensato e radical que seja Trump, ele vive num contexto de uma DEMOCRACIA (não é um Estaline na Rússia). «Em que país do mundo um confronto de rua entre um anarquista e um extremista de direita acaba num debate constitucional? Talvez seja isto que salve a América: com todos os excessos, ninguém se atreve a pôr em causa, pelo menos de forma clara, a democracia. Apesar de tudo, têm uma coisa decente a que se agarrar.»

«Na rádio local, nas televisões locais, nos jornais, em todo o país, só há um assunto: os crimes, o terrorismo e o medo.» Ora, com tanto terrorismo, violência, insegurança, crise económica, desigualdade social galopante e, acima de tudo, o salve-se quem puder em que o ser humano deixa de respeitar o outro (na forma de racismo ou em qualquer outra forma, no dia a dia, na família, no emprego, no autocarro, na escola, no bar, etc.), não é de admirar que as pessoas anseiem por ordem (respeito), segurança e justiça social. É legítimo e natural que o queiram. Não tem que ser a ordem do antigamente e discriminatória (supressão das minorias e excluídos) que alguma direita quer (“eu sou o candidato da lei e da ordem", diz Trump. Ou “America safe again”, “America great again”). Como o Brexit foi um "Great Britain great again"... O mundo de facto mudou e preparemo-nos para mais eventos e transformações inesperadas...

«Tontos são os que continuam a desdenhar Trump», alerta Daniel Oliveira, no sentido de que representa um perigo maior do que se pensa e não deve ser subestimado (nem sobrevalorizado...). «A incorreção política passou a ser um sinal de rebeldia e liberdade. O problema é que a franqueza politicamente incorreta tem custos. No caso de Trump, alienou o eleitorado hispânico, cujo voto é necessário para ganhar as presidenciais.»

(picture: pixabay)

domingo, julho 31, 2016

«No sofá, a curtir uma intensa pena de si próprios»


«O papa pediu aos jovens para saírem do sofá e lutarem pelos sonhos. Há quem ache que os jovens são por natureza revolucionários. Eu não. Acho que não há natureza, há cultura, contexto familiar, conjunturas de vida, ou seja, história. Acho que os nossos jovens - falamos de médias, claro - são seres muito incompletos, com dificuldade crescentes de relações sociais, ou políticas.

O desemprego galopante afastou-os da organização do trabalho, mas não só. O colectivo, a noção de produção, é algo que não lhes assiste. Não fazem muito bem ideia do que é o trabalho - mesmo que tenham trabalhado, e trabalhado bem, e mal pagos - porque não dependem do trabalho para viver, dependem do Estado, e dos pais - com os salários que ganham, quando ganham, não conseguiriam viver. E teriam que lutar. Não o fazem porque alguém paga o resto da conta - acreditam que a Segurança Social é o Estado, quando é na verdade a poupança dos pais (só para dar um exemplo da ignorância que têm do valor do trabalho).

Em consequência têm um desprezo, consciente ou não, pelo trabalho alheio. Se forem professores de um trabalhador-estudante vão ver como este padrão se inverte - o trabalho e a ausência dele, explica de facto muito. O esforço que estes fazem, e o respeito que têm pelos professores é a dobrar. Em sociedades agrárias era impossível estes desrespeito pelo trabalho alheio - numa pequena aldeia ninguém tem dúvidas de que vivemos todos do trabalho. O respeito pelo trabalho é milenar.

A comida não chega do supermercado. Acham normal - dizem as dolorosas estatísticas - com 25 anos pedir dinheiro aos pais. Quando estava na altura de começarem a devolver - na forma de segurança social - os 25 anos que os pais pagaram. Os pais em geral são os mesmos que foram com 18 anos para França, ser robots numa fábrica. E que mandavam dinheiro para os seus pais, mais velhos. Chama-se solidariedade inter-geracional, decência colectiva.

Estes, hoje, em larga escala, embora não saibamos qual, estão, como diz o papa, no sofá, a curtir uma intensa pena de si próprios. Afinal o mundo lá fora é culpado de todos os males, e eles são vítimas de um mundo injusto, que não lhe deu o que eles esperavam que lhes desse - esperavam porquê? O que fizeram eles para isso? É adquirido. Está no ADN ter um bom trabalho, embora tenham em cima de si 200 anos de mortos em greves para eles terem a ideia que deveriam ter um bom trabalho.

Sou optimista porque confio num abanão social, a única forma de os seres humanos mudarem. Não acredito em mudanças sem crises. Não acredito em mudanças sem que as pessoas sejam confrontadas com os limites. E acho que para a maioria da humanidade o tempo já foi, ou seja, que vieram e saíram da vida sem vida. Por isso os exemplos contrários - de resistência e coerência - são tão animadores, justamente porque eles abrem caminho para o que é impossível. Por isso dediquei a maior parte da vida a estudar revoluções. E revolucionários, em geral os que foram dirigentes mas não ilustres dirigentes - os milhares de anónimos dirigentes.

Interessa-me o que é excepcional. Apaixona-me a perfeição na irregularidade, a coragem no medo, as flores que nascem no meio das pedras. Os 200 mil (mais tarde 500 mil) que entraram na resistência francesa ao nazismo, e não os milhões que se calaram. Mas a paixão não nos deve cegar o olhar sobre o passado: a juventude no século XX, depois de ser juventude - porque antes eram jovens trabalhadores -, não é uma categoria com uma essência, como o não é a velhice.

A expansão da acumulação e inserção tecnológica galopante, a industrialização das periferias analfabetas na década de 60 exigia uma super qualificação em tempo recorde da força de trabalho que permitiu aos jovens aceder a estudos gratuitos (pagos com impostos dos pais, é certo) e mobilidade social - isso explica mais o Maio de 68 do que ter 18 anos, estou convencida. Universidade gratuita, de qualidade, mobilidade social - nesse caldo objectivo nasceram as lideranças políticas progressistas de diversos matizes. É isso e não a idade. Tenha eu ou não razão é um facto que há 40 anos os pais imploravam para os filhos não irem a manifestações e hoje é o papa - o papa - que tem que implorar que os jovens deixem de vegetar e lutem pela vida.

«Durante a vigília, na qual estiveram presentes mais de 1.5 milhões de pessoas, o pontífice falava de "um sofá - como os que existem agora, modernos, incluindo massagens para dormir - que nos garanta horas de tranquilidade para mergulharmos no mundo dos videojogos e passar horas diante do computador". Um sofá, prosseguiu, "contra todo o tipo de dores e medos".
Citado pela agência Ecclesia, Francisco frisou que uma juventude "adormecida" só é benéfica para aqueles que querem decidir o futuro dos outros. "É muito triste passar pela vida sem deixar uma marca", disse, lembrando que ninguém veio ao mundo para "vegetar". E aproveitou para condenar "outras drogas socialmente aceitáveis", que fazem com que os jovens fiquem "entorpecidos".
Para o pontífice, o mundo atual não precisa de "jovens-sofá", mas sim de jovens "calçados com botas", que caminhem "por estradas nunca sonhadas". »
Raquel Varela no DN.

A propósito:
Papa pede aos jovens que saiam do "sofá" e lutem pelo seu futuro

(picture: pixabay)

quinta-feira, agosto 21, 2014

Querer a destruição do outro não conduz à paz

image origin

O drama maior é estarem no meio civis que sofrem, palestinianos em maior número, mas os povos também são vítimas dos líderes que escolhem. Israel, por seu lado, está "condenada" a ser o "reles agressor", mesmo que responda em contra-ataque e sofra baixas. Do lado israelita é como se as baixas não contassem, então se forem soldados é como se merecessem..., porque tem mais força, isto é, poder militar e económico.

Enquanto um dos lados, o Hamas (felizmente apenas uma parte dos palestinianos), querer a destruição do outro (Israel), nada feito.

Não estou de um lado, nem do outro, estou do lado daquelas atitudes e estratégias que, de qualquer um dos lados, incluindo os seus aliados no exterior, sejam passíveis de conduzir ao entendimento e à coexistência pacífica, assumindo tanto perdas como ganhos (solução sem perdas não existe). Não estou preso a teias ideológicas que me obriguem, cegamente, a estar de um lado ou do outro.

A propósito:
Opinião Miguel Esteves Cardoso (jornal Público 20.08.2014)
Compreender as origens da guerra em Gaza em 5 minutos (jornal Le Monde)
O essencial para compreender o conflito iraelo-palestiniano (Observador 13.07.2014)

sexta-feira, janeiro 31, 2014

«Europe is falling apart» say Laibach

LAIBACH, banda industrial eslovena em actividade desde 1980. «Europe is falling apart» ouve-se no profético Eurovision, tema do novo álbum Spectre, a ser editado no terceiro dia de Março próximo
photo origin/copyright: Maya Nightingale 2013

Letra de Eurovision:

«Here are crowds in the streets / they are crying to be heard / I hear echoes of voices / they are trying so hard / but the ears are kept shut. / I see millions of hands / they are raised to the sky / I see visions of [?...] / they are trying so hard / but the eyes are kept shut.

Europe is falling apart.

In the absence of war / we are questioning peace / in the absence of God / we will pray to police / oceans of people oceans of sorrow / they are trying so hard / but the minds are kept shut

Europe is falling apart.

segunda-feira, abril 08, 2013

Just say Não

 
origem foto

"Just say Nao", aconselha a Portugal o economista e prémio Nobel Paul Krugman, que voltou a criticar as medidas de austeridade na Europa. Curar os problemas com mais austeridade merece um não.

quarta-feira, novembro 28, 2012

Vontade política insuflada pelas ideologias

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«A tragédia moderna não reside na falta de informação, mas sim na vontade política insuflada como bolha por essa versão laica do milagre que são as ideologias. No fim, será a dura realidade a prevalecer, pois todas as bolhas estão destinadas a rebentar.»

VIRIATO SOROMENHO-MARQUES
Diário de Notícias - novembro 2012

domingo, novembro 04, 2012

"Voto" em Barack Obama


Barack Obama é o candidato em melhores condições de conciliar economia de mercado e justiça social. Mas tem mesmo de conseguir estimular a economia (crescimento, produção, emprego), tal como a Europa precisa de fazer.

Barack Obama is the candidate in better position to conciliate free market economy and social justice. But he really needs to stimulate the economy (growth, production, employment) as Europe also needs to achieve.

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Photo of Barack Obama in Milwaukee - November 3rd -, by: Paul Kadzielski for Obama for America

sábado, outubro 06, 2012

Liderança


A liderança, mais do que tudo, tem a ver com delinear um caminho e descrever uma visão para as pessoas.
(I think that leadership, more than anything, is about setting a course and describing a vision for people.)
Barack Obama

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domingo, setembro 02, 2012

Custos da competitividade da vida moderna

Trailer de Koyaanisqatsi - Life Out Of Balance, um filme de Godfrey Reggio and Philip Glass de 1982. Sugerimos ainda Powaqqatsi (1988), Baraka (1992), Naqoyqatsi (2002) e Avatar (2009)

Seja qual for o partido político que nos governe, neste momento a conjuntura não deixa outra margem a não ser os portugueses se tornarem mais competitivos e ambiciosos do ponto de vista da sua produtividade. Sermos melhores e acrescentarmos valor ao que produzimos.

Quem quiser vender ilusões aos portugueses como aquela ideia que nos basta a mediania e as meias-tintas para assegurar prosperidade ao País (e garantir o Estado Social) no futuro pode então continuar a insistir no irrealismo e nas promessas alimentadas pelo recurso ao crédito e à dívida externa insustentáveis.

O caminho está em produzir mais e melhor, para termos riqueza ao nosso dispor e distribuí-la da forma mais equitativa possível por todos os portugueses. Um caminho com nuances diferentes consoante as linhas ideológicas, mas não se pode fugir ao caminho no imediato.

domingo, junho 24, 2012

Fim da revolução e da mais poderosa das Primaveras Árabes

Mohammed Morsi
image origin

O fim da revolução e da mais poderosa das Primaveras Árabes. Morsi, da Irmandade Muçulmana, venceu Shafik, antigo militar e último primeiro-ministro de Mubarak, nas eleições presidenciais no Egito.

Viesse o diabo e escolhesse... A sociedade civil optou entre duas fardas, a da guerra santa (regime religioso) ou a do poder (regime) militar.

Uma lição para quem pensa que as pessoas preferem sempre a liberdade acima da ordem e da segurança. A maioria prefere que alguém decida por elas e lhes ponha o pão na mesa. O desejo de democracia no Egito, paradoxalmente, abriu portas à Irmandade Muçulmana...

A propósito:
Desejosos de liberdade?
Escolher entre a cólera e a peste

sábado, junho 16, 2012

Facebook consegue ser pior do que a CIA



O vídeo "Facebook consegue ser pior do que CIA" produzido para a rubrica “Global Net”, do programa da SIC Notícias “Falar Global”, alerta para o uso dos dados que deixamos na maior rede social do mundo.

Nada se apaga, mesmo que apaguemos a conta. Atenção ao perigo que corremos com a informação que deixamos no Facebook. Quem alerta, amigo é :)

segunda-feira, novembro 14, 2011

O céu da banca: ser recapitalizada e passar malparado para o Estado


Não será possível acabar com a história de que os bancos são muito grandes e importantes para caírem?













cartoon origin

O Estado não deve fazer certos fretes aos bancos. Aqui deve ser neoliberal e deixar o mercado funcionar.

É curioso o Governo da República ser considerado marxista-leninista ao ser acusado pelos banqueiros de querer nacionalizar a banca, como no PREC de 1975, por exigir determinadas garantias nos fretes à banca...

Não deve fazer fretes relativamente à recapitalização da banca portuguesa com 12 mil milhões da Troika ou à assumpção pelo Estado do crédito malparado desses mesmos bancos.

O Estado não deveria acolher as «carteiras de créditos mais difíceis e alguns malparados (dívidas de longo prazo de empresas públicas e empréstimos para compra de casa) que estão a inquinar os balanços dos bancos privados portugueses.»

A banca deveria responsabilizar-se pelas consequências da concessão desenfreada de crédito que andou a impingir aos portugueses (sem nunca escamotear a responsabilidade individual de quem contraíu essas dívidas - nada de diabolizar a banca por todos os males...) e não tentar passar tudo para o Estado. Não é justo serem os contribuintes a garantir o cumprimento de dívidas que são e devem continuar a ser dos bancos.

Os bancos foram agressivos na concessão de crédito e a fazer altos negócios e especulação, como são agressivos agora a exigir a ajuda por parte do Estado, como se fosse normal ou uma obrigação num mercado livre.

Assim também eu era banqueiro... Emprestava dinheiro o mais possível, sem me preocupar muito com a capacidade de as pessoas e empresas cumprirem a dívida, na certeza de que o Estado, para salvar a economia e assegurar o seu financiamento, assumiria o crédito malparado e recapitalizava o banco...

Então o mercado livre é o quê? Só interessa quando dá lucro? Privatizam-se os lucros e nacionalizam-se os prejuízos?

Dizia ainda a notícia: «ao libertarem-se destas dívidas mais complicadas, os bancos garantem que poderão ter outra vez folga para financiar a economia e, em particular, as empresas públicas e as companhias de pequena e média dimensão, as que mais se queixam de sufoco quando tentam ir ao banco pedir dinheiro emprestado.»

Será mesmo que os bancos financiariam a economia depois de o Estado lhes fazer a vontade? O Estado e os contribuintes são assim chantageados.

O Estado deve é financiar a economia, por via da Caixa Geral de Depósitos, nesta fase aguda da crise, com os tais 12 mil milhões da Troika (mais o que vai dispender com a assumpção do crédito malparado), em vez de o entregar aos bancos privados. Por mais que apelidassem o Governo de marxista-leninista.

Injectar esse dinheiro disponível nas PMEs, criar emprego, produzir e conseguir pagar as dívidas à custa do crescimento e não do corte dos salários de quem trabalha ou do aumento brutal dos impostos. Em vez de andar a salvar bancos.

Não será possível acabar com a história de que os bancos são muito grandes e importantes para caírem? Será mesmo que a queda poderia conduzir ao caos e a uma recessão como nunca vista?

Não devem os mercados e o sector financeiro se sobreporem aos Governos e Estados democráticos. É preciso «equilibrar a liberdade de mercado com a capacidade interventora dos poderes públicos.»

Leitura complementar:
Nova espécie: Governo de Passos Coelho é neoliberal marxista-leninista

domingo, outubro 16, 2011

O consumo não é invenção do capitalismo

"Eu expulsei os vendilhões por alguma razão", diz o cartaz de um manifestante em Londres, 15 de Outubro de 2011
photo copyright: Leon Neal - AFP

«O consumo,
por mais que o repitam, não é invenção do capitalismo:
os deuses formaram homens incompletos,
com estômago, frio e vaidade, como queriam outro resultado?»

«E o dinheiro (...)
Torna os homens previsíveis, (...)
Destrói reis, carpinteiros e santos. (E quando não há,
ainda destrói mais.)»

Gonçalo M. Tavares
Uma Viagem à Índia
p 305, p 363
Editorial Caminho 2010, 1.ª edição

“Nunca gasto mais do que ganho” (jornal Económico 16.10.2011) é um princípio que saiu da nossa cultura e até parece algo demasiado conservador e antiquado na sociedade em que vivemos. O autor da frase é Júlio Machado Vaz, recordando um lema herdado da mãe. E ele próprio fez excepção na aquisição de uma casa, lê-se na entrevista...

Na nossa cultura, ter dívidas era algo muito censurável e herdei, pessoalmente, da família, esse valor de "não dever nada a ninguém", condição para a tranquilidade da consciência. Nunca acreditei que me dessem nada. Ainda hoje sinto-me incomodado com créditos, mesmo aqueles de curto prazo e sem juros. Prefiro esperar do que aceder a bens por via do crédito. Excepção feita à aquisição de habitação própria (e fi-lo de forma conservadora pelo valor mais baixo possível e no mais curto espaço de tempo possível, para pagar menos no final).

Quem nos ensinou a todos a não saber esperar e a esquecer as virtudes da paciência?

As pessoas estão indignadas com o estado do mundo actual, recusam-se a empobrecer (perder poder de compra e de acesso a bens como a saúde) e têm a sua razão. Mas há uma parte de responsabilidade individual que não podemos esquecer.

As pessoas tomaram decisões de endividamento pessoal, para aproveitar o conforto e benefícios "oferecidos" pelo mercado e pelo capitalismo, por mais que o marketing fosse agressivo por parte da banca ou o Estado incentivasse a aquisição de casa própria, através de benesses em sede de IRS ou do crédito bonificado aos jovens. A dívida portuguesa parece ser, dizem, 75% privada e 25% pública...

Sem nunca relativizar a irresponsabilidade nos mercados financeiros, que levaram ao colapso do sistema e estão a fazer pagar todos por erros e ganância de alguns, os bancos ou o Estado, por mais selvagens que sejam, não obrigaram as pessoas a consumirem ou a viverem acima das suas posses. Ficou a prudência à conta da massa crítica de cada um. A liberdade de escolha e decisão exige mais dos indivíduos.

Até alguns países se endividaram acima das suas posses. Portugal é um exemplo. A Madeira é outro exemplo dentro do País. Entrámos num jogo de alto risco. Um dia iria colapsar. Aí está a factura. E sempre podemos dizer "não pagamos".

Enfim, não foi invenção do capitalismo, mas o consumo foi potenciado por esse sistema tão conhecedor da natureza humana e das suas "necessidades", reais ou criadas... Quem nos manda ser eternos ambiciosos/insatisfeitos?

quarta-feira, março 03, 2010

«Nem sequer revelam interesse pelo trabalho»

photo (c)

O Correio da Manhã de 02.03.2010 publica um artigo de opinião intitulado Fábrica de cretinos, que pode ser chocante, mas é isso que se constata todos os dias, em que é cada vez mais generalizada uma atitude negativa dos estudantes perante o trabalho, primeiro face ao labor académico e depois no próprio mercado do trabalho.

«A ideia de a escola, o ensino e a aprendizagem constituírem um elevador social para os desfavorecidos está a ser aniquilada pela actual crise. Em menos de vinte anos, Bill Gates, Steve Jobs e Paul Alen não deixaram de estar entre os mais ricos do Mundo, mas já se destaca mais o seu sentido de negócio do que a sua paixão pelo conhecimento e a inovação, capazes de mudar o Mundo.

As legiões de jovens com diplomas, mas sem emprego, reduzem os bilionários das novas tecnologias a uma espécie de clube de premiados do Euromilhões. Já nem se vê claramente que aprendizagem contribui para o seu êxito. (...)

O problema é grave. Na semana passada, um jornal britânico registava que o desemprego não cessa de aumentar entre os recém-licenciados. Há sempre os sobredotados e superapoiados que vão directo ao topo depois de saírem de Harvard, Yale, Oxford ou Cambridge, mas a desilusão reina nas grandes massas de diplomados aviados pelas universidades públicas e privadas sem prestígio. Dois números chocavam no ‘Sunday Times’: uma em cada cinco pessoas em idade de trabalhar não tem emprego; dos 1,7 milhões de empregos criados desde 1997 no Reino Unido 81% pertencem a estrangeiros.

Poder-se-ia pensar num declínio de civilização. Instalados na sua subsídiodependência, os britânicos já não teriam ambição e capacidade para singrar. A observação dos factos leva porém a outras pistas: após nove, 11 ou mais anos de escola, os jovens passam ao mercado de trabalho sem um mínimo de capacidades. Pior, nem sequer revelam interesse pelo trabalho.

Num recrutamento, 52 candidatos foram chamados a uma entrevista. Mais de metade chegaram atrasados, 12 não traziam nada com que pudessem tomar notas para resolver um problema e os três seleccionados ficaram sem emprego em menos de seis meses por incompetência e falta de empenho.

Fica evidente que as escolas estão a falhar na sua função. Fabricam cretinos em vez de homens livres, capazes de fazer progredir as sociedades em que se inserem. Com esta Educação, não há hipóteses de um mundo melhor. Nem de uma vida melhor.»

domingo, janeiro 31, 2010

A verdade sobre o Facebook ou quem te avisa teu amigo é



Será o Facebook um Big Brother a quem as pessoas se entregam/submetem voluntária e alegremente?

Será que as pessoas não estão a expor demasiados dados sobre a sua identidade?


Ler mais:
1. Everything You Do Is Tracked And Stored Forever on Facebook: «We still keep all information.» (Tudo o que fazes é localizado e guardado para sempre no Facebook: «Nós mantemos toda a informação.»)
2. Facebook: the CIA conspiracy
3. Complete and total mind control

Ver mais:
The awful truth

terça-feira, dezembro 08, 2009

Ditador morto, terrorismo posto

Trocou-se um ditador por terrorismo.
photo (c) Reuters

Cinco ataques bombistas coordenados mataram hoje mais de cem em Bagdad e fizeram várias centenas de feridos. Até quando?

segunda-feira, setembro 07, 2009

Amor & ódio pelo capital?

photo origin

Segundo o jornal I, Michael Moore, o senhor anti-capitalismo, para quem "capitalism is evil", cobra, alegadamente, dois mil euros por entrevista... entrando em contradição palavras e actos.

Curiosamente, o cineasta acabou de estrear em Veneza um novo filme-documentário intitulado Capitalism: A Love Story (Capitalismo: Uma História de Amor), em que denuncia o capitalismo perverso e desumano.

Eu também critico o capitalismo desumano ao serviço da ganância de alguns (daí a importância da regulação) e é importante denunciar as causas da actual crise financeira, económica e social planetária, mas nem eu nem o famoso realizador (provocador profissional) podemos esquecer as benesses e comodidades do capitalismo e da economia de mercado, que possibilita, por exemplo, o sucesso financeiro de Michael Moore.

Uma história de amor nunca tem um só lado. A realidade não é sectária. Não sei se o novo filme de Michael Moore o é.