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"Music has the potential other arts don't have, which is to utterly change you within three minutes. Your whole body chemistry can change, your mood, your perspective..." NICK CAVE [Mojo: 2005]

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Versão de "Death Magnetic" do Guitar Hero III

Death Magnetic, o álbum mais recente de Metallica, na versão do jogo de vídeo Guitar Hero III é bem melhor do que o som da edição discográfica do álbum, seja em CD ou vinil, como tivemos ocasião de analisar: Compressão do som trama Metallica.

Além dos formatos habituais, vinil ou CD standard, conto agora com o CD-R com som/faixas do Guitar Hero III, documentado na imagem.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Gesto endiabradamente insólito

«Ministro que não sabe estar não pode ficar», disse Francisco Louçã sobre o gesto do ministro Manuel Pinho (a simular chifres), quando o líder do BE intervinha no Parlamento nacional, mas dirigido a Bernardino Soares, da bancada do PCP, na sequência de um à parte do deputado comunista sobre um cheque da EDP que Manuel Pinho alegadamente teria entregue ao clube de Aljustrel.

Para além do pedido de desculpas formais da parte de José Sócrates, e muito bem, embora o BE exigisse consequências políticas, o que veio a acontecer com a demissão do ministro aceite pelo líder do Governo, convinha descortinar o que Manuel Pinho quis significar com este gesto... se foi um acto reflectido.

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Quatro propostas estratégicas do PSD para a Educação

A Educação promete ser um ponto central na campanha das legislativas. Ainda bem, porque é um sector decisivo para o futuro do país.
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“Uma coisa é certa, vamos pôr em cima da mesa a modificação destes quatro aspectos: Estatuto do Aluno, avaliação dos professores, Estatuto da Carreira Docente e os aspectos de desburocratização” [no trabalho dos professores], afirmou hoje Manuela Ferreira Leite, dizendo que “as propostas, em concreto, hão-de ser feitas com os agentes educativos” (Público).

A alteração destes «quatro aspectos» deve-se ao facto da líder daquele partido político acreditar que «estão a paralisar o sistema, estão a torná-lo inviável, desmotivador da acção dos professores».

São sinais anti-laxismo no sistema de ensino e pró-dignificação da função docente, embora se perca algum folgo reformista, mas não há como esperar para ver, porque Manuela Ferreira Leite já foi ministra da Educação e sabe-se bem a contestação que então gerou.

Uma coisa é certa, os partidos da área de governação são mais realistas no que propõem. Os partidos mais radicais, de contestação, que se colocam fora da governação, tendem ao idealismo e a prometer mundos e fundos, porque sabem que não têm de levar as promessas à prática.

D. Quixote de la Mancha (1)

O poeta José Bento traduziu essa obra-prima intitulada Dom Quixote, para a Relógio D' Água, que estou a ler. Tal edição destinou-se a coincidir com os quatro séculos passados sobre a publicação daquela obra em Espanha e Portugal, facto assinalado em 2005.

Há uns anos, a minha primeira leitura da obra-prima de Miguel de Cervantes foi interrompida porque as folhas da edição da Bertrand começaram a soltar-se. Troquei-a depois pelo livro da Relógio D' Água, que tem sido elogiada pela qualidade da tradução de José Bento (a edição da Bertrand traduzida por Aquilino Ribeiro é considerada uma versão). Pelo menos na edição com capa dura que comprei (na imagem), a encadernação do livro da Relógio D' Água parece óptima.

«D. Quixote, um fidalgo de Castela assanhado pela leitura de romances de cavalaria, decide que é seu "ofício e exercício andar pelo mundo endireitando tortos, e desfazendo agravos" e parte à aventura na companhia de seu fiel e prosaico escudeiro, Sancho Pança. As hilariantes maluquices do Cavaleiro Andante liquidam, com a sua "moral do fracasso", as últimas ilusões da epopeia: aquilo a que Adorno chama "a ingenuidade épica".»

No próximos tempos, será esta a minha leitura épica, ao longo de cerca de mil páginas.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Autonomia

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«Independentemente das opções ideológicas e políticas de cada madeirense, a Autonomia é um valor comum e basilar da nossa vida colectiva, que nos situa política e culturalmente na Pátria.

A Autonomia é dinâmica, em dois sentidos. Primeiro, porque possui espaço para evoluir e aperfeiçoar-se sem colocar em causa a unidade nacional. Segundo, por ser um valor estruturante, não deve restringir-se ao conceito político ou à actividade político-partidária e governativa (poder). Deve ser derramado por todos os sectores de actividade neste arquipélago, de forma a ser vivenciado e interiorizado por todos os cidadãos e instituições. É a melhor defesa da Autonomia.

Cidadãos mais autónomos e auto-determinados gera uma sociedade mais empenhada, mais livre, responsável e empreendedora, capaz de, na medida das possibilidades inerentes à insularidade, ser capaz de comandar o seu destino, assumir opções e construir o futuro, da forma mais auto-sustentada possível.

Os desafios são imensos e a Educação assume um papel decisivo, para elevar os níveis de qualificação e as aptidões da população da Região. A sociedade madeirense ainda não assumiu a Educação escolar como prioridade, para além do horizonte imediato da sobrevivência material.

O conhecimento e a escolaridade continuam a ser desvalorizados e tarda a elevação dos níveis de qualidade da escola, em que a disciplina, o rigor, o esforço e uma atitude positiva perante o trabalho intelectual (escolar) são decisivos. Além da conquista de bem-estar, a Autonomia faz sentido para sermos melhores e mais competitivos.

A Madeira precisou de um braço-de-ferro para conseguir vantagens para a Madeira nos pós-25 de Abril de 1974, face a um certo centralismo arreigado. O essencial não é o estilo da reivindicação, mas o espaço negocial deverá ser privilegiado.

A Autonomia não é algo garantido nem se coaduna com ilusões ou facilitismos, que o bem-estar material das últimas duas décadas pode induzir.

Os líderes e as instituições, sem provocar pessimismo ou desistência, deverão preparar os madeirenses para os desafios, as exigências e as dificuldades, actuais e futuras, com base nos valores da Responsabilidade e do Trabalho.

A Autonomia deve procurar responder aos anseios da população madeirense, alguns dos quais são passíveis de serem concretizados e suportados pela própria Região.»

(Texto escrito na qualidade de dirigente do Sindicato dos Professores da Madeira, que serviu de base ao apontamento no Jornal da Madeira)

À procura da retoma...

... é melhor esperar sentado.
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Enquanto o governador do Banco da Inglaterra avisou hoje que a recuperação económica será lenta e penosa, o ministro das Finanças português, Teixeira dos Santos, afirmara ontem que os indicadores de clima económico do INE são “os primeiros sinais” de que a “a crise vai acabar, não vai durar sempre”, lendo “sinais francamente positivos” de retoma.

São expectativas ilusórias, quando se sabe que os indicadores hoje são piores do que nos anos 30, com risco de cairmos em deflação (inflação negativa), da qual é bastante difícil sair. A recuperação da crise de 1929 só aconteceu depois da II Guerra Mundial, isto é, após 1945.

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Elementos sobre o Estado da Escola Pública 44: a roda já está inventada

Apliquem-se modelos de diferenciação pedagógica, prestem-se apoios, valorize-se a singularidade, mas NUNCA se dispense o trabalho, a disciplina e a responsabilidade do estudante no seu próprio percurso escolar, porque esses valores são os alicerces do seu progresso e sucesso. Ignorar isto é render-se ao facilitismo, à ilusão e à exclusão.
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João Formosinho deu uma entrevista ao Jornal da Madeira (29.6.2009) e levanta algumas questões importantes.

Destacamos esta frase, pela sua centralidade: «Não podemos viver [na escola] num oásis à parte em que todos nós somos iguais e carinhosos uns com uns outros porque sabemos que a sociedade [isto é, a realidade] não é assim».

Saudamos este pragmatismo deste professor catedrático do Departamento de Ciências da Educação da Criança do Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho. Apesar de a escola pública ter de atender e dar resposta aos vários públicos estudantis, com diferentes pontos de partida, culturas, interesses, objectivos e ritmos de aprendizagem (em que o professor tem tanto de avaliar o progresso dos estudantes como seleccionar os melhores), uma coisa é certa:

NÃO pode haver qualquer cedência no que toca à atitude dos estudantes perante o trabalho escolar, à exigência de empenho e disciplina para que se criem condições básicas para o bom decorrer do processo de ensino-aprendizagem.

Ser um estudante desfavorecido social e culturalmente ou ter problemas emocionais deve dar direito aos apoios possíveis, na escola e fora dela, para que se minimizem as inadaptações desses estudantes à cultura escolar e se compense o facto de partirem mais tarde ou mais detrás do que outros estudantes, nomeadamente aqueles oriundos das classes médias e médias-altas.

Ser um estudante desfavorecido social e culturalmente ou ter problemas emocionais NÃO deve nem pode dar direito à atitude negativa perante o trabalho escolar, à indisciplina, à irresponsabilidade, ao laxismo e ao facilitismo.

Bem pelo contrário, a complacência e a não exigência de esforço, trabalho, responsabilidade e disciplina nunca fará evoluir o estudante desmotivado, com menor cultura/apetência para o estudo, e nunca será sinónimo de escola inclusiva. Ter os alunos dentro dos muros da escola não significa, necessariamente, inclusão, se estiverem excluídos da aprendizagem, do saber, das competências que precisam para a vida e que a sociedade actual exige. Se estiverem excluídos dos valores da disciplina, do rigor, do trabalho e da responsabilidade estarão excluídos da vida real.

A escola de massas e para todos não tem de significar a decadência da qualidade da escola, o que seria uma contradição com aquilo que o tempo actual exige. Há um conhecimento geral e básico que todos devem ter, ponto final. Ser pobre não é impedimento para a criança e jovem ser disciplinado, responsável e empenhado (trabalhador) na escola.

O resultado é que, desde às classes sociais mais desfavorecidas às mais altas, embora por razões diferentes, estão todos descontentes com a escola pública. O laxismo e o facilitismo falsamente inclusivo e integrador não serve a ninguém.

Os modelos de organização, de avaliação, de ensino, os currículos, entre outros aspectos, podem ser alterados, mas nada disso assegura que quem não queira aprender, seja indisciplinado e tenha uma má atitude perante o trabalho escolar aprenda algo de válido.

Em vez de se tentar reinventar a roda, aquilo que é óbvio e já existe, coloquemos as pessoas a trabalhar nas escolas para aprenderem mais e melhor. Além disso, claro, apliquem-se modelos de diferenciação pedagógica, prestem-se apoios, valorize-se a singularidade, mas NUNCA se dispense o trabalho, a disciplina e a responsabilidade do estudante no seu próprio percurso escolar, porque esses valores são os alicerces do seu progresso e sucesso. Não há modelo de organização pedagógica que dispense essas pressimas/valores no estudante.

Os três motivadores que existem é o interesse (amor), esperança e medo. Quando o estudante não gosta da disciplina, não tem esperança ou perspectiva que isso lhe traga algo de bom no futuro, resta o medo. Daí que transformem os professores em polícias (medo) na sala de aula. Entretanto, aprende-se pouco e mal. É o deixa andar até à implosão.

Elementos sobre o Estado da Escola Pública 43: menos estatística, mais exigência

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«Outro dos campos de reforma profunda deverá ser na educação. O PSD votou no Parlamento, com o resto da oposição, pela suspensão do novo regime de avaliação dos professores. E também, por várias vezes, acusou o Governo de Sócrates de estar obcecado com as estatísticas do insucesso e do abandono escolar, desguarnecendo a exigência sobre os alunos. Um programa do PSD deverá incluir uma reforma curricular profunda de forma a inverter as prioridades.» (Diário de Notícias)

Recorde-se que o outro partido de direita, o CDS-PP, defende que se deve «restaurar a autoridade dos professores» nas escolas, cada vez mais dominadas pela indisciplina e a atitude negativa perante o trabalho escolar.

Na moção de censura, o partido de Paulo Portas referia ser «irresponsável o ataque generalizado à função do professor e uma política educativa exclusivamente interessada em estatísticas virtuais, sacrificando o mérito, o rigor e a excelência a critérios de laxismo, facilitismo e mediocridade».

O actual Governo da República fez um erro grave ao ter desresponsabilizado o aluno do seu papel no processo de ensino-aprendizagem e ter insistido no laxismo e no facilistismo. Ainda por cima dourando as estatísticas e baixando o nível de exigência dos exames, na vontade política de mostrar os resultados que não existem e que não correspondem à realidade.

Uma certa esquerda tem esta tendência para o laxismo e facilitismo. Também uma certa direita, mas veremos o que fará em 2009 a direita portuguesa (continental). Não é que eu coloque muita esperança, porque o essencial das políticas manter-se-á, sobretudo no que toca à carreira e modelo de avaliação dos professores. Toda a gente se lembra da polémica passagem de Manuela Ferreira Leite pelo sector da Educação...

Se houver mais responsabilização de estudantes, encarregados de educação e escolas já não será mau, mas face à chamada maioria sociológica de esquerda do nosso País, os partidos de direita serão sempre comedidos na disciplina e na exigência de trabalho nas escolas. Há uma cultura vasta e politicamente correcta favorável à bandalheira que é difícil contrariar sem perder peso eleitoral.

Domingo, Junho 28, 2009

Assalto em pleno green do Campo de Golfe

Assalto em pleno campo de golfe é um belo cartão de visita, tal como os assaltos a turistas nas Levadas.
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Duas cidadãs estrangeiras foram assaltadas em pleno Campo de Golf do Santo da Serra, na passada sexta-feira, quando os seus pertences (carteiras e respectivo conteúdo) desapareceram do transporte (buggy) em que se faziam deslocar pelo campo. Bastou uma breve distracção a tirar umas fotografias.

Evitar financiamentos e dívidas

Não endividar-se é o mais seguro e sensato, segundo Nassim Nicholas Taleb, um dos poucos que previram a actual crise financeira. Voltamos a velhos valores da nossa cultura mediterrânica em que comprar sem ter o dinheiro efectivo para o pagar era visto como algo negativo.
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Nassim Nicholas Taleb aconselha as pessoas a diminuir as suas dívidas e a recusar financiamento, tal como acontecia com os povos mediterrânicos, em que o endevidamento era encarado como algo negativo. No seu entender, gera um crescimento menos rápido, mas mais seguro e robusto. É regressar a esses valores que o autor defende. A melhor forma de lidar com a imprevisibilidade.

«Let's go back to roots. Let's do real things. Let's have more transparency, fewer complicated products we don't understand. Let's generate economic growth by old traditional ways, let's favor technology companies, let's not favor all this financial bulls. Because it was a Ponzi scheme [na origem da actual crise financeira, económica e social], I don't know any other way to call it.» (Time, 24.10.2008)

Isto significa contrariar as práticas mais recentes ligadas a enormes dívidas, financiamento e riqueza especulativa, e apostar mais na poupança ou investir em produtos financeiros de pouco ou nenhum risco.

Parece dar mais razão a figuras como Manuela Ferreira Leite, que defende e prioriza a diminuição da dívida do país e do ritmo do investimento público, do que àqueles que defendem o investimento público em grande escala para diminuir o desemprego a breve trecho, com o consequente aumento da dívida externa de Portugal.

«Individuals [e os Estados, diríamos também] should think about the worst-case scenarios and plan for them. The world will be crazier than you think it will be. Put money away, and then you can live with much more freedom.» (Newsweek, 24.11.2008)

Acabou de ser lançado no nosso país o livro O Cisne Negro da autoria de Nassim Nicholas Taleb.

Sábado, Junho 27, 2009

Morte salva Michael Jackson do regresso (destruição da lenda)

É recorrente esta ideia de que boa música existia apenas antigamente e que no presente há um deserto criativo. É uma ideia destrutiva do consumo de nova música e faz com que a indústria aposte em sacar o dinheiro dos melómanos de meia-idade com os regressos (numa manifesta falta de gosto) dos grandes do passado.
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«Infelizmente, as coisas boas da música estão a desaparecer», disse ao Diário Marino de Freitas, músico e compositor madeirense, a ropósito da morte de Michael Jackson.

É recorrente esta ideia de que boa música existia apenas antigamente e que agora, no tempo presente, há um deserto criativo. É uma ideia destrutiva do consumo de nova música.

Isto mais não é do que as pessoas a serem ultrapassadas pelo tempo e a ficarem presas, saudosística e nostalgicamente, à música que ouviram na juventude, fechando-se à música nova que sai todos os dias. A idade tende a tornar as pessoas conservadoras.

Eu gosto, ouço e redescubro grandes artistas do passado, mas não passo a maior parte do tempo a ouvi-los. Não devemos cegar para o presente e futuro, cheios de possibilidades e talentos.

Aliás, as editoras estão a ler bem a nostalgia de uma determinada geração e a apostar no regresso de grandes bandas do passado, para sacar o dinheiro a esses fãs de meia-idade com poder de compra. O que é legítimo, ainda por cima se as duas partes ficam felizes.

Tais regressos, na moda, não fazem sentido ainda pela destruição de mitos ou lendas que provocam e, na maioria dos casos, fazem figuras tristes de si próprios, numa prova de enorme falta de gosto, não conseguindo igualar as performances e a criatividade do passado. Tudo tem o seu tempo.

A destruição da lenda chamada Michael Jackson foi evitada com a sua morte. O seu desparecimento precoce impossibilita o regresso, para o qual são pressionados muitos artistas, que já deveriam estar na reforma ou a dedicar-se a outro tipo de projectos.

No caso do autor de Thriller, parece que a pressão do regresso terá contribuído para a sua morte. A sua saúde precária sofreu a derradeira pressão. Os lutadores têm de ter uma mente sã e um corpo são. Sem saúde e robustez (mental, física, emocional) é difícil sobreviver à enorme exigência da celebridade que conhecem os grandes artistas.

Randy Phillips, chefe executivo da promotora AEG Live, disse "I would trade my body for his tomorrow. He's in fantastic shape", quando desmentia, em Maio útlimo, os rumores sobre a fragilidade da saúde de Michael Jackson.

Os saudosistas e nostálgicos, que compraram os bilhetes para os 50 concertos, contribuíram para o aumento da pressão sobre a lenda da Pop. Espero que tenham a decência de não chorar o dinheiro do bilhete... 800 mil foram vendidos em cinco horas.

Cavaco Silva faz a vontade à maioria dos partidos em prejuízo do interesse nacional e dos cidadãos

Os interesses eleitorais dos partidos políticos não são sempre coincidentes com o interesse nacional e dos cidadãos. O Presidente da República deveria ter optado por defender o interesse destes e não o cálculo puramente partidário, mesmo que depois se sujeitasse a críticas dos senhores dos partidos. A posição da maioria dos partidos não é o critério mais importante.
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Dois pesos e duas medidas. O Presidente da República, que esteve muito bem em contrariar a vontade ou interesses partidários ao vetar, em 9 de Junho último, a nova lei do financiamento dos partidos (apontando “várias objecções de fundo” ao diploma, como o “aumento substancial do financiamento pecuniário não titulado” ou a possibilidade dos partidos obterem lucros nas campanhas) esteve mal em fazer agora a vontade à maioria dos actores partidários, no que toca à marcação da data das eleições legislativas.

Desconfiamos que essa nem seria o desejo de Cavaco Silva, mas deve ter ponderado mais a sua salvaguarda política, para não ser conotado com a posição do PSD, o único partido a defender legislativas e autárquicas em simultâneo, e evitar comprar guerras com as restantes forças partidárias.

Recorde-se que a lei do financiamento dos partidos, aprovada por todos os partidos - aqui se vê como olham o interesse nacional e a opinião dos eleitores - subia em mais de um milhão de euros de 22.500 para 1.257.660 euros o limite das entradas em dinheiro vivo nos partidos, bem como previa um aumento de mais de 55 vezes em relação ao tecto actual (aplica-se às quotas e contribuições dos militantes e ao produto das actividades de angariação de fundos).

Este abuso na utilização de dinheiros públicos foi muito bem vetado por Cavaco Silva (recorde-se também que na Madeira houve o famoso Jackpot...). No entanto, se tivesse optado por legislativas e autárquicas na mesma data, além de minimizar a abstenção, teria poupado esses mesmos dinheiros públicos. O Estado gastaria menos, mas também os partidos e os órgãos de comunicação social. Mas, os partidos estão mais interessados em gastar... sempre em nome da democracia, está claro...

E não me venham os partidos com a treta de que a democracia tem um preço. Achei piada o economista Francisco Louçã do BE, que se diz tão preocupado com os desempregados e os pobres, que tenha ridicularizado a poupança que se faria com a simultaneidade dos actos eleitorais. Disse, demagogicamente, que equivaleria aos gastos da iluminação de Natal na Avenida da Liberdade (Lisboa). Deveria antes ter proposto a poupança, em favor de quem mais precisa em tempo de crise, não aprovando a tal lei de financiamento dos partidos nem dois actos eleitorais separados, apesar de tão próximos.

Achei também piada ao CDS-PP, que aprova mais despesa com a defesa dos dois actos eleitorais em datas diferentes, mas que declara, na reacção à decisão de hoje de Cavaco Silva, que espera que os partidos façam campanhas contidas em termos de aplicação de recursos... Será para descargo da consciência?

Falsos moralismos e demagogia. Os senhores dos partidos ainda não perceberam que assim descredibilizam a Democracia. O perigo para a democracia não vem da simultaneidade de legislativas e autárquicas.

O Presidente da República deveria ter dado primazia à poupança de recursos em tempo de tão profunda crise e à minimização da abstenção, e não optando pelo mais cómodo ou politicamente correcto: a salvaguarda da sua posição política fazendo a vontade aos interesses partidários.

É claro que o PSD também defendia o seu interesse (também aprovou a tal lei escandalosa do financiamento dos partidos) ao defender a simultaneidade dos dois actos eleitorais, mas essa posição defendia ou coincidia melhor com o interesse nacional.

Duas eleições tão próximas vão-se misturar na mesma. O debate vai confundir-se na mesma. A qualidade da democracia depende mais da postura dos partidos do que mais dinheiro e espaço para a campanha.

Os senhores dos partidos acabam por nos dizer que os sacrifícios são sempre para os cidadãos, enquanto os partidos gastam à grande e à francesa. Invocam a defesa da qualidade da democracia para justificar o esbanjamento em campanhas eleitorais quando as famílias portuguesas passam por dificuldades. Depois dizem não compreender porquê a abstenção ou os votos em branco aumentam.

Governo sabia do negócio entre PT e Media Capital

É pouco credível que o Governo da República, com uma Golden Share na Portugal Telecom, não conhecesse o negócio em preparação entre a PT e a Media Capital. O semanário Expresso adianta hoje mais dados sobre o assunto. Com tiros destes nos pés, José Sócrates permite que o PSD se aproxime em termos eleitorais.

Sexta-feira, Junho 26, 2009

Governo socialista esteve bem em clarificar


Embora não sendo verosímil, se o Governo não conhecia, como reclamou ontem, o potencial negócio entre a PT e a Media Capital, acabou por ficar refém das circunstâncias (críticas recentes face a algum jornalismo da TVI) e ser compelido a travar a operação empresarial da PT.

José Sócrates veio anunciar, e muito bem em prol da transparência (criticámos a eventualidade de se querer calar a TVI), a oposição (veto?) do Governo à compra de parte da Media Capital por parte da PT, embora a razão invocada não tenha sido o interesse nacional ou empresarial, como frisou com oportunidade a presidente do PSD, mas sim a salvaguarda da posição ou imagem do próprio Governo: não se pensar ou não haver suspeição que queria interferir ou influenciar a linha editorial da TVI.

Embora não sendo verosímil, se o Governo não conhecia, como reclamou ontem, o potencial negócio entre a PT e a Media Capital, acabou por ficar refém das circunstâncias (críticas recentes face a algum jornalismo da TVI adverso ao Executivo) e ser compelido a travar a operação empresarial da PT.

Se conhecia o negócio, procurou dissimular o seu comportamento face ao negócio, o que é bem mais grave.

Em 2004, José Sócrates defendeu que o Estado não deveria ter directa ou indirectamente participação na comunicação social, para maior transparência, compreendendo-se, à luz desta postura, a lei para os media, que impediria, por exemplo, que o Jornal da Madeira continuasse a ser detido pelo Governo Regional da Madeira (mais detalhes nos links abaixo).

A lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social – aprovada em Janeiro de 2009 apenas com os votos do PS –, depois vetado por Cavaco Silva por considerar não haver urgência em legislar sobre esta matéria, impediria o Governo, governos regionais ou autarquias de serem proprietários de órgãos de comunicação social, excepção feita ao serviço público de rádio e televisão. Achamos que bem.

Recorde-se:
Quanto custa o «putativo pluralismo informativo» do Jornal da Madeira
JM cedido a privados para contornar lei do pluralismo dos media
Jornal da Madeira na corda bamba
«Sr. Silva» salva mais uma vez o Jornal da Madeira
«Sr. Silva» salva Jornal da Madeira
A realidade e não mais do que a realidade
Tentação de controlar a informação

Atitude mental e instinto primordial

"This is it. The final curtain call."
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"These will be my final show performances in London" anunciou a estrela Pop em Março último, quando a primeira das 50 datas teria lugar já no próximo dia 13 de Julho. "This is it. When I say this is it, this is it."

A pressão e o elevado consumo de medicação terão precipitado o fim precoce do ícone da Pop Michael Jackson.

A forma como as pessoas encaram as dificuldades da vida é o que marca a diferença entre os que vencem (com bem-estar pessoal) e quem é afectado ou derrotado pelas contigências. Tal como as plantas, há pessoas que se agarram e se alimentam do mínimo de húmus que encontram, nas circunstâncias mais agrestes, para se manterem vivos (e em paz consigo próprios). Outros baixam os braços, fecham-se, desistem. Além da atitude mental, poderá ter a ver com o instinto primordial de cada ser humano.

Nos meus dias de teenager, sem orientação musical própria ainda, cheguei a ter uma cópia em K7 do álbum Thriller. Cedo percebi que não era a minha cena, apesar de bem feito (gostava de "Billie Jean"), e a fita acabou por rodar muito pouco.

Recorde-se:
«Com um prognóstico invariavelmente fatal»

Robert Trujillo, a killer bass player






In the Guitar Hero III videogame soundtrack (Death Magnetic) we can finally hear Robert Trujillo's bass, something you can't do on the standard CD or vinil release.
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Recorde-se:
Compressão de som trama Metallica (Metallica victims of loudness) III

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Cabo do Mundo 7

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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa
May 24, 2009

Governo socialista quer calar TVI

O mesmo governo que tem tentado "fazer a folha" ao Jornal da Madeira, anda a tentar comprar parte da TVI por via da PT, a que pode não ser alheio o facto de aquela estação lhe ser incómoda, ao ponto de, eventualmente, afastar o director José Eduardo Moniz.

Como dá conta o Público, Manuela Ferreira Leite, líder do PSD, afirmou ontem na entrevista à SIC que seria “verdadeiramente escandaloso” e uma “interferência num órgão de comunicação social” se a PT comprasse parte da Média Capital, do grupo espanhol Prisa, e José Eduardo Moniz deixasse o cargo de director-geral da TVI.

Sobre uma eventual saída de José Eduardo Moniz do cargo de director-geral da TVI, facto que tem sido falado com alguma insistência, a líder do PSD afirmou: "Se neste processo for substituído o director-geral é gato escondido com corpo todo de fora e trata-se simplesmente de uma intervenção do Governo num órgão de comunicação social que, como ele [José Sócrates] disse várias vezes, lhe era incómodo. Eu acho isto gravíssimo para a democracia e para a comunicação social. Seria verdadeiramente escandaloso."

Curiosamente, quando ontem no parlamento nacional Diogo Feio, do CDS-PP, durante o debate quinzenal, José Sócrates foi questionado sobre a TVI e a PT, o primeiro-ministro ironizou dizendo que o CDS-PP queria que a linha editorial da TVI se mantivesse.

É claro que lhe fugiu a boca para a verdade. Sabemos o incómodo que a TVI tem causado ao governo, independentemente de se concordar ou discordar com a forma de fazer algum jornalismo na TVI. Por isso, José Sócrates confessa que não quer a manutenção dessa linha editorial e que pensa que os partidos da oposição querem que essa linha se mantenha.

Quem tanto brada contra a propriedade e controlo exercido pelo governo regional no Jornal da Madeira, quem fala em «opacidade da transparência», comete os mesmos pecados. O poder absoluto corrompe absolutamente. Ninguém é imune ao inebriamento do poder. O poder anseia naturalmente por mais poder.

Recorde-se:
Quanto custa o «putativo pluralismo informativo» do Jornal da Madeira
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Quarta-feira, Junho 24, 2009

Compressão do som trama Metallica (Metallica victims of loudness) III

Uma imagem pode valer mil palavras, mas pude também confirmar através das próprias ondas sonoras: Death Magnetic na versão do jogo de vídeo Guitar Hero III é bem melhor do que o som da edição discográfica do álbum, seja em CD ou vinil.
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A problemática foi já abordada noutros posts (recorde tudo a partir de Compressão do som trama Metallica), mas hoje estou em condições de retirar as conclusões definitivas.

A banda parece não se ter preocupado com os fãs que, perante o som comprimido de Death Magnetic, solicitavam a re-mistura («re-mixed» em oposição a «remixed) e/ou remasterização do álbum.

Daí a difusão na internet do álbum na versão que vem no Guitar Hero III, que não deve estar a agradar nada à banda ou à editora. «Audiophiles would be better off recording the songs from the video game than buying the album because the Guitar Hero version has far more dynamic range than the hyper-compressed CD version

Com os temas da edição standard (mp3) e as faixas do Guitar Hero, pude comparar, juntamente com outras pessoas, as duas versões e perceber a enorme diferença de qualidade, dinâmica e musicalidade. Agora posso apreciar o álbum. Logo que me apercebi do problema, nas vésperas do lançamento em 2008, cancelei logo a compra do disco em vinil ou em CD. Caso contrário, ainda hoje choraria o dinheiro.

Posso confirmar o que foi veículado na WIRED: «the CD is boosted as much as compressively possible, making it 10 decibels louder than the Guitar Hero version while completely bleaching out the dynamic range.» Depois de verificar a diferença de volume, tinha de ajustá-lo quando mudava de versão durante a comparação musical.

A faixa número 9, o instrumental "Suicide & Redemption", foi uma das utilizadas para o "estudo" comparativo. São estas as conclusões:

A parede de som da versão standard empurra as guitarras (e a vocalização) para a frente, tornando-as mais presentes, proeminentes e dominantes que tudo o resto. Torna o som menos musical, mais duro e induz cansaço precoce no ouvinte, também pelo maior volume e distorção.

O som comprimido dá menos espaço aos instrumentos, que surgem como que compactados e encavalitados uns nos outros (daí também a expressão «brick wall»), retirando espaço sobretudo ao baixo e à bateria, que perdem impacto e ataque. Esta soa mais seca e com menor profundidade. O baixo ouve-se menos, como que espalmado, e fica relegado para segundo plano. Soa tudo pouco natural sem a devida dinâmica de frequência.

O baixo e a bateria (baixas frequências) são abafados em favor da vocalização e da guitarra (médias-altas frequências). Até os pratos da bateria soam mais presentes e agressivos (mais em cima das médias-altas frequências) na versão standard. Na versão do Guitar Hero os pratos soam mais no extremo das frequências (agudos), mais suaves e naturais.

Na versão Guitar Hero o baixo e a bateria têm maior amplitude, são mais expansivos, redondos, mais profundos, mais naturais. Os instrumentos surgem todos nos sítios certos, bem separados uns dos outros e cada qual com imenso espaço à sua volta.

Em síntese, a gravação do jogo de vídeo sublinha as nuances, os contrastes, as transições, a diferença entre a sombra e a luz, entre os sons mais altos e os mais baixos. Mais natural. Mais musical.

Para um basshead como eu, era de facto uma tristeza não ouvir como deve ser a bateria de Lars Ulrich e o baixo de Robert Trujillo. Não percebo como a banda pode aceitar uma brincadeira destas, que interfere e condiciona a audição da música. Para impressionar mais na rádio, nos iPods ou nas jukeboxes?

Felizmente, a versão Guitar Hero circula na Internet e salvou a malta.

A propósito:
Death Magnetic, onde moram os graves?
Compressão do som trama Metallica (Metallica victims of loudness)
Compressão do som trama Metallica (Metallica victims of loudness)II
Because bass matters

O que outros disseram:

Death Magnetic sounds better in Guitar Hero

Para quem quer a dinâmica de volta aos discos:
Turn Me Up
Justice For Audio

Elementos sobre o estado da Escola Pública 42: vida fácil na escola e regras de vida para estudantes

Apesar dos alertas racionais e realistas, na forma da mais simples evidência, o FAZ DE CONTA no sistema de ensino continua na maior das descontracções... Olha-se para o lado para não termos a maçada de tomar as medidas (impopulares...) necessárias e limitamo-nos a criar ilusões.
photo origin

No livro Dumbing Down our Kids da autoria de Charles Sykes, editado nos anos 90, surge uma lista de regras que os estudantes não aprendem nas escolas. (Estas regras são muitas vezes, erradamente, atribuídas a Bill Gates.)

O mesmo autor tem outro livro em que expande essas regras que a escola do "tá-se bem" e do irrealismo deixou de ensinar aos estudantes: 50 Rules Kids Won't Learn In Schooltaking on the education system's "modern bubble-wrap mentality" of "no losing, no disappointments, no harsh reality checks," Sykes takes a hard-line but humorous approach to instilling the discipline, morals and good sense that keep kids from becoming "sulky, self-centered, spoiled brats."»)

O ensino facilitista e politicamente correcto, orientado mais para a auto-estima do estudante (amor próprio: nem estamos a falar de auto-confiança; a auto-estima é baseada em nada, não tem sustentação, enquanto a auto-confiança é baseada nalguma coisa) do que para a aprendizagem efectiva, criou uma geração de estudantes sem noção da realidade, fazendo com que falhem na vida posterior à escola.

Os jovens são vistos como sendo tão frágeis que precisam estar isolados da realidade, dos problemas, dos desafios, dos desapontamentos, das suas frustrações, das suas limitações e insuficiências. Daí que o que importa é o estudante ter um ego insuflado, esteja centrado em si próprio e se ame a si mesmo acima de tudo.

Curioso que toda a gente reconhece razão ao autor, mas não se consegue transpor tal clarividência para o concreto. As escolas estão transformadas em locais de faz de conta, de laxismo, de facilitismo, uma espécie de limbo separado da realidade, em que os jovens não assumem as suas responsabilidades enquanto estudantes nem reagem às dificuldades. Parece que o Ocidente enveredou, de uma forma geral, por educar as novas gerações nesta alienação da realidade e insuflá-los de "auto-estima" Em Portugal, o faz de conta e o laxismo atinge valores alarmantes.

Antes da recente crise dos mercados financeiros toda a gente fazia de conta que estava tudo bem e que o falso bem-estar económico e social, fruto da especulação, iria durar para sempre. Os que vaticinavam a crise foram alvo de chacota e ridicularizados. A escola no Ocidente também desvia o olhar para não ver a realidade, mas mais tarde ou mais cedo vamos ser confrontados com essa mesma realidade.

Há hoje uma cultura geral sobre a educação tão impregnada nas sociedades ocidentais (sobretudo nos professores, depois das lavagens ideológicas que sofreram na formação inicial ...) que quem diz que o rei vai nu é logo visto como louco. Há mesmo cidadãos política e ideologicamente bem de direita que defendem, na educação, as maiores balelas esquerdistas que dão corpo a muito do laxismo/facilitismo actual nas escolas públicas.

Transcrevemos então 11 dessas regras de Charles Sykes (pode ouvir entrevista ao autor), traduzidas em português:

1
A vida não é fácil, acostuma-te a isso.

2
O mundo não está preocupado com a tua auto-estima. O mundo espera que tu faças alguma coisa útil por ele ANTES de te sentires bem contigo mesmo.

3
Não ganharás 40 mil euros por ano assim que saíres da escola. Não serás vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição antes que tenhas conseguido comprar o teu próprio carro e telefone.

4
Se achas o teu professor rude, espera até teres um Chefe. Ele não terá pena de ti.

5
Fritar hamburgers num restaurante não está abaixo da tua posição social. Os teus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam-lhe oportunidade.

6
Se fracassares, não é culpa dos teus pais. Então não lamentes os teus erros, aprende com eles.

7
Antes de nasceres, os teus pais não eram tão críticos ou chatos como agora. Eles só ficaram assim por pagar as tuas contas, lavar as tuas roupas e ouvir-te dizer quanto és porreiro. Então antes de salvares o planeta para a próxima geração, querendo consertar os erros da geração dos teus pais, tenta limpar o teu próprio quarto.

8
A tua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas já não repetes o ano e tens quantas hipóteses precisares até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA com a vida real.

9
A vida não é dividida em semestres. Não terás sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados te ajudem a cumprir as tuas tarefas no fim de cada período.

10
A televisão NÃO é a vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o bar ou a discoteca para ir trabalhar.

11
Sê simpático com aqueles estudantes que os demais julgam que são uns marrões. Existe uma grande probabilidade de vires a trabalhar PARA um deles.

A propósito:
41: «Zona de esforço não negociável»
40: Responsabilizar outros actores e não só os docentes
39: Professor bode expiatório
38: Bandalheira instalada na pública favorece a privada
37: Défice de atenção e insucesso escolar
36: Demasiado tempo (não rentabilizado) na escola
35: De utopia em utopia até ao laxismo total III
31: Responsabilizar os estudantes pelo seu desempenho
30: Onde falhamos nós no público
29: Regras e responsabilização das crianças
28: Inflacção de notas
27: Responsabilização
26: Inconformismos
25: Enfrentar a realidade antes que ela nos engula
24: Laxismo e facilitismo significam exclusão social
23: Leste arrasa postura desculpabilizante
22: valores do Trabalho e da Responsabilidade moribundos na escola
21: Intervir contra a indisciplina III
20: Intervir contra a indisciplina II
19: Intervir contra a indisciplina I
15: Violência (des)camuflada IV
13: violência camuflada III
12: violência camuflada II
11: Racionalidade e realismo precisam-se
10: educação infantil em Portugal (Eduardo Lourenço)
9: nem ditadura por disciplina nem a ditadura da indisciplina
7: violência camuflada I
1: condições de trabalho

Outros:
Complexos de esquerda = facilistismo
Laxismo pós 25 de Abril trama Educação
Escola ideal é diferente da escola real
Brincamos mesmo
País de brincalhões
Fomentos da indisciplina [quando o exemplo nem vem de cima]

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Cabo do Mundo 6

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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa
May 24, 2009

Eleições nos sindicatos de professores

Sob o título «PCP perde sindicatos», o SOL deste último fim-de-semana (19.06.2009) noticia o seguinte: «As eleições no sindicato dos professores da Grande Lisboa e da Madeira saldaram-se por derrotas das listas afectas ao PCP, o mesmo acontecendo na aviação civil. A estratégia de Jerónimo de Sousa de apear as direcções dos sindicatos que não seguissem a "linha dura" sofre assim importantes reveses.»

No interior do jornal, lê-se ainda que, «nos professores, as eleições na Grande Lisboa e da Madeira saldaram-se por derrotas das listas afectas à direcção do PCP, que se propunham afastar nas urnas as direcções formadas por militantes comunistas moderados e sindicalistas de outras tendências.»

Terça-feira, Junho 16, 2009

Rock > êxtase > experiência espiritual

Dan Graham: "I always thought - particulary because I was listening to hardcore - that rock 'n' roll comes out of using noise and the destructiveness of noise and sound, making it into something ecstatic. Where you can get in touch with God." (WIRE #304 June 2009)
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