«And some people say that it's just rock 'n' roll. Oh but it gets you right down to your soul» NICK CAVE

terça-feira, setembro 02, 2008

"Death Magnetic" pre-review (pré-análise)

Metallica in the "Ride The Lightning" days: o novo álbum inspira-se nos álbuns da década de 80, o que não é, necessariamente, um bom sinal.
Photo by Ross Halfin

A chegada ao mercado, no próximo dia 12 de Setembro, de Death Magnetic, o novo álbum de Metallica, tem muito significado para a cena do rock pesado, quer se goste ou não. Foi a banda que, muito por culpa do excelente Black Album (1991), levou o rock pesado - metaleiro às massas.

Death Magnetic, pelos temas já conhecidos, testemunha um regresso aos discos dos anos 80, a coincidir com o actual revivalismo thrash metal.

Além disso, segundo a banda, o produtor Rick Rubin (produtor de bandas como Slayer ou Beastie Boys) "mandou" os Metallica inspirarem-se nos discos mais antigos. «Asked a few months ago about his goals for Death Magnetic, Rubin said, simply, that he wanted the band to use their mid-1980s work as a stylistic starting point. "All of the things they have done since then end up taking the music into a new place, but this way it still holds on to the things that made those albums so powerful."»

A banda confirma-o à fonte já citada: "I think we successfully recalled the feelings of 'Master of Puppets' but with the knowledge of now," said Hetfield, somehow using the language of therapy to describe a soundtrack to the apocalypse. "We did a lot of looking forward but we kept looking in the rearview mirror."

Será que são bem sucedidos nessa conjugação do melhor da década de 80 com o melhor do passado mais recente (anos 90 - novo século) e da modernidade?

Alguém escreveu «Metallica is back to powering fast, central riffs, occasionally breaking ranks and tempo for some Iron Maiden-ish breakouts, then building to … you guessed it, the muscley solo from Hammett

A confirmar estas palavras, outra opinião: «Kirk Hammett regain his guitar hero status on Death Magnetic.» «Nobody puts Kirk Hammet’s guitar in the corner.» Significa que o ego do guitarrista venceu em detrimento (da música) da banda.

A expressão guitar hero causa-me arrepios. Foi a primeira coisa de que não gostei nos temas de Metallica já difundidos no You Tube. Deixou-me uma sensação que me levou a cancelar a pré-encomenda do disco em 5 LPs vinil. O formato CD standard chegará (na amazon.co.uk está à venda por £8.98 libras), pelo menos até à plena audição/avaliação do álbum.

Para mim não é bom sinal o Kirk Hammet ter reconquistado o seu estatuto de guitar hero no novo disco. A centralidade e abundância de solos de guitarra torna este álbum mais metaleiro, mais old school, apesar das roupagens mais modernas. Os metaleiros mais conservadores vão adorar.

Disse a Metal Hammer: «with galloping riffs and the return of guitar breaks rising up from out of the grooves you can hear the true Metallica spirit, even though its as if reflected in mirrored mosaic.»

Da audição, têm emergido palavras como «progressive, Slayer-esque, thrash, live, groove, massive and of course guitar solos».

Uma das coisas que sempre me chateou nos discos de metal old school, quando comecei a ouvir nos idos anos 80, era a abundância e prolongamento dos solos de guitarra, uma "guinchada" desconfortável, num exibicionismo afectado e pomposo para satisfazer instrumentistas com um grande ego, que retira intensidade e peso à música. Aumentava o volume para ouvir mais os graves mas os agudos dos solos de guitarra ficavam demasiado evidentes e agressivos.

Quando surgiu discos como o A Vulgar Display of Power de Pantera, Set It Off de Madball, Roots de Sepultura, Burn My Eyes de Machine Head, Demanufacture de Fear Factory ou o Solidify de Grip INC. eu delirei. «É isto mesmo que procurava» dizia para mim. Andava lá o elemento hardcore além do metal.

É a "mesma" intensidade e power que me atrai no death metal, com solos mais curtos, guitarra menos aguda (downtuned) e uma secção rítmica mais pujante e brutal. A bateria é mais cadenciada e faz uso intensivo da técnica de blast beat (técnicas herdadas do Jazz e Fusion) que emite um som semelhante ao de uma "metralhadora", ou então batida bate-estaca, similar à do hardcore, porém mais acelerada.

Não é à toa que me fui desfazendo, aos poucos, dos discos de metal clássico, como Iron Maiden, Manowar ou Judas Priest, e de guitar heroes como Yngwie Malmsteen, então muito em voga.

Quando das gravações de St Anger (2003), aconteceu o seguinte: «Hammett argued with drummer Lars Ulrich and producer Bob Rock that their then-new practice of writing songs without guitar solos was, umm, not to Hammett’s liking.»

«Arguing against the notion that guitar solos were “dated” Hammett ended up being dead-on when he said not having guitar solos dated Metallica’s music to that particular time.»

Não concordo com Hammet. Os discos de metal dos anos 80 estão mais datados do que os discos de punk, hardcore ou industrial, sem solos de guitarra a dominar as canções, da mesma época. Demasiados e prolongados solos de guitarra à guitar hero é um elemento que data os discos de metal.

Toda a comunidade metaleira diz mal de St Anger mas eu gosto bastante do disco. É um dos preferidos. Se calhar por não ser dominado por solos de guitarra ou não ser old school. É um disco mais progressista, ao contrário do novo Death Magnetic.

Não quer dizer que seja um mau disco, a julgar pelos temas já difundidos. Longe disso. É um bom disco, com certeza. Eles não falham. O que quero dizer apenas é que a direcção old school não é o que mais me agrada. Por isso, se assim se confirmar, não será o álbum que encha as medidas como o recente Conquer de Soulfly.

Mas, ao menos Death Magnetic terá um som melhor do que os discos dos anos 80, que têm falta de graves. Os bumbos da bateria e o baixo mal se ouvem no subwoofer. Mesmo em vinil. É uma frustração. E não sei se as novas edições remasterizadas em duplo vinil desses discos altera a situação.

1 comentário:

  1. Sempre fiquei com a noção que estes solos em guitarra excessivamente longos, aparentavam-me ser uma espécie de masturbação com guitarra por parte dos autores dos mesmos...

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