Dúvidas para a sociedade civil e quem de direito responder [actualizado 28.2]
Depois de ouvir a entrevista de Judite Sousa ao líder da Região e alguns peritos sobre as causas da tragédia de 20 de Fevereiro na Madeira, ficaram algumas dúvidas, fundamentadas segundo este cidadão, que os governantes e os peritos saberão, com certeza, esclarecer nos próximos tempos:
- Tendo nós conhecimento de 17 aluviões anteriores na Madeira, isso faz do aluvião de sábado passado uma tragédia anunciada?
- Tendo sido este o 18º aluvião que a Madeira sofre, que poderia ter sido feito antes deste e o que poderemos a partir de agora fazer para prevenir e minimizar as consequências humanas («com a vida das pessoas não se brinca») e materiais (com quem vê os seus negócios [património] de uma vida inteira prejudicados não se brinca») de futuros aluviões?
- Por mais ordenado que estivesse o território e reflorestados os cumes das montanhas não haveria sempre destruição de bens e danos pessoais, numa situação excepcional de precipitação como a do passado sábado?
- Um aluvião é sempre uma situação excepcional. Pode a Madeira preparar-se melhor para essas situções de excepção? Como? Ou não podemos fazer nada (se teremos de nos resignar) face a essas situações de excepção para evitar a magnitude dos danos pessoais e materiais do dia 20?
- Se a elevada densidade populacional faz com que se construa e fixem populações em leitos de cheia das ribeiras ou em locais com perigo de ecorregamento, que soluções existem para contornar este problema?
- Porque vieram detritos (lama e pedras) em tão grande quantidade pelas ribeiras abaixo? A erosão/desflorestação das serras ou os aterros terão alguma coisa a ver com isso?
- A obra privada licenciada pelas entidades públicas está dentro ou fora da obra feita desde há 30 anos na Madeira?
- As responsabilidades são exclusivamente da elevada precipitação? A acção (e muita obra) humana, nomeadamente das últimas décadas, não teve influência?
- As zonas de risco dos leitos da ribeiras continuarão a ser ocupados, inclusive por quartéis de bombeiros? Devem ser ocupados por equipamentos como jardins ou parques ou zonas para agricultura?
- O leito das ribeiras deve estar preparado para as situações normais ou para as situações de anormalidade e emergência (cheias) como no passado dia 20 de Fevereiro?
- As ribeiras estarem limpas foi importante, mas estarem ocupadas no leito natural de cheia ou cobertas será que ajudou a água e os detritos a se manterem dentro desse leito actual das ribeiras? E o estado dos muitos afluentes chamados de ribeiros?
- A canalização das ribeiras evitou catástrofe maior, pelo facto de terem contido a água no seu interior, nas zonas intermédias, entre as zonas altas e a baixa do Funchal?
- A foz das ribeiras, onde afluem e se concentram as massas de água de montante, não têm de ser as zonas mais largas e desimpedidas para a água e os detritos possam desaguar sem risco de bloqueio?
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