«And some people say that it's just rock 'n' roll. Oh but it gets you right down to your soul» NICK CAVE
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domingo, dezembro 16, 2018
sábado, setembro 08, 2018
Nós da contradição
| Horizonte na Calheta, Verão de 2018 |
Já sentiram Felicidade, Paz, Contentamento (por tudo o que já é e pelo que se perspectiva no horizonte) e, ao mesmo tempo, uma doce Nostalgia de algo que poderia ter sido (ou Melancolia das coisas perdidas)?
Se eu tivesse dúvidas quanto à minha profunda portuguesidade, tal sentimento contraditório dissipá-las-ia.
Afinal, «os nós da contradição / são os mistérios do Fado», como canta Paulo Bragança no EP "Cativo" (2018).
quinta-feira, junho 14, 2018
Dentro
“Se queres ver o Mundo inteiro à tua altura
Tens de olhar para fora sem esquecer que dentro é que é o teu lugar”
Jorge Palma
«Terra dos Sonhos»
photo origin
domingo, junho 10, 2018
sexta-feira, junho 08, 2018
Imunodeficiência face aos prazeres da música
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| David Scott Holloway (photo origin) |
«Como se pode ter uma relação, seja de que tipo for, com alguém assim, que não gosta de música?»
Anthony Bourdain
Expresso, Dezembro de 2010
terça-feira, março 20, 2018
Jack White deita mão a vários pratos e condimentos
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| Capa de Boarding House Reach (Março de 2018) |
«The new album sees Jack White expanding his musical palate with perhaps his most ambitious work thus far, a collection of songs that are simultaneously timeless and modern», é o que a informação da editora refere, que confirmamos já depois de ouvir o disco.
E diz mais: «The album explores a remarkable range of sonic terrain -- crunching rock 'n' roll, electro and hard funk, proto punk, hip hop, gospel blues, and even country -- all remapped and born anew to fit White's matchless vision and sense of restless experimentation. Boarding House Reach is a testament to the breadth of Jack White's creative power and his bold artistic ambition.»
É um disco super criativo, surpreendente e desafiante para o ouvinte. Não é tão directo como outros álbuns mais rock 'n' roll de Jack White porque Boarding House Reach é mais experimental e elaborado, com muitas nuances. Jack White deita mão a vários pratos e condimentos com a ajuda de vários colaboradores (ver lista aqui). Adoro o som retro conjugado com as sonoridades actuais.
domingo, março 04, 2018
Eternidade: chama-me pelo teu nome e chamar-te-ei pelo meu
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| Elio, em frente à lareira, digere a tristeza funda, silenciosa, serena, agridoce, que é ao mesmo tempo sentir-se a Morrer (perda) e sentir-se mais Vivo (êxtase) do que nunca |
Consta que Sufjan Stevens, singer/songwriter indie pop que compôs temas centrais da banda sonora de Call Me By Your Name, já andava há muito tempo a trabalhar em “Mistery of Love”, mas ainda não tinha encontrado forma de a terminar até a ligar ao filme. Um tema que faz referência a pássaros e a Hephaestion, a amante de Alexandre, o Grande. Valeu ao cantor uma nomeação para os Óscares 2018 e irá actuar na cerimónia.
«I wasn't really trying to get too literal with the film," diz ele. "I wanted the songs to stand on their own — partly because I hadn't seen the film, and didn't really know what the vibe was going to be. So I just did what I do, which is just write, you know, the typical forlorn love song that's based on these concepts from the film like first love, summer love, transcendence, but also deep sensations, deep feelings, sorrow — just that relationship between passion and confusion."
Este convite para entregar-se, ao que Luca Guadagnino chamou de «melancolia das coisas perdidas», estende-se a qualquer pessoa com um caso de amor no passado que valha a pena recordar, como nota o artigo no The Guardian que explica por que esta longa metragem deve ganhar o Óscar de melhor filme.
Ora, foi precisamente esse efeito "melancólico" que teve em mim (o nome do protagonista acrescentou ainda um efeito espelho: [n]Elio), além da beleza e sensualidade do filme, que é muito sensitivo, emotivo, com rara sensibilidade e vulnerabilidade. Percebo agora porque senti que tinha de ver este filme (independente da orientação sexual ser diversa: é uma história universal de amor). Percebi que ainda acredito. Eu já sabia, mas o filme fez-me voltar a confirmar quanta sorte tive em me apaixonar, e amar, como aconteceu num dado momento. Já nessa idade tinha a consciência da raridade de algo assim. Se calhar irrepetível.
Há muita gente que nunca vive esse sentimento de paixão a toda a largura do espectro da frequência emocional. O importante não era o "para sempre", sabia de antemão que não seria. O essencial era Viver o Momento, era Viver algo Raro e Único. Nem hesitei. Larguei tudo. Segui apenas o coração. Eu sabia que poderia ser uma oportunidade de uma vida. Um dez em dez. E até hoje a vida continua a confirmá-lo.
O autor de "Mystery of Love" referiu ainda: "Part of the reason why it was really difficult for me to finish it, lyrically and compositionally, until I had engaged with this project was because it's all about a kind of universal first love," disse. "And also knowing the finite nature of things, that nothing's forever. That's what's so amazing about this film, it's such a fully immersive engagement with a fleeting experience. It's a once in a lifetime event, and that's what first love is for most of us. It's unparalleled."
Por tudo isto, ao ver Call Me By Your Name senti o que um dos protagonistas estava a sentir quando da ausência ou partida do outro. É uma dor dilacerante, parece que mata. Ele olha a lareira na cena final, eu olhava o mar de Setembro e as primeiras chuvas, que me impediam de estar com o meu amor. Essa dor e essa tristeza não é estar chateado nem revoltado. Muito menos com o nosso amor. É uma tristeza funda, silenciosa, serena, agridoce. É sentir-se Vivo, é sentir êxtase. E pode isso alguma vez ser triste?
Não quis mal a essa tristeza feliz, pelo muito que me tinha sido dado e não queria mal à felicidade que senti. Nunca matei esse amor, essa alegria. O romance do filme, como o meu, foi no Verão. Foi esse contexto, e o impacto do primeiro grande amor, que inspirou, como se viu, Sufjan Stevens na composição do tema “Mistery of Love”. Sol e água como elementos centrais. Fui um filho da mãe com sorte, mas também soube responder à chamada, de corpo e alma (entrega incondicional). Só assim se transcende e eternizamos o momento.
Penso que tem muito a ver com as sensibilidades que se encontram. A vibração, a frequência, a entrega, a admiração. O amor é livre e selvagem. Gera-se ou não se gera a intensidade do sentimento. Há fogo ou não há fogo para alimentar o sentimento.
O pai do protagonista diz-lhe: "We rip out so much of ourselves to be cured of things faster than we should that we go bankrupt by the age of thirty and have less to offer each time we start with someone new. But to feel nothing so as not to feel anything — what a waste!"
É isto: a maioria perde-se na desilusão e deixa de investir, de arriscar, de entregar-se, de ir ao encontro do outro, com medo da rejeição, com medo de sofrer, com medo de morrer de amor, mas em troca ficam com uma mão cheia de nada: nada sentem. Há quem defenda que precisamos de morrer de amor para percebermos o que queremos da outra pessoa e o que temos para lhe dar. Faz parte da viagem existencial.
«Todos fugimos do amor [romântico]. Quando nos cruzamos com alguém que acende muitas luzes — e que sentimos que, de alguma forma, pode ser o nosso amor —, o nosso impulso não é correr atrás dela, mas sim fugir, como se as pessoas com quem sonhamos só existissem no nosso desejo e não fossem palpáveis, não tivessem um rosto e não fossem como nós.»
No filme Call Me By Your Name conta-se a seguinte história: «Farris is a young man fond of a princess. She is also fond of him. Although she does not seem to be fully aware of it and against friendship which flourish between them, or perhaps because of this strong friendship, the young knight finds himself very much unable to speak. Because he is totally incapable of addressing his love until one day the princess asked frankly: is it better to speak or die?»
Felizmente, mantenho em mim o meu ser do Primeiro Grande Amor: a mesma liberdade, a mesma sensibilidade, mas muito mais auto-conhecimento. Espero que maior capacidade amar. E que esteja disposto a falar, para não morrer — e poder morrer de amor.
O pai do protagonista diz ainda: "How you live your life is your business, just remember, our hearts and our bodies are given to us only once. And before you know it, your heart is worn out, and, as for your body, there comes a point when no one looks at it, much less wants to come near it. Right now, there's sorrow, pain. Don't kill it and with it the joy you've felt."
É a melancolia (valor, felicidade?) das coisas perdidas (ou serão eternas?) e das coisas que são finitas (ou serão infinitas?). E se calhar é assim mesmo que tem de ser. É assim que tudo faz sentido. Ser efémero não significa ser menos ou ter menor valor. Na peça Salome, Oscar Wilde escreve: "The mystery of love is greater than the mystery of death."
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"Visions of Gideon" e "Futile Devices", outros temas de Sufjan Stevens em Call Me By Your Name.
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"Mystery of Love" builds from Sufjan Stevens fingerpicking an acoustic guitar up an octave to the uncredited mandolin acrobatics of Chris Thile — "the greatest living mandolin player on the planet," according to Stevens — then adding piano and shimmering synth as well as some female backup singers, in a constant motion of hopeful and dreamlike ascent.
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sábado, fevereiro 24, 2018
Ouviu-os todos?
«Mas há por aí muita gente estúpida que quando entra no meu apartamento exclama: "Oh, tantos livros! Leu-os todos?".»
Umberto Eco
Expresso 20.2.2016
terça-feira, fevereiro 06, 2018
«A nossa casinha» por Fernando Ribeiro
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O Rock está aí por mais que lhe tentem passar um atestado de óbito, nota Fernando Ribeiro (Moonspell) a respeito da homenagem dos Metallica ao roqueiro Zé Pedro (Xutos) entoando "A Minha Casinha" (photo copyright Rita Carmo/Blitz)
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Já perdi a conta às vezes que o meu gosto e a minha improvável “profissão” de roqueiro (ou Metaleiro, como quiserem) foi posta em causa ou diminuída.
Semanalmente, os jornais, sites e publicações de música nacionais passam um atestado de óbito ao Rock.
Quando ele não morre, desaparece das suas publicações ou leva um carimbo diferente: de nicho de mercado, ler como uma coisa ultrapassada, para gente “fatela” e “burra” que não consegue aceitar nem compreender a ascensão da "Afro Lisboa", ou dos novos poetas eléctricos, ou do novo rock das caves e garagens lisboetas de gente desafinada, feia e sem talento.
Quando a maior banda de Metal do Mundo homenageia o melhor Rocker de sempre de Portugal, só temos de celebrar esse gesto e rendermo-nos à evidência de que o Rock, afinal, é uma família, sentada à mesa, a comer com as mãos, a beber da garrafa e a abanar a cabeça.
Que nojo, pensarão os editores de Lisboa, os cronistas de todo o peido que a Madonna dá (e com quem) e se o vai samplar no seu próximo disco. E enquanto continua esta evidente sobranceria, o nosso Rock vai desbaratando teorias de losers e wannabes das pistas de dança do Lux, com números e emoções indesmentíveis.
Porque o que custa a esta gente da música domesticada, é a nossa capacidade para sermos ingénuos o suficiente para pensarmos que o que os Metallica fizeram foi simplesmente lindo [no dia 1 de Fevereiro de 2018, no Altice Arena].
De chorar a pensar que a banda que ouvíamos entre as quatro paredes do nosso quarto pequeno dos subúrbios com os nossos dez amigos lá dentro, teve um gesto do caraças e mostrou toda a sua humanidade, calando todos quanto só já discutiam a especulação dos preços e a morte de um estilo que encheu, outra vez, a arena de todas as negociações.
O cinismo e o snobismo têm, de facto dominado a imprensa alternativa em Portugal. O pouco espaço nos jornais é usado para realçar coisas que no meu tempo nem se deixariam entrar em estúdio.
As colunas de intelectuais e musicólogos são, na sua maioria, um exercício onanista, desligado de qualquer tentativa de passar conhecimento, sugerir, melhorar a vida musical dos seus leitores.
Em bom Português eles odeiam que as pessoas ouçam música e que sintam emoções através de bandas que vendem milhões e que eles humilham nas suas crónicas pagas.
Porque acotovelarmo-nos num concerto de Metallica não é o mesmo que ir a um festival e encher o pescoço de passes laminados dados pelos sponsors.
Ir a um concerto dos Metallica é ir também ver o que passa, reencontrar amigos, dizer mal da banda, porque não, há muita gente que foi, que já nem ouve Metallica desde o fim dos anos 80.
No entanto, esteve lá, e esse estar lá é algo muito próprio do Rock, e que, ao contrário do que se escreve por aí, é a sua força, a força da presença. Da noção da importância de ter lá estado.
Em Lisboa, quando se fez a homenagem ao Zé Pedro (que bem a merece porque não olhou o Metal de lado e bem nos cruzámos em muitos dos concertos dos californianos), escreveu-se um momento que nunca se esquecerá: História. Ponto final, metal up your ass! Eu não estive lá. Continuo na estrada, hoje na Alemanha, a viver em pleno da coisa morta do Rock.
À distância, tenho vergonha do que se escreve sobre o Rock em Portugal. Apetece-me dizer coisas más, impublicáveis. Mas o Rock é magnânimo e perdoa a ignorância porque é a única música que não tem vergonha de ser o que é e os fãs sabem disso.
E enquanto a Madonna entretem os saloios de Lisboa até se fartar de Lx e se pirar; enquanto o kizomba invade as rádios e se prepara, a preço de ouro, a desforra Eurovision em Lisboa; no mundo real os Metallica encheram o Pavilhão, tocaram Xutos, nós por cá, bem obrigado,
Europa com salas esgotadas, dezenas de bandas de Metal a fazerem o mesmo, por todo o mundo.
O mundo: a nossa casinha.
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Fernando Ribeiro, músico e líder dos Moonspell, no Jornal de Leiria (5.2.2018)
segunda-feira, dezembro 25, 2017
«A arte é única coisa que me mantém totalmente são e estável»
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| Paulo Furtado, The Legendary Tigerman, fotografado por Tiago Miranda (Expresso Online 24.12.2017) |
«[O mais importante na minha vida é] o trabalho e a criatividade. Sou muito romântico e acredito no amor, acho que é uma parte fundamental da vida. Mas, na realidade, a única coisa que me mantém totalmente são e estável mentalmente é a arte, e como tal não posso dizer que seja outra coisa. Nos piores momentos, nos piores dias, o que me traz ao de cima é a minha arte. É fazer uma canção, escrever um poema, fazer uma fotografia... Há uma pulsão qualquer para esse tipo de comunicação com o mundo. Talvez tenha a ver com o puto solitário que ficava em casa a desenhar oito horas por dia em vez de sair para brincar.»
«As fases mais difíceis estão sempre associadas a rupturas emocionais. Quando se desiste de relações, há outras coisas que se perdem. Há que reconstruir tudo outra vez.»
«Tudo o que faço tem por base a crença no amor, na amizade, na arte.»
Conexões:
«Ainda bem que não me enquadro»
«A revelação do amor é uma revelação de carência»
«Ainda bem que não me enquadro»
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| Paulo Furtado, The Legendary Tigerman, fotografado por Tiago Miranda (Expresso Online 24.12.2017) |
«Antes olhava sempre para esta coisa de ser um inadaptado como uma grande seca. Agora já não sinto necessidade de me enquadrar. Pelo contrário, ainda bem que não me enquadro, ainda bem que consigo fazer as coisas como eu quero.»
«Não era fácil, para mim, relacionar-me com as pessoas, começar uma conversa. Não é por acaso que sou durante 15 anos one-man band. É óbvio que isso me remete para a infância, para o miúdo que brinca sozinho e que consegue estar fechado durante sete horas numa sala de ensaio a mecanizar gestos, a fazer a coisa menos interessante do mundo. [...] Fui percebendo, paralelamente à maluqueira da adolescência, que a forma que tinha de comunicar passava pela escrita, pelo desenho, pela arte... [...] A arte [permitiu] enquadrar-me no mundo».
«Sempre me senti desenquadrado. Creio que houve momentos em que não me enquadrava muito bem em nenhum lugar.»
«Com o tempo, fui aprendendo a esconder a timidez, a ser maluco, extrovertido... [...] Comecei por me relacionar, por ter um grupo de amigos, por sentir que pertencia a um lugar. Nunca pensei nisto antes, mas agora percebo que foi a parte extrovertida da minha personalidade que me permitiu pertencer a algo».
«Sempre fui o miúdo mais tímido e isolado do mundo. De um momento para o outro, saio dessa timidez e passo a ser o miúdo mais popular e mais maluco.»
«[H]á uma parte de mim que tem um certo pavor da dependência».
«[S]e tivesse feito outra coisa qualquer totalmente sozinho, ia mesmo ser um gajo solitário e triste, fechado num ateliê. Precisava de enfrentar a minha solidão e forçar-me a contrariá-la. Senti que a música podia ajudar-me a ser de outra maneira, a não ser uma pessoa tão isolada, tão fechada em si mesma... [...] A música foi a única forma que encontrei de não me tornar o gajo mais solitário do mundo. [...] Apesar desta dor toda, do palco e da tragédia do artista tímido, eu sabia que era aquilo que queria fazer.»
«[O] puto solitário que ficava em casa a desenhar oito horas por dia em vez de sair para brincar.»
Conexões:
É independente quem não tem medo da solidão
«Sozinho um homem ganha espessura»
Solidão radical é inerente à natureza humana
Prazer de uma liberdade
terça-feira, janeiro 31, 2017
Revivalismo dos formatos físicos da música
| photo: nelio de sousa 2017 |
O revivalismo nos formatos físicos também acontece por via da cassete, além do vinil: Cassette tape album sales grew 74% in 2016. A cassete foi o formato em que comprei e ouvi a primeira música. O walkman foi a minha primeira aparelhagem. Para nem falar das muitas compilações caseiras feitas em cassete.
Na era digital, percebe-se que a presença física e o contacto com o objecto são importantes e explicam, em boa parte, tal revivalismo. E o CD continua a vender bem. Os objectos de estimação são um conforto emocional para as pessoas. E ainda mais quando contêm Arte.
À cassete, seguiu-se o meu consumo de música em vinil e depois em CD. E apenas em CD desde há dois anos, por uma questão de custo e por ser mais prático. Quando muitos se (re)viravam para o vinil, rendi-me, finalmente, ao CD, até para não "sofrer" por comparação com o som do vinil. Com um som da aparelhagem para o "quente", analógico, com bons graves, e médios/agudos suaves, o CD soa muito bem.
Apesar do download ilegal ter-se generalizado, continuo a comprar música, uma forma de retribuir aos artistas aquilo que me dão e de terem capital para gravarem novos discos.
quinta-feira, janeiro 12, 2017
Exploding Hendrix
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| «Exploding Hendrix» (1968) de Martin Sharp, que ilustra, visualmente, a música e actuação electrizantes do autor de Foxey Lady |
terça-feira, outubro 25, 2016
Cantar os seus males para os espantar
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| Bob Dylan |
«What made the real blues singers so great is that they were able to state all the problems they had; but at the same time, they were standing outside them and could look at them. And in that way, they had them beat. What's depressing today is that many young singers are trying to get inside the blues, forgetting that those older singers used them to get outside their troubles.»
Bod Dylan citado por Nat Hentoff, num texto incluído no booklet do álbum The Freewheelin' em CD, reedição de 2003, sobre o tema Down The Highway (Well, I'm walkin' down the highway / With my suitcase in my hand / Yes, I'm walkin' down the highway / With my suitcase in my hand / Lord, I really miss my baby / She's in some far-off land). Bob Dylan menciona que o que pensa sobre os blues aprendeu-o com Big Joe Williams.
É isto que também fazem os real fadistas: derrotar ou espantar os males ao cantá-los. Cantá-los permite o distanciamento.
segunda-feira, outubro 17, 2016
True love
«a man hasn’t found true love until he finds the woman who will hang on to his arm the way Suze Rotolo hangs on to Dylan on the front cover of Freewheelin’» (The Guardian, October 16, 2016)
This is a sentence from an extract from Do You Mr Jones: Bob
Dylan with Poets and Professors, edited by Neil Corcoran (Chatto and Windus)
quarta-feira, setembro 14, 2016
Canto de alma por Chavela Vargas
Este canto de alma por Chavela Vargas é brutal. “La Llorona”, gravada em 1993 por Chavela Vargas, integrou a banda sonora de «Frida» (2002), sobre a pintora Frida Kahlo. Estas duas mulheres mexicanas foram amigas próximas.
terça-feira, setembro 13, 2016
Narrativa para dar sentido à vida
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| Nick Cave como protagonista do filme One More Time With Feeling |
Andrew Dominik, o realizador de One More Time With Feeling com Nick Cave como protagonista, refere uma importante função da arte e da ficção:
«I think the function of narrative, or the function of fiction is to make sense of things that are incomprehensible. I think that the instinct behind all art, I mean, we live in a chaotic situation and we ascribe meaning to it just like telling ourselves a story. What's going on in both the film [One More Time With Feeling] and the record [Skeleton Tree] is that narrative has been abandoned, in favor of a direct collision of images and words, which is what poetry is. I'm not sure that the film really has a narrative. It's supposed to be an experience» (Noisey 13.9.2016).
Ao fim ao cabo, uma biblioteca, uma galeria, uma sala de concertos, uma igreja, um comício, uma causa, um livro, uma canção, um poema, entre outros espaços de vida, partilham uma função primordial: oferta de uma narrativa com significado, que faça sentido e seja compreensível. Torna-se num auxílio para encontrarmos o sentido da existência, o contraponto luminoso com o absurdo e o sofrimento existenciais, e nos sentirmos em paz e equilíbrio.
terça-feira, agosto 23, 2016
Hardwired: Metallica pungentes aos 35 anos de carreira
O tema de abertura do novo de Metallica, o décimo álbum, que chega em Novembro, é super rápido, preciso, conciso, poderoso e badass (ao vivo há três dias: https://youtu.be/1k5_1HbecsM). Causa impacto, mesmo a brotar das pequenas colunas do computador. Soa ainda catchy e musical. Se o disco anterior foi mais Master Of Puppets/...And Justice For All, este primeiro single é mais Kill 'Em All.
O resto do disco (duplo) não se sabe como será... se perde ou não intensidade nas faixas mais longas... Lars disse isto: «Most of the songs are simpler. We introduce a mood and we stick to it» (http://www.rollingstone.com/…/metallica-on-how-kill-em-all-…). Bom prognóstico. E espero que se ouça melhor o baixo do intenso Robert Trujillo a trovejar neste álbum.
Optam por voltar ao thrash (clássico ou datado) dos anos 80, desta vez
pela mão do produtor Greg Fidelman, sonoridade para onde não estou
virado - prefiro o som do Black Album (1991) e St. Anger (2003).
Contudo, faz as delícias dos fãs de Metallica dos primórdios, que só se
reconciliaram com o som da banda em Death Magnetic (2008). Não posso
exigir que a maior banda de metal do planeta responda aos meus padrões e
preferências actuais quanto ao rock pesado.
Se este disco não for lixado no som como o anterior (pouca proeminência da secção rítmica, baixo e bateria, devido à compressão sonora ou loudness: http://olhodefogo.blogspot.pt/2008/09/compresso-do-som.html) já é bom... O facto de ser editado pela própria editora da banda é um sinal de maior controlo nesse e noutros aspectos. Loudness induz a perda das nuances, dos contrastes, a diferença entre sombra e luz, entre os sons mais altos e o mais baixos. É uma parede compacta de sons médios. Boring...
Nota
Os primeiros discos (Kill 'Em All - 1983, Ride The Lightning - 1984, Master Of Puppets - 1986, ... And Justice For All - 1988) têm um som fininho e, por isso, só ouço os temas gravados ao vivo (Live Shit: Binge & Purge /1993/ e Through the Never - Music from the Motion Picture /2013/), que têm melhor som (graves).
O pior é que a banda anda a reeditar esses discos com esse mesmo som fininho, quando deveria recuperar os graves da bateria e do baixo.
Death Magnetic nunca comprei devido ao loudness e gravei num CD a versão (audiófila), com mistura e dinâmica decentes, do jogo de vídeo Guitar Hero (estudo comparativo aqui pelo rapaz: http://olhodefogo.blogspot.pt/…/compressao-do-som-trama-met…). Esperemos que um dia reeditem o álbum com qualidade sonora.
Se este disco não for lixado no som como o anterior (pouca proeminência da secção rítmica, baixo e bateria, devido à compressão sonora ou loudness: http://olhodefogo.blogspot.pt/2008/09/compresso-do-som.html) já é bom... O facto de ser editado pela própria editora da banda é um sinal de maior controlo nesse e noutros aspectos. Loudness induz a perda das nuances, dos contrastes, a diferença entre sombra e luz, entre os sons mais altos e o mais baixos. É uma parede compacta de sons médios. Boring...
Nota
Os primeiros discos (Kill 'Em All - 1983, Ride The Lightning - 1984, Master Of Puppets - 1986, ... And Justice For All - 1988) têm um som fininho e, por isso, só ouço os temas gravados ao vivo (Live Shit: Binge & Purge /1993/ e Through the Never - Music from the Motion Picture /2013/), que têm melhor som (graves).
O pior é que a banda anda a reeditar esses discos com esse mesmo som fininho, quando deveria recuperar os graves da bateria e do baixo.
Death Magnetic nunca comprei devido ao loudness e gravei num CD a versão (audiófila), com mistura e dinâmica decentes, do jogo de vídeo Guitar Hero (estudo comparativo aqui pelo rapaz: http://olhodefogo.blogspot.pt/…/compressao-do-som-trama-met…). Esperemos que um dia reeditem o álbum com qualidade sonora.
terça-feira, agosto 02, 2016
Change
Sombrio, intimista, profundo, lúcido. Nick Cave dá voz ao trailer que anuncia o novo disco (Skeleton Tree) e o novo filme (One More Time With The Feeling):
“Most of us don’t want to change, really. I mean, why should we? What we do want is sort of modifications to the original model. We keep on being ourselves, but just hopefully better versions of ourselves.
But what happens when an event occurs that is so catastrophic that you just change?”
"A maioria de nós não quer mudar, na verdade. Porque havíamos de querer? O que queremos mesmo são modificações do modelo original. Nós continuamos a ser nós mesmos, mas porventura melhores versões de nós próprios.
Mas o que acontece quando há um evento tão catastrófico que nos faz mudar?"
terça-feira, julho 19, 2016
Imediatismo da música
![]() |
| «A letra sem a música não sai de uma sala, a poesia, por muito boa que
seja, não tem esse poder que a música tem de encantar as pessoas com
apenas duas notas» (Rui Veloso à Revista Açúcar do JM 9JUL2016) photo origin |
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