«And some people say that it's just rock 'n' roll. Oh but it gets you right down to your soul» NICK CAVE
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segunda-feira, outubro 07, 2013

Fruição de música e um trago de conhaque

A glass of Cognac when listening to music at home? "I myself on occasions have done this with excellent results"... É aquele calorzinho que abre a alma para a experiência musical
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"In a listening session would you, or would not have a drink?" Esta é a questão colocada no Audiogon Hub.

Quem investigou o assunto revela o seguinte: "I was curious how many audiophiles have a glass of wine or beer when listening to their system. I myself on occasions have done this with excellent results, although it’s not a habit."

Os «excellent results» são tentadores...

Alguns comentários ao tema: "[it] does seem to mesh me with the music even more"; "certainly, either scotch or red wine, when available and in moderate amounts, otherwise the sound stage would lose focus :)"; "A little weed allows me to get drawn further into the music."

Pelos vistos, não é só no acto de criação que o poder desinibidor de certas susbtâncias psicotrópicas tem um efeito "produtivo". Já Horácio, o grande poeta da Roma Antiga, numa ode, diz ao criado para trazer um trago de vinho, para soltar a inspiração...

Os relatos de melómanos e audiófilos parecem apontar no sentido de que a fruição de música acompanhada de um copo pode contribuir para aprofundar a simbiose entre Homem - Música (e som) e elevar a experiência... Será o empurrão necessário para tocar a transcendência?... ;)

A propósito (se vai molhar a boca, não o faça com um conhaque qualquer):
5 Best Cognacs For The Money – 10 Most Expensive

sexta-feira, novembro 12, 2010

Auditorium 3

Nova sala de chuto, para acentuar a dependência de música
Uma aparelhagem e uns bons discos de rock são um antídoto à vida estupidificante casa-trabalho-casa-sepultura.

Recorde-se:
Sala de chuto 2

terça-feira, agosto 03, 2010

Auditorium 2

Espaço dedicado à audição de música, já desmontado, após dez anos de actividade melómana
A qualidade do som e a acústica da sala têm o seu peso, mas não se pode ultrapassar o limite crítico de a audiofilia interferir com a degustação musical do melómano. A qualidade da aparelhagem interessa até ao ponto em que nos faça gostar mais da música que nos anima. Uma boa aparelhagem é aquela que estimula a paixão e aumenta o prazer em ouvir música. Caso contrário, de nada serve. Torna-se um impecilho. Quando obstaculiza a fruição da música, é tempo de parar e repensar o caminho.

quinta-feira, abril 01, 2010

Formato digital, aceitar e aproveitar as oportunidades

Álbum dos THE BLACK HEART PROCESSION, em formato USB. Por aqui caminha a desmaterialização da música

A indústria informática avançou mais do que a indústria musical nas últimas décadas e a agonia da segunda está à vista. O formato digital, em crescente qualidade, fez cair, abruptamente, as vendas da música nos formatos tradicionais, embora o vinil seja, neste momento, um nicho em ascensão.

Sou de uma geração que ainda comprou vinil e o CD. É natural que esteja apegado à posse e aos rituais de compra e audição dos discos. Mas as novas gerações não têm essa cultura e o formato digital é a coisa mais natural deste mundo. Têm outra relação com a música. Não é melhor nem pior. É diferente.

Isto para nem falar da qualidade sonora dos formatos, que passou a ser algo secundário na era do formato digital. É só para quem liga a detalhes.

Que fazer perante a realidade actual, em que é mais fácil fazer um download à borla do que comprar o disco?

Há quem diga que as pessoas habituaram-se a não pagar pela música que ouvem e que esse é um caminho sem retorno. Os artistas acabam por investir mais nos espectáculos ao vivo como forma de manter a viabilidade financeira.

Por mim, estou aberto ao formato digital (melómano a falar), desde que tenha, pelo menos, a qualidade do CD (audiófilo a falar) e os álbuns sejam mais baratos (consumidor a falar).

No outro dia dei por mim a pensar no sentido da posse da música em suporte físico. É caro, ocupa muito espaço, é mais difícil transportar, é preciso limpar o pó...

Devem ser os primeiros sinais de desapego material, em virtude da idade... O que interessa é a música, a Arte, não é assim?

«Vivemos estes tempos, é melhor começar a aceitá-los e ver o que eles nos têm para dar», afirma acertadamente Fernando Ribeiro dos MOONSPELL (LOUD Fevereiro 2010), a respeito destas e de outras mudanças.

terça-feira, março 02, 2010

The Godfather of Metal, Tony Iommi, and Monitor Audio speakers

O guitarrista dos Black Sabbath, Toni Iommi, usa colunas Monitor Audio, como aqui o rapaz
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«Toni Iommi, the ledgendary musician widely credited as having invented the sound of heavy metal, has joined forces with Monitor Audio to help promote the benefits of dynamic full-frequency music reproduction.

Over the years many famous people have owned a pair of Monitor Audio loudspeakers. But none is so genetically connected with Rock music as our newest endorsee. Tony Iommi is the founding member of Rock giants Black Sabbath and is acknowledged by his peers as having invented the sound of heavy metal.

The guitar supremo uses our current flagship model, the PL300s in a two-channel system, along with Radius HD and Gold GS10 for home cinema and studio duties respectively.

In a new Monitor Audio advertising campaign featured in Classic Rock magazine, the founding member of metal gods Black Sabbath is pictured with a flagship Platinum PL300 speaker.

Mr Iommi, who owns several pairs of Monitor Audio’s speakers, said “I'm delighted to be associated with Monitor Audio and I'm a huge fan of their products. If this helps to get great sound in front of a wider audience, then I’m all for it.”

Michael Johnson, marketing manager of Monitor Audio said, “we were looking for a new creative to showcase some of the technological audio advances we have made at Monitor Audio since the company was formed. We were keen to work with a musician and what better way than to team up with the inventor of some of the most recognisable guitar riffs in rock history?

Mr Iommi uses Monitor Audio's flagship Platinum PL300 speakers in a 2-channel system along with a mix of Radius HD and GS10 speakers for home cinema and studio duties respectively.

‘The performance of Monitor Audio products is outstanding’, adds Iommi, ‘Each part of the range is also incredibly versatile and they look great too’.

As well as his work with Black Sabbath, Tony is a successful solo artist and has worked with many of rock's top names including Henry Rollins, Dave Grohl, Billy Corgan, Phil Anselmo and Ozzy Osbourne.

Other notable milestones for Iommi include being voted Number One in Guitar World's "100 Greatest Metal Guitarists of All Time" pole and seeing Black Sabbath inducted into the UK and US Rock Hall’s of Fame.

In late 2006, Tony reunited with Ronnie James Dio, Geezer Butler and Vinny Appice to form ‘Heaven & Hell’, and have recorded and toured with great success ever since.»

Nota: como ouço Rock, não sei se os topos de gama da Monitor Audio serão as mais adequadas para este estilo musical. A gama Silver sei que sim (o modelo RS já não se faz, agora são as novas RX). Toni Iommi prefere as Platinum. As qualidades audiófilas como a transparência, o refinamento ou a abertura na gama média podem colocar-se no caminho da musicalidade do som da aparelhagem, nomeadamente as colunas, para alguns melómanos.

Recorde-se:
No início foi o Walkman
Espelho meu, haverá colunas mais rock do que eu?
And the winner is...

Teste das Avalon NP2
Coração quente
Audio e o Santo Graal / Audio and The Holy Grail
Melomania e audiofilia, uma relação de equilíbrio
Baixa-fidelidade
Melomania e audiofilia: a prova dos Nu Force Reference 9

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Terceiro elemento dos Om

Contracapa do God Is Good dos Om, em que o produtor Steve Albini surge na fotografia como um terceiro membro da banda, revelador da sua importância na obtenção do resultado final. A sua assinatura num disco é garantia de qualidade sonora. Tornar as nuances e os contrastes perceptíveis é importante para o som de bandas como Om. O álbum mais recente já está na minha lista dos discos mais marcantes (para já são 99).

terça-feira, janeiro 26, 2010

Crime, dizem eles

Introduzir mais um elo na cadeia é um sacrilégio do ponto de vista audiófilo, mas musicalmente o "crime" pode compensar.

Desde que comprei uma aparelhagem nos idos anos 80 (No início foi o walkman), que sempre regulei o controlos de tonalidade no meu amplificador Marantz PM25, um aparelho de entrada, que nada tinha de audiófilo. Retirava ganho no Treble e adicionava mais calor nos graves por via do botão do Bass.

Uma amplificação que inclui controlos de tonalidade não é audiófila, porque está a interferir na verdade da reprodução musical, ao cortarmos algumas frequências. Um dos aspectos positivos da audiofilia é esse princípio de ter o som o mais directo possível, para a menor perda possível da qualidade do sinal. O equilíbrio tem de ser conseguido na difícil conjugação (harmonização) entre a fonte, a amplificação e as colunas, com os cabos de interconexão (liga os aparelhos uns aos outros) e os cabos de coluna pelo meio.

O som puro do amplificador é como um sinal de virilidade. Mesmo quando a intervenção é subtil como no caso deste X-Tone.

Usar ou não controlos de tonalidade tem a ver com a sensibilidade auditiva e a forma como cada um ouve música (os sons). Há ouvidos que gostam de mais agudos, outros de menos agudos. Os meus enquadram-se no segundo tipo, mais sensíveis aos agudos (à volta dos 15 kHz). E valorizo mais os graves. Tem também a ver com a cultura e hábitos auditivos de cada um.

Uma vez, numa loja de audio, durante uma demonstração, o vendedor chegou a dizer que não era normal a minha forma de ouvir música, ao querer os graves bem presentes e os agudos mais recuados (um som desiquilibrado...). Sãoa gudos menos transparentes, frontais, recortados, detalhados, entre outros atributos audiófilos, que tornam o som mais agudo e com demasiada informação nesta zona de frequência, a que o ouvido humano é particularmente sensível.

Não sei como me aventurei na audiofilia, já que esta tende a realçar mais os agudos: é a transparência, a extensão de frequência, o recorte, o detalhe... Ainda por cima para ouvir, basicamente, música rock, com guitarras, distorção e gravações muitas vezes nada audiófilas. Foi um percurso de aprendizagem, com os seus sabores e dissabores.

O X-Tone da Musical Fidelity pode constituir um downgrading audiófilo e um upgrading musical. Permite retirar ganho nos agudos extremos (5, 10 ou 15kHz), de uma forma fina, sem perder o conteúdo e impacto na gama média. O som torna-se mais quente, confortável, musical. Os graves parecem mais firmes e reforçados. O volume pode ser mais alto que não fere nem induz cansaço precocemente.

Se a manipulação da tonalidade não for conseguida apenas pela via dos cabos e/ou combinação harmoniosa dos vários componentes da aparelhagem (seguindo as boas regras audiófilas), processo que envolve toneladas de subjectividade, então é altura para o X-Tone entrar em cena, a intrometer-se entre a fonte e a amplificação. No caso de haver um pré-amplificador, pode ser colocado entre o pré e o amplificador de potência.

Se retirarmos um pequeno ganho nos 5kHz, por exemplo, os agudos mais extremos, há quem refira que torna o som mais limpo, mais focado, melhorando a separação. É ainda relatado que esse corte subtil torna o som mais cheio, com mais corpo, sem perder brilho ou ataque.

Mas, não tive que chegar ao X-Tone, quando fui particularmente desafiado pelo som dos pratos de choque e do prato crash de um disco. Tenho um cabo Straight Wire Duet a alimentar a coluna na secção das baixas frequências (muito bom no recorte quanto baste, profundidade e impacto do grave, sem ser audiófilo no sentido mais puro: high end) e, para ter os agudos menos presentes e frontais (menos audiófilos, isto é, mais velados), introduzi um cabo mais antigo ("inferior") da Straight Wire, o Waveguide 8", a alimentar a coluna (permite bi-cabelagem), nas frequências mais elevadas.

A minha tendência em debelar (velar) os agudos e dar mais calor aos graves pode ser mais mania do que necessidade... Uma visão mais de pormenor do que holística. É importante não se perder nos detalhes, para não trair o melómano. Para não esquecer que a música é o que realmente importa entre aparelhos e cabos para a reprodução sonora.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Formato USB

O interessante seria conjugar as vantagens de transporte e armazenamento com uma qualidade de som que ultrapassasse o CD e se aproximasse da naturalidade do vinil. Isso sim, seria óptimo.

«LIMITED EDITION DELUXE BLACK HEART-SHAPED USB PENDANT NECKLACE1GB» podemos ler sobre um dos formatos em que é editado o novo álbum, Six, dos THE BLACK HEART PROCESSION.

E explicitam-se os detalhes: «rewritable USB flash drive includes the album in lossless WAV files, plus 15-page Digital Booklet, hi-resolution cover art, and "Witching Stone" music video. Pendant necklace comes packaged inside custom laser-engraved heartshaped metal tin. Limited edition of 1,000 copies.»

Se o USB me garantir, pelo menos, a qualidade do CD, não tenho problema em aderir. Já estou a imaginar um leitor misto de CD e USB, quem sabe se com um écran para vermos logo ali o artwork e lermos as letras durante a audição da música.

Perde-se o contacto físico e ritualístico com o disco, seja em vinil, seja em CD, mas não se pode ter tudo, pelo menos para já. As vantagens de transporte e armazenamento, por exemplo, do formato USB é de ter muito em conta. O interessante seria conjugar estas vantagens com uma qualidade de som que ultrapassasse o CD e se aproximasse da naturalidade do vinil.

domingo, julho 19, 2009

No início foi o Walkman

O primeiro walkman comercializado foi o da Sony, há 30 anos. Esta data comemorativa é um bom pretexto para recordar o meu percurso enquanto melómano e "audiófilo" (logo se perceberá o porquê das aspas no segundo conceito): do walkman à aparelhagem a sério.

«O primeiro modelo do mais popular leitor portátil de cassetes chegou às lojas há 30 anos. O aparelho era azul e cinzento – e substancialmente maior do que qualquer moderno leitor de áudio», deu conta o Público.

O meu primeiro (e único) walkman, responsável por me lançar nas primeiras experiências significativas com o audio e a música, foi comprado em 1986, meia-dúzia de anos após a sua chegada ao mercado, graças aos primeiros salários. Não era um Sony. A marca Aiwa vem à cabeça, mas não sei. O mais certo era ser uma marca asiática qualquer mais barata. Não posso jurar, nem confirmar porque não sei o que foi feito dele.

Viajou comigo para a Inglaterra nesse ano. Acompanhou novas experiências musicais, incluindo Bob Marley, U2 e Pink Floyd. A seguir, em 1987, evolui para um stereo (rádio e leitor de cassetes) da Panasonic (modelo RX-FW20L) e, no ano seguinte, comprei um pequeno giradiscos Marantz, que ouvia ligado ao stereo japonês.

Depois, talvez já em 1989, veio o amplificador PM25 da Marantz e umas colunas de som Jamo. No final desse ano, um leitor de CDs CDP 228ESD da Sony, uma bomba na época. A primeira aparelhagem estava formada para os próximos dez anos. Veio o rock pesado depois de dois anos a orbitar à volta de Pink Floyd. Talvez em 1990, adquiri um leitor/gravador de cassetes, o Aiwa AD F880, que hoje já não funciona.

Em 1998, com o retomar da vida de assalariado, após a universidade, dei o salto, sem consciência na altura, para a audiofilia, com o amplificador a válvulas Audio Note Oto e as colunas de som Sonus Faber Concerto, que são de suporte. Na altura, as Jamo tinham ido à vida e tinha umas pequenas Mission 760i, também colunas de suporte. Eram melhores no grave.

Apesar das minhas preferências musicais dentro do rock e heavy metal, não tive a clarividência de perceber, nas demonstrações, que o som de qualidade audiófila não servia. Não valorizei determinados sinais e percepções, como a presença no "treble". Pensava então que mais e melhor som era igual a mais musicalidade e fruição melómana, como vende a indústria e a audiofilia. Estava bem enganado.

Além disso, o vendedor sublinhou a capacidade do grave da coluna, apesar de ser de suporte, e a sua adaptabilidade ao espaço a que se destinava. Desaconselhou colunas de chão. Além do mais, as Sonus Faber Concerto eram e são muito bonitas. Foram vários factores que determinaram a escolha.

Percebo, agora, que o aconselhamento audiófilo da loja Viasónica, em Lisboa, na escolha de colunas e amplificador, há onze anos, partiu de premissas erradas. Lá me venderam os dois componentes e depois fui percebendo que o som era, tecnicamente, demasiado "bom" para rock. Transparência, refinamento, detalhe, presença e recorte que me fizeram ouvir e apreciar outros géneros musicais (world music ou jazz), mas essa superioridade técnica do som condicionava a musicalidade (som quente e cheio, com o grave encorpado e o "treble" velado e recuado) necessária ao rock.

Pelo caminho, depois de ter feito a necessária aprendizagem e ganhado clarividência na matéria, abandonei logo o Audio Note Oto em favor do amplificador MA240 e o pré-amplificador da Myryad. Ganhei mais controlo sobre a coluna devido à maior quantidade de corrente. Para ganhar algum grave ainda comprei um subwoofer da REL (Strata III). As Sonus Faber Concerto eram colunas de suporte.

O pré-amplificador da Myryad continuava a ser ainda demasiado audiófilo para os meus ouvidos sensíveis ao "treble". Em 2002, o som mais quente e velado do Rega Cursa tornou-se o companheiro ideal para o "power" da Myryad. O leitor de CDs da Sony, com treze anos de uso, já com a gaveta a funcionar mal, passou à história com a chegada do excelente Rega Planet. A qualidade dos leitores de CDs tinha evoluído muito.

Antes da escolha acertada pelo Rega Planet, que continua a ser muito apreciado e válido, ainda cheguei a experimentar o MCD 200 da Myryad, mas não era o que procurava. Da Myryad ficou mesmo o power amplifier MA240, um coração de leão, com ataque e dinâmica, que custou 350 contos. Na altura, a escolha da amplificação fez-se entre a Myryad e a Musical Fidelity.

Gostava (e gosto) das Sonus Faber Concerto pela suavidade do som, mas acabei, onze anos depois, sem planear muito, num ímpeto, por abandoná-las em favor de umas colunas de som Monitor Audio Silver RS6, mais modestas (apenas tecnicamente, isto é, do ponto de vista audiófilo) mas superiores em termos musicais, tal como o Myryad MA240 relativamente ao Audio Note Oto: som quente e cheio, com o grave encorpado e o "treble" velado e recuado. Permitem horas infinitas a ouvir música sem cansar. As Monitor Audio foram uma surpresa para mim. Do ponto de vista musical. Não falo em termos audiófilos.

O facto das inglesas Monitor Audio Silver RS6 serem colunas de chão deram outro corpo e profundidade ao grave, essencial para o rock e para um basshead como eu. Apesar dos generosos graves, não me consegui separar do subwoofer da REL, um fiel e aconchegante companheiro, para dar aquele calor telúrico dos 20Hz para baixo.

Outro fiel companheiro, desde há onze anos, tem sido o cabo de coluna Wave Guide 8" da americana Straight Wire. É o único componente, para além dos interconectores, que é americano. O restante é inglês. A cultura musical destes países reflecte-se na qualidade do audio. Uma coisa está ligada à outra.

O cabo de coluna Wave Guide 8" da Straight Wire foi-me sugerido na compra das Sonus Faber Concerto e do Audio Note Oto, como ponto de partida, pelos audiófilos da loja Viasónica, em 1998. Por acaso, foi a melhor sugestão do vendedor, que continuo a agradecer, porque é o nível certo para eu estar, com qualidade, mas sem colocar o pé na audiofilia. O resto da aparelhagem anda agora nesse nível e a musicalidade está assegurada.

Por isso, nos últimos tempos, tenho estado a fazer downgrading em vez de upgrading. Ou dito de outra forma, downgrading audiófilo e upgrading musical.

Tenho experimentado cabos de coluna das famosas marcas americanas Nordost e Kimber, mas quanto mais subo na qualidade (e preço) pior soa do ponto de vista musical, apesar de soar melhor do ponto de vista audiófilo/técnico: transparência, detalhe, precisão, dinâmica, neutralidade, recorte, entre outros atributos. Vou experimentar em breve o mais barato da Kimber, ao nível do Straight Wire que tenho, bem como o Duet (evolução do Wave Guide 8") da mesma Straight Wire, modelo que já não é produzido.

Mais musicalidade é igual a mais tempo a ouvir música, bem como mais compra de discos (música) e menos investimento no hardware (aparelhagem). A aparelhagem existe para servir a fruição de música pelo melómano. Nunca se deve inverter essa prioridade. Quando a música se torna num pretexto para o audiófilo ouvir a aparelhagem, lixou-se a música, a musicalidade, o melómano. Entra-se numa caminhada em busca de algo que não existe.

Mais transparência e detalhe pode significar mais realismo acústico, mas recorte e precisão audiófilas podem significar um som mais maquinal, neutral, árido e asséptico, isto é, com menor realismo. O demasiado recorte e exactidão, por exemplo, não soa natural/realista porque tudo soa demasiado maquinal e perfeito. Compreendo o desafio e fascínio técnicos, mas assegurar a musicalidade é o valor essencial. A imperfeição faz parte da condição humana. A perfeição soa sempre pouco natural ou realista.

Acredito no high end musical, não audiófilo.

Recorde-se:
Espelho meu, haverá colunas mais rock do que eu?
Teste das Avalon NP2
Coração quente
Audio e o Santo Graal / Audio and The Holy Grail
Melomania e audiofilia, uma relação de equilíbrio
Baixa-fidelidade
Melomania e audiofilia: a prova dos Nu Force Reference 9

sexta-feira, julho 03, 2009

Versão de "Death Magnetic" do Guitar Hero III

Death Magnetic, o álbum mais recente de Metallica, na versão do jogo de vídeo Guitar Hero III é bem melhor do que o som da edição discográfica do álbum, seja em CD ou vinil, como tivemos ocasião de analisar: Compressão do som trama Metallica.

Além dos formatos habituais, vinil ou CD standard, conto agora com o CD-R com som/faixas do Guitar Hero III, documentado na imagem.

quarta-feira, junho 24, 2009

Compressão do som trama Metallica (Metallica victims of loudness) III

Uma imagem pode valer mil palavras, mas pude também confirmar através das próprias ondas sonoras: Death Magnetic na versão do jogo de vídeo Guitar Hero III é bem melhor do que o som da edição discográfica do álbum, seja em CD ou vinil.
image origin

A problemática foi já abordada noutros posts (recorde tudo a partir de Compressão do som trama Metallica), mas hoje estou em condições de retirar as conclusões definitivas.

A banda parece não se ter preocupado com os fãs que, perante o som comprimido de Death Magnetic, solicitavam a re-mistura («re-mixed» em oposição a «remixed) e/ou remasterização do álbum.

Daí a difusão na internet do álbum na versão que vem no Guitar Hero III, que não deve estar a agradar nada à banda ou à editora. «Audiophiles would be better off recording the songs from the video game than buying the album because the Guitar Hero version has far more dynamic range than the hyper-compressed CD version

Com os temas da edição standard (mp3) e as faixas do Guitar Hero, pude comparar, juntamente com outras pessoas, as duas versões e perceber a enorme diferença de qualidade, dinâmica e musicalidade. Agora posso apreciar o álbum. Logo que me apercebi do problema, nas vésperas do lançamento em 2008, cancelei logo a compra do disco em vinil ou em CD. Caso contrário, ainda hoje choraria o dinheiro.

Posso confirmar o que foi veículado na WIRED: «the CD is boosted as much as compressively possible, making it 10 decibels louder than the Guitar Hero version while completely bleaching out the dynamic range.» Depois de verificar a diferença de volume, tinha de ajustá-lo quando mudava de versão durante a comparação musical.

A faixa número 9, o instrumental "Suicide & Redemption", foi uma das utilizadas para o "estudo" comparativo. São estas as conclusões:

A parede de som da versão standard empurra as guitarras (e a vocalização) para a frente, tornando-as mais presentes, proeminentes e dominantes que tudo o resto. Torna o som menos musical, mais duro e induz cansaço precoce no ouvinte, também pelo maior volume e distorção.

O som comprimido dá menos espaço aos instrumentos, que surgem como que compactados e encavalitados uns nos outros (daí também a expressão «brick wall»), retirando espaço sobretudo ao baixo e à bateria, que perdem impacto e ataque. Esta soa mais seca e com menor profundidade. O baixo ouve-se menos, como que espalmado, e fica relegado para segundo plano. Soa tudo pouco natural sem a devida dinâmica de frequência.

O baixo e a bateria (baixas frequências) são abafados em favor da vocalização e da guitarra (médias-altas frequências). Até os pratos da bateria soam mais presentes e agressivos (mais em cima das médias-altas frequências) na versão standard. Na versão do Guitar Hero os pratos soam mais no extremo das frequências (agudos), mais suaves e naturais.

Na versão Guitar Hero o baixo e a bateria têm maior amplitude, são mais expansivos, redondos, mais profundos, mais naturais. Os instrumentos surgem todos nos sítios certos, bem separados uns dos outros e cada qual com imenso espaço à sua volta.

Em síntese, a gravação do jogo de vídeo sublinha as nuances, os contrastes, as transições, a diferença entre a sombra e a luz, entre os sons mais altos e os mais baixos. Mais natural. Mais musical.

Para um basshead como eu, era de facto uma tristeza não ouvir como deve ser a bateria de Lars Ulrich e o baixo de Robert Trujillo. Não percebo como a banda pode aceitar uma brincadeira destas, que interfere e condiciona a audição da música. Para impressionar mais na rádio, nos iPods ou nas jukeboxes?

Felizmente, a versão Guitar Hero circula na Internet e salvou a malta.

A propósito:
Death Magnetic, onde moram os graves?
Compressão do som trama Metallica (Metallica victims of loudness)
Compressão do som trama Metallica (Metallica victims of loudness)II
Because bass matters

O que outros disseram:

Death Magnetic sounds better in Guitar Hero

Para quem quer a dinâmica de volta aos discos:
Turn Me Up
Justice For Audio

terça-feira, junho 16, 2009

Rock > êxtase > experiência espiritual

Dan Graham: "I always thought - particulary because I was listening to hardcore - that rock 'n' roll comes out of using noise and the destructiveness of noise and sound, making it into something ecstatic. Where you can get in touch with God." (WIRE #304 June 2009)
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sábado, junho 13, 2009

Compressão do som trama Metallica (Metallica victims of loudness) II

Se és contra a compressão do som podes, por exemplo, assinar esta petição online, uma forma de dar a conhecer aos músicos e à respectiva indústria que a má qualidade de som não é a melhor forma de servir a música.

Já abordámos o problema da compressão do som em Compressão do som (loudness war) trama Metallica ou Death Magnetic, onde moram os graves?

Na crítica ao álbum na Rolling Stone, em que se dizia que «Death Magnetic manages to sound huge, polished and tough» ou que «The musicianship feels thrillingly live throughout, and nimble new bassist Robert Trujillo helps», também se dizia isto: «even though he [Robert Trujillo, the bass player] is mostly heard as a distant, ominous rumble. (Has there ever been a more bass-averse band in rock?)»

Esta crónica aversão da banda ao baixo aliada ao efeito da compressão do som, que afecta Death Magnetic, torna tudo pior. O baixo e a bateria (baixas frequências) são abafados em favor da vocalização e da guitarra (altas e médias frequências). Perdem-se as nuances, os contrastes, a diferença entre sombra e luz, entre os sons mais altos e o mais baixos. É uma parede compacta de som.

Na mesma edição em que Metallica eram capa da citada Rolling Stone, vinha o artigo Fans Complain After “Death Magnetic” Sounds Better On “Guitar Hero” Than CD . O jogo de vídeo Guitar Hero acabou de ser lançado.

Podemos ler toda a explicação técnica, acompanhada de gráficos ilutrativos, na WIRED: Metallica’s Death Magnetic Sounds Better in Guitar Hero, que justifica a reacção dos fãs que criticaram o som do álbum.

«Audiophiles would be better off recording the songs from the video game than buying the album because the Guitar Hero version has far more dynamic range than the hyper-compressed CD version.»

Até agora uma petição online conta com 20.530 assinaturas de fãs pedindo que o álbum seja «re-mixed (as opposed to remixed) and/or remastered.» Assinar a petição é uma forma de dar a conhecer à banda e à indústria que esta má qualidade de som não é a melhor forma de servir a música.

Se este objectivo falhar, podemo-nos socorrer do jogo de vídeo: «someone will eventually record themselves playing the song perfectly within the [Guitar Hero] game and distribute it via bit torrent, and then Metallica’s label will have another thing to get upset about.»

No linkado artigo da WIRED podemos ainda ler: "There’s no analysis needed, you can hear it plain as day" (Ian Shepherd, a mastering engineer at SRT). A Rolling Stone refere que «Shepherd discovered that the CD is boosted as much as compressively possible, making it 10 decibels louder than the Guitar Hero version while completely bleaching out the dynamic range

No caso de Death Magnetic, o problema parece ter origem no produtor Rick Rubin, segundo o Guardian: «Apparently, the blame for this lies with Rick Rubin, the album's producer. He's long been singled out as a repeat offender. His work on Red Hot Chili Peppers' buffed-up Californication has been deemed unlistenable by plenty of commentators.»

A Rolling Stone dedicou um artigo à morte da alta-fidelidade, que vale a pena ler. Bob Dylan é citado: «Last year, Bob Dylan told Rolling Stone that modern albums "have sound all over them. There's no definition of nothing, no vocal, no nothing, just like — static."»

Passado quase um ano, não comprei o Death Magnetic de Metallica. Não tenho vontade de comprar um disco cujo som está comprimido e não tem os graves que seria natural um disco de rock ter.

Quem se interessar por este assunto da compressão do som, pode ler mais em Justice For Audio. Nomeadamente, BBB 4 Radio report on Death Magnetic & sound issues.

quarta-feira, maio 27, 2009

Estranha sobrevivência da cassete audio

Se o disco de vinil apresenta algumas vantagens relativamente ao CD em termos sonoros, que justifica o aumento de vendas na actualidade, o mesmo não se pode alegar face à cassete audio, em que a tecnologia digital apresenta vantagens substantivas a vários níveis.

O Público de 19.05.2009 deu conta que as velhas cassetes audio , «ícone dos 80’s», que se pensavam extintas ou à beira disso, afinal sobrevivem.

A «TDK, líder de mercado no sector, avança com notícias surpreendentes: não só a empresa vendeu um milhão de cassetes virgens nos primeiros quatro meses do ano como tem havido um aumento na procura nos últimos 12 meses.»

«Em 2007, a venda de cassetes tinha descido de 50 milhões por ano para apenas 5 milhões. Naturalmente, toda a gente pensou que o formato estava a dar o suspiro final e que as fábricas estariam todas fechadas num prazo muito curto.»

Não parece que o facto de muitas pessoas ainda terem aparelhos de leitura de cassetes, em casa e no carro, existir qualquer saudosismo relativamente aos anos 80 ou ainda serem usadas em muitos sistemas judiciais do mundo, não explica o aumento de vendas deste formato. Há qualquer coisa que está a falhar nestes dados. O anunciado aumento de vendas dever ser algo pontual.

sábado, abril 25, 2009

Experiência audiófila

Leitor da Mark Levinson, CD Transport nr 31.5.

Gosto da robustez metálica, da cor preta e das letras/números em cor vermelha no mostrador, em tamanho que permite ver a grande distância, do carregamento dos discos pelo topo (como o meu Rega), mas tem demasiados botões.

Tive ocasião de ouvir hoje música a brotar de um equipamento audio da Mark Levinson ligado a umas colunas gigantes Genesis, quatro torres com cerca de dois metros de altura, cada uma.

Apesar de ser um topo audiófilo, o equipamento soa suave e musical, embora ainda não tenha os cabos de coluna à altura a ligar o pré-amplificador aos dois enormes amplificadores mono, que alimentam as duas torres de médios/agudos da Genesis. Desconfio que uns cabos melhores podem tornar o som menos musical e mais analítico, detalhado, mais informativo, mais cansativo.

Não ouvimos apenas álbum I'm Your Man de Leonard Cohen. Tocou também a 9ª Sinfonia de Beethoven, de início ao fim e, espante-se, soou sempre confortável e empolgante. Como a música clássica tem, geralmente, esse problema da falta de graves, pedi ao meu anfitrião para dar mais grave ao amplificador Genesis de mil e quinhentos watts, que alimentam as respectivas torres de graves (quatro woofers para a frente e quatro para trás, em cada uma das torres).

Como sou um basshead, gosto dos meus graves. Sempre controlados, definidos e recortados. Nada de graves exagerados ou balofos. O grave tem de ter consistente e profundo.

quarta-feira, março 18, 2009

And the winner is...

Panzer III versus Monitor Audio Silver RS6. Two fighting machines, but it's obvious which one is the most powerful.

Panzer III versus Monitor Audio Silver RS6. Duas máquinas de combate, mas é óbvio qual delas tem mais poder de fogo.
Panzer photo copyright

Recorde-se:
Espelho meu, haverá colunas mais rock do que eu?

terça-feira, março 10, 2009

High end? Só o musical.

Ironia do destino: na recensão de ontem, sobre as Monitor Audio Silver RS6, expressei que o aconselhamento audiófilo da Viasónica, na escolha de colunas e amplificador, há dez anos, partiu de premissas erradas.

Hoje recebi este convite da referida loja, para um fim-de-semana audiófilo. Com umas Monitor Audio (e muito Rock para ouvir), a audiofilia e o high end dispensa-se, obrigado. Acredito no high end musical, não audiófilo.

segunda-feira, março 09, 2009

Espelho meu, haverá colunas mais Rock do que eu?

Monitor Audio Silver RS6 (black): they look rock and they DO rock. Uma coluna robusta e de combate, uma força da natureza.

No final de uma outra recensão crítica, sobre uma experiência com colunas de som, disse-se que, face ao pântano de subjectividade inerente ao mundo do audio, tudo estaria nas mãos de Deus...

Para parafrasear o famoso fado da Amália, diria agora que «foi Deus» que me colocou as Monitor Audio no destino... Mas, não vou descartar responsabilidades colocando a questão no plano divino. Tive alguma coisa a ver com o assunto.

O meu percurso no audio, para servir a minha paixão pela música, encetou-se nos anos 80. Antes disso não havia dinheiro e não havia cultura "audiófila" no meio a que pertencia.

Depois do primeiro walkman (que enorme salto na fruição de música) graças aos primeiros salários (já nem me lembro da marca... seria Aiwa?), veio o primeiro stereo (rádio e leitor de k7s) da Panasonic. Depois disso veio um giradiscos da Marantz, caro na altura e sem nada de especial, que ligava ao Panasonic. Só depois veio o meu primeiro amplificador Marantz (35W por canal) e umas colunas monitoras Jamo. Passado algum tempo dei outro salto com umas colunas Mission, também monitoras.

Depois disso, a audiofilia. Desgraçadamente, percebo eu dez anos depois, fui parar à Viasónica, em Lisboa (na Madeira não havia lojas da especialidade como há hoje a Magnólia ou a MusiRitual), que me "convenceu" a optar por umas colunas monitoras, Sonus Faber Concerto, tendo em conta o espaço que ocupariam, e um amplificador a válvulas, o Audio Note Oto. Antes disso passara pela Transom e ouvira umas colunas de chão B&W, penso que ligadas a um Rotel, que até me tinham agradado. Mas os conhecimentos não eram os de hoje e depositei demasiado na cultura audiófila da Viasónica.

Atenção que o conjunto Audio Note e Sonus Faber fizeram-me apreciar géneros que até então nunca tinha valorizado como o Flamenco, Jazz, Fado e outra World Music. Contudo, eu dissera aos gajos da Viasónica que ouvia Rock. E experimentei rock, mas o discernimento pessoal e as opções que me foram dadas, em termos de equipamento, não foram as mais indicadas. Porque se partira da premissa que as monitoras e a audiofilia seria indicado para o rock.

Assim, fui atirado para a audiofilia quando, afinal, não precisava dela. Nessa época pensava que, neste campo, mais era melhor. Acabei por despachar o Audio Note e optar pelo power da Myryad e o pré da Rega, escolhas bem acertadas. Já sabia bem ao que ia. Ou ao que não ia.

Contudo, mantive-me fiel às Sonus Faber, por causa do tamanho da sala e por, supostamente, mexer menos com a acústica do espaço. Também pelo som espectacular das monitoras, pela suavidade e até pela sua estética. Proporcionaram-me muitos bons momentos, não vamos deitar fora o bébé com a água do banho...

Mas viria a revelar-se um erro. Ao optar por monitoras em vez de colunas de chão parti de uma premissa errada. As colunas de chão dão graves mais encorpados e fundos e, como agora pude constatar, mexem menos com a minha sala em termos de ressonâncias. As Monitor Audio são um elemento menos perturbador em termos acústicos. Não há room boom. O grave não enrola. Nada. Afinal, tenho um bom espaço acústico.

As Sonus Faber deveriam ter sido o primeiro componente a ser mudado. O Audio Note poderia ter casado melhor com as Monitor Audio. Não foi e fez com que o caminho fosse mais tortuoso e dispendioso. Acabei por optar por um subwoofer REL, para compensar a menor capacidade de graves das monitoras, e mudar cabos. Até chegar às Monitor Audio. Um percurso que teve os seus desafios e aprendizagns, apesar de alguns desalentos.

As Monitor Audio, as Silver RS6, em preto, representam o meu céu, não propriamente audiófilo, mas melómano. Ainda por cima, custaram, em 2009, metade das Sonus Faber Concerto, em 1998.

A comparação entre ambas é inevitável. As referidas monitoras podem ser mais audiófilas, superiores em termos técnicos, mas as colunas de chão da Monitor Audio são mais musicais, mais pujantes, mais dinâmicas, menos agressivas/transparentes/abertas na gama média alta, enfim, é tudo o que um amante de rock pode querer.

Mais importante do que isso, as Silver RS6 debitam uns graves encorpados (parecemos visualizar as cordas da viola-baixo a vibrar), além de mais profundos. Ao ponto de quase dispensar o subwoofer, que mantenho nestes primeiros momentos, por dar mais um aconchego abaixo dos 30/20 Hz. E sou capaz de manter porque, sonicamente, gosto de descer ao calor do fundo dos infernos...

Mas, as vantagens, a meio preço, não se ficam por aqui. Esteticamente, as Monitor Audio em causa têm um look muito rock, de combate, de força, de robustez. A cor preta, com os altifalantes brancos e o respectivo contorno em metal cinza baço, confere à coluna um aspecto distinto e, diria, irresistível.

Apesar de ter tido contacto visual com a coluna na Net, ao retirá-la da caixa fui agradavelmente surpreendido pelo seu impacto visual.

Há uma relação custo-qualidade que diria imbatível. Uma coluna obrigatória a experimentar quando pensar em comprar uma coluna para apreciar música. Se for para ouvir rock, enfim, não conheço melhor opção depois de ouvir tanta coisa nestes últimos dez anos.

One Day As A Lion, o novo projecto do vocalista de Rage Against the Machine, foi a primeira coisa a ser triturada pelas RS6. E ao primeiro tema percebi que tinha encontrado o meu Santo Graal. Depois dei-lhe o difícil Animositisomina de Ministry e não soou nada agressivo em termos de gama média alta, para além da agressividade própria da música. Sempre tudo musical e confortável. Nada de audiofilia aguda. E os graves!... O baixo não pára de ronronar.

Estou a ouvir a minha música de novo, sem exageros. E apetece ainda comprar mais música. A aparelhagem está a cumprir o seu papel e não interfere com o melómano: fá-lo gostar mais da música e essa música de que gosta emociona-o mais. Ponto final. O resto são tretas.

Menos pode significar mais em audio. Repensei o caminho e dei um passo atrás em termos audiófilos e de custos. Em nome da MÚSICA, o essencial, que nunca pode ser remetida a um mero instrumento para ouvir a aparelhagem.

Assim, desfiz-me do único componente da aparelhagem que não era inglês, sem contar com cabos ou alimentação. E será por acaso? Há uma cultura musical no Reino Unido que tem reflexo na indústria audio. A Monitor Audio, a Rega ou a Myryad sabem como se deve ouvir música do ponto de vista do melómano. Sabem bem para quem estão a produzir equipamentos.

É claro que as Monitor Audio Silver RS6 estão bem alimentadas pelos mais de cem watts do enérgico Myryad, assistido pelo pré da Rega. As fontes são também Rega, que tornam o som bastante musical. Na génese da Rega e da Myryad estão músicos. E isso diz muita coisa. They simply cut the crap and go to the point.

Poderei estar a precipitar-me, mas se calhar já posso dizer Monitor Audio forever. Como diz o slogan da marca, as close as it gets. Nem mais.

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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa March 2009

quarta-feira, março 04, 2009

Teste das Avalon NP2

Gostei tanto dos graves que cheguei a pensar (sacrilégio) em mudar os altifalantes das NP2 dos médios e agudos, para se adaptarem mais ao rock, que só o desconhecimento técnico tornaria algo imaginável.

Na minha caminhada no fio da navalha, em busca, não do Santo Graal audiófilo, mas da zona de compromisso entre o audio de gama média e o chamado high end, os meus amigos da MusiRitual, no Funchal (musiritual@gmail.com), tiveram a gentileza de fazer uma visita com as Avalon NP2 debaixo do braço.

Sempre com o rock em mente, género musical que mais ouço (e cada vez mais - coisas da idade). Incluindo as formas mais intensas e alternativas (underground) do género.

O meu espaço melómano (pronto, também audiófilo) não parecia fácil de acomodar os graves de uma coluna de chão, pensava eu. Mas não. As Avalon NP2, com um grave denso, recortado, robusto e controlado, não mexeu nem um milímetro com a acústica da sala. Não fez rimbombar a sala, quero dizer. O room boom nas baixas frequências é uma maleita difícil de corrigir.

O Ricardo, com conhecimento de anos e anos nestas coisas, meteu ainda uns cabos de coluna da americana Kimber, entre as Avalon e o meu power da Myryad, e voilá, o grave (frequência que mais gosto - sou doente por esta gama de frequência) ganhou ainda mais profundidade e pujança. E o meu subwoofer da Rell lá atrás do sweet spot de braços cruzados. Dispensável.

As NP2 não teriam saído de casa com estes graves (o coração sangrou), se não fossem "demasiado" boas (audiófilas). Contrasenso? É simples. A gama média-alta, sobretudo, é tão naturalmente aberta, clara, detalhada, transparente, informativa e frontal (o sonho do audiófilo), que o rock torna demasiado duro. Pelo menos para os meus ouvidos.

É claro que eu pus a tocar o disco que uso como prova dos nove: Animositisomina dos americanos Ministry. Rock Industrial pesado. Por sinal da mesma nacionalidade das Avalon. Não terá sempre a música razão?

A coluna não tem nenhum defeito. Apenas está num patamar de qualidade de reprodução de som superior à qualidade de gravação de muito rock e da sua natureza sónica intrínseca (guitarras, distorção, muralhas de som).

As Avalon (o high end em geral) e o Rock são como duas pessoas maravilhosas, mas que não combinam para casar. O flirt expões as incompatibilidades.

Para outros géneros musicais, claro está, as NP2 são uma referência a ter em conta para uma audição. No auditório na MusiRitual (291762469: Caminho do Amparo, Bloco 2, Loja 2, Funchal – ao lado da Pizzaria Papa Manuel I) ou experimentando em casa, na sua própria aparelhagem e espaço acústico.

E não foi só como o Rock que os agudos-médios das colunas se incompatibilizaram. Tem a ver ainda com a minha maneira de ouvir música, com a gama média mais recuada, mais baça, menos informativa.

Gostei tanto dos graves que cheguei a pensar (sacrilégio) em mudar os altifalantes das NP2 dos médios e agudos, para se adaptarem mais ao rock, que só o desconhecimento técnico tornaria algo imaginável. Porque o que conduz e determina o som que brota dos altifalantes, pelo que eu li, é , sobretudo, o crossover. Que é único na coluna. A não ser que o amplificador alimentasse um crossover para os graves e outro para os altifalantes de médios e agudos... Mesmo que possível, a coluna perderia a sua identidade, sentido do conjunto e harmonia.

O caminho é descer na qualidade. Para ouvir rock. Menos detalhe, menos recorte, menos muita coisa, mas talvez mais musicalidade e motivação para o melómano. A aparelhagem, não esqueçamos, é sempre um instrumento, um meio, e não o fim. Há audiófilos para os quais é um fim, pelo prazer que lhes dá aperfeiçoar o som e evoluir. Um hobby legítimo como outro qualquer.

Esteticamente, as Avalon, disponíveis apenas em cor clara, não têm um look rock. O preto tem outro impacto para os fãs do género maldito. Mas, por aqueles graves, capaz de fazer descer ao calor dos confins dos infernos, até estaria disposto a pintá-las de preto...

A aventura continua. Seguem-se as inglesas Monitor Audio Silver RS6. Apesar das NP2 até terem um preço em conta para a sua qualidade superior, aquelas Monitor Audio custam apenas 40%, a preços de tabela. Em termos de atributos e prestação técnica, uma coisa não tem a ver com a outra. Mas, só quando o material toca na aparelhagem, no nosso espaço, é que sabemos se resulta.

Se nos faz gostar mais da nossa música e se a música de que gostamos nos emociona mais, significa que a aparelhagem cumpre o seu papel. Quando nos faz ouvir menos música ou obter menos prazer nas audições, é preciso repensar o caminho e até dar um passo atrás, se necessário. Sempre em nome da MÚSICA.

«Making the critical link between scientific measurements and listening impressions» é o cerne da questão, como escreve a Kimber. Nadamos num pântano de subjectividade...

Está agora nas mãos de Deus...
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Photo taken with a Nokia cellphone 3.2 megapixel camera : no editing : no flash : © neliodesousa 2009