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terça-feira, outubro 28, 2008

Liberalização aérea 8: interesses do turismo têm secundarizado interesses dos madeirenses

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A EasyJet iniciou ontem os voos regulares entre a Madeira e Lisboa. Façamos votos para que venha a revolucionar, de facto, os preços das viagens aéreas, no sentido de as tornar substancial e consistentemente mais baratas para os turistas e, sobretudo, para os residentes, por muitos anos.

Entretanto, continuo a ouvir pessoas (reais, não estatísticas e médias, nas quais insistem os governos nacional e regional) a queixar-se de pagar cerca de 500 euros por uma viagem a Lisboa ou 300 euros por apenas um percurso (ida ou vinda).

Paulo Campos, secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações, referiu ao Diário de ontem que a liberação teve como objectivos «tornar a Região mais competitiva nos mercados turísticos, mas também assegurar maior coesão social e territorial.» «Também». Quer dizer que não foi este («os madeirenses e continentais possam estar mais próximos») o objectivo prioritário dos governos nacional e regional?

Sobretudo o Governo Regional, não deveria ter colocado essa «coesão territorial e social», isto é, o interesse dos madeirenses, à frente dos interesses do Turismo? Será que a Liberalização aérea foi histórica, em primeiro lugar e sobretudo, para o turismo? O turismo foi colocado à frente dos interesses dos madeirenses, condenados a carregar a canga do seu aprisionamento insular?

«Num passado mais recente as condições de flexibilidade de marcação [das viagens] eram melhores, mas se houver planeamento...», reconhece Paulo Campos. Esquece-se, no entanto, como as entidades regionais, que há madeirenses, entre eles estudantes, que não conseguem, por vicissitudes da sua vida e compromissos quotidianos, profissionais, por exemplo, fazer esse planeamento como consegue o turista, com maior disponibilidade para viajar num dia ou noutro, nesta ou naquela hora, precisamente por estar de férias.

O interesse dos madeirenses poderia ter sido, desde o início, melhor acautelado. Como foram as autoridades regionais alertadas pelo relatório de um Grupo de Trabalho:

«Assim, porque a liberalização sem condições contratuais das ligações aéreas pode não significar mais voos, menor preço e maior capacidade, até porque eliminando-se a obrigação da frequência e a obrigação de continuidade dos serviços, seria natural que os operadores procurassem adequar a oferta em função da procura, o que poderia fazer flutuar de forma significativa a oferta em relação ao modelo actual, o Grupo de Trabalho de forma unânime entende que a Região não deverá correr estes riscos, razão pela qual a liberalização com condições contratuais é aquela que neste momento melhor salvaguarda os interesses da Região

«Mantemos a ideia de que o mercado funcionando [havendo concorrência] tem condições para melhorar a qualidade e adequar os preços», refere ainda Paulo Campos.

A ver vamos se o mercado desta ilha isolada no Atlântico funciona e é mais apetecível do que se pensa... A ver vamos se entram outras companhias aéreas. Eu não contaria muito com isso... Veja-se o que tem acontecido com o mercado dos combustíveis em Portugal...

Veremos, no fim, quem terá razão. Oxalá a liberalização, para os madeirenses, não fique aquém do desejado...

Recorde-se:
Liberalização aérea 7: histórico para o turismo
Liberalização aérea 6: voos da EasyJet a partir de 241,99 euros
Liberalização aérea 5: insistência nas médias...
Liberalização aérea 4: Governo Regional considera viagens baratas
Liberalização aérea 3: autonomia, "revolução pacífica e liberalização «espúria»
Liberalização aérea 2: turismo colocado à frente dos interesses dos madeirenses
Liberalização aérea 1: só o tempo o dirá

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